sábado, 17 de outubro de 2015

Retrospectiva: setembro

• Setembro passou rápido, muito rápido. Tão rápido que não anotei nada para comentar na retrospectiva, então o post vai ser pequeno. O fato é que foi um mês bem típico, com poucas coisas além da rotina cansativa estágio-faculdade. Quero férias, por favor.

• Li essa conversa da Sofia sobre Harry Potter e a Câmara Secreta e achei muito legal. Harry Potter é um assunto inesgotável e embora eu particularmente não pense muito fora do que é canon, é interessante ver observações de outras pessoas sobre esse universo. Além disso, adoro o formato do post, fácil de ler e de prestar atenção — se fosse em formato de podcast, sei que eu nunca ouviria… Agora eu fiquei com vontade de reler Harry Potter, óbvio (comecei a reler há uns dois anos e parei no terceiro. Preciso voltar) e de participar de um clube do livro que renda conversas como essas. Quem sabe ano que vem eu invista nisso. Quem sabe…

Em setembro:

Eu vi… o primeiro episódio de Shirokuma Cafe, um anime sobre um urso polar que tem um café e seus clientes, especialmente o panda e o pinguim. É completamente nonsense e adorável, e era tudo o que eu precisava assistir naquele momento. Não sei como a série vai conseguir se sustentar em cinquenta episódios sem se tornar repetitiva, mas pretendo assistir aos poucos.

Shirokuma Cafe(finjo que não tenho tempo para o blog, mas na verdade…)

Eu li… Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente. É o segundo livro da lista da Rolling Stone de melhores YAs que eu leio nesse ano, sendo que eu tinha a meta de ler seis. Claramente não vou cumpri-la, né?

Eu ouvi… lançamentos! Tomei vergonha na cara e tentei ficar por dentro das novidades do momento. Ouvi o 1989 do Ryan Adams, o novo do Beirut e o primeiro álbum da Halsey, que está sendo muito comentada. Não tenho grandes considerações para fazer porque o que acho de música varia muito com o meu humor.

Eu escrevi… vários rascunhos de resenhas no papel, mas postei menos no blog do que gostaria. Ou seja, estou cheia de resenhas atrasadas, porque tenho preguiça de pegar as minhas anotações e transformá-las na resenha propriamente dita. Mas isso vai acontecer. Algum dia no futuro, mas vai acontecer.

Eu comi… bolo. Foi meu aniversário, então teve bolo para comemorar.

Eu fui… ao cinema, três vezes. A primeira para assistir Princesa Arete, em uma mostra de anime no MIS, a segunda para ver Que horas ela volta?, que está sendo muito comentado (eu particularmente adorei, mas entendo algumas das críticas — as da esquerda, não as das patroas indignadas), e por último vi Thelma & Louise em uma mostra de garotas armadas no Cinusp (queria ter visto mais filmes dessa mostra, também passou O silêncio dos inocentes e o último Mad Max, mas não gosto de sair vários dias em seguida).

Eu comprei… chocolate. Porque não comprei mais nada de importante e sempre compro chocolate.

Eu fiz… um trabalho muito chato de Filologia. Filologia foi eleita por mim como a matéria mais chata da faculdade até agora, e ainda por cima estou fazendo com um professor chato e machistinha do nível que faz piadas sobre mulher não saber dirigir.

No blog:

A primeira resenha do mês foi de Suíte em quatro movimentos, primeiro livro da Ali Smith que leio e já terminei com vontade de ler mais dela.

• Em seguida postei a retrospectiva de agosto, ilustrada por grandes sabedorias de MasterChef.

• Postei também uma resenha curtinha e sem graça de Um gato indiscreto e outros contos, livro que li no começo do ano, demorei mais uns três meses para escrever a resenha e mais um tanto para publicá-la.

• Continuo atrasadíssima com a seção de últimos filmes que eu vi, dessa vez escrevi sobre alguns filmes que assisti em fevereiro e março… 

• A resenha para o Desafio Literário Skoob foi de Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente.

• Por último, fiz comentários sobre MasterChef Brasil, porque não devo excluir os reality shows da lista se quero escrever sobre tudo que leio e vejo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Caixa de pássaros, Josh Malerman

Caixa de pássaros

O quarto está escuro. A única janela está tapada com tantos cobertores que, mesmo em seu auge, a luz do sol não consegue entrar. Há dois colchões, um em cada canto do quarto. Acima deles há domos negros. Muito tempo atrás, a grade de arame que sustenta o tecido era usada para cercar o pequeno jardim próximo ao poço, no quintal da casa. Mas, nos últimos quatro anos, ela serviu como armadura, protegendo as crianças não do que poderia vê-las, mas do que elas poderiam ver.

