sábado, 2 de junho de 2018

Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #22

1- Relatos selvagens (Damián Szifron, 2014)
Esse filme argentino foi muito comentado na época do seu lançamento, sendo até indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, e eu estava com grandes expectativas. Saí um pouco decepcionada, é claro. O filme apresenta seis histórias, todas com um tema selvagem, violento, e uma boa dose de humor negro. Gostei bastante da história do avião e da protagonizada pelo Ricardo Darín, mas não liguei muito para as outras. É um filme bom, mas não me empolgou. Avaliação: 3,5/5 

2- Ela é demais (Robert Iscove, 1999)
O filme adolescente da vez vem diretamente dos anos 90 e traz alguns dos meus clichês problemáticos favoritos: apostas e makeovers! E toda a forçação de barra decorrente dessas coisas. Eu compreendo bem quem não gosta desse tipo de filme, porque a mensagem transmitida é bem prejudicial. A protagonista já era bem bonitinha antes da mudança e não precisava disso. Mas eu adoro como o cara babaca fica menos babaca com o tempo e como os populares percebem que a Laney é legal de verdade. Além disso, o que dizer das maravilhosas cenas de performances artísticas? Problematizações à parte, Ela é demais me conquistou com os seus clichês e previsibilidades. Avaliação: 3,5/5

3- As aventuras do ursinho Puff (John Lounsbery e Wolfgang Reitherman, 1977)
Não me lembro se já tinha visto esse filme antes; eu associava o ursinho Puff mais aos seus produtos licenciados do que a seus filmes, até que li o livro. Daí, fiquei com vontade de ver (rever?) o filme clássico. O longa tem vários episódios adaptados do primeiro livro, como o caso do balão, mas também apresenta cenas novas para mim, como as com a Toupeira. Achei bonitinha a forma com que a adaptação foi feita, deixando claro que a história vinha de um livro, com imagens brincando com as palavras escritas, por exemplo. A história é bem infantil, o humor é bobo, mas é tão fofinho que não tem como eu não gostar. Avaliação: 3,5/5

4- Precisamos falar sobre o Kevin (Lynne Ramsay, 2011)
Eu adorei o livro, então fiquei ao mesmo tempo curiosa e reticente quanto à sua adaptação para o cinema. Acabei me surpreendendo, porque gostei mais do que esperava. As atuações são ótimas, Kevin e Eva não perdem nem um pouco da sua força na tela. O roteiro conseguiu tirar um pouco do excesso do livro, embora talvez ele tenha exagerado no tom de "essa criança é demoníaca". Gostei do trabalho com as cores e simbolismos, que talvez sejam óbvios demais, mas nem por isso não me impressionaram. Ver o filme me fez lembrar do quanto eu aprecio o livro e ao mesmo tempo consegui admirar o trabalho feito na adaptação, então posso dizer que fiquei bem satisfeita. Avaliação: 4,5/5

5- Sinfonia da necrópole (Juliana Rojas, 2014) 
Tinha medo que  esse filme fosse estranho demais, afinal,  é um musical de humor negro que se passa em um cemitério — o potencial para a bizarrice é muito grande. Mas descobri que os níveis de humor e estranheza são bem aceitáveis. O que me incomoda em musicais é a pretensão e a grandiosidade, e Sinfonia da necrópole apresenta o contrário disso. A crítica social é interessante (eu nunca tinha parado para refletir sobre cemitérios), e o filme é mórbido sem dar medo. Uma boa recomendação de cinema brasileiro. Avaliação: 4/5  

6- Chef (Jon Favreau, 2014)
Estou acostumada a ver o universo da comida e dos food trucks retratado em reality shows, mas não no cinema, por isso fiquei interessada em Chef. O filme é bem família, focando no relacionamento entre pai e filho. Para mim, é açucarado demais, com o final exageradamente feliz. Recomendo para fãs de Compramos um zoológico, acho que a vibe é parecida. E Chef sofre do mal homem-feio-com-mulheres-bonitas. Sério que o protagonista tem como ex-mulher a Sofia Vergara e como peguete a Scarlett Johansson? Avaliação: 3/5

7- 50% (Jonathan Levine, 2011)
Eu queria ver esse filme há séculos, desde que estreou, mas como é um daqueles casos de filme-que-foi-direto-pra-tv, ele ficou esquecido, sempre deixado para trás na minha lista. Até a Netflix me providenciar a oportunidade ideal. 50% é um filme sobre câncer. Mas não exatamente um filme trágico sobre câncer. É uma mistura entre comédia e drama, e consegue equilibrar bem o tom mais sério e o cômico. Ainda assim, não é muito inovador: temos o protagonista, o melhor amigo babaca, a namorada ausente, o novo interesse amoroso em potencial, etc. Tudo está dentro dos moldes, encaixado do jeito certinho para fazer a gente sentir e se emocionar e rir. E acabou sendo menos intenso do que eu esperava, mas imagino que quem tenha passado por uma experiência semelhante com a doença possa ter uma relação completamente diferente com o filme. Avaliação: 3,5/5

8- O lagosta (Yorgos Lanthimos, 2015)
O filme entra naquela categoria de sinopses estranhas: no universo retratado, é proibido ser solteiro. Os solteiros são enviados para um hotel onde devem encontrar um parceiro em até 45 dias. Se não encontrarem, serão transformados em um animal à sua escolha. O protagonista do filme vai ao hotel após seu divórcio e lá vemos as dinâmicas peculiares dos relacionamentos, pautados por características marcantes em comum: quem é míope procura alguém que também use óculos, por exemplo. Também descobrimos que existe um grupo de rebeldes nessa sociedade, e é claro que o protagonista vai se envolver de alguma forma com eles. Explicando assim talvez pareça difícil de entender, mas apesar de não compreendermos as razões por trás dessa sociedade, entendemos a história e é fácil traçar paralelos com o nosso modo de vida. Gostei bastante do filme justamente por ele ser peculiar, mas de uma forma um tanto lógica ao mesmo tempo. Avaliação: 4/5

9- As invasões bárbaras (Denys Arcand, 2003)
Durante seus últimos dias, o protagonista de As invasões bárbaras se reencontra com velhos amigos e com sua família. A história envolve câncer, velhice, relações familiares e também as desilusões  com a modernidade — o grupo de amigos era idealista e de esquerda, mas muita coisa mudou com o tempo. É um enredo interessante, e as relações familiares e as diferenças geracionais são bem desenvolvidas, mas é um filme que faz muito mais sentido para quem viveu os anos 60 do que para quem não tem nem a idade do filho do protagonista. Vale notar que o Canadá, idealizado por tantos, é retratado como lugar de corrupção e com luzes menos favoráveis das que estamos acostumados a ver. Avaliação: 3,5/5

