terça-feira, 26 de maio de 2020

Starfish, Akemi Dawn Bowman


Conheci esse livro porque ele estava disponível para ler no site da editora durante maio. Ele conta a história de Kiko, uma jovem mestiça de pai de ascendência japonesa e mãe branca. O sonho dela é estudar na Prism, uma escola de artes em Nova York, onde ela acredita que poderá recomeçar e esquecer de seu passado traumático. No entanto, ela recebe uma carta de rejeição da escola, e terá que superar seus medos de outra forma.

Starfish não é uma leitura leve — Kiko tem familiares abusivos e tóxicos e sofre de ansiedade social —, mas mesmo assim o ritmo de leitura é rápido, típico de YAs, e fiquei bem imersa na história. E assim como em outros YAs, o que mais me incomodou no livro são questões de enredo e personagens. Gostei de ver o amadurecimento da Kiko durante a história, e como pessoa tímida acho fácil de me identificar com ela e suas inseguranças, mas sua evolução acabou mais ligada a fatores externos (um amigo/interesse romântico e um mentor) do que a ela mesma. É como se nada teria mudado se ela não tivesse a sorte de encontrar essas pessoas pelo caminho, e essa não é uma boa mensagem para se passar, ainda que ela só seja implícita.

Além disso, por mais que eu goste do Jamie, ele é um tanto sem graça como personagem. O único defeito dele é não entender a timidez da Kiko e a tratar com impaciência por causa disso, o que é errado, mas também compreensível. E o romance deles é tão óbvio.

No geral, gostei do retrato da família da Kiko, mas queria saber mais sobre os outros familiares além da mãe. Há motivos para eles serem distantes, mas do jeito que a mãe dela é descrita é um pouco surpreendente que o resto da família nunca a tenha confrontado. Eu gostei mais do lado do drama familiar do que o lado romântico do livro, acho que isso resume bem o que achei do livro.

Avaliação: 3,5/5

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Lendo a estante: Pequenos incêndios por toda parte e O homem que passeia

As leituras a seguir foram feitas no final de janeiro e início de fevereiro. Por coincidência, ambos os livros se encaixam na maratona asiática, então vamos fingir que foi de propósito.

Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng
Por que tenho: Adorei Everything I never told you e fiquei com vontade de ler tudo que a Celeste Ng já tinha publicado — e Pequenos incêndios por toda parte é o único outro romance dela. Comprei o livro em março de 2019, em uma promoção da Amazon.
Por que li agora: Um dos motivos foi ler antes da série estrear, para evitar spoilers e quem sabe até acompanhar (spoilers de hoje: pretendo ver a série nesse mês só). O outro motivo foi que sorteei o tema "ler um livro de um autor de umas das suas melhores leituras de 2018 ou 2019" no Around the year, e a primeira autora que pensei foi a Celeste. O fato de eu ter demorado quase um ano depois da compra para ler provavelmente foi pelo medo da decepção, algo que me acompanha quando tenho motivos para achar que vou adorar um livro (e, para meus padrões, demorar um ano é surpreendentemente pouco!).
O que achei: Pequenos incêndios por toda parte é um drama familiar bem desenvolvido e que prende a atenção, mas não senti o livro da mesma forma que senti Everything I never told you, porque não tem o mesmo tom de mistério nem senti algum tipo de identificação pessoal com os personagens. Queria que os personagens principais fossem explorados de forma mais igual, porque senti falta de conhecer melhor alguns membros da família Richardson, como o Trip. Também achei o foco narrativo confuso em certos momentos, entrando na mente de um personagem quando contava sobre outro. Se fosse meu primeiro contato com a obra da Celeste, possivelmente gostaria mais do livro, mas como Everything I never told you é um dos meus livros favoritos dos últimos anos não tenho como não ficar um pouco decepcionada.
Avaliação: 3,5/5

O homem que passeia, Jiro Taniguchi
Por que tenho: Minha irmã comprou.
Por que li agora: Não era um livro que estava no meu radar e minha irmã não amou, então demorei um pouco para tirá-lo da estante. Decidi ler em um momento que queria algo rápido, depois de passar uns dias ouvindo um audiobook acabei me sentindo culpada por negligenciar a estante, e qual a melhor e mais rápida forma de riscar um livro da lista? Ler um quadrinho, é claro.
O que achei: O homem que passeia é um mangá com histórias curtinhas de caminhadas que o protagonista faz por aí, algo no estilo "poéticas do cotidiano". É uma leitura fácil e tem momentos bonitos, mas não me marcou.
Avaliação: 3/5