Caixa de pássaros é um lançamento da Intrínseca do começo do ano. Eu vi várias resenhas positivas e o ar de suspense da história me deu vontade de ler. Descobri que o livro tinha chegado na biblioteca pouco antes de outubro, então aproveitei a leitura para o Desafio Literário Skoob, tema terror. Não sei se eu diria que é um livro de terror de verdade, para mim está mais para um thriller pós-apocalíptico/distópico, mas as outras opções que tenho também não são livros muito assustadores, então fico com esse mesmo.

O livro se passa em uma sociedade pós-apocalíptica, em que as pessoas que veem certas coisas misteriosas ficam loucas e se matam. Ninguém sabe o que exatamente causa a loucura. Ninguém sabe como parar com isso. A solução, portanto, é tentar não enxergar o que quer que seja que deixe as pessoas loucas. Os sobreviventes se trancam em suas casas e só saem delas vendados, tendo que lidar com os problemas de uma sociedade em extinção.

O foco da história é Malorie e a narração se divide em duas partes: presente, no qual somos colocados direto na (pouca) ação, e passado, que é a explicação dos acontecimentos que levaram ao presente. Como quase toda história dividida, tem uma parte bem mais interessante que a outra. No caso, gostei mais da parte do passado, que tem mais personagens e acontecimentos mais dramáticos. O fato é que não consegui empatizar muito com a protagonista e com seus dramas, então não me importava com o que aconteceria com ela.

Aliás, esse é um problema comum em livros de suspense. Eu não consigo me apegar aos personagens, a escrita nem sempre é incrível nem nada do tipo, parece que só estou lá pela ação e tudo bem, isso é mais que o suficiente enquanto leio, mas depois quanto mais penso sobre o assunto, mais o livro parece descartável. Li, me diverti, esqueci. Às vezes é o que a gente precisa, por isso a minha avaliação boa, mas acredito que existam livros melhores nesse quesito também.

Em resumo, eu diria que Caixa de pássaros é uma mistura de Ensaio sobre a cegueira com A estrada, escrita no estilo do Stephen King (podem colocar isso na capa do livro, pena que não é uma definição muito comercial). O desespero em relação à cegueira está na história, embora de forma mais branda que no livro de Saramago; a jornada do pai da narrativa de Cormac McCarthy é semelhante à de Malorie, escrita de forma menos tediosa bonita, e Josh Malerman consegue criar tensão assim como King, apesar de ter um estilo próprio menos desenvolvido. Como disse antes, o livro cumpriu seu propósito de entreter, mas também não se sobressaiu dentre os outros do gênero.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Considerações sobre a segunda temporada de MasterChef Brasil

(ou: tudo que eu poderia ter dito no Twitter mas não disse)

Eu sou uma pessoa muito influenciável. Desde que retornei a acompanhar obsessivamente minha timeline do Twitter, passei a não gostar de ficar por fora de memes, do ~assunto do momento~ e coisas assim. O fato é que eu gosto bastante de reality shows, e adoro Top Chef, mas não gostei dos poucos episódios das versões gringas de MasterChef que vi por aí. Eu tinha uma birra semelhante à que tenho do Cake Boss aff como odeio esse cara, possivelmente porque todo mundo ama MasterChef mas ninguém liga para Top Chef. Mas aí estreou a segunda temporada de MasterChef Brasil e já que todo mundo parecia estar se divertindo tanto, por que não conferir também? Eu passei por várias fases durante a temporada: no início, achei sensacional. Era tudo muito engraçado, como os cozinheiros não sabiam cozinhar? Depois fui começando a me cansar um pouco das fórmulas, da looooooonga duração do programa e da Ana Paula Padrão. Terminei satisfeita. Ainda não sei se vou assistir a versão com as crianças. O meu eu racional diz que não, mas o meu eu emocional sabe que vou começar a ver por curiosidade e acabar viciada. Enfim, ninguém quer saber e estou bem atrasada na pauta, risos, mas vou fazer minhas considerações sobre o programa aqui:

• Eu continuo não gostando da forma do programa. Eu gosto muito das provas de Top Chef, que costumam ser mais variadas e mais criativas. As provas de MasterChef focam muito na técnica. Qual é a graça em ver vinte pessoas fazendo o mesmo prato? Ao mesmo tempo, isso se justifica com o fato de serem cozinheiros amadores. A graça em ver vinte pessoas fazendo o mesmo prato é que cada uma vai cometer um erro diferente (ou todas vão deixar o frango cru). Conforme o nível dos participantes aumenta, no entanto, essas provas vão se tornando cada vez mais cansativas de assistir. Esse formato de ter duas provas por programa também é bem cansativo, mas também não sei se seria melhor se separassem em dois dias, porque daí ficaria muita encheção de linguiça. Ou seja, o ideal seria que editassem melhor para ficar mais curto. Desculpa, eu não estou interessada em saber todas as dificuldades da Sabrina, ainda mais narradas no presente. O que me leva ao próximo ponto:

• Por que é narrado no presente? A gente sabe que os participantes estão gravando o depoimento depois, então por que raios usar o presente? Eu nunca tinha reparado nisso em outros reality shows, então não sei nem se de fato a maioria usa o passado, mas é muito forçado. Repensem, por favor.

