domingo, 20 de setembro de 2015

Os últimos filmes que eu vi #14

1- Minha linda garota, Mari (Sung-gang Lee, 2002)

Minha linda garota Mari

A animação foi outra desses achados da HBO que assisti só por ser diferente. É um filme sul-coreano e a história mistura o cotidiano de dois jovens amigos com momentos fantasiosos. Infelizmente, achei as duas partes do enredo pouco exploradas e gostaria mais do filme se ele focasse só no realismo. Como costumo dizer sobre animações mais autorais, a estética de Minha linda garota, Mari é o que dá o diferencial, porque, apesar de eu não achar o filme especialmente bonito, tem a curiosidade de os personagens não terem contorno. Avaliação: 2,5/5

2- Nebraska (Alexander Payne, 2013)

Nebraska

Estou assistindo os filmes do Oscar do ano passado agora na TV porque tenho preguiça de ir ao cinema. Nebraska é uma história de road trip, de um filho e seu pai idoso que acha que ganhou um prêmio de um milhão de dólares. Sinceramente? Esperava gostar mais do filme. Não que eu não tenha gostado, mas achei um pouco cansativo. Talvez eu não estivesse no humor certo no dia. De qualquer jeito, gostei bastante do final, e entendo o apelo do filme, os atores são bons, o roteiro também… Avaliação: 3,5/5

3- Bling Ring: a gangue de Hollywood (Sofia Coppola, 2013)

Bling Ring

O que dizer dessa diretora de quem eu já vi quase todos os filmes e não gosto muito de nenhum? Quando ouço falar dos filmes da Sofia Coppola, fico interessada. Quando assisto, no entanto, eles não conseguem me conquistar. Não é que eu ache um tédio completo, que eu durma assistindo ou coisa assim, é só que não saio apaixonada. A ideia de Bling Ring ou mesmo os próprios acontecimentos que inspiraram o filme me dizem tanto quanto o filme em si. Ou seja, ter assistido o filme não acrescentou muita coisa. Mas, como não é propriamente chato, não vou avaliar tão mal. Avaliação: 3/5

4- Até que a Sbórnia nos separe (Otto Guerra e Ennio Torresan, 2013)

Até que a Sbórnia nos separe

É uma animação brasileira baseada no espetáculo Tangos & Tragédias, ao qual nunca assisti e pouco ouvi falar — me parece ser bem famoso no Rio Grande do Sul. A história do filme é bem maluca, mas é coerente. Tem alguns elementos bizarros e um estilo cômico que me lembra de filmes como As bicicletas de Belleville. Não gostei do fato do filme objetificar mulheres e tratar isso com humor, mas se eu fosse reclamar de machismo em todos os filmes, não sobraria quase nenhum para assistir. Avaliação: 3,5/5

5- A felicidade não se compra (Frank Capra, 1946)

A felicidade não se compra 
A felicidade não se compra foi o escolhido como clássico do mês (de março). Já tinha ouvido falar bastante nele como filme para assistir no Natal, é bem citado em livros, séries ou mesmo outros filmes. A história é de um homem que está em um momento ruim na vida em que parece que tudo vai dar errado. Porém, aparece um anjo para realizar um milagre natalino. Gostei bastante da estrutura do filme, com os anjos apresentando e comentando a história do protagonista até chegar no presente, e também gostei da forma que o milagre foi realizado, um tipo de trope que adoro — embora pudesse ter sido mais mirabolante. O lado negativo é que achei difícil de me identificar com a história. George, o protagonista, é muito bonzinho e não parece real. Então no final do filme fiquei em dúvida entre achar inspirador e saber que se fosse um filme sobre mim, por exemplo, seria bem diferente. Avaliação: 3,5/5

sábado, 12 de setembro de 2015

Um gato indiscreto e outros contos, Saki

Um gato indiscreto

Os médicos concordam em me receitar descanso absoluto, total ausência de exaltações mentais e evitar tudo que seja parecido com exercícios físicos violentos”, anunciou Framton, que era vítima da falsa impressão bastante comum de que perfeitos estranhos e recém-conhecidos anseiam por saber os mais ínfimos detalhes de nossas doenças e enfermidades, suas causas e sua cura.

