segunda-feira, 9 de maio de 2016

Brooklyn, Colm Tóibín

Aqui ela não era ninguém. Não era só por não ter amigas e família; mais que isso, ela era um fantasma naquele quarto, nas ruas a caminho do trabalho na loja. (...) Nada aqui era parte dela. (...) Fechou os olhos e tentou pensar, como fizera tantas vezes na vida, em alguma coisa que ela desejava muito, mas não havia nada. Nem a coisa mais ínfima. Nem mesmo a chegada do domingo. Nada, a não ser talvez dormir, e ela nem tinha certeza se queria mesmo dormir.
Logo depois de ver o filme, decidi ir atrás do livro, porque deu vontade, eu tinha tempo e havia um exemplar disponível na biblioteca. Foi uma boa oportunidade para eu conhecer o Colm Tóibín, de quem ouço falar há um bom tempo.

Em Brooklyn, conhecemos Eilis, uma jovem irlandesa que acaba indo morar em Nova York para ter uma condição melhor de vida, deixando sua mãe e sua irmã na Irlanda. Ela tem que aprender a se adaptar em um lugar novo, onde não conhece ninguém. Quando finalmente está mais acostumada com sua vida nova, um acontecimento a obriga a retornar para Irlanda por um tempo, e Eilis se divide sobre o que deverá fazer então.

Muita gente, ao comentar o filme, diz que é uma história de uma garota dividida entre dois amores. Eu mesma, ao escrever o resumo acima, coloquei a dúvida da personagem como parte importante do livro. Mas, para mim, Brooklyn é principalmente sobre uma jovem tendo que lidar com uma situação nova em um local novo. É uma narrativa de imigração, especificamente sobre a imigração irlandesa para os Estados Unidos. A maioria dos contatos de Eilis em Nova York é irlandesa também, há uma comunidade fortemente unida e o livro explora bem essa questão cultural.

A minha maior questão do livro é em relação a Eilis. Ela é uma personagem bem passiva: vai para os Estados Unidos porque é o que a irmã diz que é o melhor para ela, depois volta para Irlanda porque precisa e quando tem que tomar a decisão de ficar ou não, ela simplesmente empurra isso com a barriga até ser inevitável e a decisão estar praticamente tomada por ela — um pouco diferente do filme, no qual ela parece ser mais dona de si no final. Eu não sabia como lidar com uma personagem tão não-protagonista, então mesmo que tenha gostado bastante da escrita do autor e da história em si, não tinha entendido bem o que era para tirar do livro. 

Mas aí, com o tempo depois da leitura, essa questão foi desaparecendo e eu fui valorizando mais o livro na minha cabeça. Porque eu, de certa forma, sou bem parecida com a Eilis, evitando decisões e aceitando o que os outros dão para mim. Ou seja, embora no meu comentário sobre o filme eu tenha escrito que não tenha os conflitos da protagonista, no livro eu acabei me identificando com ela em questão de personalidade...

Enfim, recomendo para quem gostou do filme e para quem gosta de histórias cotidianas e sem grandes acontecimentos. Pretendo ler mais do Colm Tóibín no futuro.

Avaliação final: 3,75/5

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #18

1- Thelma & Louise (Ridley Scott, 1991)
Foi o  filme da vez dos 1001 filmes para ver antes de morrer. Eu não tinha grandes expectativas, porque tenho um pouco de preconceito com esses novos clássicos hollywoodianos, mas, ou talvez justamente por isso, acabei gostando bem mais do que esperava. É um road movie bem feminista, focado na amizade entre Thelma e Louise e em como elas fazem para escapar das situações em que se meteram porque ousaram desafiar o patriarcado — ou algo do gênero. Você vai encontrar sotaque sulista, tiros e belas paisagens. Achei que o filme poderia ser um pouco mais curto, mas ainda assim vale muito a pena. O discurso do filme infelizmente é relevante até hoje e mesmo eu já sabendo como a história terminaria, não deixei de me impactar. Avaliação: 4/5

2- Pacto sinistro (Alfred Hitchcock, 1951)
Eu gosto muito do Hitchcock, mas até que vi poucos filmes dele. Assisti Pacto sinistro só porque era a indicação do clube do filme da minha irmã e, infelizmente, ele não entrou na minha lista de filmes favoritos do diretor. A história, que envolve um homem sugerindo a outro o crime perfeito — um assassinaria quem o outro quer ver morto, de forma que ninguém suspeitaria, porque eles mal se conhecem e não teriam motivos para o crime —, é interessante, e as imagens criadas pelo Hitchcock, o modo que ele filma, é de fato incrível, mas o filme não me empolgou. Não tive o menor interesse pelo tenista, preferiria ver mais do homem que sugeriu os assassinatos. Faltou emoção, o título em português engana bem dando a entender que alguma coisa vai ser sinistra, mas ainda assim é um bom filme. Avaliação: 3,5/5

Não sou das maiores fãs de filmes biográficos, mas quando o biografado me interessa eu fico mais curiosa. Eu não sabia quase nada da história do Brian Wilson, do The Beach Boys, então foi bom descobrir mais de sua trajetória pelo filme. O enredo é dividido em dois: temos a fase mais jovem, em que Brian é interpretado pelo Paul Dano, mostrando a criação do Pet Sounds (também conhecido como um dos melhores álbuns da história da música) e os seus desentendimentos com o resto da banda, e a fase madura, em que ele é John Cusack, retratando um romance e a luta com seu psiquiatra, que tentava se aproveitar dele dopando-o. Apesar de a história ser interessante, o que brilha mesmo no filme é a música. Fiquei com as harmonias da banda na cabeça por dias e sinto que passei a gostar mais de Beach Boys depois do filme. A cinebiografia não foge muito do convencional em relação ao gênero, mas às vezes o convencional é tudo o que a gente quer. Avaliação: 4/5

4- Frances Ha (Noah Baumbach, 2012)
Finalmente vi esse filme, queridinho de muita gente. É um longa sobre ser jovem, naquela fase em que nada parece dar certo e a vida dos outros parece estar mais encaminhada que a sua, mas a Frances consegue ir em frente e buscar o seu caminho. Na teoria, não parece ir além de vários outros filmes indies ou de séries como Girls, e de fato não é uma história inovadora. Mas é muito bem-feita, com uma bela fotografia e bons atores. Não me identifico totalmente com a Frances — minha timidez me impede de falar metade das besteiras que eu penso —, mas ela é uma personagem muito mais carismática que as de Lena Dunham e companhia, e de fato torci por ela durante sua trajetória. Avaliação: 4/5

5- Babe: o porquinho atrapalhado (Chris Noonan, 1995)
Eu não sei se vi esse filme quando era menor, mas como não me lembrava de nada vou fingir que estou vendo pela primeira vez. Eu tinha uma pelúcia do Babe que meu pai comprou nos Estados Unidos, então talvez eu fosse fã; ao mesmo tempo, ele estreou quando eu tinha só um ano, então se eu vi foi bem depois. Mistérios. Quando vi a lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer, achei bem estranho um filme de animais falantes na lista, por isso a curiosidade para (re?)ver. O veredicto é que... é um filme de animais falantes. É interessante comparar com A revolução dos bichos porque tem algumas mensagens semelhantes — não como alegoria política, mas aquele papo de "alguns animais são mais animais que outros". Mas não sou fã de animais falantes de "verdade", prefiro que sejam animados, porque é difícil levar a sério as vozes agudas dos bichos. E o que dizer dos ratinhos esganiçados? Enfim, é um bom filme de sessão da tarde: envolve, diverte e emociona. Mas não faz muito mais que isso, então não entendi qual o apelo para os críticos. O que Babe tem que outros filmes de animais falantes não têm? Avaliação: 3/5

6- Digimon Adventure tri. Saikai (Keitaro Motonaga, 2015)
Na época em que eu voltei a assistir animes, revi o primeiro episódio de Digimon. Apesar da curiosidade em rever meus momentos favoritos da série, o foco nas batalhas me deixou com preguiça, então não continuei a acompanhar. Mas aí estreou essa continuação da série clássica, e achei que seria bom conferir para pelo menos uma vez na vida ficar por dentro do universo otaku. O resultado foi... chatinho. Não é um filme insuportável, e ele tem lá seus momentos brilhantes nas partes cômicas, mas no geral não é grande coisa. Não entendi a motivação do Tai e todo o seu conflito é um tanto idiota: "não vou usar meu Digimon para evitar que o inimigo destrua a cidade porque a batalha vai destruir a cidade!", além de ser simbolizado por uma cena de um celular caindo, o que piora tudo: "se eu lutar, os celulares vão quebrar!". A metade final do filme foca em batalhas, é claro, e ainda tem várias cenas de digievolução repetitivas. Eu odeio essas partes de transformação que repetem todo episódio, o que foi outro motivo para eu desistir de rever a série antiga. Vou ver a continuação do filme porque sou trouxa, mas não o recomendo se você não for fã número um ou fã do tipo nostálgico do anime. Avaliação: 3/5

