terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Os últimos filmes que eu vi #2

1- Compramos um zoológico (Cameron Crowe, 2011)

We Bought A Zoo Li o livro e mesmo não gostando muito dele, fiquei curiosa para ver o filme (por motivos de: animais e diretor de Quase famosos).

O livro não é muito emotivo, já o filme mistura a história sobre ter um zoológico — de uma maneira bem inacreditável, aliás — com uma drama familiar. E nenhuma dessas partes funciona muito bem. O filme também dá um par romântico para o pai e para o filho, mas não desenvolve o romance. Parece que colocaram os casais porque é uma obrigação hollywoodiana: se um homem e uma mulher de idades parecidas são solteiros, se dão bem e pelo menos um deles têm a vida infeliz por algum motivo, eles irão superar as adversidades como um casal, mesmo que não tenham exatamente química juntos.

Além disso, a personagem interpretada pela Elle Fanning é bizarra, do tipo de não saber se a atriz é ruim ou se a personagem é bizarra, e a menininha é um tanto irritante. Mas, apesar de tudo isso, o filme entretém, e às vezes é só isso que a gente quer. Avaliação: 3/5

2- Ruby Sparks: a namorada perfeita (Jonathan Dayton e Valerie Faris, 2012)

Ruby SparksTenho um fraco por filmes assim, com carinha de indie, e, apesar de não ter muita preferência por atores e coisas assim, simpatizo bastante com o Paul Dano. Então esperei o filme estrear na TV, porque não sou muito de ir ao cinema, e o assisti.

Acho legal a premissa do filme, a ideia de que é impossível criar uma pessoa perfeita e como critica a ideia de manic pixie dream girl, mesmo sem querer. Mas, e aqui vão alguns spoilers, não gostei do final feliz. Calvin, o protagonista, é um personagem meio Woody Allen, egoísta e problemático. Mas ele chega a ser bem violento em alguns momentos, e achei estranho o filme não falar nada disso. Quer dizer que tudo bem agarrar uma mulher (e isso no começo da história, nessa foto aí, quando ele descobre que ela existe de verdade) e tudo bem obrigá-la a fazer um monte de coisas? Ele se arrependeu, aprendeu a lição, então vai ter uma nova chance tão fácil assim? Li algumas opiniões de umas pessoas defendendo o filme e até concordo com algumas coisas, mas, na minha primeira interpretação, pessoalmente, fiquei um pouco brava. Mas, mesmo assim, gosto da moral do filme, que tem algumas lições feministas apesar disso, e gostei do filme, me prendeu a atenção e tal. Avaliação: 3,5/5

3- Desconstruindo Harry (Woody Allen, 1997)

Desconstruindo Harry Outro dos filmes do Woody Allen que minha irmã tinha que ver para a faculdade. Eu gostei bastante desse filme, mas não escrevi nada na hora e agora, uns dois meses depois, nem sei mais o motivo. Lembro que achei engraçado e que achei que era um bom resumo dos filmes do Woody Allen, suponho que tenha me lembrado vários outros filmes dele. Avaliação: 4/5

4- Mulan (Barry Cook e Tony Bancroft, 1998)

Mulan Faz um tempo que eu queria rever Mulan, porque estava interessada em ver um filme da Disney com uma garota mais em ação, diferente dos últimos filmes de princesa que eu revi. Gosto da lição da menina que pode fazer o que quiser e lutar contra o seu destino, o filme prende a atenção, tem músicas legais e a animação é boa, mas acho meio raso. Do tipo assisti e não pensei mais sobre ele. Avaliação: 3,5/5

5- O corcunda de Notre Dame (Gary Trousdale e Kirk Wise, 1996)

O Corcunda de Notre DameO corcunda de Notre Dame eu acho bem mais profundo. Eu me lembro de tê-lo assistido quando criança, sei que tinha a fita legendada e era a única legendada que eu tinha, mas não lembro se gostava ou não do filme. Enfim, não sei também se eu entedia o filme direito, porque eu era uma criança bem inocente. Revendo, achei o filme um pouco pesado para crianças. Não do tipo que precisaria de censura ou coisa assim, mas acho que é um filme que é mais apreciado por gente mais velha, que entende melhor os assuntos do filme. O Frollo é um dos vilões mais malvados da Disney, e também um dos mais realistas. E gosto que o final não é o mais feliz do mundo, que não é “Disneyficado”, apesar do filme ser da Disney. Enfim, foi uma boa surpresa e me fez pensar. Avaliação: 4/5

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Por isso a gente acabou, Daniel Handler

