quarta-feira, 5 de julho de 2017

Retrospectiva: tv em 2016

Eu sei, eu sei. Não apareço no blog há séculos e quando finalmente tem coisa nova é para falar do ano passado. Marília, você não reparou que já passamos da metade de 2017? Acontece que por milhões de motivos eu parei de escrever e registrar minhas opiniões sobre livros/filmes/tv/etc. Aí quanto mais você vai deixando a bola de neve acumular, mais difícil fica de acabar com ela. Por um motivo misterioso, comecei a fazer esse post nos rascunhos do meu e-mail, escrevendo de vez em quando sobre uma série ou outra. A ideia, obviamente, era postar no começo do ano. Não deu certo e eu fui alterando o texto várias vezes porque algumas coisas mudaram. Mas nunca é tarde para nada, então vamos para meus enormes melhores do ano na categoria televisão de 2016!

O documentário: Às vezes a gente não quer se envolver em história nenhuma, só quer se distrair. E ver animais fofinhos. 72 cutest animals é para isso: uma lista das espécies de animais mais fofas, com critérios que causam estresse em quem leva listas muito a sério como eu (orangotangos estão acima de coalas e coelhos!!!). Tem espaço para certa variedade aqui: dos animais domésticos mais óbvios a uma variedade de pinguins, dos gigantes africanos às raridades da Austrália (afinal, o programa é de lá). Não é um grande documentário, com informações que vão mudar a sua vida nem nada, mas é fofo, e é isso o que às vezes eu quero ver de madrugada na Netflix quando já estou saturada de narrativas e ficção (existe a possibilidade de eu ter um e-mail nos meus rascunhos com nomes de animais para eu fazer minha própria lista. Não confirmo nem nego).

A série nostalgia: The O.C. foi a primeira série que eu assisti mais ou menos em ordem, naquela rotina de acompanhar diariamente pela televisão que praticamente quase ninguém mais faz. Comecei a rever a série um pouco depois da estreia na Netflix, quando as pessoas já estavam desanimando ou terminando a primeira temporada ou simplesmente parando de comentar — eu tenho péssimo timing para os assuntos do momento e acompanho tudo atrasada mesmo. Mas isso não me fez perder o interesse e lá fui eu para Califórnia de novo. A primeira coisa que a gente nota é o quanto a série envelheceu. Faz tipo QUATORZE anos que estreou e, bom, dá para perceber isso. A fotografia ensolarada, a trilha sonora e principalmente as roupas nos dizem que essa foi uma época que já passou, e que bom (ou não). O que importa é que, assistindo pré-adolescência ou pós-adolescência, uma coisa se mantém: o drama. E como The O.C. é dramático!!! Sendo sincera, inicialmente achei o desenvolvimento meio lento, porque estava vendo Gossip Girl antes e o nível novelesco nem se compara, mas o poder da série de transformar pequenos dramas em grandes é maravilhoso. Assim como é maravilhoso o poder de nos fazer empatizar com personagens meio sem graça interpretados por atores meio ruins (olá, Ryan e Marissa), de forma que minha irmã, por exemplo, relatou que estava torcendo muito para que o Ryan chegasse a tempo na festa do ano novo para confessar seu amor pela Marissa, mesmo sabendo que ele chegaria porque ela já viu a série antes. E a série faz a gente sentir tudo com muita intensidade: como não odiar Oliver Trask? Como não ter impulsos violentos causados por ele? (e, em alguns momentos, causados por Julie Cooper?)
Estou assistindo aos poucos para não enjoar e estou no começo da segunda temporada temporada. The O.C. não é nem de longe a melhor série que já vi, mas é uma das mais queridas por mim, e é isso o que importa.

A série episódica: Quando eu via muita televisão, Criminal minds era uma das minhas séries favoritas de pegar assim meio do nada, ver um episódio solto só para passar o tempo. Só que assistir desse jeito nos impede de ver o desenvolvimento dos personagens e alguns casos que duram mais de um episódio. Assim, comecei a assistir em ordem. Na verdade, eu só vejo faço questão de ver a série por motivos de Spencer Reid, mas já é o suficiente, né?

 
O reality show: Comecei a ver Terrace House: Boys & Girls in the City com um pé atrás. Sim, eu adoro reality shows, mas é preciso de uma boa dose de tédio para poder se viciar neles. Assistir voluntariamente na Netflix não parecia ser o jeito certo, e a coisa pode ter demorado um pouco para funcionar. Isso porque Terrace House é como um BBB japonês sem prêmio, e no início pouca coisa acontece. São seis pessoas que convivem juntas na casa, conversam, trabalham e seguem a vida, simples assim. Mas são jovens japoneses, e isso faz toda a diferença para nós ocidentais que assistimos. É muito interessante ver como eles se relacionam, e o estilo do reality é bem diferente da baixaria de BBB ou dos realities da MTV (nada contra, inclusive gosto também). Terrace House é formado por conversas constrangedoras mas sinceras, por discussões sobre assuntos domésticos em volta da mesa da cozinha e por uma dose de romantismo também porque ninguém é de ferro e quase todos lá querem um amorzinho para chamar de seu. Minha parte favorita da série foi quando alguns participantes comeram a carne especial que foi dada de presente a outro participante e ele fica indignado, chegando depois a chorar por causa do ~crime da carne~ (tudo bem, ele diz que chorou porque a carne foi a gota d'água e ele finalmente se liberta de todos os sentimentos guardados). O comportamento parece ridículo, mas é tão fácil de se identificar, sabe? Porque a gente está acostumada a ver séries cheias de dramas e acontecimentos grandiosos, mas às vezes eu preciso de gente chateada porque comeram a sua comida sem permissão, de conversas sobre cozinhar e lavar a louça ou de pessoas se apresentando ao grupo novo todas envergonhadas. Além disso, o reality tem um grupo de pessoas para comentar os acontecimentos, porque não basta a gente acompanhar a vida de umas pessoas aleatórias, ainda tem que ver os comentários de outras pessoas sobre a vida de pessoas aleatórias. Os comentaristas são muito engraçados, embora demore para se acostumar com o estilo deles e às vezes a gente só fique "¿¿¿humor japonês???".
Menção honrosa: Are You the One? e Are You the One? Brasil, meus fiéis companheiros. Como não amar um reality que mistura convivência com jogo de senha? (pelo menos é assim que eu vejo. E sim, eu anoto os casais e combinações para poder calcular e adivinhar também, esse é o tamanho do vício)