7- Adeus, Lênin! (Wolfgang Becker, 2003)
Uma vez o meu pai estava vendo esse filme e rindo muito. Desde então fiquei curiosa. O enredo é bem pitoresco: para não causar um infarto na mãe que despertou do coma, o filho não conta para ela que o muro de Berlim caiu, e por isso tem que esconder dela tudo que mostre as influências capitalistas na cidade. A ideia é bem divertida e o filme é bom, mas não sei se é porque eu tinha expectativas altas ou porque não entendo muito da história dessa época, acabei não sendo completamente cativada. Avaliação: 3,5/5

8- Jogos vorazes (Gary Ross, 2012)
Revi o filme para fazer um trabalho na faculdade sobre ele. Não tenho muitas ideias formadas sobre o filme desde a primeira vez que eu vi, acho difícil de avaliá-lo, mas vou tentar explicar isso. Como adaptação, Jogos vorazes é eficaz: entrega os pontos principais da história e mantém o enredo, com poucas mudanças. Mas eu não vejo muito brilho, ele não me empolga. Será que é porque para mim é uma história que depende muito do suspense para funcionar, e conhecê-la pelo livro já acaba com essa possibilidade? Será que é porque os outros motivos de eu gostar do livro envolvem as críticas sociais, e obviamente o filme não tem mérito nisso? Não é que eu não goste do filme, mas sempre me esqueço da existência dele — eu ainda não vi as continuações, mesmo que elas sejam bem elogiadas, sabe. Avaliação: 3/5

9- Cinco centímetros por segundo (Makoto Shinkai, 2007)
Essa é uma animação japonesa bem conhecida entre fãs de animes, mas só vi agora porque sempre deixava para depois. Eu não sabia sobre o que o filme era, só que a animação era bonita. De fato, os cenários são impressionantes. Mas a história, sobre um amor de infância que não deu certo por causa da distância, não me emocionou. O filme é dividido em três episódios. O primeiro foca no menino e no relacionamento à distância dele, e abusa daquele monólogo interior poético que eu particularmente detesto, Já me basta em Shigatsu. O segundo episódio mostra a menina que gosta do protagonista, mas que obviamente não é correspondida, porque ele está preso no seu relacionamento passado. Esse foi o meu episódio favorito. A última história, a mais curta, conclui rapidamente o filme, incluindo uma música meio brega. Enfim, não sei o que eu esperava, mas me decepcionei. A história não parece ter começo, meio e fim, e não consegui me importar com o protagonista. É para ser uma história triste, mas não consegui sentir nada. Avaliação: 3/5

Bom, já está óbvio que eu tenho um fraco por filmes de jovem alternativos e hipsters que não fazem a menor ideia do que estão fazendo com suas vidas. A história do filme é sobre Clara, interpretada por Clarice Falcão, e suas dúvidas sobre a vida. Ela faz faculdade de medicina, mas mata aula todos os dias e não sabe o que fazer. Junto com seu novo amigo Guilherme, ela vai em busca de seus talentos e testando suas qualidades. O filme é bonitinho, engraçadinho e curtinho, e achei legal a forma que ele trata a diferença de gerações. No entanto, é até desconfortável ver o quanto a Clara é privilegiada, porque expõe como eu sou privilegiada também — nós duas podemos, em certa medida, não ter a menor ideia do que estamos fazendo com a nossa vida. Enfim, é um filme para a classe média alta brasileira e compreendo que quem não seja parte desse grupo não goste do filme. Avaliação: 3/5

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Secret society girl, Diana Peterfreund

Now that I was on the inside, Rose & Grave seemed to hold little in common with its formidable and mysterious reputation. Okay, so there were dead bodies (skeletons, at least) in this tomb. So what? They had them in the biology lab as well. And divested in their hoods and freaky-ass makeup, the other knights looked less like a satanic cult and more like a bunch of college kids playing dress-up.
Secret society girl foi um dos primeiros YAs que eu vi fazendo sucesso aqui, na época de ouro da Galera Record. Eu tinha curiosidade em conhecer o livro, mas acabei deixando passar e só fui lê-lo no começo do ano passado no abandonado clube do livro do qual eu participava.

Como o título bem indica, o livro fala sobre sociedades secretas. Amy estuda em uma faculdade da Ivy League e espera entrar na sociedade secreta dos escritores. No entanto, ela recebe o convite para entrar na Rose & Grave, a sociedade mais famosa e que antes só aceitava membros homens. Eles têm ritos estranhos e membros importantes, e de repente a estudiosa mas não exatamente popular Amy precisa lidar com todas as novidades.

Esse é o primeiro volume de uma série de quatro livros e, sinceramente, não é daqueles livros que funcionam sozinhos. Tentei resumir a história deixando claro qual seria o conflito, mas não tem um conflito principal, e sim uma sequência de pequenos problemas e suspenses. O livro não parece ter um grande clímax, funcionando mais como uma introdução para o resto da série.

Acontece o mesmo com os personagens: são muitos para um livro só, então pouquíssimos deles são bem trabalhados. Faz sentido ter um núcleo desse tamanho para uma série, é claro, mas lendo um livro só fiquei com a impressão de que eles foram mal aproveitados.

Mas, apesar dessas impressões ruins, ainda foi uma leitura divertida, rápida e que prendeu a atenção. O problema é que eu cheguei ao fim com aquele sentimento de "é só isso?". De alguma forma eu esperava mais: uma sociedade secreta mais interessante, personagens mais desenvolvidos e um ritmo que funcionasse a história toda. Não tenho planos de continuar a série, mas quem gostar de sociedades secretas talvez se envolva mais. O livro foi bem elogiado tanto lá fora quanto aqui, então quem sabe valha a tentativa.

Avaliação final: 2,5/5

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Retrospectiva: fevereiro e março

• Juntei dois meses de novo porque não fiz nada de interessante em fevereiro. É incrível como a rotina suga nosso tempo e disposição, né? Já estou desejando férias de novo, embora a perspectiva mais próxima seja de greve na faculdade mesmo.


• Para não dizer que foram meses completamente inúteis, algumas coisas não podem passar em branco: em março eu conheci pela primeira vez pessoas da internet (da Revista Pólen)! Eu fiquei meio nervosa porque quase não falei nada, mas aí me lembrei de que simplesmente sou péssima em conversas em grupos grandes mesmo com amigos íntimos e me senti melhor comigo mesma. Achei que minha mãe ia dar aquelas recomendações do tipo "você tem certeza que eles são reais?" até perceber que ela já conheceu muita gente pela internet. Minha mãe, rainha dos orkontros. Pois é.

• Ainda no tópico Pólen, escrevi um texto sobre procrastinação na edição sobre futuro e fiquei muito feliz porque ele fez mais sucesso do que eu esperava — e um pouco triste por bastante gente se identificar, porque ninguém merece esse sofrimento. Apesar de eu ter procrastinado bastante na área ~criativa~, ou seja, nos textos que escrevo por lazer, o começo do ano foi razoavelmente bom na questão da produtividade acadêmica, ou pelo menos foi melhor do que no ano passado. A única parte que está sofrendo bastante é o meu estudo de japonês, que está renegado ao dia de véspera da aula e não está funcionando nada bem. 

Em fevereiro e março:  
Eu vi… vários primeiros episódios. Comecei a ver Jessica Jones, tentando dar uma chance para os super-heróis com uma série pouco típica de super-herói, Master of None, uma comédia que eu queria amar mas ainda não rolou, Kogepan, um anime fofo e doidinho, entre outros. Assisti a primeira temporada de Jane the Virgin e adorei, mas a segunda está um pouco repetitiva. E estou acompanhando também MasterChef Brasil, que ainda não está muito empolgante (e tenho a impressão de que menos gente está assistindo, o que significa que a minha timeline não fica tão engraçada).

