segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #21

1- Divertida mente (Pete Docter e Ronnie Del Carmen, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,75/5

2- O substituto (Tony Kaye, 2011)
Esse filme estava há muito tempo na minha lista porque gosto de histórias sobre professores e vou com a cara do Adrien Brody. O substituto é menos convencional do que eu esperava, embora em outros aspectos seja bem tradicional, e ainda não sei o que pensar do protagonista. A escola na qual ele é substituto não vai bem, cheia de alunos problemáticos, mas ele consegue fazê-los prestar atenção. Mas não é um filme sobre como um professor salvou a escola ou algo do tipo, e inclusive o tom do protagonista é um tanto niilista. Além disso, outras esferas da vida dele são exploradas, como a família e seu relacionamento com uma jovem que encontrou na rua. Avaliação: 3,5/5

3- Brooklyn (John Crowley, 2015) 
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3/5 

4- Apenas uma vez (John Carney, 2007) 
Finalmente vi esse filme, também conhecido como o filme da música "Falling slowly", que as pessoas sempre cantavam no The Voice ou no American Idol. A história é um garoto encontra garota, mas embora haja amor envolvido, o foco é a música — e a trilha sonora é bem legal. O filme tem uma hora e meia e passa bem rápido. Não me marcou particularmente, mas como bastante gente se emociona assistindo fica a recomendação. Avaliação: 3,75/5

5- O quarto de Jack (Lenny Abrahamson, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 4/5 

6- O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, 2014)
Gosto dos filmes do Wes Anderson, mas também não sou apaixonada. O Grande Hotel Budapeste segui esse caminho também. É um filme excêntrico, com personagens curiosos, cenários bonitos e uma história pitoresca. É bem divertido de assistir, mas não faz meu coração bater mais forte, sabe? Faltou alguma coisa para isso, algo que me fizesse arredondar a nota para cima. Talvez seja questão de expectativa, tanta gente amou e eu acabei esperando mais por causa disso. Quem sabe se fosse meu primeiro filme do diretor a experiência fosse outra. Avaliação: 3,75/5

7- Apenas duas noites (Max Nichols, 2014) 
Queria ver esse filme porque gosto da Analeigh Tipton e do Miles Teller. É uma comédia romântica com um enredo bem simples: o casal fica junto por uma noite logo após de se conhecer e na manhã seguinte eles não podem sair de casa por causa de uma nevasca, então são obrigados a conviver por mais tempo do que pretendiam. É aquela coisa de homem e mulher que não querem lidar um com o outro, momentos constrangedores, gente falando besteira, mas sempre com alguma química. Completamente clichê, mas funciona bem, então por que não? Os dois personagens são meio babacas, ele bem mais que ela, mas torci para eles ficarem juntos. E meio que me identifiquei com a relação do personagem do Miles Teller com o campo profissional e fiquei chocada com o fato de que agora sou adulta o suficiente para até que entender essas coisas(!). Avaliação: 3,5/5

8- Digimon Adventure tri. Ketsui (Keitaro Motonaga, 2016)
Sim, eu insisto no erro até o fim. Depois de não ter gostado muito do primeiro, é claro que fui correndo ver o segundo Digimon tri. quando lançou, porque a curiosidade estava me matando e esses revivals são o tipo de coisa que a gente precisa ter uma opinião a respeito, mesmo que seja para falar mal. Bom, eu gostei mais desse do que do primeiro, porque ele tem mais cenas cotidianas e clichês típicas de animes como a ida na casa de banhos e o festival escolar. Eu honestamente não dou a mínima para as lutas e para a parte de ação. O filme foca mais nos dilemas de Mimi e Joe, que apesar de serem pouco aprofundados, são mais críveis do que os de Tai e a famigerada cena do celular quebrando. O enredo mais importante, sobre a questão digital, só se desenvolve lá no final, bem rapidamente, mas eu também não ligo para isso — é apenas uma crítica quando ao ritmo. Enfim, é bom? Não. Mas melhorou em relação ao primeiro. Aguardemos os próximos capítulos (spoilers: são ruins). Avaliação: 3/5