Conheci Saki por um professor da faculdade, que discutiu dois contos do autor em sala. Já disse algumas vezes aqui o quanto eu sou fã de contos, mas também já repeti que a leitura de antologias é mais difícil para mim que a de romances. Portanto, não é nenhuma surpresa que eu tenha começado o livro no ano passado e terminado neste. E nem que eu esteja postando a resenha muito tempo depois de ter terminado o livro. Resenhar livros de contos também não é uma tarefa fácil para mim.

Os contos de Um gato indiscreto e outros contos têm como uma das características principais a mistura de humor e de toques macabros. A sociedade britânica da época, entre o século 19 e o 20, é ironizada com clareza e de forma decidida, mas confesso que não entendi alguns dos contos que focam mais na parte histórica.

Embora algumas histórias sejam previsíveis, os contos do Saki funcionam bem dentro da teoria do conto e, como diria Cortázar, ganham por nocaute. Os contos são bem escritos, o autor usa o mínimo possível de frases para dizer o máximo que ele consegue e já começam a conquistar o leitor a partir das primeiras linhas — claro que isso é subjetivo, especialmente considerando que dizem isso do Poe também e acho os contos dele um saco.

O estilo do Saki me lembra dos contos do Roald Dahl, porque os dois usam ironia e humor negro. Para fãs de contos desse tipo, recomendo a leitura.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Retrospectiva: agosto

• Agosto foi a volta às aulas. Estou conseguindo me manter bem trabalhando e estudando ao mesmo tempo, até porque meu estágio é só de quatro horas e na universidade, perto de casa, mas meu desânimo com a faculdade em si não acabou. É curioso, porque quando converso com quem é de fora, tento defender a Letras, porque na teoria gosto muito do curso, mas quando falo com as pessoas de lá, eu sou desânimo total. Não é nem problema de decepção, de professores ruins ou de aulas chatas — claro que isso tem de monte também. É só que enjoei da rotina, cansei de ler os textos teóricos, mesmo de assuntos do meu interesse. Só tem uma aula nesse semestre que me deixa animada. Mas, naquele pessimismo-otimismo, estou melhor que muita gente, por que deve ter quem não se anima com nenhuma, né?

Jiang

• Agosto foi mês de BEDA e um monte de gente decidiu participar. O resultado foi ótimo para os leitores de blog viciados como eu. Descobri alguns blogs legais no caminho, embora continue com a resistência a alguns blogs pessoais e profissionais (ou wannabe profissionais) ao mesmo tempo, e me apeguei mais a outros que já lia há algum tempo. Eu poderia ter indicado um post de cada blog para colocar aqui, mas acabei não fazendo isso, e de qualquer jeito ia parecer meio stalker citando blogs que nunca nem comentei. Então selecionei só dois, como representação, por motivos pessoais mesmo: esse post da Anna Vitória sobre o primeiro dia de trabalho dela que de certa forma definiu o meu e esse da Ana Luísa, uma resenha de Toda luz que não podemos ver que acaba falando de cegueira e de avaliação de livros (também sou rainha das 3 estrelas). 

• Com todos os posts legais e vendo os blogs unidos, entrei naquela crise bloguística que é comum eu ter. Tipo “eu escrevo para quem?”, “qual deve ser o foco do meu blog?” e coisas assim. Porque tem dias que eu quero ser mais séria, com resenhas mais críticas, e tem outros momentos em que só quero escrever qualquer besteira que vier na minha cabeça. O resultado é que o blog não segue bem um padrão, ficando difícil para atrair potenciais leitores — o fato de eu me divulgar pouco não ajuda também. Mas eu gosto do Please, Sir, I want some more assim, com esse nominho tosco dele, imagens amadoras e sem precisar ficar me podando para agradar as pessoas. Ao mesmo tempo, tão bom receber comentários e me sentir lida, né? E, adivinha só, arranjei uma solução. A Revista Pólen estava procurando colaboradores, eu me inscrevi e fui aceita! Escrever para outra coisa além do blog vai ser bom para treinar a minha escrita e estimular a minha criatividade, e fico até orgulhosa em participar de um projeto com pessoas tão legais, muitas que eu já acompanhava faz tempo pela internet.

