terça-feira, 30 de outubro de 2012

Daytripper, Fábio Moon e Gabriel Bá

Daytripper

Minha terceira leitura para o Desafio foi Daytripper. Comprei na promoção junto com Retalhos e finalmente tirei o livro do armário. A promoção foi uma ótima desculpa, porque eu tinha curiosidade em ler essas graphic novels, mas ao mesmo tempo não tinha certeza se iria gostar (e são muito caras para simplesmente não gostar!). Felizmente, o dinheiro foi bem gasto. Daytripper foi basicamente o que eu esperava: uma ótima graphic novel.

A história é sobre Brás de Oliva Domingos, que escreve obituários e sonha em virar um grande escritor. Não tem muito o que falar sem estragar a história, o importante é que, por mais que pareça confuso nos primeiros capítulos, logo se entende a lógica.

A estrutura do livro é muito bem pensada e faz uma história comum não se tornar tão comum assim. O fato dos autores serem brasileiros e da história se passar no Brasil é um ponto positivo, pois traz familiaridade. É impossível não ficar feliz em reconhecer os cenários paulistanos.

Apesar de eu não gostar muito do traço dos autores nesse livro, é só uma questão de gosto, acho que é o estilo que se encaixa na história e a arte é muito bem-feita.

Como a leitura acabou sendo meio pausada, perdeu parte do entendimento. Eu entrei na história rapidamente, mas acabei demorando para ler o final e ao ler as últimas páginas já não vi tanto sentido, não sei se entendi… Mas mesmo assim não deixei de ficar triste por terminar de acompanhar a vida (ou as vidas?) de Brás.

Enfim, assim como Retalhos, não sei se o livro vai agradar a todos e talvez não deva ser lido em qualquer momento. Mas quem gosta de algo mais reflexivo pode ler sem medo.

Ilustração

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Retalhos, Craig Thompson

Retalhos

Minha segunda leitura para o Desafio deste mês foi Retalhos. Eu sempre ouvi falarem bem do livro e o traço do autor me encantou, então comprei numa promoção da Fnac no ano passado e guardei para lê-lo no Desafio Literário.

O livro é basicamente uma auto-biografia do autor, Craig Thompson. Ele conta como foi a sua infância em uma pequena cidade americana com sua família, muito ligada à religião, sua adolescência, em que conhece Raina e se apaixona, e o início de sua vida adulta.

É um enredo simples, mas que me prendeu completamente. Não sei se foi por ser narrado em quadrinhos, se foi por eu, em parte, me identificar com Craig, se foi pela história em si com as reflexões que são proporcionadas por ela… Provavelmente foi por tudo isso. O fato é que eu realmente não queria largar o livro. Se teve um livro que eu não queria que terminasse, é esse.

O desenho serve muito bem completando a história e facilita, ao meu ver, a empatia pelo livro. Se o livro não fosse em quadrinhos, tenho as minhas dúvidas até se teria simpatia por Craig. É incrível como o autor consegue mostrar tão bem sua história e seus sentimentos e passá-los para o leitor. No fim, fiquei morrendo de vontade de conhecer a neve, tão significativa para a história.

Como vocês devem ter percebido, minha relação com o livro foi bem subjetiva… Não acho que o livro vai agradar todo o mundo, mas fica a recomendação.

Quadrinho

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Fagin, o Judeu, Will Eisner

Fagin, o Judeu

A primeira leitura do Desafio desse mês foi Fagin, o Judeu, do Will Eisner. Não foi uma leitura planejada, minha irmã pegou o livro na biblioteca e eu não vi motivo para não ler.

O livro tenta dar uma nova visão à vida de Fagin, o vilão de Oliver Twist. Mostra a sua vida desde o início e todo o preconceito que ele teria sofrido por ser judeu, até chegar nos acontecimentos de Oliver Twist.

É um livro curto, li em mais ou menos uma hora e valeu a pena, mas achei o livro bem corrido. A parte da história de Fagin que foi narrada no livro de Dickens está bem condensada na graphic novel e, na minha opinião, confusa. Se eu não tivesse lido a obra original, teria achado o livro mais confuso ainda.

Gostei da arte, até porque não estou acostumada com pinturas detalhadas em quadrinhos, em geral é tudo em preto e branco. Os tons de marrom fazem a diferença.