A série que eu finalmente terminei: Finalmente vi a última temporada de Hannibal! É uma série que fui assistindo com grandes pausas entre as temporadas, então o resultado é que fiquei muito perdida quando voltei a assistir. Mas aos poucos fui me acostumando e entrando na história de novo. Acho que a palavra que melhor define Hannibal é "pretensão", e isso mostra que nem sempre essa palavra deve ter uma conotação negativa.

O anime: Puella Magi Madoka Magica tem a fama de ser a subversão dos animes de garotas mágicas. Eu, como fiel fã de Sakura Card Captors e Sailor Moon, precisava dar uma chance a ele. E valeu a pena. Com apenas doze episódios, Madoka consegue apresentar um universo ao mesmo tempo kawaii e dark (risos), e mostra que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades (e que não, nem sempre o poder do amor vai salvar o mundo quando tudo parecer perdido. Ou será que vai?). A animação nas cenas das bruxas é maravilhosa e na verdade todo o cenário é bem diferente e interessante. Mesmo sendo curto, o anime é bem impactante.
Menção honrosa 1: Kogepan conta histórias breves do protagonista homônimo, um pão queimado e ranzinza. São quatro minutos por episódio e é o que eu assisto quando preciso de algo que me deixe feliz.
Menção honrosa 2: Yuri!!! On ice foi sem sombra de dúvidas o anime mais comentado de 2016 na (minha bolha da) internet brasileira. Vi gente que eu nem sabia que gostava de anime acompanhando, sendo fangirl e shippando Victor e Yuri com todas as forças. Eu sinceramente não comecei a ver o anime por causa do ship: o meu interesse era a patinação no gelo. Minha irmã é do fandom do esporte e eu acompanho algumas coisas por tabela, assistindo às competições em horários bons na TV e até ficando mais fã na época da Olimpíadas de Inverno, por exemplo (observação: isso foi escrito faz um tempo. Atualmente eu me encontro no nível obcecada por patinação artística por motivos que eu nem mesmo sei explicar). Fui ver YOI em busca das referências e dos bastidores do esporte, e encontrei isso (embora gostaria de mais). No geral, minha opinião é essa: é bom, mas queria mais — mais desenvolvimentos dos personagens, tanto dos protagonistas quanto dos secundários, mais tempo mostrando os treinos, mais explicações sobre patinação dentro da trama, muito mais Axel, Lutz e Loop, as melhores trigêmeas do mundo, e até mais romance, olha só. Doze episódios de vinte e poucos minutos não são o suficiente para mostrar toda uma competição, e eu, tão fã dos momentos cotidianos, fiquei um pouco decepcionada em ver nos episódios finais tanta cena de apresentação (e com notas injustas. Otabek deserved better). É claro que isso pode se resolver na próxima temporada, pela qual estou aguardando com carinho — se ela vier.

A série brasileira: Eu estava ansiosa por 3%. Para falar a verdade nem sei bem o motivo, talvez só por ser do Brasil? Tá, e também porque o processo tem o mesmo esquema de reality shows, então eu já sabia que iria gostar. A série tem aquela estranheza de não saber se soa artificial porque a gente não está acostumado com produções brasileiras ou porque é ruim mesmo. Prefiro pensar que é por causa da primeira opção. 3% tem um ritmo irregular (o quarto episódio é o mais cheio de ação, enquanto o quinto muda totalmente de rumo para dar lugar ao drama), mas não acho que isso seja demérito. As críticas à meritocracia funcionam — embora haja momentos em que me incomodei com o quanto os discursos são explícitos (a cena em que Rafael explica como o mundo é injusto para Fernando, basicamente). Existe muita coisa para ser explorada ainda, e tenho esperanças de que a série aumente a qualidade na sua próxima temporada (ou temporadas?).

A série que eu só vi porque sou influenciável: (praticamente todas que eu vejo)
Eu não ligo para super-heróis.Ver Jessica Jones, portanto, não estava nos meus planos se não fossem os milhares de elogios e textões feministas sobre a série. Resolvi dar uma chance e saí bem satisfeita. É uma série que se baseia mais no psicológico da protagonista do que na ação, e a quantidade de cenas de lutas (vulgo: menos do que eu esperava) me agradou bastante, além dos mistérios e do suspense conseguirem prender bem o espectador. Já estou curiosa para a segunda temporada.

