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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Faking Faith, Josie Bloss

Faking Faith

Sure, I’d acted in a few school plays before, which technically counts as pretending to be someone else. While I was with Blake, I’d pretended to be someone who was entirely comfortable with that sort of relationship, and after everything that happened, I’d pretended like the bullying didn’t bother me. And I’d been writing in Faith’s voice for months now, which had totally been all about taking on a character. But none of those things really compared to two entire weeks of lying my ass off in person, twenty-four hours a day.

Tive alguns imprevistos nesse mês e acabei não me planejando direito para a leitura do Desafio Literário Skoob. Como fiquei com quatro dias para ler algo que se encaixasse no tema, desisti das minhas opções originais e optei por um e-book mais curto de um YA.

Minha vontade de ler Faking Faith veio unicamente da sinopse: após seu ex-namorado vazar fotos comprometedoras suas, Dylan acaba sendo excluída socialmente na escola. O seu refúgio após tanto assédio é ler blogs de garotas educadas em casa cristãs fundamentalistas, com os quais ela fica tão obcecada que começa a escrever o seu próprio, criando uma personagem, Faith. Com o sucesso de seu blog, ela fica amiga da blogueira do tipo mais famosa, Abigail, e combina de passar um tempo na casa dela. Então Dylan, uma adolescente urbana e moderna, terá que fingir ser Faith, conservadora, religiosa e virginal.

A sinopse me lembrou do reality show Catfish, e eu adoro essas histórias de fakes virtuais (saudades, Orkut). Mas o foco do livro é em como Dylan vê uma realidade totalmente diferente da sua. Eu gostei bastante de como essa abordagem foi feita, procurando ver os dois lados da coisa e deixando claro que tem coisas que são questões de fé, individuais, e que não vão mudar, por mais que a gente queira que não seja assim. Porém, não sei se alguém religioso enxergaria o livro do mesmo modo que eu, então talvez Faking Faith seja ofensivo para algumas pessoas (o que eu não gostei muito é que Dylan se coloca como normal em oposição à família de Abigail, mas eu acho que normalidade não existe. Mas tudo bem, acho natural uma adolescente pensar assim).

O livro tem também romance, que em si eu achei meio sem graça, mas gostei de como ele trouxe mais discussões religiosas e drama ao enredo.

Fiquei com medo que a história das fotos peladas de Dylan tivesse um tom moralista, mas achei o livro surpreendentemente feminista. Dylan se culpa inicialmente, como imagino que qualquer garota faria, considerando o contexto machista em que vivemos, mas depois ela entende o relacionamento abusivo que tinha com seu namorado e se liberta disso.

O que não gostei é que li o livro esperando uma coisa (algo mais focado em Dylan ter que fingir ser outra pessoa e depois os dilemas entre se revelar ou esperar ser descoberta e os dramas que isso traria) e acabei encontrando outra (me lembrou um pouco outro reality show, Adolescentes rebeldes, em que pais mandam os filhos para trabalhar em fazendas de famílias conservadoras). Tive que suspender bem a descrença para acreditar que Dylan conseguiu manter o disfarce sem nem saber fazer as tarefas que ela dizia que fazia no seu blog ou sem conhecer nada da Bíblia, e achei estranho que ela não tenha comentando muita coisa sobre internet quando estava na casa de Abigail. Se elas eram blogueiras conhecidas, por que só postaram uma vez enquanto estavam juntas?

Também não gostei de alguns aspectos do final. Algumas coisas se resolveram sozinhas e o final foi um pouco irrealista (mas pelo menos ele não exagerou tanto quanto podia ter feito). Acho que o livro poderia ter sido bem melhor se algumas coisas fossem mais desenvolvidas, fico até frustrada com isso, dá vontade de pedir para a autora fazer uma segunda edição maior e melhorada (o livro inteiro que podia ter sido e que não foi).

Para concluir, Faking Faith foi uma leitura agradável, prendeu a atenção e mesmo que eu tenha gostado mais da premissa do que de como ela se concretizou no livro, valeu a pena ter lido, especialmente por trazer discussões que não costumo ver em livros. Agora quero um YA com alguma história de Catfish.

Avaliação final: 3/5 (ou, para ser mais exata, 3,25/5)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Para quando formos melhores, Celeste Antunes

Para quando formos melhores

Fran saiu no escuro com Sara e escorregou no barro do jardim. Entrou em pânico ao perceber que estava caindo, congelou e não conseguiu jogar as mãos antes, e nem conseguiu sentir toda a dor que ecoava na parte de trás da sua cabeça. Pelo menos não antes de sentir a humilhação que tremelicava pelo seu corpo inteiro. Quis continuar deitada, mas julgava que o certo seria levantar. Quis sorrir para Sara e dizer que estava tudo bem, que ela ia levantar, mas não conseguiu. Fechou os olhos e se odiou, e odiou Sara porque ela não tinha caído, e odiou as risadas disfarçadas de quem não sabe o que fazer, e todas as cenas de todas as comédias em que alguém cai, a sua própria dor e a própria carne humana em que estaria presa por toda a sua vida.

Para quando formos melhores retrata cinco adolescentes paulistanos em meio ao seu dia a dia de escola, festas, bares e simples conversas nas casas uns dos outros. Gosto de ler e ver filmes sobre adolescentes no Brasil, então quando ouvi falar nesse livro não pude não colocá-lo na minha lista.

O livro pode mostrar a realidade de pouquíssima gente, mas ele acerta em cheio no retrato que se propõe a fazer. Estudei em uma escola meio intelectual, meio de esquerda e por mais que não fizesse parte do grupinho “popular” (em uma escola meio intelectual, meio de esquerda, os populares são os alternativos e indies, que, obviamente, nunca chamariam eles mesmos de alternativos ou indies), eu os acompanhei por anos. E foi uma delícia vê-los de certa forma nos personagens de Para quando formos melhores.

Consegui ver meus colegas naqueles bares que não frequentei, naquelas festas que preferi não ir e nas conversas que não tive ou que só ouvi. Mas se Teo, Lucas, Miguel, Sara e Fran são diferentes de mim pela extroversão ou pelo modo que escolheram se divertir, eles têm algumas semelhanças comigo nos dilemas da adolescência e em como veem o mundo. Afinal, mesmo que eu nunca tenha feito parte desse grupinho, éramos todos adolescentes, de classes sociais parecidas, com as mesmas referências.

Falando agora de forma mais objetiva, o livro é curto, com mais ou menos cem páginas, e tem muitos diálogos, colocados quase como se fosse teatro, misturados com partes mais introspectivas. É uma leitura rápida e só não ganhou 4 estrelas porque a metade final foca mais no Miguel e não me identifiquei tanto com os problemas dele.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 30 de março de 2015

Morte no Nilo, Agatha Christie

Morte no Nilo

— Sim, sim, é óbvio, como já disse. E tão comum também! Geralmente encontramos estas passagens nos livros policiais. Atualmente está um pouco vieux jeu! O que leva a crer que o assassino é uma pessoa muito simplória.

Não sou muito fã da Agatha Christie, mas gosto de ler romances policiais de vez em quando, e os dela são fáceis de achar. Morte no Nilo é, acredito eu, um dos livros mais conhecidos da autora, e vale a fama que tem.