10- Simplesmente acontece (Christian Ditter, 2014) 
Aqui temos o clássico enredo de amigos que poderiam ser mais que amigos, mas a vida simplesmente acontece na forma do timing errado. É um pouco agonizante ver algo que poderia dar certo não acontecendo (como os protagonistas podem ser tão burros!), mas é um filme fofinho. Lily Collins e Sam Claflin estão uma gracinha e, embora seja meio inverossímil, eles não ficaram ridículos interpretando os personagens em um grande período de tempo. Avaliação: 3,5/5

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Ransom Riggs

 

Jacob era um garoto normal. De família rica, ele tinha dificuldades em fazer amigos, e a pessoa de quem era mais próximo era seu avô, especialista em histórias de fantasia. Ou pelo menos era isso que o menino queria acreditar, apesar do avô defender a realidade do que contava. Mas um dia tudo mudou, e Jacob nunca mais se veria como normal novamente.

O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares estava na minha lista de interesse faz tempo, devido às fotos peculiares e ligeiramente assustadoras que recheiam suas páginas. Vi uma multiplicidade de opiniões a respeito do livro: há quem amou, quem não ligou e quem se decepcionou profundamente. Parece que muita gente esperava algo mais histórico, porque o avô lutou na segunda guerra e o começo é mais pé no chão. Mas não se engane: é uma história típica de garoto-se-acha-normal-e-descobre-mundo-de-fantasia. Tão típica que fiquei pensando que já tinha lido esse livro antes, só que com outras roupagens. Não é que seja uma cópia, mas simplesmente li livros demais desse tipo. E se quando era mais nova era exatamente o que procurava, hoje já acho o modelo cansativo.

O começo é cativante, gostei da relação do Jacob com a família, cheia de problemas mas não caricata e puramente odiosa. E o avô é um personagem interessante. Quando Jacob vai para a ilha onde está o tal lar de crianças peculiares, continuamos com o clima misterioso e sombrio do início, mas logo a fantasia entra e tira o espaço de uma realidade que poderia ter sido mais explorada.

Temos então a parte de descobertas da história, que logo dá espaço para as cenas de ação e aventura. Conhecemos as crianças peculiares e seus inimigos, caindo no convencional. Mistérios são revelados e outros surgem, criando espaço para novos livros com mais ação e suspense.

É aí que entra a diferença da Marília mais nova e a de hoje. A mais nova compraria o resto da coleção e o devoraria avidamente, até porque é de fato uma história facilmente devorável. A de hoje tem preguiça e sabe que vai esquecer detalhes do enredo dois segundos depois, então não adianta manter a ilusão de que vai ler o resto. Não é você, livro, é a Marília do presente e o excesso de histórias parecidas que ela leu.

Por ser uma história interessante do ponto de vista visual, no entanto, com cenários decadentes e sombrios, fiquei bem curiosa para ver o filme e descobrir como Tim Burton deu vida às fotografias peculiares.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Patinação: Grand Prix, um resumo e previsões do final

Olá. Vocês esperavam que o blog de repente mudasse o foco de literatura para patinação no gelo? Eu não esperava. Mas o mundo traz muitas surpresas, assim como os resultados desse Grand Prix. A ideia é fazer uma recapitulação completamente parcial do que aconteceu e depois falar sobre o Grand Prix Final, que começa amanhã. Então vamos lá!

Rostelecom Cup
O primeiro Grand Prix do ano foi provavelmente o menos surpreendente, o início que não trouxe nenhuma dose exagerada de estranhamento. No masculino, quem a gente esperava ficou no pódio, ainda que não necessariamente na ordem prevista — eu acreditei no ouro de Yuzuru, ainda que a regra seja a de que ele nunca ganha o primeiro GP do ano. Em pares e em dança, a Rússia mostrou a sua dominação, mesmo que não tenha conseguido impedir o ouro dos Shibutani. A maioria dos programas aqui foi vista pela primeira ou segunda vez, e é difícil julgá-los desse jeito: é preciso um pouco de tempo para eles crescerem, embora às vezes meu gosto dependa simplesmente do meu humor na hora. A Rostelecom Cup consolidou minha apreciação pelo programa curto do Nathan, provavelmente meu curto favorito do masculino nessa temporada, pelos dois programas da Wakaba e pela dança curta de Gilles e Poirier — queria amar a dança livre também mas me parece vazia demais. Continuei sem me apaixonar pelos programas da Carolina, uma pena, e o resto eu esqueci ou não é digno de nota. É isso o que dá escrever semanas depois do acontecido...

Quando tudo ainda parecia normal (fonte)

Skate Canada
É aqui, diz o povo, que tudo começou a desandar. Patrick Chan ficou em 4º no GP que é praticamente dele e o painel técnico do feminino decidiu que 45897 dos saltos foram under-rotated. Nesse Grand Prix, os pares eram a categoria mais interessante e fizeram uma competição forte, com um pódio todo formado por possíveis medalhistas olímpicos. Eu não gosto tantos dos programas desse ano de Savchenko/Massot e de James/Cipres comparando com os do ano passado, mas fico feliz com o esforço coreográficos desses times, que desenvolvem um estilo próprio em seus programas. Peng/Jin não tiveram tanto espaço para brilhar com essa competição, mas gosto bastante deles e dos seus programas e acho que eles têm muito potencial. 
No masculino, Shoma ganhou o ouro com falhas, mas sua pontuação foi a mais alta de todos os GPs do ano e eu aprendi a gostar um pouquinho mais dos seus programas, ainda que não o suficiente para não continuar decepcionada. Jason Brown fez seu trabalho para ficar com a prata e Samarin aproveitou a queda de Patrick para entrar no pódio, usando seus saltos difíceis como trunfo e apresentando programas tipicamente russos — ou seja: com pouca coreografia, cortes musicais estranhos e roupas feias. Mura teve performances fraquíssimas que o deixaram em último lugar e trouxeram dúvidas se ele ainda tem chances de ficar com a terceira vaga do Japão nas Olimpíadas. Ele também abandonou o SP moderninho ao som de "Too close" e retornou para o flamenco do ano passado, para a minha tristeza.