9- Parceiras eternas (Susanna Fogel, 2014)
Outro sobre jovens de vinte e tantos anos, no caso quase trinta, e com atores legais: temos Blair Waldorf e Seth Cohen no elenco! Mas no filme a Blair, quer dizer, a Leighton, interpreta uma personagem lésbica. Ela tem uma BFF hétero que começa a namorar com o personagem do Seth Adam Brody e por causa disso a amizade das duas garotas começa a sofrer. Achei interessante a diferença de perfil das duas mulheres — uma delas é uma advogada bem sucedida, a outra está investindo na carreira musical e tem o emprego de recepcionista para pagar as contas. É um filme simpático e sincero, que me sentir e pensar sobre a vida. Objetivamente, não sei explicar porque gostei tanto: o filme é clichê, o destino da personagem da Leighton podia ter sido melhor explicado, etc., mas às vezes a gente não precisa ficar procurando motivos racionais e deve aceitar os sentimentos. É um filme que me fez bem, e isso é mais que o suficiente. Avaliação: 4/5

10- Força maior (Ruben Östlund, 2014)
Eu provavelmente conheci esse filme por alguma crítica no jornal, achei interessante o mote — o relacionamento de um casal desanda depois que o homem foge de uma avalanche sem se preocupar com a mulher e com os filhos — e coloquei na lista para ver. É um filme que traz bastante reflexão, sobre papéis de gênero e a contemporaneidade, sobre relacionamentos e sobre a Europa, porque é sobre gente rica que passa as férias num resort de ski, e o diretor deixa bem claro o quanto eles são ricos de dinheiro e pobres de espírito. Além dessas discussões, o filme é visualmente bem impactante, com tomadas de montanhas, da imensidão da neve e de coisas que não identifiquei porque não sei como funciona um resort de ski. Para resumir, Força maior é um desses filmes europeus que me fez me sentir inteligente porque entendo parte do que ele está querendo dizer, e não é mais do mesmo em questões artísticas. Avaliação: 4/5 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

TAG: Patinação

Como imagino que dê para perceber em alguns dos meus posts mais atuais, ando viciada em patinação artística no gelo. Acompanhei um pouco do final da temporada anterior e agora estamos no início da temporada olímpica. Decidi responder essa tag porque seria interessante contrastar a minha visão no início da temporada com a do final. Sou uma pessoa que prefere programas interessantes à qualidade geral de patinação, então minha opinião sobre um patinador pode mudar muito dependendo dos seus programas. Copiei as categorias da minha irmã mas, assim como ela, retirei ou alterei algumas coisas que não consigo responder.

- Patinador favorito (em geral)
Foi o Shoma Uno que, de certa forma, me trouxe de volta para a patinação. Não foi de primeira que eu gostei dele — me lembro de quando vi o mundial de 2016 e fiquei meio "???" porque ele era o queridinho da minha irmã (não ajuda o fato de que, bom, eu preferia esquecer o desempenho do Shoma nessa competição) —, mas aos poucos eu fui conquistada pela sua musicalidade, pela presença no gelo e pelo contraste entre sua personalidade intensa patinando com o jeito tímido e perdido fora do gelo. Estou bem decepcionada, admito, com suas escolhas para essa temporada, mas o Shoma continua sendo o único patinador que eu realmente acompanho fora do gelo, por notícias, pela fan fest do Golden Skate, por Tumblr de fãs e afins.

Shoma também é habilidoso nos dardos! (fonte)

 - Homem sênior
Shoma Uno, vide resposta acima.

- Mulher sênior
Não tenho uma grande favorita, mas escolho a Wakaba Higuchi.

- Par sênior
Sui/Han ou Savchenko/Massot. Na temporada de 2016/2017, o programa longo de S/M me deixou impressionada, assim como o curto de S/H. Considerando que os chineses vão de Turandot no longo, em um caminho mais previsível, diria que estou pendendo mais para preferir os alemães, mas ainda não vi os programa novo de nenhum deles.

- Dupla de dança sênior
Papadakis/Cizeron. Eles fazem programas longos parecidos? Fazem sim, mas não se mexe em time que está ganhando (ou em segundo lugar, hehe) e acho tudo lindo.

Papadakis/Cizeron (fonte)

- Homem júnior
Donovan Carillo, pelo pouquíssimo que acompanhei da categoria júnior. Só vi o programa longo dele no JGP da Austrália, mas já fui conquistada.

- Mulher júnior
Anastasiia Gubanova porque sou óbvia. Gosto de várias japonesas também, mas não o suficiente para escolher uma.

- Par júnior
Não assisto o suficiente, mas torço pelos australianos Alexandrovskaya/Windsor só porque acho legal ver gente de federação pequena no topo.

- Dupla de dança júnior
Carreira/Ponomarenko por causa da dança livre deles.

