sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Sobre diversidade na literatura

No início do meu blog, fiz um post discutindo sobre qualidade e quantidade em relação à leitura. Algumas coisas mudaram no meu modo de pensar — eu tinha quinze anos quando fiz o post —, e hoje eu sou bem menos tolerante com pessoas elitistas com literatura — embora eu mesma tenha comportamentos esnobes às vezes, é verdade. Mas o assunto do post de hoje não é esse, era para eu ter usado o gancho do post antigo para dizer que vou tentar voltar a fazer posts discutindo alguns assuntos. Porque se antes tinha a comunidade do Skoob no Orkut para me fazer pensar sobre literatura, hoje temos grupos no Facebook, além de posts de discussões em blogs, ou artigos de jornal que chegam na minha tela pelo Twitter.

Vale avisar antes de ir para a discussão que, obviamente, o post reflete a minha opinião, e não alguma verdade universal. Discorda em algum ponto? Que bom, podemos conversar sobre isso nos comentários, se você quiser.

Bom, uma discussão que está muito em pauta atualmente é a de diversidade na literatura — especialmente em livros para jovens adultos (YA). Vi vários blogs brasileiros falando sobre o assunto e sobre a campanha #weneeddiversebooks. E sou a favor da campanha, sou a favor de ler livros diversos. Mas fica a questão: será que quem apoia a campanha está procurando ler livros diferentes, com protagonistas pertencentes a minorias, sobre outras culturas? Porque eu tenho a impressão de que muita gente não. As pessoas estão esperando que um livro diferente vire best-seller do nada e daí elas conheçam e queiram ler. E isso raramente acontece, porque livros são produtos, e as leis de mercado atuam sobre eles, etc. É um ciclo vicioso: livros diversos não dão muito dinheiro > as editoras não traduzem ou lançam livros assim, ou lançam com pouca publicidade > as pessoas não compram porque não procuram conhecer > livros diversos não dão muito dinheiro, e assim vai se repetindo.  

E é claro que a campanha é importante, para fazer a gente, as editoras e os autores pensarem mais sobre isso. Mas os leitores podem ter o maior papel nisso: quanto mais a gente consome livros diversos, mais eles vão ser lançados. E já temos vários livros diferentes sendo lançados no Brasil, é só ir atrás deles. Para quem lê YA, por exemplo, tem os livros da Natsuo Kirino, como Grotescas, sobre personagens japonesas, ou O garoto da casa ao lado, que se passa em Zimbábue. Eles não são considerados YA, provavelmente pelas diferenças culturais, mas os personagens são jovens.

As diferenças culturais podem dificultar um pouco a leitura, mas poucos livros com personagens de minorias não vão falar sobre isso ou sobre opressão — em livros sobre negros ou homossexuais, por exemplo, é pouco provável que o preconceito que eles sofrem não seja abordado de alguma forma. E é importante que ele seja abordado, já que os livros tentam ser realistas — a não ser, é claro, que seja um distopia ou uma história de fantasia. Inclusive acho que distopias ou livros pós-apocalípticos são a melhor forma de incluir personagens não brancos quando o escritor é branco, porque não precisa necessariamente incluir uma parte cultural sobre outra etnia.

Eu, particularmente, sou bem chata com escritores falando sobre minorias ou culturas às quais eles não pertencem. Não li Eleanor & Park ainda, mas vi algumas críticas falando que o modo de retratar o Park e a sua família é um pouco racista. Em Let it snow, fiquei muito incomodada com o fato dos dois personagens coreanos serem estereótipos de nerds virjões (não vi mais ninguém reclamando sobre isso, mas eu, como descendente de japoneses de um lado da família, sou meio sensível em relação a temas asiáticos) . Gostei bastante de Vaclav & Lena, mas fiquei meio mal quando vi que muitos imigrantes russos reclamaram do jeito que foram retratados.

