quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retrospectiva: abril, maio, junho e julho

• Faz tempo que eu não escrevo aqui, né? O blog está devagar quase parando, mas pretendo revivê-lo aos poucos. No entanto, não sei bem como vou voltar. No ano passado, consegui manter razoavelmente bem essa coisa de resenhar praticamente todos os livros que lia. Agora não consigo mais. Sinto um desânimo na obrigação autoimposta de escrever resenhas e me parece que a blogosfera literária não é mais a mesma. Quase todos os blogs de livros que eu leio acabaram ou reduziram bem a frequência de posts. Mesmo minha animação em ler e comentar resenhas alheias diminuiu. É difícil admitir que algo que foi seu hobby por tanto tempo simplesmente não te interessa tanto agora, né? Ainda vou repensar bem sobre o que vou fazer, porque escrever sobre o que leio me ajuda a relembrar o que achei e a valorizar o momento da leitura. Provavelmente vou escrever mais comentários pequenos sobre livros e menos resenhas, mas ainda tenho que pensar no resto do conteúdo do blog. Não sei. Veremos.

• Além desse desânimo, teve também a já esperada greve na faculdade e o esperado fim de semestre fora de hora. Terceira greve em quatro anos e eu pensava que seria mais fácil, mas olha, fica cada vez mais difícil de suportar. Mas pelo menos já acabou e significa que a não ser que algo muito absurdo aconteça eu terei um semestre normal a partir de semana que vem e minha rotina voltará a entrar nos eixos.

Nesse período:  
Eu vi… muita coisa, não sei nem por onde começar? O destaque fica com a primeira temporada de My mad fat diary, uma série britânica adolescente maravilhosa.
Eu li… várias graphic novels, graças a minha irmã. E já completei meu Goodreads Reading Challenge, já li mais de 50 livros esse ano! Talvez por isso esteja sofrendo para escrever resenhas, não estou acostumada com esse ritmo.
Eu escrevi…  ficção! Tinha algumas ideias engavetadas mas o começo parece tão definitivo, né? Eis que umas pessoas sugeriram o Camp NaNoWriMo e eu decidi tentar. Criei uma meta pequena (10.000 palavras em um mês) e não bati nem um terço dela, mas sinceramente só o fato de já ter começado já foi uma vitória. 
 
No blog:
• O primeiro post foi a retrospectiva de fevereiro e março.

• Depois escrevi uma resenha de um livro lido no início do ano passado, Secret society girl.

• Como sempre, tem post comentando os filmes que eu vi — de distopias adolescentes a porcos falantes.

Brooklyn foi um desses livros que cresceu comigo depois da leitura. Recomendo muito!

•  Finalmente fiz meu diário de viagem para Porto de Galinhas.

A casa torta foi encontrado do lado do lixo e se tornou meu livro favorito da Agatha Christie.

•  Comentei sobre alguns livros curtos ou releituras que fiz.

• Resenhei A sociedade literária e a torta de casca de batata, um livro que me surpreendeu positivamente.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A sociedade literária e a torta de casca de batata, Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Quando a guerra terminou, também prometi a mim mesma que nunca mais iria falar sobre ela. Eu tinha passado seis anos falando sobre a guerra e vivendo a guerra e estava querendo prestar atenção em outra coisa — qualquer coisa. Mas isso era como querer ser outra pessoa. A guerra agora faz parte da história de nossas vidas, e não há como esquecê-la.
Esse é um daqueles livros que dá vontade de ler só pelo título: A sociedade literária e a torta de casca de batata. Tem uma sociedade literária! Tem uma torta de casca de batata! As duas coisas não parecem ter a menor ligação! Fascinante, não é? Mas a capa é um pouco brega, e quando eu descobri que era um livro sobre a guerra fiquei um pouco desanimada. De qualquer jeito, ele chegou a mim por vontade alheia, ou seja, minha tia emprestou e eu aceitei.

O livro é um romance epistolar e sua protagonista é Juliet, uma escritora. Ela troca cartas com seu editor e suas amigas, e um dia recebe uma carta de um homem, Dawsey Adams, que encontrou seu nome e endereço na folha de rosto de um livro de Charles Lamb. Eles logo entram em contato e Juliet descobre a sociedade literária de Guernsey, uma ilha britânica que fora ocupada por nazistas durante a guerra. Procurando um assunto para seu próximo livro, Juliet logo se envolve com as pessoas de Guernsey.