A novelona: Eu nem sei por que motivo comecei a ver Jane the Virgin, mas que bom que eu fiz isso. A série prende bem a atenção, tem personagens carismáticos, um narrador hilário e ainda zoa/homenageia novelas latinas! Vi a primeira temporada inteira naquele esquema meio maratona no começo do ano passado e parei no começo da segunda. Já sei de spoilers grandes, mas espero que isso não afete muito quando eu finalmente voltar a ver a série.

A série de comédia: A Netflix abre um mundo de possibilidades, e uma delas é ver Friends em ordem. Sério. Porque eu só assistia a Friends quando estava entediada e conforme as reprises na Warner, e isso significa que quase não acompanhei a série na ordem certa, no máximo metade de uma temporada em semanas de férias quando podia ligar a TV no mesmo horário todo dia. Como eu assisti mais as últimas temporadas, ver as primeiras foi uma experiência bem interessante, e acompanhar na sequência certa cria uma ligação com os personagens que é mais difícil de acontecer vendo fora de ordem (eu, por exemplo, pude odiar muito mais o Ross acompanhando o namoro dele com a Rachel). Estou vendo aos poucos, só quando realmente tenho vontade — e não porque é a única coisa decente que está passando na TV —, e isso faz uma diferença enorme: tenho gostado muito mais da série.
Menção honrosa: Eu não achei Master of None tudo isso. No entanto, desde que terminei de ver a série me via perguntando de repente: quando chega a próxima temporada? Acho que é o suficiente para incluí-la na lista (observação: já chegou a segunda temporada. Como ótima binge-watcher que eu definitivamente não sou, assisti só quatro episódios até agora).

A série de homens de terno: Comecei a ver Mad Men com minha família, em um esquema assistimos-a-cada-três-semanas-porque-sempre-tem-alguém-que-não-está-a-fim-de-ver (no final superamos isso e decidimos assistir separadamente. Uma decisão esperta. Minha mãe terminou a série faz séculos, enquanto ainda faltam três temporadas para mim). O fato é que Mad Men é de fato tão boa quanto falam. É uma série lenta, não é sempre que dá vontade de ver, mas o desenvolvimento dos personagens (não só dos homens de terno, das personagens femininas também!) vale a pena. E eu adoro ler as análises do AV Club depois de ver os episódios, eles sempre trazem boas observações.

A série de glamour e fofocas: Depois de ver episódios soltos quando a série ia ao ar e ler, sei lá, dez livros da série, foi só em 2016 que vi Gossip Girl seriamente. Porque às vezes a gente só precisa de personagens horríveis em dramas novelescos, sabe como é. A verdade é que uma das coisas que me levou a ver a série é justamente a revelação de quem é a Gossip Girl, spoiler que já sei e me deixou curiosa para ver esse absurdo se desenvolver. Eu espero que, por ter o conhecimento de que o final é ruim, eu fique menos decepcionada quando ela terminar, mas tenho minhas dúvidas. Assisti duas temporadas e parei para ver The O.C.. Não sei quando volto, mas às vezes sinto falta daquela necessidade de ver quatro episódios em seguida, como aconteceu com o final da primeira temporada.

 A série britânica: Eu tinha medo de não gostar de My Mad Fat Diary. Todo mundo ama tanto essa série, mas o possível tom de autoajuda me afastava um pouco dela. E se eu não gostasse e ficasse me sentindo uma pessoa ruim porque a série trata de temas importantes? Felizmente, isso não aconteceu, e eu entendi o motivo de todo o amor pela série. My Mad Fat Diary tem tudo do que uma série adolescente precisa — personagens carismáticos, uma ótima trilha sonora, dramas, romance e uma boa dose de humor —, abordando temas sérios e importantes sem subestimá-los ou se tornar didática. O fato da série ser tão curta, com apenas dezesseis episódios divididos em três temporadas, funciona muito bem: é o suficiente para aprofundar os personagens sem se perder em arcos que não funcionam. My Mad Fat Diary é a série que tem minha média mais alta no Banco de Séries por enquanto, porque todos os episódios mexeram muito comigo.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Rani e o Sino da Divisão, Jim Anotsu

A coragem de um Animal de Festa, como eu podia ver, consistia em se importar muito com tudo e com todos, a ponto de entrar em uma briga muito maior apenas para proteger aqueles que eram importantes para nós. Ninguém ali estava entrando em uma briga para salvar o mundo ou algo épico, o escopo da nossa batalha era muito menor. Lutaríamos contra Aiba para que pudéssemos nos reunir em Gertrudes, para tocar em uma banda de duas pessoas, ler quadrinhos e nos sentarmos no posto de gasolina. Pelas pequenas coisas que realmente importavam.
Ouvi falar bastante no Jim Anotsu, nome que se destacava como autor novo brasileiro entre os blogueiros literários que eu acompanhava. Assim, fiquei bem curiosa quando ele lançou Rani e o Sino da Divisão, com uma edição bonita e elogios de várias pessoas. É claro que, sendo eu, demorou algum tempinho para que o livro fosse parar nas minhas mãos, e mais um tempo razoável até que eu decidisse lê-lo. Isso provavelmente se deu por um motivo simples — eu queria gostar do livro, mas ao mesmo tempo não é exatamente o tipo de história que eu mais aprecio atualmente. Tenho lido pouca fantasia, que antes era um dos meus gêneros favoritos, e o enredo de Rani, com suas criaturas sobrenaturais e artefatos mágicos já não me chamava mais a atenção. Tudo isso para dizer que acho que a Marília do passado teria aproveitado muito mais o livro.

