terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Palácio da Meia-Noite, Carlos Ruiz Zafón

Capa O palacio da meia-noite.indd

A luz nebulosa daquele dia quente e úmido de maio, os perfis dos relevos e das gárgulas do refúgio secreto da Chowbar Society pareciam figuras de cera talhadas à faca por mãos furtivas. O sol se escondia atrás de um espesso manto de nuvens cinzentas e um mormaço asfixiante subia do rio Hooghly para se condensar nas ruas da cidade negra, imitando os vapores letais de um pântano envenenado.

 Esse é o terceiro livro do Zafón que eu leio. Gostei bastante do primeiro que li dele, mas achei superestimado ao mesmo tempo. O segundo eu achei um pouco pior, mas ainda assim foi uma leitura agradável, porque é dessas bem envolventes. Já O Palácio da Meia-Noite não me encantou em quase nenhum aspecto.

O livro tem uma pegada mais juvenil de aventura e mistério, narrando uma história que inclui gêmeos separados ao nascer, uma sociedade de órfãos, trens em chamas e um vilão que é o mal encarnado.

Primeiro problema meu com o livro: a tal da aventura é fraca e é fácil de descobrir algumas revelações, então um pouco do mistério se perde. Mesmo que eu tenha continuado curiosa para saber como os personagens iam descobrir as coisas, o fato de os personagens se separarem no final me irritou. Eu queria continuar lendo a parte do personagem X, aí bem na hora de suspense acaba a parte dele e vem a de outro. Isso acaba cortando o clima que a história tinha se esforçado para criar. E o final é ruim e forçado.

Achei os personagens pouco desenvolvidos. Cada um tem seus gostos e características básicas definidos, mas na hora de agir não dá para diferenciar os garotos. Não consegui me conectar os protagonistas, acabei simpatizando mais com alguns coadjuvantes.

A linguagem do Zafón pessoalmente não me agrada. Não sou fã de metáforas e comparações, acho descrições grandes chatas… Além da questão de gosto, acho que esse é o livro mais mal escrito dentre os que li do autor, o que faz sentido considerando que é apenas o segundo livro dele. Lendo O Palácio da Meia-Noite depois de ler outros livros dele, dá para ver claramente o quanto o Zafón evoluiu.

Enfim, deu para perceber o quanto eu não gostei desse livro. A leitura até que me envolveu, mas achei o enredo tão fraco… Não vou dizer que não indico para ninguém, porém mesmo os fãs do Zafón devem ir com expectativas mais baixas, porque o risco de decepção é grande.

Avaliação final: 2/5

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Ciranda de pedra, Lygia Fagundes Telles

Ciranda de pedra

Virgínia pôs-se a assobiar baixinho (…) Olhou pensativamente a unha do polegar roída até à carne. A verdade é que Bruna e Otávia estavam muito bem sem ela. “E nem pedem para ver a mãe, faz mais de um mês que não aparecem. E a mãe está pior. Bruna diz que é castigo. Conrado diz que é mesmo doença, mas Otávia não diz nada. E Luciana?” Voltou-se para a empregada e ficou a observá-la.

                                                                          (Ciranda de pedra, p. 27)

Ciranda de pedra é outro livro da série minha-irmã-pegou-na-biblioteca-então-eu-decidi-ler-também. Nunca tinha lido nada da Lygia Fagundes Telles antes, e nem sabia sobre o que era esse livro. Eu poderia dizer que terminei a leitura satisfeita, mas a verdade é que terminei com a sensação de decepção, porque não gostei do final. Mas, considerando o todo, gostei muito do livro.

Ciranda de pedra conta a história de Virgínia. Na primeira parte, ela é criança. Seus pais se separaram, ela mora com a mãe, que é doente, e com Daniel. As irmãs dela moram com o pai. Virgínia se sente isolada, sozinha e confusa, sem poder falar sempre com a mãe e não sendo convidada para sair com as irmãs. Na segunda parte, ela é uma jovem adulta que volta para a casa da família. Lá, enxerga as mudanças nos membros da sua família e entende melhor suas relações com eles.

Bom, demorei um pouco para entrar no livro. A narração é intensa e já põe o leitor dentro da história desde o começo. Depois de um tempo passei a entender a situação, e é incrível como dá para entrar na mente da Virgínia, de um modo que se começa a sentir as mesmas coisas que ela. A segunda parte me decepcionou um pouco. Não achei tão fácil entrar no livro de novo, não consegui me conectar tão bem com essa Virgínia mais velha. Continuei gostando bastante, mas não tanto quanto do começo. E aí chegou o final.

