quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Os (não tão) últimos filmes que eu vi #15

1- Ligados pelo amor (Josh Boone, 2012)Ligados pelo amorOuvi falar desse filme porque é do mesmo diretor de A culpa é das estrelas. A história é sobre uma família muito ligada à escrita e as suas aventuras e desventuras no amor. É uma comédia romântica dessas meio alternativas, cheias de referências literárias e com uma trilha sonora gostosinha de ouvir. É bem clichê, mas a primeira metade do filme me conquistou. Não sei direito explicar por que gosto de alguns filmes, mas Ligados pelo amor me trouxe sentimentos positivos. Só que na parte em que tudo dá errado — porque sempre tem essa parte — comecei a achar as coisas forçadas demais, a ver as estruturas por trás do enredo. Mesmo assim, meu sentimento geral em relação ao filme é boa, e recomendo para os fãs do estilo comédia-romântica-Hollywood-indie. Avaliação: 3,5/5

2- Ela (Spike Jonze, 2013)ElaContinuando com os filmes do Oscar do ano passado com um pouquinho de atraso (o suficiente para poder ver o filme na tela da minha televisão, em um horário proporcionado por um canal por assinatura). Minhas expectativas para Ela eram misturadas: muita gente amou o filme, mas eu não gostei de Onde vivem os monstros, do mesmo diretor. No final, acabou sendo isso mesmo: pontos positivos e negativos. A história é interessante e prende a atenção, mas achei a narrativa um pouco cansativa. Vi algumas pessoas falando sobre as discussões que o filme traz e sobre como ele é profundo, mas sinceramente sou meio fútil em relação a cinema. É raro eu ficar filosofando sobre um filme após vê-lo, prefiro pensar nas sensações que ele me passou enquanto assisti, e por esse critério Ela foi aprovado, mesmo sendo um pouco esquecível.  Avaliação: 3,5/5

3- O menino e o mundo (Alê Abreu, 2013)O menino e o mundoFinalmente assisti essa animação brasileira. Eu gosto bastante da estética do filme, da mistura de técnicas, com lápis, giz de cera, colagem, em um estilo mais infantil. A trilha sonora também é muito boa. Quanto à história, preciso dizer que não entendi algumas coisas, nem sei qual é exatamente a mensagem do filme — embora ele apresente várias críticas sociais, não pensei muito a respeito, por exemplo. Mas mesmo assim é gostoso de assistir e fica a recomendação. Avaliação: 4/5

4- Ida (Pawel Pawlikowski, 2013)IdaO filme passou no cinema do CCSP e decidi ir depois de ler vários elogios e ele ter ganhado o Oscar de melhor filme estrangeiro. Fiquei com medo de ser muito cult ou difícil de entender, mas gostei bastante, talvez porque fazia muito tempo que eu não via um filme europeu. Gostei dos conflitos da protagonista — as pessoas falam que é um filme de 2ª Guerra, e é claro que ela tem um papel importante na história, mas o que achei mais interessante é o desenvolvimento da personagem e suas dúvidas em relação ao que ela quer fazer depois que conhece mais do mundo fora do convento. O filme é um pouco lento, mas sua curta duração não o torna tão cansativo. E a fotografia é muito boa também. Eu não entendo nada de questões cinematográficas, mas Ida me deixou impressionada tecnicamente, do tipo que acontece quando você vê um filme e se lembra que um filme não é feito só de atores, roteiro e trilha sonora. Avaliação: 4/5

5- Chamada a cobrar (Anna Muylaert, 2012)Chamada a cobrarDesde que ouvi falar de um filme sobre uma mulher que cai naquele trote de sequestro, fiquei curiosa para vê-lo, mas como é um filme brasileiro de orçamento pequeno, ele acabou sendo pouco divulgado e pouco comentado. Eu consegui assisti-lo no Canal Brasil, e, bom, entendo por que ele foi pouco comentado. Basicamente o enredo é sobre Clara, uma mãe paulistana de três filhas que atende o telefone e acredita no papo do sequestrador, que diz ter raptado a sua filha, e vai até o Rio de Janeiro(!!!) resgatá-la. Enquanto isso, na casa da mulher, a empregada que trabalha lá tenta contar para as filhas de Clara que a mãe saiu correndo sem explicações e que está preocupada. O bom de assistir esses filmes pequenos é que as expectativas são pequenas, porque se fossem grandes teria detestado o filme. Chamada a cobrar se apresenta como um drama, ou como um suspense, mas é tudo tão exagerado que é quase comédia. Clara é insuportável e eu quase achei que ela merecia acreditar no sequestro mesmo. Se Que horas ela volta?, da mesma diretora, passa sua mensagem bem claramente, não consegui entender a moral principal de Chamada a cobrar, o que há por trás do filme. No mais, valeu pelos cenários paulistanos conhecidos. Avaliação: 3/5 

6- O grande roubo do trem (Edwin S. Porter, 1903)O grande roubo do tremÉ um dos curtas antigos que estão na lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer. É um filme mudo de cowboys e achei a história meio difícil de entender, não prendeu a minha atenção. No entanto, é curioso ver os primórdios do cinema e a cena final é bem interessante. Avaliação: 3/5