A diferença entre esse e os outros três livros que li da autora é que Morte no Nilo apresenta uma grande variedade de personagens que é explorada mesmo antes do crime. Os personagens são caricatos, mas isso até é positivo, pois são tratados com ironia. Não tinha reparado que a autora era irônica desse jeito nos outros livros, vai ver eu não estava no humor certo quando os li.

Continuo não gostando do Poirot, mas pelo menos nesse livro achei sua arrogância engraçada. No entanto, o livro tem algumas coisas um pouco machistas e racistas. Nada de surpreendente, considerando a sociedade da época, mas foi a primeira vez que isso me incomodou em um livro da autora.

Costumo me sentir traída no final dos livros policiais por achar as resoluções sem noção demais (na verdade, fico é com vergonha de não ter adivinhado o criminoso). Nesse não achei tão surpreendente, mas ainda assim achei um pouco estranho o modo que o crime foi feito. Talvez eu tenha que parar de se importar com verossimilhança para gostar mais de romances policiais…

Enfim, não tenho muito mais o que falar. Recomendo o livro para fãs de romances policiais e para quem quer uma leitura fácil, rápida e que prende a atenção.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 27 de março de 2015

A esperança, Suzanne Collins

A esperança

Atenção: Esse post contém spoilers!

Panem et Circenses se traduz por “pão e circo”. O escritor queria dizer que em retribuição a barrigas cheias e diversão, seu povo desistira de suas responsabilidades políticas e, portanto, abdicara de seu poder.

Li Jogos vorazes no final de 2010 e Em chamas no começo do ano passado. E só agora, em 2015, terminei a trilogia lendo A esperança. O bom de ler depois de todo o bafafá passar é que as expectativas diminuem e não preciso explicar o enredo porque todo mundo já conhece (eu, preguiçosa?). O ruim é que é mais difícil lembrar o que as outras pessoas acharam do livro e tentar comparar a minha leitura com a dos outros.

A minha opinião de A esperança coincide com a de toda a trilogia: legal, rápido de ler, prende a atenção, mas tenho vários probleminhas com o enredo ou com personagens. Não são questões críticas sérias, são coisas pessoais que talvez sejam difíceis de entender, mas o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser, né?  É difícil, com livros tão comentados, fazer uma resenha comum apresentando o livro, então só quero fazer um apanhado geral das minhas impressões.

Para começar, vamos falar sobre a Katniss. Não é segredo que eu não gosto dela. É uma personagem interessante, mas detesto a sua narração. Não sei se os livros ficariam melhor com um narrador em terceira pessoa, porque acho que parte da graça é ter sentimentos, mesmo que raivosos, sobre os personagens. Mas em A esperança Katniss está deprê e para baixo e não dá para ficar muito brava com ela. O problema é que não dá para torcer por ela também, por sua falta de carisma. É tipo o que sinto nos filmes da Sofia Coppola (amo/sou comparações que só fazem sentido para mim): filmes sobre o vazio existencial me trazem sentimentos vazios. E eu leio ou vejo filmes para sentir alguma coisa.

Aliás, não consegui ficar emocionada com quase nada durante o livro. As mortes são pouco exploradas e acho a Prim uma personagem tão sem graça que queria mesmo que ela morresse para não aparecer mais . O Peeta está bem estranho e achei a história das teleguiadas muito viajada. Para ser sincera, não curto a parte tecnológica da trilogia. Entendo que tem que ter alguma criatividade e diferença em relação à nossa sociedade, mas às vezes é muito exagerado, o que até dificulta o entendimento (fiquei sem entender direito até agora o que é o Holo).

Não sei se eu compro totalmente a ideia da guerra como ela aconteceu, mas também não imagino sendo de outro jeito (o que basicamente resume todas as minhas críticas sobre a série: reclamo, mas não sei se ficaria melhor de outro jeito). O final é meio sem graça, mas, de novo, acho que é como tinha que ser.

A minha avaliação parece contraditória com o que falei até agora, mas é porque eu gostei do livro durante a leitura. Comecei a me questionar mais depois de ter acabado.

Para resumir: valeu a pena ter lido a trilogia? Sim. Indico para outras pessoas? Sim. Compraria para ter na minha estante? Não. Mas fiquei bem curiosa para ver os filmes, que muita gente acha melhor do que os livros. Eu vi só o primeiro e achei uma adaptação razoável, mas como o segundo lançou antes de eu ter lido o respectivo livro, fiquei atrasada e estou esperando passar na TV.

Ah, e sobre a edição: os últimos dois livros que li, contando com esse, foram da Rocco, e achei a revisão de ambos um pouco fraca. Espero que tenham corrigido/corrijam os erros nas edições futuras.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 20 de março de 2015

Por você, Laurelin Paige

Por você

Embora seu olhar não fosse tão intenso como tinha sido quando eu o conheci, sua atração continuava tão forte quanto daquela vez, e eu sabia, absoluta e inequivocamente eu sabia, que ele me desejava tanto quanto eu o desejava.

Em geral, participo de todas as cortesias do Skoob que me interessam minimamente. Se penso: eu leria esse livro se ele chegasse a mim de alguma forma, eu entro no sorteio. Por isso, acabei ganhando livros que não são exatamente a minha cara, como o livro dessa resenha. Mas gosto de lidar com meus preconceitos, descobrir se estão certos ou não.

Por você, da Laurelin Paige, é um romance erótico. Ele conta a história de Alayna, uma jovem bartender. Após conseguir seu diploma de MBA, ela quer ser promovida, com um posto de gerente na boate em que trabalha. O foco no trabalho é o que a distrai de seus problemas: ela tem facilidade em ficar obcecada por homens e chega até a persegui-los dependendo do tamanho da obsessão.

Um dia, a boate é comprada pelo empresário podre de rico Hudson. Ele tem uma proposta difícil de resistir para Alayna: ela deve fingir ser sua namorada em troca do pagamento de suas dívidas estudantis. Mas essa proposta e a atração que os dois sentem um pelo outro podem trazer de volta os vícios de Alayna. O que ela ainda não sabe, no entanto, é que Hudson também tem grandes problemas.

O livro foi meu primeiro contato com romances eróticos. Não é um gênero que eu leria se não caísse nas minhas mãos, mas eu tinha sim certa curiosidade em relação ao sucesso de vários livros. Se não li Cinquenta tons de cinza, fiquei com Por você mesmo. E a experiência valeu a pena, mas não foi a ideal. Acho que vou ficar longe do gênero enquanto a proposta de um livro não me agradar.

O meu problema principal é que eu não consigo gostar de Hudson. Ele é rico, gostoso e controlador. E é para a gente gostar dele só por causa disso. Mas não tolero gente ciumenta, que omite informações e, acima de tudo, que objetifique mulheres (por isso os ciúmes: ele não gosta de compartilhar suas COISAS). Acho problemático esse homem ser o ideal que muitas mulheres desejam, mas não vou entrar nessa discussão porque é bem complicada e ainda tem muita coisa nela que me deixa em dúvida do que pensar.