- Disciplina favorita
É uma questão. Sou mais emocionalmente ligada aos competidores principais do masculino, mas a categoria júnior é a mais chata de assistir. Amo a dança livre e acho uma tristeza que pouca gente se importe com essa categoria, mas não faço questão de ver todas as danças curtas. As mulheres são em geral mais interessantes, mas a previsibilidade do primeiro lugar na categoria sênior me fez perder um pouco do interesse. Ou seja, todas menos pares, talvez? Mas até gosto bastante de pares, acho que os que estão no topo atualmente têm estilos variados e estão inovando um pouco nos elementos.

- Pódio dos sonhos no masculino
Todo mundo ganha! Eu gostaria de medalhas para o Patrick, o Yuzuru, o Shoma e o Javier (ele pode ficar com bronze porque a medalha seria mais pela importância de uma medalha para a Espanha do que por eu querer que ele ganhe, risos). Mas também não odeio ninguém e aceito Nathan ou Boyang no pódio. Só quero que todos patinem bem e fiquem satisfeitos com as performances.

- Pódio dos sonhos no feminino
Queria uma medalha para a Satoko e uma para a Wakaba, mas a gente nem sabe se elas vão conseguir entrar na equipe japonesa. Acho que o único pódio que eu não gostaria é um com mais de uma garota treinada pela Eteri (e é bem possível que aconteça). Por exemplo, ficaria satisfeita com Evgenia, Satoko/Wakaba e uma americana ou canadense.

- Pódio dos sonhos nos pares
Sui/Han, Savchenko/Massot, James/Cipres, não sei a ordem ainda.

- Pódio dos sonhos na dança
Papadakis/Cizeron, Shibutani/Shibutani e Gilles/Poirier, mas aceito os pódios mais prováveis também com Virtue/Moir no topo.

- Pódio dos sonhos na competição por equipes
Canadá, Japão, China. Quero muito que o Canadá ganhe ouro, o resto não importa. Mas seria bem interessante que não fosse a tríade óbvia Canadá, Rússia e Estados Unidos.

- Mulheres para a equipe olímpica russa (3)
Quem eu quero: Evgenia Medvedeva, Anna Pogorilaya e... Elena Radionova? Não sei.
Quem eu acho que vai: Evgenia, Alina Zagitova e... Não sei, não estou por dentro das meninas russas.

- Mulheres para a equipe olímpica japonesa (2)
Quem eu quero: Satoko Miyahara e Wakaba Higuchi.
Quem eu acho que vai: Satoko se estiver saudável e na forma anterior e Mai Mihara, a não ser que de repente a Wakaba fique bem consistente.

Satoko e Wakaba (fonte)

 - Mulheres para a equipe olímpica americana (3)
Quem eu quero: Karen Chen, Mirai Nagasu e Ashley Wagner, nessa ordem de preferência.
Quem eu acho que vai: Karen, Ashley e Mirai, se o triple axel estiver consistente. Ou a Mariah Bell. Mas não duvido nada que alguma delas flope nos nacionais e alguém meio aleatório consiga a vaga (Bradie Tennell talvez?).

- Homens para a equipe olímpica americana (3)
Quem eu quero: Adam Rippon, Nathan Chen e Jason Brown, nessa ordem de preferência.
Quem eu acho que vai: Nathan Chen, Vincent Zhou e Jason/Adam. Ou Max Aaron, pelos quádruplos.

- Programa que você está mais empolgado para ver
O longo de Papadakis/Cizeron. Não estou muito feliz com a suposta escolha deles (Sonata ao luar), mas estou curiosa para ver como será. E, bom, eu meio que já vi a maior parte dos programas agora que os challengers já começaram.

- Escolha musical que você menos gosta
São tantas... A trilha sonora de Moulin Rouge está sendo usada demais nessa temporada, mas até aceito alguns programas se a pessoa consegue vender bem o drama. It's a man's man's man's world é usada demais e é um tanto ridículo que os patinadores não se importem com a letra dela (ou até concordem?). Também não gosto de algumas músicas bregas específicas de O fantasma da ópera ou de Os miseráveis, mas não sei dizer quais agora. E todos os repetecos, sem exceção, especialmente quem não vai apresentar nenhum programa novo (olá, Ashley, olá, Yuzuru).

- Warhorse favorito
Eu costumo gostar de tangos, de músicas do Abel Korzeniowski e do Ludovico Einaudi. Não são exatamente warhorses, mas é só assistir um Junior Grand Prix para ver o quanto elas são usadas. Em questão de warhorses, diria que gosto das músicas mais clássicas, mas tem exceções, tipo As quatro estações (olá, Shoma).

