sábado, 10 de setembro de 2016

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #19

1- Será que? (Michael Dowse, 2013)
Eu assisti algumas entrevistas com o Daniel Radcliffe pós-Harry Potter e, apesar de não gostar muito da sua atuação com o menino que sobreviveu, simpatizei o suficiente com o ator para ter curiosidade em ver mais filmes com ele. Será que?, com a Zoe Kazan, é uma daquelas comédias românticas menos mainstream de que eu tanto gosto. O tema é: é possível homens e mulheres serem só amigos? A resposta não vai te surpreender... O filme é fofo, previsível e as partes cômicas são um pouco exageradas, como é típico de filmes desse estilo. O que me surpreendeu é o final feliz demais. Não achei o epílogo necessário, mas tudo bem. Avaliação: 3,5/5

2- Rede de intrigas (Sidney Lumet, 1976)
Decidi aleatoriamente por um filme dos anos 70 e que tivesse na Netflix para ser o clássico do mês. A história é sobre um canal de televisão, acompanhando um apresentador que desabafa ao vivo e diz que vai se suicidar, gerando um bafafá. O canal tem a escolha de abafar o caso ou de criar mais atenção para ele, e obviamente escolhem a segunda opção, percebendo que o sensacionalismo era tudo que eles precisavam para fazer sucesso. As críticas que o filme desenvolve são interessantes, mas um pouco batidas hoje: a gente já sabe quanto a TV nos manipula. A história em si também é interessante, mas sofre de um mal: são muitos homens brancos de meia-idade de terno e eu, que não sou a pessoa mais habilidosa em distinguir feições do mundo, só aprendi quem era quem lá pela metade do filme, o que deixou o começo meio confuso. Enfim, entendo a importância do filme, mas não o acho indispensável hoje. Avaliação: 3,5/5

3- Frank (Lenny Abrahamson, 2014)
Em uma palavra, Frank é estranho. Afinal, é sobre um homem  que usa uma cabeça de papel machê e se recusa a tirá-la. Não vemos o mundo, no entanto, pelos olhos de Frank — até porque seu campo de visão deve ser limitado com a cabeça falsa, risos —, mas por Jon, músico novato que entra na banda de Frank. É um filme interessante que discute questões como a comercialização da arte e o sofrimento do artista, tudo isso com músicas um tanto incomuns. Frank é uma estranheza que não vai agradar a todos, mas eu gostei. Avaliação: 4/5

4- A série Divergente: Insurgente (Robert Schwentke, 2015)
Acho que eu gostei mais do filme de Divergente do que do livro, então fiquei curiosa para ver a continuação. Só que aí tive preguiça de ver no cinema e perdi o ânimo, e decidi que só assistiria antes de ler Convergente para poder relembrar a história. Isso não adiantou muito, porque a adaptação muda bastante coisa em relação ao livro. A maioria das diferenças não passa de detalhe — a história e os dramas precisam ser enxugados para um filme de duas horas, afinal de contas —, mas a parte final é bem diferente, e me deixou em dúvida se a conclusão dos filmes será parecida com a da série ou se vão inventar mais. Não sei se é porque não gosto muito do segundo livro, ou mesmo se é porque não vi o filme no cinema, mas Insurgente me empolgou bem menos que o primeiro. Não cheguei a achar cansativo, mas também não achei divertido. Veremos o que vai acontecer com os próximos. Avaliação: 3/5

5- De repente 30 (Gary Winick, 2004)
Eu passei minha pré-adolescência desejando ser criança e parar de crescer. Por isso, não era muito fã desses filmes de adolescente, aos quais só assistia quando ia na casa das minhas amigas. É uma falha de caráter que estou tentando curar atualmente. É maravilhoso ver um filme desses em 2016, porque ele apresenta o que os anos 2000 têm de melhor (e de pior) e se eu visse na época que foi lançado ele simplesmente não teria o mesmo brilho. De repente 30, se vocês não sabem, nos apresenta a Jenna, uma garota com 13 anos recém-completados. Ela sonha em ser popular, mas é claro que seu melhor amigo é um loser. Depois de um desastre na sua festa de aniversário, ela deseja ter 30 anos e consegue realizar esse desejo. A partir daí, já sabemos o que vai acontecer — uma série de confusões com a vida adulta, a descoberta de que ela se tornou o que queria, mas não do jeito que queria, e a tentativa de resolver isso. É muito clichê, e é completamente adorável. Mark Ruffalo está ótimo como o melhor amigo dela versão crescida, e apesar de eu não ir muito com a cara da Jennifer Garner ela também convence. O filme tem cenas forçadas e totalmente inverossímeis, mas obviamente não assistimos De repente 30 em busca da realidade. Por que Hollywood não produz mais filmes com enredos batidos e mirabolantes como esse hoje? (ou produz e eu não estou sabendo?) Avaliação: 3,75/5

