quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Lago dos Sonhos, Kim Edwards

Capa_LagoDosSonhos_19mm.pdf

Naquele momento, quase 100 anos depois, os acontecimentos de sua vida pareciam fixos, determinados. Porém, eu havia reconhecido em seus curtos bilhetes um arrebatamento inquieto que parecia familiar e que espelhava minha própria busca e minhas dúvidas.

(Lago dos Sonhos, p. 161)

Minha segunda leitura de dezembro foi Lago dos Sonhos, da Kim Edwards. O livro é sobre Lucy, que após um momento problemático de sua vida decide voltar para sua cidade natal, Lago dos Sonhos, onde descobre uma antepassada até então desconhecida. Sua família pode ter segredos nunca antes imaginados, e cabe a Lucy descobri-los.

Eu não tinha nenhum interesse especial no livro, só li porque minha tia me emprestou. Tenho um pouco de preconceito com livro que traz uns tons espirituais, profundos, e tem cara de best-seller.

É um livro interessante por ser diferente do que estou acostumada a ler. A narrativa é bem parada, com muitas descrições, e eu demorei para ler (e me entediei em algumas partes também), mas dessa vez eu não acho que forcei a leitura. Li o livro no tempo certo.

Bom, eu continuo sem gostar muito do tom espiritual e profundo do livro e, apesar de achar que a longo prazo a procura de Lucy foi importante, não entendo a obsessão da personagem pelos seus antepassados. Ela se importa mais com quem já morreu do que com seus familiares próximos e isso me irritou bastante. Mesmo assim, os personagens são bem desenvolvidos e úteis cada um a sua maneira.

O desenvolvimento da história me decepcionou um pouco, tudo acaba se resolvendo facilmente, mas nada mais esperado do que isso, né?

No fim, foi uma leitura interessante mesmo, não tenho muito o que dizer. Recomendo a quem gosta de livros do tipo, mais parados e sobre lições de vida.

The Summer I Lost It, Natalie Kath

The Summer I Lost It Minha primeira leitura para o Desafio Literário de dezembro, tema lançamentos de 2011, foi The Summer I Lost It, da Natalie Kath.

É um livro que eu escolhi pela sinopse mesmo, que diz que é sobre uma garota que vai para um acampamento para pessoas que querem emagrecer (não sei se tem nome para isso em português…). Mas a sinopse estava errada e, na verdade, Kat não vai a acampamento nenhum. Ela queria ir, mas acaba tendo que ficar em casa e indo à academia para conseguir perder peso.

Bom, o livro é destinado a pré-adolescentes, a protagonista tem 14 anos e tem as dúvidas comuns da idade, principalmente sobre garotos.

O livro é curto e em forma de diário, então a leitura é bem rápida. Eu achei que faltou profundidade no livro. Kat perde peso facilmente, tem poucas recaídas e adora a vida saudável que passa a levar. Ah, como eu queria que fosse assim para todo mundo… Na verdade, Kat provavelmente nem muito gorda devia ser. É claro que é bom que os hábitos saudáveis já sejam instituídos cedo, mas ela provavelmente fez mais drama do que o merecido e fez a coisa parecer mais fácil do que é. É bom por um lado, porque incentiva jovens a fazerem o mesmo, mas e quem tentar e não conseguir? Vai se sentir muito pior…

Enfim, é um livro fofinho e traz uma mensagem otimista, mas só isso também. Uma leitura divertida e nada mais, válida principalmente para a faixa etária a que é destinada o livro, pré-adolescentes.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O Menino que se Trancou na Geladeira, Fernando Bonassi

O Menino que se Trancou na Geladeira

A Kulpa, por exemplo, era doença qualquer, como a Gripe Sulflora (nada tão grave quanto o Mal de Uzai-me, por exemplo). Não chegava a matar, nem chegava a feder, mas podia fazer com que um Rico dese uma mão para um Imprensado no Meio (não há menção na literatura crítica de qualquer caso de Rico dar mão a Pobre).

(O Menino que se Trancou na Geladeira, p. 25)

Hoje trago uma resenha atrasadíssima do Desafio Literário. É do mês de setembro, tema autores regionais. A leitura empacou, não tive tempo nem energia para continuar em setembro e deixei para acabá-lo quando tivesse tempo… Só em dezembro.