7- A canção do oceano (Tomm Moore, 2014)A canção do oceano Foi uma das animações indicadas ao Oscar do ano e é do mesmo autor de Uma viagem ao mundo das fábulas, que quero ver mas sempre deixo para depois. Inicialmente, A canção do oceano chamou a atenção pela estética, e a trilha sonora, do Bruno Coulais, também é bem bonita. A história é baseada em um mito irlandês/escocês e é mais infantil, mas também agrada aos mais velhos. Eu, por exemplo, sou mais velha e gostei muito. No entanto, não sou parâmetro, porque o nome do cachorro é Cu e eu fiquei segurando o riso em várias legendas em que o nome dele aparecia. Viva a maturidade. Avaliação: 4/5

8- A dama das camélias (George Cukor, 1936)A dama das camélias Às vezes a sorte está ao meu lado e em um mês quase sem tempo para filmes, meu professor passou em aula um filme da lista dos 1001. Nunca tinha ouvido falar dele, porque não presto muita atenção em adaptações de clássicos que não li. Não tinha expectativas altas, só estava feliz por ter aula de filminho no lugar de uma aula entediante sobre Romantismo brasileiro, mas gostei do filme. É uma história tradicional, com uma disputa entre o amor e o dinheiro e muito drama romântico, mas também tem humor, que dá o toque especial. Não é o melhor clássico do mundo, mas vale a pena para fãs de histórias do tipo. Avaliação: 3,5/5

9- Uma notícia inesperada (Gillian Robespierre, 2014)A117_C002_0418MH Como já disse antes, gosto bastante do estilo comédia romântica indie. O diferencial desse filme é que ele trata sobre gravidez e bom, sem querer dar spoiler mas já dando, ele apresenta uma visão feminista do assunto. Quando comecei a assisti-lo, pensei que não seria tudo aquilo que as pessoas falaram, porque o humor não é exatamente o meu estilo. Com o tempo, no entanto, fui me apegando à história. Ainda acho superestimado, mas é um filme fofo, e ainda tem o diferencial de ter atores com mais cara de gente como a gente. Avaliação: 3,75/5

10- O sexto sentido (M. Night Shyamalan, 1999)O sexto sentido É difícil julgar um filme tão conhecido pelo seu final surpreendente quando já sabemos qual é o plot twist. Mesmo assim, gostei bastante de O sexto sentido. Eu o vi sozinha pelo computador, porque decidi que seria o filme do mês dos 1001 para ver antes de morrer (esse post tem filmes que vi de abril a julho, por isso falei várias vezes no projeto dos 1001), não sem antes me certificar que o gênero não era terror — o IMDB classifica como drama, suspense e thriller. E claro, vi em uma tarde ensolarada, porque nunca assistiria à noite. O tom que predomina de fato não é o de terror, mas uma mescla de suspense e drama, com alguns sustos e imagens tenebrosas aqui e acolá. A relação entre o psiquiatra e a criança assustada é muito interessante e faz O sexto sentido não ser apenas um filme de fantasmas qualquer. Sabendo do plot twist, algumas coisas parecem óbvias demais para não notar, mas é claro que se eu não soubesse dele eu me surpreenderia e ficaria frustrada percebendo que estava na cara o tempo todo. Avaliação: 4/5

sábado, 31 de outubro de 2015

Cira e o Velho, Walter Tierno

Cira e o Velho

— O homem branco, que acaba de chegar a estas terras, nunca ouviu falar das coisas que, para o homem sensato, são comuns. Só porque tem jeito mais poderoso de matar, o branco pensa que sabe de tudo. São todos uns tolos, ignorantes. Vosmicê, abaiba, deve ser o pior de to…

Seria interessante descrever o debate metafísico que os dois teriam travado a respeito da diferença entre civilizados e selvagens, conhecimento e sabedoria, técnica e tecnologia. Mas, na verdade, a explosão do caraíba era tudo que o sertanista esperava. O murro reprimido finalmente se libertou e explodiu no rosto do índio, que, por sua vez, lançou um feitiço.

Conheci Cira e o Velho pela minha irmã. Já tinha ouvido falar do trabalho do Walter Tierno através do Psychobooks, mas, sinceramente, eu não me interessava muito. Na teoria, gosto de conhecer autores brasileiros pouco conhecidos. Na prática, tenho um pouco de preguiça de livros novos de fantasia e de mitologia, porque a chance de dar errado é grande. No entanto, o livro do Walter Tierno foi uma surpresa positiva.

O livro é baseado nas lendas da Cobra Norato e da Maria Caninana. Esta pede para que o tal Velho do título mate todos os filhos de seu irmão, Norato. Mas Cira sobrevive e planeja a sua vingança contra o assassino. A história se passa no Brasil colonial, e inclui até a guerra dos Palmares nos acontecimentos, enquanto a narrativa é contada por alguém do presente, que reuniu o que descobriu sobre Cira.

Achei bem interessante essa mistura entre mitologia e história e fiquei feliz em ver como isso ficou natural na narrativa. Foi legal ler algo sobre índios e sobre esse período, porque a verdade é que eu só tinha visto coisas do tipo para a escola. Nesse sentido, me lembrou do filme Uma história de amor e fúria. Os dois são entretenimentos que ensinam sem precisar deixar informações educativas soltas nas narrativas, conseguindo contextualizar bem o pano de fundo histórico sem explicar tudo. Cira e o Velho inclusive seria uma leitura apropriada para a escola, embora não para crianças devido à violência sexual presente na história.