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Maratona asiática de maio

Maio é o mês do patrimônio asiático-americano e das ilhas do Pacífico nos Estados Unidos, o que dá origem a projetos especiais. Um deles é a Asian Readathon, uma maratona literária para ler livros asiáticos. Como tenho muitos livros que se encaixam na proposta e tenho também um tédio enorme por causa da quarentena, decidi participar da  maratona, em uma versão ainda maior, incluindo filmes e séries também. As tarefas oficiais são:
 
1. Ler qualquer livro escrito por uma pessoa asiática
2. Ler um livro com um personagem asiático ou escrito por alguém asiático com que você se identifique
3. Ler um livro com um personagem asiático ou escrito por alguém asiático que seja diferente de você
4. Ler um livro recomendado por uma pessoa asiática
5. Ler Pequenos incêndios por toda parte/ver a série (opcional)


A ideia inicial é que não se repitam as etnias/nacionalidades, e vou respeitá-la nas quatro tarefas principais. Mas se ler/ver algo extra, não vejo problema em repetir, já que minha intenção principal é diminuir a pilha de livros parados na estante, e eu não tenho tanta diversidade em questão de países. 

Minhas escolhas literárias são:
1. Viver, Yu Hua ou Secondhand world, Katherine Min
2. O buda no sótão, Julie Otsuka (uma mulher de ascendência japonesa, como eu)
3. O último homem na torre, Aravind Adiga ou O pintor de letreiros, R. K. Narayan (homens indianos, diferente de mim)
4. O melhor que podíamos fazer, Thi Bui (recomendado aqui) 
Algumas opções extras que tenho na estante ou no Kindle: os mangás Limit, Keiko Suenobu; Jovens de elite, Marie Lu; Life, Lu Yao; The kiss quotient, Helen Hoang; Miracle Creek, Angie Kim; A fórmula preferida do professor, Yoko Ogawa; Botchan, Natsume Soseki... 

Minhas escolhas de filme:
1. Plano-sequência dos mortos
2. Para todos os garotos: PS. ainda amo você (a protagonista é mestiça, como eu)
3. Não sei ainda, provavelmente algo indiano do Mubi ou da Netflix
4. Tigertail, indicado pelos irmãos Shibutani
Extras: Yesterday, The farewell, Assunto de família, Você nem imagina, algo do Studio Ghibli... 

Para as séries, não tenho como objetivo terminar todas, só começar e ver até onde eu chego.
1. Eu nunca...
2. Ainori Love Wagon: Asian Journey
3. The untamed
4. Ainda estou procurando um k-drama com um clima mais leve
5. Little fires everywhere
Extras: vou continuar Malhação: viva a diferença, Gatchaman crowds e Terrace house: boys and girls next door.

No final do mês pretendo voltar aqui e contar o que consegui cumprir. Boa sorte para mim (e para todos os outros participantes)!

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Projeto Lendo a estante: apresentação e primeiras leituras

Que leitor nunca ouviu falar da palavra tsundoku, o ato de acumular pilhas de livros não lidos? Que leitor nunca se sentiu representado por ela?

Olha essa bela estante cheia de livros não lidos!

Acho interessante pensar na minha trajetória de leitora. Antes só comprava/ganhava livros em épocas especiais, e me contentava em relê-los várias vezes, alternando com livros emprestados por aí. Conforme fui crescendo, no entanto, descobri o apelo dos grandes sites com seus saldos de livro a menos de dez reais. Fiz a festa, inúmeras vezes. Percebi que já não gostava de pagar trinta, quarenta reais em um livro que queria muito quando podia comprar outros três ou quatro livros com esse dinheiro. O que aconteceu com o tempo? Pilhas que se acumularam, ao mesmo tempo que lia livros alugados da biblioteca ou e-books. O período da biblioteca, no entanto, foi importante para perceber que eu não precisava ter tantos livros. Com tanta opção por aí, a releitura não era mais minha prioridade e comprar livros por curiosidade e pelo preço baixo me parecia um exagero quando se podia alugá-lo de graça. E atualmente não tenho comprado tanto, e também não tenho ido a bibliotecas há um tempinho, mas os e-books são tentações constantes que me fazem deixar os livros da estante de lado de vez em quando.