6- Depois do casamento (Susanne Bier, 2006)
Vi esse filme porque queria assistir algo com o Mads Mikkelsen no elenco. Eu não sabia sobre o que era antes de assistir, só a sinopse, que envolve um dono de um orfanato na Índia que volta para a Dinamarca. Foi ótimo saber só isso porque eu não fazia ideia de aonde o filme ia e a surpresa foi um fator importante para me fazer gostar do filme. Basicamente é um drama bem novelesco... E é isso. Não tem muito o que falar. Os atores principais estão bem e achei curioso como a câmera sempre pousava nos olhos ou na boca de alguém — não que eu saiba o que isso quer dizer além do efeito estético. Não me arrependi de assisti-lo, mas é um filme um tanto esquecível. Ah, e depois de tanto tempo vendo o Mads interpretando vilões, foi bom vê-lo sendo um mocinho para variar. Avaliação: 3,5/5

7- Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban (Alfonso Cuarón, 2003)
Eu assisti várias vezes esse filme e lembro que era um dos meus favoritos de Harry Potter. Ao revê-lo esse ano, não sei dizer por que gostava tanto. Quer dizer, a ambientação dele é bem legal, o clima sombrio, a trilha sonora, mas como adaptação ele não funciona tão bem. O roteiro não explica coisas importantes, como quem são os marotos, e fica tudo meio solto na trama. Além disso, toda hora eu ficava pensando "ah, no livro dava para entender melhor os sentimentos do Harry, dava para entrar melhor na história". É um filme gostoso para ver quando reprisa na TV, mas assistir pensando conscientemente sobre ele já não é tão divertido. Avaliação: 3,5/5

8- Califórnia (Marina Person, 2015) 
Eu nunca me recuso a ver um filme brasileiro sobre jovens. Califórnia se passa na São Paulo dos anos 80 e têm dilemas e clichês típicos do cinema adolescente — a primeira vez, a paixão pelo menino popular, as amigas fofoqueiras, o garoto novos na escola — e outros nem tanto, como a protagonista, Teca, tendo que lidar com a doença do seu tio. No geral o filme não apresenta grandes novidades, mas gostei da personagem principal e do JM, o garoto ~misterioso~. Tenho um pouco de preconceito com música dos anos 80, mas gostei bastante da trilha sonora. Ah, e filmes que se passam em São Paulo são especiais para mim porque reconheço algumas das paisagens. Aqui o destaque fica para uma citação ao colégio onde eu estudei. Avaliação: 3,5/5

9- Garotas (Céline Sciamma, 2014)
Garotas é da mesma diretora de Tomboy outro filme que recomendo — e retrata o processo de independência da protagonista, que começa mais tímida e submissa e se torna mais aberta, ou, nos vocabulários feminista atuais, empoderada ao se aproximar de um grupo de garotas similar a uma gangue. O filme discute questões como racismo, desigualdade social, machismo e violência, mas sem se tornar didático. Os temas são abordados porque fazem parte da vida das meninas, ponto. Também gostei de como as personagens principais nunca são julgadas pelo filme — seria fácil criar uma lição de moral para a história, mas não há respostas prontas no final. Avaliação: 4/5

