domingo, 7 de dezembro de 2014

Os últimos filmes que eu vi #9

1- A garota de rosa-shocking (Howard Deutch, 1986)

A garota de rosa-shockingUm monte de gente ama o John Hughes, e isso me deu vontade de ver os filmes dele. Gostei bastante de Clube dos cinco, mas não vi nada de especial em A garota de rosa-shocking — é um filme legalzinho, mas não entendo por que tanta gente gosta dele. Quer dizer, entendo que pessoas mais velhas gostem do filme pela identificação, mas não sei porque as pessoas da minha idade são loucas por ele. Na verdade, a questão é que eu não gosto da estética dos anos 80 — o vestido de baile da Andie é muito feio, gente — e acho que a história e o desenvolvimento romântico nesse filme são meio sem graça. Avaliação: 3/5

2- Um time show de bola (Juan José Campanella, 2013)

Um time show de bolaNão sou das maiores fãs de futebol, mas gosto de jogar pebolim, então fiquei curiosa para saber como o enredo de Um time show de bola trataria o assunto. O filme parece bastante Toy story em alguns momentos, porque os bonecos de pebolim se metem em enrascadas e isso cria várias cenas de ação. É interessante ver peculiaridades e cenários argentinos em um filme cujo visual lembra as animações hollywoodianas, e acho que o filme tem potencial de agradar adultos e crianças, mas a história viajou demais e muita coisa poderia ter sido cortada do roteiro para ter um resultado final mais limpo. Avaliação: 3,5/5

3- Temporário 12 (Destin Daniel Cretton, 2013)

Temporário 12Vi várias pessoas elogiando esse filme, então fiquei com vontade de ver — quando digo esse tipo de coisa, significa que eu fui atrás do filme e que ele me interessou, e que são pessoas que tem gosto parecido com o meu que gostaram, não que sou totalmente influenciável e vou atrás de qualquer coisa elogiada, como pode dar a entender. Ou talvez eu seja influenciável mesmo. Enfim, o filme é sobre um casal que trabalha em um lar temporário para jovens abandonados ou com problemas. Gosto de filmes com esse tipo de cenário porque assim podem ser exploradas questões de vários personagens diferentes, embora algumas crianças tenham aparecido menos do que eu gostaria. Achei o filme bem envolvente, não queria que ele acabasse, e por isso minha nota foi tão alta. Sendo racional, tiraria 0,5 estrela da minha avaliação, e acho que o filme não sobreviveria tão bem se eu o visse de novo, mas decidi priorizar as minhas sensações durante a primeira vez que eu o assisti. Avaliação: 4,5/5

4- Rugas (Ignacio Ferreras, 2011)

Rugas Estava olhando a programação da HBO e me deparei com essa animação espanhola. Como eu já disse aqui várias vezes, amo animações, então não perdi a oportunidade de ver uma pouco conhecida. É um filme sobre um senhor que começa a morar num asilo. Lá ele conhece vários idosos, como a que guarda comida para o neto que raramente a visita, o que só sabe repetir frases de outras pessoas, o que se aproveita dos mais senis… O assunto é bem triste, e o filme tem cenas de cortar o coração, mas também tem várias partes engraçadas e leves. Acho que no fundo tudo depende de como você vê as coisas e encara a velhice. A animação é simples e combina com a história. Recomendo muito o filme — para adultos, não é infantil —, só não sei se é fácil de achar… Avaliação: 4/5

5- A malvada (Joseph L. Mankiewicz, 1950)

A malvada Foi o primeiro filme do meu projeto de 1001 filmes para ver antes de morrer. Não tenho muito o que falar sobre o filme — acho difícil falar sobre clássicos… Os atores estão muito bem, a história prende a atenção, e o filme com certeza merece seu lugar na lista de 1001 filmes. Avaliação: 4/5

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Carrie, a estranha, Stephen King

Carrie, a estranha

Ninguém achou nada de mais quando isso aconteceu (…). Aparentemente, todas as meninas nos chuveiros ficaram chocadas, empolgadas, envergonhadas ou apenas contentes que aquela nojenta da White tivesse levado na cabeça de novo. (…)

O que nenhuma delas sabia, claro, era que Carrie White tinha o dom da telecinesia.