A única queda de Patrick Chan que queríamos ter visto (fonte)

No feminino, Kaetlyn não fez mais que a obrigação ao ganhar, com um curto limpo e um longo atrapalhado, como é típico dela. Sotskova fez o que precisava para garantir a prata e Ashley foi um tanto decepcionante, mas conseguiu o terceiro lugar. Marin Honda não teve a estreia que ela e seus fãs desejavam, mas dá para dizer que o Turandot dela foi o destaque entre os programas longos do feminino. Anna Pogorilaya parecia ter voltado à sua boa forma quando ficou em segundo no programa curto, mas teve um longo sofrido e difícil de assistir, desistindo mais tarde de participar do seu outro GP por estar machucada, uma pena e melhoras para ela! 
Na dança, Tessa e Scott obviamente ficaram no topo, e talvez a influência canadense foi o que deixou Weaver e Poje na frente de Hubbell e Donohue. Foram várias performances sólidas, que fortaleceram a ideia de que dança está muito competitiva nessa temporada, além de ser interessante ver a variedade dos programas — diferente do ano passado, em que o estilo mais lírico a la Papadakis/Cizeron reinava. 

Cup of China
O primeiro dos GPs com horários ingratos para nós, mas surpreendentemente até que deu para assistir bastante, e só perdi a dança ao vivo em favor do meu bom sono. A Cup of China é popularmente conhecida como Cup of Disasters, mas até que o desastre não foi tãão grande comparando com as competições seguintes.
A categoria desastrosa, como sempre, foi o masculino. Boyang fracassou na tentativa de finalmente ganhar um GP, mas pelo menos conseguiu a prata. Javier acabou com um problema no estômago e o pódio que parecia tão fácil de alcançar deu espaço para um amargo sexto lugar. Quem aproveitou a oportunidade foi Kolyada, que fez um belo quádruplo lutz no programa curto e bateu os 100 pontos (e depois flopou no longo como esperado). O bronze ficou com Max Aaron e o quarto lugar com Vincent Zhou, mostrando que a disputa pelas vagas americanas pode ser menos previsível do que o esperado. Keiji fez um programa curto limpo(!) e depois acabou caindo antes de fazer um dos saltos no programa longo. Uma pena, mas ele conseguiu um personal best no curto e pareceu estar em boa forma para quem estava machucado há pouco tempo. Han Yan mostrou que está recuperado após os problemas no ombro e fez performances medianas para boas, ficando com o quinto lugar. Eu amo o fato de que o programa curto dele é de "A thousand years", ele realmente é o Edward Cullen.

A melhor gala entre os Grand Prix (fonte)

Nos pares e na dança, não tivemos muitas surpresas: Sui e Han ficaram com o ouro, com boas performances, mas os programas não são tão marcantes quanto os da temporada passada. Yu/Zhang terminaram com a prata e Moore-Towers/Marinaro com o bronze. Na dança, Papadakis/Cizeron bateram recordes, com mais de 200 pontos, e Chock/Bates ficaram acima de Bobrova/Soloviev. Nenhum deles tem programas que eu amo, mas os longos são agradáveis de assistir e provavelmente vou gostar mais da Sonata ao luar dos franceses com o tempo, como aconteceu com outros programas deles.
A categoria feminina foi a mais empolgante aqui, com a novata Zagitova garantindo seu ouro e três japonesas duelando entre si. Wakaba se saiu melhor, com dois programas limpos. Mai Mihara ficou o quarto lugar, embora talvez merecesse o bronze, e Marin ficou em quinto. As duas são simpáticas, mas Wakaba me encanta bem mais. Radionova ficou com o bronze e Gabrielle Daleman perdeu a liderança no programa curto após fazer um longo fraco e terminou em sexto lugar.
 
Um bom kiss and cry, oferecimento de Marin Honda (fonte)

NHK Trophy
Drama. Se o Skate Canada é o GP do Patrick, o NHK é o do Yuzuru, certo? E ele estava pronto para ganhar, ainda mais com a desistência do seu maior concorrente, Patrick, por motivos que até agora não foram bem explicados (cansaço, falta de vontade para viajar e competir, algum machucado misterioso?). Até que Yuzuru caiu em um quádruplo lutz durante o treino e se machucou. Ele teve que desistir da competição, e após vencer quatro vezes o GPF, dessa vez nem pôde se qualificar. Então tivemos um pódio improvável e velho, com Voronov ganhando, Adam Rippon em segundo lugar, com uma performance maravilhosa do seu programa longo, e Bychenko em terceiro, mostrando o poder dos tiozões. Jason decepcionou e ficou em quarto e Kazuki Tomono, chamado para substituir Daisuke Murakami, fez uma boa estreia no GP sênior, ficando em sétimo lugar.

Também fiquei assim depois da sua performance, Adam (fonte)

Na categoria feminina, não tivemos grandes surpresas. Evgenia ganhou, ainda que caindo, e os boatos de que estava machucada já foram confirmados. Ela teve que desistir da sua participação no GPF, e melhoras para ela! Carolina ficou em segundo e Polina Tsurskaya conseguiu o bronze. Será que o pódio do nacional russo será composto só por garotas treinadas pela Eteri? É bem possível.
Os horários péssimos me impediram de ver os pares ao vivo, e acabei nem tendo vontade de acompanhar tudo pelo Youtube depois, visto que já conhecia a maioria dos programas apresentados. Mas vi o programa de Sui e Han que bateu o recorde e parabéns para eles! Ainda acho uma escolha não tão boa, mas entendo o raciocínio por trás dela e é bem capaz que eles tenham seu próprio momento olímpico de glória com Turandot.

Depois de bater um recorde já pode trocar de parceiro? (fonte)

Também não vi a dança curta porque, convenhamos, dá para passar sem essa. A dança livre, no entanto, foi muito legal e foi um dos momentos em que eu estava toda animada e pensando "eu amo patinação". Gosto bastante dos programas dos dinamarqueses Fournier Beaudry/Sorensen e dos japoneses Muramoto/Reed. Coomes/Buckland não tiveram o retorno ao GP que esperavam, e apesar de eu gostar de alguns levantamentos deles acho o programa em si um pouco sem graça.

Internationaux de France
A França é conhecida pelos seus GPs com problemas estruturais, e dessa vez não foi tão diferente. Há quem diga que foi um desastre (muitas quedas provavelmente devido ao gelo ruim, uma falha técnica no sistema de pontuação na hora de dar a nota dos italianos Della Monica/Guarise, um 0,25 suspeito nos protocolos de Weaver/Poje, e, bom, as estrelas em vez de medalhas), mas quem estava lá garante que não foi tão desorganizado assim, e muitos dos problemas nem devem ser culpa da organização.