Ah, a decepção… Fico um pouco dividida em falar mal do final porque acho que é assim que deveria ter sido. Mas acontece que foi rápido demais; em um momento a Virgínia pensa em uma coisa, depois ela tem uma epifania que não aparece completamente para o leitor — pelo menos na minha interpretação — e pronto, fim do livro. Se o final tivesse sido mais desenvolvido, eu teria gostado mais dele, eu acho.

Mesmo assim, adorei conhecer a narrativa da Lygia Fagundes Telles e fiquei curiosa para ler mais da obra dela. Ciranda de pedra teve seus altos e baixos durante a leitura, mas vale a pena conhecer, especialmente quem gosta de livros com alta densidade psicológica.

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Anime: Usagi Drop

 Usagi Drop 2 Não costumo assistir a muitos animes, porque intercalo com séries e não tenho paciência para ver vários episódios por dia. Mas, desde que eu voltei a assisti-los, senti a necessidade de escrever sobre eles, porque eu acho legal ter textos sobre isso no blog e gosto de me lembrar do que já vi. Ainda não sei se vou falar sobre séries também, porque é meio complicado com as questões de temporada e tal, mas provavelmente vou acabar escrevendo sobre elas também de vez em quando.

Usagi Drop é sobre um homem de trinta anos solteiro, chamado Daikichi, que acaba adotando a filha de seu avô quando este morre. A família não sabia da existência da garota, Rin, até então, e Daikichi, ao ver como ela é tratada pelos outros, decide levar a menina para sua casa. Aos poucos, ele aprende que conciliar os cuidados de uma criança, o trabalho e a vida social não é tão fácil quanto parece.

O anime tem onze episódios de vinte e poucos minutos mais quatro especiais de cinco minutos cada e no final eu queria mais. Nos primeiros episódios, há mais desenvolvimento da história, já que é quando conhecemos os personagens e alguns deles se conhecem pela primeira vez. Depois de um tempo, no entanto, eles se acostumam com a situação e a série se torna mais cotidiana ainda, com fragmentos da vida diária de Daikichi e Rin.

Usagi Drop Usagi Drop não é um anime que tenha um grande desenvolvimento psicológico dos personagens; o que a gente assiste é a interação entre eles. E essa simplicidade, que não exclui o carisma dos personagens, é o que acaba encantando. Além disso, a série trata de um tema importante na vida de todos, a família, e traz aspectos interessantes para reflexão.

A animação, combinando com o resto da série, é simples e bem feita, ajudando tudo a ficar mais fofinho — só de ver as expressões da Rin, já fico sorrindo que nem boba. Essa, aliás, foi a minha reação assistindo ao anime: um sorriso bobo e um coração quentinho. A série traz alguns dramas às vezes, mas no geral é muito leve. Isso é, inclusive, uma coisa que eu achei que poderia melhorar: quase tudo é perfeito demais, acho que poderiam ter ido mais a fundo em alguns problemas.

Usagi Drop foi adaptado de um mangá que foi lançado no Brasil há pouco tempo e é conhecido por ter um final polêmico. O anime acaba antes disso e, embora eu não tenha lido o mangá, acho que essa foi uma boa decisão. 

Na minha opinião, essa é um boa série para quem tem curiosidade em conhecer mais sobre animes, porque não precisa de uma boa base de cultura japonesa e não tem tantas referências. Eu recomendaria para alguém que acha que anime é coisa de criança, por exemplo, para a pessoa ver que existem séries mais maduras e realistas. No entanto, se a pessoa tiver preconceito com qualquer tipo de animação ou não conseguir lidar com alguns clichês de animes, Usagi Drop provavelmente não vai mudar isso.

Enfim, termino a série triste por não ter mais coisa para assistir e imagino que vou revê-la no futuro. Não sei se consegui expressar direito tudo que achei do anime; tenho a impressão de que não. Mas fica a recomendação mesmo se você não tenha entendido nada do que eu falei na resenha.

Usagi Drop 3

Avaliação final: 4,5/5

terça-feira, 30 de setembro de 2014

A casa dos náufragos, Guillermo Rosales

A casa dos náufragos

A única que se manteve fiel aos laços familiares foi essa tia Clotilde, que decidiu cuidar de mim e me hospedou durante três meses em sua casa. Até o dia em que, aconselhada por outros familiares e amigos, decidiu me pôr na boarding home; a casa dos escombros humanos.

