quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Codinome Verity, Elizabeth Wein

Codinome Verity

Sabem, eu a invejei. A simplicidade de seu trabalho, a limpeza espiritual disso: o avião e Maddie. Era tudo o que precisava fazer. Não havia culpa, nem dilema moral, nem disputa ou angústia — perigo sim, mas ela sempre soube o que enfrentava. Invejei que ela mesmo escolhera seu trabalho e fazia o que gostava. Não creio que eu tivesse ideia do que queria, então fui escolhida, não escolhi. Existe glória e honra em ser selecionada para algo. Mas não sobra muito espaço para livre-arbítrio.

É muito bom ter pessoas da sua família que trabalham na área editorial, porque você acaba tendo livros que não leria se não fosse por isso (claro que alguns deles você acaba não lendo de qualquer jeito — estou bem sem ler livros de política americana, muito obrigada). Codinome Verity é um desses casos: a temática não é das mais atraentes para mim, pois não sou muito interessada na Segunda Guerra Mundial. Mas o livro foi tão elogiado que eu tinha sim um pouquinho de curiosidade de ler. Afinal, não recuso a leitura de um YA físico que eu tenha em minhas mãos. Então, depois de anos de enrolação, finalmente o tirei da estante.

Codinome Verity conta a história de duas amigas, Queenie e Maddie. A primeira parte narra a história de Queenie, escocesa capturada por nazistas. Para sobreviver, ela deve revelar os segredos da guerra para os inimigos, e é por esse relato que sabemos o que aconteceu. Na segunda parte, vemos a versão de Maddie, piloto e melhor amiga de Queenie, da história. Não resumi bem, mas é difícil contar o livro sem spoilers.

Comecei o livro apreensiva, e não consegui gostar do relato de Queenie. Não parecia nada real que alguém que estivesse presa daquele jeito fizesse um relato tão literário e cheio de informações inúteis para quem a capturou. Sabe quando você lê um livro e não consegue parar de pensar que você está lendo um livro, que é só ficção? Eu não consegui entrar na história porque achei a parte da Queenie inverossímil demais. Além disso, a primeira parte é a que tem mais informações históricas e técnicas sobre aviação. É claro que tudo é bem pesquisado, e as informações encaixam na narrativa, mas não sou das maiores fãs de livros que nos ensinam coisas fatuais tão diretamente. Prefiro aprender nas entrelinhas.

Achei a segunda parte, narrada pela Maddie, bem mais interessante, e a leitura fluiu melhor. Tive que suspender a descrença também para achar que alguém escreveria relatos daquele jeito naquela situação, principalmente sendo alguém com poucos conhecimentos literários, mas pelo menos nessa parte foi mais fácil ignorar a inverossimilhança e entrar na narrativa. É na segunda parte também que tudo se encaixa e a gente entende algumas pontas que ficaram soltas na narrativa da Queenie.

Como não consegui entrar tão bem no livro no começo, não consegui me importar com os personagens nem me emocionar com a história. Depois de concluída a leitura, no entanto, não dá para não pensar que as personagens são incríveis e bem desenvolvidas. O problema é que não consegui sentir isso enquanto lia.

Enfim, imagino que Codinome Verity seja daqueles livros que “o problema não é você, sou eu”. Acho que é uma história interessante de um tema pouco explorado, mulheres trabalhando na guerra, mas foi uma leitura de altos e baixos e não deu muito certo para mim. De qualquer jeito, recomendo para quem se interessar pelo tema.

Avaliação final: 3/5

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Desafio cinematográfico 2015

E quando eu acho que já posso seguir em frente e focar nos vários desafios e projetos que já criei ou dos quais participo, sempre aparece algum que me anima. Já estava com a ideia de participar de um desafio temático de cinema, mas não sabia qual. Aí eu vi o desafio 52 filmes em 52 semanas e decidi entrar nessa, porque tem bastante tema variado. As categorias são:

Desafio de Cinema Como eu não vejo tanto filme assim, decidi criar minhas próprias regras. O desafio vai funcionar do mesmo jeito que o desafio literário da Popsugar: eu vou assistindo aos filmes e encaixando nas categorias, sem muita pretensão. Quando der vontade, eu escolho algum tema e vejo o filme especialmente para ela. Como no desafio literário, alguns filmes inicialmente valem para mais de uma categoria, mas eu vou tentar assistir outros com o tempo para substituir as repetições e tentar ao máximo terminar o desafio com mais variedade.