10- G.B.F.  (Darren Stein, 2013)
O filme me chamou a atenção por ser uma comédia adolescente com protagonista gay, porque quão frequente é isso? GBF se refere a "gay best friend" e após o termo entrar na moda, as populares da escola do personagem principal passam a querer ter um também. É um daqueles filmes que exagera nos estereótipos no começo para depois subvertê-los. É um filme bem estilo série da MTV, com diálogos rápidos e cheios de referências à cultura pop, além de incluir no elenco alguns dos próprios atores de séries da emissora — além da atriz da Luna Lovegood interpretando uma religiosa fervorosa. Enfim, é um filme divertido, bem exagerado no cômico e no caricatural, e bom para matar o tempo, com o diferencial da temática LGBT.  Avaliação: 3/5

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Harry Potter and the Cursed Child, J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

 
ALBUS: I'm just asking you, Dad, if you'll — if you'll just stand a little away from me.
HARRY (amused): Second-years don't like to be seen with their dads, is that it?
(...)
ALBUS: No. It's just — you're you and — I'm me and —
HARRY: It's just people looking, okay? People look. And they're looking at me, not you.
(...)
ALBUS: At Harry Potter and his disappointing son.  
Então eu li Harry Potter and the Cursed Child. Vou dizer que estava esperando ansiosa para o livro? Não. Eu estava até em dúvida se ia lê-lo logo ou se esperaria chegar a tradução, ou mesmo se só pensaria sobre ele quando chegasse um exemplar na biblioteca. Mas no meio do caminho havia o fandom de Harry Potter, e é claro que as pessoas não pararam de falar sobre o assunto. A opinião geral era de que a história parecia uma fanfic ruim, e quem sou eu para negar a leitura de uma fanfic ruim?

Se você não quer ter nenhuma informação sobre o enredo, sugiro que não leia a resenha. Não vou dar nenhum spoiler, mas tudo é spoiler para quem prefere ler o livro sem saber nada.

Enfim, vamos lá. Eu li a peça sabendo só da premissa, que envolvia os filhos da geração do Harry e viagens no tempo. E que as pessoas shippavam Albus e Scorpius. Achei o enredo um pouco estranho e certamente gostaria de ter visto mais cenas cotidianas. Dá para entender por que o foco é nas aventuras, mas sinceramente minha parte favorita em Harry Potter é o dia a dia de Hogwarts e como o relacionamento dos personagens vai evoluindo aos poucos. Não tem "aos poucos" nesse livro porque é uma peça só cheia de ação. Albus e Scorpius se conhecem, três minutos depois já são amigos e já vivem altas aventuras (isso não é uma crítica à peça, porque não é propriamente um defeito, é mais uma questão de gosto mesmo).

Li várias resenhas que diziam que não iam comentar nada sobre o formato, porque é uma peça e deveria ser vista no palco. Eu particularmente acho que a partir do momento em que sai um livro da peça a gente tem todo o direito de comentar a forma. O que mais me chamou atenção é o quanto as rubricas não são neutras: elas não servem só para guiar os atores, mas também demonstram o que a gente deve pensar. O caso mais óbvio é do Snape: SNAPE looks at him, every inch a hero (...). Eu gosto do Snape, mas para que ficar heroicizando o cara? Aliás, outra coisa que se destacou no livro, para o bem ou para o mal, é como parece haver um acerto de contas com personagens. Dumbledore e Draco, por exemplo, recebem tratamentos especiais e cenas emotivas como se a Rowling estivesse pedindo desculpas ou se justificando pelo tratamento deles durante a série.

Enquanto alguns personagens são mais aprofundados do que eu esperava, outros parecem até desvirtuados das personalidades anteriores. Rony apresenta apenas um traço na peça: ele é alívio cômico. Em algumas realidades paralelas, Hermione, Rony e até Cedrico agem de forma totalmente diferente do que qualquer um imaginaria, mesmo com todas as mudanças nos eventos.

Apesar de tudo isso, não posso mentir: achei Harry Potter and the Cursed Child bem divertido. Li em umas duas sentadas, morrendo de vontade em saber o que ia acontecer em seguida. O fato de tudo ser bem implausível só aguçou a minha curiosidade. Ou seja, pode até ser fanfic ruim, mas não é daquelas que a gente larga no meio.