No começo, a quantidade de personagens e de cartas assusta bastante e demora um pouco para entender exatamente o que está acontecendo e quem é quem, mas aos poucos os personagens principais são delimitados e a gente consegue compreender quem é importante e quem não vai aparecer de novo. Achei os personagens carismáticos, mas um pouco parecidos entre si — talvez por isso fique difícil reconhecê-los no começo —, com a exceção da Isola, que sem sombra de dúvidas é a personagem mais divertida do livro.

No geral, A sociedade literária e a torta de casca de batata funcionou para mim no momento da leitura: achei interessante, divertido e prendeu a atenção. No entanto, não foi um livro marcante e, assim como compreendo elogios ao livro, também entendo quem não goste. Ele não se aprofunda muito em nenhum dos tópicos que aborda e nada empolga de verdade, sabe? E se a gente parar para pensar, é tudo muito inverossímil. Mas eu consegui esquecer disso enquanto lia, então acho que tudo bem.

Avaliação final: 3,5/5

terça-feira, 28 de junho de 2016

Comentários sobre livros #5

1- The catcher in the rye, J.D. Salinger

Foi uma releitura. Li pela primeira vez para a escola e reli... Para a faculdade. Não me lembro do que achei na primeira leitura, em que era mais nova que Holden, e meus sentimentos continuam variados, tanto que não consegui escrever uma resenha sobre o livro. No geral, compreendo quem ama o livro mas também entendo quem odeia. Gostaria de saber o que eu acharia se não fossem as influências acadêmicas e as aulas sobre isso, mas não dá para se ter tudo. Avaliação: 4/5

2- A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Esse livro foi queridinho de muitos, porque que leitor não cai de amores por uma história sobre livros? No entanto, gostei mas não me apaixonei. Os personagens são carismáticos, porém pouco aprofundados e sinto que o livro é curto demais para tantos acontecimentos. Prendeu a atenção, mas foi do tipo li-e-logo-esqueci. Avaliação: 3,5/5

3- Tormento, John Boyne

Tormento é um infantojuvenil e como é bem curtinho, do tipo de menos de 100 páginas, e é do John Boyne, decidi pegar um dia na biblioteca. Eu vi uma resenha bem elogiosa, mas acabei me decepcionando com o livro. De novo, curto demais para os elementos que ele tenta explorar. São vários personagens com seus próprios problemas tratados de forma rasa e o final se resolve de repente demais. Não funcionou comigo. Avaliação: 2,5/5

4- Wunderkind, Carson McCullers

Essa coleção de livros pequenininhos estava com desconto na Livraria Cultura e minha irmã comprou uns quatro, de autores que a gente queria conhecer, como é o caso da Carson McCullers, ou livros que simplesmente pareciam interessantes. Comecei por esse só porque caiu no sorteio da minha TBR jar. O livro é formado por quatro contos e nenhum me pegou. O negócio com contos é que eu nem sei explicar por que eu gosto de alguns, a magia acontece ou não. Não aconteceu aqui, embora seja inegável que a autora escreva muito bem e que eu continue curiosa para ler seus romances. Avaliação: 3/5

5- O caso da estranha fotografia, Stella Carr 

Li para a escola quando estávamos aprendendo sobre narrativas de enigma. Não gostei muito, sou mais O gênio do crime ou O mistério do cinco estrelas. Relendo uns dez anos depois, mantenho a minha opinião. Li em uma sentada, mas o final é um pouco frustrante, talvez pelo motivo do crime ser genérico e adulto demais em um livro de crianças(?). E também é do tipo que joga fatos aleatórios no meio da narrativa para ser educativo, como a irmã falando sobre biologia marinha, e eu morro de preguiça disso. Avaliação: 3/5