• A internet e a USP são um ovo (de onde veio essa expressão?), parte I: eu disse que entrei para a Pólen, né. Aí que tem mais três pessoas que fazem Letras na USP na revista, é claro, porque tem tanta gente na Letras que acaba sempre tendo um conhecido — e tem tanta gente na Letras que quando alguém invariavelmente pergunta se você conhece fulaninho, que também faz o seu curso, a resposta mais provável é não. São cerca de oitocentas pessoas por ano, sabe. Aí, um dia, estava chegando atrasada na aula de Estudos de cultura, a tal aula que eu gosto, quando sentei bem ao lado da Milena, uma das editoras da Pólen. E felizmente ela me reconheceu, porque se não eu teria passado muito tempo nervosa reunindo coragem para dizer alguma coisa. Ah, a timidez…

• A internet e a USP são um ovo, parte II: um dia depois disso, estava eu “trabalhando” lendo o site da unidade onde eu trabalho para passar o tempo sem deixar na cara que estava sem fazer nada. Eu olhava uma lista de cursos e nela tinha o nome dos estagiários de uma área. Aí eu vi o nome de um amigo meu do Neopets. Eu até desconfiava, porque: 1- uma vez falaram o sobrenome dele no trabalho 2- eu sabia que ele fazia Relações Internacionais na USP 3- os estagiários daquela área são de RI. Mas daí para ter certeza era outra história. E eu tive certeza vendo o nome completo. Eu não falo com o tal garoto há uns cinco anos, no mínimo, e nem era tãão íntima dele, então nem vou falar nada a respeito, mas é curioso: com uns treze anos,  a gente estava com uma distância de centenas de quilômetros e conversava bastante; hoje, com vinte anos, só um andar nos separa, mas não sinto que o conheço mais. Até onde eu sei, a gente ainda não se cruzou no prédio. Ainda. Se eu o ver, não vou dizer nada, mas na minha cabeça estarei tipo “oi, você é o *insira o nome de usuário aqui*, lembra de mim, a zuleika__armstrong/Marília Barros?”. Ah, o Neopets… Que grandes momentos da minha vida vivi nesse site.

• Em agosto vi várias pessoas falando em blogilates, um método para fazer pilates em casa. No começo achei engraçado, não sou muito fã dessa onda fitness, mas aí fiquei curiosa e decidi experimentar. Só consegui fazer um vídeo porque em casa é difícil ter espaço, tempo e um computador disponível ao mesmo tempo. E percebi que continuo péssima no meu condicionamento físico. Na escola, eu fazia aula de circo, que tinha vários exercícios de pilates, alongamento e coisas assim. E eu era péssima, mesmo me esforçando. Sou a pessoa que treinou dar estrela dos cinco aos dezoito anos e nunca aprendeu. Mas, em um espírito de superação que é só da boca para fora, decidi ser um pouco mais saudável. Comecei a subir e descer de escada os três andares do prédio do trabalho em vez de ir de elevador, decidi que vou voltar do trabalho a pé um dia de semana, esse tipo de coisa. E vou voltar a treinar malabarismo, para conseguir jogar com três bolinhas e ter a sensação de dever cumprido e de que com esforço a gente alcança, etc. (mas gente a meritocracia é uma falácia, treinei muito mais malabarismo que alguns colegas e era/sou muito pior que eles, socorro). E é claro que nem fiz/comprei as bolinhas de malabarismo ainda. Em resumo, meu condicionamento físico (e minhas habilidades, e tudo o que envolve exercício…):

Jacquin

• Eu estava organizando meus materiais escolares antigos quando encontrei alguns cadernos de desenho velhos. Joguei um monte de coisa fora, porque há limites para guardar os bonecos de palito ou vários desenhos iguais, mas mantive muita coisa, ri muito de algumas ideias que tive e fiquei tão nostálgica… Hoje eu quase não desenho, porque sinto que perdi minha criatividade, mas a verdade é que fiquei autocrítica demais, porque não é como se antes eu fosse uma grande artista, eu só não tinha vergonha de desenhar bichinhos fofinhos e coisas simples. Vou tentar abraçar meu estilo de arte bonitinho e ordinário, porque o que importa é se eu gosto, não se é bom. E sei que no futuro vou voltar a esses desenhos e rir muito do que eu fazia, o que é sempre bom — é para isso que escrevo um blog, para ter um misto de vergonha alheia de mim mesma(?) e nostalgia no futuro. No momento é só vergonha, mas quando a distância temporal aumentar. quem sabe…