Eu li… Pride and prejudice pela primeira vez! Não gostei muito de Razão e sentimento, por isso minhas expectativas para outras obras da Jane Austen eram baixas. Continuo achando que a autora não é bem minha praia, mas apreciei bem mais a leitura sobre o casal Bennet e Darcy, por motivos que explicarei melhor na futura resenha.

Eu ouvi… pouquíssima coisa nova, de novo. Não consigo fazer obrigações com música ao fundo, e esses meses foram cheios de tarefas, então...

Eu escrevi…  minha primeira newsletter! Como dá para perceber pela data, ainda não entrei no ritmo certo, mas tenho planos de escrever quinzenalmente.

Eu comi… chocolate! Nos últimos anos não ganhei muita coisa de Páscoa, mas nesse eu até ganhei um ovo (vantagens de trabalhar em um escritório) e vários doces. Agora não sei o que fazer para acabar com o vício. Dicas?

Eu fui… para Santos conhecer o novo apartamento dos meus tios. Passei uns três anos sem ir para a praia e de repente eu viajei duas vezes em três meses. Não gosto muito de praia, mas a viagem foi legal.


Eu (não) comprei… nenhum livro nesse ano!!! Fico muito feliz, mas é claro que a minha irmã lembrou que esse ano tem Bienal e já estou pensando em tudo que vou comprar.

Eu fiz… fichamentos, resenhas, papers, lições de casa. Definitivamente não vou sentir falta dessa rotina de tarefas quando me formar na faculdade.
 
No blog:
• Comecei fevereiro com a resenha de Por que Indiana, João?, um YA brasileiro bom, mas que tinha potencial para ser melhor.

• Em seguida, fiz a retrospectiva de janeiro.

• Resenhei O crime de padre Amaro, livro que li para a aula de Literatura Portuguesa na faculdade.

•  Iniciei uma seção de comentários sobre CDs para falar um pouco de música de vez em quando.

• A próxima resenha foi de Eles eram muitos cavalos, outra leitura para a faculdade.

• Vi alguns filmes do Oscar desse ano e comentei sobre eles. A maioria é de animação, nas categorias principais eu mal sou capaz de opinar.

• Escrevi sobre Dash & Lily Book of Dares, um YA fofinho e natalino.

• Tirando o atraso, finalmente fiz a resenha do anime Shigatsu wa kimi no uso. É um daqueles casos de coisas que eu gostaria mais se as pessoas não amassem tanto. Superestimado, eu diria.

• Por fim, resenhei Antes de dormir, um suspense eficiente, mas pouco marcante.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Antes de dormir, S. J. Watson

Não tenho memória. Nada. Não há uma só coisa nesta casa que eu me lembre de ter visto antes. Nem uma única fotografia — sejam as que rodeiam o espelho, sejam aquelas no álbum à minha frente — me desperta lembrança de quando foi tirada, não há nenhum momento com Ben de que eu me recorde, a não ser os que compartilhamos esta manhã. Minha mente parece totalmente vazia.
Não precisa de muito para me fazer ler um livro de mistério. Um enredo com algo novo para mim já é o suficiente. Por isso Antes de dormir, sobre uma mulher com amnésia, estava na minha lista há tempos.

Christine, a protagonista, acorda todos os dias sem saber quem é e onde está. Seu marido, Ben, explica a situação: ela teve um acidente e por isso sofre da perda de memória. Como ela consegue se lembrar dos acontecimentos do dia enquanto está acordada, seu médico a encoraja a escrever um diário, para ela ler todos os dias e ir somando as memórias. No entanto, algumas peças do quebra-cabeça da sua identidade não parecem se encaixar. Será que Ben está mentindo? Em quem Christine pode confiar? São essas questões que ficam na mente do leitor durante a leitura.

A primeira parte do livro chama "Hoje" e começa com um dia normal da vida da Christine, ou seja, com ela completamente confusa. Essa parte é interessante por nos colocar na mente de uma amnésica e assim tentamos entender como é o seu cotidiano. Depois passamos para o diário dela, que corresponde a grande parte do livro. No início, achei legal essa parte, mas depois de um tempo ficou um tanto repetitivo e fiquei me questionando quando é que algo emocionante ia acontecer, porque no começo a gente nem sabe quais são as perguntas para serem respondidas, mal sabe o que está estranho na história. Afinal de contas, ela não se lembra das coisas e passa muito tempo sem nem desconfiar de nada.

Aí chega a parte final, que volta ao tal "Hoje". Temos a revelação, que achei bem razoável: não é completamente óbvia nem surpreendente do tipo de ser completamente inverossímil. Ela se encaixa no que a história pretende ser, embora se pensarmos melhor sobre isso acabe ficando um pouco irrealista, é bem verdade.

Os personagens são bem construídos, mas eu não liguei para nenhum deles. Achei inclusive que alguns foram retratados de forma positiva demais, considerando que *insira spoiler aqui*. Não me importei com o núcleo familiar da Christine, que tem um tom de melodrama que não é meu estilo.

Por fim, apesar de não ser um livro perfeito, é um suspense muito eficaz para leitores ocasionais do gênero, como eu. As quatrocentas páginas passam rápido mesmo nas partes mais tediosas. A adaptação para o cinema não parece ter feito muito sucesso, mas pretendo assistir algum dia.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 24 de março de 2016

Anime: Shigatsu wa Kimi no Uso

Depois de um tempinho sem postar nada, pelos motivos de sempre — aquela falta de ânimo causada pela falta de tempo —, eu volto com uma resenha de um anime que vi no ano passado, porque sempre tem resenhas atrasadas para publicar.


Shigatsu wa Kimi no Uso conta a história de Kousei, um jovem prodígio do piano que abandonou os estudos do instrumento após sua mãe morrer. Quando ele conhece Kaori, uma violinista, ele é obrigado a encarar novamente seu passado e volta a tocar.

Em resumo, a história é uma mistura de Whiplash, com a busca incessante pela perfeição, com As variações de Lucy, tratando dos dilemas com o instrumento e os traumas do passado. Fiquei interessada pelo anime por causa da música, mas infelizmente ele trata de outros elementos também: é claro que tinha que haver romancinho e drama na história. E para mim eles realmente não funcionaram.


A Kaori é pouco desenvolvida e fica naquele estereótipo de personagem-feminina-livre-e-feliz-que-servirá-apenas-para-o-protagonista-se-desenvolver, estilo manic pixie dream girl. E o fato é que eu não me importei com ela, e inclusive gostei bem mais da Tsubaki, amiga de infância do Kousei que gosta dele — quem não se apaixonaria também por alguém tão sem carisma? —, porque ela é bem mais real, chegando a ser bem irritante às vezes.

O ritmo do anime é bem irregular. Eu fiquei bem interessada nos episódios que focavam nas competições,  mostrando os antigos rivais do Kousei e mais sobre o seu passado como "metrônomo humano". Cheguei a assistir quatro episódios em seguida, o que é bastante para mim, que não sou grande adepta das maratonas. Mas o anime também tem episódios arrastadíssimos e que eu queria que acabassem logo. Vi o anime, de 22 episódios, em 243 dias, o que é mais lento do que minha média para séries desse estilo.

A arte é boa, mas tenho um pouco de preguiça desse estilo de cenas bonitas com monólogo interior. Vi algumas pessoas reclamando da parte cômica do anime, enquanto eu particularmente achei os momentos leves muito melhores do que os dramáticos, que chegam a ser bregas. Minhas cenas favoritas foram as da infância e eu adoraria um anime que só focasse nisso.

Enfim, acho que parte do meu problema com Shigatsu é que o anime é muuuito elogiado e ver as pessoas se emocionando tanto só me deixou com pontos de interrogação na cabeça (e um pouquinho de raiva, admito), porque não senti nada disso. É um anime ruim? Não, mas o melodrama não me pegou — e para não dizer que eu tenho algo contra melodrama, eu adoro AnoHana

Em resumo, não é um anime que eu recomende vivamente, mas também não é ruim, e os fãs dele me incomodam mais do que a série em si.

Avaliação final: 3/5

quinta-feira, 3 de março de 2016

Dash & Lily's Book of Dares, Rachel Cohn e David Levithan

You could be standing a few feet away — Clara's dance partner, or across the street taking a picture of Rudolph before he takes flight. I could have sat next to you on the subway, or brushed beside you as we went through the turnstiles. But whether or not you are here, you are here — because the words are for you, and they wouldn't exist if you weren't here in some way. This notebook is a strange instrument — the player doesn't know the music until it's being played.
Eu gostei bastante de Nick & Norah - uma noite de amor e música, então quando soube que os autores haviam lançado mais livros nesse estilo fui correndo colocar na listinha para ler. Demorou, mas um dia bateu aquela vontade de ler um YA, não tinha nenhuma leitura obrigatória para fazer ah, a liberdade de não participar de nenhum desafio literário... — e peguei o Dash & Lily's Book of Dares da estante. 