terça-feira, 7 de junho de 2016

A casa torta, Agatha Christie

— Sim, realmente nunca se sabe ao certo, não é mesmo? As pessoas são capazes de surpresas terríveis. Forma-se uma impressão acerca de alguém e ela às vezes resulta totalmente errada. Nem sempre... mas às vezes, acontece.
Eu nunca tinha ouvido falar de A casa torta, e provavelmente continuaria sem conhecer se as circunstâncias certas não tivessem se alinhado e eu e minha irmã não tivéssemos encontrado o livro entre uma pilha de livros abandonados do lado da cesta de lixo do meu andar do prédio. Minha irmã decidiu resgatar o livro, velho mas em plenas condições de ser lido, e ele ficou na estante por muito tempo intocado, até que ela leu e eu decidi ler também porque a gente tem livros demais e livros de mistério são bons para se passar para frente: quando a gente já sabe o final não tem tanta graça reler, né?

A casa torta, como o título bem indica, se passa em uma casa torta, local do envenenamento de Aristide Leonides, o patriarca da grande família que vive lá. Quem investiga o crime não são os detetives famosos da autora, mas Charles Hayward, jovem apaixonado por uma das netas de Leonides e filho do comissário da Scotland Yard. Assim, Charles está em uma posição de nem-da-polícia-e-nem-exatamente-da-família, o que o deixa mais confortável para investigar. Porém, com sua falta de experiência, é fácil deixar alguns detalhes passarem...

Não sei se foi porque eu não gosto tanto assim da Agatha Christie e por isso as expectativas estavam baixas ou se foi porque eu estava com saudades de romances policiais, mas acabei me surpreendendo com A casa torta. O final me deixou surpresa de uma forma agradável, e não com aquele gosto amargo da inverossimilhança que decepciona. É uma leitura bem rápida, li as duzentas e tantas páginas em dois dias, e apesar de terem vários personagens, a personalidade deles é marcante,  ou seja, logo a gente consegue diferenciar um do outro.

No geral, não é um livro que se destaque muito entre os romances policiais, mas é um mistério competente, pelo menos para mim que não sou fissurada no gênero. Virou o meu favorito da autora.

Avaliação final: 3,75/5

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Diário de viagem: Porto de Galinhas

Estou postando no final de maio o diário da viagem que fiz em dezembro e acho que isso é um bom resumo do estado de abandono do blog. Eu gosto de ler diários de viagens alheios, mesmo aqueles bem pessoais, então decidi fazer o meu. Precisava publicar? Não, mas eu não tenho um caderninho de coisas pessoais e aqui é o melhor lugar mesmo. Sei que tem poucas fotos, mas, além de não sermos a família mais ligada à fotografia do mundo, tivemos um problema com a máquina fotográfica que levamos e só usamos o celular para fotos.

Dia 1
A ida sempre me deixa apreensiva — será que vou esquecer alguma coisa? Não vou passar mal no caminho? E se tiver um acidente? E se a gente perder o avião? Saímos de táxi com antecedência para o aeroporto e no caminho um carro bateu no táxi. Não foi uma batida forte, mas é claro que ficamos nervosos. Ainda assim, tínhamos tempo de sobra e ficamos lá esperando no aeroporto, até porque o avião atrasou uma hora e meia! O mais chato não é nem o atraso, e sim não saber quanto tempo vai demorar, o motivo, enfim, ter que ficar de olho para saber quando o avião ia partir.

No avião, gastei meu tempo assistindo Friends e jogando Who wants to be a millionaire?, mas não consegui ganhar o milhão nenhuma vez. Chegamos em Recife e fomos de van para Porto de Galinhas, já cansados da viagem. Chegamos no hotel às 22 horas e descobrimos que nosso hotel tinha música ao vivo toda noite, e naquele dia ainda tinha um cara no microfone dirigindo aquelas brincadeiras de dança, de trocar de par e tal. Ficamos um pouco assustados com o barulho, mas já estava no fim. Jantamos petiscos no bar do hotel e tomamos o primeiro suco de cajá de muitos da viagem. Vimos um gato fofinho e fomos dormir.

