terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Retrospectiva: desafios literários
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Filomena Firmeza, Patrick Modiano
E eu subia na balança com ele. Ficávamos lá, os dois, as mãos do papai nos meus ombros. Não nos mexíamos. Era como se fizéssemos pose diante da lente de um fotógrafo. Eu tirava meus óculos e papai também tirava os dele. Era tudo suave e nebuloso em torno da gente. O tempo parecia ter parado. Sentíamo-nos bem.
sábado, 19 de dezembro de 2015
Comentários sobre livros #4
Reli para a faculdade. Já escrevi uma resenha sobre ele aqui. É interessante revisitar a obra no contexto de estudo; acho que consegui captar muito mais dos contos agora. Ao mesmo tempo, dá para perceber que continuo a mesma: os contos de que mais gostei continuam iguais aos meus favoritos de antes, embora alguns que tinham me impactado na primeira leitura não chamaram tanta atenção na releitura. Enfim, continuo apreciando a Clarice contista. Avaliação: 4/5
É o terceiro livro só do Sempé que eu leio, e achei o pior deles. Na verdade, já imaginava que não iria gostar tanto, porque já tinha aberto o livro antes e começado a ler, mas é chato quando um dos nossos autores favoritos nos decepciona, não é? A história não traz muito de novo, as conversas são repetitivas e as ilustrações, já que o livro se passa no mesmo lugar, um restaurante, não variam muito. Mas o final é engraçadinho, e continuo adorando o Sempé, então não tem como dar uma avaliação baixa. Avaliação: 3,5/5
Após uma aula de japonês em que o professor falou um pouco sobre a influência de Portugal no Japão, incentivei minha irmã a alugar esse livro na biblioteca, porque fiquei com vontade de ler algo histórico japonês. Não sei exatamente se eu estava lendo outras coisas, se estava sem tempo ou algo do tipo, só sei que perdi a vontade no meio do caminho — também por minha irmã ter lido antes e não gostado muito. Li umas trinta páginas, que eram em sua maioria uma introdução falando sobre o período histórico no qual se passa o livro, e acabei desistindo por falta de ânimo. Não queria forçar a leitura e ter que ler cem páginas por dia, então abandonei a leitura mesmo. Não descarto a ideia de ler de novo, se a vontade voltar — até porque o Scorsese vai lançar uma adaptação em breve e o livro vai ser mais comentado. Avaliação (do pouco que li): 3/5
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Marcelo no mundo real, Francisco X. Stork
Apesar do termo tão vago e amplo, tenho a sensação de que sei o que significa e as dificuldades que isso envolve. Seguir as regras do mundo real significa, por exemplo, ficar de conversinha com outras pessoas. Significa não falar sobre meus interesses. Significa olhar as pessoas nos olhos e apertar a mão (…) Pode significar andar ou ir a lugares com os quais não tenho qualquer familiaridade, ruas de cidades cheias de barulho e confusão.
Marcelo é um jovem com uma forma leve de autismo. Ele ouve música dentro dele, tem um interesse grande por religião e não gosta de sair da sua rotina. No entanto, seu pai quer que ele conheça melhor o mundo real para que seu filho aprenda a lidar melhor com as dificuldades que a realidade apresenta. Marcelo não gosta da ideia proposta, mas aceita trabalhar durante o verão no escritório do pai, advogado. Lá ele aprende sobre competição, relações pessoais e injustiça, e tenta fazer a coisa certa, por mais que isso possa custar o bem-estar da sua família.
Me interessei por Marcelo no mundo real porque gosto de ler sobre personagens neuroatípicos. Acho importante conhecer outras realidades psicológicas, e uma boa forma de fazer isso é através da leitura. O Marcelo não é dos narradores mais difíceis de compreender: embora ele tenha suas diferenças, isso aparece mais fora da narração. Por exemplo, quando fala com outras pessoas, ele costuma referir a si mesmo em terceira pessoa, “o Marcelo acha isso”, mas quando ele está narrando, o texto é em primeira pessoa.