Baseada no blog 746 Books, decidi finalmente contar quantos livros não lidos tenho na minha estante e cheguei no número redondo de 250. A ideia do projeto Lendo a estante é ler os livros e comentar um pouco sobre eles: o que motivou minha compra (ou o motivo pelo que ele chegou até mim), por que os li agora (se adiei muito a leitura, isso mudou minha opinião do livro? Já perdi a vontade de lê-lo? Etc.) e o que achei. O objetivo com isso é refletir um pouco sobre meu consumo e meus hábitos de leitura. Não vou ler só livros da estante durante o ano, mas quero ter o projeto em mente sempre que for decidir minha próxima leitura.

Tenho a meta numérica de terminar o ano com 200 livros não lidos na estante, em vez de 250, mas tenho consciência de que isso talvez não seja possível, porque continuo comprando livros. Então a meta mais verdadeira é ler 50 livros da estante, não importando o número que vai ficar no final. Pretendo postar dois ou três livros de cada vez no blog, e como sempre já começo atrasada, com os primeiros livros do ano.

As garotas, Emma Cline
Por que tenho: Comprei o livro em uma promoção da Saraiva on-line por 9,90 ano passado. Fiquei interessada pelo livro desde o lançamento, pelo hype criado pelos blogs gringos, mas vi críticas negativas também, então esperei por um preço realmente bom para comprar.
Por que li agora: É um livro que não está há tanto tempo na estante, então não deu tempo de enjoar dele, e me parecia uma leitura de fácil envolvimento, que era o que eu queria para a minha primeira leitura do ano. Usei o livro para a categoria “inspirado em uma notícia” no Around the Year.
O que achei: O livro tinha mesmo a atmosfera que eu esperava, com uma narrativa coming of age que me prendeu de início ao fim. Eu não conhecia muito sobre cultos, então achei interessante esse aspecto do enredo, mas o foco é mais na atração que a protagonista sente pelo culto ficcional estilo Charles Manson do que propriamente nos crimes que ocorreram. Gostei bastante da caracterização da Califórnia dos anos 60 e do tédio juvenil da protagonista. Eu não morro de amores pelos filmes da Sofia Coppola, mas esse livro me lembrou da obra da diretora. 
Avaliação: 4/5

As águas-vivas não sabem de si, Aline Valek
Por que tenho: Acompanho a newsletter da Aline faz um tempinho, e gosto muito da escrita dela. Não leio tanta ficção científica, mas os elogios ao livro e a capa linda me fizeram dar uma chance, comprando-o em uma promoção por metade do preço.
Por que li agora: Sorteei o tema “livro que se passa em um lugar ou época em que não gostaria de morar” no Around the year e essa foi minha primeira ideia — definitivamente não quero morar no fundo do oceano. Esse foi um dos muitos livros da minha lista adiados por um motivo simples: preguiça. Mesmo que minha irmã já tivesse lido e me assegurado que é uma leitura fácil, ainda fiquei com a ideia de que não seria tão instigante pelo que vi de outras pessoas falando sobre os capítulos narrados pelos seres marinhos.
O que achei: Minha irmã tinha razão — não foi uma leitura complicada. É um livro diferente do que tenho lido, mas a Aline Valek conseguiu criar uma ótima ambientação e quase me senti no fundo do mar junto com a Corina. Teve algumas partes que achei mais entediantes, mas no geral fiquei bem envolvida na história.
Avaliação: 4/5

terça-feira, 7 de abril de 2020

Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #24

Os filmes da vez foram vistos no final de 2016. Isso significa que tenho três anos de filmes atrasados para postar. Eu até desistiria e começaria do zero, se não tivesse algumas das resenhas deles escritas em papel. Nos próximos posts talvez eu comece a fazer metade de filmes que vi nessa época e metade dos filmes atuais. Por enquanto, fiquemos com o passado distante, quando a gente podia pensar em sair de casa e aproveitar a programação cultural da cidade.

