segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Macário, Álvares de Azevedo

Macário Minha leitura para o Desafio Literário de agosto foi Macário, do Álvares de Azevedo. Esse livro nem estava na minha lista, mas como percebi que não teria tempo para ler os romances que escolhi acabei lendo essa peça.

O livro é sobre Macário, um estudante que se encontra com Satã numa taverna. A peça tem como foco a conversa, tanto entre eles quanto com Penseroso, amigo de Macário.

Sendo totalmente sincera, eu não prestei muita atenção na leitura. Ou eu prestei e sou burra demais para entender. Mas como li só por obrigação, acredito mais na primeira das opções.

Eu realmente não entendi o livro a partir do segundo ato. Não sei de onde surgiu o Penseroso, por que de repente o foco passou a ser em seus monólogos intermináveis… Enfim, não posso dizer se o livro é bom ou não.

Mas uma coisa interessante em ler clássicos brasileiros sem ser para o colégio é ver o que ficou e como as obras se relacionam às escolas literárias. Não tem como não relacionar Macário às características mais básicas e óbvias do Romantismo. Para mim, isso é um pouco enfadonho, apesar de ser interessante ao mesmo tempo.

Conclusão: caso se interessar pelo Álvares de Azevedo, leiam Noite na Taverna antes. Se gostar, eu recomendo Macário também.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Os Treze do Orkut, Henderson Bariani

Os Treze do Orkut Minha última leitura para o Desafio Literário desse mês foi Os Treze do Orkut, do Henderson Bariani. Escolhi este livro pois ele estava disponível online, é bem curto e trata de um tema que poucos livros tratam: as redes sociais.

O livro, baseado em fatos reais, conta a história da comunidade do Orkut “Acre is a lie”, como ela nasceu até o seu fim, além de mostrar a intervenção de pessoas tentando acabar com ela.

O livro é bem escrito, mas também não brilha nesse aspecto. Ele apenas conta rapidamente como os fatos aconteceram, sem explicar muito bem cada coisa. Parece (e é) algo só para não esquecer dos fatos, não para mostrar para outras pessoas que não participaram dos eventos.

Eu gostei da parte que mostra os personagens fora da comunidade, mas faltou explicar o que fez a “Acre is a lie” tão importante.

Enfim, eu recomendo o livro apenas se você conhecer a comunidade.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Binno Oxz e o Clã de Prata, Fábio Henckel

Binno Oxz e o Clã de Prata

Minha terceira leitura para o Desafio Literário de junho foi Binno Oxz e o Clã de Prata, do Fábio Henckel. Este livro não estava na minha lista original, mas uma amiga minha me emprestou e eu decidi matar a minha curiosidade a respeito do livro, criada porque eu conheci o autor no Bienal e ele tinha alguns gostos em comum comigo (Desventuras em Série e Um Grande Garoto. Livros comuns, mas é raro um escritor juvenil dizer que gosta do Nick Hornby tão rapidamente).

O livro é sobre Binno Oxz (dã), um jovem que viveu a vida toda num internato em Uttopy. Ele gosta muito de informática e um dia cria um software de inteligência artificial (IA) para poder participar de um RPG. Porém, esse IA põe todo o mundo em perigo e por isso Binno acaba indo parar em outra cidade, onde ele faz novas amizades e vive novas aventuras.

A leitura foi rápida e divertida, porém tem vários aspectos do livro que eu não gostei.

Primeiro, há muitas semelhanças com Harry Potter. Tudo bem, eu vejo semelhanças com HP em quase qualquer livro infanto-juvenil recente, mas isso não deixa de incomodar. Os dois livros têm um formato parecido: uma introdução ao mundo onde vivem, já com pequenas aventuras; um período de aulas, que é minha parte favorita e uma grande aventura no final, que é a parte mais chata. Além disso, Binno Oxz também tem um esporte diferente, professores chatos com matérias semelhantes e até escadas saltitantes, por exemplo.

Além disso, eu não gostei muito das cenas de ação do livro. O jogo de shockey não foi bem descrito e toda a parte final me pareceu fácil demais, um pouco forçada.

Apesar do projeto gráfico do livro ser muito bom, a revisão podia ser melhor. Muitas vírgulas desnecessárias (separando sujeito do predicado, verbo do objeto… Não é nem que isso dê um tom mais informal pro texto, simplesmente soa errado e só), algumas palavras que deviam ter acento não tinham, muita repetição de palavra ou pronomes confusos… Enfim, não duvido que até eu faria uma revisão melhor.

Os personagens do livro, no entanto, são bem desenvolvidos e interessantes. Gostei bastante do Orion…

Eu recomendo o livro para fãs de juvenis, pois, apesar dos problemas, a leitura vale a pena.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Ovelhas que voam se perdem no céu, Daniel Pellizzari

Ovelhas que Voam se Perdem no Céu

Minha segunda leitura desse mês foi Ovelhas que voam se perdem no céu, do Daniel Pellizzari. Escolhi este livro porque está disponível para download gratuito e é curto, de contos. Uma boa oportunidade para conhecer um autor novo (embora ele não seja tão novo assim, já que esteve numa coletânea de autores dos anos 90).

Alguns contos do livro têm acontecimentos bizarros tratados com normalidade e outros têm acontecimentos normais vistos de outro ponto de vista. Gosto dessas duas visões e acho que eles foram explorados com criatividade.

A escrita do autor flui bem e conseguiu me prender. Houve vários momentos em que me senti realmente dentro da história, capaz de entender o personagem. Mas também tem coisas que não entendi direito, tipo o porquê de usar só letras minúsculas em alguns contos. Para mim isso é coisa de pseudo-cult, desculpa aí.