- Que patinadores/países que ainda não tem vaga você quer ver nas Olimpíadas?
Feminino: Isadora Williams (Brasil)
Masculino: Julian Yee (Malásia), Donovan Carrillo (México) e gostaria que o June Hyoung Lee conseguisse a vaga para a Coreia do Sul mas preferiria que quem fosse para as Olimpíadas fosse o Jinseo Kim ou o Jun Hwan Cha.
Pares: Ryom/Kim (Coreia do Norte) e Alexandrovskaya/Windsor (Austrália)
Dança: Muramoto/Reed (Japão)

Julian Yee (fonte)

Amanhã começa o Nebelhorn, que decidirá as vagas restantes. Quem sabe antes das Olimpíadas eu retorne a essa tag para ver o que aconteceu como eu queria e o que deu errado. Já estou ansiosa!

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Love, loss, and what we ate, Padma Lakshmi

It's funny to me that most of the cooking in the world is done by women, and yet when you look at modern Western cuisine, it's largely based on what a few dead Frenchmen have opined to be the correct way of doing things. (...) Cooking was something women did to nourish and nurture their families, whereas for men it was something they did professionally to gain money and status.
Love, loss, and what we ate foi uma leitura feita para o Ler além, na categoria biografia de mulher não branca. Descobri a existência do livro por acaso, em um e-mail de promoções de e-books, e achei que seria uma boa escolha para o desafio, visto que não tinha muitas opções em mente. Simpatizava o suficiente com a Padma como apresentadora do Top Chef, meu reality de culinária favorito, e o pouco que sabia de sua vida pessoal envolvia seu casamento com o escritor Salman Rushdie.

É claro que Padma entrega o ouro logo no começo, e inicia o livro falando do relacionamento com Salman: sobre como eles se conectaram de primeira e logo se apaixonaram, o drama de estar namorando alguém casado, como ela se sentia ao redor dos amigos escritores e intelectuais dele, e o que aconteceu para tudo dar errado. Não é surpreendente que a imagem apresentada de Rushdie é de alguém arrogante e egoísta, ainda que charmoso; minha parte favorita é quando ela diz que ele ficava aguardando ansioso o anúncio do Prêmio Nobel de Literatura e depois, ao não ganhar, dizia coisas como "gênios como Proust e Joyce nunca ganharam também". 

Após o término do relacionamento deles, a história retorna mais ou menos ao começo da vida de Padma: temos capítulos sobre sua infância na Índia e a mudança para os Estados Unidos, recheados por memórias gustativas e (poucas) receitas. Gostei da abordagem culinária, mas quem não tem muito conhecimento sobre comida indiana como eu pode sofrer um pouco para imaginar os sabores descritos — o que é um problema meu, não do livro.

Para quem é fã de Top Chef, Padma acrescenta aqui e ali pequenas curiosidades ou fatos sobre o programa, mas ele está mais como pano de fundo dos acontecimentos pessoais do que como foco de algum capítulo, por exemplo. Quem esperar muito sobre o bastidores pode ser decepcionar.

Após o relacionamento com Salman Rushdie, Padma esteve envolvida com dois homens: o rico Adam Dell e o ricaço Teddy Forstmann. Temos então novos dramas, como os desentendimentos com Adam, pai da filha dela, e a morte de Teddy (a tal da "loss" do título). Não é a parte mais interessante da biografia, mas, como o resto do livro, é fácil de ler.

Muitas resenhas sobre esse livro apontam para Padma como "metida" ou "reclamona". Eu particularmente não fiquei com essa impressão. É verdade que ela não reconhece tanto seus privilégios e falar sobre as discriminações que sofreu na vida (como mulher indiana, como modelo com uma cicatriz grande no braço) pode dar a impressão de que ela se vê como coitadinha — a comparação entre a família de Salman, de ricos, com a dela, de classe média, por exemplo, dá a impressão de que ela se acha pobre, quando o simples fato da sua mãe ter se mudado para os Estados Unidos nos diz que ela não é tão pobre assim. O fato é que ela teve sim uma vida bem diferente da imagem da celebridade americana média e não vejo por que isso não deveria estar exposto.

Por outro lado, também entendo a opinião de quem não gostou da figura de Padma exposta no livro: são suas memórias, e não há como escapar de momentos egoístas ou erros cometidos. A autora vende uma imagem mais acessível, mais humana — ainda que sem excessos —, em oposição à figura de uma mulher modelo e inspiradora pela qual poderia se esperar de uma autobiografia. 