 Paola  (quando falta pouco para terminar o programa e começam a vir intervalos enormes)

• Como MasterChef é de amadores, as provas acabam sendo pouco meritocráticas. Os chefs ajudam quem pede, às vezes dão tempo extra e por aí vai. Eu acho isso um pouco injusto, mas entendo que sirva para ensinar os cozinheiros. Azar de quem tem vergonha na cara e não pergunta para os jurados. Além disso, essa história do líder da equipe perdedora ter a oportunidade de se salvar ou de salvar outra pessoa também é bem coisa de trouxa. Por que o líder dos perdedores merece se salvar? Mas é tipo lições da vida real, se você só se importar com si mesmo você vai para frente. MasterChef ensina a lidar com o mundo contemporâneo, olha só.

• A Ana Paula Padrão é dispensável, mas não a odeio tanto quanto a maioria das pessoas. Só cheguei a ficar bem irritada em uns três episódios, e só mais para a metade final da temporada. Dada a qualidade dos jurados apresentando, como quando o Fogaça explica as provas naquele tom monótono, até entendo o papel dela no programa.

• Sobre os jurados, minha opinião também varia durante os episódios. Acho que eles são desnecessariamente escrotos na maior parte do tempo, mas também tem momentos ótimos. Não gosto dessa coisa de superioridade, tipo quando o Jacquin falou para Jiang que ela não podia falar que não gostava de queijo porque isso era falar mal do prato do Fogaça(???). Isso não é falar mal do prato do cara, gente. É questão de paladar, não misturem privado e público, por favor, obrigada (na verdade, é simples: não falem mal da Jiang, por favor). A mesma coisa quando falam que o Jacquin não gosta de pimenta. E daí? Um bom jurado deveria ser capaz de julgar a comida sem levar para o gosto pessoal. Enfim: Jacquin — tem momentos escrotos mas é bem engraçado às vezes; Fogaça — tem momentos escrotos, não sabe fingir e é isso que o torna engraçado às vezes (mas para mim poderia trocá-lo por outra pessoa) e Paola — a chef mais legal dos três. Ainda acho que distribui patadas mesmo quando não precisa, mas é a que mais se importa com os participantes e a mais profissional, e tem os melhores flertes as melhores expressões experimentando a comida, como aqui:

Marcos

• É legal ver que a maior parte dos participante parece ser gente boa e o programa não é uma disputa de egos. Claro, tem alguns vilões, mas acho que o programa conseguiu dosar bem a qualidade — embora essa seja bem pior do que eu imaginava, mesmo para uma competição amadora — e o carisma dos participantes. Agora, uma análise  muito aprofundada e séria sobre cada um, como se eu tivesse experimentado a comida deles e os conhecesse de verdade, para fingir que eu sou uma blogueira dedicada:

Patrizia: a primeira a sair. Simpatizo com ela porque ela quis fazer sobremesa na prova da repescagem e eu torço para quem gosta de sobremesa.
Cássia: muito engraçada e carismática, pena que não parecia cozinhar muito bem. Mas é muito nova, com certeza vai melhorar com o tempo.
Larissa: saiu muito cedo para eu lembrar quem é.
Rodrigo: só sei que saiu na prova do chocolate, o que é heresia.
Hamilton: era engraçado como ele defendia o prato a qualquer custo, por pior que estivesse. O seu doce parece mais ou menos o que sai quando eu cozinho:

Hamilton (mas Hamilton defendeu dizendo que estava gostoso. Eu entendo, Hamilton, minhas gororobas também são gostosas!)