Não sei o quanto o desafio vai dar certo, considerando que não sou muito de ir atrás de coisas fora da minha caixa e assisto a maior parte dos filmes pela televisão. Mas espero me divertir no processo e conhecer novos filmes.

Vou continuar escrevendo sobre o que assisto no mesmo modelo e vou colocar o desafio na página de projetos. E aceito sugestões! De tudo, mas especialmente de alguns temas: Don Corleone feelings, documentário, fashion (história de alguém do mundo da moda), sobre dança e história de um artista.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Garoto zigue-zague, David Grossman

Garoto zigue-zague

E aí comecei a soluçar, no começo soluços leves, contidos. E para reforçar ainda mais a tristeza, lembrei das coisas que papai diz, que já não sabe mais o que fazer com um garoto como eu, que toda vez que ele acha que vou crescer e tomar jeito acabo regredindo, ficando estagnado, e mais; como é possível que alguém como ele tenha tido justo um filho como eu? E eu sabia que ele tinha razão, mas o que é que ele pensa, que não me esforço para que isto tudo acabe de uma vez por todas?

Só li Garoto zigue-zague porque foi o escolhido da minha irmã para representar Israel na Volta ao mundo em 80 livros dela, e acabei aproveitando para botar na minha lista também, porque minha ideia já era ler algo do Grossman (ou do Amós Oz), só não sabia que livro escolher.

Sem mais enrolações, o livro conta a história de Nono, um garoto prestes a completar treze anos. Antes do seu bar mitzvah, porém, ele vai viajar de trem para visitar seu tio, um educador chatíssimo. No entanto, o que o menino não espera é que sua viagem será a sua porta de entrada para muitas aventuras, nas quais que ele descobrirá muito sobre si mesmo e sobre sua história.

O livro começa com um certo clima de mistério, em que o leitor não sabe exatamente o que está acontecendo e o que vai acontecer, assim como Nono, mas aos poucos as coisas vão ficando claras, e, infelizmente, um pouco óbvias demais. Então, só resta esperar a ficha do protagonista cair enquanto ele passa por pequenas aventuras, até, finalmente, tudo ser esclarecido.

Eu gostei bastante do começo, e gostei do final, mas o meio do livro poderia ter sido enxugado um pouco. O livro tem um pouco mais de quatrocentas páginas e, não sei, mas acho que poderia ter só trezentas e estaria de bom tamanho.

Garoto zigue-zague é narrado pelo Nono mais velho, mas do ponto de vista dele jovem(?). Ou seja, o olhar ingênuo da criança, que eu tanto adoro, está presente na narração. Inclusive, mesmo que o livro provavelmente não fique na seção de infanto-juvenis nas livrarias, eu recomendo para os mais jovens também.

Para concluir, Garoto zigue-zague é um livro divertido, mas um pouco cansativo. Com personagens cativantes (saudades, Gabi!), ele conta uma história bonita sobre crescimento.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nada, Janne Teller

Nada

O edifício era tão cinza, feio e quadrado que eu mal conseguia respirar; e, de repente, era como se a escola fosse a vida; a vida não deveria ter essa aparência, mas tinha. Senti um desejo violento de correr até o número 25 da Tæringvej, subir na ameixeira e ficar com Pierre Anthon, contemplando o céu até fazer parte do mundo além da porta sorridente e do nada e nunca mais ter de pensar sobre qualquer coisa. Mas eu deveria ser algo, ser alguém na vida, então não corri a lugar algum, olhei para o outro lado e finquei as unhas na palma da mão até sentir bastante dor.