Como não costumo ler biografias, é difícil de avaliar esse livro dentro do gênero. No geral, achei o formato um pouco irregular — às vezes os capítulos iam e voltavam no tempo, tornando a leitura confusa. O conteúdo é mais ou menos o esperado: muito sobre os relacionamentos de Padma, alguma coisa sobre a família e a juventude e um pouco sobre a carreira. Tudo isso, é claro, temperado pelas memórias culinárias. Não é, enfim, um livro que mudou minha vida, mas algumas observações o fizeram valer a pena para mim.

Avaliação final: 3/5

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

TAG: 3 coisas

Como manter o blog vivo sem ser na base de todos os posts de filmes atrasados? Com tags, é claro. Eu já respondi uma parecida com essa, a 7 coisas, mas essa aqui tem mais categorias — sendo que algumas eu pulei,  porque não consegui decidir as respostas. Peguei a tag daqui, mas não sei de onde é a original.

3 coisas que me dão medo:
- falar em público
- sustos
 - o futuro

3 coisas que me dão preguiça:
- lugares que precisam de mais de um ônibus/metrô para chegar
- lugares cheios
- sair de casa, no geral

eu saindo de casa (fonte)

3 coisas que eu gosto:
- livros
- animais
- reality shows

3 coisas que eu sei fazer:
- tocar nos meus pés quando estou em pé (quando estou sentada também, né)
- escrever e ler hiragana e katakana (e um pouco de kanji)
- cookies

3 coisas que eu não sei fazer:
- andar de bicicleta
- feijão
- puxar conversa com desconhecidos

3 assuntos preferidos:
- literatura
- patinação artística no gelo
- cultura pop no geral

3 assuntos que eu não gosto de discutir:
- política
- decisões pessoais
- religião

3 melhores comidas:
- chocolate
- comida chinesa no geral
- feijoada

3 piores comidas:
- estrogonofe
- maionese
- requeijão

3 melhores redes sociais:
- twitter
- listography
- facebook pela praticidade dos grupos

3 melhores bebidas:
- suco de laranja
- suco de tangerina
- coca gelada de garrafa de vidro

3 piores bebidas:
- alcoólicos no geral
- café
- chá de erva-doce

3 coisas que me acalmam:
- música instrumental
- deitar na cama
- ver fotos de bichos fofinhos

3 coisas que levam todo o meu dinheiro:
- doces
- livros
- comida (mas principalmente doces mesmo)

3 coisas em que eu não gosto de gastar dinheiro:
- roupas
- táxi
- eletrônicos

3 coisas que me estressam:
- gente que não sabe se comportar em ônibus lotado
- gente barulhenta/efusiva quando eu não estou no clima para isso (ou seja: quando estou no ônibus lotado voltando da faculdade às onze da noite)
- ônibus lotado

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, Haruki Murakami

 
De julho do segundo ano da faculdade até janeiro do ano seguinte, Tsukuru Tazaki viveu pensando praticamente só em morrer. Nesse meio-tempo ele completou vinte anos, mas o marco não significou nada em especial para ele. Naquela época, acabar com a própria vida lhe parecia a coisa mais natural e lógica a ser feita. Até hoje ele não sabe bem por que não deu o passo derradeiro. Afinal, naquele momento, atravessar a soleira que separa a vida e a morte era mais fácil do que engolir um ovo cru.
Ah, Murakami... Ainda me lembro do período em que namorei avidamente seus livros, pensando que você poderia ser meu novo autor favorito. Comprei Norwegian Wood, com o preço cheio na internet — o que eu achava um ultraje — só porque a edição parecia esgotada em quase todos os lugares. Alguns meses depois, é claro, vi o livro nas estantes das livrarias novamente. Mas eu não me arrependi da compra. Li logo o romance e adorei. Me lembro de terminá-lo de madrugada, quando minha família já estava dormindo. Eu devorei Norwegian Wood. Como eu tinha pesquisado bem os outros livros do autor, sabia que eles não eram tão parecidos com o que eu lera: tinham talvez o mesmo tom melancólico, mas também os tais elementos fantásticos tão típicos da sua obra.

Então eu li Após o anoitecer e não gostei muito. Quando peguei o assunto dessa resenha (finalmente!) para ler, portanto, minhas expectativas já estavam menores — mas bem confusas, porque O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação fez um sucesso grande para um livro do Murakami, e vi várias opiniões diferentes sobre ele.