Fazia muito tempo que eu queria ler algo do Stephen King, mas sempre ficava adiando. Os livros dele que eu mais queria ler nunca entravam em promoção, ou sempre estavam pegos na biblioteca. Mas finalmente o momento chegou e pude ler Carrie, a estranha.

Infelizmente, vi o final do filme — o remake, de 2013, naquele clima de “não tem nada melhor para ver na TV, comecei a ver um pedaço por curiosidade e não parei mais” — antes de ler o livro, e isso acabou prejudicando a leitura. Mas vamos começar pelo começo…

O livro é formado pela narrativa, que é em terceira pessoa mas cada vez foca em um personagem diferente, e por trechos de livros, relatórios ou simplesmente evidências sobre o caso da Carrie. Desde o começo, o narrador já vai nos dando dados sobre o que vai acontecer depois. Mas isso não tira exatamente o suspense da leitura, pois acaba criando um nervosismo, a gente começa a sofrer por antecipação, quer chegar logo na parte em que as coisas realmente acontecem. O início, a apresentação de Carrie e de toda a situação, foi a parte que eu mais gostei do livro.

Eu tinha visto o filme a partir da cena do baile, e foi aí, no livro, que a leitura perdeu a força para mim. Provavelmente porque eu já sabia o que ia acontecer, fiquei um pouco desinteressada em Carrie; a leitura se tornou uma descrição após descrição dos acontecimentos, que na verdade são mais emocionantes quando bem visualizados e, bom, não sou uma pessoa muito imaginativa.

Mesmo assim, a história como um todo não perde o seu brilho. Gosto muito da ideia do Stephen King, da forma que o livro traz à tona discussões sobre humilhação, fanatismo religioso, vivência escolar… É bom também ver como a maior parte dos personagens não é tratada de modo maniqueísta. Não podemos responder até que ponto Carrie é uma vilã. O livro é de certa forma uma tragédia: já sabemos como as coisas vão terminar, e ficamos em agonia lendo e querendo que desse para modificar tudo de forma que milagrosamente o final fosse feliz. E, claro, saímos contentes que é apenas ficção, embora ao mesmo tempo melancólicos porque existem muitas Carries por aí.

Enfim, recomendo Carrie, principalmente se você ainda não viu algum dos filmes. Não é um livro que dê medo, então é um bom começo para quem quer entrar no mundo do Stephen King mas não quer um terror pesado.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Meus 15 anos, Luiza Trigo

Meus 15 anos

Ninguém sabe o tema do aniversário. Na verdade, não sabem de nada! É segredo e continuará assim até o dia da festa. Exceto o local, é claro! Tenho certeza de que vou surpreender a TODOS. Escondi o tema até das minhas amigas (e madrinhas) que vão participar da dança surpresa. Os ensaios da coreografia começam esta semana de qualquer jeito. Falta pouco mais de um mês, e temos que correr atrás para conseguir decorar a música inteira a tempo! Só de pensar meu estômago revira. Queria tanto que a festa fosse no próximo fim de semana…

Eu disse no meu comentário de As valentinas que não pretendia ler Meus 15 anos, mas a verdade é que eu continuava muito curiosa para lê-lo. Não compraria o livro, mas o leria com prazer se ele caísse nas minhas mãos. E, por uma questão de sorte, ele acabou caindo. Minha irmã ganhou um sorteio e escolheu esse livro. Como eu queria uma leitura leve e rápida depois de passar dias com Grande sertão: veredas, o livro da Luiza Trigo acabou sendo a minha escolha.

O livro é sobre a festa de quinze anos de Bia. Acompanhamos os preparativos, a própria festa e o que acontece depois pelos olhos de várias pessoas: da Bia, de dois de seus amigos, do garoto do qual ela está a fim e da rival dela. Tudo naquela lógica escolar de filme americano, com a panelinha de nerds, que é a da Bia, as garotas malvadas, os populares… Seria interessante se na narração dos personagens eles quebrassem um pouco os estereótipos, mas não é o que acontece, o que os deixa rasos, previsíveis e clichês. Por exemplo, Thiago, o garoto popular de quem Bia gosta, é um cara que só sabe falar em pegar meninas e em futebol, e Jéssica, a rival da protagonista, nem tem motivos para odiar a Bia. Ela simplesmente odeia, porque precisa haver uma antagonista na história.