Um dia, olhando os livros recém-adicionados no Skoob, me deparei com um título que chamou a minha atenção: Nothing. A sinopse me conquistou de primeira, falando sobre um menino do sétimo ano que descobre que a vida não tem sentido e por isso passa os seus dias sobre uma árvore. Coloquei o livro como “vou ler” e o procurei algumas vezes para baixar, mas não encontrei. Um tempo depois, vi que o livro tinha sido traduzido para o português pela Record. A partir daí, foi só esperar o livro entrar em promoção para finalmente tê-lo nas minhas mãos.

Conto essa história simplesmente para dizer que, diferente da maioria dos livros que leio, com Nada não tive contato com resenhas de outras pessoas — e, para ser sincera, nem a sinopse eu tinha lido inteira. Um menino que fica em cima de uma árvore falando que nada importa? Já era o suficiente para eu querer o livro. Por isso, eu não sabia direito o que esperar da leitura. E certamente saí surpreendida.

Para começar, eu achei que o foco da história fosse o Pierre Anthon, o garoto que sobe na árvore, mas a narradora é um garota da sala dele, chamada Agnes, e os protagonistas são todos os colegas da sala dela, que tentam fazer uma pilha de significados para mostrar para Pierre Anthon que a vida tem sentido. Essa pilha começa com coisas simples, como uma bola de futebol. Mas, aos poucos, os meninos ficam com raiva de terem que ceder objetos importantes para a pilha e pedem dos outros coisas mais e mais desafiadoras.

Nada não é um livro para se ler quando se quer fugir da realidade e ir para um lugar melhor. É uma leitura perturbadora e que, ao mesmo tempo que nos alivia ao pensar que é apenas ficção, nos deixa a pergunta se isso poderia acontecer na realidade.

O livro é dinamarquês, e por ter um conteúdo pesado e violento com personagens jovens e destinado a adolescentes, foi temporariamente banido na Escandinávia. Curiosamente, após ter sido liberado, o livro foi também para listas de leituras obrigatórias em escolas. Não concordo com a proibição, mas também não acho que o colocaria como leitura obrigatória, considerando que a leitura não é para pessoas de estômago fraco.

Nada é uma leitura que traz discussões importantes — desde sobre como grupos de jovens são influenciáveis (nesse sentido me lembrou do filme A onda) e sobre como o capitalismo nos pressiona até sobre o próprio sentido da vida. Os personagens do livro são quase repulsivos, e dá agonia ver como eles preferem tirar algo desagradável da frente deles em vez de discutir sobre o assunto, mas também dá para se perguntar até que ponto nós também não somos assim. No final, Nada traz mais perguntas que respostas. Fazia muito tempo que eu não lia algo tão provocador, e é incrível pensar que Nada cria esse efeito em menos de cento e trinta páginas.

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Os últimos filmes que eu vi #10

1- A busca (Luciano Moura, 2013)

A buscaFiquei curiosa com o enredo desse filme, queria saber porque o filho fugiu, então decidi assistir. A busca apresenta a busca do personagem de Wagner Moura pelo filho, além de, metaforicamente, a busca do pai por autoconhecimento ou outros lugares comuns do tipo. Bom, eu gostei do filme. Ele me prendeu, embora às vezes a repetição da busca tenha me cansado. Acho que o filme poderia ter cortado um pouco da parte da viagem para mostrar mais cenas da família, mas ao mesmo tempo entendo a opção de deixar algumas coisas para a reflexão do espectador. É curioso porque na mesma época tinha visto Eles voltam, outro filme brasileiro, dessa vez sobre uma menina procurando voltar para casa e encontrar os pais. Em A busca os papéis se invertem e é o pai que procura pelo filho. Avaliação: 3,5/5

2- As vantagens de ser invisível (Stephen Chbosky, 2012)