A leitura fluiu bem, embora eu tenha gostado bem mais do começo do que do final. Os personagens são um pouco unidimensionais, mas acho que isso faz sentido considerando o tom mítico da narrativa. Eu não conheço muito de folclore brasileiro e não sei quanto da história foi invenção e quanto foi inspiração na lenda; de qualquer jeito, acredito que o autor tenha feito um bom trabalho.

Avaliação fina: 3,5/5

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

TAG: Palavras cruzadas

Eu percebi que faço pouquíssimas tags de listar livros dentro de categorias(?). Dá preguiça, eu sempre fico em dúvida do que escolher e tal. Mas aí a Ana Luiza ressuscitou recentemente a tag Palavras cruzadas e fiquei com vontade de participar. Demorei vários dias pensando nas minhas escolhas e mais outros para escrever o texto. Ainda assim, saiu tudo repetitivo, como sempre (como falar sobre livros sem repetir as palavras livro e leitura, me ensinem). Os links vão para as respectivas resenhas ou para a página do Skoob, caso o livro em questão não tenha sido resenhado. Se for ler a resenha, tenha cuidado, porque tem umas velharias ou não tão velharias no meio que até fiquei com vergonha, mas sou blogueira íntegra e mostro meus fracassos.

Frango com Ameixas1) Vox Populi (um livro para recomendar a toda gente): Eu sou péssima para indicar  algo para todo o mundo. As pessoas têm gostos diferentes, sei que tem gente que não gosta de juvenis, de fantasia, etc, e gosto bastante de tentar recomendar algo específico que tenha a ver com o que eu sei da pessoa para quem estou indicando. Então, olhando a minha estante no Skoob, optei por indicar Frango com ameixas, da Marjane Satrapi. É uma graphic novel curta e conta uma história familiar tocante. Provavelmente nem todo mundo vai amar, mas é difícil ter algo contra uma narrativa tão curta e simples, não é? Ou seja, você pode não amar, mas provavelmente também não vai odiar.

Ciranda de pedra 2) Maldito plágio (o livro que gostaríamos de ter escrito): Eu nunca parei para pensar nessa pergunta e realmente acho difícil escolher um livro. É complicado se apropriar do livro de outra pessoa, né? Eu quero escrever um livro algum dia, ou pelo menos concluir uma história grande, sendo mais realista, mas algo que seja meu. Dito isso, se eu escrevesse metade do que a Lygia Fagundes Telles escreve em Ciranda de pedra, eu definitivamente ficaria mais satisfeita. Pena que não me esforço nem um pouco para isso, e pratico pouquíssimo. Quem sabe um dia…

Still Waters 3) Não vale a pena abater árvores por causa disso: Eu gosto de baixar livros ilegalmente e às vezes caio nessas roubadas de escolher uma leitura só pela sinopse. Numa dessas, eu encontrei Still waters, um YA supostamente de terror, mas o enredo não se sustenta, os personagens são fracos e a emoção predominante que você sente lendo é raiva, estilo como-o-personagem-pode-ser-tão-burro (melhor do que sentir tédio, não é mesmo?). Não é que seja totalmente desperdício de papel, até porque eu não gastei papel com ele, mas certamente é dispensável. Tem muito livro no mundo para se gastar tempo com esse.

O Médico e o Monstro 4) Não és tu, sou eu (um livro bom, lido na altura errada): É difícil escolher um, porque em geral quando não gosto do livro é porque não é meu estilo, e não por causa do momento. Por exemplo, acabei de ler Esaú e Jacó, do Machado de Assis, e não gostei muito. Eu sei que ele é bom, assim como sei que provavelmente se lesse pela primeira vez em outra situação, continuaria não gostando muito. Quer dizer, talvez daqui a trinta anos eu mude de estilo literário, mas por enquanto não consigo me imaginar assim. Enfim, fico com O médico e o monstro, pelo simples fato de ter visto uma adaptação no teatro antes de ler. Por isso, já conhecia bem o enredo e não vi nada de novo no livro.

O silêncio 5) Eu tentei… (um livro que tentamos ler, mas não conseguimos): Todos os livros que marquei como abandonados no Skoob estão lá por motivos bestas. A maioria eu comecei a ler no computador, parei, porque não tenho mais paciência para ler livro em PDF (viva o Kindle!) e acabei não voltando mais. A exceção é O silêncio, do Shusako Endo. É um romance inspirado na história de perseguição de cristãos no Japão, e minha irmã pegou na biblioteca justamente porque eu queria ler algo histórico japonês. Só que quando eu fui ler percebi que não estava na vibe. Até comecei, li umas 30 páginas, mas vi que não valia a pena me forçar a ler rápido para poder devolver para a biblioteca. Ou seja, pedi para minha irmã pegar um livro e no final só ela que leu… Não descarto a ideia de tentar outra vez. Como o Scorsese vai lançar uma adaptação do livro, quem sabe a vontade de ler volte. Só espero que ele continue na biblioteca até lá.

