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terça-feira, 24 de junho de 2014

Juliet, Naked, Nick Hornby

Juliet, Naked

They had flown from England to Minneapolis to look at a toilet. The simple truth of this struck Annie when they were actually inside it: apart from the graffiti on the walls, some of which made some kind of reference to the toilet’s importance in musical history, it was dank, dark, smelly and entirely unremarkable. Americans were very good at making the most of their heritage, but there wasn’t much even they could do here.

                                                                                                          (Juliet, Naked, p. 1)

Duncan é fanático por Tucker Crowe, cantor obscuro, recluso e que não aparecia no cenário musical há muitos anos. Annie, companheira de Duncan há quinze anos, costumava lidar bem com a obsessão, mas uma viagem aos Estados Unidos para ver lugares relacionados à carreira de Tucker e o lançamento de Juliet, Naked, novo CD de demos do artista, a faz se perguntar se não desperdiçou todo esse tempo com o relacionamento seguro e morno deles.

Annie se sente cansada com a vida sem grandes emoções que leva, mas não sabe como mudá-la. A cidade pacata de Gooleness, onde ela mora, não parece oferecer boas opções de mudança. E então, depois de escrever uma resenha criticando Juliet, Naked para mostrar para Duncan que ela é melhor que ele, Annie recebe um e-mail de Tucker Crowe, que não é nada do que os fãs deles esperavam que fosse. E as coisas começam a mudar para todos.

É muito bom ler algo de um autor querido depois de tanto tempo sem ler algo dele. Tenho dado preferência a ler autores novos, mas a verdade é que é confortador ir de volta para os velhos conhecidos, ainda mais quando eles estão aguardando anos na sua estante para serem lidos. Dá um pouco de medo do livro ser uma decepção, e em parte Juliet, Naked foi um pouquinho decepcionante, mas no final o saldo do livro foi positivo.

O começo foca em Duncan e em Annie e no relacionamento que cada um tem com Tucker Crowe. Duncan é um personagem típico de Nick Hornby: acha que música é a coisa mais importante do mundo, julga os outros pelos gostos culturais e acha que sabe tudo o que se pode saber sobre as coisas que ele gosta. Gostei bastante dele e de Annie como personagens no começo e da sua dinâmica juntos, eles são engraçados e interessantes.

Mas aí chega o Tucker Crowe como personagem. Eu, incapaz de ler direito sinopses de livros, nem sabia que ele apareceria na história desse jeito, fiquei surpresa e continuei achando engraçado. Porém, aos poucos, o tom cômico quase inocente de que eu tinha gostado tanto vai desaparecendo. É claro que ainda há situações engraçadas e a narração é sempre bem-humorada, como é esperado em um livro do Nick Hornby, mas a magia das primeiras páginas sumiu. O que eu estava achando incrível se tornou só legal.

Eu achava que tinha mais coisa para ser explorada em Duncan, mas ele vai dando lugar a Tucker e passa a ficar quase sempre no pano de fundo. Seus sentimentos são explorados, mas de modo um pouco raso e preguiçoso. Não é que Tucker seja a ruína do livro, eu gostei de ter o ponto de vista do artista tão venerado que tem plena consciência dos malucos que o idolatram e inclusive acho esse um dos pontos fortes do livro. Mas quanto mais Tucker aparece, mais o livro vai ficando sentimental. O que também não é uma surpresa tratando-se de Nick Hornby, então não me deixou tão decepcionada.

Annie é o que une tudo no livro, e, como eu já disse antes, é uma personagem interessante. No entanto, me peguei várias vezes me perguntando se achava suas ações coerentes e se acreditava que ela passaria quinze anos ao lado do insuportável-como-pessoa-porém-legal-como-personagem Duncan. Eu li o livro inteiro e ainda sinto que não a conheço tão bem quanto deveria.

Para concluir, devo dizer que Juliet, Naked é uma leitura rápida e envolvente, como os outros livros do Hornby que eu li. Apesar da decepção por ter gostado tanto do começo, toda a história continua valendo a pena.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Anna and the French Kiss, Stephanie Perkins

Anna and the French Kiss

“(…) It translates to ‘Point zero of the roads of France.’ In other words, it’s the point from which all other distances in France are measured.” St. Clair clears his throat. “It’s the beginning of everything.”

I look back up. He’s smiling.

“Welcome to Paris, Anna. I’m glad you’ve come.”

Desde que foi lançado, só ouvi falar bem de Anna and the French Kiss. Praticamente todos os blogs de YA declararam o seu amor pelo St. Clair e pelo livro, então eu fiquei curiosa para conferir.

O livro conta a história de Anna Oliphant, jovem que é obrigada pelos pais a estudar um ano em Paris. Ela não está feliz com a decisão, pois queria terminar a escola junto com os seus amigos de sempre, na cidade onde sempre viveu. Mas logo ela tem que se acostumar com a nova vida na França, e acaba fazendo novos amigos e conhecendo um garoto muito charmoso. De repente, parece que estudar em Paris não é tão ruim…

Apesar da premissa como um todo ser bem clichê — basicamente é um garota encontra garoto, só que dessa vez na França —, gostei do fato da Anna não querer ir para Paris inicialmente. Há um choque de culturas interessante, e é curioso ver como a personagem é ignorante quanto à cultura francesa, talvez pelos americanos serem centrados demais em si mesmos.

