sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

TAG: leituras de 2014

Queria fazer algum post de retrospectiva das leituras do ano passado mas não sabia como separar as categorias. Então vi esse post e decidi me inspirar nele, mas tirei algumas perguntas porque não sabia responder ou achei que não tinham a ver com o meu mundo de não-blogueira-profissional-e-que-não-lê-muitos-lançamentos. E acrescentei uma pergunta porque achei que faltou e deu vontade. Os links dos livros dão para suas respectivas resenhas (em que eu sou bem mais crítica, é verdade, mas é o meu jeitinho). A tradução das perguntas é da minha irmã. O post ficou enorme, mas juro que é rápido de ler.

Estatísticas de leitura
Número de livros lidos:
65, de acordo com essa lista. Pelo Skoob, eu li mais, porque eu coloco aqueles infantis de 20 páginas também, mas não tenho o número exato porque a meta de leitura já atualizou para 2015… De qualquer jeito, 65 foi um número maior do que nos últimos anos, então estou bem satisfeita.
Número de releituras: 6 (dos livros "grandes", reli outros infantis também)
Livros começados mas não terminados: Uma obsessão sombria, do Kenneth Oppel (comecei a ler em PDF para um trabalho e acabei desistindo. Não tenho saco para ler no computador. Mas foi uma  leitura interessante, bom para quem gosta de Frankenstein), Um gato indiscreto e outros contos, do Saki (comecei a ler numa viagem. Como leio mais romances, os contos ficam meio de lado, já que não dá vontade de ler muito em seguida. Mas esse eu vou terminar de ler, juro!), Primeiras estórias, do Guimarães Rosa (li vários contos para a faculdade, falei que ia ler inteiro, mas só li um conto além dos obrigatórios. Se eu não me animar esse ano, abandono oficialmente o livro) e My true love gave to me (comecei a ler no final de ano. Esse eu também vou terminar).

Sobre os livros
1. Melhor livro lido em 2014? (se quiser, pode separar por gênero)
Vou separar em categorias meio aleatórias mesmo porque não sei direito o que é gênero e o que não é.
Melhor infantil: A velhinha que dava nome às coisas, Cynthia Rylant
Melhor infanto-juvenil: Luna Clara & Apolo Onze, Adriana Falcão
Melhor YA: Fangirl, Rainbow Rowell 
Melhor romance(?): Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles 
Melhor livro de contos: The garden party, Katherine Mansfield
Melhor clássico: A redoma de vidro, Sylvia Plath 
Melhor livro ilustrado: Raul Taburin, Sempé
Melhor graphic novel: Asterios Polyp, David Mazzuccheli

2. Livro que você estava empolgada para ler e achou que amaria mas não amou tanto assim?
Após o anoitecer, do Haruki Murakami. Gostei muito de Norwegian Wood, do mesmo autor, mas Após o anoitecer não me animou.

3. Livro mais surpreendente (no bom ou mau sentido) que leu?
We were Liars, da E. Lockhart. Gostei do fato de ter me surpreendido, mas fiquei bem brava com a surpresa em si.

4. Melhor série que começou a ler em 2014? Melhor continuação? Melhor último livro?
The raven boys, Em chamas, e não terminei nenhuma série em 2014.

5. Novo autor favorito descoberto em 2014?
Estou muito curiosa para ler mais da Lygia Fagundes Telles.

6. Melhor livro de um gênero que você normalmente não lê/está fora de sua zona de conforto?
Sandman, embora eu tenha sofrido justamente por estar fora da minha zona de conforto.

7. Melhor livro cheio de ação/empolgante/impossível de largar do ano?
Em chamas ou The maze runner.

8. Livro lido em 2014 que provavelmente será relido em 2015?
Nenhum, não releio com tão pouca distância.

9. Capa preferida de um livro lido em 2014?
Vaclav & Lena.

10. Personagem mais memorável de 2014?
Meio aleatório, mas vou citar o Isidoro de Diário da guerra do porco. Não é exatamente o mais memorável, mas me marcou mais que o comum em livros do tipo.

11. Livro mais bem escrito?
Ciranda de pedra.

12. Livro que mais te fez pensar/mudou sua vida?
A redoma de vidro definitivamente ficou comigo depois de eu ter terminado de ler, para o bem ou para o mal.