1- Sarusuberi: Miss Hokusai (Keiichi Hara, Stephanie Sheh e Michael Sinterniklaas, 2015)
A animação japonesa conta a história da filha do pintor Hokusai mostrando como funcionava o mercado de arte na época e a diferença no tratamento entre homens e mulheres do ramo. O filme tem umas partes bem bonitas, mas faltou alguma coisa — ele explora vários elementos, como o romance, o relacionamento familiar e até um tom de fantasia, mas no final fiquei sem entender qual era exatamente a mensagem a ser passada. Avaliação: 3,5/5

2- Um homem sério (Ethan e Joel Coen, 2009)
Eu nem sei o que foi que me levou a ter vontade de ver esse filme. Talvez ele tenha sido elogiado na época do lançamento? Talvez a banalidade da sinopse tenha me conquistado? Talvez parecesse um bom começo para alguém conhecer a obra dos irmãos Coen? São questões. O fato é que demorei tanto para vê-lo, quando estava nas vésperas de sair do catálogo da Netflix, e aí eu já conhecia outros filmes dos diretores (Queime depois de ler — não entendi e Inside Llewyn Davis: balada de um homem comum  — gostei). Minha opinião a respeito de Um homem sério é a mistura do que achei dos outros: não entendi e gostei. Toda questão religiosa do judaísmo não faz muito sentido para mim, que nunca me envolvi com religião. Mas algo me atraiu nessa história banal de um homem banal, mesmo que eu não saiba dizer o que é. Para mim, isso foi mais que o suficiente. Avaliação: 3,5/5

3- Feitiço do tempo (Harold Ramis, 1993)
Quantas referências a esse filme você já viu por aí? Eu já vi tantas que senti necessidade de vivenciar o tal Dia da Marmota. O filme tem aquele esquema óbvio de "é errando que se aprende", com Bill Murray interpretando um carinha da previsão do tempo chato demais que aos poucos vai entendendo como pode se tornar uma pessoa melhor. Eu adoro esse tipo de estrutura repetitiva, então o filme já tinha pontos garantidos, mas não tive nenhuma empatia com o protagonista, ou seja: por mim ele bem que poderia se dar mal. Avaliação: 3,5/5

4- Os reis do verão (Jordan Vogt-Roberts, 2013)
Conheci o filme pelo pôster de jovens pulando em um lago e fiquei interessada sem nem saber sobre o que era. Acontece que é um filme masculino demais, focado em três garotos que se cansam da vida familiar e vão morar por conta própria na floresta. É um filme bonitinho, com um clima de Conta comigo e tal, mas achei o protagonista muito chato e os personagens em geral um tanto rasos. Quem rouba a cena é o Biaggio, o alívio cômico que merecemos. Avaliação: 3,5/5

5- A bela e a fera (Jean Cocteau, 1946)
No projeto de ver um filme dos 1001 por mês, há meses em que vejo aquilo que quero e outros que assisto a algo aleatório por ser mais prático. Vamos aproveitar oportunidades, não é mesmo? Vi A bela e a fera em uma mostra de fantasia do Cinusp. Apesar da releitura do conto de fadas ser bem anterior à animação da Disney, é um pouco difícil não comparar as duas. Isso tira um pouco da graça do filme, porque o básico da história é o mesmo. Mesmo assim, o visual é bem impactante. O castelo da Fera pode não ter os objetos falantes da versão da Disney, mas não deixa de ser mágico do seu modo. Ainda assim, talvez o filme tenha envelhecido mal para mim. Foi uma experiência interessante assisti-lo, mas não me marcou. Avaliação: 3/5

6- Oxalá cresçam pitangas: histórias de Luanda (Kiluanje Liberdade e Ondjaki, 2007)
Vi esse documentário na aula de literatura africana focada em Angola. O filme fala sobre a cidade de Luanda, acompanhando alguns personagens de diferentes tipos. O formato é bem convencional e funciona para o que o filme propõe, apresentando um panorama da cidade para quem não a conhece. Avaliação: 3,5/5 

7- As patricinhas de Beverly Hills (Amy Heckerling, 1995) 
Eu sei racionalmente que já tinha visto esse filme antes, mas como não lembrava de nada achei que valeria a pena vê-lo novamente. É um filme adolescente típico e hoje se tornou icônico, mas não é um dos meus favoritos. Tenho raiva da Cher ser ~clueless~ e odeio que a Tai passe por um makeover e goste disso. Eu sei que o filme desconstrói  um pouco os estereótipos, mas não o suficiente. Sem problematizar, é um filme bem divertido, mas ainda prefiro filmes adolescentes da minha geração. Avaliação: 3,5/5