Em uma comparação com o que sei sem ler de Cinquenta tons de cinza, no entanto, Por você tem seus méritos. Alayna é uma mulher decidida e que só é submissa quando quer. Ela gosta de se vestir de maneira sensual, está bem resolvida em relação à sua sexualidade e é uma ótima profissional. Alayna gosta de homens dominadores e embora às vezes Hudson faça besteiras, eles sempre conseguem resolver as coisas de comum acordo.

A leitura em si foi interessante. O livro tem conflitos e dramas, não é só cenas de sexo — que, inclusive, vão se tornando cada vez mais breves conforme a história vai se desenrolando, como se a autora não quisesse se repetir. Fiquei presa na leitura, mas, parando para pensar melhor depois de terminado o livro, a estrutura é sim um pouco repetitiva: são situações que levam a pequenas cenas de drama, que normalmente terminam com Alayna chorando e Hudson a consolando, e depois cenas de sexo.

Sobre as cenas eróticas, não sou a pessoa mais indicada para falar, porque achei risível. Mas Por você não parece sair muito do clichê do gênero, então quem gostar de livros do tipo e achar Hudson de fato um cara ideal provavelmente vai curtir as cenas também.

O livro é o primeiro de uma série e não sei de onde vai sair tanta enrolação para mais livros. Não pretendo ler as continuações, mas valeu a leitura. Agora posso parar de participar de cortesias eróticas no Skoob, porque já matei minha curiosidade.

Avaliação final: 2,5/5

quinta-feira, 12 de março de 2015

Hibisco roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Hibisco roxo

Mesmo assim, Jaja sabia o que eu comia de almoço todos os dias. Havia um menu colado na parede da cozinha, que Mama mudava duas vezes por mês. Mas ele sempre me perguntava o que eu tinha comido. Com frequência fazíamos perguntas cujas respostas já sabíamos. Talvez fizéssemos isso para não precisarmos formular as outras perguntas, aquelas cujas respostas não queríamos saber.

Foi por um acaso que o primeiro livro da Chimamanda Ngozi Adichie que li foi Hibisco roxo. E que acaso feliz! Tenho a impressão de que foi o livro certo para conhecer a obra da autora, já que é o primeiro romance dela. Minha ideia inicial era ler Meio sol amarelo, apenas por ser o primeiro livro da autora que conheci, e o que me despertou a vontade de ler algo da escritora. Mas acabei deixando a leitura para depois, e nesse meio tempo ela lançou Americanah e ficou bem mais conhecida no Brasil, despertando mais ainda minha vontade de ler.

Quando finalmente eu e minha irmã decidimos de uma vez por todas ler algo da Chimamanda, não havia Meio sol amarelo na biblioteca. Então, acabamos lendo Hibisco roxo, livro que conta a história do amadurecimento de Kambili, uma jovem nigeriana. Ela é filha de um homem de grande poder econômico que, apesar de ser considerado uma pessoa notável pela comunidade por sua resistência política e ajuda aos necessitados, é violento e intolerante em casa. Kambili está acostumada com sua vida regrada e silenciosa, mas quando passa a conviver mais com sua tia Ifeoma e seus primos, ela vê uma nova realidade. Realidade essa que, mesmo mais pobre, é libertadora para a garota.

Eu queria saber escrever bem sobre quando gosto muito de um livro, ter críticas bem desenvolvidas falando de suas qualidades, mas isso é um pouco difícil para mim. Quando um livro me toca, ele simplesmente o faz, sem tantos motivos racionais para isso. E Hibisco roxo me emocionou de uma forma que faz muito tempo que um livro não fazia. Não sei se é algo por trás da minha identificação com Kambili, de ver a minha insegurança e timidez nela mesmo com realidades familiares e sociais tão distintas, ou pelo fato de Chimamanda escrever tão bem, de um modo que a gente simplesmente entra no livro e entende tudo o que os personagens sentem. Provavelmente, é pelos dois motivos. O fato é que eu devorei o livro mais rápido do que pretendia, embora o final não tenha me animado tanto quanto o meio.

Mas Hibisco roxo não é só a jornada emocional da sua protagonista. É também um livro com críticas sociais e políticas fortes. O livro fala de colonização, de questões religiosas, de corrupção. A Nigéria, tão distante de nós, tem vários aspectos que lembram o nosso país. E é por isso que gosto de ler sobre outras realidades: além de ver as diferenças culturais, vemos também as semelhanças. Todos os livros, afinal, falam sobre humanos, de uma forma ou de outra.

Avaliação final: 4,5/5

Para conhecer mais sobre a obra da autora, recomendo a leitura desse post da Revista Pólen. E, aproveitando a discussão da Chimamanda sobre o perigo de uma história única para fazer um dos meus desabafos antiamericanos, o que dizer do Goodreads, que tem uma tag chamada cultural? A definição é de que livros culturais mostram um lugar ou tempo e sua cultura (ué, me diga um livro que não se encaixe nessa descrição?), e a maioria dos livros da categoria é estrangeira ou sobre personagens não brancos. Ou seja, segundo essa visão, livros sobre americanos brancos não são sobre cultura, são só livros, enquanto os estrangeiros se tornam representantes do país ou continente em questão… Não sou contra separar livros por nacionalidade, se fosse não estaria fazendo a volta ao mundo em 80 livros, mas separar livros como “cultural” é um tanto idiota e segregacionista.

De qualquer jeito, eu sigo na vontade de desfazer mais histórias únicas, e indico Hibisco roxo para quem quer fazer o mesmo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

O oceano no fim do caminho

Fui para outro lugar em minha cabeça, para dentro de um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou muito inflexível. Joguei no chão um monte de livros antigos da minha mãe, de quando ela era criança, e li as aventuras de garotas estudantes das décadas de 1930 e 1940. Elas passavam a maior parte do tempo enfrentando contrabandistas, espiões ou quinta-colunas, o que quer que fosse isso, e eram sempre corajosas e sempre sabiam exatamente o que fazer. Eu não era corajoso e não tinha a menor ideia do que fazer.

Acho muito difícil responder qual é meu escritor favorito. Ou eu não li livros suficientes de alguém para poder dizer que é favorito, e não que só amei um ou dois livros dele, ou eu li bastante mas não amo de paixão todos os livros de tal escritor. Esse é o caso do Neil Gaiman. Eu adoro Coraline, Deuses americanos e Stardust, mas Anansi boys e The graveyard book não me encantam tanto — não que eu não goste deles, só são livros esquecíveis para mim.

Então, não é surpreendente que eu fique adiando livros de autores de que gosto, com medo de decepção (ou só de preguiça às vezes, tem isso também). O oceano no fim do caminho recebeu muitas críticas positivas, o que aumentou minhas expectativas. Ao mesmo tempo, gente confiável com gosto parecido com o meu (também conhecida como: minha irmã) não gostou tanto do livro. Enfim, só sei que minhas expectativas estavam muito confusas e minha opinião bateu um pouco com isso: não amei o livro, mas também não odiei.

Não vou contar a história porque acho meio desnecessário. É interessante entrar em livros de fantasia conhecendo pouco do enredo para ir descobrindo as coisas junto com o protagonista. Mas eu acho que o que mais chama a atenção nesse livro do Gaiman é a parte não fantástica, a visão do homem adulto sobre a criança que ele foi.