We were liars 6) Hã? (um livro que lemos e não percebemos nada OU um livro com final surpreendente): Eu sou bem besta como leitora e quase tudo me surpreende. Só que sou orgulhosa também, por isso em vez de ficar feliz pelo livro ter me surpreendido, eu procuro desculpas para não gostar dele, como se ele tivesse me ofendido ou coisa assim (sou muito trouxa). Enfim, o final de We were liars me pegou de surpresa e eu não gostei muito. Mas, honestamente, o que mais me incomodou no livro foi a narrativa, ou o fato de eu não dar a mínima para os personagens, então o plot twist pelo menos fez o livro se destacar e virar piada interna.

Por que Indiana, João 7) Foi tão bom, não foi? (um livro que devoramos): Vou citar o último que li em um dia, Por que Indiana, João?. Foram duzentas páginas lidas em uma noite. Eu costumo ser uma leitora bem lerda, por isso gosto quando consigo ler um livro em um dia, por mais fácil que a leitura seja. Não entrou na minha lista de favoritos, embora eu até tenha gostado mais do que esperava, mas às vezes um livro rápido e envolvente é tudo o que a gente precisa, especialmente depois de passar vários dias presa em um livro mais devagar. Além disso, é um jeito fácil de se sentir menos culpada com a pilha de livros não lidos: um a menos!

A morte do gourmet 8) Entre livros e tachos (uma personagem que gostaríamos que cozinhasse para nós): Não é nenhum personagem específico, mas bem que eu gostaria de experimentar algumas comidas descritas pelo crítico de A morte do gourmet. Em um capítulo eu estava com vontade de comer sashimi, em outro queria uma comida marroquina que nunca ouvi falar, depois desejei comer em um restaurante chique e elogiado pelos críticos… E provavelmente eu nem gostaria de metade das comidas descritas, porque sou bem fresca, mas as descrições me fizeram acreditar que tudo seria bom.

Razão e sentimento 9) Fast forward (um livro que poderia ter menos páginas que não se perdia nada): É um pouco suspeito eu dizer isso, já que não gostei do livro, mas Razão e sensibilidade (ou Razão e sentimento) passava muito bem com umas cem páginas a menos. Eu até gosto do estilo de escrita da Jane Austen, mas o livro tem pouco enredo para muitas páginas. É muito papo furado, fofoquinhas e jantares para pouco acontecimento. Como disse na minha resenha, pode ser que a autora retrate bem a sociedade da época, mas não vejo por que eu tenho que ser obrigada a gostar do livro por isso.

O Menino que se Trancou na Geladeira 10) Às cegas (um livro que escolheríamos só por causa do título): Minha família vendeu há uns anos os nossos discos de vinil. Recebemos uma parte em dinheiro e outra em crédito para gastar no sebo do comprador. Só que o sebo não era muito grande, e tinha poucas coisas que me interessavam, por isso tive que vasculhar todas as estantes em busca de algo que me chamasse a atenção. Foi assim que descobri O menino que se trancou na geladeira. Eu gosto bastante de títulos misteriosos e genéricos ao mesmo tempo, e precisava saber por que o menino se trancou na geladeira. Para ser sincera, eu nem sei se eu descobri o motivo do menino ter se trancado na geladeira. Tudo que eu lembro da leitura é que não entendi quase nada da metade para o final do livro e fiquei bem frustrada.

Angústia 11) O que vale é o interior (um livro bom com a capa feia): Eu não costumo ter problemas com capas. Em geral, as editoras que eu mais leio têm trabalhos gráficos bons e do meu estilo. De vez em quando leio algo com uma capa feia com foto de casal ou algo do tipo, mas difícil achar uma que se destaque no meio dessa mediocridade. Eu me lembro melhor de clássicos que têm capa feia. O trabalho da Martin Claret é exemplar nesse aspecto, mas como evito comprar livros da editora pela sua fama de plágio em traduções, também não conta. Fiquei então com Angústia, do Graciliano Ramos. O livro é da minha mãe e tem essa capa feia e que deixa claro que é uma edição velha. Tenho outros livros do Graciliano nessa mesma edição, mas esse se destaca com essa imagem misteriosa e simbólica.

Nu, de botas 12) Rir é o melhor remédio (um livro que nos tenha feito rir): Sou uma pessoa razoavelmente fácil de agradar com humor e não é raro eu sorrir várias vezes durante uma leitura. Ao mesmo tempo, acho difícil rir de verdade (insira aqui um comentário de como o riso é algo social, etc.) e não vou atrás especificamente de livros de humor. Não sei se ri alto lendo Nu, de botas, mas considero um livro bem divertido e me lembro de sorrir bastante durante a leitura. Aliás, eu também ficaria bem satisfeita se tivesse metade do talento do Antonio Prata para a escrita.

A última música 13) Tragam-me os Kleenex, faz favor (um livro que nos tenha feito chorar): Assim como na categoria anterior, não é raro que eu chore, mas é difícil que eu chore de verdade, fique abalada por muito tempo ou qualquer coisa do tipo. Provavelmente chorei com várias mortes em Harry Potter, mas como li várias vezes não consigo dizer qual foi a mais marcante. Escolho então o clichê A última música, do Nicholas Sparks. Existem certos acontecimentos com pessoas com quem se tem certa relação (tentando evitar os spoilers) que me deixam triste com facilidade. A empatia é instantânea e leva a uma corrente de pensamentos de “e se fosse comigo…”. Por isso, não tive como não chorar com A última música. É previsível, genérico e os protagonistas são chatos, mas a fórmula funciona para mim. Desculpa, sociedade.