Gustavo: cara de bom garoto, razoável na cozinha.
Murilo: achei de mau gosto a piada com o coelho que ele fez para entrar, mas durante o programa fui pegando o gosto por ele. Acho-o um cara sincero, que sabe o seu lugar sem ser completamente arrogante. Fiquei bem brava com o Jacquin quando ele começou a brigar com o Murilo na primeira prova em grupo e achei a postura do Murilo bem razoável. Além disso ele parece ser o mais próximo da Jiang, e é muito importante levar isso em consideração, né? Podia ter durado mais no programa, mas o que seria de um reality show sem algumas injustiças para a gente ficar bravo?
Iranete: uma das cozinheiras caseiras da competição. Também gostei da postura dela durante a competição e durante a intriga com o Cristiano. Fiquei um pouco incomodada com as piadas que fizeram com ela sobre a mousse de chocolate, porque acho um pouco elitistas. E também  não gostei de como a imagem dela está muito ligada à de doméstica. A Ana Paula Padrão fala da patroa dela como se fosse da família e às vezes eles usam um tom condescendente com ela (#problematizando MasterChef).
Carla: parecia ser uma boa cozinheira, e sua postura na competição foi bem profissional. Podia ter ficado mais tempo também.
Marcos: durou mais do que devia, por sorte e por saber jogar bem o seu flerte.
Aritana: todo mundo ama odiar a Aritana, mas só fiquei verdadeiramente irritada com ela na primeira prova em equipe, em que ela repetia a cada cinco minutos "Não quero perder". Miga, alguém quer? Não a achei uma cozinheira tão ruim, mas poderia ter sido menos mostrada durante as edições.
Sabrina: é tão sortuda que não sei nem dizer. Não era para você ter durado até aqui! Por algum motivo, também foi mostrada demais durante as edições e acabou me irritando. Nada contra a sua pessoa, eu juro, só contra a edição do programa.
Lucas: era um desses que tinha potencial de chef, com as suas invencionices. Como pessoa no programa achei-o bem chatinho, ele e o Fernando juntos é o paraíso dos esquentadinhos (tá mais para inferno, né). Ele se perdeu um pouco no meio do caminho, mas pelo menos soube fazer humor disso:

Fernando: o odiado número um. Brigão, arrogante e sei lá mais o quê. Mas cozinhava bem, e mereceu a sua quarta posição.
Cristiano: o odiado número dois. Causou intrigas desnecessárias e é muito vingativo. Diz que é um jogo mas depois se irrita com quem joga contra ele. Mas não dá para não sentir nada quando ele começa a chorar; dá para ver o quanto o MasterChef significa para ele.
Jiang: RAINHA. DIVA. MARAVILHOSA. Acho que eu nunca torci por alguém em reality show como torci para a Jiang. Gostei dela desde o primeiro episódio porque sou dessas que torce para os asiáticos que fazem comida asiática, por motivos culturais e familiares. Fiquei incomodada no começo por todo mundo tratá-la como “chinesa”, como se ela não tivesse nome, e por zoarem do sotaque (pastel de flango, que engraçado, kkkkkkk, só que não. É racista), mas Jiang é uma pessoa tão incrível que conseguiu usar isso a seu favor. Sinto que os jurados não gostam tanto dela, talvez por não saberem julgar comida chinesa com propriedade ou por ela não fazer drama à toa. Mas o que importa é que o coração dos telespectadores a Jiang ganhou de lavagem.
Raul: não fedia nem cheirava no começo. Passei a me irritar no final porque o cara ri demais. Mas não acho a postura informal totalmente errada, eu quero é que quebrem as formalidades e as hierarquias mesmo.
Izabel: no começo eu gostava bastante dela. A Izabel tinha jeito de chef e eu já imaginava que ela iria continuar no programa por bastante tempo. Mas, no meio do caminho, cansei da insegurança dela, que foi me parecendo cada vez mais falsa modéstia. Mereceu ganhar o título? Possivelmente. Mas o título dos nossos corações sempre será da Jiang.

Um resumo: Top Chef melhor que MasterChef. Jiang melhor que qualquer um. O programa poderia ser mais curto. E o mais importante: Viva Embalixo!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente, Sherman Alexie

Diário absolutamente verdadeiro

Ser pobre é um saco, e é um saco saber que, de alguma forma, você merece ser pobre. O cara começa acreditando que é pobre porque é burro e feio. Depois começa a acreditar que é burro e feio porque é índio. E como o cara é índio, ela começa a acreditar que está destinado a ser pobre. É um círculo feio e o cara não pode fazer nada para sair dele.

A pobreza não dá forças a ninguém, nem dá lições de perseverança. Não, a pobreza só ensina o sujeito a ser pobre.

Conheci Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente pela Folhateen (saudades!), antigo caderno adolescente da Folha de São Paulo. De lá até eu de fato comprar o livro, foram necessários alguns anos e uma promoção na Americanas, com o preço de 4,90. Disso até eu lê-lo, foi preciso de mais alguns anos e do tema de livros banidos do Desafio Literário Skoob. Tem alguns livros que a gente compra e se arrepende logo depois, ou perde um pouco a vontade de ler. Não foi o caso de Diário absolutamente verdadeiro… Eu só demorei para ler porque às vezes acontece isso, eu demoro para ler mesmo. E, felizmente, não me decepcionei com a leitura.