Queria dizer que me emocionei e fiquei nostálgica sobre a infância lendo o livro, mas seria mentira. Talvez eu ainda seja muito nova para ter esse tipo de sentimento: me vejo mais como criança que como adulta. Também achei a narração um pouco repetitiva; o narrador fala sempre como era uma criança indefesa e fraca e sobre o quanto amava ler. Quem sabe quando eu me considerar uma adulta de verdade, e não alguém no meio do caminho, eu entenda melhor essa parte.

Quanto à parte fantástica, também não morri de amores por ela. Eu sabia que havia referências mitológicas por trás dos seres, mas não sabia quais eram, o que me deixou decepcionada. Pareceu sem sentido, sabe? Mesmo que obviamente tivesse um, que eu não peguei.

Agora para os elogios: os personagens são bem desenvolvidos e carismáticos, especialmente as Hempstock, e a leitura fluiu bem. É um livro curto, com duzentas páginas, e achei que ficou no tamanho certo: não explicou demais e estragou a magia nem ficou faltando coisa.

Enfim, acho que minhas impressões ficaram contraditórias e confusas, pouco confiáveis. O melhor modo de solucionar a dúvida entre ler ou não O oceano no fim do caminho é simplesmente ler o livro e tirar as suas próprias conclusões.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A cabeça do santo, Socorro Acioli

A cabeça do santo

Samuel era um corpo magro e faminto, quase uma sombra, que não parava de andar. Quase dez horas de caminhada por dia. Pouca água, comida rara, sono em cotas breves. Tudo ficou pelo caminho: juventude, alegria, pedaços de pele, mililitros de suor, quilos do corpo, e os parcos e velhos fios de esperança de que houvesse alguma coisa invisível que ajudasse os homens sobre a Terra. As esperanças nunca foram suas, eram de Mariinha, ele as usava por empréstimo em casos raros. Naquele momento, Samuel não tinha fé nenhuma nas coisas do espírito.

Não sei exatamente onde ouvi falar da obra de Socorro Acioli; só sei que um dia fiquei com vontade de ler os livros dela. Optei primeiro por A cabeça do santo, livro que conta a história de um homem, Samuel, que vive dentro da cabeça de uma estátua de santo Antônio e ouve as rezas das mulheres para o santo casamenteiro. Logo ele e seu jovem amigo Francisco têm uma ideia: se aproveitar disso para promover casamentos e dar conselhos amorosos. Samuel, em busca de seu pai, vai descobrir também muitas coisas sobre sua família nesse período.

A história do livro, embora contemple muito mais do que eu disse nesse resumo meia-boca, é simples, e é essa simplicidade que encanta. O tom da narração me lembra algo meio fabular, em um estilo semelhante ao de Luna Clara & Apolo Onze. Talvez seja algo típico do realismo fantástico, considerando que Socorro Acioli foi muito influenciada por Gabriel García Márquez, mas não conheço o suficiente do gênero para dizer.

Outra coisa interessante que observei na minha leitura é que o livro daria um bom filme. Dá para imaginar várias cenas no cinema conforme as descrições (não posso deixar de notar, no entanto, que talvez isso deva ao fato de eu estar mais acostumada com filmes com temática nordestina do que com livros. Assim, logicamente, usei minhas referências cinematográficas para imaginar as cenas).

O livro é curto, com menos de duzentas páginas, e  é uma leitura rápida e divertida. Recomendo, e quero conhecer mais da autora em breve.

Avaliação final: 4/5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Codinome Verity, Elizabeth Wein

Codinome Verity

Sabem, eu a invejei. A simplicidade de seu trabalho, a limpeza espiritual disso: o avião e Maddie. Era tudo o que precisava fazer. Não havia culpa, nem dilema moral, nem disputa ou angústia — perigo sim, mas ela sempre soube o que enfrentava. Invejei que ela mesmo escolhera seu trabalho e fazia o que gostava. Não creio que eu tivesse ideia do que queria, então fui escolhida, não escolhi. Existe glória e honra em ser selecionada para algo. Mas não sobra muito espaço para livre-arbítrio.

É muito bom ter pessoas da sua família que trabalham na área editorial, porque você acaba tendo livros que não leria se não fosse por isso (claro que alguns deles você acaba não lendo de qualquer jeito — estou bem sem ler livros de política americana, muito obrigada). Codinome Verity é um desses casos: a temática não é das mais atraentes para mim, pois não sou muito interessada na Segunda Guerra Mundial. Mas o livro foi tão elogiado que eu tinha sim um pouquinho de curiosidade de ler. Afinal, não recuso a leitura de um YA físico que eu tenha em minhas mãos. Então, depois de anos de enrolação, finalmente o tirei da estante.

Codinome Verity conta a história de duas amigas, Queenie e Maddie. A primeira parte narra a história de Queenie, escocesa capturada por nazistas. Para sobreviver, ela deve revelar os segredos da guerra para os inimigos, e é por esse relato que sabemos o que aconteceu. Na segunda parte, vemos a versão de Maddie, piloto e melhor amiga de Queenie, da história. Não resumi bem, mas é difícil contar o livro sem spoilers.

Comecei o livro apreensiva, e não consegui gostar do relato de Queenie. Não parecia nada real que alguém que estivesse presa daquele jeito fizesse um relato tão literário e cheio de informações inúteis para quem a capturou. Sabe quando você lê um livro e não consegue parar de pensar que você está lendo um livro, que é só ficção? Eu não consegui entrar na história porque achei a parte da Queenie inverossímil demais. Além disso, a primeira parte é a que tem mais informações históricas e técnicas sobre aviação. É claro que tudo é bem pesquisado, e as informações encaixam na narrativa, mas não sou das maiores fãs de livros que nos ensinam coisas fatuais tão diretamente. Prefiro aprender nas entrelinhas.

Achei a segunda parte, narrada pela Maddie, bem mais interessante, e a leitura fluiu melhor. Tive que suspender a descrença também para achar que alguém escreveria relatos daquele jeito naquela situação, principalmente sendo alguém com poucos conhecimentos literários, mas pelo menos nessa parte foi mais fácil ignorar a inverossimilhança e entrar na narrativa. É na segunda parte também que tudo se encaixa e a gente entende algumas pontas que ficaram soltas na narrativa da Queenie.

Como não consegui entrar tão bem no livro no começo, não consegui me importar com os personagens nem me emocionar com a história. Depois de concluída a leitura, no entanto, não dá para não pensar que as personagens são incríveis e bem desenvolvidas. O problema é que não consegui sentir isso enquanto lia.

Enfim, imagino que Codinome Verity seja daqueles livros que “o problema não é você, sou eu”. Acho que é uma história interessante de um tema pouco explorado, mulheres trabalhando na guerra, mas foi uma leitura de altos e baixos e não deu muito certo para mim. De qualquer jeito, recomendo para quem se interessar pelo tema.

Avaliação final: 3/5

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Garoto zigue-zague, David Grossman

Garoto zigue-zague

E aí comecei a soluçar, no começo soluços leves, contidos. E para reforçar ainda mais a tristeza, lembrei das coisas que papai diz, que já não sabe mais o que fazer com um garoto como eu, que toda vez que ele acha que vou crescer e tomar jeito acabo regredindo, ficando estagnado, e mais; como é possível que alguém como ele tenha tido justo um filho como eu? E eu sabia que ele tinha razão, mas o que é que ele pensa, que não me esforço para que isto tudo acabe de uma vez por todas?