Em agosto:

Eu vi… o primeiro episódio de Criminal minds de um DVD com os pilotos de algumas séries de brinde que estava há muito tempo — na época em que se davam DVDs de brinde — em casa. Gosto bastante da série, mas é muito raro eu ver séries procedurais(?) em ordem, eu acabo vendo os episódios aleatoriamente na televisão mesmo. Eu simplesmente não sirvo para ver série. E vendo o tal episódio eu fiquei com vontade mesmo é de assistir a terceira temporada de Hannibal, já que é a última, e fingir que eu presto para isso. Aí Hannibal seria a terceira série que eu assistiria do início ao fim (só Lost e The O.C. tiveram essa honra).

Eu (não) li… nenhum livro da minha estante. O ser humano tem mesmo belas capacidades de ser trouxa. Eu e a biblioteca, a biblioteca e eu — e a pilha de centenas de livros meus se acumulando…

Eu ouvi… CDs inteiros no meu iPod, e é ótimo perceber que embora no computador eu nunca sei o que escutar dentre as milhares de opções, eu gosto mesmo da maioria das músicas que tenho, é só estar no clima certo para ouvi-las.

Eu escrevi… a minha estreia na Revista Pólen, De caixas de lápis e vivências escolares, falando um pouco sobre detalhes e coincidências que ajudam a definir a minha identidade pela literatura.

Eu comi… comida chinesa no Chi Fu, para comemorar o aniversário da minha mãe. Eu gosto muito de comida chinesa, mas estou frustrada porque meu restaurante favorito fechou e nenhum outro tem um yakisoba parecido #classemédiasofre. Mas é bom variar os temperos (o triste é saber que não dá para voltar para o seu preferido) e o Chi Fu vale a pena. E estou esperando a Jiang, do MasterChef, abrir um restaurante, porque eu com certeza iria.

Eu fui… à Liberdade, comer no Chi Fu (dã), e aproveitei para comprar doces asiáticos. Queria ter comprado mais coisa, mas a Liberdade no fim de semana é muito cheia e odeio multidões. Só fui em uma lojinha menor e comprei dois pacotes de balas. O da esquerda é uma bala dupla de cubinhos azedos de fruta, com gosto de infância, embora eu não me lembre claramente de ter experimentado antes. O da direita é coreano, de uma bala de framboesa bem gostosa. Os dois foram aprovados, mas não viraram favoritos e não pretendo comprar de novo em um futuro breve.

037 (às vezes penso em virar blogueira de guloseimas, mas aí vejo a qualidade das fotos que tiro e desisto)

Eu comprei… três livros. Teve BookFriday na Amazon, né. E tinha vários livros por menos de dez reais, né. E os da editora Record que eu queria ler não tinham na biblioteca, né. Aí comprei mesmo sem saber muito sobre eles, vou fazer o quê? Já estavam no meu Skoob faz tempo, naquele estilo achei-a-capa-legal-então-marquei-para-ler. Se não gostar eu troco. Os livros são Colmeia, O condado de Citrus e O peculiar.

Eu fiz… cookies, com a minha receita amada de misturar os ingredientes e colocar no forno. Usar batedeira ou liquidificador é muito avançado para mim e morro de preguiça. O resultado é que acabo fazendo coisas não tão boas e mais fáceis, mas desses cookies eu gosto bastante.