Eu nunca tinha ouvido falar desse livro antes, encontrei-o no sebo, gostei do título, da sinopse e comprei porque era a melhor opção que tinha. E encontrei algo totalmente diferente do que esperava.

O livro é sobre o menino que vive numa sociedade um pouco diferente da nossa (mas que, ao mesmo tempo, muito semelhante a ela) e conta a história dele, de seus pais e de como ocorre sua ascensão social, por assim dizer.

Bom, na verdade, a leitura foi desagradável. Eu gostei do que eu li em setembro, a parte em que o autor apresenta a sociedade. É engraçadinho, curioso e tal, mas é muita informação ao mesmo tempo e tem maluquices que eu não entendo a razão, como palavras grafadas de forma diferente (míyragens, por exemplo)… Tanto que quando voltei a ler já não estava entendendo nada. Terminei de ler por obrigação mesmo. Se eu tivesse disposição, releria o livro desde o começo, mas isso fica para o futuro (bem) distante… Definitivamente não está na lista de prioridades. Mas, se você gosta de livros diferentes e engraçados, recomendo o livro.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A Dama do Cachorrinho e outros contos, Tchekhov

A Dama do Cachorrinho O sapateiro e o órfão caminham pelo campo, falam sem parar e não se cansam. Poderiam caminhar sem fim pelo mundo. Caminham sozinhos e, em meio a suas conversas sobre a beleza da terra, não percebem que os segue, apressada, a mendiga pequena e débil. Ela coloca pesadamente os pés e ofega. Há lágrimas pendentes em seus olhos. Ficaria contente de deixar aqueles incansáveis andarilhos, mas, para onde e à casa de quem poderia ir? Não tem casa, nem parentes. Queira ou não, resta-lhe andar e ouvir aquelas conversas.

(A Dama do Cachorrinho e outros contos, p. 73)

Minha última leitura para o Desafio Literário de novembro foi A dama do cachorrinho e outros contos, do Tchekhov. A escolha se deu por motivos óbvios: penso em contos e o primeiro autor que vem na minha cabeça é o Tchekhov. Como eu já estava interessada em literatura russa e meu pai tinha esse livro, pronto: escolha decidida.

O livro traz vários (trinta e seis!) contos do autor. A maioria é curta, entre cinco e dez páginas, mas há também alguns maiores. Eles têm alguns assuntos em comum, como mulheres, crianças, pobres, médicos… Tudo isso sempre com um tom de crítica à sociedade.

Bom, o livro é bem comprido pela quantidade de contos e eu li uns dez contos primeiro, depois li outro livro e em seguida terminei, em mais ou menos uma semana. E livros de contos, em geral, não devem ser lidos rapidamente. Ou seja (como sempre anda acontecendo comigo…), a leitura saiu prejudicada. Os contos pareceram repetitivos (e muitos o são mesmo) e de três que eu lia, só um me tocava de algum modo. Assim, já esqueci de grande parte dos contos…

Gostei em especial dos contos com visões sobre crianças, como “O acontecimento”, e de “Homem num estojo”, que traz um personagem no mínimo interessante… Os contos do Tchekhov têm a fama de não te ganhar por nocaute, como diria Cortázar, mas isso não é ruim. Os contos não têm um final brilhante e surpreendente porque a vida não é assim, e são pessoas comuns as retratadas nos contos.

Enfim, é um livro que traz contos para serem lidos e relidos, mas não recomendo que a leitura do livro inteira seja feita de uma só vez.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Contos, Katherine Mansfield

Contos

Oh, como tudo aquilo era fascinante! Como ela se divertia! Como gostava de sentar aqui, observando tudo! Era como uma peça de teatro. Exatamente como uma peça de teatro. (…) Todos eles estavam num palco. Eles não eram apenas a platéia, não se limitavam a assistir; eles estavam atuando. Até mesmo ela tinha um papel e comparecia todo domingo. Não havia a menor dúvida de que alguém teria notado se ela se ausentasse; afinal de contas, fazia parte da encenação. Que estranho não ter pensado antes que as coisas eram assim! E no entanto ali estava a explicação para o fato de ela fazer questão de sair de casa exatamente na mesma hora, toda semana — para não se atrasar para o espetáculo.

