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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Grotescas, Natsuo Kirino

Grotescas
Esse é o primeiro livro que eu leio da Natsuo Kirino. Já ouvi falar bastante dos outros livros dela e Grotescas não parece fugir do padrão da autora.

O enredo é um pouco complicado para explicar, mas é basicamente isso: duas prostitutas, Yuriko e Kazue, são assassinadas em diferentes momentos, supostamente pela mesma pessoa. Elas se conheciam, pois tinham estudado no mesmo colégio, e Kazue era colega da irmã de Yuriko. É a irmã de Yuriko, não nomeada no livro, que narra a maior parte, explicando a história delas, o seu relacionamento conturbado com a irmã, a vida escolar no colégio onde há claramente separações entre as incluídas e as excluídas, o julgamento do assassino… Há outras vozes: diários das assassinadas e o depoimento do criminoso, mas tudo é ligado com o relato da irmã.

Não é um livro tão policial quanto parece ser, o foco é na monstruosidade da sociedade e, como reflexo disso, dos personagens. Não há personagens bonzinhos, todos são maus, egoístas e em geral tem uma visão um tanto deturpada deles mesmos. Ao mesmo tempo em que isso dá um trato mais realista ao livro, já que os personagens são sinceros e têm falhas, é também exagero, e em muitos momentos eu me perguntei se era possível existir pessoas daquele jeito. Mas, como o título já diz, a ideia é que os personagens sejam grotescos mesmo.

Uma parte importante do livro é a crítica à sociedade japonesa, machista, opressora e de aparências. Eu não entendo muito sobre cultura japonesa, mas é interessante comparar a visão do livro com a visão de alguns animes.

No geral, o livro é bem envolvente. A troca constante de narrador, sendo praticamente um capítulo narrado pela irmã da Yuriko para um por outra pessoa, não incomoda, embora algumas narrativas me cansaram um pouco. O depoimento do assassino traz toda uma história sobre a imigração dele para China. É interessante, mas ficou um pouco deslocada, principalmente considerando que o final do livro não amarrou as pontas. No final, ficou uma sensação meio estranha. Como não podemos confiar em nenhum narrador, não sabemos direito qual é a verdade, e me parece esquisito não ter certeza da resolução do mistério. Não sei, acho que os personagens poderiam ter sido usados para um enredo melhor.

O livro foi bom para o primeiro contato com a autora. Apesar de eu ter implicado com algumas coisas, no geral a leitura foi bem interessante.

E sobre o Desafio Literário: apesar da vingança não ser o tema central da obra, há personagens rancorosas e vingativas, tanto no sentido de pequenas vinganças direcionadas a alguém específico quanto no de “estou fazendo por vingança mas não sei de quem estou me vingando”, mais dirigida à sociedade como um todo.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Meio intelectual, meio de esquerda, Antonio Prata

Meio intelectual, meio de esquerda

O Antonio Prata não é exatamente um autor novo para mim, visto que leio suas crônicas na Folha de São Paulo. Mas, como nunca tinha lido um livro dele antes, considerei-o como inédito.

Meio intelectual, meio de esquerda é uma reunião de crônicas do autor, principalmente de quando ele publicava no Estadão. As crônicas costumam falar de assuntos cotidianos, que vão da mania que as pessoas têm de levantar antes da parada total do avião até os trocadilhos nos nomes de pet shops. Elas costumam parecer despretensiosas, mas em geral não são tão banais e acabam refletindo a vida dos brasileiros (ou, para ser mais específica, a vida dos paulistanos de classe média – assim, seria difícil que eu não me identificasse).

Ao mesmo tempo em que não sei se gosto tanto de livros de crônicas (prefiro lê-las no jornal mesmo e não faço questão de relê-las ou tê-las comigo), ler Antonio Prata é uma delícia e não me cansei lendo várias crônicas em seguida.

Enfim, se você é assim, meio intelectual, meio de esquerda, e quer ler crônicas atuais bem-humoradas e certeiras, leia este livro.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Timoleon Vieta volta para casa, Dan Rhodes

Timoleon Vieta volta para casa

Minha irmã descobriu este livro numa promoção das Lojas Americanas. Como somos consumistas, mas nem tanto, pesquisamos se tinha em alguma biblioteca antes de comprar, e tinha. Assim, economizamos R$ 4,90 e um espaço na estante (dá pra dizer que economizamos algo que nem temos? No caso, o espaço, não o dinheiro).

Timoleon Vieta é um simpático cãozinho. Seu dono é Cockroft, um senhor velho e desesperado por companhia. Os dois viviam bem juntos, apesar da solidão, até que o Bósnio entra em cena. Cockroft faz de tudo para agradá-lo e mantê-lo em sua casa e acaba por concordar em abandonar o pobre Timoleon Vieta. Esta é a primeira parte do livro e tem uma estrutura mais convencional de romance.

Já a segunda parte é formada por unidades quase independentes. São histórias de pessoas que de alguma forma cruzam com Timoleon Vieta em sua jornada para casa. O cachorro pode ter um papel central ou não na história.

A leitura fluiu bem. A primeira parte foi rápida de ler e fiquei um pouco decepcionada ao chegar na segunda, pois não sabia que seria tão fragmentada. Mas logo me acostumei e gostei da segunda parte também.