14) Esse livro tem um V de volta (um livro que não emprestaríamos a ninguém):  Eu não tenho muitos problemas para empresar livros comuns — até porque poucas pessoas me pedem. Hipoteticamente, não gostaria de emprestar livros velhos, porque cada pessoa que lê estraga mais o livro. Por exemplo, já emprestei, ou melhor, minha irmã emprestou, o primeiro Harry Potter para várias pessoas na época em que o livro estava começando a fazer sucesso. Hoje ele está bem gasto e tenho planos de lê-lo mais vezes, então não gostaria que ficasse mais estragadinho. Outro caso é com livros caros, porque se a pessoa não devolvesse a perda financeira seria maior.

Atonement 15) Espera aí que eu já te atendo (um livro ou autor que estamos constantemente a adiar): O que dizer do Ian McEwan que eu mal conheço mas já considero pacas? Eu já li um livro dele, Black dogs, e gostei mas não amei. Só que a minha irmã é fã dele, então minha estante tem outros cinco livros do autor há anos. E eu nunca li nenhum. Nem Atonement, que todo mundo ama e recomenda. É um daqueles casos que a expectativa é tão alta que não sei nem o que fazer. Além disso, é comprido, é em inglês e é histórico, por isso rola uma preguicinha básica. Mas eu prometo que vou ler algum dia. Talvez ano que vem, quem sabe. Ou não.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Trash, Andy Mulligan

Trash

Meu nome é Raphael Fernández e sou um garoto do lixão.
(...)
(...) passar a vida remexendo o lixo, respirando aquele fedor, dormindo ao lado dele — bom... Talvez um dia você encontre "alguma coisa legal". Ah, sim.
Um dia eu encontrei.

Conheci Trash olhando a estante de infantojuvenis da biblioteca. Estava na seção de novidades, e fiquei curiosa para saber sobre o que era. Mas, com essa vida de preciso-ler-livros-que-todo-mundo-comenta, acabei deixando-o de lado por um tempo, até que saiu o filme, com o Selton Mello e o Wagner Moura e pude entender um pouco mais da história pelo que a crítica comentou do longa. Ainda demorei bastante para ler o livro após isso, porque ele não era uma das prioridades na interminável fila da biblioteca. Mas o dia chegou e pude acabar com minha curiosidade.

Eu tinha a impressão de que o livro focaria na vida cotidiana dos meninos do lixão, e era isso que tinha me dado a vontade de ler, mas na verdade é uma história de investigação, e o lixão é o pano de fundo e de onde a aventura começa. Mesmo assim, como minhas expectativas não eram altas, acabei gostando mais do livro do que esperava: foi uma leitura divertida e que prendeu a atenção.

Trash traz um tom forte de crítica social, tratando de desigualdades sociais e de corrupção —  não é à toa que fizeram o filme se passar no Brasil. Achei as críticas pertinentes, mas às vezes falta profundidade e elas beiram a ingenuidade: quase um maniqueísmo pobre-bom/rico-ruim.

O trabalho gráfico, como é esperado de um livro da Cosac Naify, é interessante, com uma fonte diferente para cada narrador (vou fingir que não reparei isso só na metade do livro), mas a grande quantidade de narradores, embora importante para a história, não é muito distinta entre si. No geral, é um livro mais de acontecimentos que de personagens.

Enfim, Trash é uma aventura juvenil interessante que se passa em um ambiente menos convencional. Tem alguns aspectos que me incomodaram na obra, mas recomendo a leitura para quem se interessar. Ainda não vi o filme, pretendo assistir algum dia para ver de que modo o Brasil é retratado na história.

Avaliação final: 3,5/5

sábado, 17 de outubro de 2015

Retrospectiva: setembro

• Setembro passou rápido, muito rápido. Tão rápido que não anotei nada para comentar na retrospectiva, então o post vai ser pequeno. O fato é que foi um mês bem típico, com poucas coisas além da rotina cansativa estágio-faculdade. Quero férias, por favor.

• Li essa conversa da Sofia sobre Harry Potter e a Câmara Secreta e achei muito legal. Harry Potter é um assunto inesgotável e embora eu particularmente não pense muito fora do que é canon, é interessante ver observações de outras pessoas sobre esse universo. Além disso, adoro o formato do post, fácil de ler e de prestar atenção — se fosse em formato de podcast, sei que eu nunca ouviria… Agora eu fiquei com vontade de reler Harry Potter, óbvio (comecei a reler há uns dois anos e parei no terceiro. Preciso voltar) e de participar de um clube do livro que renda conversas como essas. Quem sabe ano que vem eu invista nisso. Quem sabe…

Em setembro:

Eu vi… o primeiro episódio de Shirokuma Cafe, um anime sobre um urso polar que tem um café e seus clientes, especialmente o panda e o pinguim. É completamente nonsense e adorável, e era tudo o que eu precisava assistir naquele momento. Não sei como a série vai conseguir se sustentar em cinquenta episódios sem se tornar repetitiva, mas pretendo assistir aos poucos.

Shirokuma Cafe(finjo que não tenho tempo para o blog, mas na verdade…)

Eu li… Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente. É o segundo livro da lista da Rolling Stone de melhores YAs que eu leio nesse ano, sendo que eu tinha a meta de ler seis. Claramente não vou cumpri-la, né?