A primeira evidência é bem óbvia: Rani é uma adolescente fanática por música, literatura e nerdices, e o livro é cheio de referências à cultura pop. Eu tive uma fase bem fã, que ganhava o dia se visse alguém falando das minhas bandas favoritas e tal, mas embora algumas das citações tenham me feito sorrir (The Automatic, My Chemical Romance, Andrew Bird, Studio Ghibli, Abarat, Artemis Fowl...) isso não foi o suficiente para superar a quantidade de coisas com as quais eu simplesmente não me importava — basicamente todo o heavy metal. As referências funcionam como uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo em que podem aproximar o leitor podem também deixá-lo bem deslocado. Não é nada que atrapalhe de fato o andamento da história, e achei inclusive um dos diferenciais do livro, mas para mim foi um pouco excessivo.

A outra questão é mais simples: como já disse antes, não ligo tanto para fantasia atualmente. O enredo do livro não conseguiu me prender nesse aspecto, e eu preferiria ver uma história de Rani e seus amigos em pequenas aventuras do que na jornada da protagonista contra Aiba. Inclusive achei o final um pouco frustrante, como é comum em qualquer história que tenha vilões tão grandiosos. Ainda assim, eu diria que esse problema também é mais “não é você, sou eu”.

Em relação aos personagens, creio que Jim Anotsu conseguiu criar um grupo carismático e variado, embora nem todos recebam desenvolvimento suficiente. Gostei especialmente dos adultos, adoraria ler mais sobre os avós de Rani. Outro aspecto que me interessou foi a questão de ser um livro brasileiro — além de algumas referências divertidas, o fato de o livro se passar em uma cidade do interior traz um quê de familiaridade, nem que seja imaginando os cenários como lugares que já visitamos.

Como não me importei muito com o enredo fantástico, a leitura acabou se arrastando, daí a minha avaliação baixa. No entanto, recomendo o livro para fãs de fantasia, música e para quem quer conhecer mais autores brasileiros. Apesar dos pesares, quero ler mais do Jim Anotsu no futuro.

Avaliação final:2,5/5

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Anime: Yuri!!! On Ice

Comecei a ver Yuri!!! On ice só quando já existia toda aquela comoção a cada episódio novo e o fandom andava muito bem, obrigada. Não sou de acompanhar animes enquanto eles vão ao ar, e teria ignorado esse se não fosse sobre patinação no gelo. E se eu não tivesse prometido para minha irmã, fanática pelo esporte, que veria pelo menos um episódio antes da série terminar.

Então lá fui eu, em um dia que queria assistir a algo leve, curto e diferente das séries que estou acompanhando. Vi um episódio. E depois vi outro.E depois fui assistindo aos poucos porque não sou de maratonar tão seriamente as coisas, preciso de variedade. O fato é que cheguei até a assistir aos últimos episódios no dia da exibição mesmo, porque já tinha chegado a esse ponto.

Isso significa que achei o anime tudo isso que as pessoas comentaram? Infelizmente não. O anime começou bem, com uma introdução ao protagonista, o patinador japonês Yuri Katsuki, e seus dramas esportivos e emocionais. Sua carreira na patinação estava em um péssimo momento, seu cachorro morreu e ele ganhou muito peso. Tudo muda quando, só por brincadeira, Yuri imita uma apresentação de seu ídolo, Victor Nikiforov. A dança é filmada sem ele saber e viraliza, a ponto do próprio Victor, o rei da patinação no gelo, assistir ao vídeo e decidir que vai se aposentar como atleta para treinar Yuri, com o objetivo de ele ganhar a medalha de ouro no Grand Prix Final, que é mostrada como A competição do esporte mas, convenhamos, não tem o mesmo prestígio que o campeonato mundial ou as Olimpíadas de Inverno. A partir daí, acompanhamos a jornada de Yuri e Victor nas competições.

Eu gostei bastante do início do anime, que foca no retorno de Yuri à patinação e no começo do treino dele com Victor. Os primeiros episódios apresentam mais cenas cotidianas na cidade natal do protagonista e têm um tom mais cômico, além de incluírem explicações básicas de patinação no gelo para o espectador entender um pouco melhor o esporte e terem as melhores personagens: as trigêmeas.


É quando começa a fase de competições que o anime desandou para mim, pois deu preferência para mostrar as apresentações de quase todos em vez de desenvolver mais cenas fora do gelo. É claro que as coreografias são essenciais em uma série sobre patinação, mas os episódios se tornaram uma sequência de apresentações que me incomodou. Apesar disso, e da animação nas cenas da dança nem sempre ser boa, tenho que dizer que o monólogo interior dos personagens nesses momentos funcionou, foi um jeito fácil de nos apresentar a eles, e a trilha sonora, composta principalmente por músicas próprias, é muito boa, combinando perfeitamente com os personagens e seus programas — e algumas músicas grudam tanto na cabeça que até hoje me lembro bem da música do JJ, por exemplo. Outra questão é que os patinadores mantêm o mesmo programa durante toda a temporada, por ser o costume do esporte, e isso faz as apresentações ficarem um pouco repetitivas, já que você vê a mesma coreografia mais de uma vez. 