O livro segue a mesma lógica de Nick & Norah: o David Levithan escreve pelo menino, Dash, e a Rachel escreve a parte da menina, a Lily. Eles não se conhecem até que Dash encontra um caderno na sua livraria favorita com um desafio para cumprir. Ele resolve o desafio e decide continuar jogando, deixando novas dicas para quem encontrar. Assim, sem se conhecerem pessoalmente, Lily e Dash vão trocando mensagens e desafios e se conhecendo melhor, sempre se perguntando se a outra pessoa que escreve é como imaginam que ela seja.

É importante dizer que é um livro natalino. O Natal está presente em toda a história, com a contraposição forte entre Lily, que ama a data, e Dash, que odeia. Essa diferença entre os dois se acentua com outros aspectos da personalidade deles: Dash tem jeito de hipster, é sarcástico e tenta ser cool, enquanto Lily é mais ingênua, fofa e feliz. Enquanto eles estão apenas trocando mensagens, gostei bastante de ambos os lados. Não são personagens que eu amei, mas eles têm lá a sua simpatia e a escrita é boa o suficiente para prender a atenção. Mas quando eles se juntam, senti que não era bem isso que eu esperava. Faltou química, acho, ou melhor: faltou que eu sentisse a química. Eu, que torcia tanto para vê-los juntos, fiquei decepcionada quando isso aconteceu, ou por causa da forma que aconteceu.

Então posso dizer que não é um dos meus YAs favoritos. É bonitinho, uma boa leitura para momentos de tédio, mas alguma coisa não se encaixou. Faltou sentimento, não sei. Pelo que vi no Goodreads, o livro aparentemente vai ter uma continuação, que talvez eu até leia algum dia. Mas continuo preferindo Nick & Norah, até pela temática: sou muito mais fã de música do que do Natal.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os últimos filmes que eu vi #17 - edição especial Oscar

O Oscar, como outras coisas da minha vida, só caiu no meu gosto graças ao mundo cibernético. Antes eu via as indicações pelo jornal, torcia se tivesse algo de que eu gostava, e pronto, segue a vida. Acho que foi em 2014 que me rendi a assistir a apresentação dos prêmios. Em 2015, não só acompanhei a premiação como tive vontade de ver quase tudo, fazendo uma promessa mental de que em 2016 eu veria os indicados a melhor filme junto com as outras pessoas, porque não é maravilhoso ver todo mundo comentando o mesmo assunto? Só que aí chegaram as indicações e... ¯\_(ツ)_/¯

Eu tenho curiosidade em ver todos os indicados a melhor filme, justamente para comparar as opiniões com quem se deu ao trabalho de assistir tudo. Mas curiosidade não é a mesma coisa que vontade genuína, e também não é a mesma coisa que disposição. Além disso, já imagino que não vou gostar muito de quase nenhum dos que ainda não vi da categoria principal. Talvez quem sabe algum dia eu veja quando passar na televisão, mas ter que me movimentar para isso seria esforço demais só para poder dizer que cumpri algo que queria. Então finalizei minha maratona: assisti três filmes indicados a melhor filme e todos(!) indicados a melhor animação, visto que só faltavam três para completar a lista. 

Indicados a melhor filme

1- Perdido em Marte (Ridley Scott, 2015)
Não sou a maior fã de filmes espaciais e grandiosos. Nada contra, mas tenho preguiça — são filmes longos, e têm cenas longas de ação. Então o fato é que eu não tinha dado bola para Perdido em Marte até ele ser muito elogiado por aí e indicado para o Oscar. Ainda não seria um filme que eu veria no cinema se não tivesse passado no cinema do CCSP, sempre maravilhoso e que custa um real. No começo eu estava apreensiva, justamente por não ligar para filmes do gênero, mas aos poucos o filme foi me envolvendo e cativando, e de repente me vi torcendo muito para que a NASA resgatasse o Matt Damon, mesmo sabendo que o final não poderia ser outro — se fosse, estaria na categoria de drama no Globo de Ouro (embora a classificação como comédia seja discutível). Não curti muito as cenas de ação propriamente dita, mais para o final do filme, mas gostei do clima mais leve e do bom humor durante toda a história, e também achei a proporção entre cenas do protagonista e cenas de fora bem equilibrada. Enfim, é um filme eficaz no que se propõe a fazer, e para não dizer que é só entretenimento preciso confessar que entrei numas reflexões erradíssimas sobre viagens espaciais, o custo que isso tem, desigualdade, o que é ser humano e essas coisas divertidas (mas sugiro que não façam isso também). Avaliação: 3,5/5
E o Oscar? O filme foi indicado para sete categorias, mas não acho que leve nenhuma que não seja técnica. Achei as indicações válidas, mas também não estou torcendo por ele.

2- Brooklyn (John Crowley, 2015)
Eu também não tinha planos concretos de ver Brooklyn, mas pensei que entre os que eu não tinha tanto interesse esse era o que poderia me agradar mais: uma produção menor, uma história simples e convencional. Depois que eu terminei de assistir, fiquei pensando em que tipo de filme ele se parecia, até chegar na conclusão óbvia: com Educação, que também tem roteiro do Nick Hornby. E assim como em Educação, faltou algo em Brooklyn para me deixar próxima do filme. Eu não tenho os conflitos da protagonista, Eilis, então não consegui me aproximar dela. Não é que não dê para simpatizar com ela, mas sempre fiquei meio distante, algo não funcionou com a conexão, especialmente depois que ela voltou para a Irlanda — e isso é pessoal, porque tem gente que se identificou demais com a personagem. A história prende fácil o espectador e é interessante o suficiente para me fazer ter vontade de ler o livro, que já está em mãos, a Saoirse está bem no papel e os figurinos dos anos 50 são maravilhosos (saí desejando o guarda-roupa da Eilis? Saí sim, e olha que nem sou uma pessoa ligada em moda). Provavelmente não é um filme que vai mudar dramaticamente a vida de ninguém, mas também não é isso que ele pretende fazer. Avaliação: 3/5
E o Oscar? O filme foi indicado para melhor filme, atriz e roteiro adaptado. Acho que é um daqueles casos em que a indicação é o próprio prêmio, porque muita gente foi atrás dele só por causa disso, como eu.

3- O quarto de Jack (Lenny Abrahamson, 2015)
Eu gostei muito de Quarto, o livro; de Temporário 12, com a Brie Larson, e de Frank, dirigido pelo Lenny Abrahamson. Então eu estava com bastante vontade de ver o filme, tendo expectativas de que a adaptação me agradaria. E não me enganei. Não tenho muito o que falar além de que tudo está muito bom. O filme prendeu a minha atenção, me emocionou, e, não sei, não pareceu ter nada de errado? Em questão de sentimentos, ainda prefiro Temporário 12, que me impactou de verdade, mas talvez isso seja porque já conhecia a história de O quarto de Jack pelo livro. Avaliação: 4/5 
E o Oscar? Brie Larson é a favorita para o Oscar de melhor atriz, o que me deixa bem satisfeita. As outras indicações são menos prováveis, mas se eu pudesse votar tendo visto só três filmes meu voto seria dele (não que isso conte alguma coisa).

Indicados a melhor animação

 1- O menino e o mundo (Alê Abreu, 2013)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 4/5
E o Oscar? Meu comentário foi um pouco desanimado, talvez porque eu goste mais do que o filme representa em termos de animação do que dele em si. Quer dizer, eu amo a estética, mas não amo a história. Dito isso, preciso falar que fiquei realmente emocionada quando vi a indicação, e que minha torcida é completamente para ele, mesmo as chances sendo ínfimas. É por patriotismo mesmo, mas não para mostrar para os americanos como o Brasil é bom, e sim mostrar para os brasileiros quanto potencial a gente tem em questão de animação. E acho que a indicação ao Oscar já fez isso, espero de verdade que essa área seja mais incentivada a partir de agora.