Só li Garoto zigue-zague porque foi o escolhido da minha irmã para representar Israel na Volta ao mundo em 80 livros dela, e acabei aproveitando para botar na minha lista também, porque minha ideia já era ler algo do Grossman (ou do Amós Oz), só não sabia que livro escolher.

Sem mais enrolações, o livro conta a história de Nono, um garoto prestes a completar treze anos. Antes do seu bar mitzvah, porém, ele vai viajar de trem para visitar seu tio, um educador chatíssimo. No entanto, o que o menino não espera é que sua viagem será a sua porta de entrada para muitas aventuras, nas quais que ele descobrirá muito sobre si mesmo e sobre sua história.

O livro começa com um certo clima de mistério, em que o leitor não sabe exatamente o que está acontecendo e o que vai acontecer, assim como Nono, mas aos poucos as coisas vão ficando claras, e, infelizmente, um pouco óbvias demais. Então, só resta esperar a ficha do protagonista cair enquanto ele passa por pequenas aventuras, até, finalmente, tudo ser esclarecido.

Eu gostei bastante do começo, e gostei do final, mas o meio do livro poderia ter sido enxugado um pouco. O livro tem um pouco mais de quatrocentas páginas e, não sei, mas acho que poderia ter só trezentas e estaria de bom tamanho.

Garoto zigue-zague é narrado pelo Nono mais velho, mas do ponto de vista dele jovem(?). Ou seja, o olhar ingênuo da criança, que eu tanto adoro, está presente na narração. Inclusive, mesmo que o livro provavelmente não fique na seção de infanto-juvenis nas livrarias, eu recomendo para os mais jovens também.

Para concluir, Garoto zigue-zague é um livro divertido, mas um pouco cansativo. Com personagens cativantes (saudades, Gabi!), ele conta uma história bonita sobre crescimento.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nada, Janne Teller

Nada

O edifício era tão cinza, feio e quadrado que eu mal conseguia respirar; e, de repente, era como se a escola fosse a vida; a vida não deveria ter essa aparência, mas tinha. Senti um desejo violento de correr até o número 25 da Tæringvej, subir na ameixeira e ficar com Pierre Anthon, contemplando o céu até fazer parte do mundo além da porta sorridente e do nada e nunca mais ter de pensar sobre qualquer coisa. Mas eu deveria ser algo, ser alguém na vida, então não corri a lugar algum, olhei para o outro lado e finquei as unhas na palma da mão até sentir bastante dor.

Um dia, olhando os livros recém-adicionados no Skoob, me deparei com um título que chamou a minha atenção: Nothing. A sinopse me conquistou de primeira, falando sobre um menino do sétimo ano que descobre que a vida não tem sentido e por isso passa os seus dias sobre uma árvore. Coloquei o livro como “vou ler” e o procurei algumas vezes para baixar, mas não encontrei. Um tempo depois, vi que o livro tinha sido traduzido para o português pela Record. A partir daí, foi só esperar o livro entrar em promoção para finalmente tê-lo nas minhas mãos.

Conto essa história simplesmente para dizer que, diferente da maioria dos livros que leio, com Nada não tive contato com resenhas de outras pessoas — e, para ser sincera, nem a sinopse eu tinha lido inteira. Um menino que fica em cima de uma árvore falando que nada importa? Já era o suficiente para eu querer o livro. Por isso, eu não sabia direito o que esperar da leitura. E certamente saí surpreendida.

Para começar, eu achei que o foco da história fosse o Pierre Anthon, o garoto que sobe na árvore, mas a narradora é um garota da sala dele, chamada Agnes, e os protagonistas são todos os colegas da sala dela, que tentam fazer uma pilha de significados para mostrar para Pierre Anthon que a vida tem sentido. Essa pilha começa com coisas simples, como uma bola de futebol. Mas, aos poucos, os meninos ficam com raiva de terem que ceder objetos importantes para a pilha e pedem dos outros coisas mais e mais desafiadoras.

Nada não é um livro para se ler quando se quer fugir da realidade e ir para um lugar melhor. É uma leitura perturbadora e que, ao mesmo tempo que nos alivia ao pensar que é apenas ficção, nos deixa a pergunta se isso poderia acontecer na realidade.

O livro é dinamarquês, e por ter um conteúdo pesado e violento com personagens jovens e destinado a adolescentes, foi temporariamente banido na Escandinávia. Curiosamente, após ter sido liberado, o livro foi também para listas de leituras obrigatórias em escolas. Não concordo com a proibição, mas também não acho que o colocaria como leitura obrigatória, considerando que a leitura não é para pessoas de estômago fraco.

Nada é uma leitura que traz discussões importantes — desde sobre como grupos de jovens são influenciáveis (nesse sentido me lembrou do filme A onda) e sobre como o capitalismo nos pressiona até sobre o próprio sentido da vida. Os personagens do livro são quase repulsivos, e dá agonia ver como eles preferem tirar algo desagradável da frente deles em vez de discutir sobre o assunto, mas também dá para se perguntar até que ponto nós também não somos assim. No final, Nada traz mais perguntas que respostas. Fazia muito tempo que eu não lia algo tão provocador, e é incrível pensar que Nada cria esse efeito em menos de cento e trinta páginas.

Avaliação final: 4/5

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Uma casa na escuridão, José Luís Peixoto

Uma casa na escuridão

Ao escrever, algo de nós se tocava. Ao escrever, sentia-a passar por mim, sentia-a atravessar-me. Depois, fechava os olhos e via-a sorrir. Ainda dentro de mim, mas um pouco do seu rosto de anjo e da lonjura do seu olhar e dos seus gestos brandos a existir na página, no texto. Às vezes, levantava-me, segurava as folhas a tremerem-me  na mão e lia devagar. Após cada frase, parava e ouvia-a lida na memória. Ela era o texto.

Eu precisava fazer um trabalho de literatura portuguesa com o tema de Romantismo e Uma casa na escuridão era uma das sugestões para análise. Como gostei bastante do outro livro do Peixoto que eu li e não tinha a menor vontade de ler um autor romântico autêntico, fiquei com a opção mais segura para mim e li Uma casa na escuridão.

O livro conta a história de uma escritor em uma sociedade onde editores são presos por recusarem a publicações de originais, invasões de soldados não são raras e algumas famílias têm escravas. O escritor, que narra a história, vive com sua mãe e uma escrava na casa do título. Sua vida é pacata, até que ele encontra uma mulher dentro dele e se apaixona perdidamente. Mas a crueldade do mundo real se impõe e a vida não será como ele quer que seja.

A história é cheia de elementos simbólicos e quase tudo dá para interpretar como metáfora e relacionar com a nossa sociedade. Não sei a que ponto minhas interpretações estão corretas, mas também não acho que seja a ideia ter interpretações certas.

No geral, do ponto de vista crítico, achei o livro bem interessante — ou seja, consegui material suficiente para a minha análise. Porém, quando a questão mais óbvia, se eu gostei do livro, a resposta não é tão simples.

A prosa do autor é bem poética, e eu não gosto muito disso. Ao mesmo tempo, a leitura fluiu bem apesar dos parágrafos enormes. Mesmo que eu não estivesse tão envolvida com o que estava lendo, eu continuava, porque não achava motivo para parar e porque tinha prazo para fazer o trabalho.