Há um certo humor (um tanto negro) na narrativa que me parece característico de escritores britânicos, como Nick Hornby e Mark Haddon. O próprio Cockroft me lembra um personagem do Nick Hornby (só que bem mais decadente).

Gostei bastante do livro, embora não seja um livro para todos. Ele pode ser vendido como um livro sobre cachorros, mas o foco nem sempre é em Timoleon Vieta e o livro é pesado para alguns públicos.

Não conhecia o autor antes, mas se tiver outra chance pretendo ler mais livros dele.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Crônica de um Vendedor de Sangue, Yu Hua

Crônica de um Vendedor de Sangue
Crônica de um vendedor de sangue conta a história de Xu Sanguan, um operário que vive na China maoísta. Ele vende sangue, primeiro por vontade e depois por necessidade, enquanto sua família passa por problemas materiais e conflitos morais.

Conheci o livro por alguma resenha no Desafio Literário do ano passado. O enredo me chamou a atenção, e não lembrava de ter lido outro autor chinês antes. Então, aproveitando a conveniência do livro se encaixar no desafio de volta ao mundo, decidi lê-lo agora.

O tom do livro é um pouco cômico, o que é surpreendente visto que o contexto histórico é trágico. O livro apresenta bem o contexto para os leitores ocidentais, sem deixar de dar um brilho próprio à história.

A leitura foi num ritmo bom, mas achei a passagem do tempo meio estranha, focando muito em alguns períodos e passando rápido outros. Parece que o livro deu um salto grande no tempo, e isso não me agradou (bastante por questões pessoais e por ter preferido o começo, admito).

Gostei bastante do livro e pretendo ler mais coisas do autor no futuro. Foi uma ótima introdução a literatura chinesa.

terça-feira, 16 de julho de 2013

A Idade dos Milagres, Karen Thompson Walker

A Idade dos Milagres

Começando a Volta ao mundo em 80 livros pelos Estados Unidos, um dos mais fáceis. Eu queria ler esse livro há um tempo, desde que vi a sinopse da edição em inglês no Skoob. Quando ele foi lançado no Brasil, me interessei pela capa e vi que era o mesmo livro que eu já queria ler antes. Passou um tempo e finalmente tive a oportunidade de pegá-lo na biblioteca.

O livro conta a história de Julia, um garota californiana de onze anos. Um dia, ela e sua família recebem a notícia de que a rotação da Terra está ficando mais lenta. Isso causa uma série de eventos, tanto naturais quanto humanos. Há um clima apocalíptico no ar, mas Julia tem que lidar com as mudanças e continua a viver sua pré-adolescência com os problemas cotidianos.

Eu me interessei por essa mistura de distopia e cotidiano, mas no final o que eu mais gostei mesmo foi a parte cotidiana, até porque a parte distópica não é tão explicada e desenvolvida. Alguns fenômenos naturais acontecem, porém não chamam tanta atenção. O foco é na vida de Julia, no seu relacionamento com a família e com os colegas e no seu crescimento. Julia é uma personagem simples e quieta, e acho que é isso que gostei tanto nela. Ela é uma menina comum e é fácil de se identificar com ela.

O livro é narrado pela Julia e eu achei muito bem escrito, honesto e sensível. Algumas coisas me irritaram, como a repetição dos efeitos da Terra estar girando mais devagar, mas isso ajudou a não esquecer do fato. Também não sei se gostei do fato da Julia contar no final dos capítulos algumas coisas que iam acontecer depois. Ao mesmo tempo que é um recurso batido, ajuda a manter a curiosidade…

A edição em português está muito boa, a capa brilha no escuro! Só por isso, o livro já valeria a pena. Eu o recomendo para quem quer uma história singela com toques (e apenas toques) distópicos.

P.S.: achei curioso que no livro os personagens de onze anos já estão começando a beber e fumar. Fiquei me perguntando se isso acontece mais cedo nos Estados Unidos ou se eu que era inocente demais para perceber na época em que aconteceu com os meus colegas.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Volta ao mundo em 80 livros

Minha irmã se inspirou na ideia desse blog e eu roubei a ideia dela. O desafio consiste em ler 80 livros de escritores de nacionalidades diferentes. Vai funcionar assim:

- para cada país, preciso ter lido pelo menos um livro de um autor que eu nunca tenha lido. Essa vai ser a contagem oficial e todos os primeiros livros oficiais de cada país devem ser resenhados.

- releituras e livros de autores não inéditos participam da volta ao mundo, mas não contam oficialmente. Ou seja, se eu quiser ler o livro no período, vou colocar na lista, mas ele não conta entre os 80 oficiais. Isso porque eu também pretendo ver durante o desafio qual é a variedade não oficial das coisas que eu leio e ver que países se destacam. Eu vou resenhar estes apenas se eu quiser. Não vou colocar na lista os escritores que não têm nacionalidade muito bem definida ou que eu não conseguir descobrir.

- o desafio começa a partir do dia 1 de julho de 2013.

- não há uma data para o final do desafio porque não quero ler tudo corrido e nem sei se vai ser fácil. O que eu quero é terminá-lo em algum momento da minha vida.

- a lista de leituras está aqui. Separarei os livros por país e os livros de autor inédito estão em negrito.