2- Quando estou com Marnie (Hiromasa Yonebayashi, 2014)
Comentei sobre o filme aqui. Avaliação: 3,5/5 
E o Oscar? Fiquei um pouco surpresa com a indicação, porque não é um filme tão grandioso do Studio Ghibli. E também está longe de ser um dos meus favoritos deles. Fico feliz com outra animação 2D não americana ser indicada, e em questão de estética também sou fã, mas peguei birra do filme, por motivos até externos a ele — então recomendo que assistam para tirar suas próprias conclusões e não se deixem levar pelo meu mau humor.
 
3- Shaun: o carneiro - o filme (Mark Burton e Richard Starzak, 2015)
Eu acompanho há um tempo os trabalhos da produtora Aardman, de Wallace & Gromit e A fuga das galinhas, mas normalmente só de ficar com vontade de ver o lançamento da vez e deixar para lá. Por causa do Oscar, fui atrás de Shaun e lembrei por que eu gosto dessas animações. A história do filme é bem simples: Shaun vive em uma fazenda e, cansado da rotina, decide tirar um dia de folga. Só que as coisas dão terrivelmente errado e ele terá que ir para a cidade grande resgatar seu fazendeiro. A ideia remete bastante ao filme das galinhas, por ser sobre um grupo de animais de fazenda que precisa bolar planos para resolver determinada situação. A principal diferença é que os carneiros, e todos os outros personagens do filme, falam uma linguagem incompreensível para nós. É um filme mudo, praticamente (assim como O menino e o mundo!). Ele não é tão inspirado quanto as produções mais famosas da Aardman, mas é bem divertido e a animação mantém a qualidade. Avaliação: 3,5/5
E o Oscar? As chances são pequenas, mas gostei da indicação.

4- Anomalisa (Duke Johnson e Charlie Kaufman, 2015)
Eu li duas críticas de jornal e uma resenha em um blog antes de ver o filme e acho que isso acabou me influenciando negativamente, porque os três textos faziam praticamente a mesma análise. Com isso, já fui ao cinema sabendo o que pensar em questão do que o filme quer dizer, o que, paradoxalmente, me deixou sem saber o que pensar do filme em questão de opinião. É uma animação bem diferente do que eu costumo ver, com temas adultos e filosóficos: a dificuldade de se relacionar com outras pessoas, a solidão, a subjetividade, o desejo, a modernidade e outras abstrações. Sei que há muito material para reflexão no filme, mas talvez por ter ido com uma análise pronta na cabeça não fiquei com vontade de ir atrás disso e pensar nas minhas dúvidas. Entretanto, o filme é muito bem feito e a experiência vale a pena. Avaliação: 3,5/5
E o Oscar? Eu li algum lugar dizendo que era o filme que tinha mais chance depois de Divertida mente, mas acho que o filme da Pixar é quase unanimidade, então a probabilidade dele ganhar é pequena. Seria interessante um filme adulto vencer o prêmio, mas também não é minha torcida.

 5- Divertida mente (Pete Docter e Ronnie Del Carmen, 2015)
Minhas expectativas eram misturadas: por um lado, o filme é considerado um dos melhores da Pixar. Por outro, eu não sou tão fã da Pixar hoje e nem de animações em computação gráfica. No final, fiquei bem satisfeita. Achei a ideia do filme ótima e adorei a central em ação — é tipo um jogo de The Sims. Aí o filme foi pelo caminho que eu não queria: para a aventura. Alegria e Tristeza tem uma jornada juntas nos outros lugares da mente. Achei várias partes da aventura engraçadas e interessantes, por nos lembrarem de como nossa mente funciona, mas também achei um pouco cansativo esse negócio de estamos-conseguindo-ops-deu-algum-problema-falhamos. Queria ver mais conflitos entre as emoções na central e a resolução foi rápida demais para o meu gosto. Enfim, acho que o filme tinha todo um potencial que não foi explorado, mas também entendo que não dava para abarcar tudo. Avaliação: 3,75/5
E o Oscar? Vai ser uma grande surpresa se não ganhar o Oscar de melhor animação. Eu podia torcer o nariz porque sempre a mesma coisa filme americano animação 3D e blablablá, mas acho a provável vitória merecida nesse caso. O filme também foi indicado para roteiro original, mas acho que as chances de vencer são menores.

P.S.: agora tenho uma newsletter! Relutei muito antes de entrar na moda, mas acho que é uma boa forma de escrever coisas mais pessoais que ficariam um pouco deslocadas no blog. Prometo não encher sua caixa de entrada!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato

Na esquina com a rua Estados Unidos, o tráfego da avenida Rebouças estancou de vez. Henrique afrouxou a gravata, aumentou o volume do toca-cedê, Betty Carter ocupou todas as frinchas do Honda Civic estalando de novo, janelas cerradas, cidadela irresgatável, lá fora o mundo, calor, poluição, tensão, corre-corre.
Estou cursando uma matéria sobre literatura brasileira contemporânea e Eles eram muitos cavalos é uma das futuras leituras. Decidida a adiantar algum livro, comecei, obviamente, lendo o mais curto, porque se não começasse pelo mais fácil não seria eu.

No entanto, eu não definiria como "fácil" o livro do Luiz Ruffato. Ele é separado em setenta episódios que se passam todos no mesmo dia na cidade de São Paulo e vão desde narrativas mais tradicionais a textos de jornais. São variados também os tipos de personagens e os locais retratados.

A ideia de Eles eram muitos cavalos é inteligente, (pós-?)moderna, contemporânea. É um livro interessante, mas não posso dizer que adorei, porque achei muitos fragmentos chatos. Muitos terminam no meio, ou são aquele tipo de prosa poética que precisa de muita imaginação para funcionar. Não sou intelectual o suficiente para apreciar tudo, embora tenha vários episódios que me agradaram bastante.

Estou bem curiosa para saber o que os acadêmicos pensam do livro, tão elogiado pela crítica mas nem tanto pelos leitores. Termino com a minha resenha favorita dele, de um gênio do Skoob que resumiu o sentimento de muita gente em tão poucas palavras:



Avaliação final: 3/5

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que eu ouvi #1

E aí eu decidi escrever também sobre música. Eu não entendo nada teórico sobre o assunto, mas desde quando não saber algo técnico me impediu de falar sobre isso? Meu blog foca em achismos e em opiniões, não em críticas bem fundamentadas, então... Antes de começar, preciso esclarecer umas coisinhas: primeiro, eu não presto muita atenção em letras de música. Sério. Eu pego o tom geral da coisa, mas é difícil eu me importar com isso. Em segundo lugar, estou escrevendo de acordo com os álbuns que ouço no meu iPod. Eu ouço sem fazer outra coisa para poder selecionar as músicas que ficam e as que vão embora. E como eu já estava ouvindo a minha biblioteca em ordem antes de decidir escrever, os álbuns vão sair mais ou menos em ordem alfabética começando pela letra L, com uma exceção ou outra baixada posteriormente. Ah, e minha irmã compartilhou o computador comigo por muitos anos, então tem algumas coisas que são dela no meio. Como temos um gosto parecido, nunca tive a necessidade de separar o iTunes ou coisa assim. Por último, vou deixar o link do youtube das músicas favoritas, mas não vou substituí-lo quando alguns deles certamente saírem do ar, e o link do álbum no rateyourmusic se por algum acaso alguém se interessar em ler mais resenhas sobre o CD — normalmente os textos de lá são bem críticos, nos dois sentidos: manjam mais do assunto e são bem mais chatos e rigorosos e muitas vezes elitistas.

Talvez isso não interesse ninguém além de mim, mas achei que seria interessante. Eu constantemente abro meu player e não faço a menor ideia do que ouvir diante de tantas opções, por isso escrever sobre os álbuns vai me fazer lembrar do que eu gosto. E se ajudar alguém com alguma indicação já é ótimo também. E de qualquer jeito esses posts não vão ser tão frequentes, não se preocupem.