Tsukuru é um protagonista meio padrão do autor: um homem solitário e melancólico que se sente fora do lugar. O motivo por trás de toda essa tristeza é a exclusão que ele sofreu por seus amigos da juventude, um quarteto formado por Azul, Vermelho, Branca e Preta. Tsukuru já se sentia deslocado por não ter um nome de cor, mas quando eles param de falar com ele sem nem explicar o motivo, nosso pobre protagonista fica traumatizado. É com a ajuda de Sara, uma potencial namorada, que Tsukuru tenta entender melhor o passado e tudo o que aconteceu.

O enredo em si é interessante. Fiquei curiosa para entender o motivo por trás da exclusão de Tsukuru e todos os pedaços que vão se encaixando aos poucos na narrativa. Mas eu me senti indiferente a quase tudo durante a leitura. A amizade do grupo é mais contada que mostrada, então não dá para entender toda a questão de Tsukuru com eles, e esse é o assunto principal da história.

Basicamente, meu maior problema com o livro é que eu não entendo o que ele quer dizer com a história e se ele está apoiando o protagonista ou não. Não que a mensagem tenha que ser explícita, mas eu não faço a menor ideia do que havia na cabeça do Murakami ao escrever esse romance.

A descrição das personagens femininas, por exemplo, é de um viés de objetificação, e eu não sei o quanto isso é consciente ou não, mas incomoda ler sobre como Tsukuru sentia os peitos da amiga ao abraçá-la, por exemplo. É um narrador obviamente masculino e atualmente isso me incomoda se não há nenhum tom de sátira ou alguma indicação de que o romance considera o personagem babaca.

Gostei bastante do início do livro, quando a gente é apresentado ao Tsukuru suicida e vamos entendendo os motivos aos poucos. Também achei interessante a amizade dele com Haida, meu personagem favorito, embora ela não ofereça muitas respostas. Seria errado esperar explicações de um livro do Murakami?

No geral, é uma leitura interessante, mas naquele sentido de "interessante" de quando a gente não quer falar mal. Não sei identificar o motivo exato da minha estranheza com o livro — podem existir questões de traduções também, visto que a sintaxe japonesa é muito diferente da nossa. Acho que o que mais incomoda, no fundo, é não saber o quanto dessa estranheza é proposital, ou se na verdade existe todo um outro jeito de ler ao qual eu não fui ensinada.

Avaliação final: 2,5/5

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Os (realmente não tão) últimos filmes que eu vi #20

1- Atração mortal (Michael Lehmann, 1988)
Esse filme é um clássico adolescente que eu não tinha assistindo ainda por motivos de preguiça de ir atrás. Mas, influenciada pelo clima de jovens assassinos que A história secreta me proporcionou, achei que era a hora certa para conferir. Atração mortal, mais conhecido pelo nome original, Heathers, começa com um enredo comum de filmes juvenis, apresentando as populares da escola, um grupo formado por três garotas chamadas Heather e uma Veronica — esta, no entanto, não gosta do sistema de popularidade e exclusão do colégio e, com o incentivo de um garoto novo, J.D., ela acaba matando uma das populares. A morte, forjada como um suposto suicídio, gera uma comoção entre os alunos, e J.D. e Veronica se animam mais tentando punir outros populares. Acabei gostando bem mais do filme do que esperava, porque ele é engraçado, envolvente, tem crimes, clima sombrio... É um filme que usa uma abordagem ousada para lidar com temas adolescentes sem deixar o tom sério, e é especialmente maravilhoso porque é do final dos anos 80 e dá para perceber como virou referência para tantos outros filmes. Além disso, a Winona Ryder está maravilhosa como Veronica e eu, que nem ligo muito para moda, adorei o visual dela. Enfim, é um filme que me deixou muito empolgada depois que terminei de assistir e mesmo que parte dessa animação tenha passado, decidi manter a nota altíssima porque é de coração. Avaliação: 4,5/5

2- O primeiro que disse (Ferzan Ozpetek, 2010)
Fiquei curiosa para ver esse filme italiano quando ele estreou no cinema, por causa da sinopse: um homem volta para a casa da família no interior da Itália pronto para dizer que é gay, mas seu irmão, ao saber disso, confessa sua própria homossexualidade primeiro. O pai, com medo de que as pessoas descubram, surta com essa descoberta, enquanto o protagonista esconde a verdade e toma o lugar do irmão na família trabalhando no negócio deles, uma fábrica de macarrão. A família deles é bem grande, com personagens de diversos tipos, como a avó compreensiva e a tia alcoólatra. O filme mistura bem momentos cômicos — destaque para os amigos gays do protagonista fingindo serem héteros na frente da família dele — e dramáticos, e acho boa a forma que o filme escancara a homofobia e mostra o machismo que há nas famílias tradicionais italianas. Mas faltou alguma coisa para o filme me conquistar de verdade, e também não entendi bem a história da avó. Valeu pela temática e para matar a curiosidade. Avaliação: 3,5/5