13. Livro que você não consegue acreditar que esperou até 2014 para finalmente ler?
Vou copiar as respostas da minha irmã: Luna Clara & Apolo Onze e Um barril de risadas, um vale de lágrimas. Namorei Luna Clara por anos nas livrarias e não comprei porque tinha preconceito com infanto-juvenis brasileiros. Tenho certeza de que se eu o tivesse comprado, seria um dos meus queridinhos e eu já teria relido várias vezes. Acho que Um barril de risadas também seria desses que eu releria bastante.

14. Livro que mais te chocou?
Os livros que devoraram meu pai, do Afonso Cruz, porque eu definitivamente não estava esperando aquele final em um livro infanto-juvenil.

15. OTP do ano?
Não costumo torcer para casais ficarem juntos e tal quando eles muito provavelmente vão dar certo porque não tem graça. Então vou de Blue e Adam de The raven boys. Devo ser uma das únicas que torce por eles e sei que não vai dar certo, mas é a vida.

16. Livro favorito de um autor que você já tinha lido antes?
Raul Taburin, do Sempé, e The garden party, da Katherine Mansfield.

17. Nova "paixonite" de um livro lido em 2014?
Levi, de Fangirl, porque ele é muito fofo (talvez até demais). Mas também não sou muito de me apaixonar em livros. Acho mais difícil tolerar os defeitos das pessoas em livros do que na vida real...

18. Livro que te fez sorrir/foi o mais divertido de ler?
Flipped, da Wendelin Van Draanen.

19. Livro que te fez chorar (ou quase)?
Acho que não chorei lendo Por favor, cuide da mamãe, mas é um livro bem triste.

20. Tesouro escondido do ano?
Os livros que devoraram meu pai e Flipped.

21. Livro que mais te enraiveceu (isso não significa necessariamente que você não gostou)?
Insurgente. Tris ganha o prêmio de personagem mais chata. Ou talvez o Quatro ganhe, estou na dúvida.

De olho no futuro
1. Livro que não conseguiu ler em 2014 mas que será sua prioridade em 2015?
Olha, eu tenho tanto livro que quero muito ler em casa que acabo não tendo prioridade nenhuma. Os livros dos desafios que eu participar vão ser minha prioridade.

2. O que você deseja conquistar ou fazer em sua vida literária/blogueira em 2015?
Continuar postando bastante. Em 2014 eu consegui resenhar ou comentar tudo que li e gostaria de continuar fazendo isso em 2015. Queria comprar menos livros e ler mais livros da minha estante também. Pegar muitos livros na biblioteca em 2014 me fez pensar bastante em consumismo e agora o simples fato de ter um livro tem um peso que não tinha antes. Talvez então eu passe a trocar ou vender os livros de que não gostei tanto, mas não sei ainda. E concluir a maior parte dos desafios dos quais vou participar.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Comentários sobre livros #2

Já que não vai ter resenha essa semana, hoje vou dar pitacos sobre livros infantis — ou não — de novo. Li esses faz um tempão, mas só consegui postar agora porque acabo dando prioridade para outros posts…

1- O príncipe sem sonhos, Márcio Vassallo. Ilustrações de Mariana Massarani

O príncipe sem sonhos Para ser sincera, eu me lembro de ter esse livro, mas não de lê-lo na minha infância. Bom, eu gostei bastante da narrativa do autor, simples e bonita, e adoro as ilustrações da Mariana Massarani. Mas não sei se entendi bem a moral da história, ops. Avaliação: 4/5

2- A velhinha que dava nome às coisas, Cynthia Rylant. Ilustrações de Kathryn Brown

A velhinha que dava nome às coisas Tenho um fraco por histórias de velhos solitários e sempre fico muito triste com elas. Esse livro é infantil e tem um final feliz, mas me deixou melancólica mesmo assim. É uma história linda sobre uma velhinha que dava nome às coisas que durariam mais que ela, porque seus amigos morreram e ela sentia falta de chamar alguém pelo nome. Um dia, um cachorro a visita e ela o expulsa e não quer nomeá-lo, pois ele tem chances de morrer antes dela. Mas o cachorro a contraria e daí surge uma bela amizade. As ilustrações também são muito boas. Li o livro porque separei para doação, mas decidi que vou continuar com ele. Avaliação: 5/5