Além disso, ainda sobre a questão esportiva, preciso dizer uma coisa: eu entendo pouquíssimo de patinação tecnicamente, mas o que são as pontuações de Yuri!!! On ice? Compreendo algumas escolhas não tão coerentes para ajudar a narrativa, mas tem pontuações que não precisavam ser tão altas ou tão discrepantes entre si, pois não são tão significativas. Para uma equipe tão dedicada a manter a fidelidade ao esporte quanto a do anime parece ser, o sistema de pontuação poderia ser menos incongruente. Outra diferença em relação ao pouco que vejo do esporte é que no anime os atletas caem muito menos. Nas últimas competições da "vida real" que acompanhei, não era raro que apenas o primeiro lugar tivesse o programa limpo  — às vezes nem isso —, e na série as quedas são bem mais raras, tipo só uma por competição. Isso acaba com aquela tensão de quando o atleta está no ar e você não sabe se ele vai conseguir aterrissar ou não. 

Sobre os personagens, o que tenho a dizer é que, apesar de eu achar que faltou desenvolvimento, especialmente dos coadjuvantes, eu fui conquistada com o pouco que recebi. O anime conseguiu criar vários tipos de atletas e nos fazer simpatizar pela maioria deles. Felizmente, a probabilidade de termos uma nova temporada é grande, o que significa que o potencial dos personagens será mais explorado.

E, finalmente, sobre o casal Victor e Yuri, fico feliz que o anime tenha optado por deixá-los como cânon, embora ache que poderia ter ficado mais explícita a relação amorosa — porque é possível ler nas ações deles uma amizade ou apenas a parceria entre técnico e atleta. É difícil sustentar essa leitura, mas é possível. Preferiria que o romance tivesse sido desenvolvido mais lentamente, mas é aquela coisa, são apenas doze episódios para dar conta de tudo, então eu entendo as escolhas do roteiro.

Então basicamente é isso: eu tenho as minhas críticas ao anime, mas entendo o motivo da maior parte das escolhas da produção. Posso achar a série superestimada, mas isso não significa que não achei boa, é só que não amei com a intensidade do fandom. E foi um anime que vi relativamente rápido e me fez relembrar, em um momento que eu só ligava para séries live-action, de que eu gosto sim de animes, então palmas para ele!

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

The Complete Polysyllabic Spree, Nick Hornby

 
(...) all the books we own, both read and unread, are the fullest expression of self we have at out disposal. (...) with each passing year, and with each whimsical purchase, out libraries become more and more able to articulate who we are, whether we read the books or not. Maybe that's not worth the thirty-odd quid I blew on those collections of letters, admittedly, but it's got to be worth something, right?
Eu tive uma fase muito Nick Hornby na vida. Foi quando eu descobri que existia literatura que falava sobre cultura pop, o que foi logo depois de ter descoberto que eu me importava com cultura pop. Eu e o autor passamos por momentos muito bons juntos, em que cheguei a colocá-lo entre os meus escritores favoritos, e outros nem tanto, quando percebi que qualquer um com uma obra mais extensa é capaz de decepcionar. Minha irmã comprou vários livros dele, com suas capinhas bonitinhas das edições em inglês, mas eu os deixei parados na estante por bastante tempo. Aí eu senti vontade de ler algo de não-ficção e peguei o The Complete Polysyllabic Spree. Não acredito muito em "momento certo" de leitura, mas mesmo assim digo que valeu a pena a espera. Ler um livro que fala tão honestamente e com paixão sobre leitura em um momento em que você está lendo mais por obrigação — porque é o que você sempre fez, não exatamente porque você quer — me fez me lembrar conscientemente do quanto eu amo ler.

O livro é uma compilação de artigos que o Nick Hornby escreveu para a revista Believer. Neles, ele lista as leituras e compras de livros do mês e comenta um pouco sobre o que achou, além de digressões, piadas e reflexões sobre literatura. A primeira coisa que chama atenção, depois da diferença entre a quantidade de leituras contra a quantidade de livros comprados (quem nunca?), é a variação de gêneros que Hornby lê. Tem ficção contemporânea, clássica, histórias em quadrinhos, livros-reportagem, poesia e estilos variados de não-ficção. Como uma pessoa fã especialmente de romances,  as leituras dele em geral não chamaram a minha atenção. De repente tem páginas sobre um livro de, sei lá, beisebol, e você fica um pouco decepcionada, porque tem tantos livros legais que podiam ser mais comentados! Ao mesmo tempo, é interessante sair da zona de conforto e ver alguém falando com tanto interesse sobre um livro de beisebol. E eu consegui acrescentar alguns livros na minha lista de desejo, então valeu a pena.

No entanto, o destaque não são os comentários específicos sobre os livros lidos, e sim quando Nick Hornby fala sobre leitura. Eu não sou daquelas pessoas que acha que literatura é a melhor forma de arte e que "como assim você não gosta de ler? Credo!", mas vê-lo falando com tanta sinceridade e carinho sobre o assunto é bonito demais (desculpa, sou brega). E ele consegue não ser elitista, o que também é bem legal. Além disso, ele tem um estilo de escrita muito gostoso de ler. Sabe quando você pensa "queria escrever desse jeito"? Se eu escrevesse metade do que o Nick Hornby escreve, essa forma leve, despretensiosa e divertida que é muito particular dele, eu já estaria feliz.