Mesmo assim, recomendo o livro para quem gosta de contos. Ele está disponível aqui: http://www.cousas.org/pdf/ovelhas.pdf

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Apenas um Herói, Daniel Frazão

Apenas um HeróiApenas um herói, do Daniel Frazão, foi a minha primeira leitura deste mês pro Desafio Literário, cujo tema é novos autores. Escolhi o livro porque já o tinha, devido a uma troca no sebo. É o tipo de livro que provavelmente eu nunca iria conhecer se não tivesse que escolher algum livro daquele sebo e o título e a lombada, primeiramente, tivessem me chamado a atenção - não no sentido de serem especiais, mas de serem normais, prometendo um livro ok e fácil de gostar. Por isso, não sabia muito bem o que esperar do livro. Quer dizer, parecia interessante pela sinopse, mas há tantos livros que nos decepcionam, principalmente se não há referências boas de gente confiável… 

Enfim, vamos a história: Plínio Sandoval é um cara comum, mora no Rio de Janeiro e é desempregado. Na verdade, ele é solitário, acha tudo um saco e ainda sonha com sua paixão de adolescente. Um belo dia, ele recebe um telefonema de seu irmão, dizendo que o tio deles morreu e que há a possibilidade de uma herança. Plínio fica eufórico e decide entrar nos eixos, trabalhando, antes de ficar rico. Ele acaba indo parar num necrotério e continua a viver a sua vida infeliz lá, esperando pelo dinheiro do tio morto que ele nem lembrava quem era.

Basicamente, Plínio é um filho-da-puta e sabe muito bem disso. E é até fácil simpatizar com ele nos seus momentos de Holden Caulfield, com suas observações sinceras sobre a humanidade. Porém, ele não deixa de ser um idiota em várias de suas ações. Achei-o bem construído, mas é triste um personagem tão cativante por um lado ser tão besta por outro. Os outros personagens também são interessantes, principalmente Lola, a única verdadeira amiga de Plínio. Apesar de alguns personagens não serem tão desenvolvidos, até porque tudo é visto pelos olhos do protagonista, eles parecem reais.

Sobre a trama em si, posso dizer que, mesmo não acontecendo quase nada no livro inteiro (e não vejo isto como um problema, já que a força dele está no protagonista), muito dos acontecimentos me pareceram irreais. Só acontece tragédia na vida do cara, e tragédias grandes. Até cheguei a pensar se algumas coisas não eram só devaneios de uma cabeça latejante…

A escrita do Daniel Frazão me agradou em muitos momentos, mas em outros pareceu forçada também, principalmente no começo. Tem vários clichês também, porém acho isso verossímil, considerando que o livro é narrado por Plínio.

Para concluir a resenha que ficou incrivelmente grande para meus padrões, não sei se recomendo o livro ou não. Acho que vai do gosto de cada um, se você gosta de romances de personagens infelizes e reais que falam um monte de palavrões, provavelmente você vai gostar do livro. Para mim, valeu a pena ter lido o livro, mas se eu tivesse comprado o livro no seu valor integral e com expectativas mais altas, teria me decepcionado.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Seis Personagens à Procura de Autor, Luigi Pirandello

Seis Personagens à Procura de Autor

O Diretor: Mas eu só queria saber onde é que já se vi um personagem que, saindo do seu papel, tenha começado a falar em defesa dele como o senhor, propondo e explicando como ele é. Sabe me responder? É uma coisa que eu nunca vi!

(Seis personagens à procura de autor, p. 124)

Minha terceira leitura para o Desafio Literário de junho foi Seis personagens à procura de autor, do Luigi Pirandello. Li o livro porque foi a escolha da minha irmã, então não tinha nenhum interesse especial pela obra.

O livro é sobre uma companhia teatral que ia ensaiar uma peça e é interrompido por seis personagens, que querem contar a sua história às pessoas.

Há diversas mensagens no livro, mas a mais clara para mim foi sobre teatro. Até porque, apesar do meu personagem não ter sido muito bem absorvido por mim, eu já estive em um palco e tive aulas de teatro. Mas o livro não é só sobre teatro e há muito a se pensar sobre ele e sobre a história dos seis personagens, que, por si só, já é interessante.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

As Sabichonas e Escola de Mulheres, Molière

As Sabichonas e Escola de Mulheres

Minha segunda leitura para o Desafio Literário foi As Sabichonas e Escola de Mulheres, do Molière. A minha ideia inicial era ler só a segunda peça, mas como não encontrei um livro só com ela decidi ler as duas.

As Sabichonas é sobre Henriqueta, uma mulher que quer casar com um homem mas sua mãe quer que case com outro, supostamente mais erudito. Já Escola de Mulheres é sobre Arnolfo, um homem que decide se casar com Agnès, que ele criou desde pequena para ser ingênua. Mas esta está apaixonada por outro.

Eu não sabia, mas as peças de Molière são em verso. Fiquei com medo de serem mais difíceis e chatas por causa disso, mas logo me acostumei. O único problema é que em alguns momentos eu comecei a ler meio automaticamente sem entender o que os versos queriam dizer, só achando as rimas bonitas.

As duas peças trazem críticas interessantes. As Sabichonas, por exemplo, critica aqueles que confiam demais nos eruditos.

Mesmo o livro tendo um tom crítico, ele é bem divertido e vale a pena para conhecermos melhor os costumes da época.

(desculpem pelas péssimas resenhas, faz tempo que não me sinto inspirada para escrever…)