Esses estereótipos acabam criando um clima maniqueísta, em que Bia e seus amigos são do bem e os outros não. Isso aparece, por exemplo, quando Bia é gentil com pessoas de classe mais baixa que ela (o porteiro, o inspetor da escola, o motorista), enquanto Jéssica os ignora ou diz que não gosta deles. Não acho que tenha sido intenção da autora ter deixado o clima tão separado assim e sei que eu superinterpretei esse aspecto, mas eu acabei reparando nessas pequenas dicotomias, como se Bia representasse o que é certo e Thiago e Jéssica o que é errado.

Quanto à linguagem, que costuma me incomodar nos livros brasileiros para jovens, devo dizer que Meus 15 anos melhorou em relação a As valentinas. Provavelmente por ser um livro de papel, não usou a linguagem digital de hashtags que tinha me incomodado no e-book. Ainda não é uma linguagem que soa natural para mim, mas vou dar um desconto porque não sou uma adolescente carioca e não sei que gírias estão na moda.

A escrita, no geral, também não é uma obra-prima. Alguns trechos pareciam coisas que eu escreveria em uma história, e isso está longe de ser um elogio. Notei também algumas confusões de tempo verbal, uma narração um pouco indecisa se é presente, passado ou futuro, mas não sei se estava errado mesmo ou se eu que não prestei atenção direito.

Mas o fato é que não adianta falar muito mal de Meus 15 anos, porque depois que comecei a ler o livro, não queria mais parar. É bobo, ingênuo, clichê? É. Mas é muito gostoso de ler ao mesmo tempo. Uma pena que eu tenha lido esse mês e não em dezembro, porque o livro se encaixaria plenamente na minha definição de guilty pleasure: eu consigo ver um monte de defeitos, mas a leitura flui tão bem que eu acabo gostando.

Avaliação final: 2,5/5

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Grande sertão: veredas, João Guimarães Rosa

Grande sertão veredas

Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torrar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. (…) O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte.

                                                                                           (Grande sertão: veredas, p. 9)

Meu plano inicial não era resenhar Grande sertão: veredas para o Desafio do Tigre, porque eu queria ler um livro brasileiro atual. Mas fazer faculdade de Letras é isso, você tem leituras obrigatórias e tem que se virar. De qualquer jeito, acabei lendo um livro brasileiro atual depois, então terei duas resenhas para o desafio nesse mês.

É muito complicado falar sobre um clássico desse tamanho, um dos maiores romances brasileiros. É mais difícil ainda quando não se gostou tanto assim do livro, mesmo entendendo os motivos da importância dele. Enfim, essa resenha não vai apresentar o livro em si, só vai ter as minhas impressões de leitura. Não estou na melhor fase de escrever resenhas, acabo escrevendo muito depois de ler o livro e por isso esqueço algumas coisas, então peço desculpas por isso.

O começo de Grande sertão: veredas foi bem difícil. O livro já inicia no meio da história e você tem que se acostumar aos poucos com o modo que o Riobaldo narra. Confesso que me perdi várias vezes na história, e mesmo quando ela passou a ser cronológica, eu nem sempre entendia o que estava acontecendo. Parte da minha confusão se deve ao fato de que eu li muito rápido, porque tinha terminar de ler antes da aula sobre o final do livro. Basicamente li cinquenta páginas por dia, não importando se estava com vontade ou não, e se eu estava entendendo ou não, porque não dava tempo de voltar atrás e reler. Mas não duvido que, mesmo que eu lesse só quando estivesse com vontade, continuaria meio perdida.

O final do livro me deixou meio decepcionada e frustrada no primeiro momento. A verdade é que eu não consigo lidar com plot twists — e que nunca consigo prevê-los… Entendo os motivos de Guimarães Rosa por ter feito o que fez, mas eu preferia o livro sem isso. Talvez eu mude de ideia se ler o livro de novo, pois assim teria uma interpretação diferente sabendo desde o início a revelação.