3- Conta comigo (Rob Reiner, 1986)
Foi o filme da vez dos 1001 para ver antes de morrer por um motivo simples: queria algo curto e que tivesse na Netflix. O que eu tinha ouvido falar sobre ele antes era que envolvia crianças, emoção, e a música Stand by me. Achei que seria mais triste, mas é mais nostálgico do que propriamente triste. O enredo envolve um grupo de quatro amigos, de mais ou menos doze anos, indo procurar um cadáver que o irmão de um deles disse ter visto. Eles andam pelos trilhos de trem, naquela cena icônica, acampam na floresta, brincam, brigam e fazem tudo de que tem, e do que não tem, direito. Gostei de como os personagens são desenvolvidos, de como os quatro garotos têm seus problemas e seus modos de agir, e de que há uma questão social na história: o protagonista tem mais chances de sucesso no futuro, mas os outros são vistos como casos perdido, com pais bêbados, violentos, etc. O filme é, como dizem muitas resenhas no Filmow, "simples", mas nem por isso deixa de envolver nem de emocionar — apesar de eu não me identificar nada com o grupo de amigos por motivos de amizade obviamente masculina, eca, não dá para deixar de simpatizar por eles. Avaliação: 4/5

4- Perdido em Marte (Ridley Scott, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,5/5 

5- Shaun: o carneiro - o filme (Mark Burton e Richard Starzak, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,5/5

6-  Metrópolis (Fritz Lang, 1927)
O que dizer desse filme que eu achava que seria um porre mas me surpreendi positivamente? É um filme mudo de duas horas e meia de duração, então eu obviamente estava morrendo de preguiça de assistir, e o começo, quando a gente é apresentado à sociedade e aos personagens, me deixou mais apreensiva ainda, mas depois a história me envolveu com uma facilidade... (embora eu não tenha entendido algumas coisas direito) A crítica social apresentada continua muito atual e a forma em que ela é desenvolvida é ótima também, mesmo que eu não concorde totalmente que o mediador entre as mãos e o cérebro deva ser o coração — isso me parece um tanto redutor. Alguns filmes antigos que eu vi, como Viagem à Lua e O grande roubo do trem são elogiados considerando a importância que eles tiveram para a história do cinema, mas Metrópolis não precisa dessa comparação. É um filme muito inovador para a época e também bem diferente do que a gente vê hoje — as limitações técnicas o fizeram mais especial. No entanto, nem tudo é perfeito e achei a parte final bem cansativa, tanto é que eu e minha irmã dublamos muito nessa hora para matar o tempo. Aliás, a não ser que você seja um cinéfilo sério, recomendo assistir ao filme com alguém do lado para rir com algumas coisas estranhas e dublar nas cenas dramáticas. Talvez eu tivesse gostado bem menos do filme se o visse sozinha. Avaliação: 4/5

7- O jogo da imitação (Morten Tyldum, 2014)
Não dei muita bola para esse filme quando foi lançado, mesmo com as indicações para o Oscar, porque não sou das maiores fãs de cinebiografias. Mas é aquela coisa: a curiosidade sempre existe, então foi o escolhido para uma sessão de cinema em casa com minha família. Achei o filme bem qualquer coisa, honestamente. Ele prende a atenção e a história é interessante, mas falta algo que lhe dê personalidade e o faça se destacar. Avaliação: 3/5

8- Garota exemplar (David Fincher, 2014)
Quando li o livro, imaginei os personagens principais exatamente como os atores do filme. Por isso, fiquei curiosa para saber se o filme seria bem parecido com o que imaginava quando lia o livro. E é. Infelizmente para mim (!). O filme é muito bom como adaptação, muda só o suficiente para caber nas suas duas horas e tanto de duração. Os atores estão muito bem também — Ben Affleck palermíssima como Nick e Rosamund Pike como a Amy Exemplar. Mas, embora ache que o romance sobreviva bem a uma leitura sabendo dos plot twists, o filme não resistiu tão bem. Eu gosto muito de como a gente entra na cabeça dos personagens no livro, mas no filme isso não funciona do mesmo jeito. Um resumo: é um filme muito bom, mas não recomendo tanto se você já leu o livro. Nesse caso, até diria para ver a adaptação primeiro, porque o livro terá coisas a acrescentar. Avaliação: 3/5