Dia 2
O dia estava reservado para conhecer os arredores, então não precisamos acordar tão cedo. O café da manhã do hotel era bom e eu adorei o croissant. Fomos à praia em frente ao hotel e entrei no mar depois de quase três anos sem nadar. Gostaria de dizer que foi maravilhoso, incrível e tal, mas a verdade é que o mar era bravo demais para o meu gosto, tinha alguns buracos e eu fiquei com medo. Fomos andando até a vila para almoçar —o hotel fica a uns dois quilômetros da cidadezinha e dá para ir andando pela praia. Escolhemos um restaurante pequeno e bonitinho para almoçar e acertamos em cheio. Comi carne de sol com feijão verde, queijo coalho e arroz e depois tomamos sorvete por quilo, que é uma das coisas que eu amo fazer quando viajo. Dessa vez, os escolhidos foram de fruta: cajá, tangerina, mirtilo... Não era um sorvete incrível, mas a variedade sempre compensa. Andamos na vila, bem turística, e voltamos para o hotel. Passei a tarde na piscina, jantei misto-quente no bar, que aliás tinha sanduíches com combinações do
tipo frango com a abacaxi e hambúrguer com banana. Por que misturar fruta com carne? Porque colocar essa mistura no sanduíche? À noite, o barulho do show surpreendentemente não incomodou, mas as brincadeiras noturnas das crianças em compensação... Claro que não acabaram tarde, mas na praia a gente tende a dormir cedo, né? 21 horas e a gente já está de volta no quarto, cansado.

Dia 3
Fomos conhecer as piscinas naturais, o grande atrativo de Porto de Galinhas. São muito bonitas, e têm peixinhos, mas não diria que é um passeio imperdível para quem já foi às praias nordestinas em um passado recente. Como eu só fui quando era criança, achei bem legal toda essa experiência praiana. O problema de uma cidade turística é que toda hora alguém fica abordando a gente tentando vender coisas, programas, comidas, e isso enche o saco. Eu claramente pagaria mais do que o necessário se viajasse sozinha porque não sei pechinchar. Almoçamos em um restaurante mais chiquezinho e não me lembro direito da comida, mas lembro que tinha uma família com irmãos chamados Lorenzo e Valentina e achei tão engraçado? O futuro deles é claramente o Masterchef Kids (eu não conheço muitas crianças, então achei curioso constatar que nomes da moda são realmente nomes da moda). Outro comentário relevante: vimos um baiacu morto na areia da praia! 

Dia 4
Esse foi o dia do passeio de buggy, outro passeio típico das praias nordestinas. Passamos por Maracaípe, onde fizemos passeio de jangada pelo mangue, e por Muro Alto, que é a praia que eu mais gostei: parece uma piscina! Vivemos momentos emocionantes quando vimos buggies atolados e o nosso quase atolou na areia, mas resistimos. Almoçamos no mesmo restaurante do dia 2.
 
Dia 5
Ficamos na praia e na piscina do hotel, porque minha tia ia nos visitar à tarde.Quando almoçamos na cidade fomos visitar o Projeto Hippocampus, de conservação de cavalos-marinhos. É um passeio bem rápido, visto que são basicamente uns três corredores de aquário, mas vale a pena.

Dia 6
Nesse dia fomos na praia com os parentes — a família de um primo mora perto de Cabo de Santo Agostinho e minha tia e família foram visitá-los. Ficamos na praia de Porto de Galinhas mais perto da região das piscinas naturais, e deu para ver peixinhos diferentes mesmo nos recifes do raso. Jantamos coxinha e bolo pois somos deveras saudáveis. Inclusive saudades dessa coxinha e desse bolo, queria que esse café abrisse em São Paulo.

Dia 7
O dia da volta. Também esperamos um monte no aeroporto. Mas pelo menos minha mãe fez algo de útil com a espera e comprou bala de coco, que, logicamente, estava com aquele preço inflacionado de aeroporto, mas era muito gostosa (saudades!). Voltei para casa apreensiva também: vai que teve um incêndio no prédio? E se o apartamento foi invadido? E se foi inundado? Nunca aconteceu nada disso, mas uma vez eu não fechei o freezer direito sem querer antes de viajar (acho que fui eu, mas não tenho certeza) e quando voltamos demos de cara com água na cozinha e carnes estragadas #traumas.
E foi isso a viagem! Escrevi só o que fizemos mesmo, sem muitas sensações, o que pode dar a impressão de que eu não gostei tanto. Mas o que importa mais para mim na hora de viajar é ficar de bobeira, descansar e olhar lugares novos, e Porto de Galinhas foi ótima para isso.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Brooklyn, Colm Tóibín