Felizmente, a leitura teve também partes muito boas. O encontro de Riobaldo e de Diadorim é um trecho que eu acho incrível, uma daquelas coisas que me lembra dos motivos de eu gostar tanto de literatura, e também gosto bastante das reflexões do Riobaldo que aparecem no meio da narração, especialmente as partes metalinguísticas. Como eu já disse antes, reconheço a grandiosidade e a genialidade de Grande sertão: veredas. É certamente um livro que cresce a cada releitura e que nunca se esgota. A questão é saber se algum dia eu vou ter paciência para relê-lo.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um barril de risadas, um vale de lágrimas, Jules Feiffer

Um barril de risadas, um vale de lágrimas

Está chovendo. Não só está chovendo como está caindo neve e granizo ao mesmo tempo. As pedras de granizo, soando aos ouvidos como se fossem tiros disparados, ricocheteiam contra os muros do palácio. Que pensam vocês que Roger diz a si mesmo ao olhar para fora da janela? Diz “Uau! Vou ficar encharcado até os ossos em dois segundos se sair com esse temporal. Mal posso esperar!”.

                                                            (Um barril de risadas, um vale de lágrimas, p. 16)

Um barril de risadas, uma vale de lágrimas é um desses livros que eu queria ler há um tempão, mas por algum motivo não tinha lido até agora. O livro conta a história de Roger, um príncipe que faz todo mundo morrer de rir sem motivo nenhum. Para acabar com esse efeito indesejado, o J. Imago Mago sugere que Roger vá numa busca. Então Roger parte, sem saber exatamente o que vai encontrar no caminho, e passa por uma série de aventuras. Ele entra na Floresta Para Sempre, no Vale da Vingança, na Divisa Perversa, e aprende a se virar, sem ter mais as regalias de um príncipe.

O enredo básico é típico de contos de fadas e mitos, mas Jules Feiffer subverte a maioria dos clichês ou os desenvolve de maneira bem humorada. É legal também como o narrador se mete na história e conta o que vai acontecer depois, ou os processos por trás de narrar uma história, conversando com o leitor. O estilo de Jules Feiffer nesse livro me lembrou um pouco de Desventuras em série, inclusive pelos nomes de lugares e pequenos jogos de palavras.

Bom, não tenho muito mais o que falar do livro. É uma leitura rápida e divertida, que me deixou com um sorriso no rosto. Não foi um livro excepcionalmente marcante, mas não me importo muito com isso. Eu leio para me entreter, e Um barril de risadas, um vale de lágrimas cumpriu bem a função.

Avaliação final: 4/5 

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

TAG: One lovely blog

Minha irmã me indicou essa tag, então resolvi fazê-la.

1. Por que decidiu criar um blog e quando começou?
Criei o blog para ter um espaço para falar sobre o que eu quiser. Comecei a participar do Desafio Literário e aí comecei a postar resenhas regularmente. No começo, era para ser um blog mais livre, mas só agora estou escrevendo sobre temas mais variados.

2. Quais benefícios o blog te traz?
Eu conheci algumas pessoas legais por aqui e gosto de compartilhar opiniões sobre livros e tal para os outros. O blog também é um jeito de eu escrever com frequência (mesmo que eu não ache que tenha melhorado muito na parte escrita) e de pensar criticamente sobre o que eu leio/assisto. É um bom modo de refletir sobre as coisas e colocá-las no papel, acho que é isso.

3. Qual é o post mais acessado?
É a minha resenha de As sabichonas e Escola de mulheres, do Molière. Suponho que seja porque pouca gente leu e resenhou esse livro na internet. É um pouco decepcionante que as visitas não tenham nada a ver com a qualidade dos meus posts, porque essa resenha não tem nada de especial e provavelmente quem caiu nela sem querer não quis continuar lendo o blog.

4. Você usa as redes sociais?
Uso, mas não para o blog. Tenho um pouco de vergonha de sair divulgando meus posts por aí e a minha irmã é a única pessoa da minha vida não virtual que conhece o blog.

5. Como o blog tem evoluído?
Ele começou com as resenhas dos desafios literários e ficou nisso um bom tempo. Só a partir do ano passado deste ano que o blog está um pouco mais sério, com resenhas de quase tudo que eu leio e posts mais variados e frequentes.

6. Já viveu algum fato importante por causa do blog?
Não exatamente... Mas fico feliz quando recebo um comentário e vejo que minha opinião importa para alguém.

7. De onde nasce a inspiração para escrever e continuar o blog?
Das coisas por aí; do que eu leio, vejo, penso. Outros blogs também são boas inspirações.