THE PERKS OF BEING A WALLFLOWEREu já tinha visto vários trechos do filme antes, mas só consegui assisti-lo inteiro agora (com agora, leia-se em outubro do ano passado. Eu, cheia de posts atrasados? Até parece). É difícil avaliar desse jeito, porque não teve o impacto de ver pela primeira vez algumas cenas, mas no geral é um bom filme. As atuações são convincentes, especialmente Ezra Miller como Patrick. As vantagens de ser invisível é um filme envolvente e que consegue trazer bem muitos dos conflitos e das emoções do livro. Em questão de adaptação, acho só que o professor de inglês ficou meio solto no filme. Não gosto do final do livro, acho que ele pode ser interpretado de uma maneira prejudicial para quem é tímido e invisível como o Charlie, mas no filme eu não o achei tão ruim, talvez por já saber o que já acontecia. Avaliação: 3,5/5

3- Detona Ralph (Rich Moore, 2012)

Detona Ralph Continuando minha saga de ver mais animações, dessa vez o escolhido foi Detona Ralph. Fiquei curiosa para vê-lo desde que o filme saiu, porque até a crítica o elogiou, mas acabei não tendo ânimo para ver no cinema. Por mais que eu goste da premissa do filme, um Toy Story versão fliperama, a verdade é que não ligo muito para videogames, então não entendi muitas das referências. Mas eu gostei daquelas que eu entendi e adorei que não se limitaram a videogames. A história do filme é clichê e previsível, mas eu não esperava outra coisa. O problema para mim é que o roteiro em um momento aponta um momento sério de crise, uma situação que não teria uma solução razoável, mas depois desfaz tudo, porque era mentira (é difícil de explicar sem usar spoilers). Essa situação seria muito mais interessante do que o enredo do filme de verdade, então fiquei meio decepcionada. Acho que eu queria um pouco mais de complexidade, só isso. Mas recomendo o filme para fãs de games. Avaliação: 3/5

4- Vida de adulto (Scott Coffey, 2013)

Vida de adulto Emma Roberts interpreta Amy, uma jovem que sonha em ser uma poeta renomada. Por enquanto, porém, ela só recebe nãos de revistas literárias e não consegue ter seu trabalho publicado em nenhum lugar. Após brigar com seus pais, que não têm mais como sustentá-la, Amy passa a trabalhar em uma sex shop, e é desse modo que ela amadurecerá. O filme é uma comédia e parece uma versão mais leve e engraçada da série Girls ou um Girls que deu certo. Gostei bastante de Vida de adulto, acho que ele lida bem com as dificuldades de crescer e amadurecer e ao mesmo tempo tira sarro da geração de jovens de hoje. Avaliação: 3,5/5

5- Touro indomável (Martin Scorsese, 1980)

Touro indomável

Como meio mundo ama o Scorsese e o único filme que eu vi dele é A invenção de Hugo Cabret, achei que estava na hora de conhecer mais filmes do diretor. Comecei por Touro indomável pelo motivo de sempre: passou na TV em um bom horário. E também porque era o meu filme do mês da lista de 1001 filmes para ver antes de morrer. O fato é que não me interesso por boxe, então acabei achando o filme um pouco entediante. Os atores estão ótimos, o filme é muito bem feito, mas a história de vida do Jake LaMotta não conseguiu me prender o suficiente. Talvez se o filme tivesse meia hora a menos eu teria gostado mais, porque tem várias partes interessantes, mas no geral achei cansativo. Avaliação: 3,5/5

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Desafios literários 2015

Como tive um semestre atípico na faculdade e meu fim de semestre está sendo em janeiro, acabei procrastinando alguns posts no blog. Um deles é este: o de desafios de 2015. No final dos últimos anos, sempre fico ansiosa esperando a lista de desafios que vão sair. Fico dividida entre querer que as listas não me agradem e assim eu possa ter um ano menos preso a desafios e a querer que as listas sejam incríveis.

Como estou com vários projetos e com algumas metas, além da TBR jar, acabei participando de mais desafios do que pretendia. Pensei em participar de mais um além dos que vou citar no post, mas acabei desistindo porque eu ia (ou melhor, eu vou) acabar me enrolando com todas essas leituras. Felizmente, só um dos desafios é mensal, o resto pode ser lido quando eu tiver vontade.