O enredo do livro é curioso, mas tem muito de romantismo no começo e o psicológico do protagonista é bem mais explorado do que o lado social — uma escolha proposital do autor, claro, mas fiquei querendo entender melhor a sociedade e fiquei entediada em algumas partes com todo o drama do narrador.

Eu li o livro sem saber quase nada sobre ele, por isso algumas coisas do enredo me pegaram de surpresa e me chocaram, o que eu considerei positivo (embora tenha visto algumas resenhas reclamando da violência do livro — questão de gosto, acho).

Enfim, para não me alongar e não escrever uma versão 2.0 do meu trabalho, recomendo Uma casa na escuridão para fãs de obras intensas, viscerais e líricas.

Avaliação final: 3,25/5

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Um homem de sorte, Nicholas Sparks

Um Homem de Sorte

Logan parou e olhou para o céu a ver a pipa voando acima deles, e, quando aplaudiu Ben demonstrando uma alegria óbvia, Beth percebeu uma verdade bem simples: às vezes as coisas mais ordinárias podem transformar-se em extraordinárias, simplesmente se realizadas pelas pessoas certas.

O que dizer do Nicholas Sparks? Fora minha tia, que me emprestou esse livro, não conheço ninguém que goste mesmo do autor. Na internet, vejo todo mundo zoando de seus livros previsíveis ou reclamando do seu sucesso. Posso fingir que detesto o autor e engrossar o coro, mas a verdade é que eu até gostei dos livros dele que li até agora.

Um homem de sorte conta a história de Logan Thibault, ex-fuzileiro naval que lutou na guerra do Iraque. Lá, ele encontra a foto de uma mulher e a guarda consigo. A fotografia continua com ele por anos, e o melhor amigo de Thibault considera que ela seja um amuleto, pois ela sempre os protegeu. Sem saber o que fazer após voltar aos Estados Unidos, Thibault parte em busca da mulher da fotografia. E o que acontece depois, óbvio, é completamente previsível.

Em defesa do Nicholas Sparks em Um homem de sorte, o livro não é tão meloso quanto as pessoas podem achar que seja. Na verdade, acho até que muito romance adolescente é mais meloso que esse livro. Quer dizer, o texto não é explicitamente meloso na maior parte do tempo, mas as entrelinhas são muito bregas. Ou seja, é só ignorar a mensagem do livro e seguir em frente com a leitura que está tudo certo.

Surpreendentemente, Sparks usa até um pouco de humor nesse livro. Temos o antagonista da história, Clayton, e as partes narradas pelo seu ponto de vista são engraçadas de tão sem noção.

Além do antagonista sem noção, temos em Um homem de sorte o mocinho sem sal, a mocinha sem sal, o filho fofo da mocinha sem sal e a avó carismática da mocinha sem sal. Se parar para pensar, são personagens irreais e tal, mas toda a questão de ler Nicholas Sparks é: para que parar para pensar? A leitura me envolveu e eu preferi seguir lendo sem racionalizar muito — ok, parando uma hora ou outra para zoar das opiniões que Sparks, como homem religioso e patriota, coloca na história.

Imagino que ler vários livros do autor em seguida seja uma experiência ruim, e entendo por que tanta gente não gosta dele, mas os livros do Nicholas Sparks continuam servindo quando quero ler algo que prenda a atenção. É só não levar tão a sério que consigo para aproveitar a leitura.

Avaliação final: 2,5/5

É com esse livro que me despeço do Desafio Literário do Tigre. Consegui seguir todos os temas e aproveitei bem as leituras. Agradeço a Tati, que criou o desafio com temas ótimos e deixou tudo super organizado.

sábado, 20 de dezembro de 2014

De volta à vida, Nadine Gordimer

De volta à vida

Radiante.

Literalmente radiante. Mas não emitindo luz como os santos mostrados com uma auréola. Ele irradia o perigo, invisível para os outros, de uma substância destrutiva que serviu para contra-atacar o que o estava destruindo. Câncer da glândula tireóide. No hospital, foi mantido em isolamento. (…) Ele permanece, e ainda continuará, sem controle sobre si, expondo pessoas e objetos ao que ele emana, tudo e todos que ele tocar.

Fiquei com vontade de ler algo da Nadine Gordimer porque ela é a única escritora sul-africana que eu eu conheço. Já li um livro do Coetzee, mas acho importante dar uma variada e ler mais mulheres.

De volta à vida conta a história de Paul, um ecologista que fica radiante por causa do tratamento de um câncer. Ele se isola na casa dos pais para não afetar sua esposa ou seu filho. Nesse período de isolamento, ele e seus familiares refletem sobre suas vidas.

A sinopse ficou bem porca, mas é mais ou menos isso mesmo. O livro tem menos de duzentas páginas e vai mostrando o ponto de vista de cada personagem, de forma que sabemos um pouco do seu passado e de como está a situação no momento.

Mesmo o livro sendo curto, demorei mais do que o normal para terminá-lo. Em parte, isso aconteceu porque a leitura foi no final de semestre e eu tinha várias coisas para fazer para a faculdade. Mas não foi só isso. O começo do livro não me pegou, e embora eu tenha me impressionado com a escrita da Nadine Gordimer desde o início, era difícil ter vontade de ler por bastante tempo.

Felizmente, a segunda metade do livro me agradou mais. Algumas coisas ainda me incomodaram — por exemplo, não liguei muito para a parte do trabalho do Paul e suas conversas profissionais —, mas fiquei satisfeita por ter lido De volta à vida. Algum dia pretendo ler mais da Nadine Gordimer.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

An enemy of the people, Henrik Ibsen

An enemy of the people

Dr. Stockmann: Well, but is it not the duty of a citizen to let the public share in any new ideas he may have?

Peter Stockmann: Oh, the public doesn’t require any new ideas. The public is best served by the good, old established ideas it already has.

Não era meu plano resenhar An enemy of the people. Foi uma leitura para faculdade, e é uma peça de teatro não muito comprida. Mas aí eu percebi que o Ibsen é norueguês, e portanto o livro se encaixa na Volta ao mundo em 80 livros. Portanto, aqui estou eu, comentando em forma de resenha muito depois de ter lido a peça.

An enemy of the people mostra os acontecimentos de uma pequena cidade, que vive do seu balneário. O dr. Stockmann, no entanto, descobre que a água do balneário está contaminada, e vai fazer de tudo para expor a verdade a todos, confrontando seu irmão, que é o prefeito da cidade. Vemos vários discussões com os personagens mais influentes da cidade e observamos como a mídia, inicialmente a favor de contar a verdade, logo muda de opinião ao ver que isso vai contra seus interesses financeiros.

A peça foi lançada em 1882, e é quase difícil de acreditar nisso, porque o tema é extremamente atual. O que dizer das mudanças climáticas, da contaminação do solo e de tantos assuntos científicos que são deixados para trás por causa de interesses financeiros?

Porém, a peça não chega a culpar alguém. Afinal de contas, todos somos humanos e cometemos erros. Dr. Stockmann também exagera bastante na sua posição e em como ele lida com o resto das pessoas — isso na minha intepretação, é claro.