Eu ouvi… lançamentos! Tomei vergonha na cara e tentei ficar por dentro das novidades do momento. Ouvi o 1989 do Ryan Adams, o novo do Beirut e o primeiro álbum da Halsey, que está sendo muito comentada. Não tenho grandes considerações para fazer porque o que acho de música varia muito com o meu humor.

Eu escrevi… vários rascunhos de resenhas no papel, mas postei menos no blog do que gostaria. Ou seja, estou cheia de resenhas atrasadas, porque tenho preguiça de pegar as minhas anotações e transformá-las na resenha propriamente dita. Mas isso vai acontecer. Algum dia no futuro, mas vai acontecer.

Eu comi… bolo. Foi meu aniversário, então teve bolo para comemorar.

Eu fui… ao cinema, três vezes. A primeira para assistir Princesa Arete, em uma mostra de anime no MIS, a segunda para ver Que horas ela volta?, que está sendo muito comentado (eu particularmente adorei, mas entendo algumas das críticas — as da esquerda, não as das patroas indignadas), e por último vi Thelma & Louise em uma mostra de garotas armadas no Cinusp (queria ter visto mais filmes dessa mostra, também passou O silêncio dos inocentes e o último Mad Max, mas não gosto de sair vários dias em seguida).

Eu comprei… chocolate. Porque não comprei mais nada de importante e sempre compro chocolate.

Eu fiz… um trabalho muito chato de Filologia. Filologia foi eleita por mim como a matéria mais chata da faculdade até agora, e ainda por cima estou fazendo com um professor chato e machistinha do nível que faz piadas sobre mulher não saber dirigir.

No blog:

A primeira resenha do mês foi de Suíte em quatro movimentos, primeiro livro da Ali Smith que leio e já terminei com vontade de ler mais dela.

• Em seguida postei a retrospectiva de agosto, ilustrada por grandes sabedorias de MasterChef.

• Postei também uma resenha curtinha e sem graça de Um gato indiscreto e outros contos, livro que li no começo do ano, demorei mais uns três meses para escrever a resenha e mais um tanto para publicá-la.

• Continuo atrasadíssima com a seção de últimos filmes que eu vi, dessa vez escrevi sobre alguns filmes que assisti em fevereiro e março… 

• A resenha para o Desafio Literário Skoob foi de Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente.

• Por último, fiz comentários sobre MasterChef Brasil, porque não devo excluir os reality shows da lista se quero escrever sobre tudo que leio e vejo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Caixa de pássaros, Josh Malerman

Caixa de pássaros

O quarto está escuro. A única janela está tapada com tantos cobertores que, mesmo em seu auge, a luz do sol não consegue entrar. Há dois colchões, um em cada canto do quarto. Acima deles há domos negros. Muito tempo atrás, a grade de arame que sustenta o tecido era usada para cercar o pequeno jardim próximo ao poço, no quintal da casa. Mas, nos últimos quatro anos, ela serviu como armadura, protegendo as crianças não do que poderia vê-las, mas do que elas poderiam ver.

Caixa de pássaros é um lançamento da Intrínseca do começo do ano. Eu vi várias resenhas positivas e o ar de suspense da história me deu vontade de ler. Descobri que o livro tinha chegado na biblioteca pouco antes de outubro, então aproveitei a leitura para o Desafio Literário Skoob, tema terror. Não sei se eu diria que é um livro de terror de verdade, para mim está mais para um thriller pós-apocalíptico/distópico, mas as outras opções que tenho também não são livros muito assustadores, então fico com esse mesmo.

O livro se passa em uma sociedade pós-apocalíptica, em que as pessoas que veem certas coisas misteriosas ficam loucas e se matam. Ninguém sabe o que exatamente causa a loucura. Ninguém sabe como parar com isso. A solução, portanto, é tentar não enxergar o que quer que seja que deixe as pessoas loucas. Os sobreviventes se trancam em suas casas e só saem delas vendados, tendo que lidar com os problemas de uma sociedade em extinção.

O foco da história é Malorie e a narração se divide em duas partes: presente, no qual somos colocados direto na (pouca) ação, e passado, que é a explicação dos acontecimentos que levaram ao presente. Como quase toda história dividida, tem uma parte bem mais interessante que a outra. No caso, gostei mais da parte do passado, que tem mais personagens e acontecimentos mais dramáticos. O fato é que não consegui empatizar muito com a protagonista e com seus dramas, então não me importava com o que aconteceria com ela.

Aliás, esse é um problema comum em livros de suspense. Eu não consigo me apegar aos personagens, a escrita nem sempre é incrível nem nada do tipo, parece que só estou lá pela ação e tudo bem, isso é mais que o suficiente enquanto leio, mas depois quanto mais penso sobre o assunto, mais o livro parece descartável. Li, me diverti, esqueci. Às vezes é o que a gente precisa, por isso a minha avaliação boa, mas acredito que existam livros melhores nesse quesito também.