E finalmente acabou! Eu não sei se alguém além de mim gosta de ler essa prolixidade toda, mas eu me divirto escrevendo, então é isso.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Suíte em quatro movimentos, Ali Smith

Suíte em quatro movimentos

Isso, Caroline diz, e é por isso que eu quase fico feliz que tenha acontecido uma recessão, desculpa Jen, porque de repente ela vai sacudir um pouco desse dinheiro estúpido que está tipo nos mercados financeiros pra cair em cima da arte de que ele não para de falar. O tipo de arte de que você fica falando, em que as pessoas se enfiam em caixas de vidro numa galeria e deixam os outros olharem, ou vendem tudo que têm, ou tiram um molde do buraco de uma rosquinha com gesso e chamam de O Buraco De Dentro De Uma Rosquinha, ou enchem o tronco de uma árvore velha de concreto e chamam de sei lá o quê, é tudo vigarice. Arte. Arte nunca mudou nada. E ponto. Ponto final. Me mostre alguma coisa que uma suposta obra de arte já fez, qualquer coisa mesmo, a não ser deixar as pessoas com dor de cabeça.

Lá estava uma garota entediada procurando por livros para download na internet. Ela baixa quase tudo que parece minimamente interessante, mesmo que não vá ler depois. É assim que uma versão em PDF de There but for the, da escocesa Ali Smith, vai parar no seu computador. Um dia, fazendo uma limpa nos arquivos, ela deleta vários livros. Pensa que o tal livro da Ali Smith seria muito experimental para o seu gosto e que por isso ela acabaria não lendo. Ela o apaga do computador.

Mas um dia o tal livro é traduzido para o português, com o título de Suíte em quatro movimentos. A garota vê vários elogios a ele e a sua autora, e bem que ela quer mesmo ler mais ficção contemporânea de mulheres. Ela descobre que o livro era aquele There but for the, acha engraçado e fica feliz que terá a oportunidade de descobrir sobre o que é, porque, entre os oitocentos livros baixados e deletados do seu computador, poucos serão efetivamente lidos. Quando surge a oportunidade, ela aluga o livro na biblioteca.

Pra falar a verdade, eu me sinto uma farsa tentando imitar o estilo da Ali Smith.

O fato é que eu não sabia se gostaria de Suíte em quatro movimentos. Como disse antes, tinha medo de ser muito experimental, muito cabeça para mim. E tem muita coisa que eu não entendi e não sei exatamente o que a autora quis dizer com a história? Lógico que sim. Mas, como diz Clarice Lispector, não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Porque a história que a autora conta e os personagens que ela cria valem muito a pena. Cada parte da narrativa foca em um personagem, quatro no total, todos envolvidos de alguma forma com Miles, o homem que se tranca em um quarto em uma casa de pessoas que ele acabou de conhecer. A gente não sabe muito de Miles, mas vai juntando aos poucos as pistas e reunindo a visão dos outros personagens sobre ele. No final, muita coisa continua sem resposta, e se você procura um livro em que tudo se resolva, bom… Pode passar longe desse.

As quatro partes do livro têm estilos diferentes, mas sempre recheadas de brincadeiras e reflexões sobre a linguagem. Eu disse que deletei o livro do computador, mas baixei de novo só para poder comparar os trocadilhos e piadas. Como quase toda tradução, alguma coisa se perde e outras se ganham. Não entendi algumas piadas em português, mas achei outras melhores que as originais, por exemplo.

Acho que minha parte favorita foi a cena do jantar, da qual eu selecionei o trecho lá em cima para mostrar. O contraste entre o ponto de vista dos quatro personagens selecionados, pelos quais nutrimos alguma simpatia, e os outros participantes do jantar, todos fúteis e caricatos, é notável, e a cena toda é muito engraçada. A história do que aconteceu com o Miles, de como ele ficou famoso por não sair do quarto e as pessoas passaram a se reunir aguardando o glorioso momento de sua saída, é também de um absurdo que me tirou muitos sorrisos durante a leitura.

Para mim, algumas partes de Suíte em quatro movimentos se alongaram mais do que deviam, e o foco em Greenwich certamente não é tão bem aproveitado para pessoas como eu, que nunca foram a Londres. Mas isso não é culpa da autora, de quem eu com certeza quero ler mais livros. Ah, e se você ainda ficou em dúvida se quer ler ou não entendeu bem sobre o que é a história (porque não expliquei direito), fique com a ótima resenha da Anica.