1- Little Deuce Coupe (The Beach Boys, 1963)
É um álbum de músicas curtinhas, de mais ou menos dois minutos. As harmonias mantêm o padrão Beach Boys. Está longe de ser a obra-prima deles, mas é a surf music típica e por algum motivo as músicas falam sobre carros(?). Avaliação: 3,5/5

2- Little Joy (Little Joy, 2008)
O Little Joy surgiu quando eu era bem fã dos Strokes, então fiquei feliz em gostar do projeto paralelo do Fabrizio Moretti. É um tipo de música bom para ouvir deitada na rede ou na praia, bem gostosinha, com um clima de preguiça de fim de semana. O CD, também curtinho, mistura as vozes dos três membros da banda e tem músicas em inglês e em português, algumas mais calmas e outras agitadinhas. Avaliação: 3,5/5

3- The Little Mermaid (Alan Menken e Howard Ashman, 1997)
Minha irmã gosta bastante do filme, então baixou a trilha sonora, porque quando se gosta de um filme da Disney está implícito que se gosta da trilha sonora dele também. Não consigo julgar o quanto gosto das músicas sem relacionar com as memórias da infância, mas de qualquer jeito adoro a maioria das músicas cantadas. Para as instrumentais eu não ligo tanto, mas no geral é uma trilha sonora bem simpática. Avaliação: 3,5/5

4- Have You in My Wilderness (Julia Holter, 2015)
Estava vendo uma lista de melhores álbuns do ano e obviamente descobri que não tinha ouvido falar de quase nada. Tentando ficar por dentro, fui ouvir algumas músicas para decidir quem eu ia baixar, e a Julia Holter foi escolhida. Have You in My Wilderness é um bom álbum, mas para mim não se destacou tanto entre outras centenas de cantoras alternativas. Não sei, também não ouvi o suficiente para me apegar. Poucas músicas chamaram a minha atenção, mas a maioria é gostosa de ouvir — embora as músicas mais compridas, de seis minutos, eu tenha achado cansativas. Avaliação: 3,5/5

5- Lon Gisland (Beirut, 2007)
Eu enjoei um pouco de "Elephant gun" porque desde que conheci a música eu a ouvi mais vezes do que deveria. No entanto, ouvindo o Lon Gisland não tem como não se sentir bem. Saudades, Beirut! Eu ouvi os álbuns mais recentes da banda e não parei de gostar deles, mas esse EP não me deixa esquecer da minha fase favorita. São cinco músicas no total, então é uma boa forma de descobrir se gosta da banda. Avaliação: 4/5

6- London Calling (The Clash, 1979)
Fui atrás do The Clash provavelmente em uma época que estava a fim de conhecer os clássicos do rock. Já tinha ouvido várias musicas da banda, seja na MTV, parte muito importante da minha adolescência, ou por covers de outras bandas. Ouvi pouco o London Calling, principalmente porque ele tem muitas músicas e acaba ficando cansativo. Individualmente, gosto de quase todas as músicas, mas não de escutar tudo de uma vez só. Acho interessante a influência de outros ritmos, tipo ska e reggae, no som deles, por isso é a banda punk clássica pela qual eu mais simpatizo. Avaliação: 3/5

7- Lonely Avenue (Ben Folds e Nick Hornby, 2010) 
Eu provavelmente  conheci o Ben Folds lendo o Nick Hornby, então essa união entre cantor e escritor não me surpreendeu muito. Não sei bem explicar o gênero do álbum, é um pop rock que seria genérico se eu não conhecesse bem a voz do Ben Folds. Tem várias músicas que eu adoro nesse CD, como dá para ver pelos destaques, mas também tem algumas bem descartáveis. Avaliação: 3,5/5

8- Louva-a-Deus (Forgotten Boys, 2008)
Destaque: "Highest stakes"
Eu tive uma fase fã de rock independente brasileiro, e Forgotten Boys era uma das bandas de que eu gostava na época, cheguei a ir a alguns shows e tal (ah, a adolescência...). Hoje esse álbum não me diz quase nada, e tenho a impressão de que mesmo na época não gostava tanto dele — o Stand by the D.A.N.C.E. é muito melhor —, mas era o lançamento deles, então eu tinha que ouvir. As músicas, rocks cantados em inglês ou em português, são parecidas entre sim e embora não sejam insuportáveis, também não vão fazer falta na minha vida. Avaliação: 2/5

9- Made in the A.M. (One Direction, 2015)
De repente você está lá, ouvindo um CD inteiro do One Direction. Várias pessoas estavam elogiando o álbum, inclusive gente que não ligava para a banda antes, então eu, enxerida como sou, fui atrás, né, fazer o quê? Eu nunca desgostei propriamente da banda, só achava chato quando os hits ficavam presos na cabeça. Há uma grande diferença entre ouvir um hit pop e um álbum inteiro disso, porque o hit vai ficar na sua cabeça sozinho, mas depois de ouvir vários hits potenciais da mesma banda em seguida o que se segue é meu cérebro tentando processar com que refrão eu devo ficar obcecada. Enfim, o fato é que o álbum funciona: as músicas animadas são ótimas, eu consigo imaginar os calouros cantando as baladinhas no The Voice... Tudo é bem produzido e pronto para grudar na cabeça, o que é bom quando se gosta da música, e eu gostei da maioria delas. Mas também é ruim, porque elas são criadas para serem fáceis de decorar, e por isso são repetitivas. Quando estou fazendo outra coisa, tipo lavando a louça, não é um problema, mas ouvir prestando a atenção deixa algumas músicas cansativas. O álbum poderia ter sido mais curto, mas é claro que eles fazem uma versão deluxe para vender mais caro. Em resumo: gostei e a magia pop deles funcionou bem comigo. Avaliação: 3,5/5

10- Made of bricks (Kate Nash, 2007)
Conheci a Kate Nash na época em que se falava da nova geração de cantoras britânicas, sempre colocando-a do lado da Lily Allen. Portanto, ouço o Made of bricks há bastante tempo. Mas nunca fui muito fã dele por completo. Já tive fases de ouvir muito "Foundations" e "Mouthwash", mas o álbum inteiro não me conquistou. Tem algumas músicas estranhas como "Dickhead" e "Shit song" e nem tudo é o pop fofo que eu esperava ouvir, mas ainda assim, ou talvez justamente por isso, vale a pena conhecer. Avaliação: 3,5/5

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O crime do padre Amaro, Eça de Queirós

 O pároco fechou a porta do quarto. A roupa da cama entreaberta, alva, tinha um bom cheiro de linho lavado. Por cima da cabeceira pendia a gravura antiga dum Cristo crucificado. Amaro abriu o seu Breviário, ajoelhou aos pés da cama, persignou-se; mas estava fatigado, vinham-lhe grandes bocejos; e então por cima, sobre o teto, através das orações rituais que maquinalmente ia lendo, começou a sentir o tique-tique das botinas de Amélia e o ruído das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se.
Essa foi uma leitura para a faculdade. Eu gostei mais do que esperava de A cidade e as serras, mas não teria vontade suficiente de ler mais do Eça sem algum incentivo. Porém existia uma Literatura Portuguesa III no meio do caminho, então... Lá fui eu ler O crime do padre Amaro.

A história é famosa: um padre tem um caso com uma jovem. Sendo um livro realista, ele foca mais na sociedade, na cidadezinha de Portugal e como funcionam as dinâmicas de poder lá, do que no amor romântico, que é inclusive ironizado. Os personagens são mais caricatos e não apresentam grande densidade psicológica. E, claro, são quase todos odiosos. 

Eu gosto do jeito irônico de escrever do Eça, que torna a leitura mais agradável e engraçada. Mas eu li o livro rapidamente, em cima da hora porque eu procrastinei e tinha prova, e isso deixou a leitura um pouco cansativa. Os dramas de cidadezinha pequena começam a ficar enrolados demais e perdi a paciência, acho que aproveitaria mais se o livro fosse mais curto (ou se eu lesse mais devagar...). De qualquer jeito, a história e as críticas, infelizmente, continuam bem atuais.

Enfim, a resenha vai ficar curta mesmo porque não tenho muito o que falar. Para quem gosta do estilo mordaz e descritivo do Eça, O crime do padre Amaro é uma boa pedida. Não posso comparar com o resto da obra dele porque só li dois livros, mas entendo o lugar de destaque que a história sobre o padreca ocupa — embora esse destaque se deva mais à fama da história do que ao livro em si (faz sentido?). Eu provavelmente deveria ler O primo Basílio também, porque como estudante de Letras eu teria que conhecer bem esse romance também, mas literatura realista portuguesa continua não sendo minha prioridade.

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Retrospectiva: janeiro

• Eu finjo que não ligo para passagem de ano, mas na verdade janeiro é sempre um dos melhores meses. São as férias, sem o cansaço residual que dezembro tem e o estresse das festas de final de ano. Mas o calor, é claro, é insuportável.