Ao contrário do que o nome indica, não é um diário absolutamente verdadeiro. É ficção, mas baseada na vida do autor Sherman Alexie. O protagonista, Junior, compartilha várias das características do escritor, mas não podemos saber até que ponto aquilo aconteceu de verdade ou não. Basicamente, o diário conta o cotidiano de Junior em uma reserva indígena Spokane, suas relações com a família e os amigos e sua mudança para outra escola, fora da reserva, de alunos brancos. Junior é o primeiro índio da sua reserva a ir para fora desse jeito e isso trará vários conflitos durante a narração.

A narrativa de Junior, em primeira pessoa, é muito honesta, e ele fala sobre tudo sem pudor. Por isso, o livro não esconde temas como pobreza, violência, racismo, distúrbios alimentares, alcoolismo, sexo — e masturbação. Como resultado, algumas bibliotecas americanas acharam melhor banir o livro, por que é lógico que se os adolescentes não lerem sobre esses assuntos, eles vão ser protegidos e nunca terão que lidar com isso de outra forma, não é? Só que não.

Eu gostei bastante do Junior, porque ele é bem humano. Fiquei irritada com a forma que ele fala de mulheres, mas a sua sinceridade me conquistou e não tive como não torcer por ele. Algumas pessoas reclamaram da falta de verossimilhança da história, especialmente no final, mas não posso julgar isso, porque não sabemos se esses acontecimentos foram reais ou não e é bem verdade que a vida é muito mais inverossímil que a literatura. Dito isso, tenho que concordar que alguns aspectos ficaram um pouco soltos na narrativa, sem muito desenvolvimento.

A leitura é bem rápida e alterna momentos divertidos e tristes. Junior gosta de desenhar, então o livro é recheado de ilustrações e quadrinhos. Acho importante ressaltar a representatividade da história: é o cotidiano de um índio nos dias de hoje, escrito por um índio. Inclusive fiquei curiosa para ler os livros adultos do autor, que também exploram o assunto.

Avaliação final: 4/5

domingo, 20 de setembro de 2015

Os últimos filmes que eu vi #14

1- Minha linda garota, Mari (Sung-gang Lee, 2002)

Minha linda garota Mari

A animação foi outra desses achados da HBO que assisti só por ser diferente. É um filme sul-coreano e a história mistura o cotidiano de dois jovens amigos com momentos fantasiosos. Infelizmente, achei as duas partes do enredo pouco exploradas e gostaria mais do filme se ele focasse só no realismo. Como costumo dizer sobre animações mais autorais, a estética de Minha linda garota, Mari é o que dá o diferencial, porque, apesar de eu não achar o filme especialmente bonito, tem a curiosidade de os personagens não terem contorno. Avaliação: 2,5/5

2- Nebraska (Alexander Payne, 2013)

Nebraska

Estou assistindo os filmes do Oscar do ano passado agora na TV porque tenho preguiça de ir ao cinema. Nebraska é uma história de road trip, de um filho e seu pai idoso que acha que ganhou um prêmio de um milhão de dólares. Sinceramente? Esperava gostar mais do filme. Não que eu não tenha gostado, mas achei um pouco cansativo. Talvez eu não estivesse no humor certo no dia. De qualquer jeito, gostei bastante do final, e entendo o apelo do filme, os atores são bons, o roteiro também… Avaliação: 3,5/5

3- Bling Ring: a gangue de Hollywood (Sofia Coppola, 2013)

Bling Ring

O que dizer dessa diretora de quem eu já vi quase todos os filmes e não gosto muito de nenhum? Quando ouço falar dos filmes da Sofia Coppola, fico interessada. Quando assisto, no entanto, eles não conseguem me conquistar. Não é que eu ache um tédio completo, que eu durma assistindo ou coisa assim, é só que não saio apaixonada. A ideia de Bling Ring ou mesmo os próprios acontecimentos que inspiraram o filme me dizem tanto quanto o filme em si. Ou seja, ter assistido o filme não acrescentou muita coisa. Mas, como não é propriamente chato, não vou avaliar tão mal. Avaliação: 3/5

4- Até que a Sbórnia nos separe (Otto Guerra e Ennio Torresan, 2013)