3- O pequeno Nicolau, Goscinny. Ilustrações de Sempé

O pequeno Nicolau Adorava a série de livros do Pequeno Nicolau quando eu era menor e decidi reler. O livro conta a história de Nicolau, uma criança francesa. Basicamente, Nicolau e seus amigos fazem muita bagunça e brigam para caramba, divertindo-se de montão no processo. Adoro ver a inocência e a animação de Nicolau narrando. Em alguns momentos o livro fica repetitivo demais, porque em cada capítulo temos a descrição dos mesmos personagens, quase como um epíteto enorme. Entendo esse recurso porque ele facilita que a gente se lembre de quem é quem, mas quando li vários capítulos em seguida, ficou um pouco irritante. Aliás, várias histórias são parecidas entre si no conteúdo também, então eu recomendaria que o livro fosse lido com calma, não tudo em seguida. Não sei como as crianças de hoje reagem ao Pequeno Nicolau, mas eu continuo o adorando. Avaliação: 4/5

4- Sandman: prelúdios e noturnos 1, Neil Gaiman

SandmanAdoro o Neil Gaiman, mas nunca tinha lido o trabalho dele nos quadrinhos. Foi também a minha primeira HQ adulta sobrenatural. Não sei se esse negócio de quadrinhos é para mim, porque são muitos volumes e só de pensar em ter que arranjar um modo de ler todos me dá uma preguiça… Sandman é interessante, bem trabalhado e cheio de referências que não peguei (se alguém por acaso ainda acha que HQ é simples e coisa só de criança, essa pessoa está completamente enganada). Falta maturidade minha como leitora de quadrinhos para entender melhor o livro, e não sei se faço questão de ir buscá-la. Avaliação: 3,5/5 

5- Raul Taburin, Sempé

Raul Taburin  Amo como o Sempé consegue transformar histórias simples em livros tão bonitos. Não sei explicar por que gostei tanto de Raul Taburin, mas o livro me fez ficar sorrindo que nem boba enquanto eu lia. Acho que a descrição apropriada é de “coração quentinho”. Fico triste ao ver que os livros do autor não são tão conhecidos aqui, talvez por não terem tanta cara de infantil mas ao mesmo tempo muito mais cara de infantil do que de adulto. De qualquer jeito, acho que é uma leitura para todas as idades, então comprem quando estiver na promoção (porque preço inteiro da Cosac Naify ninguém merece) para incentivar que a editora lance mais livros do autor. Avaliação: 4,5/5

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Projeto: TBR jar em 2015

Chega o final do ano e já fico animada pensando nos projetos e desafios de que quero participar no ano seguinte. Como já criei alguns bem antes, achei que não ia me animar com mais coisa. Mas aí me lembrei da minha TBR jar, só usada uma vez, e desenvolvi um novo projeto.

Não tem nada mirabolante no projeto, a ideia é simplesmente ler 12 livros sorteados da caixinha em 2015. Se eu só usasse o sorteio quando desse vontade, acho que acabaria usando-o muito pouco, então decidi pegar 12 livros de uma vez, de forma que posso escolher melhor quando vou ler o livro. Isso foi bom no final de contas, porque pretendo participar de um desafio literário e posso encaixar melhor minhas leituras assim.

014Essa é minha TBR jar (ou box, para ser mais específica). Separei meus livros em nove categorias, cada uma com uma cor diferente. Para o sorteio, decidi pegar um de cada categoria e mais três aleatórios. Os livros sorteados foram:

Da categoria de contos, Wunderkind, da Carson McCullers. Tive sorte nesse, porque é um livro curtinho e nessa categoria tem uns livros enormes que quero ler bem devagar.

Da categorias de séries, Os Pequeninos Borrowers, da Mary Norton. É um livro de oitocentas páginas reunindo todos os volumes da série. Pretendo ler aos poucos.

Da categoria de clássicos, peguei Luz em agosto, do Faulkner. Acabei fazendo uma burrice e botando alguns clássicos em outra categoria, mas pelo menos sorteei um livro que quero ler faz tempo.

Peguei As aventuras de Pi, de Yann Martel, entre os livros emprestados. Minha tia me empresta um monte de livros e nem faz questão de tê-los de volta, então eu acabo não lendo esses livros rapidamente e posso me dar ao luxo de criar uma categoria para eles.

The complete Peanuts (1953-1954) foi o sorteado na categoria de histórias em quadrinhos. Esse vou ler aos poucos também.

Por que o mundo existe?, do Jim Holt, é o livro de não-ficção que vou ler. Essa categoria só tem outro livro além desse… Preciso de muito incentivo para ler não-ficção.