E os vencedores das maiores estrelas são... (fonte)

Nessa altura, já estavam sendo delineados os participantes do GPF. Zagitova confirmou seu favoritismo, entregando outro programa curto com uma performance bagunçada para corrigir no longo sem falhas, e Kaetlyn Osmond sofreu no longo, mas conseguiu um bronze. Quem se deu bem, de novo, foi Maria Sotskova, que ficou com a prata e outra classificação para o GPF. Yuna Shiraiwa foi a única a fazer uma performance completamente limpa no programa curto, mas uma queda no longo a tirou de um possível pódio. Mai Mihara e Elizabet Tursynbaeva conseguiram apresentar programas longos limpos, e ficaram respectivamente em quarto e quinto lugar, um resultado talvez decepcionante para a japonesa, que era vista por muitos como a favorita para uma das vagas olímpicas do Japão mas não conseguiu se classificar para o GPF, com dois quartos lugares, mas bom para a garota do Cazaquistão, que bateu a marca dos 200 pontos no total.
No masculino, Javier mostrou que o desastre da Cup of China foi apenas uma pequena mancha no currículo, e fez uma ótima apresentação do programa curto e um longo meio ruim, mas dentro do esperado. Shoma também flopou no longo, o que era previsto por todos os boatos que diziam que ele ficou doente após o Skate Canada e não teve muito tempo de treino. Misha Ge mostrou que nem só de quádruplos se fazem os campeões e conseguiu sua primeira medalha no Grand Prix, um respeitável bronze ou a menor estrela azul. Queria amar tanto os programas dele quanto o resto do mundo; eu gosto bastante do longo normalmente, mas não aprendi a apreciar o curto e gostaria que ele seguisse outro caminho que não o clássico em algum dos programas. Mas se o clássico ajuda nas notas dos juízes e na consistência dele, não há o que fazer, né? Vincent sofreu nesse GP e mostrou que talvez não esteja tão preparado para fazer 13092 quádruplos como algumas pessoas gostariam. Kevin Aymoz mostrou seus programas novos, e apesar da sua técnica de saltos não ser das melhores, vejo muita qualidade na parte artística dele, que é capaz de interpretar a música com bastante naturalidade.

Quando você sabe que arrasou (fonte)

Tarasova/Morozov mostraram sua força ao ficar em primeiro, ainda que seus erros no longo deixaram a dúvida se o ouro foi mesmo merecido em relação aos franceses James/Cipres, favoritos dos fãs. Peng/Jin sofreram de novo, ficando em quinto lugar, e os italianos Della Monica/Guarise, que tiveram que esperar muito tempo pela sua nota, conseguiram um respeitável bronze ou a menor estrela verde.
Na dança, Papadakis/Cizeron bateram seu próprio recorde, consolidando a ideia de que a disputa entre eles e Tessa e Scott não será tão previsível. Weaver e Poje tiveram problemas nos twizzles e terminaram em quarto e fora do GPF, o que talvez seja uma boa considerando que ambos disseram estar com problemas de saúde. Chock/Bates então tiveram espaço para outro segundo lugar, e Stepanova/Bukin repetiram também o seu bronze.

Skate America
O que dizer dessa competição, que fez todos os GPs anteriores parecerem muito bons e sem desastres? Além de todas as desistências e substituições antes do Skate America começar, três pessoas desistiram durante a competição, duas delas durante os próprios programas, e encaramos diretamente a face mais trágica da patinação: a dor. Mas nem só de coisas ruins se faz um GP — embora há quem diga o contrário — e o Skate America também trouxe surpresas boas. 
No feminino, as japonesas Satoko Miyahara e Kaori Sakamoto terminaram no pódio com programas limpos, e tivemos uma competição, o programa livre, sem quedas, ainda que com pops, aterrissagens ruins e a desistência de Ashley no meio do seu programa. Polêmicas de pontuações e under-rotations à parte, foi bom ver algumas garotas mostrando que, favoritas ou não, vão dão seu máximo nas suas apresentações. Dito isso, é notável a diferença na qualidade de interpretação entre Satoko e o resto, a maioria delas júnior há uma ou duas temporadas. Ainda que eu não ame até agora os programas da japonesa e às vezes me incomode com seus saltos baixos, só o movimento dos braços dela é mais elegante e musical do que toda a expressão corporal inteira de várias garotas. Kaori tem belos saltos, e gosto mais do programa livre ao som de O fabuloso destino de Amélie Poulain do que muita gente, talvez mais devido à música do que ao programa em si, mas ainda falta um tanto de amadurecimento para chegar ao topo. Bradie Tennell confirmou a impressão de que pode sim entrar na equipe olímpica dos Estados Unidos, com um bronze aqui, performances limpas e a maior nota entre todas as americanas nos Grand Prix. Ela não seria uma concorrente tão forte a ponto de esperar por uma medalha olímpica como talvez as outras tenham alguma chance, mas sua consistência também poderia ser a chave para barrar desastres maiores. Não é a minha torcida, mas segue a vida... 

Adoro ver patinadores felizes (fonte)

No masculino, Nathan fez o suficiente para conseguir o ouro, e foi o único homem que conseguiu o primeiro lugar em seus dois GPs. Adam conseguiu a prata e a classificação para o GPF após deslocar o seu ombro durante o programa longo e nos trazer uma sensação de déjà vu após o machucado de Samohin (melhoras para os dois!). Voronov também se classificou para o GPF, assim como Boyang, que infelizmente teve que ficar em casa por causa de suas lesões (melhoras!). Han Yan ficou novamente em quinto, e os três homens canadenses decepcionaram, deixando claro que qualquer coisa pode acontecer nos nacionais.
Na dança, os Shibutani e Cappellini/Lanotte confirmaram seu favoritismo, e o bronze ficou com os russos Sinitsina/Katsalapov, mostrando que algo não está funcionando nos programas de Gilles/Poirier aos olhos dos juízes — eu continuo gostando do curto e achando o longo entediante em alguns momentos. Foi uma competição com duplas fortes e conhecidas, mas por algum motivo não consegui aproveitar tanto.
Nos pares, Savchenko/Massot tiraram o thrown triple axel do programa e foram mais consistentes, e problemas na execução de Duhamel/Radford deixaram a prata com Yu/Zhang, que ainda aproveitaram para fazer programas limpos no caminho. Esse pódio estará todo no GPF, e veremos como as coisas serão em Nagoya.

Grand Prix Final
Não dá para falar muito do que ainda não aconteceu, então vou focar nas minhas previsões e no que eu queria que acontecesse. Até gostaria de escrever sobre o júnior, mas já ocupei espaço demais falando abobrinhas.

