segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Caderno Vermelho, Paul Auster

O Caderno Vermelho

Não tive grande inspiração para o Desafio deste mês, então acabei indo na escolha da minha irmã: O caderno vermelho, do Paul Auster. Só tinha lido um livro do autor e gostado bastante, mas esse foi uma decepção.

O caderno vermelho é formado por quatro partes maiores, que são formadas por pequenas histórias sobre coincidências e acasos. Segundo o autor, todas são histórias verdadeiras, mas achei algumas bem inacreditáveis.

Bom, em primeiro lugar, eu não consegui ver um elemento unificador entre cada parte, achei meio estranha a separação. Se fosse vendido como um livro de pequenas crônicas sem ordem específica, tudo bem, mas não era o caso. Além disso, o fato de as histórias serem verdadeiras me deu um pouco de preguiça, porque dá margem para o autor falar demais da vida pessoal dele e isso sinceramente não me interessa. E, apesar de ele escrever bem, o estilo pessoal não me agradou nesse livro.

Algumas histórias são realmente surpreendentes e dignas, mas outras me pareceram bem sem graça. Não sei, acho que depois de ler Timoleon Vieta volta para casa, em que o acaso também é muito importante, as coincidências sem sentido de O caderno vermelho perderam a graça. Talvez eu não tenha gostado também por não conhecer direito a obra do autor e assim não entender a necessidade de se falar sobre o acaso…

É uma leitura rápida e simples. Eu não gostei por motivos bem particulares, mas pretendo dar mais chances para o Paul Auster.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Timoleon Vieta volta para casa, Dan Rhodes

Timoleon Vieta volta para casa

Minha irmã descobriu este livro numa promoção das Lojas Americanas. Como somos consumistas, mas nem tanto, pesquisamos se tinha em alguma biblioteca antes de comprar, e tinha. Assim, economizamos R$ 4,90 e um espaço na estante (dá pra dizer que economizamos algo que nem temos? No caso, o espaço, não o dinheiro).

Timoleon Vieta é um simpático cãozinho. Seu dono é Cockroft, um senhor velho e desesperado por companhia. Os dois viviam bem juntos, apesar da solidão, até que o Bósnio entra em cena. Cockroft faz de tudo para agradá-lo e mantê-lo em sua casa e acaba por concordar em abandonar o pobre Timoleon Vieta. Esta é a primeira parte do livro e tem uma estrutura mais convencional de romance.

Já a segunda parte é formada por unidades quase independentes. São histórias de pessoas que de alguma forma cruzam com Timoleon Vieta em sua jornada para casa. O cachorro pode ter um papel central ou não na história.

A leitura fluiu bem. A primeira parte foi rápida de ler e fiquei um pouco decepcionada ao chegar na segunda, pois não sabia que seria tão fragmentada. Mas logo me acostumei e gostei da segunda parte também.

Há um certo humor (um tanto negro) na narrativa que me parece característico de escritores britânicos, como Nick Hornby e Mark Haddon. O próprio Cockroft me lembra um personagem do Nick Hornby (só que bem mais decadente).

Gostei bastante do livro, embora não seja um livro para todos. Ele pode ser vendido como um livro sobre cachorros, mas o foco nem sempre é em Timoleon Vieta e o livro é pesado para alguns públicos.

Não conhecia o autor antes, mas se tiver outra chance pretendo ler mais livros dele.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Crônica de um Vendedor de Sangue, Yu Hua

Crônica de um Vendedor de Sangue
Crônica de um vendedor de sangue conta a história de Xu Sanguan, um operário que vive na China maoísta. Ele vende sangue, primeiro por vontade e depois por necessidade, enquanto sua família passa por problemas materiais e conflitos morais.

Conheci o livro por alguma resenha no Desafio Literário do ano passado. O enredo me chamou a atenção, e não lembrava de ter lido outro autor chinês antes. Então, aproveitando a conveniência do livro se encaixar no desafio de volta ao mundo, decidi lê-lo agora.

O tom do livro é um pouco cômico, o que é surpreendente visto que o contexto histórico é trágico. O livro apresenta bem o contexto para os leitores ocidentais, sem deixar de dar um brilho próprio à história.