Aqui ela não era ninguém. Não era só por não ter amigas e família; mais que isso, ela era um fantasma naquele quarto, nas ruas a caminho do trabalho na loja. (...) Nada aqui era parte dela. (...) Fechou os olhos e tentou pensar, como fizera tantas vezes na vida, em alguma coisa que ela desejava muito, mas não havia nada. Nem a coisa mais ínfima. Nem mesmo a chegada do domingo. Nada, a não ser talvez dormir, e ela nem tinha certeza se queria mesmo dormir.
Logo depois de ver o filme, decidi ir atrás do livro, porque deu vontade, eu tinha tempo e havia um exemplar disponível na biblioteca. Foi uma boa oportunidade para eu conhecer o Colm Tóibín, de quem ouço falar há um bom tempo.

Em Brooklyn, conhecemos Eilis, uma jovem irlandesa que acaba indo morar em Nova York para ter uma condição melhor de vida, deixando sua mãe e sua irmã na Irlanda. Ela tem que aprender a se adaptar em um lugar novo, onde não conhece ninguém. Quando finalmente está mais acostumada com sua vida nova, um acontecimento a obriga a retornar para Irlanda por um tempo, e Eilis se divide sobre o que deverá fazer então.

Muita gente, ao comentar o filme, diz que é uma história de uma garota dividida entre dois amores. Eu mesma, ao escrever o resumo acima, coloquei a dúvida da personagem como parte importante do livro. Mas, para mim, Brooklyn é principalmente sobre uma jovem tendo que lidar com uma situação nova em um local novo. É uma narrativa de imigração, especificamente sobre a imigração irlandesa para os Estados Unidos. A maioria dos contatos de Eilis em Nova York é irlandesa também, há uma comunidade fortemente unida e o livro explora bem essa questão cultural.

A minha maior questão do livro é em relação a Eilis. Ela é uma personagem bem passiva: vai para os Estados Unidos porque é o que a irmã diz que é o melhor para ela, depois volta para Irlanda porque precisa e quando tem que tomar a decisão de ficar ou não, ela simplesmente empurra isso com a barriga até ser inevitável e a decisão estar praticamente tomada por ela — um pouco diferente do filme, no qual ela parece ser mais dona de si no final. Eu não sabia como lidar com uma personagem tão não-protagonista, então mesmo que tenha gostado bastante da escrita do autor e da história em si, não tinha entendido bem o que era para tirar do livro. 

Mas aí, com o tempo depois da leitura, essa questão foi desaparecendo e eu fui valorizando mais o livro na minha cabeça. Porque eu, de certa forma, sou bem parecida com a Eilis, evitando decisões e aceitando o que os outros dão para mim. Ou seja, embora no meu comentário sobre o filme eu tenha escrito que não tenha os conflitos da protagonista, no livro eu acabei me identificando com ela em questão de personalidade...

Enfim, recomendo para quem gostou do filme e para quem gosta de histórias cotidianas e sem grandes acontecimentos. Pretendo ler mais do Colm Tóibín no futuro.

Avaliação final: 3,75/5

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #18

1- Thelma & Louise (Ridley Scott, 1991)
Foi o  filme da vez dos 1001 filmes para ver antes de morrer. Eu não tinha grandes expectativas, porque tenho um pouco de preconceito com esses novos clássicos hollywoodianos, mas, ou talvez justamente por isso, acabei gostando bem mais do que esperava. É um road movie bem feminista, focado na amizade entre Thelma e Louise e em como elas fazem para escapar das situações em que se meteram porque ousaram desafiar o patriarcado — ou algo do gênero. Você vai encontrar sotaque sulista, tiros e belas paisagens. Achei que o filme poderia ser um pouco mais curto, mas ainda assim vale muito a pena. O discurso do filme infelizmente é relevante até hoje e mesmo eu já sabendo como a história terminaria, não deixei de me impactar. Avaliação: 4/5