Gostei bastante da crítica social do livro, porém acho difícil me acostumar com a forma teatral. Acho interessante ler peças, mas em geral elas não costumam me empolgar, porque não consigo criar empatia com os personagens ou me envolver de verdade na história. Mas sempre dá vontade de ver a peça nos palcos.

Avaliação final: 3/5

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Carrie, a estranha, Stephen King

Carrie, a estranha

Ninguém achou nada de mais quando isso aconteceu (…). Aparentemente, todas as meninas nos chuveiros ficaram chocadas, empolgadas, envergonhadas ou apenas contentes que aquela nojenta da White tivesse levado na cabeça de novo. (…)

O que nenhuma delas sabia, claro, era que Carrie White tinha o dom da telecinesia.

Fazia muito tempo que eu queria ler algo do Stephen King, mas sempre ficava adiando. Os livros dele que eu mais queria ler nunca entravam em promoção, ou sempre estavam pegos na biblioteca. Mas finalmente o momento chegou e pude ler Carrie, a estranha.

Infelizmente, vi o final do filme — o remake, de 2013, naquele clima de “não tem nada melhor para ver na TV, comecei a ver um pedaço por curiosidade e não parei mais” — antes de ler o livro, e isso acabou prejudicando a leitura. Mas vamos começar pelo começo…

O livro é formado pela narrativa, que é em terceira pessoa mas cada vez foca em um personagem diferente, e por trechos de livros, relatórios ou simplesmente evidências sobre o caso da Carrie. Desde o começo, o narrador já vai nos dando dados sobre o que vai acontecer depois. Mas isso não tira exatamente o suspense da leitura, pois acaba criando um nervosismo, a gente começa a sofrer por antecipação, quer chegar logo na parte em que as coisas realmente acontecem. O início, a apresentação de Carrie e de toda a situação, foi a parte que eu mais gostei do livro.

Eu tinha visto o filme a partir da cena do baile, e foi aí, no livro, que a leitura perdeu a força para mim. Provavelmente porque eu já sabia o que ia acontecer, fiquei um pouco desinteressada em Carrie; a leitura se tornou uma descrição após descrição dos acontecimentos, que na verdade são mais emocionantes quando bem visualizados e, bom, não sou uma pessoa muito imaginativa.

Mesmo assim, a história como um todo não perde o seu brilho. Gosto muito da ideia do Stephen King, da forma que o livro traz à tona discussões sobre humilhação, fanatismo religioso, vivência escolar… É bom também ver como a maior parte dos personagens não é tratada de modo maniqueísta. Não podemos responder até que ponto Carrie é uma vilã. O livro é de certa forma uma tragédia: já sabemos como as coisas vão terminar, e ficamos em agonia lendo e querendo que desse para modificar tudo de forma que milagrosamente o final fosse feliz. E, claro, saímos contentes que é apenas ficção, embora ao mesmo tempo melancólicos porque existem muitas Carries por aí.

Enfim, recomendo Carrie, principalmente se você ainda não viu algum dos filmes. Não é um livro que dê medo, então é um bom começo para quem quer entrar no mundo do Stephen King mas não quer um terror pesado.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Meus 15 anos, Luiza Trigo

Meus 15 anos

Ninguém sabe o tema do aniversário. Na verdade, não sabem de nada! É segredo e continuará assim até o dia da festa. Exceto o local, é claro! Tenho certeza de que vou surpreender a TODOS. Escondi o tema até das minhas amigas (e madrinhas) que vão participar da dança surpresa. Os ensaios da coreografia começam esta semana de qualquer jeito. Falta pouco mais de um mês, e temos que correr atrás para conseguir decorar a música inteira a tempo! Só de pensar meu estômago revira. Queria tanto que a festa fosse no próximo fim de semana…

Eu disse no meu comentário de As valentinas que não pretendia ler Meus 15 anos, mas a verdade é que eu continuava muito curiosa para lê-lo. Não compraria o livro, mas o leria com prazer se ele caísse nas minhas mãos. E, por uma questão de sorte, ele acabou caindo. Minha irmã ganhou um sorteio e escolheu esse livro. Como eu queria uma leitura leve e rápida depois de passar dias com Grande sertão: veredas, o livro da Luiza Trigo acabou sendo a minha escolha.

O livro é sobre a festa de quinze anos de Bia. Acompanhamos os preparativos, a própria festa e o que acontece depois pelos olhos de várias pessoas: da Bia, de dois de seus amigos, do garoto do qual ela está a fim e da rival dela. Tudo naquela lógica escolar de filme americano, com a panelinha de nerds, que é a da Bia, as garotas malvadas, os populares… Seria interessante se na narração dos personagens eles quebrassem um pouco os estereótipos, mas não é o que acontece, o que os deixa rasos, previsíveis e clichês. Por exemplo, Thiago, o garoto popular de quem Bia gosta, é um cara que só sabe falar em pegar meninas e em futebol, e Jéssica, a rival da protagonista, nem tem motivos para odiar a Bia. Ela simplesmente odeia, porque precisa haver uma antagonista na história.

Esses estereótipos acabam criando um clima maniqueísta, em que Bia e seus amigos são do bem e os outros não. Isso aparece, por exemplo, quando Bia é gentil com pessoas de classe mais baixa que ela (o porteiro, o inspetor da escola, o motorista), enquanto Jéssica os ignora ou diz que não gosta deles. Não acho que tenha sido intenção da autora ter deixado o clima tão separado assim e sei que eu superinterpretei esse aspecto, mas eu acabei reparando nessas pequenas dicotomias, como se Bia representasse o que é certo e Thiago e Jéssica o que é errado.

Quanto à linguagem, que costuma me incomodar nos livros brasileiros para jovens, devo dizer que Meus 15 anos melhorou em relação a As valentinas. Provavelmente por ser um livro de papel, não usou a linguagem digital de hashtags que tinha me incomodado no e-book. Ainda não é uma linguagem que soa natural para mim, mas vou dar um desconto porque não sou uma adolescente carioca e não sei que gírias estão na moda.

A escrita, no geral, também não é uma obra-prima. Alguns trechos pareciam coisas que eu escreveria em uma história, e isso está longe de ser um elogio. Notei também algumas confusões de tempo verbal, uma narração um pouco indecisa se é presente, passado ou futuro, mas não sei se estava errado mesmo ou se eu que não prestei atenção direito.

Mas o fato é que não adianta falar muito mal de Meus 15 anos, porque depois que comecei a ler o livro, não queria mais parar. É bobo, ingênuo, clichê? É. Mas é muito gostoso de ler ao mesmo tempo. Uma pena que eu tenha lido esse mês e não em dezembro, porque o livro se encaixaria plenamente na minha definição de guilty pleasure: eu consigo ver um monte de defeitos, mas a leitura flui tão bem que eu acabo gostando.

Avaliação final: 2,5/5

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Grande sertão: veredas, João Guimarães Rosa

Grande sertão veredas

Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torrar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. (…) O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães… O sertão está em toda a parte.

                                                                                           (Grande sertão: veredas, p. 9)

Meu plano inicial não era resenhar Grande sertão: veredas para o Desafio do Tigre, porque eu queria ler um livro brasileiro atual. Mas fazer faculdade de Letras é isso, você tem leituras obrigatórias e tem que se virar. De qualquer jeito, acabei lendo um livro brasileiro atual depois, então terei duas resenhas para o desafio nesse mês.