Avaliação final: 3/5

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retrospectiva: abril, maio, junho e julho

• Faz tempo que eu não escrevo aqui, né? O blog está devagar quase parando, mas pretendo revivê-lo aos poucos. No entanto, não sei bem como vou voltar. No ano passado, consegui manter razoavelmente bem essa coisa de resenhar praticamente todos os livros que lia. Agora não consigo mais. Sinto um desânimo na obrigação autoimposta de escrever resenhas e me parece que a blogosfera literária não é mais a mesma. Quase todos os blogs de livros que eu leio acabaram ou reduziram bem a frequência de posts. Mesmo minha animação em ler e comentar resenhas alheias diminuiu. É difícil admitir que algo que foi seu hobby por tanto tempo simplesmente não te interessa tanto agora, né? Ainda vou repensar bem sobre o que vou fazer, porque escrever sobre o que leio me ajuda a relembrar o que achei e a valorizar o momento da leitura. Provavelmente vou escrever mais comentários pequenos sobre livros e menos resenhas, mas ainda tenho que pensar no resto do conteúdo do blog. Não sei. Veremos.

• Além desse desânimo, teve também a já esperada greve na faculdade e o esperado fim de semestre fora de hora. Terceira greve em quatro anos e eu pensava que seria mais fácil, mas olha, fica cada vez mais difícil de suportar. Mas pelo menos já acabou e significa que a não ser que algo muito absurdo aconteça eu terei um semestre normal a partir de semana que vem e minha rotina voltará a entrar nos eixos.

Nesse período:  
Eu vi… muita coisa, não sei nem por onde começar? O destaque fica com a primeira temporada de My mad fat diary, uma série britânica adolescente maravilhosa.
Eu li… várias graphic novels, graças a minha irmã. E já completei meu Goodreads Reading Challenge, já li mais de 50 livros esse ano! Talvez por isso esteja sofrendo para escrever resenhas, não estou acostumada com esse ritmo.
Eu escrevi…  ficção! Tinha algumas ideias engavetadas mas o começo parece tão definitivo, né? Eis que umas pessoas sugeriram o Camp NaNoWriMo e eu decidi tentar. Criei uma meta pequena (10.000 palavras em um mês) e não bati nem um terço dela, mas sinceramente só o fato de já ter começado já foi uma vitória. 
 
No blog:
• O primeiro post foi a retrospectiva de fevereiro e março.

• Depois escrevi uma resenha de um livro lido no início do ano passado, Secret society girl.

• Como sempre, tem post comentando os filmes que eu vi — de distopias adolescentes a porcos falantes.

Brooklyn foi um desses livros que cresceu comigo depois da leitura. Recomendo muito!

•  Finalmente fiz meu diário de viagem para Porto de Galinhas.

A casa torta foi encontrado do lado do lixo e se tornou meu livro favorito da Agatha Christie.

•  Comentei sobre alguns livros curtos ou releituras que fiz.

• Resenhei A sociedade literária e a torta de casca de batata, um livro que me surpreendeu positivamente.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A sociedade literária e a torta de casca de batata, Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Quando a guerra terminou, também prometi a mim mesma que nunca mais iria falar sobre ela. Eu tinha passado seis anos falando sobre a guerra e vivendo a guerra e estava querendo prestar atenção em outra coisa — qualquer coisa. Mas isso era como querer ser outra pessoa. A guerra agora faz parte da história de nossas vidas, e não há como esquecê-la.
Esse é um daqueles livros que dá vontade de ler só pelo título: A sociedade literária e a torta de casca de batata. Tem uma sociedade literária! Tem uma torta de casca de batata! As duas coisas não parecem ter a menor ligação! Fascinante, não é? Mas a capa é um pouco brega, e quando eu descobri que era um livro sobre a guerra fiquei um pouco desanimada. De qualquer jeito, ele chegou a mim por vontade alheia, ou seja, minha tia emprestou e eu aceitei.

O livro é um romance epistolar e sua protagonista é Juliet, uma escritora. Ela troca cartas com seu editor e suas amigas, e um dia recebe uma carta de um homem, Dawsey Adams, que encontrou seu nome e endereço na folha de rosto de um livro de Charles Lamb. Eles logo entram em contato e Juliet descobre a sociedade literária de Guernsey, uma ilha britânica que fora ocupada por nazistas durante a guerra. Procurando um assunto para seu próximo livro, Juliet logo se envolve com as pessoas de Guernsey.