Isso significa que escritores só podem falar sobre a própria realidade? Não, mas eu acho que tem que tomar muito cuidado ao escrever sobre realidades de outras pessoas, especialmente se estas são oprimidas de alguma forma. O que me leva à conclusão de que a gente precisa procurar por livros diversos de autores diversos. Não adianta muita coisa ter uma variedade de personagens sendo que todos são escritos por brancos cis héteros ricos americanos. E uma coisa que me incomoda bastante na campanha americana pelos livros diversos é que a maioria das sugestões é de livros do Estados Unidos. Algo do tipo: quer ler um livro sobre o Brasil? Que tal ler um que uma autora americana escreveu sobre o Brasil sem nunca ter visitado o país? Queridos americanos, existe algo chamado tradução, e vocês poderiam incentivar o uso dela, quem sabe…

(espaço para desabafo: em Anna and the French kiss, uma professora de inglês diz que os americanos não leem literatura estrangeira porque eles gostam de consumo rápido, e romances estrangeiros têm um ritmo devagar e uma história com mais camadas. Mas isso é uma generalização absurda! Além de colocar a literatura americana como rasa, a professora coloca tudo que é estrangeiro como mais reflexivo, e isso nem sempre é verdade. Para a pessoa da própria cultura que está lendo o livro, ele não é necessariamente  profundo.  E e óbvio que existem livros de consumo rápido em outras culturas. É mais difícil que eles cheguem aos Estados Unidos, mas uma vez que virem best-sellers, são logo traduzidos. Como eu já disse, existem barreiras culturais que podem dificultar a leitura de algo estrangeiro, mas nem sempre é algo tão complicado, especialmente agora que estamos vivendo na globalização, e conhecemos ou podemos conhecer um monte sobre outras culturas…)

Se é importante que todo tipo de pessoa possa se ver refletido na literatura, é importante também que qualquer um possa se ver em um escritor. De forma que uma criança negra que vive no Brasil, por exemplo, possa se ver como heroína de várias histórias e também, se quiser, escritora do que desejar. Eu acho que muitas vezes dão importância demais aos personagens e poucas aos escritores. É claro que o escritor de uma minoria não precisa falar só sobre ela, mas de qualquer forma saber que ele existe, que ele faz sucesso, já pode ser inspirador para as pessoas daquela minoria.

Então, para terminar o texto, acho que é importante que a gente converse sobre diversidade na literatura e procure mais livros de pessoas diferentes, porque eles existem, mas muitas vezes estão escondidos. Sim, já tem muitos livros interessantes e não diversos por aí, mas acho que dá para intercalar leituras, e buscar sempre que puder uma variação. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

The raven boys, Maggie Stiefvater

The Raven Boys

The raven boys foi muito elogiado por um monte de gente, mas não tinha chamado a minha atenção. Eu não sabia por que, mas logo percebi que era porque eu tenho preconceito contra YA sobrenatural. Desde que Crepúsculo foi lançado, o gênero virou moda e vieram milhões de histórias de amor com vampiros, lobisomens, anjos, zumbis… Aí eu fiquei com birra do gênero. Li alguns tão marcantes que nem me lembro do nome e pronto, preconceito misturado com simples desinteresse. É fato que, atualmente, não sou a maior entusiasta das histórias de fantasia no geral e tenho lido muito mais histórias pé no chão, principalmente passadas na nossa época porque também tenho um ligeiro preconceito/desinteresse em livros históricos, ops. Mas isso é assunto para outro post (esse aqui mostra um exemplo).

Mas enfim, voltando ao livro resenhado. Fui ler The raven boys sem grandes expectativas e sem saber quase nada sobre a história. E como quase sempre acontece quando subestimo um livro, ele me surpreendeu. Comecei a leitura um pouco perdida, porque o livro tem um clima forte de mistério. Mas nos primeiros capítulos a gente já vai entendendo algumas coisas, resolvendo outras e ficando em dúvida sobre o resto. É legal porque nada que aparece na história aparece à toa e muitas coisas têm significados que só serão revelados depois. Deve ser um livro muito legal de reler por causa disso.

