sábado, 16 de novembro de 2013

Moll Flanders, Daniel Defoe

Moll Flanders

Li Moll Flanders para a faculdade e decidi aproveitá-lo para o Desafio Literário. O tema deste mês é livro banido.

Moll Flanders, como o nome já diz, conta a história de Moll Flanders, uma mulher que nasce pobre mas não aceita sua condição e tenta enriquecer de diversos modos: através de casamentos, prostituição e roubos. É ela que narra a história e vemos um suposto olhar de arrependimento, mas seria este olhar confiável?

O livro é do século 18, e atualmente parece um pouco ultrapassado, entediante até. A construção do romance não é das melhores, o enredo pula partes que pareciam importantes e a estrutura episódica é um pouco estranha. É interessante ler o livro agora e refletir sobre a história da literatura, especialmente dos romances, mas lê-lo por diversão não me parece uma boa ideia…

O que eu gostei no romance é que, hoje, as falas de Moll Flanders parecem um pouco irônicas e realmente não sabemos se devemos confiar na sinceridade dela. Ela diz que se arrepende, mas suas ações dizem o contrário. Isso acaba deixando o livro mais divertido e alguns sorrisinhos podem surgir durante a leitura.

Moll Flanders é certamente um livro importante para a literatura, mas assim como alguns outros clássicos, não me fisgou completamente.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Compramos um zoológico, Benjamin Mee

Compramos um Zoológico

Minha tia me emprestou este livro faz um tempo. Comecei a ler em agosto, mas parei para ler coisas da faculdade. Como o Desafio Literário de novembro é de histórias de superação, achei uma boa voltar a lê-lo agora.

O livro é sobre um jornalista — o autor — que decide comprar um zoológico com sua família. Mesmo sem experiência nesse tipo de negócio, ele vai em frente e tem de lidar com os mais diversos problemas: desde conseguir dinheiro para consertar o zoológico até animais fugindo das jaulas. Junto às dificuldades de administração, Benjamin deve enfrentar outro problema: o tumor cerebral da sua mulher volta a atacar.

Eu não costumo ler livros de não ficção, mas me interessei por este pelo tema  do zoológico. A verdade é que, sobre esta parte, o livro me decepcionou um pouco. Ele não foca nos animais, o principal é a administração mesmo e há muitas coisas sobre construção — o autor escrevia sobre bricolagem no jornal. O livro foca no período de reforma do zoológico, antes de ele abrir para o público. Mesmo assim, há uma discussão sobre a importância de zoológicos, especialmente para preservar espécies.

A narrativa é bem-humorada e fácil de ler, tornando a leitura agradável e não tão dramática, o que para mim foi um ponto positivo, já que o livro poderia se tornar meloso demais, mas ao mesmo tempo acho que isso dificulta um grande envolvimento com a história e até a empatia pelos personagens. A história é de superação, mas não tem um tom de superação, tem um tom um pouco superficial.

Enfim, Compramos um zoológico é interessante, mas não o recomendo para quem não gosta de não ficção.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A vingança da Cagliostro, Maurice Leblanc

A Vingança da Cagliostro

Li A vingança da Cagliostro para o Desafio de agosto. Não sabia se Grotescas iria contar, então peguei este na biblioteca para garantir. Como não tinha lido nada do Arsène Lupin antes, quis experimentar.

O livro é sobre Arsène Lupin, um ladrão um tanto peculiar. Nesse livro, ele vai atrás de um senhor para roubar o dinheiro dele e acaba se envolvendo em outro crime, desta vez praticamente como detetive. E o resto da história eu não vou contar porque perde a graça.

O livro é um romance policial e se parece bastante com outros romances policiais, como os de Conan Doyle e Agatha Christie. O que considerei acima da média foi o personagem principal. Lupin é mais carismático que a maioria dos detetives e eu gosto dessa relação ladrão/detetive que ele tem.

Foi uma leitura rápida e divertida. Fiquei com vontade de ler mais livros do Lupin.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Grotescas, Natsuo Kirino

Grotescas
Esse é o primeiro livro que eu leio da Natsuo Kirino. Já ouvi falar bastante dos outros livros dela e Grotescas não parece fugir do padrão da autora.

O enredo é um pouco complicado para explicar, mas é basicamente isso: duas prostitutas, Yuriko e Kazue, são assassinadas em diferentes momentos, supostamente pela mesma pessoa. Elas se conheciam, pois tinham estudado no mesmo colégio, e Kazue era colega da irmã de Yuriko. É a irmã de Yuriko, não nomeada no livro, que narra a maior parte, explicando a história delas, o seu relacionamento conturbado com a irmã, a vida escolar no colégio onde há claramente separações entre as incluídas e as excluídas, o julgamento do assassino… Há outras vozes: diários das assassinadas e o depoimento do criminoso, mas tudo é ligado com o relato da irmã.

Não é um livro tão policial quanto parece ser, o foco é na monstruosidade da sociedade e, como reflexo disso, dos personagens. Não há personagens bonzinhos, todos são maus, egoístas e em geral tem uma visão um tanto deturpada deles mesmos. Ao mesmo tempo em que isso dá um trato mais realista ao livro, já que os personagens são sinceros e têm falhas, é também exagero, e em muitos momentos eu me perguntei se era possível existir pessoas daquele jeito. Mas, como o título já diz, a ideia é que os personagens sejam grotescos mesmo.

Uma parte importante do livro é a crítica à sociedade japonesa, machista, opressora e de aparências. Eu não entendo muito sobre cultura japonesa, mas é interessante comparar a visão do livro com a visão de alguns animes.