Enfim, é uma leitura que não me marcou, mas foi um bom entretenimento. Acho que por ser em quadrinhos foi muito mais fácil me envolver com a história.

sábado, 29 de setembro de 2012

A Cabana, William P. Young

A Cabana

Minha segunda leitura do Desafio Literário de agosto foi A cabana. A minha intenção não era para lê-lo exatamente para o Desafio, mas como o tema encaixou e senti falta de mitologia cristã na lista das pessoas (como se mitologia só fosse algo que com certeza não existisse, modelos superados para a maior parte das pessoas de hoje), decidi resenhá-lo também.

Primeiramente, gostaria de dizer que não entendo nada de religião. Não acredito em Deus, não sei as grandes diferenças entre as religiões cristãs… Então se eu falar uma grande besteira, ignorem (ou me avisem!). E se você for uma pessoa que se ofende facilmente, não recomendo que leia a resenha.

Li A cabana porque minha tia me emprestou. Eu até tinha curiosidade de ler o livro, mas num sentido mais “vou-ler-para-falar-mal”. No entanto, até que me surpreendi com a leitura.

O livro conta a história de Mackenzie, um homem que passa por grandes conflitos religiosos. Um dia, ele recebe um bilhete, assinado por “Papai”, dizendo para ir à cabana, lugar onde sua filha fora assassinada. Sem saber se é uma piada ou se é mesmo Deus, ele vai e lá vive uma forte jornada espiritual.

O início do livro parece um suspense/romance policial genérico, o que pode causar uma impressão falsa em algum leitor desavisado. O meio e o fim são auto-ajuda, uma conversa com Deus, Jesus e Espírito Santo, meio entediantes, mas de fácil leitura.

O que me surpreendeu na leitura foi a visão de Deus. Encontrei um Deus com quem quase simpatizei. Gostei do fato de ele ser contra religião e a Igreja como instituição. É um Deus que só quer amor, não um grande tirano que muitas religiões pregam indiretamente que ele seja. Inclusive, por ser um Deus mais livre, muita gente mais religiosa pode se sentir ofendida. No final, se não entendi ou não concordei com grande parte do conteúdo, faz parte também. Não esperava ler um livro e sair acreditando em Deus por causa dele.

Literariamente, é um livro bem pobre. Mackenzie é bem repetitivo nas suas falas, a escrita é simples, a história não se desenvolve. Mas não é para ser um grande livro de ficção, uma aventura, e sim algo mais reflexivo mesmo.

Enfim, recomendo apenas para pessoas com uma mente mais aberta mesmo. O livro pode ofender gente mais religiosa e irritar gente sem fé alguma.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fábulas e Lendas Japonesas

Fábulas e Lendas Japonesas

Li Fábulas e Lendas Japonesas para o Desafio Literário de setembro, cujo tema é mitologia. Escolhi porque já o tinha em casa e, honestamente, o tema não me chamou atenção a ponto de buscar por novidades. Além disso, queria conhecer mesmo mais histórias tradicionais do Japão.

Como o título sugere, o livro traz fábulas e lendas japonesas. Algumas são bem conhecidas, como Urashima-tarô e outras nem tanto, assim como algumas trazem elementos obviamente japoneses e outras são mais genéricas.

Em comum, todas têm uma moral clara. Normalmente, ensinam que devemos sempre fazer o bem, que quem faz o bem é recompensado e que você sempre poderá ser perdoado se tiver boas intenções no futuro. São morais ótimas e realmente valem como moral, mas na leitura do todo, acaba ficando irreal e repetitivo. É claro que as fábulas não devem ser contadas todas de uma vez nem nada do tipo e talvez seja por isso que a repetição me incomodou. Ler as histórias seguidas acabou me irritando. São muitos homens bons e pobres que fazem algo bom e são recompensados, virando ricos (em uma história, o homem inclusive passa a ter lacaios!).

Mesmo com a repetição, o livro vale para conhecer mais a cultura japonesa e refletir sobre seus elementos e também pelas belas ilustrações.