Charlotte Sometimes, do Fábio Fernandes, foi o sorteado na categoria de e-books. Criei essa categoria porque fico baixando um monte de livro de graça na Amazon e nunca leio. Tive sorte também, porque esse é curtíssimo.

A penúltima categoria é a de livros que já li antes, mas não depois de ter comprado. Aquele livro que eu amava, mas li pela biblioteca e comprei recentemente para reler. São poucos livros nessa categoria, e o sorteado foi O espetáculo carnívoro, do Lemony Snicket. Eu tinha os primeiros e últimos volumes de Desventuras em série e nesse ano comprei o resto para completar a coleção e poder reler. Já comecei a releitura, mas parei no terceiro. Então ano que vem vou ter que ler pelo menos até o nono.  

A última categoria é a de outros: livros únicos contemporâneos de papel que nunca li, etc. É a categoria que tem mais livros, e os três livros bônus que sorteei acabaram sendo dela. Então fiquei com quatros livros: Rani e o sino da divisão, A lista negra, Como falar com um viúvo e Odd e os gigantes de gelo.

Pretendo ler os livros no meu ritmo, e não vou me sentir pressionada se não conseguir ler todos. A ideia do projeto é incentivar a leitura do que tenho em casa, mas se eu acabar lendo outros em vez desses, tudo bem também.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um homem de sorte, Nicholas Sparks

Um Homem de Sorte

Logan parou e olhou para o céu a ver a pipa voando acima deles, e, quando aplaudiu Ben demonstrando uma alegria óbvia, Beth percebeu uma verdade bem simples: às vezes as coisas mais ordinárias podem transformar-se em extraordinárias, simplesmente se realizadas pelas pessoas certas.

O que dizer do Nicholas Sparks? Fora minha tia, que me emprestou esse livro, não conheço ninguém que goste mesmo do autor. Na internet, vejo todo mundo zoando de seus livros previsíveis ou reclamando do seu sucesso. Posso fingir que detesto o autor e engrossar o coro, mas a verdade é que eu até gostei dos livros dele que li até agora.

Um homem de sorte conta a história de Logan Thibault, ex-fuzileiro naval que lutou na guerra do Iraque. Lá, ele encontra a foto de uma mulher e a guarda consigo. A fotografia continua com ele por anos, e o melhor amigo de Thibault considera que ela seja um amuleto, pois ela sempre os protegeu. Sem saber o que fazer após voltar aos Estados Unidos, Thibault parte em busca da mulher da fotografia. E o que acontece depois, óbvio, é completamente previsível.

Em defesa do Nicholas Sparks em Um homem de sorte, o livro não é tão meloso quanto as pessoas podem achar que seja. Na verdade, acho até que muito romance adolescente é mais meloso que esse livro. Quer dizer, o texto não é explicitamente meloso na maior parte do tempo, mas as entrelinhas são muito bregas. Ou seja, é só ignorar a mensagem do livro e seguir em frente com a leitura que está tudo certo.

Surpreendentemente, Sparks usa até um pouco de humor nesse livro. Temos o antagonista da história, Clayton, e as partes narradas pelo seu ponto de vista são engraçadas de tão sem noção.

Além do antagonista sem noção, temos em Um homem de sorte o mocinho sem sal, a mocinha sem sal, o filho fofo da mocinha sem sal e a avó carismática da mocinha sem sal. Se parar para pensar, são personagens irreais e tal, mas toda a questão de ler Nicholas Sparks é: para que parar para pensar? A leitura me envolveu e eu preferi seguir lendo sem racionalizar muito — ok, parando uma hora ou outra para zoar das opiniões que Sparks, como homem religioso e patriota, coloca na história.

Imagino que ler vários livros do autor em seguida seja uma experiência ruim, e entendo por que tanta gente não gosta dele, mas os livros do Nicholas Sparks continuam servindo quando quero ler algo que prenda a atenção. É só não levar tão a sério que consigo para aproveitar a leitura.

Avaliação final: 2,5/5

É com esse livro que me despeço do Desafio Literário do Tigre. Consegui seguir todos os temas e aproveitei bem as leituras. Agradeço a Tati, que criou o desafio com temas ótimos e deixou tudo super organizado.

sábado, 20 de dezembro de 2014

De volta à vida, Nadine Gordimer

De volta à vida

Radiante.

