The raven boys foi muito elogiado por um monte de gente, mas não tinha chamado a minha atenção. Eu não sabia por que, mas logo percebi que era porque eu tenho preconceito contra YA sobrenatural. Desde que Crepúsculo foi lançado, o gênero virou moda e vieram milhões de histórias de amor com vampiros, lobisomens, anjos, zumbis… Aí eu fiquei com birra do gênero. Li alguns tão marcantes que nem me lembro do nome e pronto, preconceito misturado com simples desinteresse. É fato que, atualmente, não sou a maior entusiasta das histórias de fantasia no geral e tenho lido muito mais histórias pé no chão, principalmente passadas na nossa época porque também tenho um ligeiro preconceito/desinteresse em livros históricos, ops. Mas isso é assunto para outro post (esse aqui mostra um exemplo).
Mas enfim, voltando ao livro resenhado. Fui ler The raven boys sem grandes expectativas e sem saber quase nada sobre a história. E como quase sempre acontece quando subestimo um livro, ele me surpreendeu. Comecei a leitura um pouco perdida, porque o livro tem um clima forte de mistério. Mas nos primeiros capítulos a gente já vai entendendo algumas coisas, resolvendo outras e ficando em dúvida sobre o resto. É legal porque nada que aparece na história aparece à toa e muitas coisas têm significados que só serão revelados depois. Deve ser um livro muito legal de reler por causa disso.
Mas depois que a maior parte dos mistérios maiores dos personagens é revelada e sobra o desenvolvimento da parte fantástica, o livro perdeu um pouco da graça para mim. Um dos motivos de eu não ler tanta fantasia hoje é ter preguiça de descrições, e em The raven boys tudo é descrito nos mínimos detalhes, o que deve ser um ponto positivo para muita gente, mas para mim é cansativo, ainda mais lendo em inglês. E como o livro faz parte de uma série de quatro livros, o final termina em aberto e, não sei, senti falta de alguma explicação, de uma pista sobre para onde o livro está indo — mas provavelmente teve alguma pista e eu que não captei… — porque tenho medo de ser como Lost e abrir um monte de mistérios e não oferecer uma explicação convincente.
O paralelo entre The raven boys e Lost pode parecer meio estranho, mas faz muito sentido na minha cabeça, porque por mais que a parte fora da realidade das duas pode me decepcionar, o que eu gosto mesmo é dos personagens. O livro tem possivelmente os personagens mais interessantes de YA que eu me lembro de ter lido. Os garotos corvos são interessantes, diferentes uns dos outros e bem desenvolvidos, e a família de Blue, a protagonista, também é bem curiosa. E é legal que a parte romântica ~ainda~ não está bem desenvolvida, porque a gente não fica lendo três mil vezes sobre como fulaninho é lindo e gostoso — embora o livro tenha uma certa repetição: falando sobre como Gansey é rico, e tem cara de rico e se veste como rico, etc. Um pouco cansativo, mas é realista, as pessoas gostam de ficar repetindo sobre como as outras são ricas (quem nunca teve inveja, né?).
Para concluir, o saldo do livro foi muito positivo. Embora eu esteja um pouco insegura sobre o caminho que a série vai tomar, muitas das coisas de que eu não gostei no livro não são por falha da autora, e sim por gosto pessoal meu. Eu vou passar a prestar mais atenção em livros de YA sobrenatural muito elogiados, mas continuo com um pouco de preguiça deles — quase tudo é série! Não tenho paciência para ficar esperando o lançamento do livro, e depois ter que reler o anterior porque esqueci a história, e esse tipo de coisa.
Avaliação final: 4/5
P.S.: Não botei citação porque não encontrei nenhuma que tivesse o espírito do livro e não fosse spoiler. Percebi também que não falei nada do enredo, mas não vou falar nada porque é melhor ler sem saber.