Até que a Sbórnia nos separe

É uma animação brasileira baseada no espetáculo Tangos & Tragédias, ao qual nunca assisti e pouco ouvi falar — me parece ser bem famoso no Rio Grande do Sul. A história do filme é bem maluca, mas é coerente. Tem alguns elementos bizarros e um estilo cômico que me lembra de filmes como As bicicletas de Belleville. Não gostei do fato do filme objetificar mulheres e tratar isso com humor, mas se eu fosse reclamar de machismo em todos os filmes, não sobraria quase nenhum para assistir. Avaliação: 3,5/5

5- A felicidade não se compra (Frank Capra, 1946)

A felicidade não se compra 
A felicidade não se compra foi o escolhido como clássico do mês (de março). Já tinha ouvido falar bastante nele como filme para assistir no Natal, é bem citado em livros, séries ou mesmo outros filmes. A história é de um homem que está em um momento ruim na vida em que parece que tudo vai dar errado. Porém, aparece um anjo para realizar um milagre natalino. Gostei bastante da estrutura do filme, com os anjos apresentando e comentando a história do protagonista até chegar no presente, e também gostei da forma que o milagre foi realizado, um tipo de trope que adoro — embora pudesse ter sido mais mirabolante. O lado negativo é que achei difícil de me identificar com a história. George, o protagonista, é muito bonzinho e não parece real. Então no final do filme fiquei em dúvida entre achar inspirador e saber que se fosse um filme sobre mim, por exemplo, seria bem diferente. Avaliação: 3,5/5

sábado, 12 de setembro de 2015

Um gato indiscreto e outros contos, Saki

Um gato indiscreto

Os médicos concordam em me receitar descanso absoluto, total ausência de exaltações mentais e evitar tudo que seja parecido com exercícios físicos violentos”, anunciou Framton, que era vítima da falsa impressão bastante comum de que perfeitos estranhos e recém-conhecidos anseiam por saber os mais ínfimos detalhes de nossas doenças e enfermidades, suas causas e sua cura.

Conheci Saki por um professor da faculdade, que discutiu dois contos do autor em sala. Já disse algumas vezes aqui o quanto eu sou fã de contos, mas também já repeti que a leitura de antologias é mais difícil para mim que a de romances. Portanto, não é nenhuma surpresa que eu tenha começado o livro no ano passado e terminado neste. E nem que eu esteja postando a resenha muito tempo depois de ter terminado o livro. Resenhar livros de contos também não é uma tarefa fácil para mim.

Os contos de Um gato indiscreto e outros contos têm como uma das características principais a mistura de humor e de toques macabros. A sociedade britânica da época, entre o século 19 e o 20, é ironizada com clareza e de forma decidida, mas confesso que não entendi alguns dos contos que focam mais na parte histórica.

Embora algumas histórias sejam previsíveis, os contos do Saki funcionam bem dentro da teoria do conto e, como diria Cortázar, ganham por nocaute. Os contos são bem escritos, o autor usa o mínimo possível de frases para dizer o máximo que ele consegue e já começam a conquistar o leitor a partir das primeiras linhas — claro que isso é subjetivo, especialmente considerando que dizem isso do Poe também e acho os contos dele um saco.

O estilo do Saki me lembra dos contos do Roald Dahl, porque os dois usam ironia e humor negro. Para fãs de contos desse tipo, recomendo a leitura.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Retrospectiva: agosto

• Agosto foi a volta às aulas. Estou conseguindo me manter bem trabalhando e estudando ao mesmo tempo, até porque meu estágio é só de quatro horas e na universidade, perto de casa, mas meu desânimo com a faculdade em si não acabou. É curioso, porque quando converso com quem é de fora, tento defender a Letras, porque na teoria gosto muito do curso, mas quando falo com as pessoas de lá, eu sou desânimo total. Não é nem problema de decepção, de professores ruins ou de aulas chatas — claro que isso tem de monte também. É só que enjoei da rotina, cansei de ler os textos teóricos, mesmo de assuntos do meu interesse. Só tem uma aula nesse semestre que me deixa animada. Mas, naquele pessimismo-otimismo, estou melhor que muita gente, por que deve ter quem não se anima com nenhuma, né?

Jiang

• Agosto foi mês de BEDA e um monte de gente decidiu participar. O resultado foi ótimo para os leitores de blog viciados como eu. Descobri alguns blogs legais no caminho, embora continue com a resistência a alguns blogs pessoais e profissionais (ou wannabe profissionais) ao mesmo tempo, e me apeguei mais a outros que já lia há algum tempo. Eu poderia ter indicado um post de cada blog para colocar aqui, mas acabei não fazendo isso, e de qualquer jeito ia parecer meio stalker citando blogs que nunca nem comentei. Então selecionei só dois, como representação, por motivos pessoais mesmo: esse post da Anna Vitória sobre o primeiro dia de trabalho dela que de certa forma definiu o meu e esse da Ana Luísa, uma resenha de Toda luz que não podemos ver que acaba falando de cegueira e de avaliação de livros (também sou rainha das 3 estrelas). 