No começo, a quantidade de personagens e de cartas assusta bastante e demora um pouco para entender exatamente o que está acontecendo e quem é quem, mas aos poucos os personagens principais são delimitados e a gente consegue compreender quem é importante e quem não vai aparecer de novo. Achei os personagens carismáticos, mas um pouco parecidos entre si — talvez por isso fique difícil reconhecê-los no começo —, com a exceção da Isola, que sem sombra de dúvidas é a personagem mais divertida do livro.

No geral, A sociedade literária e a torta de casca de batata funcionou para mim no momento da leitura: achei interessante, divertido e prendeu a atenção. No entanto, não foi um livro marcante e, assim como compreendo elogios ao livro, também entendo quem não goste. Ele não se aprofunda muito em nenhum dos tópicos que aborda e nada empolga de verdade, sabe? E se a gente parar para pensar, é tudo muito inverossímil. Mas eu consegui esquecer disso enquanto lia, então acho que tudo bem.

Avaliação final: 3,5/5

terça-feira, 28 de junho de 2016

Comentários sobre livros #5

1- The catcher in the rye, J.D. Salinger

Foi uma releitura. Li pela primeira vez para a escola e reli... Para a faculdade. Não me lembro do que achei na primeira leitura, em que era mais nova que Holden, e meus sentimentos continuam variados, tanto que não consegui escrever uma resenha sobre o livro. No geral, compreendo quem ama o livro mas também entendo quem odeia. Gostaria de saber o que eu acharia se não fossem as influências acadêmicas e as aulas sobre isso, mas não dá para se ter tudo. Avaliação: 4/5

2- A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Esse livro foi queridinho de muitos, porque que leitor não cai de amores por uma história sobre livros? No entanto, gostei mas não me apaixonei. Os personagens são carismáticos, porém pouco aprofundados e sinto que o livro é curto demais para tantos acontecimentos. Prendeu a atenção, mas foi do tipo li-e-logo-esqueci. Avaliação: 3,5/5

3- Tormento, John Boyne

Tormento é um infantojuvenil e como é bem curtinho, do tipo de menos de 100 páginas, e é do John Boyne, decidi pegar um dia na biblioteca. Eu vi uma resenha bem elogiosa, mas acabei me decepcionando com o livro. De novo, curto demais para os elementos que ele tenta explorar. São vários personagens com seus próprios problemas tratados de forma rasa e o final se resolve de repente demais. Não funcionou comigo. Avaliação: 2,5/5

4- Wunderkind, Carson McCullers

Essa coleção de livros pequenininhos estava com desconto na Livraria Cultura e minha irmã comprou uns quatro, de autores que a gente queria conhecer, como é o caso da Carson McCullers, ou livros que simplesmente pareciam interessantes. Comecei por esse só porque caiu no sorteio da minha TBR jar. O livro é formado por quatro contos e nenhum me pegou. O negócio com contos é que eu nem sei explicar por que eu gosto de alguns, a magia acontece ou não. Não aconteceu aqui, embora seja inegável que a autora escreva muito bem e que eu continue curiosa para ler seus romances. Avaliação: 3/5

5- O caso da estranha fotografia, Stella Carr 

Li para a escola quando estávamos aprendendo sobre narrativas de enigma. Não gostei muito, sou mais O gênio do crime ou O mistério do cinco estrelas. Relendo uns dez anos depois, mantenho a minha opinião. Li em uma sentada, mas o final é um pouco frustrante, talvez pelo motivo do crime ser genérico e adulto demais em um livro de crianças(?). E também é do tipo que joga fatos aleatórios no meio da narrativa para ser educativo, como a irmã falando sobre biologia marinha, e eu morro de preguiça disso. Avaliação: 3/5

terça-feira, 7 de junho de 2016

A casa torta, Agatha Christie

— Sim, realmente nunca se sabe ao certo, não é mesmo? As pessoas são capazes de surpresas terríveis. Forma-se uma impressão acerca de alguém e ela às vezes resulta totalmente errada. Nem sempre... mas às vezes, acontece.
Eu nunca tinha ouvido falar de A casa torta, e provavelmente continuaria sem conhecer se as circunstâncias certas não tivessem se alinhado e eu e minha irmã não tivéssemos encontrado o livro entre uma pilha de livros abandonados do lado da cesta de lixo do meu andar do prédio. Minha irmã decidiu resgatar o livro, velho mas em plenas condições de ser lido, e ele ficou na estante por muito tempo intocado, até que ela leu e eu decidi ler também porque a gente tem livros demais e livros de mistério são bons para se passar para frente: quando a gente já sabe o final não tem tanta graça reler, né?