• No entanto, nem tudo dá certo, e já comecei o ano falhando em algumas propostas. Não consegui colocar o blog em ordem como eu esperava. Cheguei a conclusão de que quando a gente tem vontade, não tem tempo; quando tem tempo, não tem vontade e, se temos os dois, não temos disposição — de repente aparece uma dor de cabeça dos infernos. Enfim, o fato é que fui atrasando o que queria escrever porque não estava a fim de escrever. Consegui fazer o mínimo, felizmente, mas não tirei o atraso que 2015 deixou.

• Em janeiro houve também um boom de newsletters novas, o que deixou a minha caixa de entrada mais feliz e meu período no trabalho um pouco menos tedioso. Fiquei pensando em fazer uma, mas percebi que o conteúdo seria igual ao desse post e de qualquer jeito quase ninguém iria assinar. Depois, em um dia em que estava voltando do trabalho a pé e refletindo sobre viagens espaciais e a humanidade por causa de Perdido em Marte, pensei que poderia fazer uma newsletter com textos mais reflexivos e ~filosóficos~. Só que eu tenho uma grande dificuldade em escrever coisas pessoais desse nível, e muitos dos insights que tenho parecem bobagem meia hora depois, como meus pensamentos sobre o espaço, então eu perco a vontade logo. Enfim, talvez um dia quando vier um impulso irrefreável eu crie uma newsletter. Por enquanto estou só observando.

• De quando eu fiquei quase aliviada porque o David Bowie morreu: no dia da morte dele, minha mãe ia fazer uma cirurgia. Era algo pouco perigoso, mas a gente sempre fica receosa, especialmente porque minha mãe não é a pessoa mais saudável do mundo, é idosa, etc. Aí de manhã eu li meu horóscopo no jornal. Pausa: eu quase nunca leio o horóscopo, e em geral o da Folha diz coisas profissionais que nem tem como encaixar na minha vida. Mas o do dia dizia sobre ciclos que se encerrariam, e os textos dos signos de outras pessoas da minha família também falavam coisas que poderiam ser interpretadas como morte. Eu não acredito de verdade em astrologia, mas vai que funciona? Enfim, fiquei preocupada. Mas quando eu cheguei no trabalho e fui ler o Twitter as notícias, vi que o David Bowie tinha morrido. Fiquei chocada, porque a gente nunca espera que uma pessoa que lançou disco há tão pouco tempo morra, não sei, uma semana depois? Mas eu também fiquei um pouco aliviada: o horóscopo podia se referir a morte dele, não da minha mãe. E no final deu tudo certo com a cirurgia. Desculpa, Bowie, não é nada pessoal, juro.

• Dessa vez eu me lembrei de guardar links para indicar! O primeiro é sobre aqueles trenzinhos com gente fantasiada, tipo as pessoas desse que é o melhor clipe feito pela internet. Enfim, eu nem sabia que os trenzinhos eram um negócio grande e sério, na minha época era só algo infantil de cidade de interior mesmo. A reportagem é bem longa, mas é uma delícia de ler e as fotos são maravilhosas (e eu bem acho que poderiam fazer um filme de terror com essas fantasias e máscaras).


• O outro é um clima completamente diferente. É um tumblr sobre comédias românticas. Eu adoro ler esses projetos de quem resolve seguir uma lista, fazer um desafio e coisas afins. E é sobre comédias românticas, o que é maravilhoso. Eu não vi a maioria da lista pois sou poser do gênero, mas obviamente estou colocando na lista as com enredos mais mirabolantes e as clássicas que não assisti ainda.

Em janeiro:  
Eu vi… muita coisa! Finalmente assinei o Netflix no final do ano passado, e obviamente me aproveitei bem dele. Vi onze filmes no total, o que é um número alto para os meus padrões, comecei a ver Friends em ordem, porque sempre vi tudo picado na TV, e vi os primeiros dois episódios de Mad Men. Além disso, comecei a ver Honey & Clover II, e já me arrependi e estou frustrada, porque gostei tanto da primeira temporada do anime, mas a segunda foca nas relações românticas e é tanto dramalhão... E, é claro, comecei a ver a segunda temporada de Are you the one? Brasil

Eu (re)li… A irmandade das calças viajantes. Finalmente eu consegui terminar a releitura de uma série inteira. Em 2013 eu tentei reler Harry Potter e parei no terceiro. Em 2014 comecei a reler Desventuras em série e parei no terceiro. Mas as calças viajantes resistiram a maldição e consegui ler o quinto livro da série pela primeira vez também. Vou fazer um post com minhas impressões sobre cada livro em breve.


Eu ouvi… bastante coisa do meu iPod. Logo vou começar uma seção musical aqui no blog dando pitacos sobre os álbuns que eu escutei. Não sei se alguém vai se interessar, mas é uma maneira de eu pensar mais no que ouço.

Eu escrevi… outro texto para a Pólen, dessa vez uma resenha sobre as calças viajantes que fala mais sobre mim do que sobre os livros. Não fiquei muito feliz com esse texto, que gerou uma crise de por-que-eu-insisto-em-escrever e de como-é-difícil-escrever-sabendo-que-vai-ter-gente-que-vai-ler. Enfim, o de sempre. E isso ainda veio em um mês em que eu estava me sentindo bem com a escrita e pensando que talvez devesse divulgar mais algumas coisas que escrevo.

Eu comi… cookies e torta de liquidificador, minhas receitas do mês. Decidi que vou cozinhar pelo menos uma receita por mês (quando digo receita é porque tem que ser algo com receita a ser seguida, não coisas como arroz e carne moída que faço normalmente). Aos poucos vou aumentando meu repertório, mas por enquanto eu provavelmente não conseguiria viver sozinha... 

Eu fui… visitar a Casa das Rosas com uma amiga. É engraçado como eu sempre vivi em São Paulo e ainda tenho muitos pontos turísticos para conhecer. A casa e o jardim são bonitos, mas não diria que a visita é imperdível.

Eu (não) comprei… nenhum livro. Será que em 2016 eu consigo resistir aos impulsos consumistas?

Eu fiz… uma organização nas minhas coisas, mas tudo continua uma bagunça. 

No blog:

• Escrevi uma resenha de Cabeça de vento, um livro sobre troca de corpos!

• Também chegou a hora da retrospectiva de livros de 2015, que ficou gigante por motivos de reflexões sobre meu processo de leitura.

•  Depois postei a resenha de Garota exemplar, que mesmo que eu já soubesse parte do mistério não deixou de me impactar.

• Já quase no final do mês, publiquei a retrospectiva de dezembro.

•  A última resenha foi de Sayonara, gangsters, um livro estranhíssimo mas muito legal.

• Por fim, escrevi sobre os filmes que vi lá no meio do ano passado.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Por que Indiana, João?, Danilo Leonardi

Atrás de uma pilastra, sentado no chão. É onde você me encontraria, se quisesse passar o intervalo das aulas comigo, mas provavelmente não ia querer. Por quê? Sei lá. Assim é o mundo e está tudo bem por mim.
Admito: tenho um pouco de preconceito com novos autores brasileiros. A questão é que alguns deles são publicados porque são populares em outras mídias, e aí as pessoas gostam dos livros pelos autores, e eu fico em dúvida se devo confiar na opinião alheia ou não. Mas a curiosidade sempre me vence, e foi assim que me vi solicitando Por que Indiana, João? para troca no Skoob. Achei que era a oportunidade perfeita: eu não precisaria gastar dinheiro com o livro e mesmo que não gostasse poderia colocar o livro para troca de novo. E, no final, eu pretendo trocá-lo, mas não porque não gostei.

O livro conta a história de João, que sofre bullying na escola. Ele é tímido, nerd e mudou para a escola há pouco tempo, sendo alvo perfeito para os valentões. Até que um dia ele revida, e um vídeo gravado da briga viraliza na internet. Ele se torna popular, mas com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, e João tem que aprender a lidar com sua nova vida.

Basicamente, parece um enredo típico de histórias de bullying e superação, e eu estava gostando bastante da leitura. É um livro que me prendeu, fácil e rápido de ler, e dá para ler em um dia mesmo. Eu estava pensando até em dar quatro estrelas, que é uma nota alta para os meus padrões e que superaria minhas expectativas em relação ao livro. Até que... A história perdeu um pouco do rumo no final e os plot twists foram mais importantes para o autor do que a verossimilhança. No começo tudo bem, uma surpresa a gente até acha bom, mas aí ele simplesmente força a barra e terminei o livro muito frustrada. O drama que a história tenta trazer não é coerente com a leveza que o assunto, por mais sério que seja, era tratado até então. Enfim, não precisava, né?