Eu acho que esse livro é para qualquer um? Não acho. O humor do escritor não agrada todo mundo e às vezes ele exagera. Além disso, por se tratar de textos que originalmente eram de uma revista, a quantidade de piadas com a Believer perde o contexto aqui. Contudo, se você está precisando relembrar o porquê do seu amor pela leitura, vale a pena dar uma chance para esse livro. 

Avaliação final: 4/5

sábado, 10 de setembro de 2016

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #19

1- Será que? (Michael Dowse, 2013)
Eu assisti algumas entrevistas com o Daniel Radcliffe pós-Harry Potter e, apesar de não gostar muito da sua atuação com o menino que sobreviveu, simpatizei o suficiente com o ator para ter curiosidade em ver mais filmes com ele. Será que?, com a Zoe Kazan, é uma daquelas comédias românticas menos mainstream de que eu tanto gosto. O tema é: é possível homens e mulheres serem só amigos? A resposta não vai te surpreender... O filme é fofo, previsível e as partes cômicas são um pouco exageradas, como é típico de filmes desse estilo. O que me surpreendeu é o final feliz demais. Não achei o epílogo necessário, mas tudo bem. Avaliação: 3,5/5

2- Rede de intrigas (Sidney Lumet, 1976)
Decidi aleatoriamente por um filme dos anos 70 e que tivesse na Netflix para ser o clássico do mês. A história é sobre um canal de televisão, acompanhando um apresentador que desabafa ao vivo e diz que vai se suicidar, gerando um bafafá. O canal tem a escolha de abafar o caso ou de criar mais atenção para ele, e obviamente escolhem a segunda opção, percebendo que o sensacionalismo era tudo que eles precisavam para fazer sucesso. As críticas que o filme desenvolve são interessantes, mas um pouco batidas hoje: a gente já sabe quanto a TV nos manipula. A história em si também é interessante, mas sofre de um mal: são muitos homens brancos de meia-idade de terno e eu, que não sou a pessoa mais habilidosa em distinguir feições do mundo, só aprendi quem era quem lá pela metade do filme, o que deixou o começo meio confuso. Enfim, entendo a importância do filme, mas não o acho indispensável hoje. Avaliação: 3,5/5

3- Frank (Lenny Abrahamson, 2014)
Em uma palavra, Frank é estranho. Afinal, é sobre um homem  que usa uma cabeça de papel machê e se recusa a tirá-la. Não vemos o mundo, no entanto, pelos olhos de Frank — até porque seu campo de visão deve ser limitado com a cabeça falsa, risos —, mas por Jon, músico novato que entra na banda de Frank. É um filme interessante que discute questões como a comercialização da arte e o sofrimento do artista, tudo isso com músicas um tanto incomuns. Frank é uma estranheza que não vai agradar a todos, mas eu gostei. Avaliação: 4/5

4- A série Divergente: Insurgente (Robert Schwentke, 2015)
Acho que eu gostei mais do filme de Divergente do que do livro, então fiquei curiosa para ver a continuação. Só que aí tive preguiça de ver no cinema e perdi o ânimo, e decidi que só assistiria antes de ler Convergente para poder relembrar a história. Isso não adiantou muito, porque a adaptação muda bastante coisa em relação ao livro. A maioria das diferenças não passa de detalhe — a história e os dramas precisam ser enxugados para um filme de duas horas, afinal de contas —, mas a parte final é bem diferente, e me deixou em dúvida se a conclusão dos filmes será parecida com a da série ou se vão inventar mais. Não sei se é porque não gosto muito do segundo livro, ou mesmo se é porque não vi o filme no cinema, mas Insurgente me empolgou bem menos que o primeiro. Não cheguei a achar cansativo, mas também não achei divertido. Veremos o que vai acontecer com os próximos. Avaliação: 3/5

5- De repente 30 (Gary Winick, 2004)
Eu passei minha pré-adolescência desejando ser criança e parar de crescer. Por isso, não era muito fã desses filmes de adolescente, aos quais só assistia quando ia na casa das minhas amigas. É uma falha de caráter que estou tentando curar atualmente. É maravilhoso ver um filme desses em 2016, porque ele apresenta o que os anos 2000 têm de melhor (e de pior) e se eu visse na época que foi lançado ele simplesmente não teria o mesmo brilho. De repente 30, se vocês não sabem, nos apresenta a Jenna, uma garota com 13 anos recém-completados. Ela sonha em ser popular, mas é claro que seu melhor amigo é um loser. Depois de um desastre na sua festa de aniversário, ela deseja ter 30 anos e consegue realizar esse desejo. A partir daí, já sabemos o que vai acontecer — uma série de confusões com a vida adulta, a descoberta de que ela se tornou o que queria, mas não do jeito que queria, e a tentativa de resolver isso. É muito clichê, e é completamente adorável. Mark Ruffalo está ótimo como o melhor amigo dela versão crescida, e apesar de eu não ir muito com a cara da Jennifer Garner ela também convence. O filme tem cenas forçadas e totalmente inverossímeis, mas obviamente não assistimos De repente 30 em busca da realidade. Por que Hollywood não produz mais filmes com enredos batidos e mirabolantes como esse hoje? (ou produz e eu não estou sabendo?) Avaliação: 3,75/5

