Sabem, eu a invejei. A simplicidade de seu trabalho, a limpeza espiritual disso: o avião e Maddie. Era tudo o que precisava fazer. Não havia culpa, nem dilema moral, nem disputa ou angústia — perigo sim, mas ela sempre soube o que enfrentava. Invejei que ela mesmo escolhera seu trabalho e fazia o que gostava. Não creio que eu tivesse ideia do que queria, então fui escolhida, não escolhi. Existe glória e honra em ser selecionada para algo. Mas não sobra muito espaço para livre-arbítrio.
É muito bom ter pessoas da sua família que trabalham na área editorial, porque você acaba tendo livros que não leria se não fosse por isso (claro que alguns deles você acaba não lendo de qualquer jeito — estou bem sem ler livros de política americana, muito obrigada). Codinome Verity é um desses casos: a temática não é das mais atraentes para mim, pois não sou muito interessada na Segunda Guerra Mundial. Mas o livro foi tão elogiado que eu tinha sim um pouquinho de curiosidade de ler. Afinal, não recuso a leitura de um YA físico que eu tenha em minhas mãos. Então, depois de anos de enrolação, finalmente o tirei da estante.
Codinome Verity conta a história de duas amigas, Queenie e Maddie. A primeira parte narra a história de Queenie, escocesa capturada por nazistas. Para sobreviver, ela deve revelar os segredos da guerra para os inimigos, e é por esse relato que sabemos o que aconteceu. Na segunda parte, vemos a versão de Maddie, piloto e melhor amiga de Queenie, da história. Não resumi bem, mas é difícil contar o livro sem spoilers.
Comecei o livro apreensiva, e não consegui gostar do relato de Queenie. Não parecia nada real que alguém que estivesse presa daquele jeito fizesse um relato tão literário e cheio de informações inúteis para quem a capturou. Sabe quando você lê um livro e não consegue parar de pensar que você está lendo um livro, que é só ficção? Eu não consegui entrar na história porque achei a parte da Queenie inverossímil demais. Além disso, a primeira parte é a que tem mais informações históricas e técnicas sobre aviação. É claro que tudo é bem pesquisado, e as informações encaixam na narrativa, mas não sou das maiores fãs de livros que nos ensinam coisas fatuais tão diretamente. Prefiro aprender nas entrelinhas.
Achei a segunda parte, narrada pela Maddie, bem mais interessante, e a leitura fluiu melhor. Tive que suspender a descrença também para achar que alguém escreveria relatos daquele jeito naquela situação, principalmente sendo alguém com poucos conhecimentos literários, mas pelo menos nessa parte foi mais fácil ignorar a inverossimilhança e entrar na narrativa. É na segunda parte também que tudo se encaixa e a gente entende algumas pontas que ficaram soltas na narrativa da Queenie.
Como não consegui entrar tão bem no livro no começo, não consegui me importar com os personagens nem me emocionar com a história. Depois de concluída a leitura, no entanto, não dá para não pensar que as personagens são incríveis e bem desenvolvidas. O problema é que não consegui sentir isso enquanto lia.
Enfim, imagino que Codinome Verity seja daqueles livros que “o problema não é você, sou eu”. Acho que é uma história interessante de um tema pouco explorado, mulheres trabalhando na guerra, mas foi uma leitura de altos e baixos e não deu muito certo para mim. De qualquer jeito, recomendo para quem se interessar pelo tema.
Avaliação final: 3/5