2- Pacto sinistro (Alfred Hitchcock, 1951)
Eu gosto muito do Hitchcock, mas até que vi poucos filmes dele. Assisti Pacto sinistro só porque era a indicação do clube do filme da minha irmã e, infelizmente, ele não entrou na minha lista de filmes favoritos do diretor. A história, que envolve um homem sugerindo a outro o crime perfeito — um assassinaria quem o outro quer ver morto, de forma que ninguém suspeitaria, porque eles mal se conhecem e não teriam motivos para o crime —, é interessante, e as imagens criadas pelo Hitchcock, o modo que ele filma, é de fato incrível, mas o filme não me empolgou. Não tive o menor interesse pelo tenista, preferiria ver mais do homem que sugeriu os assassinatos. Faltou emoção, o título em português engana bem dando a entender que alguma coisa vai ser sinistra, mas ainda assim é um bom filme. Avaliação: 3,5/5

Não sou das maiores fãs de filmes biográficos, mas quando o biografado me interessa eu fico mais curiosa. Eu não sabia quase nada da história do Brian Wilson, do The Beach Boys, então foi bom descobrir mais de sua trajetória pelo filme. O enredo é dividido em dois: temos a fase mais jovem, em que Brian é interpretado pelo Paul Dano, mostrando a criação do Pet Sounds (também conhecido como um dos melhores álbuns da história da música) e os seus desentendimentos com o resto da banda, e a fase madura, em que ele é John Cusack, retratando um romance e a luta com seu psiquiatra, que tentava se aproveitar dele dopando-o. Apesar de a história ser interessante, o que brilha mesmo no filme é a música. Fiquei com as harmonias da banda na cabeça por dias e sinto que passei a gostar mais de Beach Boys depois do filme. A cinebiografia não foge muito do convencional em relação ao gênero, mas às vezes o convencional é tudo o que a gente quer. Avaliação: 4/5

4- Frances Ha (Noah Baumbach, 2012)
Finalmente vi esse filme, queridinho de muita gente. É um longa sobre ser jovem, naquela fase em que nada parece dar certo e a vida dos outros parece estar mais encaminhada que a sua, mas a Frances consegue ir em frente e buscar o seu caminho. Na teoria, não parece ir além de vários outros filmes indies ou de séries como Girls, e de fato não é uma história inovadora. Mas é muito bem-feita, com uma bela fotografia e bons atores. Não me identifico totalmente com a Frances — minha timidez me impede de falar metade das besteiras que eu penso —, mas ela é uma personagem muito mais carismática que as de Lena Dunham e companhia, e de fato torci por ela durante sua trajetória. Avaliação: 4/5

5- Babe: o porquinho atrapalhado (Chris Noonan, 1995)
Eu não sei se vi esse filme quando era menor, mas como não me lembrava de nada vou fingir que estou vendo pela primeira vez. Eu tinha uma pelúcia do Babe que meu pai comprou nos Estados Unidos, então talvez eu fosse fã; ao mesmo tempo, ele estreou quando eu tinha só um ano, então se eu vi foi bem depois. Mistérios. Quando vi a lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer, achei bem estranho um filme de animais falantes na lista, por isso a curiosidade para (re?)ver. O veredicto é que... é um filme de animais falantes. É interessante comparar com A revolução dos bichos porque tem algumas mensagens semelhantes — não como alegoria política, mas aquele papo de "alguns animais são mais animais que outros". Mas não sou fã de animais falantes de "verdade", prefiro que sejam animados, porque é difícil levar a sério as vozes agudas dos bichos. E o que dizer dos ratinhos esganiçados? Enfim, é um bom filme de sessão da tarde: envolve, diverte e emociona. Mas não faz muito mais que isso, então não entendi qual o apelo para os críticos. O que Babe tem que outros filmes de animais falantes não têm? Avaliação: 3/5