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Wolven, Di Toft

Wolven

Na opinião de Nat Carver, o estranho animal que se apresentava diante dele parecia dever suas origens mais ao dr. Frankenstein do que ao dr. Darwin. Por um momento, ele se sentiu sem palavras, embora se lembrasse de uma outra que poderia ter falado, caso sua mãe não estivesse ali.

Eu não estava exatamente morrendo de vontade de escrever uma resenha sobre Wolven. Estava nos meus planos, mas eu ia deixar para depois, procrastinar tanto e acabar escrevendo um comentário. Até que percebi que não ia dar tempo de ler o livro que pretendo ler para o Desafio Literário Skoob do mês. Então acabei ficando com este, que li mês passado, só para não passar em branco.

Wolven conta a história de Nat Carver, um garoto que adota um cachorro um pouco estranho chamado Woody e descobre que ele fugiu de um projeto secreto de ciência que envolve o governo inglês. Enquanto Nat e Woody tem que aprender mais sobre a situação e fugir dos caras malvados que querem o cachorro-lobo de volta, Nat também precisa aprender a lidar com seu cotidiano em uma cidade nova, com garotos que não gostam dele.

Vejam bem, eu costumo gostar de livros infantojuvenis. Mas, normalmente, eu leio aqueles que têm a minha cara, que já espero gostar. Li Wolven só porque ele apareceu na minha frente e eu já sabia que ele não se tornaria um favorito, porque, gente, o que é essa capa??? É muito feia. Então minhas expectativas eram baixas, só queria que o livro fosse divertido e prendesse a atenção. E nem isso ele fez direito. Não é que Wolven seja propriamente ruim. Mas, além de não ser o meu estilo (faz um tempo que tenho preguiça de livros com criaturas sobrenaturais como lobisomens ou vampiros), também não é propriamente bom. As cenas de ação são sem graça, o humor é fraco, os personagens são pouco desenvolvidos…

É raro que a leitura não flua em um livro fácil de ler, mas é o que aconteceu com Wolven. Eu lia um capítulo e não tinha vontade de ler mais. No entanto, depois de meter o pau, ainda acho que talvez seja só um livro que não é para mim. Talvez pessoas mais novas ou que gostem de histórias de lobisomens curtam mais do que eu.

Avaliação final: 2/5

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

TAG: 7 coisas

A Samy me indicou essa tag em fevereiro, e eu acabei só fazendo agora porque… Eu nem sei por quê. Enfim, a tag consiste em listar 7 coisas — que nem sempre são coisas — de diversas categorias. O meu instinto era explicar tudo, justificando cada coisinha, mas decidi deixar para lá e ser mais direta dessa vez, mesmo que algumas respostas pareçam estranhas.

7 coisas pra fazer antes de morrer:
- Me formar na faculdade
- Ir ao Japão
- Ter mais um animal de estimação
- Ver um panda ao vivo
- Aprender a fazer feijoada
- Ler todos os livros que comprei
- Aprender a fazer malabarismo com três bolinhas

7 coisas que mais falo:
- Tanto faz
- Não sei
- O que a gente vai comer?
- Sabe o que eu estava pensando?
- Sabe o que é curioso?
- E aí?
- O quê?

7 coisas que faço bem:
- Tirar notas altas em provas
- Acumular material escolar
- Procrastinar
- Demorar séculos para terminar animes/séries
- Me lembrar de coisas inúteis
- Criar métodos de organização que não vou seguir
- Ouvir conversa de gente aleatória

7 coisas que não faço bem:
- Indicar direções
- Falar em conversas com muita gente
- Comprar presentes para quem não lê
- Fazer exercícios que envolvam muita coordenação motora
- Fazer as coisas antecipadamente
- Trabalhos acadêmicos sobre temas que não me interessam
- Encher linguiça em textos acadêmicos

7 coisas que me encantam:
- Filhotes
- Natureza
- Literatura
- Música
- Chocolate
- Animações
- Aprendizado