9-  Anomalisa (Duke Johnson e Charlie Kaufman, 2015)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,5/5 

10- Rindo à toa (Lisa Azuelos, 2008)  
É um filme adolescente francês ao qual eu já tinha visto vários elogios. A história foca nos relacionamentos de Lola, tanto familiares e de amizade quanto amorosos, sendo que há cenas também protagonizadas pelos outros personagens, como a mãe. É um filme divertido, mas não fez o meu coração bater mais forte, visto que não me importei com nenhum dos personagens. No entanto, o cabelo dos interesses românticos é bem interessante, naquele estilo emo/indie que era moda na época. Avaliação: 3/5

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Podium finish, Beth Pond

 
When it's time to put my skates on, I try to do it left foot first like Alex dared me to, but it feels wrong, like my foot has been jammed into a skate that's a size too small. My fingers fumble with the laces as I pull them taut. This isn't right. It's not superstition though. I just can't break a fourteen-year-old habit. I take the skate off and start over, putting my right skate on first this time. My foot slides in easily, and there's a satisfying swoosh as I pull the laces tight. Much better.
Harper Kavanaugh, ou Kav, é uma das jogadoras mais novas do time americano de hóquei no gelo. Sua colega de quarto no centro de treinamento olímpico de Colorado é Alex, uma patinadora artística que, após uma péssima posição em sua primeira competição nacional na categoria sênior, decide mudar para a modalidade de dança no gelo, na qual ela faz par com Ace.

Kav e Alex têm o mesmo objetivo: uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Reykjavik. Para correr atrás disso, no entanto, elas terão de enfrentar alguns obstáculos: Kav, como novata do time, precisa mostrar que ela é a melhor na sua posição, mas um problema no joelho pode colocar tudo a perder, e Alex sofre com as exigências do pai, que quer que ela busque patrocinadores, e a recusa de Ace em se abrir e participar da publicidade.

Eu conheci Podium finish através da busca da Amazon. Queria ler algo sobre patinação e tinha um cupom de dez reais para gastar, o que transformou a minha compra em um total de zero reais. Como eu nunca tinha ouvido falar do livro e da autora, minhas expectativas eram baixas. Por isso, acabei me surpreendendo com o livro. É claro, eu gostaria mais se o foco fosse só na patinação, mas a parte do hóquei não foi tão entediante. Tudo bem, as cenas de ação dos jogos são difíceis de entender e visualizar mentalmente — só que, até aí, os programas de patinação também são, e ainda com o agravante de não terem a música. O bom, ou ruim, dependendo do ângulo, é que provavelmente devido a essa dificuldade descritiva a autora não passa tanto tempo nessas cenas. Por um lado, como já disse, isso evita descrições longas e técnicas. Por outro, o clímax do livro fica um tanto... anticlimático. A construção da tensão é bem-feita durante o livro, mas quando ele termina você fica meio "é isso?". Não consigo imaginar um final melhor, mas há algo de sem graça nele.

Gostei da opção da autora de explorar duas vozes diferentes. Não achei em questão de narrativa as vozes de Kav e de Alex muito distintas, mas os dilemas e questões delas são. O arco da Kav envolve uma lesão, o que é interessante porque é algo tão comum no meio esportivo mas que às vezes a gente esquece. É dela também a parte do romance — bonitinha e ordinária, um tanto inofensiva. O relacionamento entre Alex e Ace, em comparação, parece um tanto mais real e com mais camadas. O companheirismo e a união deles é exatamente o que a gente imagina de parceiros de dança, e as discussões entre eles são verossímeis também. Eu preferiria que essa relação fosse mais aprofundada, mais mostrada em vez de contada, mas é o preço a se pagar ao apresentar duas vozes em vez de uma só com pouco espaço para desenvolvê-las.

No geral, não recomendaria Podium finish para todo mundo. Pessoas que não acompanham os esportes provavelmente não vão ver graça no cotidiano retratado, que é o maior trunfo do livro na minha opinião. Quem tiver curiosidade sobre o assunto, no entanto, tem o potencial de se divertir com os bastidores esportivos que raramente são mostrados na TV.

Avaliação final: 3/5