O desenvolvimento da história é um tanto previsível. Eu sabia o que ia acontecer no final, como seria a maior parte dos acontecimentos amorosos e quais seriam os papéis de alguns dos personagens logo que eles foram apresentados. Isso não seria um problema se eu estivesse muito envolvida na parte romântica, por exemplo, mas o hype acabou estragando um pouco do charme do St. Clair — por eu sentir que já conhecia o personagem antes de ler o livro — e eu não sou muito fã da Anna. Como personagem, acho-a boa, bem desenvolvida, mas pessoalmente não estava torcendo por ela nem nada assim.

Para mim, o que salvaria a previsibilidade e os clichês seria um desenvolvimento melhor em alguma parte além do romance. A família de Anna, apesar de aparecer bastante, não é explorada a fundo; os amigos dela estão sempre conversando, mas raramente sobre eles mesmos; e a pobre da namorada do St. Clair fica como a vilã da história quase sem aparecer em pessoa. Se alguma dessas frentes fosse mais desenvolvida, o livro poderia ter saído da mesmice.

Mas o fato é que eu gostei do livro. É bem gostoso de ler e apesar de raramente eu ter ficado ai-meu-deus-preciso-ler-o-próximo-capítulo, eu continuava lendo do mesmo jeito, porque é tão rápido, tão fácil, a leitura flui tão bem… E às vezes é bem isso o que você procura num livro, algo que te leve para outro lugar, para outra história, sem que seja preciso muito esforço.

Para concluir, eu diria que Anna and the French kiss é como um filme de comédia romântica daqueles que não estão entre os seus favoritos do gênero e sobre o qual você tem várias críticas, mas mesmo assim assiste sempre que o pega passando na televisão.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Dear Bully, vários autores

Dear bully

I have no excuse for my terrible actions that day, but I realize now, I struck you because I simply didn’t have the words — the words to express all the pain, the frustration, the feelings of self-doubt, of shame, of embarrassment you caused me.

Encontrei esse livro para baixar por em algum site. Como gosto de coletâneas, e me interesso pelo tema bullying, achei que o livro parecia interessante e baixei sem nem ler a sinopse direito. Isso também porque era de graça — pirateado, ops — e eu raramente leio as sinopses de livros, só passo os olhos. Talvez por isso, encontrei algo um pouco diferente do que esperava.

Eu imaginava que fossem ser contos sobre bullying, ou seja, ficção. Mas são cartas sinceras, histórias de verdade, dos próprios autores, na maioria dos casos. No final, isso não faz tanta diferença, porque as histórias são curtas e por isso não poderiam ser muito desenvolvidas mesmo se fossem ficção. Mas acabou ficando um pouco monótono, com várias histórias repetitivas — afinal, são cerca de setenta autores, e muitos deles usam o formato de carta e falam coisas parecidas, descrevendo o que sofreram e falando como superaram.

Mesmo, assim, há uma certa diversidade. Há vários tipos de bullying: agressões físicas, relacionamentos abusivos, comentários maldosos. E são pontos de vista diversificados: de quem sofreu o bullying, de quem praticou, de quem só observou, de quem ajudou quem sofreu… Para mim, três histórias se destacaram: a de uma garota que relaciona pesadelos que teve com seus relacionamentos abusivos, uma em que a menina conversa com um daqueles robôs virtuais sobre o que ela sofre, e um discurso sobre uma menina que se matou feito por alguém nunca impediu o bullying.

Embora não seja um livro muito inspirador do ponto de vista literário, ele é importante, principalmente para quem sofre bullying. Não sei se bullying é comum no Brasil do mesmo jeito que é nos Estados Unidos, e acho pouco provável que o livro seja lançado aqui, mas é um assunto que não pode ser esquecido, e o livro mostra como ele afeta a vida de tanta gente.

Avaliação final: 3/5

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A ordem de pagamento & Branca gênese, Sembène Ousmane

A ordem de pagamento e Branca gênese

Se, segundo todas as aparências, a desonestidade parecia ter levado a melhor, era obra da época e não de Alá. Aquela época que recusava conformar-se à antiga tradição.

(A ordem de pagamento, p. 59) 

Minha irmã pegou este livro na biblioteca e eu aproveitei e o li também, já que é de um autor do Senegal e não é um país fácil de achar para o desafio volta ao mundo em 80 livros. Meio triste, mas em um ano, este é o primeiro livro africano que eu leio. Aliás, é triste como todos — especialmente as editoras — ignoram a literatura africana. A editora Ática tinha essa coleção de autores africanos, mas acho que ela não é mais lançada. Se não fosse pela biblioteca, minha irmã nunca teria ouvido falar deste livro.