Além disso, a dificuldade de comunicação que o protagonista apresenta criou uma identificação fácil comigo. Também tenho problemas para falar com pessoas desconhecidas sem preparação, por exemplo. Isso e o fato dele trabalhar em um setor administrativo e ir aprendendo aos poucos, assim como fiz nesse ano, me fez desenvolver uma simpatia pelo personagem. Vê-lo crescer foi lembrar um pouco de como eu cresci também.
O problema do livro, para mim, foi quando ele parou de focar no desenvolvimento do personagem para ir para um pseudo-história de investigação. Claro, ela também ajudou o Marcelo a crescer, mas achei que ficou um pouco solta dentro do enredo. Além disso, o tom moral me incomodou um pouco. O mundo não é feito de heróis e vilões, e embora alguns personagens tenham os dois lados, senti que o maniqueísmo predominou.
Mas, no geral, foi uma leitura bem satisfatória. O livro prendeu a atenção e me deixou curiosa desde o início. Apesar dele não ser muito conhecido no Brasil, vale a pena tentar entender o mundo do Marcelo.
Avaliação final: 3,5/5
sábado, 5 de dezembro de 2015
Retrospectiva: outubro e novembro
• O fim de semestre, como sempre, acabou me aterrando em novembro e tive que juntar os dois meses na retrospectiva. Além disso, não fiz nada muito fora da rotina, então foi bom juntá-los. Um resumo desses dois meses e do que escrevi abaixo, para quem não quiser ler meus dramas: Psyduck sou eu. Eu sou Psyduck.
• Finalmente, depois de alguns meses usando o tablet da minha mãe (hehe), fiquei viciada de verdade em um jogo. O jogo, é claro, só poderia ser fofinho, pois não gasto meu tempo com jogos feios (por isso era viciada em Neopets. Tem coisa mais gracinha?), e é de Pokémon. Eu, que pouco entendia por que as pessoas ficavam viciadas em Candy Crush (mas, convenhamos, Candy Crush é feio, vai), passei por uma fase de amor verdadeiro por Pokémon Shuffle, que é no mesmo estilo. A diferença é que cada fase é uma batalha contra um Pokémon e você pode capturá-lo, e cada peça é um Pokémon. Ou seja, toda a diferença do mundo, né? Só que fiquei empacada várias vezes e agora ando meio enjoada do jogo. E, falando em fofuras, também comecei a colecionar os gatinhos do Neko Atsume. Uma gracinha, mas um pouco tedioso.
• Eu decidi renovar meu estágio, então o fim de semestre também foi um período de incertezas profissionais. Basicamente estou em um estágio na minha universidade, muito prático, mas não é exatamente o que eu quero profissionalmente. Só que é meio difícil de entrar na área que eu quero, e imagino que exigiria mais de mim. Ao mesmo tempo, percebi que consigo lidar com um estágio chato. Então as dúvidas são: trabalhar em algo chato mas que me dá mais tempo para mim ou tentar algo na minha área, mesmo que seja mais cansativo e que provavelmente eu demoraria para conseguir? Eu resolvi renovar, mas tem dias que me arrependo disso. O futuro é tão incerto, e pensar que um dia eu vou ter que trabalhar oito horas por dia me deixa um pouco agoniada, tipo: é isso que resta na minha vida? Fim do desabafo #classemédiasofre.
• A Jamie, do The Perpetual Page-Turner, sempre faz uns posts sobre como ela se relaciona com leitura e com a vida de leitora — aliás, vários blogs gringos fazem posts de discussão, sinto falta disso nos blogs literários brasileiros. What is my problem lately? fala sobre a dificuldade de encontrar novos favoritos e eu me identifiquei tanto com esse post. Eu vejo a Marília de oito anos atrás sempre relendo os favoritos e hoje eu não sei dizer exatamente quais seriam meus favoritos atuais. Sei das leituras que mais me impactaram, as que eu adorei, mas não sei se colocaria na lista de favoritos. Enfim, os dramas de ser crítica demais.
• Outro drama de ser crítica demais é escrever resenha quando eu não gostei do livro. Eu adoro falar mal de livros quando acho que consigo explicar os motivos, mas sempre fico pensando se não estou sendo cínica demais, o que as pessoas vão pensar de mim, especialmente quando a resenha vai ser divulgada. Vai ver é por isso que quase não divulgo meu blog. Como faz para ter coragem de se expor?