Por isso a gente acabou

Mas é por isso que já estava condenado, bem ali. A gente não podia ter só as noites de magia zumbindo pelos fios. A gente tinha que ter os dias, também, os belos e impacientes dias que estragavam tudo com os cronogramas inevitáveis, os horários obrigatórios que não se cruzavam, os amigos leais que não se gostavam, os absurdos imperdoáveis rasgados da parede independemente das promessas feitas depois da meia-noite, e foi por isso que a gente acabou.                                                                                                                                                              (Por isso a gente acabou, p. 94)

Eu queria ler este livro desde que ele foi lançado. Daniel Handler é o homem que deu origem às Desventuras em série, esta série de livros curiosa, sensacional e criativa, e queria saber como seriam os seus outros livros. Comecei a ler The basic eight, mas por ler no computador pausadamente, o livro não engatou e eu desisti. Aí saiu Por isso a gente acabou no Brasil, e junto com ele um mar de resenhas elogiosas em blogs. Depois de um tempo, vi umas opiniões bem negativas, então não sei dizer se minhas expectativas eram altas. E também não sei bem dizer o que eu achei do livro.

O livro conta a história de Min Green, uma garota cinéfila que se apaixona por Ed Slaterton, um jogador de basquete. Os dois vivem um breve amor, mas terminam, e Min escreve uma carta para Ed enviando de volta as recordações do casal e explicando o relacionamento deles.

Eu achei o livro bem envolvente no começo, quando Min e Ed começam a namorar, mas lá pelo meio ficou um pouco cansativo e, supreendentemente, achei o final rápido demais, meio mal resolvido. Não sei. Tem horas que critico algumas coisas, depois retiro o que disse, ou entendo por que o autor fez aquilo…

Enfim, coisas mais objetivas sobre o que eu achei: a leitura é rápida, mesmo que eu tenha achado o livro cansativo às vezes; o livro é ilustrado, e apesar de eu não ter achado especialmente bonito como muita gente achou, é uma coisa que faz muita diferença e destaca o livro; eu não gostei das citações de filmes inventados, mas prefiro isso do que citações de filmes de verdade nesse caso, porque name-dropping nem sempre é legal; eu não gostei da Min e nem do Ed, e mesmo assim eu gostei do livro. Achei o livro sincero, honesto no tratamento romântico, e acho que muita gente pode se identificar com ele.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Diário da guerra do porco, Adolfo Bioy Casares

Diário da Guerra do Porco

O fato era que de uns meses para cá, talvez anos, havia se entregado ao vício das lembranças; como outros vícios, primeiro divertia e a longo prazo machucava e prejudicava.

(Diário da guerra do porco, p. 13)

Li este livro porque minha irmã o pegou na biblioteca e eu nunca tinha lido algo do Bioy Casares antes e estava curiosa para conhecer, além de servir para o meu projeto de volta ao mundo em 80 livros.

O livro é sobre um senhor aposentado, Isidoro Vidal, que vivia um vida pacata com seus amigos, mas um dia jovens começam uma onda de ataques contra pessoas consideradas velhas, a “guerra do porco”, e os velhos têm que aprender a lidar com isso.

Pela sinopse, o livro parece quase distópico ou fantástico. Mas tudo isso é narrado de forma simples e mundana. Vidal sofre com a situação, mas continua a sair com os amigos e jogar papo fora. O interessante é que esses ataques aos velhos dão espaço para reflexões sobre a velhice e a juventude, e nós leitores podemos pensar tanto sobre a situação atual dos idosos (por exemplo, um ministro japonês disse recentemente que os idosos deveriam se apressar para morrer) quanto sobre outros preconceitos violentos, como quando acontecem ataques homofóbicos.

A leitura é fácil, há muitos diálogos, mas não acontece muita coisa e os capítulos são curtos, então eu não achei muito envolvente, do tipo de precisar ler o próximo capítulo. Mesmo assim, gostei bastante do livro e fiquei com vontade de ler mais coisas do autor. E vou terminar com mais uma citação porque me identifiquei muito com ela:

A vida do tímido não é fácil. Nem bem se encaminhou ao quarto, compreendeu que mais ridícula do que a imagem de um homem entrando no banheiro era a de um homem se retirando porque lhe faltou a coragem de entrar. Havia vergonha maior do que deixar evidente que se teve vergonha?

(Diário da guerra do porco, p. 29)

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Asterios Polyp, David Mazzucchelli

Asteryos Polyp

Asterios Polyp é um arquiteto renomado de cinquenta anos. Muito convencido, ele perde sua casa em um incêndio e parte sem quase nada para outra cidade, onde conhece uma família e trabalha como mecânico. Ao mesmo tempo em que essa parte é desenvolvida no livro, temos também o passado de Asterios e sua história com sua agora ex-mulher Hana. É como se o arquiteto repensasse a sua vida após o incêndio.