8- A ratinha valente (Don Bluth, 1982)
Essa animação é bem conhecida nos Estados Unidos, mas aqui não parece ter feito muito sucesso. A estética e o enredo lembram um pouco os filmes da idade das trevas da Disney; o filme não reluta em mostrar um pouco de sangue, e a ideia por trás do NIMH também é meio sombria para o universo infantil. Gosto do fato da protagonista ser uma ratinha que é mãe viúva: se é raro ver fêmeas como personagens principais em filmes de animais, imagina então protagonistas adultas e mães? Dito isso, o roteiro em si infelizmente não empolga. A aventura é bem tradicional, tem um deus ex machina fortíssimo, e alguns personagens são bem clichês. Avaliação: 3/5

9- Os sete suspeitos (Jonathan Lynn, 1985)
É um filme baseado no jogo de tabuleiro Detetive!!! E a adaptação funciona. Precisa suspender um pouco a descrença, é claro, mas as coisas se encaixam. Na verdade, eu já tinha visto esse filme antes, mas só me lembrava de umas cenas e de que tinha vários finais. Fiquei surpresa com o conteúdo político do enredo, que provavelmente eu não tinha entendido quando vi pela primeira vez e que continuei sem entender completamente agora (ops), e que envolve macartismo e tal. É claro que esse é só o pano de fundo dos personagens, a história se passa apenas em uma mansão com ares mal-assombrados e o tom que prevalece é de humor negro. E eu realmente não lembrava o quanto o filme era engraçado. É um humor ridículo na maior parte do tempo, sim, mas quem se importa? Eu dei gostosas risadas. Lá pelo final, no entanto, todo esse exagero começa a cansar e você só quer saber quem matou, com que arma e em que aposento. E os fins em si são interessantes, mas também um pouco cansativos. Ainda assim, fica a recomendação. Avaliação: 3,5/5 

10- Zelig (Woody Allen, 1983)
Revi o filme do Woody Allen sobre um homem-camaleão para uma disciplina da faculdade. Confesso que essa revisitação foi um pouco decepcionante — o formato de documentário não teve tanto impacto já que eu sabia o que viria a seguir. Acabei achando um filme que só tem uma hora e vinte meio cansativo. Mas isso não significa que Zelig não seja bom. Ele continua sendo um dos meus favoritos entre aquilo que vi do Woody Allen, justamente por ser um dos mais diferentes. Avaliação: 4/5 

quinta-feira, 26 de março de 2020

Retrospectiva: 2019

No ano de 2019 eu postei no blog um total de zero vezes. E eu não sei bem o motivo. Acho que blogar é uma questão de hábito e de repente as coisas se acumulam e não dá mais vontade de continuar. Também tem o fato de que quase ninguém mais bloga atualmente, então que incentivo eu tenho para continuar? Mas 2020 é um novo ano e com ele vem novas tentativas! Quem sabe o blog volte de verdade, porque tenho escrito mais mesmo sem publicar, ou quem sabe ele morra afogado de vez.

Por enquanto, fico aqui com uma retrospectiva de coisas legais do ano passado, como se 2020 tivesse acabado de começar e não estivéssemos no final de março já.

Livros
Em 2019 participei do Around the year in 52 books, um desafio para ler 52 livros no ano, parecido com o da Popsugar e outros genéricos. Minha parte favorita é que os temas do desafio são votados pelos participantes, então é divertido participar desse processo de construção da lista, ainda que haja muitas reviradas de olhos e frustração porque, adivinha só, pessoas são diferentes entre si e têm outras preferências e nem todo mundo é da mesma bolha internética!
Ano passado também comecei a anotar minhas leituras numa planilha, para poder analisar o que eu leio. O que eu descobri não é muito surpreendente: leio um pouco mais de autoras mulheres, mais autores brancos (72%) e mais ficção contemporânea. Um terço dos livros que li foi escrito por alguém americano, o que achei uma porcentagem surpreendentemente baixa considerando a dominação do mercado. Assinei por uns meses o Kindle Unlimited e por isso li vários livros nacionais (21%).
Preencher essa planilha, que ainda trazia questões sobre diversidade, me trouxe uma série de questões; como leio bastante coisa japonesa, sempre ficava em dúvida se colocava os livros como diversos ou não. O que é diversidade deve ser visto a partir da minha perspectiva ou da deles? Ao mesmo tempo, ficava triste toda vez que marcava com certeza absoluta que o livro não era diverso, apenas com personagens brancos e héteros.
Para 2020, fica o desejo de ler mais diversidade, mas com consciência que minha prioridade é diminuir minha pilha de livros não lidos. Pretendo fazer um projeto desencalhando livros da estante e contando um pouco sobre eles, para analisar porque demorei para lê-los e se isso mudou algo na minha avaliação do livro.
Segue uma lista das minhas leituras favoritas de 2019:
  • A gigantesca barba do mal, Stephen Collins
  • História do novo sobrenome, Elena Ferrante
  • Querida konbini, Sayaka Murata
  • Disgrace, J. M. Coetzee
  • Coração azedo, Jenny Zhang 