Mas depois que a maior parte dos mistérios maiores dos personagens é revelada e sobra o desenvolvimento da parte fantástica, o livro perdeu um pouco da graça para mim. Um dos motivos de eu não ler tanta fantasia hoje é ter preguiça de descrições, e em The raven boys tudo é descrito nos mínimos detalhes, o que deve ser um ponto positivo para muita gente, mas para mim é cansativo, ainda mais lendo em inglês. E como o livro faz parte de uma série de quatro livros, o final termina em aberto e, não sei, senti falta de alguma explicação, de uma pista sobre para onde o livro está indo — mas provavelmente teve alguma pista e eu que não captei…  — porque tenho medo de ser como Lost e abrir um monte de mistérios e não oferecer uma explicação convincente.

O paralelo entre The raven boys e Lost pode parecer meio estranho, mas faz muito sentido na minha cabeça, porque por mais que a parte fora da realidade das duas pode me decepcionar, o que eu gosto mesmo é dos personagens. O livro tem possivelmente os personagens mais interessantes de YA que eu me lembro de ter lido. Os garotos corvos são interessantes, diferentes uns dos outros e bem desenvolvidos, e a família de Blue, a protagonista, também é bem curiosa. E é legal que a parte romântica ~ainda~ não está bem desenvolvida, porque a gente não fica lendo três mil vezes sobre como fulaninho é lindo e gostoso — embora o livro tenha uma certa repetição: falando sobre como Gansey é rico, e tem cara de rico e se veste como rico, etc. Um pouco cansativo, mas é realista, as pessoas gostam de ficar repetindo sobre como as outras são ricas (quem nunca teve inveja, né?).

Para concluir, o saldo do livro foi muito positivo. Embora eu esteja um pouco insegura sobre o caminho que a série vai tomar, muitas das coisas de que eu não gostei no livro não são por falha da autora, e sim por gosto pessoal meu. Eu vou passar a prestar mais atenção em livros de YA sobrenatural muito elogiados, mas continuo com um pouco de preguiça deles — quase tudo é série! Não tenho paciência para ficar esperando o lançamento do livro, e depois ter que reler o anterior porque esqueci a história, e esse tipo de coisa.

Avaliação final: 4/5

P.S.: Não botei citação porque não encontrei nenhuma que tivesse o espírito do livro e não fosse spoiler. Percebi também que não falei nada do enredo, mas não vou falar nada porque é melhor ler sem saber.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

The Garden Party, Katherine Mansfield

The Garden Party

It seemed to him there was a tiny pause but long enough for him to suffer torture before her lips touched his, firmly, lightly kissing them as she always kissed him, as though the kiss how would he describe it? confirmed what they were saying, signed the contract. But that wasn’t what he wanted; that wasn’t at all what he thirsted for. He felt suddenly, horribly tired.

                                                                                                 (The garden party, p. 227)

Minha primeira experiência com os contos da Katherine Mansfield aconteceu em 2011. Apesar da resenha não ter sido das mais positivas, a experiência foi proveitosa e fiquei com vontade de ler mais coisas da autora. Então encontrei The garden party em um sebo por apenas quatro reais (uma edição um pouco surrada, é claro), decidi comprar e aproveitei a leitura para um trabalho de faculdade sobre contos. Li o livro há uns meses, na verdade, mas não o resenhei até agora por preguiça.

The garden party tem alguns contos em comum com o livro dela que eu li antes, como At the bay, que me lembra muito To the lighthouse, da Virgina Woolf, e Miss Brill, que na primeira vez que li achei sensacional e agora não vi tanta graça.

Bom, como a minha resenha do outro livro dizia, Katherine Mansfield definitivamente não é uma leitura rápida. Seus contos utilizam bastante fluxo de consciência e se você não estiver no clima certo para entrar na cabeça dos personagens, a leitura pode se arrastar. Mas, uma vez dentro dos contos, o livro fica incrível, a prosa fica deliciosa e não sei mais que elogios fazer.

É verdade que quando leio para a faculdade, meu olhar fica mais analítico e acabo achando as coisas melhores do que quando leio por entretenimento, mas faz parte — e me considero sortuda por isso, considerando que muita gente perde o prazer de ler quando o faz por obrigação. O fato é que não existe leitura totalmente imparcial, e o jeito que nós lemos determina muito o que vamos achar do livro.