Literalmente radiante. Mas não emitindo luz como os santos mostrados com uma auréola. Ele irradia o perigo, invisível para os outros, de uma substância destrutiva que serviu para contra-atacar o que o estava destruindo. Câncer da glândula tireóide. No hospital, foi mantido em isolamento. (…) Ele permanece, e ainda continuará, sem controle sobre si, expondo pessoas e objetos ao que ele emana, tudo e todos que ele tocar.

Fiquei com vontade de ler algo da Nadine Gordimer porque ela é a única escritora sul-africana que eu eu conheço. Já li um livro do Coetzee, mas acho importante dar uma variada e ler mais mulheres.

De volta à vida conta a história de Paul, um ecologista que fica radiante por causa do tratamento de um câncer. Ele se isola na casa dos pais para não afetar sua esposa ou seu filho. Nesse período de isolamento, ele e seus familiares refletem sobre suas vidas.

A sinopse ficou bem porca, mas é mais ou menos isso mesmo. O livro tem menos de duzentas páginas e vai mostrando o ponto de vista de cada personagem, de forma que sabemos um pouco do seu passado e de como está a situação no momento.

Mesmo o livro sendo curto, demorei mais do que o normal para terminá-lo. Em parte, isso aconteceu porque a leitura foi no final de semestre e eu tinha várias coisas para fazer para a faculdade. Mas não foi só isso. O começo do livro não me pegou, e embora eu tenha me impressionado com a escrita da Nadine Gordimer desde o início, era difícil ter vontade de ler por bastante tempo.

Felizmente, a segunda metade do livro me agradou mais. Algumas coisas ainda me incomodaram — por exemplo, não liguei muito para a parte do trabalho do Paul e suas conversas profissionais —, mas fiquei satisfeita por ter lido De volta à vida. Algum dia pretendo ler mais da Nadine Gordimer.

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 14 de dezembro de 2014

Sobre guilty pleasures

Sei que é estranho fazer posts de discussões confusos, que falam, falam e não chegam a lugar nenhum, mas não sou uma pessoa de opiniões firmes e prefiro problematizar as coisas a resolvê-las. O próprio fato de eu estar falando isso é um pouco contraditório, porque talvez mais tarde eu pareça ter convicções e ideias bem formadas. Enfim, desse jeito parece até que vou falar sobre um assunto sério e importante para o mundo inteiro, mas não. Só queria dizer o que penso sobre guilty pleasures. Minha opinião não é a que eu mais vejo por aí nesse universo cuidadosamente selecionado que é a internet, onde acompanho apenas quem me apetece de algum modo, e acho que por isso senti necessidade de falar sobre o assunto.

A maior parte das pessoas que conheço defende que guilty pleasure é um termo que não deveria ser usado, que gente bem resolvida não sente culpa nenhuma, etc. E eu entendo por que elas dizem isso, mas a minha visão é de que não é o fim do mundo ter guilty pleasures, especialmente com uma definição mais branda do termo.

Eu não defendo a visão de que guilty pleasure, como a definição padrão diz, é algo do qual você gosta e o resto do mundo acha duvidoso. Acho que não tem problema nenhum gostar de algo supostamente ruim e defender isso; aliás, acho isso louvável. Eu gostaria de ligar menos para o que os outros pensam, mas ao mesmo tempo não é um fator que interfira muito na minha vida. Meus amigos e minha família mais próxima sabem do que eu gosto, e o resto não precisa saber. Posso ficar com um pouco de vergonha quando alugo um livro YA na biblioteca, ou quando minhas compras no supermercado são só coisas nada saudáveis, mas isso não me impede de fazer essas coisas. Até porque, como sou tímida, tenho vergonha de pegar qualquer livro na biblioteca ou comprar qualquer coisa.

Basicamente, entendo que as outras pessoas queiram que todo mundo pare de julgar os outros pelos seus gostos (não sei se isso aumentou com a internet ou se antes eu não percebia, mas por que todos têm que ter opinião formada sobre tudo? Ou você ama Crepúsculo ou você odeia, ou você acha a Taylor Swift o melhor exemplo de pessoa na face da terra ou você a odeia, ou você fala biscoito ou fala bolacha — achando que o seu lado, claro, é o certo . Não existem outras possibilidades? Sei que é exagero meu e que faço isso às vezes, mas esse tipo de coisa realmente me incomoda). Não acho horrível eu mesma sentir culpa em algumas coisas, no entanto. Não preciso ter orgulho de tudo o que faço. Se a culpa que eu sinto por gostar de algo não é enorme e não me impede de fazer alguma coisa, está tudo certo.