O livro tem duas histórias — eu chamaria de novelas, a editora chama de romance. A primeira, A ordem de pagamento, conta a história de um homem, Dieng, que recebe uma ordem de pagamento do seu sobrinho e sofre para tentar conseguir o dinheiro. Ele precisa de documentos, e para isso precisa de dinheiro, mas sempre que consegue dinheiro divide com as pessoas da sua comunidade. Ele não entende a burocracia no novo espaço colonial. Já Branca gênese trata de incesto em uma sociedade antigamente tradicional, mas agora em crise com seus valores.

Eu gostei bastante da primeira história. Fui ficando angustiada com a demora para conseguir o dinheiro e com como Dieng não conseguia entender o que precisava fazer para consegui-lo. Ou seja, a leitura me prendeu. Já a segunda história eu achei mais complicada. Eu não conheço muitas coisas culturais do Senegal, e embora eu goste de aprender com os livros, também sei que entenderia melhor os livros se conhecesse a cultura antes, e esse é o caso de Branca gênese. A história não é muito especial, se não fosse pelos aspectos culturais que ela traz e que não conheço. E também tem muitos personagens e eu demorei para entender quem era quem.

Enfim, é uma leitura interessante. Apesar de ter algumas dificuldades por aspectos culturais, não é um livro difícil, não tem vocabulário complicado — tem notas de rodapé que explicam termos estrangeiros. Vale a pena dar uma chance para os autores africanos.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Insurgente, Veronica Roth

Insurgente

— Mas se lembre de que, às vezes, as pessoas que você oprime tornam-se mais poderosas do que você gostaria.

Atenção: Esse post contém spoilers do primeiro livro!

Li Divergente há pouco tempo. Não queria esquecer toda a história e ter que reler o primeiro livro antes de ler a continuação, então quando me vi sem saber o que ler, escolhi ler logo Insurgente. Além do fato da minha irmã ter lido a série toda e eu queria poder ler e comentar — criticar, cof cof — com alguém.

A história continua com Tris, Quatro e sua gangue de amiguinhos —ou pais abusivos ou rivais — indo para a sede da Amizade, fugindo da malvada Jeanine. Aí eles acabam não aguentando o clima paz e amor da Amizade e conhecem os sem-facção, que, para a surpresa da alienada Tris, são muito unidos e têm opiniões e planos próprios. Depois, eles acabam percorrendo a cidade toda, conhecendo novas pessoas e não fazendo nada de muito útil — leia-se: Tris e Quatro brigam, Tris e Quatro fazem as pazes, Tris mente para todos e se arrepende depois… Até que o final, seguindo a lógica de quase todo livro de série, tem uma grande aventura para juntar tudo o que foi apresentado antes. Essa pelo menos fez sentido e não foi corrida, diferente da do primeiro volume, e é a única parte da história que me deu vontade de ler sem parar.

Ou seja, a principal qualidade do primeiro livro, a diversão, não está muito presente no segundo livro. Para não falar tão mal assim, não é que seja um completo tédio, se não eu não teria lido em quatro dias, mas não é a mais envolvente das leituras, e quando se tem muitas críticas sobre o livro, isso é bem ruim.

O livro explica melhor algumas coisas pouco desenvolvidas no primeiro volume, como o modelo de facções, como cada uma pensa, ou as simulações, que me pareceram tão estranhas no final do primeiro livro. Mas para ser honesta continuo achando as simulações meio estranhas e o modo de agir da Erudição um pouco incoerente. Eles ficam muito tempo sem fazer nada e poderiam ter sido bem mais inteligentes no plano deles…

De qualquer jeito, minha maior crítica ao livro não é ao enredo ou ao mundo criado pela autora. É aos personagens. Tris se lamenta por ter matado Will e toda hora fica usando metáforas bobas sobre tristeza. Blablablá, o monstro da tristeza quer me matar, mimimi. Não acho incoerente com a personalidade dela ter ficado traumatizada, mas podia ser menos exagerado. Sem considerar que ela está muito mais egoísta nesse livro. Ela pode ficar traumatizada, mas os outros têm que gostar dela logo em seguida e foda-se se eles também estão mal, né? Eu ainda não consigo entender como ela tem traços de Erudição ou de Abnegação — e nem como as pessoas querem ser amigas dela. Se ela é da Abnegação, então as pessoas de outras facções deveriam ser muito mais egoístas que ela, e não me parece que seja assim. A maioria dos personagens secundários é bem mais legal que ela e menos egoísta também.

Se Tris é chata, Quatro é ainda pior. Ele fica toda hora brigando com a Tris no estilo você-não-confia-em-mim, mas adivinha? Ele não confia nela também! Ele não é o mesmo Quatro misterioso e sensato do primeiro livro. E as cenas melosas são tão chatas… Por mim, eles deveriam terminar logo na primeira briga.