7 coisas que eu não gosto:
- Pessoas que ficam usando o celular no cinema
- Pernilongo
- Pessoas que andam devagar em grupo
- Desperdício
- Telefone
- Burocracia
- Perder/não encontrar algum objeto

domingo, 16 de agosto de 2015

Precisamos de novos nomes, NoViolet Bulawayo

Precisamos de novos nomes

Se você for roubar alguma coisa, é melhor que seja pequena e fácil de esconder, ou algo que você possa comer depressa e acabar logo com a história, como goiabas. Assim, as pessoas não podem ver você com a coisa e se lembrar de que você é um ladrão sem-vergonha e que você roubou aquilo deles, então eu não sei o que os brancos estavam tentando fazer, para começo de conversa, roubando não uma coisinha de nada mas um país inteiro. Como é que as pessoas vão conseguir esquecer se você roubar algo assim?

A capa de Precisamos de novos nomes foi o que me fez prestar a atenção no livro. Quando descobri que a autora é do Zimbábue, minha vontade de ler só aumentou. Estava pensando em comprá-lo na Festa do livro da USP, porque 50% de desconto é algo que não se pode ignorar, mas aí vi o livro na biblioteca e corri para pegá-lo, não me importando por quebrar a minha regra recém-criada de pegar um livro só por vez. Afinal, vai que alguém aluga o livro primeiro e rouba, né? (sabe aquelas pessoas que não têm limites nas compras de livros, sempre procurando por desculpas para comprar mais? Então, eu não tenho limites nem nas compras nem na biblioteca. Eu compro um monte de livros, mas dou prioridade para o que pego na biblioteca porque sou besta assim mesmo)

Precisamos de novos nomes é um romance de formação narrado por Darling, uma jovem garota que mora em uma bairro pobre de Harare. Ela passa os seus dias brincando na rua com seus amigos, indo ao bairro rico da cidade roubar goiabas com eles e esperando ansiosamente a sua mudança para os Estados Unidos. Quando ela finalmente se muda, percebe que a vida que leva no país não é exatamente o que esperava e que sempre será estrangeira nessa terra.

Romances narrados por crianças ou jovens em cenários violentos são bem comuns, mostrando um pouco da confusão e da ingenuidade deles. Apenas falando sobre a África, por exemplo, posso citar AvóDezanove e o segredo do soviético e Hibisco roxo. Precisamos falar sobre novos nomes não traz muitas novidades no uso dessa narração, embora a voz de Darling seja bem desenvolvida e única — gostaria de ter lido o livro no original, para ver melhor a linguagem dela e as diferenças pré- e pós-Estados Unidos.

Muitos temas são tratados no livro: doenças, religião, racismo, colonialismo, a exploração que algumas pessoas fazem da pobreza, entre outras coisas. Darling não entende sobre tudo de que fala, mas quase tudo fica claro para o leitor. Quando concluí o livro, pensei que talvez essa narração direta, que escancara as críticas mesmo que a própria narradora não tenha consciência disso, deixasse pouco para a reflexão do leitor. Mas, pensando melhor, essa honestidade é válida também, por que não? Além disso, mesmo que muitos temas sejam óbvios ou até previsíveis, eles não deixam de ser menos importantes por isso, e um livro não precisa ser inovador para ser bom. Também deve ter várias sutilezas que não consegui captar por serem sobre a realidade do país. É muito fácil dizer “ai, livro africano sobre a pobreza narrado por criança, já tem 500 sobre o assunto” como se a África fosse tudo a mesma coisa. A gente não fala “nossa, outro livro europeu sobre a 2ª Guerra narrado por um homem de meia-idade, que repetição” (quer dizer, às vezes a gente fala. Ops).

Achei interessante ler um livro que se passa em uma época mais atual, com referências recentes, como a Rihanna e a Kim Kardashian. Tenho a impressão de que muitos livros mais “literários” (muitas aspas aqui, por favor) fogem de citações a cultura pop, mas é inegável que ela influencia muito a nossa vida, especialmente quando jovens.

Enfim, gostei bastante de Precisamos de novos nomes. O livro prendeu a atenção, mesmo com muitos saltos temporais. Talvez não seja uma leitura especialmente marcante, mas foi boa, e indico principalmente para quem quer começar a conhecer literatura africana.

Avaliação final: 4/5