Masculino
Previsão: 
1. Shoma Uno — porque os erros dele podem ser menos custosos que os do Nathan. Mas ele está sob maior pressão também, então não dá para saber.
2. Nathan Chen — será que ele já resolveu os problemas com os patins?
3. Mikhail Kolyada — é o que tem maior chance dada a pontuação técnica, e dependendo dos erros alheios pode até subir mais no pódio, mas será que ele consegue ser limpo?
4. Adam Rippon — deve estar confiante após as duas pratas, mas o deslocamento no ombro pode ter atrapalhado seus planos.
5. Sergei Voronov — pareceu razoavelmente consistente nas últimas competições, mas pode ter o menor PCS de todos.
6. Jason Brown — não acho que ele tenha muito mais chance que Adam e Sergei de ficar em último, mas dado o fato de ele ter sido chamado para substituir Boyang, vou supor que sua preparação foi menor.

Sonho:
1. Shoma/Nathan  — seria legal ver o Shoma ganhando na cidade dele, mas honestamente já não torço tanto para ele. O Nathan tem programas mais legais, então seria bom ele ter um reconhecimento disso, visto que eu não o quero no pódio das Olimpíadas, risos.
2. Shoma/Nathan
3. Adam — eu só não ponho o Adam em primeiro porque isso significaria que Nathan e Shoma floparam muito, mas estou aceitando qualquer lugar no pódio para ele sim.
4. Mikhail — até gosto do programa curto dele e adoraria vê-lo fazendo pelo menos um quádruplo lutz limpo no GPF.
5. Jason/Sergei — eu gosto mais do Jason, mas poderia deixar o Sergei acima pela sua consistência.
6. Jason/Sergei

Feminino
Previsão:
1. Alina Zagitova — pela pontuação técnica. Resta saber se os nervos dela aguentarão a pressão, ainda mais depois da questão dos atletas russos nas Olimpíadas.
2. Carolina Kostner — já provou que pode ir para o pódio mesmo com erros, dado o seu PCS.
3. Satoko Miyahara — se tiver as mesmas performances do Skate America, tem boas chances de pódio, porém depende do desempenho das outras e do painel técnico.
4. Kaetlyn Osmond — não dá para prever o desempenho da Kaetlyn, que pode ganhar ouro se for limpa e ficar em último se apresentar um longo desastroso.
5. Wakaba Higuchi — se tiver a mesma consistência das outras competições na temporada, pode ficar acima também.
6. Maria Sotskova — é a mais dependente do resto, já que normalmente é consistente mas não tem PCS muito alto nem grandes GOEs nos saltos.

Sonho:
1. Wakaba — eu finalmente tenho uma favorita no feminino!
2. Satoko — seria bom ver Satoko mantendo a consistência no pódio do GPF.
3. Kaetlyn — eu sinto que meio mundo a odeia, mas gosto dos seus saltos e do seu programa curto.
4. Maria Sotskova — uma boa posição no GPF a deixaria mais favorável como a terceira russa para participar das Olimpíadas, mas não sei se ainda dá para discutir do mesmo jeito o time olímpico russo.
5. Carolina Kostner — não tenho opinião formada.
6. Alina Zagitova — vê-la em último de verdade seria triste, mas é de quem eu menos gosto.

Pares
Previsão:
1. Sui/Han — e espero que batam mais uns recordes no meio do caminho.
2. Tarasova/Morozov — parecem ser consistentes.
3. Savchenko/Massot — talvez fiquem melhores após voltar ao programa curto da temporada passada.
4. Duhamel/Radford — também podem estar no pódio facilmente.
5. Yu/Zhang — dependem um pouco dos erros alheios mesmo se forem limpos.
6. Stolbova/Klimov — não sou capaz de opinar.

Sonho:
1. Sui/Han
2. Savchenko/Massot
3. Yu/Zhang
4. Stolbova/Klimov
5. Tarasova/Morozov — eles têm bons elementos, só que os programas são ruins.
6. Duhamel/Radford — eu gosto do Eric fora do gelo e não odeio a Meagan como meio mundo, mas os dois juntos no gelo não têm muita personalidade.

Dança
Previsão:
1. Virtue/Moir — sei que P/C tiveram pontuações melhores nos Grand Prix, mas não sei quem vai ganhar quando as duplas estiverem na mesma competição.
2. Papadakis/Cizeron
3. Shibutani/Shibutani — tiveram pontuações mais altas que quem está abaixo deles nas minhas previsões, mas não sei se estão tão sólidos como bronze.
4. Hubbell/Donohue — talvez tenham a chance de um terceiro lugar? Veremos.
5. Chock/Bates — só coloquei acima de C/L porque supostamente os italianos são piores em atingir os níveis, mas não faço ideia do que estou falando.
6. Cappellini/Lanotte

Sonho:
1. Papadakis/Cizeron — podiam ter notas menores na dança curta, mas...
2. Shibutani/Shibutani — ainda prefiro Fix you, mas...
3. Virtue/Moir ou Hubbell/Donohue — não sei o quanto eu gosto de V/M, e até gosto dos programas de H/D, mas...
4. Virtue/Moir ou Hubbel/Donohue
5. Chock/Bates
6. Cappellini/Lanotte — eu não gosto muito deles. Pronto, falei.

Depois de escrever tudo isso fiquei até cansada. E é bom dormir cedo, porque nos próximos dias vou acordar cedo e viver as milhares de emoções do Grand Prix Final!

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #21

1- Divertida mente (Pete Docter e Ronnie Del Carmen, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,75/5

2- O substituto (Tony Kaye, 2011)
Esse filme estava há muito tempo na minha lista porque gosto de histórias sobre professores e vou com a cara do Adrien Brody. O substituto é menos convencional do que eu esperava, embora em outros aspectos seja bem tradicional, e ainda não sei o que pensar do protagonista. A escola na qual ele é substituto não vai bem, cheia de alunos problemáticos, mas ele consegue fazê-los prestar atenção. Mas não é um filme sobre como um professor salvou a escola ou algo do tipo, e inclusive o tom do protagonista é um tanto niilista. Além disso, outras esferas da vida dele são exploradas, como a família e seu relacionamento com uma jovem que encontrou na rua. Avaliação: 3,5/5

3- Brooklyn (John Crowley, 2015) 
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3/5 