A casa torta, como o título bem indica, se passa em uma casa torta, local do envenenamento de Aristide Leonides, o patriarca da grande família que vive lá. Quem investiga o crime não são os detetives famosos da autora, mas Charles Hayward, jovem apaixonado por uma das netas de Leonides e filho do comissário da Scotland Yard. Assim, Charles está em uma posição de nem-da-polícia-e-nem-exatamente-da-família, o que o deixa mais confortável para investigar. Porém, com sua falta de experiência, é fácil deixar alguns detalhes passarem...

Não sei se foi porque eu não gosto tanto assim da Agatha Christie e por isso as expectativas estavam baixas ou se foi porque eu estava com saudades de romances policiais, mas acabei me surpreendendo com A casa torta. O final me deixou surpresa de uma forma agradável, e não com aquele gosto amargo da inverossimilhança que decepciona. É uma leitura bem rápida, li as duzentas e tantas páginas em dois dias, e apesar de terem vários personagens, a personalidade deles é marcante,  ou seja, logo a gente consegue diferenciar um do outro.

No geral, não é um livro que se destaque muito entre os romances policiais, mas é um mistério competente, pelo menos para mim que não sou fissurada no gênero. Virou o meu favorito da autora.

Avaliação final: 3,75/5

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Diário de viagem: Porto de Galinhas

Estou postando no final de maio o diário da viagem que fiz em dezembro e acho que isso é um bom resumo do estado de abandono do blog. Eu gosto de ler diários de viagens alheios, mesmo aqueles bem pessoais, então decidi fazer o meu. Precisava publicar? Não, mas eu não tenho um caderninho de coisas pessoais e aqui é o melhor lugar mesmo. Sei que tem poucas fotos, mas, além de não sermos a família mais ligada à fotografia do mundo, tivemos um problema com a máquina fotográfica que levamos e só usamos o celular para fotos.

Dia 1
A ida sempre me deixa apreensiva — será que vou esquecer alguma coisa? Não vou passar mal no caminho? E se tiver um acidente? E se a gente perder o avião? Saímos de táxi com antecedência para o aeroporto e no caminho um carro bateu no táxi. Não foi uma batida forte, mas é claro que ficamos nervosos. Ainda assim, tínhamos tempo de sobra e ficamos lá esperando no aeroporto, até porque o avião atrasou uma hora e meia! O mais chato não é nem o atraso, e sim não saber quanto tempo vai demorar, o motivo, enfim, ter que ficar de olho para saber quando o avião ia partir.

No avião, gastei meu tempo assistindo Friends e jogando Who wants to be a millionaire?, mas não consegui ganhar o milhão nenhuma vez. Chegamos em Recife e fomos de van para Porto de Galinhas, já cansados da viagem. Chegamos no hotel às 22 horas e descobrimos que nosso hotel tinha música ao vivo toda noite, e naquele dia ainda tinha um cara no microfone dirigindo aquelas brincadeiras de dança, de trocar de par e tal. Ficamos um pouco assustados com o barulho, mas já estava no fim. Jantamos petiscos no bar do hotel e tomamos o primeiro suco de cajá de muitos da viagem. Vimos um gato fofinho e fomos dormir.