Eu queria ler este livro faz um tempo, porque foi muito elogiado quando saiu, e não me arrependi de tê-lo pego na biblioteca. O estilo de desenho do livro é muito especial, cada personagem tem um tipo de fonte e de balão, e o uso das cores também é bem pensado.

A leitura foi bem envolvente e rápida, li em dois dias, praticamente duas sentadas. O livro apresenta reflexões interessantes, embora algumas coisas sejam profundas demais para mim, com referências filosóficas que eu não conhecia direito, por exemplo. Mas acho essa parte importante, porque a moral do livro seria um pouco rasa sem essas reflexões e divagações. Acho que é um livro que ganharia com uma releitura, já que ele não se esgota.

Avaliação final: 4/5

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Bonsai, Alejandro Zambra

Bonsai

No final ela morre e ele fica sozinho, ainda que na verdade ele já tivesse ficado sozinho muitos anos da morte dela, de Emilia. Digamos que ela se chama ou se chamava Emilia e que ele se chama, se chamava e continua se chamando Julio. Julio e Emilia. No final, Emilia morre e Julio não morre.

(Bonsai, p. 10)

Queria ler este livro há um bom tempo. Vi alguns trechos em twitters e blogs por aí e todo mundo elogiava tanto… Então minha irmã resolveu pegar na biblioteca um dia desses para a gente ler.

O livro é sobre o casal Julio e Emilia e o final deles já é dito no primeiro parágrafo (o trecho acima). O livro é muito curto (noventa páginas com pouco texto) e conta desde quando o casal se conhece até quando Julio sabe da morte de Emilia.

Eu estava gostando bastante da história de amor deles, o casal tem uma relação interessante com literatura e vários livros são citados (inclusive As coisas, minha leitura anterior!). Depois que eles terminam eu achei o livro meio sem graça. Tem uma parte um pouco metalinguística, mas eu não gostei muito, prefiro Livro, do José Luís Peixoto, nesse aspecto.

No geral, por ser uma história curtíssima, não dá para se envolver muito com os personagens. Eu sei que a narrativa é curta de propósito, que dá para fazer muitas relações entre o Bonsai do título e o livro em si, como na questão do livro ser um romance em miniatura ou na própria diagramação do livro. Mas no final eu acabei não vendo tantas relações (porque o livro não me animou para me fazer refletir mais) e achei um pouco sem graça. Talvez se eu não tivesse expectativas teria gostado mais do livro…

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 19 de janeiro de 2014

As coisas, Georges Perec

As Coisas

Gostariam de ter sido ricos. Acreditavam que teriam sabido sê-lo. Saberiam ter se vestido, olhado, sorrido como gente rica. Teriam tido o tato, a discrição necessária. Teriam esquecido sua riqueza, teriam sabido não ostentá-la. Não teriam se glorificado com ela. Apenas a teriam respirado. Seus prazeres teriam sido intensos. (…) Gostariam de ter vivido. A vida teria sido uma arte de viver.

(As coisas, p. 15)

O primeiro livro do Desafio Literário do Tigre é um livro que tenho há um bom tempo mas estava com medo de ler por achar que seria meio difícil. Aliás, nem sei por que comprei se já sabia que seria “cult” demais para mim. Talvez porque o Perec escreveu um livro inteiro sem a letra E, e eu acho isso muito legal.

As coisas é sobre um casal que vive nos anos 60 e desejaria muito ser rico. Eles imaginam as coisas que comprariam, como seria a sua casa… Mas não fazem nada para chegar mais perto do sonho. Gostam da liberdade do emprego deles, mesmo que ele dê pouco dinheiro. Até que eles se cansam da vida deles e decidem mudar.

O livro é curto, tem cento e poucas páginas e não desenvolve muita a história (de propósito). A maior parte é uma descrição do casal, o que eles fazem, por onde eles andam, o que eles têm e o que gostariam de ter.

Eu nunca gostei muito das descrições, então achei o livro um pouco cansativo. Entendo o motivo de sempre terem listas enormes de coisas, e acho a reflexão que o livro traz interessante, mas não me prendeu a atenção. Mas valeu a pena para conhecer o estilo do Perec e é o tipo de livro que eu gostaria de estudar, acho que é o tipo de livro sobre o qual eu gosto mais de ler do que ler o próprio livro.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Os últimos filmes que eu vi #1

Há um tempo, tenho me interessado um pouco mais por cinema, do tipo de ler sobre os filmes que vejo no IMDB. Estou longe de ser especialista, não me interesso por questões técnicas nem nada do tipo, mas achei interessante começar a escrever sobre os filmes que assisto no blog. É um bom modo de eu me lembrar deles depois e alguns podem ficar de dica para eventuais leitores do blog.