(Contos, p. 90)

Minha nova leitura para o Desafio Literário foi esse livro de contos da Katherine Mansfield. Foi mais uma das leituras que não estavam planejadas — minha irmã pegou o livro na biblioteca e me aproveitei. Nunca tinha lido nada da autora nem ouvido falar muito dela, ou seja, não tinha muitas expectativas.

Os contos trazem uma visão mais psicológica dos personagens, que em geral são mulheres.

Há três contos (“Prelúdio”, “Na Baía” e “A casa de bonecas”) que são sobre a mesma família. Desses, o meu favorito (e possivelmente meu favorito do livro todo) é “A casa de bonecas”, que foca nas crianças.

Enfim, não sei muito o que falar do livro. Alguns contos me cansaram um pouco, mas isso pode ser também do momento em que eu os li. Não é o tipo de livro que dá vontade de ler um conto após o outro (e talvez isso seja bom — o problema é quando eu me obrigo a lê-los em seguida) e confesso que não entendi muito bem algum deles, mas, se você gosta de contos, recomendo que dê uma chance à autora.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dentes Guardados, Daniel Galera

Dentes Guardados

Por que não fazer da morte a obra-prima da vida, o desfecho glorioso de um livro complicado e difícil de entender, mas que contudo nos leva ao riso e ao choro, à dor e ao gozo, à paz e ao desespero?

(Dentes guardados, p. 23)

Minha terceira leitura para o Desafio Literário de novembro foi Dentes guardados, do Daniel Galera. Escolhi o livro porque já o tinha baixado há algum tempo (e você pode lê-lo aqui: http://www.ranchocarne.org/pdf/dentes.pdf).

O livro segue o estilo de Ovelhas que voam se perdem no céu, do Daniel Pellizzari (que eu resenhei aqui). O livro é curto, os contos em geral são pequenos e “pesados” (ou seja, não recomendo a quem não gosta de palavrões e de sexo tratado de forma crua).

Os contos trazem reflexões sobre a vida e sobre o cotidiano. Alguns contos são um tanto irreais (“Os mortos de Marquês de Sade”, “Manual para atropelar cachorros”, “A escrava branca”), naquele tom de “isso pode acontecer mas é muitíssimo improvável”, do qual eu costumo gostar, e nesse caso não foi diferente. A maioria dos contos fala sobre o amor sob um ponto de vista que não é o meu e que acho até um pouco banal, mas isso também não os estraga.

Enfim, é um livro interessante, e eu, que já pretendia ler um romance do autor, fiquei agora mais curiosa.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Beijo, Roald Dahl

Beijo

Para a surpresa do sr. Boggis, o plano funcionou. Na verdade, a cordialidade com que o recebiam em uma casa depois da outra em todo o interior foi, a princípio, bastante constrangedora, até mesmo para ele. Uma fatia de torta, uma taça de porto, uma xícara de chá, um cesto de ameixas, até mesmo um lauto almoço de domingo com a família, tais eram as coisas que continuamente era forçado a aceitar. Vez por outra, claro, havia momentos difíceis e situações desagradáveis, mas é preciso considerar que nove anos são mais de quatrocentos domingos, o que dá um número enorme de casas visitadas. No fim das contas, era um negócio interessante, estimulante e lucrativo.

(Beijo,, p. 83)

Minha segunda leitura do desafio de novembro foi Beijo,, do Roald Dahl. O autor é mais conhecido pelos seus livros infantis, como A Fantástica Fábrica de Chocolate, mas ele também escreveu diversos contos para adultos.

Os seus contos são marcados pelo humor negro, pelo macabro e pelo fantástico, no geral, mas não deixam de ser reais em certo ponto.

Eu já tinha começado a ler esse livro há uns meses e desistido no segundo ou terceiro conto, porque o primeiro conto era muito humor negro para o meu gosto. Decidi dar mais uma chance ao livro esse mês e não me arrependi.

Não considero o livro brilhante, mas foi uma leitura divertida. Gosto da forma que os contos são narrados, normalmente mostrando as linhas de pensamento dos personagens, que são peculiares e reais ao mesmo tempo, de certo modo.

Enfim, para mim o livro é entretenimento com qualidade.