Dia 2
O dia estava reservado para conhecer os arredores, então não precisamos acordar tão cedo. O café da manhã do hotel era bom e eu adorei o croissant. Fomos à praia em frente ao hotel e entrei no mar depois de quase três anos sem nadar. Gostaria de dizer que foi maravilhoso, incrível e tal, mas a verdade é que o mar era bravo demais para o meu gosto, tinha alguns buracos e eu fiquei com medo. Fomos andando até a vila para almoçar —o hotel fica a uns dois quilômetros da cidadezinha e dá para ir andando pela praia. Escolhemos um restaurante pequeno e bonitinho para almoçar e acertamos em cheio. Comi carne de sol com feijão verde, queijo coalho e arroz e depois tomamos sorvete por quilo, que é uma das coisas que eu amo fazer quando viajo. Dessa vez, os escolhidos foram de fruta: cajá, tangerina, mirtilo... Não era um sorvete incrível, mas a variedade sempre compensa. Andamos na vila, bem turística, e voltamos para o hotel. Passei a tarde na piscina, jantei misto-quente no bar, que aliás tinha sanduíches com combinações do
tipo frango com a abacaxi e hambúrguer com banana. Por que misturar fruta com carne? Porque colocar essa mistura no sanduíche? À noite, o barulho do show surpreendentemente não incomodou, mas as brincadeiras noturnas das crianças em compensação... Claro que não acabaram tarde, mas na praia a gente tende a dormir cedo, né? 21 horas e a gente já está de volta no quarto, cansado.

Dia 3
Fomos conhecer as piscinas naturais, o grande atrativo de Porto de Galinhas. São muito bonitas, e têm peixinhos, mas não diria que é um passeio imperdível para quem já foi às praias nordestinas em um passado recente. Como eu só fui quando era criança, achei bem legal toda essa experiência praiana. O problema de uma cidade turística é que toda hora alguém fica abordando a gente tentando vender coisas, programas, comidas, e isso enche o saco. Eu claramente pagaria mais do que o necessário se viajasse sozinha porque não sei pechinchar. Almoçamos em um restaurante mais chiquezinho e não me lembro direito da comida, mas lembro que tinha uma família com irmãos chamados Lorenzo e Valentina e achei tão engraçado? O futuro deles é claramente o Masterchef Kids (eu não conheço muitas crianças, então achei curioso constatar que nomes da moda são realmente nomes da moda). Outro comentário relevante: vimos um baiacu morto na areia da praia! 

Dia 4
Esse foi o dia do passeio de buggy, outro passeio típico das praias nordestinas. Passamos por Maracaípe, onde fizemos passeio de jangada pelo mangue, e por Muro Alto, que é a praia que eu mais gostei: parece uma piscina! Vivemos momentos emocionantes quando vimos buggies atolados e o nosso quase atolou na areia, mas resistimos. Almoçamos no mesmo restaurante do dia 2.
 
Dia 5
Ficamos na praia e na piscina do hotel, porque minha tia ia nos visitar à tarde.Quando almoçamos na cidade fomos visitar o Projeto Hippocampus, de conservação de cavalos-marinhos. É um passeio bem rápido, visto que são basicamente uns três corredores de aquário, mas vale a pena.

Dia 6
Nesse dia fomos na praia com os parentes — a família de um primo mora perto de Cabo de Santo Agostinho e minha tia e família foram visitá-los. Ficamos na praia de Porto de Galinhas mais perto da região das piscinas naturais, e deu para ver peixinhos diferentes mesmo nos recifes do raso. Jantamos coxinha e bolo pois somos deveras saudáveis. Inclusive saudades dessa coxinha e desse bolo, queria que esse café abrisse em São Paulo.

Dia 7
O dia da volta. Também esperamos um monte no aeroporto. Mas pelo menos minha mãe fez algo de útil com a espera e comprou bala de coco, que, logicamente, estava com aquele preço inflacionado de aeroporto, mas era muito gostosa (saudades!). Voltei para casa apreensiva também: vai que teve um incêndio no prédio? E se o apartamento foi invadido? E se foi inundado? Nunca aconteceu nada disso, mas uma vez eu não fechei o freezer direito sem querer antes de viajar (acho que fui eu, mas não tenho certeza) e quando voltamos demos de cara com água na cozinha e carnes estragadas #traumas.
E foi isso a viagem! Escrevi só o que fizemos mesmo, sem muitas sensações, o que pode dar a impressão de que eu não gostei tanto. Mas o que importa mais para mim na hora de viajar é ficar de bobeira, descansar e olhar lugares novos, e Porto de Galinhas foi ótima para isso.