Enfim, vi muita gente falando que Insurgente é melhor que Divergente, mas eu achei bem pior. Continuo querendo ler Convergente, mas estou com as expectativas lá embaixo — especialmente porque sei um spoiler então parte do suspense vai perder a graça. Se você gostou médio de Divergente, não morreu de amores pela Tris e está em dúvida se lê ou não Insurgente, eu não recomendaria a continuação da série.

Avaliação final: 2/5

terça-feira, 27 de maio de 2014

O cão dos Baskervilles, Arthur Conan Doyle

O cão dos Baskervilles

— Nada sobre o clube de caça, Watson disse Holmes com um sorriso malicioso , mas trata-se de um médico do campo, como você teve a astúcia de observar. E creio que minhas deduções se confirmam. Quanto aos adjetivos, se não me falha a memória, mencionei afável, pouco ambicioso e distraído. A experiência me diz que somente um homem afável recebe homenagens; só alguém sem muita ambição abandona uma carreira em Londres e vai para o campo; e só um distraído deixaria a bengala, e não o cartão de visitas, depois de aguardar em sua sala por um hora.

                                                                                             (O cão dos Baskervilles, p.5)

Não era a minha intenção ler este livro para o tema dos bichos, mas como Conan Doyle é o autor do mês na Volta ao mundo em 12 livros, O cão dos Baskervilles acabou se encaixando no tema.

Desde que li uns livros da Agatha Christie e não gostei muito, comecei a dizer que preferia Sherlock Holmes e Watson. E de fato prefiro estes personagens aos detetives da autora. Mas os dois últimos livros que li do Sherlock Holmes também não me animaram muito — este e O signo dos quatro.

O cão dos Baskervilles gira em torno da morte de Charles Baskerville. Uma lenda antiga na família dele envolve um cão infernal que atormenta os Baskerville, e perto do corpo de Charles podiam ser vistas pegadas enormes de um cachorro. Sherlock Holmes diz então para Watson investigar o local do crime e fazer companhia ao herdeiro de Charles, Henry, e assim será desvendada a história do cão dos Baskerville.

Eu já tinha visto uma adaptação para o cinema, mas faz tanto tempo que eu não lembrava de quase nada, e não acho que isso tenha estragado a leitura. Isso porque a resolução não é exatamente surpreendente, e provavelmente mesmo se eu nunca tivesse ouvido falar sobre o livro antes eu continuaria achando isso. Só teve uma revelação que eu achei interessante e surpreendente, mais para o começo. E Holmes não demora muito para contar quem é o criminoso, de forma que depois disso, nas cinquenta páginas finais, há pouco suspense.

Então o livro no começo me deixou bem curiosa, mas fui perdendo a curiosidade mais para o final. Sherlock Holmes também ajudou o livro a ficar mais chato, porque apareceu muito pouco. Gosto do Watson, mas a verdade é que ele é um pouco tedioso, assim como a maioria dos personagens secundários, e não se sustenta sem Holmes.

Enfim, não sei se nunca estou no clima para livros policiais mais antigos, porque sou chata demais com eles, ou se só escolhi os errados, mas o fato é que dos últimos que li, só gostei mesmo de A vingança da Cagliostro. Uma pena, porque é um gênero que eu lia bastante quando menor e às vezes tenho vontade de ler mais.

Avaliação final: 2,5/5 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Todo dia, David Levithan

Todo dia

— É só que, sei que parece um modo horrível de se viver, mas eu já vi muitas coisas. É muito difícil ter uma noção verdadeira do que é a vida quando se está num único corpo. Você fica tão preso a quem você é. Mas quando quem você é muda todos os dias, você fica mais próximo da universalidade. Mesmo dos detalhes mais triviais. (…) Você aprende o verdadeiro valor de um dia, porque todos os dias são diferentes.

                                                                                                               (Todo dia, p. 93)

Todo dia, do David Levithan, é um daqueles livros com premissa de ficção científica mas com o foco no romance adolescente. A sinopse já tinha me interessado, e o fato de ser do David Levithan, um dos autores de Nick & Norah, me fez ficar mais curiosa ainda com o livro.

Em Todo dia, A acorda em um novo corpo a cada dia — sempre no de alguém com a mesma idade e perto de onde o corpo anterior estava. Um dia, ele está no corpo do namorado de Rhiannon, e acaba se apaixonando por ela. A partir daí, ele passa a querer encontrá-la sempre e chega a quebrar suas próprias regras a respeito da vida das pessoas dos corpos em que ele vive.

É interessante ver quem A vai ser a cada dia, e o que ele vai fazer com a pessoa — se será um dia normal para ela ou não. A vive uma diversidade de personagens — drogados, transexuais, deprimidos, obesos —, e é bom ver um dia da realidade deles. Também é interessante o fato de A não ter sexo, porque põe em discussão o quanto o gênero é determinado socialmente. Se você não tem corpo, e vive a vida de pessoas dos dois sexos, você precisa ter um gênero determinado?