Atualmente tenho prestado mais atenção na representação das mulheres na literatura e a Katherine Mansfield certamente fez um bom trabalho. Suas personagens são humanas e estão em diferentes fases da vida, que são bem retratadas. Há também uma crítica social a opressão da mulher, vista em elementos como o casamento. Vemos maridos possessivos, desinteressados e egoístas.

Eu fico meio triste ao ver que muita gente não gosta de ler contos. Entendo que nem sempre são leituras fáceis, porque é difícil de ler tudo em seguida, e em um livro de contos o nível de qualidade deles sempre varia, mas um único conto às vezes pode marcar o leitor mais do que vários romances. Então fica a recomendação de ler Katherine Mansfield.

Avaliação final: 4,5/5

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Vaclav & Lena, Haley Tanner

Vaclav & Lena

Não podiam saber que muitas coisas ruins viriam com aquele dia junto com as coisas boas. Não sabiam que as coisas boas iriam acontecer e interagir com as ruins como elementos químicos e torná-las piores, e o contrário também. Não sabiam que Vaclav e Lena iriam passar pelo famoso Coney Island Sideshow e ver truques de mágica, e ver Heather Holliday em seu biquíni dourado de franjas pela primeira vez. Não podiam saber que isso seria o começo de tudo.

                                                                                                       (Vaclav & Lena, p. 69)

Desde que vi essa bela capa, fiquei com vontade de ler Vaclav & Lena. Mas o livro recebeu críticas variadas e a autora era desconhecida, então era arriscado comprar assim, sem pensar melhor. Até que ele ficou em promoção no Submarino, por pouco menos de quatro reais, e fui correndo comprar.

Como o título sugere, o livro conta a história de Vaclav e Lena, que são dois imigrantes russos morando em Nova York. Vaclav quer ser um mágico famoso, e Lena seria a sua assistente. Eles se conhecem quando crianças, e ficam amigos logo, mas depois de um tempo são obrigados a se separar. Vaclav não sabe para onde Lena foi até que, alguns anos depois, ele descobre o que aconteceu.

A história começa com eles crianças, com uns dez anos, e eu gosto muito de narrativas infantis. Com essa não foi diferente, embora eu tenha achado a narração um pouco estranha no começo. Pelo que li em resenhas do livro em inglês, talvez esse estranhamento venha da tentativa de escrever o livro como alguém imigrante aprendendo a falar inglês. Pela tradução, não consegui sentir isso tão claramente, mas de qualquer jeito não saberia se isso seria um ponto positivo ou negativo para o livro.

Gostei muito dos personagens. Me identifiquei em vários aspectos com a timidez e a confusão de Lena — felizmente sem ter vivido o turbilhão emocional que ela viveu. Vaclav é aquela criança otimista e esperançosa, de quem eu fiquei com um pouco de dó porque a realidade é muito pior, mas também de inveja porque seria bom ser como ele. Outro destaque fica para Rasia, a mãe carinhosa de Vaclav.

Achei interessante o fato da história envolver imigrantes russos, embora eu tenha visto gente que sabe mais do tema dizer que eles não foram bem retratados. Então eu fico meio em cima do muro nesse aspecto, porque por mais que os clichês russos não tenham me incomodado, sei que se fosse com imigrantes brasileiros ou japoneses, eu ficaria brava.

O livro teria ficado com quatro estrelas, se não fosse pelo desenvolvimento do final. O final em si é muito bonito, mas achei um pouco raso e forçado considerando algumas coisas pesadas que aconteceram e não foram bem desenvolvidas. Vaclav & Lena tenta ficar em um otimismo que não se sustenta pelos próprios acontecimentos da história, e isso me incomodou. Se a parte ruim da história tivesse sido mais explorada, o final se encaixaria bem, mas como não foi fiquei sentindo falta de algo.