P1030097 (me desculpem pela péssima qualidade da foto)

Recomendo para interessados em conhecer as histórias japonesas mais clássicas.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Still Waters, Emma Carlson Berne

Still Waters

Eu achei que não ia mais me atrasar com o Desafio Literário… Mas me enganei. A minha intenção inicial era ler O Iluminado para o mês de terror, mas ele estava alugado na biblioteca que eu ia, portanto tive que recorrer para um livro emergência, um que eu baixei só pela sinopse.

A premissa lembra vagamente a de O Iluminado: um casal vai numa casa abandonada e o homem começa a pirar. Só que este livro é YA, portanto adicione à premissa o fato do cara ser lindo e incrível e “oh-meu-deus-como-ele-tão-popular-pode-gostar-de-mim-pobrezinha-nerd?” e a namorada Hannah não consegue dizer ao seu maravilhoso namorado que o ama. Ou seja, de terror o livro não tem quase nada. E a parte não de terror também não convence, basicamente porque Hannah é mais tapada que Bella Swan.

Aqui temos os fatos: Hannah descobre que a família de Colin, o namorado, tinha uma casa no interior (preste atenção no tempo verbal: TINHA. Nem Colin lembra mais direito da casa). Ela tem uma brilhante ideia: por que não viajar com o namorado para essa casa, da qual ela não faz a mínima ideia do estado, sem saber mesmo se ela ainda está de pé? Então o casal (Colin ainda não sabe para onde vai, já que Hannah acha que a surpresa irá deixá-lo muito mais feliz) parte com umas roupas, um mapa decadente e quase nenhum alimento. Genial, não? Nossa querida protagonista acha que uma casa abandonada vai ter comida e eletricidade! Aí as coisas estranhas começam a acontecer, até chegar num clímax fraco e numa resolução mais fraca ainda e completamente sem graça.

Os pontos positivos? Não é especialmente mal escrito, a leitura até que flui, principalmente no meio, e, bom, eu até achei interessante o conflito não-consigo-dizer-eu-te-amo-mas-eu-te-amo. O problema é que eu realmente não consegui engolir a premissa.Talvez verdadeiros fãs de YA se interessem mais. E eu fico devendo algo que dê medo de verdade e continuo querendo conhecer Stephen King.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Leite Derramado, Chico Buarque

Leite Derramado Eu tinha interesse em ler Leite derramado desde que o livro foi lançado e saiu toda a discussão sobre ele. Muitos amaram, muitos odiaram e eu, que nunca liguei muito para Chico Buarque (gosto das músicas, mas não sou chicólatra, sabem?), quis ter a minha própria opinião. Meu pai ganhou o livro de aniversário e leu. Depois a minha irmã leu também e ele ficou eternamente na minha fila. Porque, honestamente, eu tenho medo de alguns livros mais difíceis e sérios. E se eu fosse burra demais para entender? Aí surgiu o Desafio Literário e com ele veio a oportunidade perfeita para eu ler o livro que há tanto tempo tinha curiosidade de ler.

Leite derramado é sobre Eulálio, ou melhor, de Eulálio, um senhor centenário no leito de hospital. O livro é sua conversa com quem estivesse interessado em ouvir — sua filha, as enfermeiras… Ele conta sobre a decadência de sua família, o seu passado, como conheceu sua mulher, e aos poucos as memórias vão se confundindo, se repetindo, mostrando a deterioração da mente de Eulálio.

É um livro curto, contado em um tom oral muito agradável de ler. Uma leitura rápida, mas com profundidade. Eulálio, em certos pontos, me lembra Brás Cubas (mas não, eu não estou comparando Chico com Machado no sentido de qualidade): eles deveriam ser medalhões, são de famílias importantes e vivem numa sociedade em que o nome importa muito. Mas as coisas mudam, e vemos então a decadência de Eulálio e de sua família. Seu nome não importa mais.

Além da bem construída visão histórica do Brasil, outro ponto positivo é a construção das memórias de Eulálio. Confusas, repetitivas, contraditórias, assim como devem ser as memórias de um homem tão velho. Algumas pessoas se incomodaram de nunca saber a versão real do que aconteceu, mas para mim isso é bom: de acordo com o que Eulálio nos diz podemos tirar as nossas próprias conclusões. Sem certezas, mas a vida não é feita de certezas.

O meu único problema com o livro é que ele foi esquecível para mim. Uma ótima leitura, mas não me marcou. Ainda assim, por esse livro, Chico é sim um bom escritor.