Porém, por mais que essa parte tenha me interessado, o romance não me agradou muito. A e Rhiannon são entediantes e um tanto genéricos — um pouco como Josh e Emma de O futuro de nós dois. Então, assim como no livro de Jay Asher e Carolyn Mackler, achei a premissa melhor do que a execução.

O livro é envolvente, mas não muito marcante. Sinto saudades de me envolver com os personagens ou de terminar um livro triste por ter acabado e feliz por ter lido algo tão legal — como na leitura de Fangirl e de A idade dos milagres. Ainda quero ler outros livros do David Levithan, mas agora irei com expectativas mais baixas.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Marley & eu, John Grogan

Marley & Eu

Marley era, sem sombra de dúvida, uma dor de cabeça. (…) Ele tinha uma coleção de maus hábitos e maus comportamentos. Era culpado por tudo que fazia de errado. (…) Parte de nossa atribuição como seus donos era adequá-lo às nossas necessidades, mas outra parte era também aceitá-lo como ele era. Não apenas aceitá-lo, mas apoiá-lo e a seu espírito canino indomável.

                                                                                                        (Marley & eu, p. 153)

Sempre achei cachorros muito fofos. Quando criança, era meu sonho ter um, mas acabou ficando só no plano imaginário (saudades, Kita!). Atualmente, ao mesmo tempo em que morro de vontade de ter um bichinho para dar carinho, tenho preguiça e pavor só de pensar no trabalho que eles dão, neles destruindo minhas coisas, babando em mim… É, ter um cachorro não é para mim. Mas continuo gostando de ler sobre o assunto, de procurar fotos de filhotinhos e de assistir programas do Animal Planet.

Marley & eu é, eu acho, o primeiro livro que fez sucesso sobre animais de estimação reais. Depois dele, veio um monte de livros: sobre gatos, cachorros e mesmo papagaios e porcos. Não sou muito fã de não-ficção, mas queria ler Marley & eu pelo sucesso que ele fez e para saber como seria ter um cão. E, bom, continuo achando que não é para mim.

Marley é um labrador muito amoroso, mas muito mal comportado. Ele come tudo o que vê pela frente, só obedece quando quer e é impossível de ser controlado. O livro narra todas as desventuras e momentos de amor com o cão e mostra que ter um cachorro não é fácil. E indiretamente ensina que se você quer ter um, não siga o exemplo de John Grogan. Ele e sua família só queriam um cachorro para ver se conseguiriam cuidar de um, escolheram a raça sem pesquisar antes — e claro, nem pensaram em adotar—, e deixaram o cachorro se machucar várias vezes, tentando conter o seu estresse. Não sei como é realmente cuidar de um cachorro, mas achei que eles maltrataram um pouco o Marley. Mesmo assim, acho que isso corresponde a realidade de muitos donos de cachorro, então é interessante.

Muita gente que não gosta do livro diz que ele fala muito do autor, porque fala dos seus trabalhos e da sua família, mas acho que não dá para esperar outra coisa. Se o livro só focasse na história do Marley ficaria mais entediante, porque não é uma história muito surpreendente. E é interessante ver como a família Grogan é bem típica classe média/alta americana.

A leitura do livro é bem fácil e não entusiasma, mas também não cansa. Não vou morrer de saudades do cão Marley, mas fico feliz por ter conhecido uma parte dele. Mais feliz ainda por ser através de páginas do livro, porque assim ele não pode pular em mim nem babar. Recomendo o livro especialmente para quem já teve cachorros.

Avaliação final: 3/5

terça-feira, 29 de abril de 2014

The fault in our stars, John Green

The fault in our stars

Meu livro favorito era, de longe, Uma aflição imperial, mas eu não gostava de falar dele. Às vezes, um livro enche você de um estranho fervor religioso, e você se convence de que esse mundo despedaçado só vai se tornar inteiro de novo a menos que, e até que, todos os seres humanos o leiam. E aí tem livros como Uma aflição imperial, do qual você não consegue falar — livros tão especiais e raros e seus que fazer propaganda da sua adoração por eles parece traição.

Não costumo ter muito preconceito com autores famosos e “modinhas”, mas desde que o John Green lançou The fault in our stars e o livro virou um sucesso passei a não ir com a cara dele provavelmente por ter visto muitas citações bregas de seus livros, e por outros motivos que inclusive nem sempre são culpa dele. Enfim, o fato é que eu li Let it snow e não gostei do conto dele, mas como não é um livro muito elogiado e é um conto pequeno, achei que teria que ler um romance para poder tirar conclusões mais exatas da obra do John Green. A minha suposição era de que ou eu ia amar e virar fã ou eu ia odiar. E não aconteceu nenhuma dessas coisas. Eu gostei, mas não achei tão incrível assim.

Acho que todo mundo já conhece a história, mas enfim: Hazel Grace é uma adolescente com câncer. Ela conhece Augustus Waters, que teve câncer, e os dois se apaixonam.

O livro trata o câncer de forma diferente de muitos livros, de modo mais sarcástico ou realista e menos lição-de-vida-preciso-fazer-o-bem. Mas isso não significa que o livro não seja reflexivo; ele é. Mas sobre a vida em geral, não sobre tanto sobre o câncer.