— Porque você há de compreender que não se pode fazer mais nada.

Eu a entendo.

Li A casa dos náufragos por acaso, porque minha irmã pegou o livro na biblioteca. Eu não tinha muitas expectativas sobre a leitura, nunca tinha ouvido falar do livro e decidi ler só porque ele é curto e cabe no desafio de Volta ao mundo, representando Cuba.

O livro conta a história de William Figueras, um cubano exilado em Miami que é deixado pela família em uma boarding home, um tipo de asilo, por ter alucinações e um comportamento paranoico. Lá, ele convive com pessoas abandonadas e loucas, sofrendo nas mãos do mesquinho dono do local e do zelador e naufragando na miséria.

É interessante observar as semelhanças do livro com a vida do autor. Guillermo também passou por boarding homes no seu exílio e se decepcionou com a Revolução Cubana, que antes ele apoiava, então ele fala com propriedade sobre o assunto, tornando a história fácil de ser imaginada.

O tom da escrita é seco e enxuto, o que resulta num livro curto. Isso não é um defeito, mas acabou dificultando o processo de conexão emocional do livro comigo e fez A casa dos náufragos se tornar esquecível para mim, pouco marcante. De qualquer jeito, a intenção do autor provavelmente não era emocionar nem nada do tipo, me parece que ele simplesmente quer desabafar, que ele sente a necessidade de escrever.

É uma leitura rápida, eu li facilmente em um dia, mas tem várias camadas psicológicas, filosóficas e históricas por trás do livro. Eu só não fiquei com tanta vontade de ir atrás delas. Sabe quando você sabe que um livro é bom mas não consegue gostar tanto da leitura quanto gostaria? Foi isso que aconteceu.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os últimos filmes que eu vi #7

1- Garota fantástica (Drew Barrymore, 2009)

Garota fantástica Quis ver o filme logo depois de ler o livro (com isso, dá para ver o quanto essa seção está atrasada). Embora eu ache legal essa comparação em seguida, acho mais difícil de avaliar o filme sozinho desse jeito. O filme foca mais na parte esportiva e é bem clichê, com um clima de superação, mas conseguiu me conquistar e até me emocionei um pouquinho no final. Avaliação: 3,5/5

  2- Frozen: uma aventura congelante (Chris Buck e Jennifer Lee, 2013)

Frozen Bom, eu tinha uma certa birra com Frozen. Fico meio brava quando qualquer animação 3D faz muito sucesso porque quanto mais isso acontece menos incentivo vão dar para animações 2D. E todo mundo falava taaaanto do filme, como se fosse a melhor coisa do mundo, o filme mais inovador, revolucionário e feminista que toda a humanidade já viu… Eu já estava cansada só de ouvir falar de Frozen. Mas eu sabia que quando assistisse, provavelmente iria gostar do filme. E eu gostei, mas continuo achando superestimado. No começo, estava achando o filme meio chatinho, só comecei a aproveitar melhor na parte da aventura de Anna, Kristoff e companhia — o Olaf me conquistou. Achei a Elsa pouco desenvolvida e não gostei da maioria das músicas, o que não foi nenhuma surpresa porque não costumo gostar de musicais. Toda aquela coisa de quebrar clichês machistas e tal é interessante, mas não acho que a parte familiar nem as questões mágicas tenham sido bem desenvolvidas, então acabou ficando meio estranho para mim. Não sei, senti que faltou coisa no filme. Avaliação: 3/5

3- A culpa é das estrelas (Josh Boone, 2014)

A culpa é das estrelasNão pretendia ver o filme no cinema, mas aí ele foi para a sessão especial, cuja meia entrada custa 3 reais… Li o livro e não consegui me conectar com os personagens. No filme, continuei achando-os falsos, sem vida própria. Não liguei para a parte romântica e para o final trágico. Mesmo assim, a adaptação me emocionou mais que o livro, porque eu me importei com a família da Hazel e os pais dela quase me fizeram chorar. Como o enredo não teve nenhuma surpresa, tirei 0,5 estrela em relação ao livro — acho adaptação muito fiel sem graça —, mas quem sabe se tivesse visto o filme primeiro eu teria gostado mais dele… Avaliação: 3/5

4- Da colina Kokuriko (Goro Miyazaki, 2011)