A leitura foi num ritmo bom, mas achei a passagem do tempo meio estranha, focando muito em alguns períodos e passando rápido outros. Parece que o livro deu um salto grande no tempo, e isso não me agradou (bastante por questões pessoais e por ter preferido o começo, admito).

Gostei bastante do livro e pretendo ler mais coisas do autor no futuro. Foi uma ótima introdução a literatura chinesa.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Idade dos Milagres, Karen Thompson Walker

A Idade dos Milagres

Começando a Volta ao mundo em 80 livros pelos Estados Unidos, um dos mais fáceis. Eu queria ler esse livro há um tempo, desde que vi a sinopse da edição em inglês no Skoob. Quando ele foi lançado no Brasil, me interessei pela capa e vi que era o mesmo livro que eu já queria ler antes. Passou um tempo e finalmente tive a oportunidade de pegá-lo na biblioteca.

O livro conta a história de Julia, um garota californiana de onze anos. Um dia, ela e sua família recebem a notícia de que a rotação da Terra está ficando mais lenta. Isso causa uma série de eventos, tanto naturais quanto humanos. Há um clima apocalíptico no ar, mas Julia tem que lidar com as mudanças e continua a viver sua pré-adolescência com os problemas cotidianos.

Eu me interessei por essa mistura de distopia e cotidiano, mas no final o que eu mais gostei mesmo foi a parte cotidiana, até porque a parte distópica não é tão explicada e desenvolvida. Alguns fenômenos naturais acontecem, porém não chamam tanta atenção. O foco é na vida de Julia, no seu relacionamento com a família e com os colegas e no seu crescimento. Julia é uma personagem simples e quieta, e acho que é isso que gostei tanto nela. Ela é uma menina comum e é fácil de se identificar com ela.

O livro é narrado pela Julia e eu achei muito bem escrito, honesto e sensível. Algumas coisas me irritaram, como a repetição dos efeitos da Terra estar girando mais devagar, mas isso ajudou a não esquecer do fato. Também não sei se gostei do fato da Julia contar no final dos capítulos algumas coisas que iam acontecer depois. Ao mesmo tempo que é um recurso batido, ajuda a manter a curiosidade…

A edição em português está muito boa, a capa brilha no escuro! Só por isso, o livro já valeria a pena. Eu o recomendo para quem quer uma história singela com toques (e apenas toques) distópicos.

P.S.: achei curioso que no livro os personagens de onze anos já estão começando a beber e fumar. Fiquei me perguntando se isso acontece mais cedo nos Estados Unidos ou se eu que era inocente demais para perceber na época em que aconteceu com os meus colegas.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Volta ao mundo em 80 livros

Minha irmã se inspirou na ideia desse blog e eu roubei a ideia dela. O desafio consiste em ler 80 livros de escritores de nacionalidades diferentes. Vai funcionar assim:

- para cada país, preciso ter lido pelo menos um livro de um autor que eu nunca tenha lido. Essa vai ser a contagem oficial e todos os primeiros livros oficiais de cada país devem ser resenhados.

- releituras e livros de autores não inéditos participam da volta ao mundo, mas não contam oficialmente. Ou seja, se eu quiser ler o livro no período, vou colocar na lista, mas ele não conta entre os 80 oficiais. Isso porque eu também pretendo ver durante o desafio qual é a variedade não oficial das coisas que eu leio e ver que países se destacam. Eu vou resenhar estes apenas se eu quiser. Não vou colocar na lista os escritores que não têm nacionalidade muito bem definida ou que eu não conseguir descobrir.

- o desafio começa a partir do dia 1 de julho de 2013.

- não há uma data para o final do desafio porque não quero ler tudo corrido e nem sei se vai ser fácil. O que eu quero é terminá-lo em algum momento da minha vida.

- a lista de leituras está aqui. Separarei os livros por país e os livros de autor inédito estão em negrito.

domingo, 30 de junho de 2013

Afluentes do rio Silencioso, John Wray

Afluentes do rio Silencioso

Afluentes do rio Silencioso é um livro que eu tive vontade de ler quando saiu no Brasil. Porém, não vi muita gente falando sobre ele ou comentários muito positivos, então perdi um pouco o ânimo. Mas, já que era uma opção possível na biblioteca e possivelmente se encaixaria no tema do mês do Desafio Literário, finalmente o li.