Em outubro e novembro:
• Eu vi… a terceira temporada de Are you the one? americana. Estou em dúvida se posto uma resenha dela ou não, porque a única pessoa interessada nisso sou eu, mas provavelmente vou postar. De qualquer jeito, achei a temporada mais fraca do reality por enquanto, provando que a fórmula talvez esteja prestes a se esgotar. Uma pena, mas estou esperando ansiosamente pela segunda temporada da versão brasileira, que é mais amigável e menos intriguenta.
• Eu li… muito mais do que resenhei, e agora não sei o que vou fazer com as resenhas atrasadas. Sinto que as resenhas que escrevo muito tempo depois de ter lido saem bem piores, mas ao mesmo tempo eu gosto da ideia de resenhar tudo que li. Vou ver se nessas férias eu consigo escrever a maioria, se não só faço pequenos comentários sobre os livros mesmo.
• Eu ouvi… um dia as músicas que a MTV colocou em uma playlist de clássicos. Quer dizer, eu liguei a TV e estavam passando os clipes em uma seção de clássicos. E tocou Keane, Los Hermanos, Queens of the Stone Age. Não estou querendo ser purista nem nada, mas fiquei bem espantada, por que como assim isso já é considerado clássico? Aí eu parei para pensar melhor… Como assim algumas dessas músicas já têm uns oito anos ou mais? Socorro, estou ficando velha.
• Eu escrevi… dois posts para a Revista Pólen. O primeiro, Quem conta um conto..., fala um pouco sobre releituras de fábulas e contos de fadas e o papel do narrador neles, e o segundo, Representatividade para quem?, é um textão™ discutindo como nem sempre diversidade significa representatividade, ou como os americanos sempre esquecem que existe a possibilidade de ler tradução e que a diversidade não precisa vir só deles, e tudo isso a partir da leitura de The Summer Prince, que ainda vai ganhar resenha aqui e já adianto que foi a pior leitura do ano, e nem só por causa dos estereótipos.
• Eu comi… muito doce. De novo. Estou pensando em um projeto de vida saudável 2016, mas não sei o que posso fazer para cumprir. Veremos.
• Eu fui… à festa de cem anos do meu avô! Parabéns para ele!
• Eu comprei… livros. De novo. Ops. Primeiro, no Sebo do Messias, porque não resisto a seus preços baixíssimos e seus livros gringos. Depois, comprei o segundo volume de Gen — pés descalços porque faz tempo que estava procurando. E ainda aproveitei a semana de Black Friday e comprei mais coisas, que só vão chegar em janeiro. O bom é que agora tenho menos coisa para comprar na Festa do Livro da USP. O ruim é que na verdade eu tecnicamente não precisava de nada disso.
• Eu fiz… muito trabalho acadêmico de última hora. Outra promessa furada para 2016: procrastinar menos.
No blog:
• Eu publiquei a resenha de Caixa de pássaros, a minha leitura de terror para o DL Skoob. É um livro envolvente, mas não me marcou muito.
• Depois postei a retrospectiva de setembro, bem curtinha.
• Escrevi também a resneha de Trash, um livro que inicialmente me atraiu pela capa, mas que só fui ler quando já era mais conhecido. Uma boa aventura juvenil.
• No final de outubro respondi uma tag, Palavras cruzadas. Gosto desse tipo de tag porque dá para relembrar leituras antigas, que não tem resenha no blog, mas acabei priorizando as novas…
• Era para eu ter feito a resenha de Cira e o Velho para o tema de mitologia do DL Skoob, mas acabei me atrasando e só postei no final de outubro.
• Fiz mais uma edição dos Últimos filmes que eu vi, dessa vez com dez filmes para tentar alcançar o ritmo. Talvez daqui a uns três meses eu consiga me ajeitar e deixar essa seção menos atrasada. Veremos.
• Por último, fiz uma resenha de Morte e vida de Charlie St. Cloud, um livro que peguei emprestado da minha tia e ficou na estante por anos. O DL Skoob serviu como incentivo para que eu lesse, dentro do tema de morte.