O meu problema com o livro é que eu não consegui me conectar com os personagens principais. Eles têm diálogos legais, algumas falas bem engraçadas de verdade, mas não me parece real. Não consigo ver uma pessoa falando desse jeito. Não consigo acreditar em uma Hazel Grace fora das páginas do livro, e ainda por cima não gosto dela nem de Augustus, acho-os pretensiosos e chatos. Isso não seria um problema se, principalmente na segunda parte do livro, a história não precisasse de uma conexão para emocionar. Mas o final trágico sugere que a gente deva ficar triste, e eu não consegui ficar triste porque sabia que eram só palavras sem vida e não conseguia fazer a ponte com pessoas de verdade. Sério, eu me emocionei mais lendo Divergente, e Divergente desenvolveu as mortes em três linhas cada.

É claro que identificação é algo muito pessoal, então não posso dizer que o livro é ruim porque eu não me emocionei até porque outras milhares de pessoas se emocionaram muito e amaram o livro. Mas achei que o romance e os personagens poderiam ter sido mais desenvolvidos, para que eu acreditasse nos personagens mesmo achando-os chatos, para que eu não achasse Hazel, Gus e Isaac muito parecidos entre si. Não sei, mas acho que o hype do livro também acabou tirando um pouco da graça dele. Eu já conhecia um monte de frases, e parecia que eu já conhecia os momentos mais impactantes de Hazel e Gus sem ter lido o livro. Por isso, o destaque para mim ficou com Peter Van Houten, personagem que eu nem sabia que existia. Eu ri lendo as cartas dele e ele é um dos personagens com mais profundidade, ainda que não seja tão explorado.

A leitura, então, teve seus altos e baixos. Gostei bastante do começo, quando a gente é apresentado ao estilo do livro e ao começo do romance. Não gostei muito do final por não ter me emocionado, embora tenha gostado de algumas reflexões e a leitura nunca tenha chegado a ser entediante. Não vou desistir dos outros livros do John Green, mas também não vou lê-los logo.

Ah, e uma última observação: eu li o livro em inglês, mas dei uma olhada na tradução e não gostei muito dela. Se possível, leia em inglês também.

Avaliação final: 3,5/5

terça-feira, 22 de abril de 2014

O fuzil de caça, Yasushi Inoue

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Chorava pela solidão, pela tristeza, pelo pavor. Os três estavam juntos em um mesmo cômodo: minha mãe já morta, o senhor e tia Midori. Vocês dois sentados em silêncio, imersos em seus próprios pensamentos. O mundo dos adultos me pareceu uma insuportável solidão, tristeza e pavor.

                                                                                                      (O fuzil de caça, p. 44)

Li O fuzil de caça por acaso. Minha irmã o pegou na biblioteca e, como ele é muito curto cem páginas, decidi lê-lo também. O livro mostra cartas endereçadas a um caçador, Joseku Misugi, sobre um relacionamento extraconjugal que ele teve.

Eu li o livro sem saber quase nada da história leio as orelhas e a contracapa antes mas logo que começo a ler o livro de fato me esqueço dos detalhes , e me surpreendi bastante com algumas coisas. Devo dizer até que estava achando a história bem mais interessante do jeito que eu estava interpretando pela primeira carta… Mas o fato do livro se separar em várias cartas é o que o torna interessante, porque a gente vai sabendo as coisas aos poucos

Não tenho muito mais o que falar do livro. É uma leitura rápida e não foi marcante para mim. Tem algumas descrições que me parecem tipicamente japonesas, é uma narrativa um pouco parada. Em geral não gosto muito disso, mas em um livro curto não achei cansativo. Vale a pena para quem quer conhecer mais literatura japonesa.

Avaliação final: 3/5

terça-feira, 15 de abril de 2014

Divergente, Veronica Roth

Divergente

— Há décadas, nossos antepassados perceberam que a culpa por um mundo em guerra não poderia ser atribuída à ideologia política, à crença religiosa, à raça ou ao nacionalismo. Eles concluíram, no entanto, que a culpa estava na personalidade humana, na inclinação humana para fazer o mal, seja qual for a sua forma. Dividiram-se em facções que procuravam erradicar essas qualidades que acreditavam ser responsáveis pela desordem no mundo.

Divergente não me chamou a atenção no começo. Costumo me interessar por distopias com críticas mais específicas à sociedade, e esta me parecia meio estranha. Mas aí o livro fez um sucesso enorme, virou filme e eu, curiosa que sou para entender os hypes do momento, quis conferir. Gostei de Jogos Vorazes, quem sabe Divergente é tão bom quanto ele? Infelizmente, não é.

Vamos à história: a sociedade em uma Chicago futurista é dividida em cinco facções: Amizade, Abnegação, Audácia, Erudição e Franqueza. Beatrice tem dezesseis anos e precisa escolher para que facção ela vai. Seus pais são da Abnegação, mas ela se sente egoísta demais para viver lá. Ao fazer um teste de aptidão, seu resultado é inconclusivo, o que significa que Beatrice é Divergente. Ela ainda não sabe o que é isso, mas é algo perigoso e que irá mudar a sua vida.