O primeiro desafio, que é o que eu pretendo seguir mais seriamente, é o Desafio literário Skoob. Ele é feito a partir de um grupo do Facebook e segue a proposta dos desafios mensais: todo mês tem um tema e você tem que ler e resenhar algum livro do tema. Gostei dos temas desse ano porque são um pouco mais livres, sem tantos gêneros como outros. Assim é mais fácil de adequar os livros que eu tenho em casa com o desafio.

Os temas e algumas das minhas ideias de leitura são:
Janeiro: Novinho em folha (o último livro que você comprou/ganhou/baixou/pegou emprestado)
Já li Uma casa na escuridão. Se eu conseguir terminar em janeiro, vou ler também O garoto zigue-zague, do David Grossman. Esses são os últimos livros que minha irmã alugou na biblioteca.

Fevereiro: Fantasia
A casa dos muitos caminhos, da Diana Wynne Jones, O oceano no fim do caminho, do Neil Gaiman, ou Wildwood, do Colin Meloy. Os três estão esperando aqui na estante para serem lidos há um bom tempo.

Março: Escritoras com ‘A’ maiúsculo (um livro escrito por mulher)
Vou casar com algum dos meus projetos e ler Codinome Verity, da Elizabeth Wein, ou A lista negra, da Jennifer Brown. Ou qualquer um que der vontade. Tem bastante coisa de mulheres na minha estante.

Abril: Pega na mentira! (uma história que envolva mentira, falsidade, enganação)
Quero ler Garota exemplar, da Gillian Flynn, ou Depois da escuridão, do Sidney Sheldon. Minha tia que me emprestou os dois.

Maio: Língua-mãe (livros escritos originalmente em português)
Esse também é desses que é tão livre que dificulta a escolha. Comprei recentemente Rani e o sino da divisão, do Jim Anotsu, e estou com muita vontade de ler. Como vou fazer uma matéria sobre literatura africana de língua portuguesa na faculdade, pode ser que eu encaixe alguma das leituras nesse tema.

Junho: Casais (namorados, casados, separados, viúvos, etc)
Pensei em Na praia, do Ian McEwan, ou em O mundo pós-aniversário, da Lionel Shriver. Se eu quiser algo mais leve, tem vários YAs para escolher.

Julho: Inverno (histórias que se passem em um lugar frio, capas que remetam ao inverno)
Estou adiando a leitura de O palácio de inverno, do John Boyne, há muito tempo. E meu tio me emprestou Boneco de neve, do Jo Nesbø. Fiquei feliz em ver que as pessoas acabaram me ajudando no desafio mesmo sem eu ter falado nada para elas.

Agosto: Folclore e Mitologia
Minha irmã tem um livro de mitos noruegueses chamado Askeladden e outras aventuras, e devo ter em casa outros livros de mitos mais infantis. Também tenho Odd e os gigantes de gelo, do Neil Gaiman.

Setembro: Livros banidos (tem uma lista aqui para ajudar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_livros_censurados)
Eu podia escolher vários clássicos, mas provavelmente vou ficar com os YAs banidos em escolas. Quero ler Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente, do Sherman Alexie, ou Forever, da Judy Blume.

Outubro: Terror
O que eu tenho em casa: A outra volta do parafuso, do Henry James, Nosferatu, do Joe Hill e Histórias de horror, de vários autores.

Novembro: Finados (personagens que têm que lidar com a morte – já ocorrida ou iminente)
Minhas escolhas por enquanto são Como falar com um viúvo, do Jonathan Tropper, e Morte e vida de Charlie St. Cloud, do Ben Sherwood. Mas tem vários livros que falam sobre o tema, então posso ler outra coisa.

Dezembro: Ganhadores de prêmios (livros/autores vencedores do Jabuti, Nobel, Pulitzer, etc)
Só pensei em Luz em agosto, do William Faulkner, mas tenho vários livros que ganharam prêmios menores. Vou acabar escolhendo pelo meu humor.

O segundo desafio do qual vou participar é o Desafio literário do Tigre, pela segunda vez. Dessa vez, o modelo é diferente e sugere que você leia dois livros por mês, escolhendo o tema que se encaixe dentre as opções.