Enfim, Vaclav & Lena na maior parte do tempo é uma leitura agradável e delicada, e apesar de algumas coisas terem me incomodado, vale a pena para quem se interessou.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 23 de julho de 2014

TAG: Animações

Estava preparando uma tag de filmes que ainda não postei e percebi que em metade das categorias eu queria colocar animações, mesmo que elas tivessem também uma categoria própria. Afinal, animações também me fazem rir, chorar, ficar com medo, etc. Então pensei: por que não bolar eu mesma uma tag só de animações? Como a tag é minha, as categorias são meio específicas para o que eu gosto e conheço melhor. Caso você queira fazer, pode incluir outras categorias ou tirar alguma. E mostre o seu post nos meus comentários, porque eu adoraria receber indicações.

A regra é escolher três filmes por categoria e comentá-los. Eu escolhi alguns filmes meio aleatórios, porque sou péssima para listar por qualidade ou algo do tipo, então não é necessariamente para serem os melhores de todos, e sim os que você quiser destacar.

1- Animações da Disney:

O Corcunda de Notre Dame O corcunda de Notre Dame: Desde que comecei a rever filmes da Disney, Corcunda é sem dúvida o que mais me impressionou. A maioria dos outros filmes eu achei divertida e só, mas esse eu achei profundo. Fiz um comentário sobre ele aqui.

O rei leãoO rei leão: Esse era meu grande favorito quando eu era criança, mas eu tenho um grande problema com ele: odeio o Mufasa, detesto essa coisa de monarquia e de a comida dos leões ser súdita deles e isso estar tudo bem. Mas ainda assim acho a animação muito boa, adoro a trilha sonora e amo o Timão e o Pumba. 

Tarzan Tarzan: Eu revi por acaso Tarzan uma noite no Disney Channel e gostei bastante. Não era um dos filmes que eu mais gostava quando menor, e talvez seja por questões de expectativas que eu tenha gostado dele agora, mas isso não importa. Eu chorei no final do filme mesmo não sendo tão triste, então acho que ele merece um lugar aqui.

2- Animações da Pixar:

RatatouilleRatatouille:  Para ser sincera, nem me lembro tanto de Ratatouille, mas sei que gostei muito quando assisti e isso é o que importa. Pretendo rever em breve.

UpUp: altas aventuras: Up tem um dos começos mais maravilhosos e tristes de todos os filmes que eu já vi. Não gosto muito da parte de aventura do filme, e mesmo assim ele continua valendo a pena.  

Toy Story 3Toy Story 3: Não sou tão fã da Pixar como quase todo mundo parece ser, mas é mais questão de preconceito meu com animação 3D porque as pessoas amam tanto que parecem não dar bola para filmes atuais em 2D do que de falta de qualidade do estúdio ou algo do tipo. Enfim, embora eu não ame Toy Story tanto quanto muita gente ame, gosto bastante da série e especialmente do 3, porque tem toda a questão de crescer e deixar os brinquedos para trás e eu sou muito ligada aos meus bichinhos de pelúcia.

3- Animações japonesas:

A viagem de ChihiroA viagem de Chihiro: Se não fosse por Chihiro, eu provavelmente não teria virado fã do Studio Ghibli. O filme é visualmente incrível e tem uma história muito boa que encanta adultos e crianças. 

O túmulo dos vagalumesTúmulo dos vagalumes: Filme tristíssimo sobre a segunda guerra mundial, e mostra que animação não é só coisa para criança. Para alguém que tem preconceito contra anime, talvez este possa acabar com isso, já que não é fantasioso.

Tokyo GodfathersTokyo Godfathers: Três moradores de rua encontram um bebê. É uma história de Natal muito engraçada, e também não é para crianças. O diretor, Satoshi Kon, dirigiu outros filmes importantes, dos quais eu só vi Paprika, que é tipo um A origem animado e japonês (digo isso sem ter visto A origem, mas…).

4- Animações francesas:

As bicicletas de BellevilleAs bicicletas de Belleville: Um filme meio estranho, mas muito legal. Gosto da animação, da história e da trilha sonora. Gosto muito também do outro filme do diretor, O mágico.