8. O que você tem aprendido em nível pessoal e profissional este ano?
Ai, agora a coisa complica... Em nível pessoal, não sei? Talvez que eu devia parar de se importar com coisas tão pequenas. E que sim, algum momento você vai se ferrar se deixar tudo para a última hora. Em nível profissional, que se você ficar acomodada, não vai arranjar um emprego (não que eu não imaginasse que fosse assim, né, mas a realidade é triste).

9. Qual sua frase favorita?
Não tenho isso de frase favorita. Não gosto de frases e acho muito difícil escolher coisas favoritas, então...

10. Qual conselho você daria para quem está começando agora no mundo dos blogs?
Vá devagar, não se preocupando com fama a qualquer custo. Descubra sobre o que você gosta de escrever e escreva sobre isso. E seja honesto e tenha o seu estilo próprio, porque blogs genéricos acabam se perdendo na multidão. Mas o mais importante é: não ligue para dicas alheias, especialmente as desta blogueira aqui. Afinal de contas, quem é ela para dar dicas sobre blogs? Você tem que decidir o que você quer e o que te deixa feliz, e ponto. 

11. O que os blogs que você vai indicar têm em comum?
Eu vou indicar a Samy, do Infinitos livros, porque o blog dela é legal e eu adoro as resenhas dela.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

We were Liars, E. Lockhart

We were liars

Welcome to the beautiful Sinclair family.

No one is a criminal.

No one is an addict.

No one is a failure.

(…)

It doesn’t matter if divorce shreds the muscles of our hearts so that they will hardly beat without a struggle. It doesn’t matter if trust-fund money is running out; if credit card bills go unpaid on the kitchen counter. It doesn’t matter if there’se a cluster of pill bottles on the bedside table.

We were Liars foi o livro do mês passado no clube do livro do qual eu faço parte. Eu já estava curiosa para ler, de tanto que o livro foi falado nos blogs literários mundo afora. Só que é complicado: quase todo mundo adorou o livro, mas disse que não era para saber nada da história ou não ter expectativas. Mas como não ter expectativas com todo mundo falando tão bem? Não dá para controlar esse tipo de coisa. Então, bom, eu acabei me decepcionando um pouco.

Enfim, vamos ao que se pode falar da história (mas se você realmente não quiser saber nada da história, pule esse parágrafo ou não leia a resenha): a família Sinclair é rica e tem uma ilha particular. Cadence Sinclair, a protagonista, passa todas as férias nesse ilha com seus primos, até que acontece um acidente do qual ela não se lembra e ela passa a sofrer muito. Depois de um tempo em casa, ela volta para a ilha para descobrir exatamente o que aconteceu no seu acidente.

Gostei bastante do fato do livro mostrar uma família rica, e acho que ele retratou bem os Sinclair. Os conflitos familiares decorrentes do dinheiro são bem interessantes, e o livro não ignora a crítica social, problematizando a vida dos privilegiados.

A história flui bem, mas eu não gostei da narração, que abusa de frases repetitivas e separa alguns períodos em várias linhas só para supostamente ficar poético. E detestei as metáforas de como a Cadence estava se sentindo, achei exageradas e elas não funcionaram para mim, visto que não consegui me conectar com a personagem.

Esse é outro problema do livro, achei a maioria dos personagens insossos. Talvez se eles tivessem sido mais desenvolvidos nos momentos antes do acidente, eu teria aproveitado melhor. E como eu não ligo para os personagens, não gostei do final. Achei-o surpreendente, sim, mas não chocante. Ou quem sabe chocante do ponto de vista negativo. Bem negativo. Enfim, não dá para explicar direito sem falar de spoilers. Tem algumas coisas interessantes no final também, as discussões para o qual ele se abre, mas não gostei do principal.

Se eu recomendo o livro? Acho que sim. Muitos dos problemas que eu tive com ele são questões de gosto pessoal, e no final foi sim uma leitura envolvente e que conseguiu me impactar em alguns momentos — de maneira positiva ou negativa. A questão é que quando o livro é muito bem falado, eu acabo focando mais no que eu não gostei nele e isso prejudica a visão que eu tive dele durante a leitura. Faz sentido? É algo bem idiota e que eu adoraria não ter, mas algumas coisas não dá para evitar, né.

Avaliação final: 3/5