    Filmes
    Vi 84 filmes em 2019, o que é um número alto para meus padrões. No último semestre da faculdade, descobri que tinha direito a uma assinatura gratuita universitária do Mubi, e aproveitei bastante essa oportunidade. Assisti a filmes desconhecidos só porque pareciam interessantes, algo que não fazia há bastante tempo, e fiquei bem mais incentivada para ver filmes de países diferentes e clássicos esquecidos.
    Também fiz uma planilha com os filmes que vi e os resultados são um pouco mais tristes do que os livros. Mais que 75% dos filmes assistidos foi dirigido por um homem, e 45% dos filmes são americanos.
    Para 2020, pretendo ver um filme dirigido por mulher por mês, além de continuar vendo um filme dos 1001 para ver antes de morrer e uma animação por mês.
    Meus filmes favoritos de 2019 foram:
    • Mensagem para você (1998)
    • Buscando... (2018)
    • Homem-Aranha no Aranhaverso (2018)
    • Tito e os pássaros (2018)
    • Ingrid vai para o oeste (2017)
    • A criada (2016)
    • Oitava série (2018)
    • A pele que habito (2011)
    • Bacurau (2019)
    • Cara gente branca (2014)

    Séries 
    Meu ritmo irregular de ver séries continuou em 2019. Essas são algumas coisas que gostei bastante de ver:
    • Mad men, sétima temporada (finalmente terminei!)
    • Fleabag, segunda temporada (sou do time que não gostou muito da primeira)
    • Are you the one?, oitava temporada (essa é a temporada sexualmente fluida e fico triste de verdade que pouca gente no Brasil ligue para esse reality)
    • Terrace House: boys and girls next door (não terminei de ver e tem partes meio entediantes, mas o arco do Daiki é maravilhoso e o elenco em geral é bem mais entrosado do que dos THs seguintes)
    • Aggretsuko, primeira temporada
    • Mozart in the jungle, terceira temporada

    Outras coisas
    Coisas aleatórias que descobri ou gostei de ver em 2019:
    • O canal da Safiya Nyygard: nunca pensei que gostaria de uma youtuber que fala principalmente de estilo e maquiagem, mas gosto bastante do jeito investigativo dos vídeos da Safiya. Meus favoritos são os de viagens, mas tenho um carinho especial pelos experimentos misturando as maquiagens. Posso até ter me inspirado e feito um esmalte com uma gota de cada esmalte que tenho  (e a cor resultante foi roxo. Quase todas as misturinhas que faço acabam roxas).
    • ASMR: eu comprei meu primeiro smartphone em 2019(!!!). Isso me fez ter mais tempo para fazer coisas inúteis como ver vídeos de gente cortando sabonete e coisas estranhamente agradáveis, e de alguma forma eu caí no buraco de ASMR. Não ouço por causa de insônia, mas gosto dos vídeos para relaxar e curtir os sons antes de dormir ou para deixar de pano de fundo enquanto leio ou escrevo. O mundo do ASMR é bem vasto e não se resume a uma pessoa sussurrando ou comendo algo no seu ouvido e tem sido divertido explorar esse universo para descobrir quais são meus tipos de sons preferidos.
    • Podcasts: foram minha principal companhia durante os trajetos diários de ônibus. Gosto de podcasts principalmente sobre cultura pop, dicas de filmes, séries, livros, etc. Ainda não tentei ouvir esses podcasts de narrativa porque sou meio ruim para prestar atenção em áudio.
    • A temporada do Kévin Aymoz: o Kévin virou meu patinador favorito na temporada passada e agora ele finalmente ficou mais consistente, o que resultou em medalhas, várias medalhas (vamos fingir que o Europeu nunca aconteceu).
    • Caneta Muji: fiquei viciada em materiais de papelaria em 2019, e isso resultou em muitas compras novas. De cem brush pens da China a canetas de gel de várias marcas diferentes, minha aquisição favorita foi a caneta Muji 0.5 preta, pelo simples fato de que por enquanto foi a caneta que menos falhou na minha mão.