Um gato em Paris Um gato em Paris: Fora o traço bonito, Um gato em Paris não tem nada de muito especial, mas eu gosto bastante dele. É divertido, simples e prende a atenção.

Os contos da noite Contos da noite: Reúne mitos de vários lugares. A animação tem esse contraste entre as silhuetas e o fundo e é incrível. O filme é do diretor de Kirikou.

5- Animações em stop motion:

CoralineCoraline e o mundo secreto: Fiquei em dúvida entre Coraline e algum do Tim Burton, mas optei por esse porque adoro o livro e fiquei muito feliz de ter uma adaptação tão boa para o cinema, que consegue manter o clima sombrio do livro. E gosto muito da trilha sonora também.

A fuga das galinhas A fuga das galinhas: Adoro os trabalhos da Aardman, que conheci com os curtas de Wallace & Gromit. A fuga das galinhas é o meu filme favorito deles, mas não me lembro muito bem do filme em si.

Mary e Max  Mary e Max: uma amizade diferente: Outro filme triste, dessa vez sobre a amizade entre uma garota australiana e um senhor americano. É bem melancólico, mas também é engraçado (acho que quase todos os filmes mais adultos dessa lista tem essa mistura de humor e melancolia).

6- Outras animações 3D:

ShrekShrek: Adoro Shrek, mas com as continuações meio ruins e tal acabo não tendo uma imagem muito positiva do filme. Mas é bem engraçado, e gosto como brinca com os contos de fada.

A era do gelo A era do gelo: A mesma coisa que acontece com Shrek acontece com esse filme, que eu sempre esqueço que existe. Tenho que rever para confirmar se eu gosto mesmo dele ou não…

Meu malvado favoritoMeu malvado favorito: Não sou a maior amante desse filme como já deu para perceber, não sou a maior amante de animação 3D, mas achei Meu malvado favorito legal quando eu vi . Ainda não assisti à continuação, pretendo ver quando passar na TV.

7- Outras animações 2D:

Uma cilada para Roger RabbitUma cilada para Roger Rabbit: Esse filme mistura animação e pessoas de verdade, e eu achei que ficou legal e bem feito. Não achava que fosse gostar dele, porque sempre o associei à imagem sensual da Jessica Rabbit, mas gostei bastante quando o assisti.

Yellow submarineYellow submarine: Ok, esse entrou na lista meio por falta de opções. É bem maluco e psicodélico e eu não sei se eu gostava muito, mas é bem diferente dos outros da lista. E o Ringo tem um buraco no bolso e isso já é o suficiente.   

Em busca do vale encantadoEm busca do vale encantado: Tive um problema com essa última categoria, porque não me lembrava de quase nenhuma animação que eu tivesse assistido, gostado e que não se encaixava nas outras. Das últimas a que eu assisti, Spirit e Anastasia, não gostei muito. Então fui pelo valor sentimental e fiquei com Em busca do vale encantado, essa adorável história de dinossauros com infinitas sequências. Eu não vi todas, mas vi várias, então eu devia gostar muito, né? Enfim, outro filme para rever.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Whip it, Shauna Cross

Whip it

I love the way the wind whips through my hair at practice as I fly through the turns, sitting low, leaning into the track for maximum speed. My life feels like it has been so slow for so long, it’s fun to finally be going fast.

Eu queria ler esse livro desde que ele foi lançado no Brasil, com o título de Derby girl. Lia vários livros adolescentes nessa época e gostava de ler livros cheios de referências musicais e à cultura pop. Derby girl parecia entregar isso, além de focar em um esporte interessante e pouco conhecido. E, preguiçosa como sou, demorei muito para ler o livro. Só fui lê-lo agora, em inglês e depois de ter visto a metade final do filme na televisão há um tempo.

Bom, o livro conta a história de Bliss Cavendar, uma jovem moderninha de dezesseis anos que mora em uma cidadezinha conservadora no Texas. Ela se sente presa lá, ainda mais vivendo com uma mãe louca querendo que as filhas sejam vencedoras de concursos de beleza. Então Bliss descobre o roller derby, esporte que só as garotas cool praticam. Como Bliss tem como meta de vida ser cool, ela vai correndo participar, e descobre um lugar do qual ela gosta de pertencer — estou tentando, mas está difícil não terminar sinopses com chavões.