E realmente o livro não é muito bom do tipo que vale a pena ter (estantes cheias, sabe como é), mas valeu a pena ter pego na biblioteca para matar a curiosidade. É a história de William Heller, um jovem com esquizofrenia. Ele acredita que o mundo vai acabar mas que ele pode salvá-lo, então foge da clínica psiquiátrica onde estava. Enquanto ele vaga por aí, ficando principalmente no metrô, o detetive Ali Lateef e a mãe de William tentam encontrá-lo.

O livro é basicamente uma mistura de thriller com romance psicológico, mas não faz nenhuma dessas coisas com profundidade. Não há muito suspense e emoção na parte thriller (embora uma revelação no final tenha me surpreendido) e os personagens também não são tããão explorados psicologicamente. É claro que essa opinião pode ter sido influenciada pelo fato de o último livro que eu li foi Precisamos falar sobre o Kevin, e não há comparação entre a atmosfera pesada deste com a narração quase descontraída de Afluentes.

A minha expectativa é que o livro fosse mais parecido com O estranho caso do cachorro morto, mas não achei que Afluentes tratou tão bem a doença mental. Talvez por não focar tanto na doença, talvez pela doença em si ser mais “desorganizada”. Não sei. Mas se você já sabe alguma coisa sobre esquizofrenia, não é um livro que vai acrescentar sobre esse assunto.

No entanto, não nego que gostei do livro, ele prendeu a atenção boa parte do tempo e gostei do fato do foco narrativo se dividir entre William, sua mãe e Ali (embora seja narrado em terceira pessoa, cada parte tem o olhar de um destes personagens).

Portanto, esse livro pode não ser o livro da minha vida, mas vale a pena ser lido.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver

Precisamos falar sobre o Kevin

Eu tenho Precisamos falar sobre o Kevin há um tempão, mas só agora tive disposição para lê-lo. O fato de ele ser grosso me fez ficar com uma preguiça… Só o Desafio conseguiu me animar para lê-lo. E não me arrependi.

A história, que provavelmente todo mundo já conhece, é a de um menino, Kevin, que cometeu uma chacina na escola. O livro é formado por cartas da mãe dele, Eva, ao marido tentando entender a situação, então o foco é na criação do Kevin, na vida dele e de sua família pela visão da mãe.

O tema é muito atual e pouco comentado na literatura. Gostei do foco na mãe, pois é uma visão diferente. Quantas vezes não se pensa na mãe dos assassinos como culpada do que aconteceu? O livro levanta muitas questões sobre psicopatia, mas não é um assunto que eu conheça bem, então não vou discutir sobre isso.

O foco na mãe também traz uma discussão interessante sobre a vida familiar. Afinal, o pai de Kevin, apesar de ser bonzinho até demais com o filho, não o é com Eva. Ela ganha mais no trabalho e não se dá bem com o bebê, mas é ela que tem que parar de trabalhar para cuidar dele, porque esse é o papel das mães. É o pai também que decide que eles vão se mudar, sem nem consultar Eva.

Mas, apesar do livro me deixar com especial raiva do pai, todos os personagens têm grandes defeitos. Eva, por exemplo, tem um sentimento de superioridade por ser armênia e um desprezo dos americanos (do qual Kevin espertamente zoa). Os personagens principais, com a exceção de Kevin por motivos óbvios, parecem extremamente reais. É isso de que eu mais gostei no livro.

Para mim, fora algumas questões do enredo que acho que foram pouco exploradas, o único defeito do livro é ser um pouco cansativo. É um tipo de cansativo que não tira os méritos do livro, porque no final você sente que realmente conhece os personagens e a história justamente por causa da repetição de algumas coisas. Ou seja, até os defeitos do livro são ambíguos…

Enfim, Precisamos falar sobre o Kevin é denso e polêmico, o livro que mais mexeu com as minhas emoções em um bom tempo.