Em resumo, eu diria que Caixa de pássaros é uma mistura de Ensaio sobre a cegueira com A estrada, escrita no estilo do Stephen King (podem colocar isso na capa do livro, pena que não é uma definição muito comercial). O desespero em relação à cegueira está na história, embora de forma mais branda que no livro de Saramago; a jornada do pai da narrativa de Cormac McCarthy é semelhante à de Malorie, escrita de forma menos tediosa bonita, e Josh Malerman consegue criar tensão assim como King, apesar de ter um estilo próprio menos desenvolvido. Como disse antes, o livro cumpriu seu propósito de entreter, mas também não se sobressaiu dentre os outros do gênero.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Considerações sobre a segunda temporada de MasterChef Brasil

(ou: tudo que eu poderia ter dito no Twitter mas não disse)

Eu sou uma pessoa muito influenciável. Desde que retornei a acompanhar obsessivamente minha timeline do Twitter, passei a não gostar de ficar por fora de memes, do ~assunto do momento~ e coisas assim. O fato é que eu gosto bastante de reality shows, e adoro Top Chef, mas não gostei dos poucos episódios das versões gringas de MasterChef que vi por aí. Eu tinha uma birra semelhante à que tenho do Cake Boss aff como odeio esse cara, possivelmente porque todo mundo ama MasterChef mas ninguém liga para Top Chef. Mas aí estreou a segunda temporada de MasterChef Brasil e já que todo mundo parecia estar se divertindo tanto, por que não conferir também? Eu passei por várias fases durante a temporada: no início, achei sensacional. Era tudo muito engraçado, como os cozinheiros não sabiam cozinhar? Depois fui começando a me cansar um pouco das fórmulas, da looooooonga duração do programa e da Ana Paula Padrão. Terminei satisfeita. Ainda não sei se vou assistir a versão com as crianças. O meu eu racional diz que não, mas o meu eu emocional sabe que vou começar a ver por curiosidade e acabar viciada. Enfim, ninguém quer saber e estou bem atrasada na pauta, risos, mas vou fazer minhas considerações sobre o programa aqui:

• Eu continuo não gostando da forma do programa. Eu gosto muito das provas de Top Chef, que costumam ser mais variadas e mais criativas. As provas de MasterChef focam muito na técnica. Qual é a graça em ver vinte pessoas fazendo o mesmo prato? Ao mesmo tempo, isso se justifica com o fato de serem cozinheiros amadores. A graça em ver vinte pessoas fazendo o mesmo prato é que cada uma vai cometer um erro diferente (ou todas vão deixar o frango cru). Conforme o nível dos participantes aumenta, no entanto, essas provas vão se tornando cada vez mais cansativas de assistir. Esse formato de ter duas provas por programa também é bem cansativo, mas também não sei se seria melhor se separassem em dois dias, porque daí ficaria muita encheção de linguiça. Ou seja, o ideal seria que editassem melhor para ficar mais curto. Desculpa, eu não estou interessada em saber todas as dificuldades da Sabrina, ainda mais narradas no presente. O que me leva ao próximo ponto:

• Por que é narrado no presente? A gente sabe que os participantes estão gravando o depoimento depois, então por que raios usar o presente? Eu nunca tinha reparado nisso em outros reality shows, então não sei nem se de fato a maioria usa o passado, mas é muito forçado. Repensem, por favor.

 Paola  (quando falta pouco para terminar o programa e começam a vir intervalos enormes)

• Como MasterChef é de amadores, as provas acabam sendo pouco meritocráticas. Os chefs ajudam quem pede, às vezes dão tempo extra e por aí vai. Eu acho isso um pouco injusto, mas entendo que sirva para ensinar os cozinheiros. Azar de quem tem vergonha na cara e não pergunta para os jurados. Além disso, essa história do líder da equipe perdedora ter a oportunidade de se salvar ou de salvar outra pessoa também é bem coisa de trouxa. Por que o líder dos perdedores merece se salvar? Mas é tipo lições da vida real, se você só se importar com si mesmo você vai para frente. MasterChef ensina a lidar com o mundo contemporâneo, olha só.

• A Ana Paula Padrão é dispensável, mas não a odeio tanto quanto a maioria das pessoas. Só cheguei a ficar bem irritada em uns três episódios, e só mais para a metade final da temporada. Dada a qualidade dos jurados apresentando, como quando o Fogaça explica as provas naquele tom monótono, até entendo o papel dela no programa.

• Sobre os jurados, minha opinião também varia durante os episódios. Acho que eles são desnecessariamente escrotos na maior parte do tempo, mas também tem momentos ótimos. Não gosto dessa coisa de superioridade, tipo quando o Jacquin falou para Jiang que ela não podia falar que não gostava de queijo porque isso era falar mal do prato do Fogaça(???). Isso não é falar mal do prato do cara, gente. É questão de paladar, não misturem privado e público, por favor, obrigada (na verdade, é simples: não falem mal da Jiang, por favor). A mesma coisa quando falam que o Jacquin não gosta de pimenta. E daí? Um bom jurado deveria ser capaz de julgar a comida sem levar para o gosto pessoal. Enfim: Jacquin — tem momentos escrotos mas é bem engraçado às vezes; Fogaça — tem momentos escrotos, não sabe fingir e é isso que o torna engraçado às vezes (mas para mim poderia trocá-lo por outra pessoa) e Paola — a chef mais legal dos três. Ainda acho que distribui patadas mesmo quando não precisa, mas é a que mais se importa com os participantes e a mais profissional, e tem os melhores flertes as melhores expressões experimentando a comida, como aqui:

Marcos

• É legal ver que a maior parte dos participante parece ser gente boa e o programa não é uma disputa de egos. Claro, tem alguns vilões, mas acho que o programa conseguiu dosar bem a qualidade — embora essa seja bem pior do que eu imaginava, mesmo para uma competição amadora — e o carisma dos participantes. Agora, uma análise  muito aprofundada e séria sobre cada um, como se eu tivesse experimentado a comida deles e os conhecesse de verdade, para fingir que eu sou uma blogueira dedicada:

Patrizia: a primeira a sair. Simpatizo com ela porque ela quis fazer sobremesa na prova da repescagem e eu torço para quem gosta de sobremesa.
Cássia: muito engraçada e carismática, pena que não parecia cozinhar muito bem. Mas é muito nova, com certeza vai melhorar com o tempo.
Larissa: saiu muito cedo para eu lembrar quem é.
Rodrigo: só sei que saiu na prova do chocolate, o que é heresia.
Hamilton: era engraçado como ele defendia o prato a qualquer custo, por pior que estivesse. O seu doce parece mais ou menos o que sai quando eu cozinho:

Hamilton (mas Hamilton defendeu dizendo que estava gostoso. Eu entendo, Hamilton, minhas gororobas também são gostosas!)

Gustavo: cara de bom garoto, razoável na cozinha.
Murilo: achei de mau gosto a piada com o coelho que ele fez para entrar, mas durante o programa fui pegando o gosto por ele. Acho-o um cara sincero, que sabe o seu lugar sem ser completamente arrogante. Fiquei bem brava com o Jacquin quando ele começou a brigar com o Murilo na primeira prova em grupo e achei a postura do Murilo bem razoável. Além disso ele parece ser o mais próximo da Jiang, e é muito importante levar isso em consideração, né? Podia ter durado mais no programa, mas o que seria de um reality show sem algumas injustiças para a gente ficar bravo?
Iranete: uma das cozinheiras caseiras da competição. Também gostei da postura dela durante a competição e durante a intriga com o Cristiano. Fiquei um pouco incomodada com as piadas que fizeram com ela sobre a mousse de chocolate, porque acho um pouco elitistas. E também  não gostei de como a imagem dela está muito ligada à de doméstica. A Ana Paula Padrão fala da patroa dela como se fosse da família e às vezes eles usam um tom condescendente com ela (#problematizando MasterChef).
Carla: parecia ser uma boa cozinheira, e sua postura na competição foi bem profissional. Podia ter ficado mais tempo também.
Marcos: durou mais do que devia, por sorte e por saber jogar bem o seu flerte.
Aritana: todo mundo ama odiar a Aritana, mas só fiquei verdadeiramente irritada com ela na primeira prova em equipe, em que ela repetia a cada cinco minutos "Não quero perder". Miga, alguém quer? Não a achei uma cozinheira tão ruim, mas poderia ter sido menos mostrada durante as edições.
Sabrina: é tão sortuda que não sei nem dizer. Não era para você ter durado até aqui! Por algum motivo, também foi mostrada demais durante as edições e acabou me irritando. Nada contra a sua pessoa, eu juro, só contra a edição do programa.
Lucas: era um desses que tinha potencial de chef, com as suas invencionices. Como pessoa no programa achei-o bem chatinho, ele e o Fernando juntos é o paraíso dos esquentadinhos (tá mais para inferno, né). Ele se perdeu um pouco no meio do caminho, mas pelo menos soube fazer humor disso:

Fernando: o odiado número um. Brigão, arrogante e sei lá mais o quê. Mas cozinhava bem, e mereceu a sua quarta posição.
Cristiano: o odiado número dois. Causou intrigas desnecessárias e é muito vingativo. Diz que é um jogo mas depois se irrita com quem joga contra ele. Mas não dá para não sentir nada quando ele começa a chorar; dá para ver o quanto o MasterChef significa para ele.
Jiang: RAINHA. DIVA. MARAVILHOSA. Acho que eu nunca torci por alguém em reality show como torci para a Jiang. Gostei dela desde o primeiro episódio porque sou dessas que torce para os asiáticos que fazem comida asiática, por motivos culturais e familiares. Fiquei incomodada no começo por todo mundo tratá-la como “chinesa”, como se ela não tivesse nome, e por zoarem do sotaque (pastel de flango, que engraçado, kkkkkkk, só que não. É racista), mas Jiang é uma pessoa tão incrível que conseguiu usar isso a seu favor. Sinto que os jurados não gostam tanto dela, talvez por não saberem julgar comida chinesa com propriedade ou por ela não fazer drama à toa. Mas o que importa é que o coração dos telespectadores a Jiang ganhou de lavagem.
Raul: não fedia nem cheirava no começo. Passei a me irritar no final porque o cara ri demais. Mas não acho a postura informal totalmente errada, eu quero é que quebrem as formalidades e as hierarquias mesmo.
Izabel: no começo eu gostava bastante dela. A Izabel tinha jeito de chef e eu já imaginava que ela iria continuar no programa por bastante tempo. Mas, no meio do caminho, cansei da insegurança dela, que foi me parecendo cada vez mais falsa modéstia. Mereceu ganhar o título? Possivelmente. Mas o título dos nossos corações sempre será da Jiang.

Um resumo: Top Chef melhor que MasterChef. Jiang melhor que qualquer um. O programa poderia ser mais curto. E o mais importante: Viva Embalixo!