É muito complicado falar sobre um clássico desse tamanho, um dos maiores romances brasileiros. É mais difícil ainda quando não se gostou tanto assim do livro, mesmo entendendo os motivos da importância dele. Enfim, essa resenha não vai apresentar o livro em si, só vai ter as minhas impressões de leitura. Não estou na melhor fase de escrever resenhas, acabo escrevendo muito depois de ler o livro e por isso esqueço algumas coisas, então peço desculpas por isso.

O começo de Grande sertão: veredas foi bem difícil. O livro já inicia no meio da história e você tem que se acostumar aos poucos com o modo que o Riobaldo narra. Confesso que me perdi várias vezes na história, e mesmo quando ela passou a ser cronológica, eu nem sempre entendia o que estava acontecendo. Parte da minha confusão se deve ao fato de que eu li muito rápido, porque tinha terminar de ler antes da aula sobre o final do livro. Basicamente li cinquenta páginas por dia, não importando se estava com vontade ou não, e se eu estava entendendo ou não, porque não dava tempo de voltar atrás e reler. Mas não duvido que, mesmo que eu lesse só quando estivesse com vontade, continuaria meio perdida.

O final do livro me deixou meio decepcionada e frustrada no primeiro momento. A verdade é que eu não consigo lidar com plot twists — e que nunca consigo prevê-los… Entendo os motivos de Guimarães Rosa por ter feito o que fez, mas eu preferia o livro sem isso. Talvez eu mude de ideia se ler o livro de novo, pois assim teria uma interpretação diferente sabendo desde o início a revelação.

Felizmente, a leitura teve também partes muito boas. O encontro de Riobaldo e de Diadorim é um trecho que eu acho incrível, uma daquelas coisas que me lembra dos motivos de eu gostar tanto de literatura, e também gosto bastante das reflexões do Riobaldo que aparecem no meio da narração, especialmente as partes metalinguísticas. Como eu já disse antes, reconheço a grandiosidade e a genialidade de Grande sertão: veredas. É certamente um livro que cresce a cada releitura e que nunca se esgota. A questão é saber se algum dia eu vou ter paciência para relê-lo.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Um barril de risadas, um vale de lágrimas, Jules Feiffer

Um barril de risadas, um vale de lágrimas

Está chovendo. Não só está chovendo como está caindo neve e granizo ao mesmo tempo. As pedras de granizo, soando aos ouvidos como se fossem tiros disparados, ricocheteiam contra os muros do palácio. Que pensam vocês que Roger diz a si mesmo ao olhar para fora da janela? Diz “Uau! Vou ficar encharcado até os ossos em dois segundos se sair com esse temporal. Mal posso esperar!”.

                                                            (Um barril de risadas, um vale de lágrimas, p. 16)

Um barril de risadas, uma vale de lágrimas é um desses livros que eu queria ler há um tempão, mas por algum motivo não tinha lido até agora. O livro conta a história de Roger, um príncipe que faz todo mundo morrer de rir sem motivo nenhum. Para acabar com esse efeito indesejado, o J. Imago Mago sugere que Roger vá numa busca. Então Roger parte, sem saber exatamente o que vai encontrar no caminho, e passa por uma série de aventuras. Ele entra na Floresta Para Sempre, no Vale da Vingança, na Divisa Perversa, e aprende a se virar, sem ter mais as regalias de um príncipe.

O enredo básico é típico de contos de fadas e mitos, mas Jules Feiffer subverte a maioria dos clichês ou os desenvolve de maneira bem humorada. É legal também como o narrador se mete na história e conta o que vai acontecer depois, ou os processos por trás de narrar uma história, conversando com o leitor. O estilo de Jules Feiffer nesse livro me lembrou um pouco de Desventuras em série, inclusive pelos nomes de lugares e pequenos jogos de palavras.

Bom, não tenho muito mais o que falar do livro. É uma leitura rápida e divertida, que me deixou com um sorriso no rosto. Não foi um livro excepcionalmente marcante, mas não me importo muito com isso. Eu leio para me entreter, e Um barril de risadas, um vale de lágrimas cumpriu bem a função.

Avaliação final: 4/5 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

We were Liars, E. Lockhart

We were liars

Welcome to the beautiful Sinclair family.

No one is a criminal.

No one is an addict.

No one is a failure.

(…)

It doesn’t matter if divorce shreds the muscles of our hearts so that they will hardly beat without a struggle. It doesn’t matter if trust-fund money is running out; if credit card bills go unpaid on the kitchen counter. It doesn’t matter if there’se a cluster of pill bottles on the bedside table.

We were Liars foi o livro do mês passado no clube do livro do qual eu faço parte. Eu já estava curiosa para ler, de tanto que o livro foi falado nos blogs literários mundo afora. Só que é complicado: quase todo mundo adorou o livro, mas disse que não era para saber nada da história ou não ter expectativas. Mas como não ter expectativas com todo mundo falando tão bem? Não dá para controlar esse tipo de coisa. Então, bom, eu acabei me decepcionando um pouco.

Enfim, vamos ao que se pode falar da história (mas se você realmente não quiser saber nada da história, pule esse parágrafo ou não leia a resenha): a família Sinclair é rica e tem uma ilha particular. Cadence Sinclair, a protagonista, passa todas as férias nesse ilha com seus primos, até que acontece um acidente do qual ela não se lembra e ela passa a sofrer muito. Depois de um tempo em casa, ela volta para a ilha para descobrir exatamente o que aconteceu no seu acidente.

Gostei bastante do fato do livro mostrar uma família rica, e acho que ele retratou bem os Sinclair. Os conflitos familiares decorrentes do dinheiro são bem interessantes, e o livro não ignora a crítica social, problematizando a vida dos privilegiados.

A história flui bem, mas eu não gostei da narração, que abusa de frases repetitivas e separa alguns períodos em várias linhas só para supostamente ficar poético. E detestei as metáforas de como a Cadence estava se sentindo, achei exageradas e elas não funcionaram para mim, visto que não consegui me conectar com a personagem.

Esse é outro problema do livro, achei a maioria dos personagens insossos. Talvez se eles tivessem sido mais desenvolvidos nos momentos antes do acidente, eu teria aproveitado melhor. E como eu não ligo para os personagens, não gostei do final. Achei-o surpreendente, sim, mas não chocante. Ou quem sabe chocante do ponto de vista negativo. Bem negativo. Enfim, não dá para explicar direito sem falar de spoilers. Tem algumas coisas interessantes no final também, as discussões para o qual ele se abre, mas não gostei do principal.

Se eu recomendo o livro? Acho que sim. Muitos dos problemas que eu tive com ele são questões de gosto pessoal, e no final foi sim uma leitura envolvente e que conseguiu me impactar em alguns momentos — de maneira positiva ou negativa. A questão é que quando o livro é muito bem falado, eu acabo focando mais no que eu não gostei nele e isso prejudica a visão que eu tive dele durante a leitura. Faz sentido? É algo bem idiota e que eu adoraria não ter, mas algumas coisas não dá para evitar, né.

Avaliação final: 3/5