Eu divido meus guilty pleasures em três categorias. A primeira é de coisas que me fazem mal de alguma forma, hábitos ruins: comer muito doce em seguida, arrancar esmalte da unha, tirar casquinha de machucado ou mesmo comprar livros compulsivamente… Coisas que são legais de fazer na hora, mas que depois eu me arrependo. Tenho a impressão de que esses são os guilty pleasures mais comuns e que quase todo mundo tem.

O segundo tipo é de coisas problemáticas — racistas, machistas, homofóbicas, etc. Gosto de The big bang theory, por exemplo, que é cheio de piadas preconceituosas. De vez em quando vejo Esquadrão da moda ou outros reality shows de makeover, mas eles são muito opressores e humilhantes. Gosto bastante dos filmes do Woody Allen, que é um figura super problemática. A culpa no caso vem de apoiar algo que vai contra seus ideais. Tem formas de diminuir esse apoio, usando a pirataria, por exemplo, mas nem sempre penso nisso. Normalmente, não chego a me sentir muito mal por esse tipo de coisa porque se a gente for se sentir culpada por qualquer coisa minimamente problemática, não vai gostar de nada.

O último tipo de guilty pleasure é o que mais parece com a definição tradicional: o de coisas que considero ruins. Acho ruim e gosto mesmo assim. Alguns exemplos: reality shows da MTV, filmes do Disney Channel, leituras bem fúteis (daquelas que você fica em dúvida de que nota vai dar, porque pelo entretenimento seria uma nota alta mas pela qualidade seria baixa). Acho que a culpa daqui vem dessa ideia de que temos que ser produtivos até no nosso tempo livre e que nesse período poderia estar lendo ou vendo algo melhor — e nesse caso significa apenas algo que eu ache melhor, um livro da minha estante, um filme que quero ver há séculos… Gostaria de não sentir tanta pressão no meu entretenimento, mas isso é algo que não envolve só guilty pleasures.

Enfim, para resumir, eu tenho guilty pleasures, mas na maior parte do tempo lido bem com eles. Minha vida não gira ao redor disso, mas daquilo que gosto muito e defendo até o fim, não importa o quão vergonhoso seja. E você? Tem guilty pleasures? Acha isso uma bobagem? Acha que a gente tem que esconder nossos gostos supostamente ridículos? Adoraria saber sua opinião nos comentários.  

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

An enemy of the people, Henrik Ibsen

An enemy of the people

Dr. Stockmann: Well, but is it not the duty of a citizen to let the public share in any new ideas he may have?

Peter Stockmann: Oh, the public doesn’t require any new ideas. The public is best served by the good, old established ideas it already has.

Não era meu plano resenhar An enemy of the people. Foi uma leitura para faculdade, e é uma peça de teatro não muito comprida. Mas aí eu percebi que o Ibsen é norueguês, e portanto o livro se encaixa na Volta ao mundo em 80 livros. Portanto, aqui estou eu, comentando em forma de resenha muito depois de ter lido a peça.

An enemy of the people mostra os acontecimentos de uma pequena cidade, que vive do seu balneário. O dr. Stockmann, no entanto, descobre que a água do balneário está contaminada, e vai fazer de tudo para expor a verdade a todos, confrontando seu irmão, que é o prefeito da cidade. Vemos vários discussões com os personagens mais influentes da cidade e observamos como a mídia, inicialmente a favor de contar a verdade, logo muda de opinião ao ver que isso vai contra seus interesses financeiros.

A peça foi lançada em 1882, e é quase difícil de acreditar nisso, porque o tema é extremamente atual. O que dizer das mudanças climáticas, da contaminação do solo e de tantos assuntos científicos que são deixados para trás por causa de interesses financeiros?

Porém, a peça não chega a culpar alguém. Afinal de contas, todos somos humanos e cometemos erros. Dr. Stockmann também exagera bastante na sua posição e em como ele lida com o resto das pessoas — isso na minha intepretação, é claro.

Gostei bastante da crítica social do livro, porém acho difícil me acostumar com a forma teatral. Acho interessante ler peças, mas em geral elas não costumam me empolgar, porque não consigo criar empatia com os personagens ou me envolver de verdade na história. Mas sempre dá vontade de ver a peça nos palcos.

Avaliação final: 3/5