6- Depois do casamento (Susanne Bier, 2006)
Vi esse filme porque queria assistir algo com o Mads Mikkelsen no elenco. Eu não sabia sobre o que era antes de assistir, só a sinopse, que envolve um dono de um orfanato na Índia que volta para a Dinamarca. Foi ótimo saber só isso porque eu não fazia ideia de aonde o filme ia e a surpresa foi um fator importante para me fazer gostar do filme. Basicamente é um drama bem novelesco... E é isso. Não tem muito o que falar. Os atores principais estão bem e achei curioso como a câmera sempre pousava nos olhos ou na boca de alguém — não que eu saiba o que isso quer dizer além do efeito estético. Não me arrependi de assisti-lo, mas é um filme um tanto esquecível. Ah, e depois de tanto tempo vendo o Mads interpretando vilões, foi bom vê-lo sendo um mocinho para variar. Avaliação: 3,5/5

7- Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (Alfonso Cuarón, 2003)
Eu assisti várias vezes esse filme e lembro que era um dos meus favoritos de Harry Potter. Ao revê-lo esse ano, não sei dizer por que gostava tanto. Quer dizer, a ambientação dele é bem legal, o clima sombrio, a trilha sonora, mas como adaptação ele não funciona tão bem. O roteiro não explica coisas importantes, como quem são os marotos, e fica tudo meio solto na trama. Além disso, toda hora eu ficava pensando "ah, no livro dava para entender melhor os sentimentos do Harry, dava para entrar melhor na história". É um filme gostoso para ver quando reprisa na TV, mas assistir pensando conscientemente sobre ele já não é tão divertido. Avaliação: 3,5/5

8- Califórnia (Marina Person, 2015) 
Eu nunca me recuso a ver um filme brasileiro sobre jovens. Califórnia se passa na São Paulo dos anos 80 e têm dilemas e clichês típicos do cinema adolescente — a primeira vez, a paixão pelo menino popular, as amigas fofoqueiras, o garoto novos na escola — e outros nem tanto, como a protagonista, Teca, tendo que lidar com a doença do seu tio. No geral o filme não apresenta grandes novidades, mas gostei da personagem principal e do JM, o garoto ~misterioso~. Tenho um pouco de preconceito com música dos anos 80, mas gostei bastante da trilha sonora. Ah, e filmes que se passam em São Paulo são especiais para mim porque reconheço algumas das paisagens. Aqui o destaque fica para uma citação ao colégio onde eu estudei. Avaliação: 3,5/5

9- Garotas (Céline Sciamma, 2014)
Garotas é da mesma diretora de Tomboy outro filme que recomendo — e retrata o processo de independência da protagonista, que começa mais tímida e submissa e se torna mais aberta, ou, nos vocabulários feminista atuais, empoderada ao se aproximar de um grupo de garotas similar a uma gangue. O filme discute questões como racismo, desigualdade social, machismo e violência, mas sem se tornar didático. Os temas são abordados porque fazem parte da vida das meninas, ponto. Também gostei de como as personagens principais nunca são julgadas pelo filme — seria fácil criar uma lição de moral para a história, mas não há respostas prontas no final. Avaliação: 4/5

10- G.B.F.  (Darren Stein, 2013)
O filme me chamou a atenção por ser uma comédia adolescente com protagonista gay, porque quão frequente é isso? GBF se refere a "gay best friend" e após o termo entrar na moda, as populares da escola do personagem principal passam a querer ter um também. É um daqueles filmes que exagera nos estereótipos no começo para depois subvertê-los. É um filme bem estilo série da MTV, com diálogos rápidos e cheios de referências à cultura pop, além de incluir no elenco alguns dos próprios atores de séries da emissora — além da atriz da Luna Lovegood interpretando uma religiosa fervorosa. Enfim, é um filme divertido, bem exagerado no cômico e no caricatural, e bom para matar o tempo, com o diferencial da temática LGBT.  Avaliação: 3/5

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Harry Potter and the Cursed Child, J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

 
ALBUS: I'm just asking you, Dad, if you'll — if you'll just stand a little away from me.
HARRY (amused): Second-years don't like to be seen with their dads, is that it?
(...)
ALBUS: No. It's just — you're you and — I'm me and —
HARRY: It's just people looking, okay? People look. And they're looking at me, not you.
(...)
ALBUS: At Harry Potter and his disappointing son.  
Então eu li Harry Potter and the Cursed Child. Vou dizer que estava esperando ansiosa para o livro? Não. Eu estava até em dúvida se ia lê-lo logo ou se esperaria chegar a tradução, ou mesmo se só pensaria sobre ele quando chegasse um exemplar na biblioteca. Mas no meio do caminho havia o fandom de Harry Potter, e é claro que as pessoas não pararam de falar sobre o assunto. A opinião geral era de que a história parecia uma fanfic ruim, e quem sou eu para negar a leitura de uma fanfic ruim?

Se você não quer ter nenhuma informação sobre o enredo, sugiro que não leia a resenha. Não vou dar nenhum spoiler, mas tudo é spoiler para quem prefere ler o livro sem saber nada.