Por que Indiana, João? reúne personagens simples, mas com algum carisma, em uma discussão sobre um assunto muito importante para os jovens. Achei especialmente interessante ver como a escola trata o bullying, sem saber bem o que fazer, e com professores até incentivando. Isso pareceu realista.O livro não é um tratado definitivo sobre o tema, e nem é isso que pretende ser. Ele funciona como história, embora às vezes seja um pouco raso. É uma boa estreia de Danilo Leonardi, e só vou trocar o livro porque não pretendo ficar com livros que não pretendo reler.

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 31 de janeiro de 2016

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #16

1- O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata, 2013)
Eu já falei que esse foi um dos meus filmes favoritos do ano passado, mas não custa repetir: que filme bonito! Valeu a pena ter esperado tanto tempo para assistir no cinema. Embora nos elogios que li das pessoas vi muito sobre as mensagens que o filme passa e coisas assim, não me importei muito com isso: o filme me encantou principalmente pela parte estética e pela trilha sonora — não que a história não seja interessante, embora eu não tenha gostado muito da parte final. Virou um dos meus favoritos do Ghibli. Avaliação: 4,5/5

 
2- O castelo de Cagliostro (Hayao Miyazaki, 1979)
É o primeiro longa-metragem dirigido pelo Miyazaki e conta a história de Lupin III, neto do famoso ladrão Arsène Lupin. O filme é bem divertido, o protagonista é carismático e os cenários são bem bonitos. Achei que a história se alongou um pouco — talvez seja por isso que eu não goste muito de filmes de ação? São muitas reviravoltas —, mas no geral é um bom entretenimento, e uma estreia interessante do diretor. Avaliação: 3,5/5

3- Quando estou com Marnie (Hiromasa Yonebayashi, 2014)
Outro filme do Ghibli, porque foi uma época de mostras de cinema interessantes. Não tinha grandes expectativas porque não conhecia a história, que é basicamente sobre o amadurecimento de Anna, personagem que inicia tímida e retraída e vai aprendendo a se abrir com Marnie. Gostei bastante da Anna e de como ela foi tratada no filme, sem romantizar sua falta de habilidades sociais. Mas a Marnie, em compensação, é bem idealizada, e a relação entre elas é um pouco exagerada, sem sutilezas. Eu já imaginava a revelação do enredo, o que também estragou parte da graça. A estética, no entanto, me agradou bastante, e os cenários não decepcionam. Avaliação: 3,5/5

4- Birdman ou (a inesperada virtude da ignorância) (Alejandro González Iñárritu, 2014)
Uma professora da faculdade sugeriu que a gente discutisse o filme em sala, então decidi ir atrás de Birdman, atrasada como sempre sou na discussão do Oscar. E eu gostei mais do que esperava. Não sei dizer nada em termos técnicos, mas a história é interessante, e o fato do filme ser em plano-sequência pelo menos dá um diferencial. Achei o filme menos arrogante do que esperava pelos comentários que li, porque a minha impressão é de que ele não se leva tão a sério e sabe o quanto está envolvido naquilo que critica. E os atores estão muito bem, gostei bastante da atuação do Michael Keaton e do Edward Norton. Mas ele tem o problema da maioria dos filmes do Oscar para mim: a qualidade é boa, mas não emociona. Avaliação: 4/5

5- A revolução dos bichos (Joy Batchelor e John Halas, 1954)
Eu só ouvi falar nesse filme por causa da lista dos 1001 filmes. Como é uma animação, eu só precisei ver um filme para usar em dois projetos! Assisti sem grandes expectativas, não achei grande coisa, mas valeu a pena por me fazer relembrar da história e me dar vontade de reler o livro, que li há uns seis anos. O final do filme é diferente do final do livro e achei a mudança interessante, mas não dá para comentar mais do que isso sem spoilers. Avaliação: 3,5/5

6- Princesa Arete (Sunao Katabuchi, 2001)
O MIS fez uma mostra de anime e consegui aproveitar e ver um filme. Princesa Arete é conhecido como um filme de princesa feminista e é só isso que eu sabia antes de vê-lo. O que encontrei? Um filme um pouco menos feminista do que esperava, mas mesmo assim bem interessante. A história tem vários elementos de contos de fada, como a princesa trancada solitária, uma bruxa e um mago, mas consegue trazer novidades com isso. Eu não entendi algumas coisas do enredo, não sei se foi porque não consegui ler as legendas direito — cinema do MIS: não recomendo para baixinhos —, por questões de tradução ou porque é confuso mesmo. Achei também o filme um pouco cansativo. Valeu a experiência, de qualquer jeito. Avaliação: 3,5/5

7- Gatos, fios dentais e amassos (Gurinder Chadha, 2008)
Confesso que tinha curiosidade em ver esse filme há algum tempo mas evitava só por causa desse título vergonhoso. Mas a vontade de ver uma comédia adolescente chegou, então finalmente matei a curiosidade. É um filme fofinho, não muito diferente de outras tantas comédias adolescentes, com o enredo da garota normal que quer dar o seu primeiro beijo, além de ter garotas malvadas, os novos alunos gatinhos, etc. É clichê, tem partes mal desenvolvidas, uma ótima definição de diversão supérflua, mas é tão fofo, e quando terminou eu me senti tão bem... E também se passa na Inglaterra, então tem sotaque britânico e a trilha sonora é cheia de bandas que eu costumava escutar na época, tipo Mumm-Ra e The Pigeon Detectives. Avaliação: 3,5/5

8- Que horas ela volta? (Anna Muylaert, 2015)
Eu até tinha escrito um textão sobre o filme, sobre como eu conheci o trabalho da Anna Muylaert e tal, mas honestamente estou tão cansada de ouvir sobre Que horas ela volta? que imagino que vocês também estejam. Basicamente, eu achei tudo isso que as pessoas falam, mas entendo algumas das críticas. O que gostei é como o filme consegue mostrar a realidade da sociedade brasileira, escancarando sua desigualdade, ao mesmo tempo que emociona e cativa. É um filme surpreendentemente envolvente, daqueles que você fica triste quando acaba. Avaliação: 4,5/5

9- Whiplash: em busca da perfeição (Damien Chazelle, 2014)
Continuando com a seção Oscar atrasado. Quando o filme estreou aqui e as críticas foram bem positivas, cheguei a considerar ver o filme no cinema. E fico feliz por não ter feito isso. A questão é que não gosto do som da bateria sozinha, desculpa aí. Então embora o filme seja bem-feito, os atores estejam ótimos, a história seja interessante e tudo mais, as cenas de solo me davam um pouco de agonia. Não é você, Whiplash, sou eu. Mas, como o filme não é feito só de solos, gostei bastante do resto. Preferia que a história do protagonista fosse melhor contada além do desenvolvimento musical, porque achei que algumas coisas ficaram meio soltas, mas não é aí que o filme quer chegar. Foi interessante ver a opinião das pessoas sobre a mensagem do filme — tem gente que acha que glorifica o protagonista, outros que a obsessão dele é criticada e outros ainda que o diretor é neutro. Para mim é uma crítica, porque a cena dele com a garota diz tudo o que eu preciso para julgar o protagonista como idiota. Mas tem muita gente que até concorda com a postura do professor, vide comentários no IMDB, então sei lá, né, cada um vê o que quer. Avaliação: 3,5/5

10- Catfish (Henry Joost e Ariel Schulman, 2010)
Gosto bastante do reality show homônimo. Não de assistir todos os episódios, mas de vê-los até o fim quando pego na TV, porque a estrutura de investigação prende bem o espectador e algumas histórias são mesmo interessantes — estamos conhecendo as pessoas por trás dos fakes, não é fascinante? Enfim, por causa do programa eu fiquei curiosa para conhecer a história do Nev, o apresentador. A forma do filme é bem parecida com a do programa, como se fosse um documentário caseiro, mas com algumas cenas que deixam claro que é editado. Isso fez muita gente se questionar se é mesmo uma história verdadeira, discutindo suas teorias e questões nos fóruns por aí. Eu acho que a questão aqui não é saber até que ponto é real; é lógico que as pessoas se comportam de outra forma quando estão sendo filmadas, e é óbvio que o filme é editado. O fato é que as situações de Catfish acontecem na vida real, e é interessante conhecer o outro lado da história, de quem engana. Se o filme é real ou ele mesmo é um catfish, tanto faz para mim, o importante são as questões que ele coloca. Avaliação: 3,5/5