Da colina Kokuriko Descobri que estão passando várias animações japonesas na HBO, o que me dá uma força para eu assistir a filmes que quero ver faz tempo mas não vejo porque tenho preguiça de assistir online. No geral, Da colina Kokuriko é um filme leve, delicado e muito bonito. Não é fantasioso ou grandioso quanto os filmes mais famosos do Ghibli, é mais cotidiano e nostálgico e reflete vários elementos da cultura japonesa — que eu demorei para captar ou simplesmente não entendi por falta de conhecimento no assunto… Eu preferiria que o filme terminasse de outro modo e não o achei especialmente marcante, mas vale a pena para fãs de animação, talvez não pela história, mas pelo menos pelos cenários lindos. Avaliação: 4/5

  5- Paris-Manhattan (Sophie Lellouche, 2012)

Paris-Manhattan Vi essa comédia romântica francesa no Telecine Play porque queria me distrair. É um filme curto, com menos de uma hora e vinte minutos, e apresenta a história de Alice, uma mulher solteira obcecada pelo Woody Allen. Sua família lhe apresenta vários pretendentes, mas Alice sempre acaba sozinha conversando com seu pôster do Woody Allen, até que, como em toda comédia romântica, as coisas mudam. Achei o filme divertido, serviu para o seu propósito de distração, mas não é grande coisa. Dizem que tem muitas referências aos filmes do diretor de quem Alice tanto gosta, mas não percebi muitas delas, porque não vi a maioria dos filmes dele, então recomendo o filme mais para quem também é fanático pelo Allen. Avaliação: 3/5

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Love is a mix tape, Rob Sheffield

Love is a mix tape

I have built my entire life around loving music, and I surround myself with it. I’m always racing to catch up on my next favorite song. But I never stop playing my mixes. Every fan makes them. The times you lived through, the people you shared those times with—nothing brings it all to life like an old mix tape. It does a better job of storing up memories than actual brain tissue can do. Every mix tape tells a story. Put them together, and they add up to the story of a life.

Conheci Love is a mix tape: life and loss, one song at a time por aí, em algum blog. A história de um homem que conta sobre o seu amor por música e por uma mulher me lembrou de Alta fidelidade, então fiquei curiosa para ler.

Rob Sheffield, jornalista musical, conta a história da sua vida no livro. Desde os anos de criança e adolescente, quando se preocupava em fazer as mix tapes para os bailes da escola, até a vida adulta, quando se casou com Renée e alguns anos depois se tornou um jovem viúvo, Rob sempre se importou com música. Os capítulos do livro começam com mix tapes que Rob ouviu em algum momento da vida, e a partir disso ele desenvolve suas memórias e suas reflexões sobre música. Há desde capítulos mais cronológicos, em que o autor narra o que estava acontecendo com ele na época e a mix tape é um simples pretexto para isso, até capítulos mais soltos, como o que ele fala sobre as fitas que gosta de ouvir ao lavar louça e como ele lavava louça depois de brigar com a esposa, o que o leva a listar os motivos de briga entre eles.

Em uma autobiografia, é comum que a gente não goste exatamente do peso que cada coisa recebe na história. Eu senti falta de um maior desenvolvimento de Renée. É um livro sobre amor, mas embora Rob repita constantemente o quanto ama sua mulher e o quanto ela fez dele um homem melhor e fale sobre a vida de casados, ele raramente deixa a esposa brilhar sozinha e eu não sinto que a conheci como possivelmente era a intenção de Rob ao escrever o livro. Mas isso não chega a ser um grande problema porque a estrela desse livro é realmente a música.

Há partes do livro bem universais, que falam sobre qualquer um que goste minimamente de música e sobre como ela faz parte da nossa história pessoal. Outras são mais específicas, e o problema disso é que, como não sou tão fanática por música hoje e sou da geração CD ou da MP3, eu não conhecia muitas das referências que aparecem no livro e nem posso me relacionar com a emoção de fazer uma mix tape, visto que nunca fiz uma. Acho legal conhecer músicas novas, mas ao mesmo tempo é difícil conciliar a leitura com a pesquisa pelas músicas bem na hora que elas são citadas. De qualquer jeito, não considero que isso defeito do livro; só faltou uma bagagem musical maior para mim, o que acabou prejudicando um pouco a minha leitura e diminuindo a minha avaliação pessoal. E eu recomendo muito a leitura para quem gosta de mix tapes e do movimento musical dos anos 80 e 90 — uma pena que o livro não tenha tradução para o português.