    quinta-feira, 11 de outubro de 2018

    Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #23

    1- The hunting ground (Kirby Dick, 2015)
    O documentário discute a questão dos estupros nas universidades americanas. Eu o assisti na época do estupro coletivo de uma jovem carioca e é um filme muito importante para quem acha que só país de terceiro mundo sofre com a cultura de estupro ou que a impunidade só ocorre no Brasil. É doloroso ver quanto os abusos sexuais são comuns e como as autoridades evitam criminalizá-los, abafando o casos, para que as universidades não fiquem com má fama. O formato do documentário é bem tradicional, com entrevista com sobreviventes, psicólogos e autoridades. Para quem não vê muito do gênero, como eu, pode ser um pouco cansativo, mas vale a pena para quem quer se informar e, em decorrência disso, sofrer com o machismo do mundo. E é triste também pensar que embora de forma diferente, visto que a estrutura universitária brasileira não é igual à americana, muita coisa se aplica ao Brasil: não temos fraternidades nem ídolos do esporte universitário, mas temos atléticas e festas e o mesmo medo de manchar instituições de renome. Avaliação: 3,5/5

    2- Blow-up: depois daquele beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)
    Vi um pedaço desse filme na escola, enquanto a gente aprendia sobre metalinguagem(?), e fiquei protelando por séculos para assisti-lo inteiro. A sinopse parece a de um filme de mistério: um homem descobre um homem morto ao ampliar uma fotografia que tirou. Mas é um filme de arte, e muita coisa parece não fazer sentido ou é simbólica, e eu honestamente não entendi muito bem. Ainda assim, foi uma experiência interessante, porque é um filme bem diferente do que estou acostumada a ver. Avaliação:3,5/5

    3- Jogos vorazes: em chamas (Francis Lawrence, 2013)
    Não gostei especialmente do filme de Jogos vorazes, por isso demorei tanto para ver a continuação. Mas, como muita gente já tinha dito, Em chamas é superior ao primeiro filme, e me fez voltar a sentir aquele mal-estar típico de distopias que o livro me trouxe em alguns momentos. Fiquei angustiada no começo do filme e gosto do fato de metade da história se passar fora da arena — não que isso seja mérito do filme, mas enfim. A curiosidade para ver as sequências ficou aguçada. Avaliação: 4/5

    4- Os excêntricos Tenenbaums (Wes Anderson, 2001)
    Esse é o quinto filme do diretor que eu vejo e é também um dos mais famosos. Como o título sugere, o filme conta a história da família Tenenbaum, que tem personagens excêntricos — como esperado de uma obra de Wes Anderson. O filme prende a atenção, é esteticamente agradável de ver e todos os membros da família são interessantes, mas sinto falta de algo que dê sentido ao filme e que eu possa compreender. Não sinto que eu entendo de verdade a proposta do cinema do diretor, apesar de normalmente aproveitar os filmes dele. Avaliação: 3,5/5

    5- Growing up and other lies (Darren Grodsky e Danny Jacobs, 2014)
    Às vezes a gente coloca filmes na lista da Netflix só porque a descrição parece interessante, sem termos nenhuma referência. E quando não dá vontade de ver nenhum filme conhecido da lista, sobram esses filmes: já que não há expectativa, não há como vê-los no momento errado, não é? Esse filme foca em um grupo de amigos formado por homens héteros (é importante ressaltar) que se conheceram na faculdade. Quando um deles decide se mudar para outra cidade para morar com o pai, eles se reúnem de novo para andar pro Nova York e o convencer a ficar lá. Sinceramente, é um filme bem qualquer coisa. Todos os personagens são um pé no saco e é um filme bem hétero mesmo, no estilo moderninho hipster nova iorquino. Não considero que tenha sido um desperdício do meu tempo, mas não recomendo. Às vezes existe um motivo para alguns filmes não serem tão conhecidos mesmo. Avaliação: 2,5/5