Enfim, vamos lá. Eu li a peça sabendo só da premissa, que envolvia os filhos da geração do Harry e viagens no tempo. E que as pessoas shippavam Albus e Scorpius. Achei o enredo um pouco estranho e certamente gostaria de ter visto mais cenas cotidianas. Dá para entender por que o foco é nas aventuras, mas sinceramente minha parte favorita em Harry Potter é o dia a dia de Hogwarts e como o relacionamento dos personagens vai evoluindo aos poucos. Não tem "aos poucos" nesse livro porque é uma peça só cheia de ação. Albus e Scorpius se conhecem, três minutos depois já são amigos e já vivem altas aventuras (isso não é uma crítica à peça, porque não é propriamente um defeito, é mais uma questão de gosto mesmo).

Li várias resenhas que diziam que não iam comentar nada sobre o formato, porque é uma peça e deveria ser vista no palco. Eu particularmente acho que a partir do momento em que sai um livro da peça a gente tem todo o direito de comentar a forma. O que mais me chamou atenção é o quanto as rubricas não são neutras: elas não servem só para guiar os atores, mas também demonstram o que a gente deve pensar. O caso mais óbvio é do Snape: SNAPE looks at him, every inch a hero (...). Eu gosto do Snape, mas para que ficar heroicizando o cara? Aliás, outra coisa que se destacou no livro, para o bem ou para o mal, é como parece haver um acerto de contas com personagens. Dumbledore e Draco, por exemplo, recebem tratamentos especiais e cenas emotivas como se a Rowling estivesse pedindo desculpas ou se justificando pelo tratamento deles durante a série.

Enquanto alguns personagens são mais aprofundados do que eu esperava, outros parecem até desvirtuados das personalidades anteriores. Rony apresenta apenas um traço na peça: ele é alívio cômico. Em algumas realidades paralelas, Hermione, Rony e até Cedrico agem de forma totalmente diferente do que qualquer um imaginaria, mesmo com todas as mudanças nos eventos.

Apesar de tudo isso, não posso mentir: achei Harry Potter and the Cursed Child bem divertido. Li em umas duas sentadas, morrendo de vontade em saber o que ia acontecer em seguida. O fato de tudo ser bem implausível só aguçou a minha curiosidade. Ou seja, pode até ser fanfic ruim, mas não é daquelas que a gente larga no meio.

Avaliação final: 3/5

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retrospectiva: abril, maio, junho e julho

• Faz tempo que eu não escrevo aqui, né? O blog está devagar quase parando, mas pretendo revivê-lo aos poucos. No entanto, não sei bem como vou voltar. No ano passado, consegui manter razoavelmente bem essa coisa de resenhar praticamente todos os livros que lia. Agora não consigo mais. Sinto um desânimo na obrigação autoimposta de escrever resenhas e me parece que a blogosfera literária não é mais a mesma. Quase todos os blogs de livros que eu leio acabaram ou reduziram bem a frequência de posts. Mesmo minha animação em ler e comentar resenhas alheias diminuiu. É difícil admitir que algo que foi seu hobby por tanto tempo simplesmente não te interessa tanto agora, né? Ainda vou repensar bem sobre o que vou fazer, porque escrever sobre o que leio me ajuda a relembrar o que achei e a valorizar o momento da leitura. Provavelmente vou escrever mais comentários pequenos sobre livros e menos resenhas, mas ainda tenho que pensar no resto do conteúdo do blog. Não sei. Veremos.

• Além desse desânimo, teve também a já esperada greve na faculdade e o esperado fim de semestre fora de hora. Terceira greve em quatro anos e eu pensava que seria mais fácil, mas olha, fica cada vez mais difícil de suportar. Mas pelo menos já acabou e significa que a não ser que algo muito absurdo aconteça eu terei um semestre normal a partir de semana que vem e minha rotina voltará a entrar nos eixos.

Nesse período:  
Eu vi… muita coisa, não sei nem por onde começar? O destaque fica com a primeira temporada de My mad fat diary, uma série britânica adolescente maravilhosa.
Eu li… várias graphic novels, graças a minha irmã. E já completei meu Goodreads Reading Challenge, já li mais de 50 livros esse ano! Talvez por isso esteja sofrendo para escrever resenhas, não estou acostumada com esse ritmo.
Eu escrevi…  ficção! Tinha algumas ideias engavetadas mas o começo parece tão definitivo, né? Eis que umas pessoas sugeriram o Camp NaNoWriMo e eu decidi tentar. Criei uma meta pequena (10.000 palavras em um mês) e não bati nem um terço dela, mas sinceramente só o fato de já ter começado já foi uma vitória. 
 
No blog:
• O primeiro post foi a retrospectiva de fevereiro e março.

• Depois escrevi uma resenha de um livro lido no início do ano passado, Secret society girl.

• Como sempre, tem post comentando os filmes que eu vi — de distopias adolescentes a porcos falantes.

Brooklyn foi um desses livros que cresceu comigo depois da leitura. Recomendo muito!

•  Finalmente fiz meu diário de viagem para Porto de Galinhas.

A casa torta foi encontrado do lado do lixo e se tornou meu livro favorito da Agatha Christie.

•  Comentei sobre alguns livros curtos ou releituras que fiz.

• Resenhei A sociedade literária e a torta de casca de batata, um livro que me surpreendeu positivamente.