Como tive essa ideia faz tempo, comecei a anotar o que achava dos filmes e agora tenho mais de dez filmes para escrever sobre. Vou dividir o post em três partes e depois vou escrevendo sobre os próximos filmes na frequência que eu tiver vontade. Tenho bastante coisa para falar de alguns filmes, mas outros não me inspiraram muita coisa (ou eu já esqueci o que tinha para falar deles…), então o tamanho dos textos vai variar bastante.

1- Moonrise Kingdom (Wes Anderson, 2012)

Moonrise Kingdom É o segundo filme do diretor que eu assisti — o primeiro foi O Fantástico Sr. Raposo. O filme é sobre duas crianças desajustadas que se apaixonam e fogem juntas. É ingênuo, engraçado e muito fofo, sem deixar de ter o tom peculiar que imagino que seja típico do diretor. Avaliação: 4/5

2- Oldboy (Chan-Wook Park, 2003)

Oldboy Assisti a esse filme meio que por acaso, porque ia passar em uma mostra no Cinusp. Não conheço praticamente nada de cinema sul-coreano, mas este filme foi muito comentado, então fiquei curiosa para assistir.

Oldboy é sobre um homem que é trancado em uma sala por quinze anos sem saber o motivo. Ele é solto e sai pronto para se vingar de quem fez isso com ele.

Assisti ao filme sem grandes expectativas, tinha medo de que o filme fosse violento demais para mim. Acho que principalmente por isso, me surpreendi bastante. Fui totalmente envolvida na história, querendo logo descobrir o mistério. A trama se encaixou muito bem no jeito que o filme foi feito, na cinematografia em si.

Saí do cinema muito impressionada, daí minha avaliação alta (vale dizer que não dou 5 estrelas para quase nenhum filmes). Porém, entendo que algumas pessoas não gostem tanto do filme e imagino que, se tivesse sacado o final antes de ele acontecer — o que seria possível, já que o filme oferece alguns sinais, justamente para a surpresa não ficar muito forçada —, também não teria me impressionado tanto. Avaliação: 4,5/5

3- Crimes e pecados (Woody Allen, 1989)

Crimes e pecados Minha irmã estava estudando Woody Allen na faculdade e este é um dos filmes que ela tinha que ver.

Eu tenho uma relação muito particular com os filmes do Woody Allen, gosto mais de alguns considerados piores e não gosto de alguns super elogiados. Este é considerado um dos melhores filmes dele, e, bom, não gostei muito. O filme tem duas histórias que se cruzam no final: a de um oftalmologista que precisa esconder sua traição da sua mulher e a de um documentarista casado que conhece uma mulher tentadora.

É um filme mais reflexivo, com discussões morais e religiosas, mas não consegui me identificar com as reflexões e nem captar toda a genialidade dele. Avaliação: 3/5

4- O caldeirão mágico (Ted Berman e Richard Rich, 1985)

O Caldeirão Mágico Estou numa fase de querer rever os filmes da Disney, porque eu já não lembro nada de muitos deles e preciso decidir quais ficam entre os favoritos e quais eu posso descartar. Este filme na verdade eu acho que eu nem tinha visto antes, mas sempre é bom conhecer novos filmes (por mais que na verdade eles sejam bem velhos…). O filme é considerado da “época negra” da Disney e muita gente o achou pesado demais para um filme infantil. Eu discordo, achei poucas cenas violentas e só uma meio estranha para crianças (uma que foca nos peitos de uma bruxa). O filme aborda algumas coisas meio macabras, como possíveis mortes e tal, mas acho que outros filmes da Disney também abordam o tema na mesma profundidade (ou seja, de forma rasa).

É um filme de aventura, com muitas coisas que lembram O Senhor dos Anéis ou Harry Potter. Achei engraçadinho, com personagens carismáticos, e me prendeu a atenção. Avaliação: 3,5/5

 5- Os sete samurais (Akira Kurosawa, 1954)

Os sete samurais Faz tempo que quero assistir filmes mais clássicos, estou usando a lista dos 1001 filmes para ver antes de morrer com muita calma, mas muitos clássicos hollywoodianos não me atraem. Como gosto de cultura japonesa, queria assistir a um filme do Kurosawa.

Não sou muito fã de filmes de ação, achei a primeira parte, em que os personagens são apresentados, e o meio, quando eles estão se preparando para atacar, mais legal do que a segunda parte. Mas eu gostei do final. Eu não conseguia diferenciar todos os sete samurais, mas tem alguns que são muito expressivos e você acaba tendo um como favorito. O filme é um pouco cansativo (tem mais de três horas), mas valeu a pena. Avaliação: 4/5