No geral, o livro é bem envolvente. A troca constante de narrador, sendo praticamente um capítulo narrado pela irmã da Yuriko para um por outra pessoa, não incomoda, embora algumas narrativas me cansaram um pouco. O depoimento do assassino traz toda uma história sobre a imigração dele para China. É interessante, mas ficou um pouco deslocada, principalmente considerando que o final do livro não amarrou as pontas. No final, ficou uma sensação meio estranha. Como não podemos confiar em nenhum narrador, não sabemos direito qual é a verdade, e me parece esquisito não ter certeza da resolução do mistério. Não sei, acho que os personagens poderiam ter sido usados para um enredo melhor.

O livro foi bom para o primeiro contato com a autora. Apesar de eu ter implicado com algumas coisas, no geral a leitura foi bem interessante.

E sobre o Desafio Literário: apesar da vingança não ser o tema central da obra, há personagens rancorosas e vingativas, tanto no sentido de pequenas vinganças direcionadas a alguém específico quanto no de “estou fazendo por vingança mas não sei de quem estou me vingando”, mais dirigida à sociedade como um todo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Meio intelectual, meio de esquerda, Antonio Prata

Meio intelectual, meio de esquerda

O Antonio Prata não é exatamente um autor novo para mim, visto que leio suas crônicas na Folha de São Paulo. Mas, como nunca tinha lido um livro dele antes, considerei-o como inédito.

Meio intelectual, meio de esquerda é uma reunião de crônicas do autor, principalmente de quando ele publicava no Estadão. As crônicas costumam falar de assuntos cotidianos, que vão da mania que as pessoas têm de levantar antes da parada total do avião até os trocadilhos nos nomes de pet shops. Elas costumam parecer despretensiosas, mas em geral não são tão banais e acabam refletindo a vida dos brasileiros (ou, para ser mais específica, a vida dos paulistanos de classe média – assim, seria difícil que eu não me identificasse).

Ao mesmo tempo em que não sei se gosto tanto de livros de crônicas (prefiro lê-las no jornal mesmo e não faço questão de relê-las ou tê-las comigo), ler Antonio Prata é uma delícia e não me cansei lendo várias crônicas em seguida.

Enfim, se você é assim, meio intelectual, meio de esquerda, e quer ler crônicas atuais bem-humoradas e certeiras, leia este livro.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Caderno Vermelho, Paul Auster

O Caderno Vermelho

Não tive grande inspiração para o Desafio deste mês, então acabei indo na escolha da minha irmã: O caderno vermelho, do Paul Auster. Só tinha lido um livro do autor e gostado bastante, mas esse foi uma decepção.

O caderno vermelho é formado por quatro partes maiores, que são formadas por pequenas histórias sobre coincidências e acasos. Segundo o autor, todas são histórias verdadeiras, mas achei algumas bem inacreditáveis.

Bom, em primeiro lugar, eu não consegui ver um elemento unificador entre cada parte, achei meio estranha a separação. Se fosse vendido como um livro de pequenas crônicas sem ordem específica, tudo bem, mas não era o caso. Além disso, o fato de as histórias serem verdadeiras me deu um pouco de preguiça, porque dá margem para o autor falar demais da vida pessoal dele e isso sinceramente não me interessa. E, apesar de ele escrever bem, o estilo pessoal não me agradou nesse livro.

Algumas histórias são realmente surpreendentes e dignas, mas outras me pareceram bem sem graça. Não sei, acho que depois de ler Timoleon Vieta volta para casa, em que o acaso também é muito importante, as coincidências sem sentido de O caderno vermelho perderam a graça. Talvez eu não tenha gostado também por não conhecer direito a obra do autor e assim não entender a necessidade de se falar sobre o acaso…

É uma leitura rápida e simples. Eu não gostei por motivos bem particulares, mas pretendo dar mais chances para o Paul Auster.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Timoleon Vieta volta para casa, Dan Rhodes

Timoleon Vieta volta para casa

Minha irmã descobriu este livro numa promoção das Lojas Americanas. Como somos consumistas, mas nem tanto, pesquisamos se tinha em alguma biblioteca antes de comprar, e tinha. Assim, economizamos R$ 4,90 e um espaço na estante (dá pra dizer que economizamos algo que nem temos? No caso, o espaço, não o dinheiro).

Timoleon Vieta é um simpático cãozinho. Seu dono é Cockroft, um senhor velho e desesperado por companhia. Os dois viviam bem juntos, apesar da solidão, até que o Bósnio entra em cena. Cockroft faz de tudo para agradá-lo e mantê-lo em sua casa e acaba por concordar em abandonar o pobre Timoleon Vieta. Esta é a primeira parte do livro e tem uma estrutura mais convencional de romance.

Já a segunda parte é formada por unidades quase independentes. São histórias de pessoas que de alguma forma cruzam com Timoleon Vieta em sua jornada para casa. O cachorro pode ter um papel central ou não na história.

A leitura fluiu bem. A primeira parte foi rápida de ler e fiquei um pouco decepcionada ao chegar na segunda, pois não sabia que seria tão fragmentada. Mas logo me acostumei e gostei da segunda parte também.

Há um certo humor (um tanto negro) na narrativa que me parece característico de escritores britânicos, como Nick Hornby e Mark Haddon. O próprio Cockroft me lembra um personagem do Nick Hornby (só que bem mais decadente).

Gostei bastante do livro, embora não seja um livro para todos. Ele pode ser vendido como um livro sobre cachorros, mas o foco nem sempre é em Timoleon Vieta e o livro é pesado para alguns públicos.

Não conhecia o autor antes, mas se tiver outra chance pretendo ler mais livros dele.