6- Digimon Adventure tri. Saikai (Keitaro Motonaga, 2015)
Na época em que eu voltei a assistir animes, revi o primeiro episódio de Digimon. Apesar da curiosidade em rever meus momentos favoritos da série, o foco nas batalhas me deixou com preguiça, então não continuei a acompanhar. Mas aí estreou essa continuação da série clássica, e achei que seria bom conferir para pelo menos uma vez na vida ficar por dentro do universo otaku. O resultado foi... chatinho. Não é um filme insuportável, e ele tem lá seus momentos brilhantes nas partes cômicas, mas no geral não é grande coisa. Não entendi a motivação do Tai e todo o seu conflito é um tanto idiota: "não vou usar meu Digimon para evitar que o inimigo destrua a cidade porque a batalha vai destruir a cidade!", além de ser simbolizado por uma cena de um celular caindo, o que piora tudo: "se eu lutar, os celulares vão quebrar!". A metade final do filme foca em batalhas, é claro, e ainda tem várias cenas de digievolução repetitivas. Eu odeio essas partes de transformação que repetem todo episódio, o que foi outro motivo para eu desistir de rever a série antiga. Vou ver a continuação do filme porque sou trouxa, mas não o recomendo se você não for fã número um ou fã do tipo nostálgico do anime. Avaliação: 3/5

7- Adeus, Lênin! (Wolfgang Becker, 2003)
Uma vez o meu pai estava vendo esse filme e rindo muito. Desde então fiquei curiosa. O enredo é bem pitoresco: para não causar um infarto na mãe que despertou do coma, o filho não conta para ela que o muro de Berlim caiu, e por isso tem que esconder dela tudo que mostre as influências capitalistas na cidade. A ideia é bem divertida e o filme é bom, mas não sei se é porque eu tinha expectativas altas ou porque não entendo muito da história dessa época, acabei não sendo completamente cativada. Avaliação: 3,5/5

8- Jogos vorazes (Gary Ross, 2012)
Revi o filme para fazer um trabalho na faculdade sobre ele. Não tenho muitas ideias formadas sobre o filme desde a primeira vez que eu vi, acho difícil de avaliá-lo, mas vou tentar explicar isso. Como adaptação, Jogos vorazes é eficaz: entrega os pontos principais da história e mantém o enredo, com poucas mudanças. Mas eu não vejo muito brilho, ele não me empolga. Será que é porque para mim é uma história que depende muito do suspense para funcionar, e conhecê-la pelo livro já acaba com essa possibilidade? Será que é porque os outros motivos de eu gostar do livro envolvem as críticas sociais, e obviamente o filme não tem mérito nisso? Não é que eu não goste do filme, mas sempre me esqueço da existência dele — eu ainda não vi as continuações, mesmo que elas sejam bem elogiadas, sabe. Avaliação: 3/5

9- Cinco centímetros por segundo (Makoto Shinkai, 2007)
Essa é uma animação japonesa bem conhecida entre fãs de animes, mas só vi agora porque sempre deixava para depois. Eu não sabia sobre o que o filme era, só que a animação era bonita. De fato, os cenários são impressionantes. Mas a história, sobre um amor de infância que não deu certo por causa da distância, não me emocionou. O filme é dividido em três episódios. O primeiro foca no menino e no relacionamento à distância dele, e abusa daquele monólogo interior poético que eu particularmente detesto, Já me basta em Shigatsu. O segundo episódio mostra a menina que gosta do protagonista, mas que obviamente não é correspondida, porque ele está preso no seu relacionamento passado. Esse foi o meu episódio favorito. A última história, a mais curta, conclui rapidamente o filme, incluindo uma música meio brega. Enfim, não sei o que eu esperava, mas me decepcionei. A história não parece ter começo, meio e fim, e não consegui me importar com o protagonista. É para ser uma história triste, mas não consegui sentir nada. Avaliação: 3/5

Bom, já está óbvio que eu tenho um fraco por filmes de jovem alternativos e hipsters que não fazem a menor ideia do que estão fazendo com suas vidas. A história do filme é sobre Clara, interpretada por Clarice Falcão, e suas dúvidas sobre a vida. Ela faz faculdade de medicina, mas mata aula todos os dias e não sabe o que fazer. Junto com seu novo amigo Guilherme, ela vai em busca de seus talentos e testando suas qualidades. O filme é bonitinho, engraçadinho e curtinho, e achei legal a forma que ele trata a diferença de gerações. No entanto, é até desconfortável ver o quanto a Clara é privilegiada, porque expõe como eu sou privilegiada também — nós duas podemos, em certa medida, não ter a menor ideia do que estamos fazendo com a nossa vida. Enfim, é um filme para a classe média alta brasileira e compreendo que quem não seja parte desse grupo não goste do filme. Avaliação: 3/5