Acho que a maior parte das críticas ao livro que eu vi — e com as quais concordo — é sobre a sociedade distópica, o mundo criado pela autora. Eu acredito que o mundo possa se dividir em facções? Ok, posso até acreditar. Eu acredito que o mundo se divide em facções para manter a paz? Não, não e não. Sério, não dá. O trecho que eu peguei por exemplo já mostra que as facções são uma furada. As guerras são causadas pelo quê? Por divergências — sem trocadilho, por favor. As facções criam o quê? Divergências — agora com trocadilho. Eu não consigo acreditar que as facções só vão entrar em guerra muito tempo depois de elas existirem, sem entrar em desacordo por só uma delas ter poder político desde o começo. E como as pessoas da Erudição, facção da inteligência, podem ser tão burras? Não me conformo.

Daí, dá para supor duas coisas: ou o mundo criado pela Veronica Roth é meio falho, mal construído, ou ela vai explicar melhor as coisas — que podem envolver manipulação e pessoas de fora dessa sociedade — nos próximos livros, e bom, eu não fico satisfeita com nenhuma dessas visões. Não tenho nada contra trilogias, mas acho que o primeiro livro tem que funcionar sozinho também, tem que ser bom o suficiente para a gente querer continuar lendo os outros, né. Mas Divergente parece ser feito exatamente para virar uma trilogia, para fazer sucesso como Jogos Vorazes. É praticamente uma introdução da história, não o primeiro volume de uma trilogia.

E aí a gente vai para o segundo problema principal do livro: o ritmo. A leitura é rápida e isso é um dos pontos fortes do livro, mas na verdade você lê, lê e nada acontece. Grande parte do livro é a iniciação da Beatrice na facção que ela escolheu, e eu acho legal como esse mundo novo é construído sem pressa. É uma leitura em que nada acontece, mas mesmo assim não te cansa. Mas aí você vê que passou de oitenta por cento do livro e não teve nenhum grande conflito. E, de repente, surge a reviravolta, uma aventura corrida no final e digna de filme de ação que indica o caminho que a trilogia vai seguir. Ou seja, mais da metade do livro é bem devagar, e o final vai rápido demais.

Sobre os personagens, eu não sei bem o que falar. A protagonista é interessante, forte e egoísta — e com consciência disso na maior parte do tempo! —, enfim, realista. E como personagem realista, dá muita raiva dela em uns momentos. Os outros personagens, em sua maioria, são simpáticos, mas pouco desenvolvidos, um pouco sem vida, mas isso é esperado em uma narração em primeira pessoa. Os personagens do bem são parecidos entre si e os do mal também. Fora um personagem, que mudou muito as suas ações e não sei se achei isso coerente.

Depois de falar tudo isso, eu tenho que dizer que, bom, eu gostei do livro. Sendo um pouco menos racional e suspendendo bem a descrença, é uma leitura envolvente e divertida. Não chegou a mexer muito com os meus sentimentos e, entre milhares de distopias, não entendi por que essa fez tanto sucesso, mas faz parte. Não é porque eu não me conectei tanto que outras pessoas não vão amar. Pretendo ler as continuações algum dia — talvez essa semana mesmo, com a história fresca na cabeça — e ver o filme. Aliás, tenho até a impressão de que talvez eu goste mais do filme. Divergente tem muita descrição de lutas e cenas de ação, e eu não sou muito fã disso em livros. Talvez na tela grande tudo fique melhor. Ou talvez os roteiristas mudem muita coisa e a história fique mais estranha e mal explicada ainda.   

Avaliação final: 3/5

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O castelo nos Pirineus, Jostein Gaarder

O castelo nos Pirineus

Não dissemos uma palavra no caminho. Sobre aquilo, digo. Falamos de tudo, mas daquilo não. Tal como antigamente. Não fomos capazes de nos posicionar quanto ao acontecido. E assim nós fomos para o brejo, talvez não você enquanto você, nem eu enquanto eu, mas nós dois enquanto nós dois.

                                                                                            (O castelo nos Pirineus, p. 7)

Tenho uma relação quase de amor e ódio com o Jostein Gaarder. Amo O dia do curinga, gosto bastante de outros três ou quatro, mas achei O mundo de Sofia e Mistério de Natal chatinhos. Gosto de como ele escreve e das histórias em si, mas não gosto de como todos livros dele têm que ter algum aprendizado claro, de como ele apresenta um monte de informações sobre algum assunto no meio do livro, às vezes de modo desnecessário ou forçado.

Como na verdade faz muito tempo que não lia nada dele e o último que li foi justamente O mundo de Sofia, estava com baixas expectativas para O castelo nos Pirineus, também por ter visto várias pessoas falando meio mal dele. Minha irmã o leu antes de mim e não gostou, falou que tinha partes muito chatas. Acho que isso ajudou para que eu gostasse um pouco mais do livro, por estar esperando algo pior, mas também seria errado dizer que eu gostei do livro. Não foi um sofrimento nem uma alegria.