Se alguém quer ler o livro porque tem o interesse em conhecer o esporte, eu já digo: ele é pouco desenvolvido no livro. As regras não são explicadas e tem poucas cenas da prática do esporte em si, que foram um pouco difíceis de entender para mim — não sei se porque estavam mal descritas ou porque sou ruim em imaginar cenas de movimento. Ou seja, se você não conhece roller derby, continua sem conhecer depois de ler o livro. A sorte é que eu já tinha visto o final do filme, se não seria muito mais difícil de visualizar as cenas.

Além disso, toda a parte envolvendo o roller derby, as amizades que ela fez, a rotina do treino, não aparecem direito. Bliss, que é a narradora do livro, conta demais e não mostra o suficiente. A gente tem que acreditar quando ela diz que as meninas do treino dela são legais e que ela está adorando o roller derby, mas eu não senti isso de verdade, não vi tantas cenas que justificassem essas coisas, por exemplo. Achei os personagens planos, e muitos tinham potencial para mais desenvolvimento, como as praticantes de roller derby, que não têm personalidades distintas, a Pash e a mãe de Bliss.

Então, curiosamente, o fato do livro ser curto e rápido é uma qualidade e um defeito. Qualidade porque às vezes a gente só quer se distrair com um livro e defeito pela falta de profundidade.

O livro tem algumas lições legais, é uma história de amadurecimento interessante, e eu achei envolvente, mas certamente não é para todo mundo. Eu me irritei bastante com a Bliss no começo, porque ela é imatura, fica se achando a cool — e se sente muito superior por isso — e fala em linguagem adolescente demais. Mas aos pouco me acostumei, e sei que faz parte da fase em que ela está… Talvez se eu tivesse lido o livro quando ele foi lançado teria me identificado mais.

Avaliação final: 3/5

Sobre a adaptação para o cinema:

Whip it 2 Faz tempo que eu não faço comparação livro e filme, mas achei que Whip it merecia — ou melhor, se eu não assistisse ao filme logo depois de ler o livro, eu provavelmente não assistiria nunca.

O filme em português se chama Garota fantástica, é dirigido pela Drew Barrymore, tem a Ellen Page como Bliss e o roteiro é da Shauna Cross, a própria autora do livro.

O filme desenvolve mais o esporte do que o livro. Se o livro é principalmente uma história de amadurecimento pessoal, o filme é também uma história de superação esportiva. Isso porque o time da Bliss era de perdedoras pouco comprometidas com o esporte, mas elas logo sentem um gostinho de vitória e gostam disso — vale dizer que o livro e o filme terminam de modo diferente.

As praticantes de roller derby também aparecem mais e são mais desenvolvidas — destaque para a rival interpretada pela Juliette Lewis. Não sei se toda a dinâmica do esporte foi bem representada no filme, se corresponde à realidade, mas pelo menos deu para sentir um gostinho do que é o roller derby.

Como o foco do filme é esportivo, algumas coisas que eram mais desenvolvidas no livro não tiveram a mesma importância na tela, como a amizade da Pash e a parte romântica. Não que elas tenham sido ignoradas, mas enquanto no livro achei que a parte do roller derby ficou meio solta, no filme as relações pessoais principais da Bliss ficaram um pouco fora de lugar.

Eu sempre acho engraçado ver a adaptação logo depois de ler o livro, porque reparo nos diálogos e nas cenas iguais nos dois e muitas vezes acho isso ruim, porque alguns elementos ficam meio estranhos sem o contexto que tinham no livro. Mas, se eu visse o filme bem depois, provavelmente não ficaria comparando tanto e não repararia nessas coisas.

