sábado, 13 de fevereiro de 2016

O crime do padre Amaro, Eça de Queirós

 O pároco fechou a porta do quarto. A roupa da cama entreaberta, alva, tinha um bom cheiro de linho lavado. Por cima da cabeceira pendia a gravura antiga dum Cristo crucificado. Amaro abriu o seu Breviário, ajoelhou aos pés da cama, persignou-se; mas estava fatigado, vinham-lhe grandes bocejos; e então por cima, sobre o teto, através das orações rituais que maquinalmente ia lendo, começou a sentir o tique-tique das botinas de Amélia e o ruído das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se.
Essa foi uma leitura para a faculdade. Eu gostei mais do que esperava de A cidade e as serras, mas não teria vontade suficiente de ler mais do Eça sem algum incentivo. Porém existia uma Literatura Portuguesa III no meio do caminho, então... Lá fui eu ler O crime do padre Amaro.

A história é famosa: um padre tem um caso com uma jovem. Sendo um livro realista, ele foca mais na sociedade, na cidadezinha de Portugal e como funcionam as dinâmicas de poder lá, do que no amor romântico, que é inclusive ironizado. Os personagens são mais caricatos e não apresentam grande densidade psicológica. E, claro, são quase todos odiosos. 

Eu gosto do jeito irônico de escrever do Eça, que torna a leitura mais agradável e engraçada. Mas eu li o livro rapidamente, em cima da hora porque eu procrastinei e tinha prova, e isso deixou a leitura um pouco cansativa. Os dramas de cidadezinha pequena começam a ficar enrolados demais e perdi a paciência, acho que aproveitaria mais se o livro fosse mais curto (ou se eu lesse mais devagar...). De qualquer jeito, a história e as críticas, infelizmente, continuam bem atuais.

Enfim, a resenha vai ficar curta mesmo porque não tenho muito o que falar. Para quem gosta do estilo mordaz e descritivo do Eça, O crime do padre Amaro é uma boa pedida. Não posso comparar com o resto da obra dele porque só li dois livros, mas entendo o lugar de destaque que a história sobre o padreca ocupa — embora esse destaque se deva mais à fama da história do que ao livro em si (faz sentido?). Eu provavelmente deveria ler O primo Basílio também, porque como estudante de Letras eu teria que conhecer bem esse romance também, mas literatura realista portuguesa continua não sendo minha prioridade.

Avaliação final: 3,5/5

2 comentários:

  1. Sempre esqueço que temos esse livro. Preciso ler, mas literatura realista portuguesa também não é minha prioridade. ;)

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    1. Não precisa ler não, viu? Não vale tanto a pena assim ;)

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