4- Apenas uma vez (John Carney, 2007) 
Finalmente vi esse filme, também conhecido como o filme da música "Falling slowly", que as pessoas sempre cantavam no The Voice ou no American Idol. A história é um garoto encontra garota, mas embora haja amor envolvido, o foco é a música — e a trilha sonora é bem legal. O filme tem uma hora e meia e passa bem rápido. Não me marcou particularmente, mas como bastante gente se emociona assistindo fica a recomendação. Avaliação: 3,75/5

5- O quarto de Jack (Lenny Abrahamson, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 4/5 

6- O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)
Gosto dos filmes do Wes Anderson, mas também não sou apaixonada. O Grande Hotel Budapeste segui esse caminho também. É um filme excêntrico, com personagens curiosos, cenários bonitos e uma história pitoresca. É bem divertido de assistir, mas não faz meu coração bater mais forte, sabe? Faltou alguma coisa para isso, algo que me fizesse arredondar a nota para cima. Talvez seja questão de expectativa, tanta gente amou e eu acabei esperando mais por causa disso. Quem sabe se fosse meu primeiro filme do diretor a experiência fosse outra. Avaliação: 3,75/5

7- Apenas duas noites (Max Nichols, 2014) 
Queria ver esse filme porque gosto da Analeigh Tipton e do Miles Teller. É uma comédia romântica com um enredo bem simples: o casal fica junto por uma noite logo após de se conhecer e na manhã seguinte eles não podem sair de casa por causa de uma nevasca, então são obrigados a conviver por mais tempo do que pretendiam. É aquela coisa de homem e mulher que não querem lidar um com o outro, momentos constrangedores, gente falando besteira, mas sempre com alguma química. Completamente clichê, mas funciona bem, então por que não? Os dois personagens são meio babacas, ele bem mais que ela, mas torci para eles ficarem juntos. E meio que me identifiquei com a relação do personagem do Miles Teller com o campo profissional e fiquei chocada com o fato de que agora sou adulta o suficiente para até que entender essas coisas(!). Avaliação: 3,5/5

8- Digimon Adventure tri. Ketsui (Keitaro Motonaga, 2016)
Sim, eu insisto no erro até o fim. Depois de não ter gostado muito do primeiro, é claro que fui correndo ver o segundo Digimon tri. quando lançou, porque a curiosidade estava me matando e esses revivals são o tipo de coisa que a gente precisa ter uma opinião a respeito, mesmo que seja para falar mal. Bom, eu gostei mais desse do que do primeiro, porque ele tem mais cenas cotidianas e clichês típicas de animes como a ida na casa de banhos e o festival escolar. Eu honestamente não dou a mínima para as lutas e para a parte de ação. O filme foca mais nos dilemas de Mimi e Joe, que apesar de serem pouco aprofundados, são mais críveis do que os de Tai e a famigerada cena do celular quebrando. O enredo mais importante, sobre a questão digital, só se desenvolve lá no final, bem rapidamente, mas eu também não ligo para isso — é apenas uma crítica quando ao ritmo. Enfim, é bom? Não. Mas melhorou em relação ao primeiro. Aguardemos os próximos capítulos (spoilers: são ruins). Avaliação: 3/5

9- Parceiras eternas (Susanna Fogel, 2014)
Outro sobre jovens de vinte e tantos anos, no caso quase trinta, e com atores legais: temos Blair Waldorf e Seth Cohen no elenco! Mas no filme a Blair, quer dizer, a Leighton, interpreta uma personagem lésbica. Ela tem uma BFF hétero que começa a namorar com o personagem do Seth Adam Brody e por causa disso a amizade das duas garotas começa a sofrer. Achei interessante a diferença de perfil das duas mulheres — uma delas é uma advogada bem sucedida, a outra está investindo na carreira musical e tem o emprego de recepcionista para pagar as contas. É um filme simpático e sincero, que me sentir e pensar sobre a vida. Objetivamente, não sei explicar porque gostei tanto: o filme é clichê, o destino da personagem da Leighton podia ter sido melhor explicado, etc., mas às vezes a gente não precisa ficar procurando motivos racionais e deve aceitar os sentimentos. É um filme que me fez bem, e isso é mais que o suficiente. Avaliação: 4/5

10- Força maior (Ruben Östlund, 2014)
Eu provavelmente conheci esse filme por alguma crítica no jornal, achei interessante o mote — o relacionamento de um casal desanda depois que o homem foge de uma avalanche sem se preocupar com a mulher e com os filhos — e coloquei na lista para ver. É um filme que traz bastante reflexão, sobre papéis de gênero e a contemporaneidade, sobre relacionamentos e sobre a Europa, porque é sobre gente rica que passa as férias num resort de ski, e o diretor deixa bem claro o quanto eles são ricos de dinheiro e pobres de espírito. Além dessas discussões, o filme é visualmente bem impactante, com tomadas de montanhas, da imensidão da neve e de coisas que não identifiquei porque não sei como funciona um resort de ski. Para resumir, Força maior é um desses filmes europeus que me fez me sentir inteligente porque entendo parte do que ele está querendo dizer, e não é mais do mesmo em questões artísticas. Avaliação: 4/5 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

TAG: Patinação

Como imagino que dê para perceber em alguns dos meus posts mais atuais, ando viciada em patinação artística no gelo. Acompanhei um pouco do final da temporada anterior e agora estamos no início da temporada olímpica. Decidi responder essa tag porque seria interessante contrastar a minha visão no início da temporada com a do final. Sou uma pessoa que prefere programas interessantes à qualidade geral de patinação, então minha opinião sobre um patinador pode mudar muito dependendo dos seus programas. Copiei as categorias da minha irmã mas, assim como ela, retirei ou alterei algumas coisas que não consigo responder.

- Patinador favorito (em geral)
Foi o Shoma Uno que, de certa forma, me trouxe de volta para a patinação. Não foi de primeira que eu gostei dele — me lembro de quando vi o mundial de 2016 e fiquei meio "???" porque ele era o queridinho da minha irmã (não ajuda o fato de que, bom, eu preferia esquecer o desempenho do Shoma nessa competição) —, mas aos poucos eu fui conquistada pela sua musicalidade, pela presença no gelo e pelo contraste entre sua personalidade intensa patinando com o jeito tímido e perdido fora do gelo. Estou bem decepcionada, admito, com suas escolhas para essa temporada, mas o Shoma continua sendo o único patinador que eu realmente acompanho fora do gelo, por notícias, pela fan fest do Golden Skate, por Tumblr de fãs e afins.

Shoma também é habilidoso nos dardos! (fonte)

 - Homem sênior
Shoma Uno, vide resposta acima.