No momento, estou de recesso do estágio e praticamente de férias da faculdade. Vou viajar semana que vem, mas vou tentar deixar uns posts programados para tirar o atraso do blog aos poucos.
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Morte e vida de Charlie St. Cloud, Ben Sherwood
(…) a história começa com uma calamidade na ponta levadiça sobre o rio Saugus, mas a história não é só isso. Também há bastante devoção e o elo indestrutível entre irmãos. É também sobre encontrar a sua alma gêmea onde você menos espera. É sobre uma vida que foi tirada cedo demais e amores perdidos.
Eu aceitei Morte e vida de Charlie St. Cloud, que minha tia me emprestou, só porque parecia um livro do Nicholas Sparks, estilo Um homem de sorte, com adaptação para o cinema com o Zac Efron e tal. Eu não sabia sobre o que era a história. Quer dizer, eu sabia que envolvi a morte de um irmão e o outro irmão sendo capaz de ver o falecido, mas não parei para pensar em nenhum momento que isso significava que seria um livro espírita ou religioso, e que o problema dos livros estilo Nicholas Sparks é justamente que eles se levam a sério demais. Então, primeiro preciso dizer que não sou o público-alvo do livro. Não sou religiosa, não vou atrás de livros de superação e não acredito em almas gêmeas e ligações instantâneas.
A história do livro é sobre Charlie St. Cloud, que sai de carro com seu irmão para ver um jogo de beisebol sem nem ter carteira de motorista e se envolve em um acidente, que mata o seu irmão. Charlie quase morre, ou morre e ressuscita, e por isso ele se torna capaz de ver fantasmas. Ele encontra o seu irmão todas as noites no cemitério onde trabalha e, por causa da culpa que sente, não consegue parar de viver nesse passado — até que, é claro, ele conhece uma mulher, Tess. A partir daí, Tess e Charlie vão ter suas vidas transformadas em uma linda história edificante sobre o poder do amor e algo do tipo. Ou não.
O livro começa com uma introdução do bombeiro que salvou Charlie, contando sobre como às vezes milagres acontecem. Já nesse momento, fiquei meio desconfiada: eu não acredito em milagres. O que se segue, dentro da história, são várias frases religiosas ditas sem reflexão ou em contextos que não precisavam de frases religiosas. Não tenho nada contra discussão sobre religião em livros, o problema é quando fica explícito que todo mundo é cristão como se isso fosse natural, normal, o certo — de forma que o único personagem que não acredita em Deus é conhecido como Joe, o Ateu(!!!) e, sem querer dar spoiler mas já dando, no final passa a talvez até acreditar em Deus, lógico, porque obviamente não existem pessoas boas que não sejam fiéis.
Outra questão moral que me incomodou no livro é sobre a Tess. Ela é uma personagem independente e corajosa, que quer dar a volta ao mundo em seu barco sozinha. Ótimo. Só que… ela só está saindo em viagem porque não encontrou um homem para ela. Por que como ousa uma mulher querer ser sozinha e independente, não é mesmo? Não, ela é assim porque é frustrada e óbvio que isso vai mudar quando conhecer “o homem da sua vida”.
Fora isso, os personagens são pouco desenvolvidos, naquele bom-mocismo-sem-personalidade estilo Nick Sparks, a paixão instantânea é inverossímil e, se pararmos para analisar melhor, não precisava de quase trezentas páginas para essa história, com todos os seus furos. Mas é aí que reside o segredo do sucesso: as páginas fluem tão bem! Eu até terminei de ler antes do que planejava. Eu tinha setenta páginas para acabar e falei “vou ler até faltar cinquenta”, até que quando vi o número de páginas de novo só faltavam trinta… Aí eu terminei de ler, né.
Não sei o que esses escritores fazem para conseguirem me prender na leitura mesmo quando eu não ligo para a história que está sendo contada. É como um programa de TV que você sabe que é ruim e continua vendo sempre mesmo assim, satisfeita ao mesmo tempo em que revira os olhos em algumas cenas de ideologia explícita.