Enfim, o filme continua tendo vários clichês de filmes esportivos e de adolescentes, mas para quem gosta do gênero vale a pena, especialmente por ser um filme que deixa evidente a força feminina. E Whip it passa no teste de Bechdel com uma facilidade… 

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Razão e sentimento, Jane Austen

Razão e sentimento

— Não acredito — disse a sra. Dashwood com um sorriso bem-humorado — que o sr. Willoughby venha a ser incomodado pelas tentativas de qualquer de minhas filhas para fisgá-lo. Não é empresa para a qual tenham sido educadas. Os homens estão seguros em nossa companhia, por mais ricos que sejam. (…)

                                                                                               (Razão e sentimento, p. 55)

Quando vi que a Jane Austen seria a escolhida do Volta ao mundo em 12 livros, fiquei dividida. Primeiro achei uma escolha muito clichê. Mas depois pensei que era uma boa oportunidade de conhecer a obra desse autora tão conhecida e famosa  — e de quem, para ser sincera, eu nunca fui com a cara. Estava pronta para conhecer Elizabeth Bennet e Mr. Darcy e descobrir se eu ia amá-los ou odiá-los, até que… não tinha Orgulho e preconceito na biblioteca. Então acabei lendo Razão e sentimento.

O livro conta a história da família Dashwood, focando nas filhas Elinor e Marianne. As duas estão em idade de se casar, mas não querem fazer isso por dinheiro, e sim por amor. Depois que o pai delas morrem, elas acabam conhecendo novas pessoas e… Eu ia falar algo clichê agora, tipo “vivendo um grande amor”, mas fora isso não acontece nada demais.

E esse é o maior problema do livro. Não acontece quase nada. E tem quatrocentas páginas! Quatrocentas páginas de draminhas, visitas a pessoas de quem as irmãs não gostam, Elinor reprovando o comportamento de Marianne, as duas pensando como todo o resto do mundo é inferior a elas, porque só elas têm cultura… E aí, nas últimas dez páginas, tudo se resolve muito rápido e de um jeito que eu não aprovei. Talvez, se o livro tivesse umas cem páginas a menos, eu teria gostado mais.

O ritmo de leitura acabou ficando assim: eu lia uns três capítulos com vontade, aí lia uns que me faziam querer desistir/ acabar logo com esse livro, depois lia mais alguns interessantes, então tinha uma sequência super maçante… Bem irregular, mas pelo menos concluí a leitura.

Vi alguns elementos que tanto elogiam na Jane Austen nesse livro, mas não na quantidade que eu esperava — talvez por serem coisas sutis, talvez por questão de gosto. Gostei das partes com o irmão das Dashwood pela ironia, porém não achei tão sensacional assim. Tantos autores falam sobre a importância do dinheiro na sociedade, gente gananciosa e tal, até Moll Flanders, que é bem anterior a Razão e sensibilidade, explora o tema.

Fiquei em dúvida em relação às protagonistas: é para a gente torcer por elas? Marianne foi criada para ser detestável mesmo, também é uma personagem irônica? Porque eu realmente não gostei dela. Também não torci pela Elinor, por ela ser muito esnobe, mas infelizmente, no fundo eu tenho bastante em comum com ela, principalmente nos defeitos.

Sobre a Jane Austen retratar bem a época: sim, ela provavelmente retrata. Mas eu sou obrigada a gostar dela por isso? Não posso achar a vida dessa época um saco, um tédio? Uma coisa que me deixa brava no mundo literário é como muita gente se sente obrigada a idolatrar o cânone e por isso olha feio para quem não gostou, como se essa pessoa fosse mais burra por isso — é possível que eu seja mesmo, mas não é esse o ponto. Não estou falando que as pessoas gostem de Jane Austen só para pagar de cult, mas às vezes me sinto meio mal quando não gosto de um livro importante. E eu sei que isso é questão de gosto, então eu não devia me sentir mal. Pronto, fim do desabafo.

Agora, uma observação triste. Esse é o quarto livro que eu leio para a Volta ao mundo. E o quarto livro que não me anima. Dei nota 2,5 para todas as leituras do projeto até agora, mesmo quando li autores de quem gosto. Se isso não é falta de sorte, eu não sei o que é…

Avaliação final: 2,5/5