- Mulher sênior
Não tenho uma grande favorita, mas escolho a Wakaba Higuchi.

- Par sênior
Sui/Han ou Savchenko/Massot. Na temporada de 2016/2017, o programa longo de S/M me deixou impressionada, assim como o curto de S/H. Considerando que os chineses vão de Turandot no longo, em um caminho mais previsível, diria que estou pendendo mais para preferir os alemães, mas ainda não vi os programa novo de nenhum deles.

- Dupla de dança sênior
Papadakis/Cizeron. Eles fazem programas longos parecidos? Fazem sim, mas não se mexe em time que está ganhando (ou em segundo lugar, hehe) e acho tudo lindo.

Papadakis/Cizeron (fonte)

- Homem júnior
Donovan Carillo, pelo pouquíssimo que acompanhei da categoria júnior. Só vi o programa longo dele no JGP da Austrália, mas já fui conquistada.

- Mulher júnior
Anastasiia Gubanova porque sou óbvia. Gosto de várias japonesas também, mas não o suficiente para escolher uma.

- Par júnior
Não assisto o suficiente, mas torço pelos australianos Alexandrovskaya/Windsor só porque acho legal ver gente de federação pequena no topo.

- Dupla de dança júnior
Carreira/Ponomarenko por causa da dança livre deles.

- Disciplina favorita
É uma questão. Sou mais emocionalmente ligada aos competidores principais do masculino, mas a categoria júnior é a mais chata de assistir. Amo a dança livre e acho uma tristeza que pouca gente se importe com essa categoria, mas não faço questão de ver todas as danças curtas. As mulheres são em geral mais interessantes, mas a previsibilidade do primeiro lugar na categoria sênior me fez perder um pouco do interesse. Ou seja, todas menos pares, talvez? Mas até gosto bastante de pares, acho que os que estão no topo atualmente têm estilos variados e estão inovando um pouco nos elementos.

- Pódio dos sonhos no masculino
Todo mundo ganha! Eu gostaria de medalhas para o Patrick, o Yuzuru, o Shoma e o Javier (ele pode ficar com bronze porque a medalha seria mais pela importância de uma medalha para a Espanha do que por eu querer que ele ganhe, risos). Mas também não odeio ninguém e aceito Nathan ou Boyang no pódio. Só quero que todos patinem bem e fiquem satisfeitos com as performances.

- Pódio dos sonhos no feminino
Queria uma medalha para a Satoko e uma para a Wakaba, mas a gente nem sabe se elas vão conseguir entrar na equipe japonesa. Acho que o único pódio que eu não gostaria é um com mais de uma garota treinada pela Eteri (e é bem possível que aconteça). Por exemplo, ficaria satisfeita com Evgenia, Satoko/Wakaba e uma americana ou canadense.

- Pódio dos sonhos nos pares
Sui/Han, Savchenko/Massot, James/Cipres, não sei a ordem ainda.

- Pódio dos sonhos na dança
Papadakis/Cizeron, Shibutani/Shibutani e Gilles/Poirier, mas aceito os pódios mais prováveis também com Virtue/Moir no topo.

- Pódio dos sonhos na competição por equipes
Canadá, Japão, China. Quero muito que o Canadá ganhe ouro, o resto não importa. Mas seria bem interessante que não fosse a tríade óbvia Canadá, Rússia e Estados Unidos.

- Mulheres para a equipe olímpica russa (3)
Quem eu quero: Evgenia Medvedeva, Anna Pogorilaya e... Elena Radionova? Não sei.
Quem eu acho que vai: Evgenia, Alina Zagitova e... Não sei, não estou por dentro das meninas russas.

- Mulheres para a equipe olímpica japonesa (2)
Quem eu quero: Satoko Miyahara e Wakaba Higuchi.
Quem eu acho que vai: Satoko se estiver saudável e na forma anterior e Mai Mihara, a não ser que de repente a Wakaba fique bem consistente.

Satoko e Wakaba (fonte)

 - Mulheres para a equipe olímpica americana (3)
Quem eu quero: Karen Chen, Mirai Nagasu e Ashley Wagner, nessa ordem de preferência.
Quem eu acho que vai: Karen, Ashley e Mirai, se o triple axel estiver consistente. Ou a Mariah Bell. Mas não duvido nada que alguma delas flope nos nacionais e alguém meio aleatório consiga a vaga (Bradie Tennell talvez?).

- Homens para a equipe olímpica americana (3)
Quem eu quero: Adam Rippon, Nathan Chen e Jason Brown, nessa ordem de preferência.
Quem eu acho que vai: Nathan Chen, Vincent Zhou e Jason/Adam. Ou Max Aaron, pelos quádruplos.

- Programa que você está mais empolgado para ver
O longo de Papadakis/Cizeron. Não estou muito feliz com a suposta escolha deles (Sonata ao luar), mas estou curiosa para ver como será. E, bom, eu meio que já vi a maior parte dos programas agora que os challengers já começaram.

- Escolha musical que você menos gosta
São tantas... A trilha sonora de Moulin Rouge está sendo usada demais nessa temporada, mas até aceito alguns programas se a pessoa consegue vender bem o drama. It's a man's man's man's world é usada demais e é um tanto ridículo que os patinadores não se importem com a letra dela (ou até concordem?). Também não gosto de algumas músicas bregas específicas de O fantasma da ópera ou de Os miseráveis, mas não sei dizer quais agora. E todos os repetecos, sem exceção, especialmente quem não vai apresentar nenhum programa novo (olá, Ashley, olá, Yuzuru).

- Warhorse favorito
Eu costumo gostar de tangos, de músicas do Abel Korzeniowski e do Ludovico Einaudi. Não são exatamente warhorses, mas é só assistir um Junior Grand Prix para ver o quanto elas são usadas. Em questão de warhorses, diria que gosto das músicas mais clássicas, mas tem exceções, tipo As quatro estações (olá, Shoma).