• Com todos os posts legais e vendo os blogs unidos, entrei naquela crise bloguística que é comum eu ter. Tipo “eu escrevo para quem?”, “qual deve ser o foco do meu blog?” e coisas assim. Porque tem dias que eu quero ser mais séria, com resenhas mais críticas, e tem outros momentos em que só quero escrever qualquer besteira que vier na minha cabeça. O resultado é que o blog não segue bem um padrão, ficando difícil para atrair potenciais leitores — o fato de eu me divulgar pouco não ajuda também. Mas eu gosto do Please, Sir, I want some more assim, com esse nominho tosco dele, imagens amadoras e sem precisar ficar me podando para agradar as pessoas. Ao mesmo tempo, tão bom receber comentários e me sentir lida, né? E, adivinha só, arranjei uma solução. A Revista Pólen estava procurando colaboradores, eu me inscrevi e fui aceita! Escrever para outra coisa além do blog vai ser bom para treinar a minha escrita e estimular a minha criatividade, e fico até orgulhosa em participar de um projeto com pessoas tão legais, muitas que eu já acompanhava faz tempo pela internet.

• A internet e a USP são um ovo (de onde veio essa expressão?), parte I: eu disse que entrei para a Pólen, né. Aí que tem mais três pessoas que fazem Letras na USP na revista, é claro, porque tem tanta gente na Letras que acaba sempre tendo um conhecido — e tem tanta gente na Letras que quando alguém invariavelmente pergunta se você conhece fulaninho, que também faz o seu curso, a resposta mais provável é não. São cerca de oitocentas pessoas por ano, sabe. Aí, um dia, estava chegando atrasada na aula de Estudos de cultura, a tal aula que eu gosto, quando sentei bem ao lado da Milena, uma das editoras da Pólen. E felizmente ela me reconheceu, porque se não eu teria passado muito tempo nervosa reunindo coragem para dizer alguma coisa. Ah, a timidez…

• A internet e a USP são um ovo, parte II: um dia depois disso, estava eu “trabalhando” lendo o site da unidade onde eu trabalho para passar o tempo sem deixar na cara que estava sem fazer nada. Eu olhava uma lista de cursos e nela tinha o nome dos estagiários de uma área. Aí eu vi o nome de um amigo meu do Neopets. Eu até desconfiava, porque: 1- uma vez falaram o sobrenome dele no trabalho 2- eu sabia que ele fazia Relações Internacionais na USP 3- os estagiários daquela área são de RI. Mas daí para ter certeza era outra história. E eu tive certeza vendo o nome completo. Eu não falo com o tal garoto há uns cinco anos, no mínimo, e nem era tãão íntima dele, então nem vou falar nada a respeito, mas é curioso: com uns treze anos,  a gente estava com uma distância de centenas de quilômetros e conversava bastante; hoje, com vinte anos, só um andar nos separa, mas não sinto que o conheço mais. Até onde eu sei, a gente ainda não se cruzou no prédio. Ainda. Se eu o ver, não vou dizer nada, mas na minha cabeça estarei tipo “oi, você é o *insira o nome de usuário aqui*, lembra de mim, a zuleika__armstrong/Marília Barros?”. Ah, o Neopets… Que grandes momentos da minha vida vivi nesse site.

• Em agosto vi várias pessoas falando em blogilates, um método para fazer pilates em casa. No começo achei engraçado, não sou muito fã dessa onda fitness, mas aí fiquei curiosa e decidi experimentar. Só consegui fazer um vídeo porque em casa é difícil ter espaço, tempo e um computador disponível ao mesmo tempo. E percebi que continuo péssima no meu condicionamento físico. Na escola, eu fazia aula de circo, que tinha vários exercícios de pilates, alongamento e coisas assim. E eu era péssima, mesmo me esforçando. Sou a pessoa que treinou dar estrela dos cinco aos dezoito anos e nunca aprendeu. Mas, em um espírito de superação que é só da boca para fora, decidi ser um pouco mais saudável. Comecei a subir e descer de escada os três andares do prédio do trabalho em vez de ir de elevador, decidi que vou voltar do trabalho a pé um dia de semana, esse tipo de coisa. E vou voltar a treinar malabarismo, para conseguir jogar com três bolinhas e ter a sensação de dever cumprido e de que com esforço a gente alcança, etc. (mas gente a meritocracia é uma falácia, treinei muito mais malabarismo que alguns colegas e era/sou muito pior que eles, socorro). E é claro que nem fiz/comprei as bolinhas de malabarismo ainda. Em resumo, meu condicionamento físico (e minhas habilidades, e tudo o que envolve exercício…):