Avaliação final: 2,5/5
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
Os (não tão) últimos filmes que eu vi #15
1- Ligados pelo amor (Josh Boone, 2012)
Ouvi falar desse filme porque é do mesmo diretor de A culpa é das estrelas. A história é sobre uma família muito ligada à escrita e as suas aventuras e desventuras no amor. É uma comédia romântica dessas meio alternativas, cheias de referências literárias e com uma trilha sonora gostosinha de ouvir. É bem clichê, mas a primeira metade do filme me conquistou. Não sei direito explicar por que gosto de alguns filmes, mas Ligados pelo amor me trouxe sentimentos positivos. Só que na parte em que tudo dá errado — porque sempre tem essa parte — comecei a achar as coisas forçadas demais, a ver as estruturas por trás do enredo. Mesmo assim, meu sentimento geral em relação ao filme é boa, e recomendo para os fãs do estilo comédia-romântica-Hollywood-indie. Avaliação: 3,5/5
2- Ela (Spike Jonze, 2013)
Continuando com os filmes do Oscar do ano passado com um pouquinho de atraso (o suficiente para poder ver o filme na tela da minha televisão, em um horário proporcionado por um canal por assinatura). Minhas expectativas para Ela eram misturadas: muita gente amou o filme, mas eu não gostei de Onde vivem os monstros, do mesmo diretor. No final, acabou sendo isso mesmo: pontos positivos e negativos. A história é interessante e prende a atenção, mas achei a narrativa um pouco cansativa. Vi algumas pessoas falando sobre as discussões que o filme traz e sobre como ele é profundo, mas sinceramente sou meio fútil em relação a cinema. É raro eu ficar filosofando sobre um filme após vê-lo, prefiro pensar nas sensações que ele me passou enquanto assisti, e por esse critério Ela foi aprovado, mesmo sendo um pouco esquecível. Avaliação: 3,5/5
3- O menino e o mundo (Alê Abreu, 2013)
Finalmente assisti essa animação brasileira. Eu gosto bastante da estética do filme, da mistura de técnicas, com lápis, giz de cera, colagem, em um estilo mais infantil. A trilha sonora também é muito boa. Quanto à história, preciso dizer que não entendi algumas coisas, nem sei qual é exatamente a mensagem do filme — embora ele apresente várias críticas sociais, não pensei muito a respeito, por exemplo. Mas mesmo assim é gostoso de assistir e fica a recomendação. Avaliação: 4/5
4- Ida (Pawel Pawlikowski, 2013)
O filme passou no cinema do CCSP e decidi ir depois de ler vários elogios e ele ter ganhado o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fiquei com medo de ser muito cult ou difícil de entender, mas gostei bastante, talvez porque fazia muito tempo que eu não via um filme europeu. Gostei dos conflitos da protagonista — as pessoas falam que é um filme de 2ª Guerra, e é claro que ela tem um papel importante na história, mas o que achei mais interessante é o desenvolvimento da personagem e suas dúvidas em relação ao que ela quer fazer depois que conhece mais do mundo fora do convento. O filme é um pouco lento, mas sua curta duração não o torna tão cansativo. E a fotografia é muito boa também. Eu não entendo nada de questões cinematográficas, mas Ida me deixou impressionada tecnicamente, do tipo que acontece quando você vê um filme e se lembra que um filme não é feito só de atores, roteiro e trilha sonora. Avaliação: 4/5
5- Chamada a cobrar (Anna Muylaert, 2012)
Desde que ouvi falar de um filme sobre uma mulher que cai naquele trote de sequestro, fiquei curiosa para vê-lo, mas como é um filme brasileiro de orçamento pequeno, ele acabou sendo pouco divulgado e pouco comentado. Eu consegui assisti-lo no Canal Brasil, e, bom, entendo por que ele foi pouco comentado. Basicamente o enredo é sobre Clara, uma mãe paulistana de três filhas que atende o telefone e acredita no papo do sequestrador, que diz ter raptado a sua filha, e vai até o Rio de Janeiro(!!!) resgatá-la. Enquanto isso, na casa da mulher, a empregada que trabalha lá tenta contar para as filhas de Clara que