DL do Tigre Como são muitos temas, não vou criar minhas opções para cada e vou encaixar minhas leituras no desafio como der. Alguns temas, como poesia e crônica, não são tão fáceis e provavelmente vou ter que ler só para o desafio, mas não é nenhum problema. O difícil, no começo, é escolher em que categoria vai ficar o livro, porque vários se encaixam em mais de uma.

O último desafio, que vou fazer só de curiosa, é o que inspirou o DL do Tigre. Pelo que eu entendi, é de uma revista feminina, e as categorias são essas:Reading challenge

(a imagem ficou minúscula e ilegível, desculpem aí. Mas é só procurar 2015 reading challenge no Google que dá para encontrar uma maior)

Esse vai funcionar assim: eu vou encaixando os livros nos temas e vejo como fica. Cada livro pode ser usado em mais de um tema, para ficar mais fácil. Aí no final do ano eu vejo quantas categorias eu li das cinquenta. Se der para completar, melhor ainda.

São esses o três desafios de 2015. Espero que eu consiga desencalhar vários livros da minha estante… Vou colocar o andamento dos desafios na página de projetos para ficar mais fácil de acompanhar. Boa sorte para nós!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma casa na escuridão, José Luís Peixoto

Uma casa na escuridão

Ao escrever, algo de nós se tocava. Ao escrever, sentia-a passar por mim, sentia-a atravessar-me. Depois, fechava os olhos e via-a sorrir. Ainda dentro de mim, mas um pouco do seu rosto de anjo e da lonjura do seu olhar e dos seus gestos brandos a existir na página, no texto. Às vezes, levantava-me, segurava as folhas a tremerem-me  na mão e lia devagar. Após cada frase, parava e ouvia-a lida na memória. Ela era o texto.

Eu precisava fazer um trabalho de literatura portuguesa com o tema de Romantismo e Uma casa na escuridão era uma das sugestões para análise. Como gostei bastante do outro livro do Peixoto que eu li e não tinha a menor vontade de ler um autor romântico autêntico, fiquei com a opção mais segura para mim e li Uma casa na escuridão.

O livro conta a história de uma escritor em uma sociedade onde editores são presos por recusarem a publicações de originais, invasões de soldados não são raras e algumas famílias têm escravas. O escritor, que narra a história, vive com sua mãe e uma escrava na casa do título. Sua vida é pacata, até que ele encontra uma mulher dentro dele e se apaixona perdidamente. Mas a crueldade do mundo real se impõe e a vida não será como ele quer que seja.

A história é cheia de elementos simbólicos e quase tudo dá para interpretar como metáfora e relacionar com a nossa sociedade. Não sei a que ponto minhas interpretações estão corretas, mas também não acho que seja a ideia ter interpretações certas.

No geral, do ponto de vista crítico, achei o livro bem interessante — ou seja, consegui material suficiente para a minha análise. Porém, quando a questão mais óbvia, se eu gostei do livro, a resposta não é tão simples.

A prosa do autor é bem poética, e eu não gosto muito disso. Ao mesmo tempo, a leitura fluiu bem apesar dos parágrafos enormes. Mesmo que eu não estivesse tão envolvida com o que estava lendo, eu continuava, porque não achava motivo para parar e porque tinha prazo para fazer o trabalho.

O enredo do livro é curioso, mas tem muito de romantismo no começo e o psicológico do protagonista é bem mais explorado do que o lado social — uma escolha proposital do autor, claro, mas fiquei querendo entender melhor a sociedade e fiquei entediada em algumas partes com todo o drama do narrador.

Eu li o livro sem saber quase nada sobre ele, por isso algumas coisas do enredo me pegaram de surpresa e me chocaram, o que eu considerei positivo (embora tenha visto algumas resenhas reclamando da violência do livro — questão de gosto, acho).

Enfim, para não me alongar e não escrever uma versão 2.0 do meu trabalho, recomendo Uma casa na escuridão para fãs de obras intensas, viscerais e líricas.

Avaliação final: 3,25/5