Love is a mix tape é um livro muito gostoso de ler, e o autor narra com uma sinceridade que faz que a gente vá se envolvendo mais e mais na história dele — por mais que eu tenha achado que Renée poderia ter sido mais explorada em vida, algumas partes após sua morte chegaram a me emocionar, porque Rob é muito honesto sobre seus sentimentos e é fácil de se identificar com ele em vários momentos. Às vezes, mesmo quando ele falava sobre músicas que eu nunca tinha ouvido falar, eu continuava achando a leitura deliciosa, porque esse é o poder de quem escreve bem e escreve sobre coisas que ama. Nesse sentido, acho que acertei com a comparação com Alta fidelidade.

Vou deixar mais um trechinho, sobre a morte do Kurt Cobain, porque eu achei o capítulo sobre isso muito bom e  ele une bem os temas do livro o amor e a música:

The Unplugged music bothered me a lot. Contrary to what people said at the time, he didn’t sound dead, or about to die, or anything like that. As far as I could tell, his voice was not just alive but raging to stay that way. And he sounded married. Married and buried, just like he says. People liked to claim his songs were all about the pressures of fame, but I guess they just weren’t used to hearing rock stars sing love songs anymore, not even love songs as blatant as “All Apologies” or “Heart-Shaped Box.” And he sings, all through Unplugged, about the kind of love you can’t leave until you die. The more he sang about this, the more his voice upset me. He made me think about death and marriage and a lot of things that I didn’t want to think about at all. I would have been glad to push this music to the back of my brain, put some furniture in front of it so I couldn’t see it, and wait thirty or forty years for it to rot so it wouldn’t be there to scare me anymore. The married guy was a lot more disturbing to me than the dead junkie.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Luna Clara & Apolo Onze, Adriana Falcão

Luna Clara & Apolo Onze

O pai de Luna Clara andava por aí pelo mundo, com a chuva sempre chovendo na cabeça dele, desde que (por uma estranha coincidência do destino) ele se desencontrou do seu amor, olha só que coisa mais triste.

Fazia mais de treze anos que o pai e a mãe de Luna Clara se encontraram, se apaixonaram, se casaram e se perderam um do outro, tudo isso em três dias apenas.

Diziam que ele era muito sortudo antes.

Infelizmente, um dia, ele perdeu a sorte.

O primeiro contato que tive com Luna Clara & Apolo Onze foi na livraria. A capa do livro me chamava a atenção sempre que passava na seção infantojuvenil. Mesmo assim, nunca comprei o livro. Não sei se isso aconteceu porque o livro não tinha sinopse fácil de achar ou porque eu tinha preconceito contra livro juvenil brasileiro. Aí a minha fase de comprar livro com preço integral passou, comecei a ver bastante gente falando bem do livro na Internet e fiquei mais curiosa ainda para ler, até que minha irmã o alugou na biblioteca. 

Luna Clara & Apolo Onze, como o título indica, conta a história de Luna Clara e Apolo Onze. Ela mora em Desatino do Norte e espera todos os dias a chegada do seu pai. Ele mora em Desatino do Sul e vive uma eterna festa com os moradores da cidade, mas não sabe o que deseja. Um dia, por uma coincidência do destino, os dois se encontram e, finalmente, dão conclusão a uma história que já os unia desde o começo.

O trunfo do livro é ter um enredo simples e ao mesmo tempo diferente com uma narração gostosa de ler e criativa. A história é um pouco confusa no começo, cheia de personagens com nomes curiosos, mas logo a gente os conhece melhor e passa a torcer para que os desencontros finalmente acabem e a sorte de Doravante volte.

O livro tem ilustrações bonitinhas e é formado por capítulos curtos e fáceis de ler. São trezentas e vinte páginas, mas elas passam bem rápido e não duvido que dê para ler tudo em um dia eu, uma leitora lerda, li em três.

Dos pontos negativos, eu não gostei muito do final dos personagens Luna Clara e Apolo Onze e achei alguns momentos repetitivos. No primeiro caso, isso é puramente questão de gosto. No segundo, sei que a lentidão dos acontecimentos é proposital, mas achei que algumas páginas poderiam ter sido enxugadas mesmo assim.  

Bom, definitivamente recomendo o livro para fãs de infantojuvenis. Eu gostaria de ter lido Luna Clara quando eu era mais nova, mas adorei ter lido agora também.

Avaliação final: 4/5