a mãe saiu correndo sem explicações e que está preocupada. O bom de assistir esses filmes pequenos é que as expectativas são pequenas, porque se fossem grandes teria detestado o filme. Chamada a cobrar se apresenta como um drama, ou como um suspense, mas é tudo tão exagerado que é quase comédia. Clara é insuportável e eu quase achei que ela merecia acreditar no sequestro mesmo. Se Que horas ela volta?, da mesma diretora, passa sua mensagem bem claramente, não consegui entender a moral principal de Chamada a cobrar, o que há por trás do filme. No mais, valeu pelos cenários paulistanos conhecidos. Avaliação: 3/5
6- O grande roubo do trem (Edwin S. Porter, 1903)
É um dos curtas antigos que estão na lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer. É um filme mudo de cowboys e achei a história meio difícil de entender, não prendeu a minha atenção. No entanto, é curioso ver os primórdios do cinema e a cena final é bem interessante. Avaliação: 3/5
7- A canção do oceano (Tomm Moore, 2014)
Foi uma das animações indicadas ao Oscar do ano e é do mesmo autor de Uma viagem ao mundo das fábulas, que quero ver mas sempre deixo para depois. Inicialmente, A canção do oceano chamou a atenção pela estética, e a trilha sonora, do Bruno Coulais, também é bem bonita. A história é baseada em um mito irlandês/escocês e é mais infantil, mas também agrada aos mais velhos. Eu, por exemplo, sou mais velha e gostei muito. No entanto, não sou parâmetro, porque o nome do cachorro é Cu e eu fiquei segurando o riso em várias legendas em que o nome dele aparecia. Viva a maturidade. Avaliação: 4/5
8- A dama das camélias (George Cukor, 1936)
Às vezes a sorte está ao meu lado e em um mês quase sem tempo para filmes, meu professor passou em aula um filme da lista dos 1001. Nunca tinha ouvido falar dele, porque não presto muita atenção em adaptações de clássicos que não li. Não tinha expectativas altas, só estava feliz por ter aula de filminho no lugar de uma aula entediante sobre Romantismo brasileiro, mas gostei do filme. É uma história tradicional, com uma disputa entre o amor e o dinheiro e muito drama romântico, mas também tem humor, que dá o toque especial. Não é o melhor clássico do mundo, mas vale a pena para fãs de histórias do tipo. Avaliação: 3,5/5
9- Uma notícia inesperada (Gillian Robespierre, 2014)
Como já disse antes, gosto bastante do estilo comédia romântica indie. O diferencial desse filme é que ele trata sobre gravidez e bom, sem querer dar spoiler mas já dando, ele apresenta uma visão feminista do assunto. Quando comecei a assisti-lo, pensei que não seria tudo aquilo que as pessoas falaram, porque o humor não é exatamente o meu estilo. Com o tempo, no entanto, fui me apegando à história. Ainda acho superestimado, mas é um filme fofo, e ainda tem o diferencial de ter atores com mais cara de gente como a gente. Avaliação: 3,75/5
10- O sexto sentido (M. Night Shyamalan, 1999)
É difícil julgar um filme tão conhecido pelo seu final surpreendente quando já sabemos qual é o plot twist. Mesmo assim, gostei bastante de O sexto sentido. Eu o vi sozinha pelo computador, porque decidi que seria o filme do mês dos 1001 para ver antes de morrer (esse post tem filmes que vi de abril a julho, por isso falei várias vezes no projeto dos 1001), não sem antes me certificar que o gênero não era terror — o IMDB classifica como drama, suspense e thriller. E claro, vi em uma tarde ensolarada, porque nunca assistiria à noite. O tom que predomina de fato não é o de terror, mas uma mescla de suspense e drama, com alguns sustos e imagens tenebrosas aqui e acolá. A relação entre o psiquiatra e a criança assustada é muito interessante e faz O sexto sentido não ser apenas um filme de fantasmas qualquer. Sabendo do plot twist, algumas coisas parecem óbvias demais para não notar, mas é claro que se eu não soubesse dele eu me surpreenderia e ficaria frustrada percebendo que estava na cara o tempo todo. Avaliação: 4/5