- Que patinadores/países que ainda não tem vaga você quer ver nas Olimpíadas?
Feminino: Isadora Williams (Brasil)
Masculino: Julian Yee (Malásia), Donovan Carrillo (México) e gostaria que o June Hyoung Lee conseguisse a vaga para a Coreia do Sul mas preferiria que quem fosse para as Olimpíadas fosse o Jinseo Kim ou o Jun Hwan Cha.
Pares: Ryom/Kim (Coreia do Norte) e Alexandrovskaya/Windsor (Austrália)
Dança: Muramoto/Reed (Japão)

Julian Yee (fonte)

Amanhã começa o Nebelhorn, que decidirá as vagas restantes. Quem sabe antes das Olimpíadas eu retorne a essa tag para ver o que aconteceu como eu queria e o que deu errado. Já estou ansiosa!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Love, loss, and what we ate, Padma Lakshmi

It's funny to me that most of the cooking in the world is done by women, and yet when you look at modern Western cuisine, it's largely based on what a few dead Frenchmen have opined to be the correct way of doing things. (...) Cooking was something women did to nourish and nurture their families, whereas for men it was something they did professionally to gain money and status.
Love, loss, and what we ate foi uma leitura feita para o Ler além, na categoria biografia de mulher não branca. Descobri a existência do livro por acaso, em um e-mail de promoções de e-books, e achei que seria uma boa escolha para o desafio, visto que não tinha muitas opções em mente. Simpatizava o suficiente com a Padma como apresentadora do Top Chef, meu reality de culinária favorito, e o pouco que sabia de sua vida pessoal envolvia seu casamento com o escritor Salman Rushdie.

É claro que Padma entrega o ouro logo no começo, e inicia o livro falando do relacionamento com Salman: sobre como eles se conectaram de primeira e logo se apaixonaram, o drama de estar namorando alguém casado, como ela se sentia ao redor dos amigos escritores e intelectuais dele, e o que aconteceu para tudo dar errado. Não é surpreendente que a imagem apresentada de Rushdie é de alguém arrogante e egoísta, ainda que charmoso; minha parte favorita é quando ela diz que ele ficava aguardando ansioso o anúncio do Prêmio Nobel de Literatura e depois, ao não ganhar, dizia coisas como "gênios como Proust e Joyce nunca ganharam também". 

Após o término do relacionamento deles, a história retorna mais ou menos ao começo da vida de Padma: temos capítulos sobre sua infância na Índia e a mudança para os Estados Unidos, recheados por memórias gustativas e (poucas) receitas. Gostei da abordagem culinária, mas quem não tem muito conhecimento sobre comida indiana como eu pode sofrer um pouco para imaginar os sabores descritos — o que é um problema meu, não do livro.

Para quem é fã de Top Chef, Padma acrescenta aqui e ali pequenas curiosidades ou fatos sobre o programa, mas ele está mais como pano de fundo dos acontecimentos pessoais do que como foco de algum capítulo, por exemplo. Quem esperar muito sobre o bastidores pode ser decepcionar.

Após o relacionamento com Salman Rushdie, Padma esteve envolvida com dois homens: o rico Adam Dell e o ricaço Teddy Forstmann. Temos então novos dramas, como os desentendimentos com Adam, pai da filha dela, e a morte de Teddy (a tal da "loss" do título). Não é a parte mais interessante da biografia, mas, como o resto do livro, é fácil de ler.

Muitas resenhas sobre esse livro apontam para Padma como "metida" ou "reclamona". Eu particularmente não fiquei com essa impressão. É verdade que ela não reconhece tanto seus privilégios e falar sobre as discriminações que sofreu na vida (como mulher indiana, como modelo com uma cicatriz grande no braço) pode dar a impressão de que ela se vê como coitadinha — a comparação entre a família de Salman, de ricos, com a dela, de classe média, por exemplo, dá a impressão de que ela se acha pobre, quando o simples fato da sua mãe ter se mudado para os Estados Unidos nos diz que ela não é tão pobre assim. O fato é que ela teve sim uma vida bem diferente da imagem da celebridade americana média e não vejo por que isso não deveria estar exposto.

Por outro lado, também entendo a opinião de quem não gostou da figura de Padma exposta no livro: são suas memórias, e não há como escapar de momentos egoístas ou erros cometidos. A autora vende uma imagem mais acessível, mais humana — ainda que sem excessos —, em oposição à figura de uma mulher modelo e inspiradora pela qual poderia se esperar de uma autobiografia. 

Como não costumo ler biografias, é difícil de avaliar esse livro dentro do gênero. No geral, achei o formato um pouco irregular — às vezes os capítulos iam e voltavam no tempo, tornando a leitura confusa. O conteúdo é mais ou menos o esperado: muito sobre os relacionamentos de Padma, alguma coisa sobre a família e a juventude e um pouco sobre a carreira. Tudo isso, é claro, temperado pelas memórias culinárias. Não é, enfim, um livro que mudou minha vida, mas algumas observações o fizeram valer a pena para mim.

Avaliação final: 3/5

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

TAG: 3 coisas

Como manter o blog vivo sem ser na base de todos os posts de filmes atrasados? Com tags, é claro. Eu já respondi uma parecida com essa, a 7 coisas, mas essa aqui tem mais categorias — sendo que algumas eu pulei,  porque não consegui decidir as respostas. Peguei a tag daqui, mas não sei de onde é a original.

3 coisas que me dão medo:
- falar em público
- sustos
 - o futuro

3 coisas que me dão preguiça:
- lugares que precisam de mais de um ônibus/metrô para chegar
- lugares cheios
- sair de casa, no geral

eu saindo de casa (fonte)

3 coisas que eu gosto:
- livros
- animais
- reality shows

3 coisas que eu sei fazer:
- tocar nos meus pés quando estou em pé (quando estou sentada também, né)
- escrever e ler hiragana e katakana (e um pouco de kanji)
- cookies

3 coisas que eu não sei fazer:
- andar de bicicleta
- feijão
- puxar conversa com desconhecidos

3 assuntos preferidos:
- literatura
- patinação artística no gelo
- cultura pop no geral

3 assuntos que eu não gosto de discutir:
- política
- decisões pessoais
- religião

3 melhores comidas:
- chocolate
- comida chinesa no geral
- feijoada

3 piores comidas:
- estrogonofe
- maionese
- requeijão

3 melhores redes sociais:
- twitter
- listography
- facebook pela praticidade dos grupos

3 melhores bebidas:
- suco de laranja
- suco de tangerina
- coca gelada de garrafa de vidro

3 piores bebidas:
- alcoólicos no geral
- café
- chá de erva-doce

3 coisas que me acalmam:
- música instrumental
- deitar na cama
- ver fotos de bichos fofinhos

3 coisas que levam todo o meu dinheiro:
- doces
- livros
- comida (mas principalmente doces mesmo)

3 coisas em que eu não gosto de gastar dinheiro:
- roupas
- táxi
- eletrônicos

3 coisas que me estressam:
- gente que não sabe se comportar em ônibus lotado
- gente barulhenta/efusiva quando eu não estou no clima para isso (ou seja: quando estou no ônibus lotado voltando da faculdade às onze da noite)
- ônibus lotado