    6- Para sempre Alice (Richard Glatzer e Wash Westmoreland, 2014)
    Vi o filme só porque ele ia sair do catálogo da Netflix, o que significa que a distância entre eu ter lido o livro e visto o filme foi menor do que eu gostaria. No geral, é uma adaptação relativamente fiel, que muda detalhes e mantém o essencial. Achei que ia me emocionar bem mais vendo a história do que lendo, mas, talvez por já saber o que acontecia, talvez porque eu sabia claramente que o filme é de ficção, isso não aconteceu. Por ser mais rápido, recomendaria ver o filme em vez de ler o livro, mas para mim não é um filme indispensável. Avaliação: 3/5

     7- Casa grande (Fellipe Barbosa, 2014)
    O filme estava em cartaz mais ou menos na mesma época que Que horas ela volta? e vi várias comparações entre os dois, porque eles abordam a mesma temática. A diferença é que enquanto o filme da Anna Muylaert foca na vida da empregada, Casa grande, como indica o título, retrata os patrões. O filme acompanha a vida de Jean, jovem filho da casa grande que está em colapso mas tenta esconder isso. Os pais dele, com claros problemas financeiros, tentam manter a sua posição social enquanto o filho vai descobrindo quem ele é. Casa grande discute bem a questão dos privilégios e desigualdades, embora às vezes opte por um caminho explícito demais, como na discussão escolar sobre cotas. No geral, achei interessante, mas não me conquistou por completo. Avaliação: 3,5/5

    8- Qual seu número? (Mark Mylod, 2011)
    Tinha uma época em que assistia a comédias românticas frequentemente. Eu ainda vejo bastante, mas em geral são filmes adolescentes ou com cara de independentes, fazia muito tempo que não via uma comédia romântica hollywoodiana bem padrão. E honestamente podia ter passado mais tempo sem ver essa. A premissa é interessante: a personagem de Anna Faris lê em uma revista algumas estatísticas sobre quantos parceiros a mulher média já teve e fica chocada com o número. Para não aumentar sua própria contagem e dessa forma diminuir a chance de se casar, ela decide fazer sua lista e reencontrar seus ex-namorados, pois vai que algum deles era mesmo o amor da sua vida? A sua busca pelos ex é feita ao lado do vizinho galinha interpretado por Chris Evans, e acho que todo mundo sabe o que vai acontecer a partir daí. Não faço a menor ideia do que eu estava esperando quando fui ver o filme, porque ele entrega exatamente o que promete, mas eu fiquei tão frustrada. É tudo tão óbvio, tão sem graça. Eu gostei da Anna Faris em A casa das coelhinhas (sério), mas a personagem dela aqui é sem sal. E não ligo para o Chris Evans, desculpa, sociedade. Enfim, não gostei. Avaliação: 2/5

    9- Rubber (Quentin Dupieux, 2010)
    Às vezes a vida nos dá coisas maravilhosas, como um filme sobre um pneu assassino com poderes telecinéticos. Parece trash, e é trash, mas há uma filosofia por trás: a de que as coisas acontecem por nenhum motivo. Se a vida não faz sentido, por que um filme precisa fazer? Como minha irmã já tinha visto o filme antes, já sabia que ele não seria tão ruim, o que acaba um pouco com o impacto de esperar algo e se deparar com outra coisa, completamente diferente. Mesmo assim, a metalinguagem me surpreendeu logo no início, quando aparecem os espectadores aguardando para ver Rubber. O filme sabe que não há como ele ser realista, então ele brinca com isso desde o início. Para quem não assiste tanta coisa estranha, foi uma bela surpresa. Avaliação: 3,5/5

    10- A garota de fogo (Carlos Vermut, 2014)
    Fiquei interessada pelo filme pelo seu título original: Magical girl. Mas, diferente do que esse nome indica, a história não é bem sobre uma garota mágica que luta pelo amor e a justiça. A tal garota não é mágica, mas gostaria de se tornar a Magical Girl Yuriko, e como está doente seu pai sente a necessidade de cumprir todos seus desejos, mesmo que para isso precise de métodos escusos. O foco da trama é mais no pai e no que ele fará, além de termos outros personagens que parecem perdidos no início mas depois vão se encaixando no enredo.O filme é um drama misturado com suspense que me deixou com um gosto amargo na boca. Me lembrou um pouco a obra de Almodóvar, mas o fato de ambos diretores serem espanhóis deve ter influenciado na minha comparação. Uma pena que o filme teve pouco espaço aqui, passando somente em mostras. Avaliação: 4/5