Jacquin

• Eu estava organizando meus materiais escolares antigos quando encontrei alguns cadernos de desenho velhos. Joguei um monte de coisa fora, porque há limites para guardar os bonecos de palito ou vários desenhos iguais, mas mantive muita coisa, ri muito de algumas ideias que tive e fiquei tão nostálgica… Hoje eu quase não desenho, porque sinto que perdi minha criatividade, mas a verdade é que fiquei autocrítica demais, porque não é como se antes eu fosse uma grande artista, eu só não tinha vergonha de desenhar bichinhos fofinhos e coisas simples. Vou tentar abraçar meu estilo de arte bonitinho e ordinário, porque o que importa é se eu gosto, não se é bom. E sei que no futuro vou voltar a esses desenhos e rir muito do que eu fazia, o que é sempre bom — é para isso que escrevo um blog, para ter um misto de vergonha alheia de mim mesma(?) e nostalgia no futuro. No momento é só vergonha, mas quando a distância temporal aumentar. quem sabe…

Em agosto:

Eu vi… o primeiro episódio de Criminal minds de um DVD com os pilotos de algumas séries de brinde que estava há muito tempo — na época em que se davam DVDs de brinde — em casa. Gosto bastante da série, mas é muito raro eu ver séries procedurais(?) em ordem, eu acabo vendo os episódios aleatoriamente na televisão mesmo. Eu simplesmente não sirvo para ver série. E vendo o tal episódio eu fiquei com vontade mesmo é de assistir a terceira temporada de Hannibal, já que é a última, e fingir que eu presto para isso. Aí Hannibal seria a terceira série que eu assistiria do início ao fim (só Lost e The O.C. tiveram essa honra).

Eu (não) li… nenhum livro da minha estante. O ser humano tem mesmo belas capacidades de ser trouxa. Eu e a biblioteca, a biblioteca e eu — e a pilha de centenas de livros meus se acumulando…

Eu ouvi… CDs inteiros no meu iPod, e é ótimo perceber que embora no computador eu nunca sei o que escutar dentre as milhares de opções, eu gosto mesmo da maioria das músicas que tenho, é só estar no clima certo para ouvi-las.

Eu escrevi… a minha estreia na Revista Pólen, De caixas de lápis e vivências escolares, falando um pouco sobre detalhes e coincidências que ajudam a definir a minha identidade pela literatura.

Eu comi… comida chinesa no Chi Fu, para comemorar o aniversário da minha mãe. Eu gosto muito de comida chinesa, mas estou frustrada porque meu restaurante favorito fechou e nenhum outro tem um yakisoba parecido #classemédiasofre. Mas é bom variar os temperos (o triste é saber que não dá para voltar para o seu preferido) e o Chi Fu vale a pena. E estou esperando a Jiang, do MasterChef, abrir um restaurante, porque eu com certeza iria.

Eu fui… à Liberdade, comer no Chi Fu (dã), e aproveitei para comprar doces asiáticos. Queria ter comprado mais coisa, mas a Liberdade no fim de semana é muito cheia e odeio multidões. Só fui em uma lojinha menor e comprei dois pacotes de balas. O da esquerda é uma bala dupla de cubinhos azedos de fruta, com gosto de infância, embora eu não me lembre claramente de ter experimentado antes. O da direita é coreano, de uma bala de framboesa bem gostosa. Os dois foram aprovados, mas não viraram favoritos e não pretendo comprar de novo em um futuro breve.

037 (às vezes penso em virar blogueira de guloseimas, mas aí vejo a qualidade das fotos que tiro e desisto)

Eu comprei… três livros. Teve BookFriday na Amazon, né. E tinha vários livros por menos de dez reais, né. E os da editora Record que eu queria ler não tinham na biblioteca, né. Aí comprei mesmo sem saber muito sobre eles, vou fazer o quê? Já estavam no meu Skoob faz tempo, naquele estilo achei-a-capa-legal-então-marquei-para-ler. Se não gostar eu troco. Os livros são Colmeia, O condado de Citrus e O peculiar.

Eu fiz… cookies, com a minha receita amada de misturar os ingredientes e colocar no forno. Usar batedeira ou liquidificador é muito avançado para mim e morro de preguiça. O resultado é que acabo fazendo coisas não tão boas e mais fáceis, mas desses cookies eu gosto bastante.

E finalmente acabou! Eu não sei se alguém além de mim gosta de ler essa prolixidade toda, mas eu me divirto escrevendo, então é isso.