O livro conta a história de um antigo casal que se reencontra trinta anos depois da separação no mesmo lugar que causou o rompimento deles. Eles então começam a trocar uma série de e-mails para discutir a sua relação, como estão hoje e sobre o que causou a tal separação, um acontecimento estranho que eles tinham prometido nunca mais comentar. É este acontecimento que leva a um monte de discussões filosóficas sobre vida e morte, ciência e religião, racionalidade e espiritismo.

A história do livro, por ser contada em forma de e-mails, não é cronológica, e demora um pouco para a gente entender toda a história do casal, mas isso é bom para manter o interesse na narrativa. Eu diria inclusive que a parte final é mais interessante que o começo, em que há bem mais discussões filosóficas e explicações cosmológicas do qualquer outra coisa. Eu particularmente não gostei muito do modo de narração por e-mails porque achei forçado. Você não escreve um e-mail de dez folhas explicando a origem do universo, né? Ou se escreve, escreve tudo de uma vez, não faz pausas para o outro responder e comentar alguma aleatoriedade sobre o tempo ou sobre o que a pessoa está fazendo agora isso claramente para dar uma pausa para o leitor poder respirar. E eles falam tantas coisas do tipo “Está aí agora?” que parece que estão falando por MSN ou algo do tipo, sem entender que a graça do e-mail é que dá para demorar séculos antes de responder. Mas enfim, também sei que a intenção desse livro não é necessariamente ser verossímil…

Achei a história do casal interessante, assim como o debate entre a visão de mundo deles e como ele se encaixa bem na história. No entanto, acho que a discussão filosófica foi longe demais muitas vezes. Se o livro focasse mais no casal, no passado e no presente deles com suas novas famílias e a filosofia ficasse em segundo plano, eu teria aproveitado bem mais a leitura.

Para concluir, devo dizer que grande parte do que eu disse é questão de gosto. Se você gostou de O mundo de Sofia, por exemplo, ou não tem problemas com livros que jogam dados na sua cara no meio da narrativa, provavelmente é um bom livro para você.

Avaliação final: 2,5/5

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Por favor, cuide da Mamãe, Kyung-sook Shin

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Quando ela a repreendia, quase sempre você a chamava de Mamãe. A palavra “Mamãe” é familiar e esconde um apelo: por favor, tome conta de mim. Por favor, pare de gritar comigo e faça um afago na minha cabeça; por favor, fique do meu lado, tenha eu razão ou não. Você nunca deixou de chamá-la Mamãe. Mesmo agora que ela desapareceu. Quando você chama “Mamãe”, quer acreditar que ela está bem de saúde. Que está forte. Que não se incomoda com nada. Que Mamãe é a pessoa que você tem vontade de chamar toda vez que se desespera com alguma coisa nessa cidade.

                                                                                    (Por favor, cuide da Mamãe, p. 24)

Eu tinha vontade de ler este livro desde que ele foi lançado no Brasil. A capa é bonita, a autora é sul-coreana e a temática familiar me interessou. Com o desafio de volta ao mundo em 80 livros, tive mais um incentivo e finalmente pude lê-lo.

O livro é sobre Park So-nyo, uma senhora, mãe de cinco filhos, que desaparece na estação de metrô de Seul. Enquanto tentam achá-la, seus filhos e seu marido relembram de como era a relação entre eles e das coisas que disseram para ela ou que deveriam ter dito.

É uma história um pouco melosa, cheia de arrependimento, culpa e amor. Mas é extremamente real e identificável, o que faz a breguice quase inerente ao tema maternidade se tornar bem aceitável e tocante e não simplesmente barata ou forçada.

A narrativa do livro é feita de forma diferente. Cada capítulo tem o ponto de vista de um membro da família e alguns destes usam a segunda pessoa para tratar do personagem principal no capítulo em questão (como no trecho acima). Apesar de ter entendido que o uso do “você” seja para dar maior identificação com os personagens, não acho que seja tão necessário assim, ou não sei se eu entendi tão bem o motivo o capítulo no ponto de vista do irmão mais velho é em terceira pessoa, e não sei por que é diferente dos outros.

A leitura é rápida e agradável, mesmo tendo momentos tristes e um tom trágico. Você entra rapidamente na história e sai querendo saber mais dos personagens mas sem sentir que faltou algo no livro. Fiquei com vontade de ler mais literatura coreana. Editoras, por favor, tragam mais livros assim para nós.

Avaliação final: 4/5

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sua resposta vale um bilhão, Vikas Swarup

Sua resposta vale um bilhão

Alguns dirão que a culpa foi minha. Que eu não tinha nada que me manter num programa de perguntas e respostas. Vão me apontar o dedo e lembrar o que dizem os velhos de Dharavi: nunca se deve cruzar a linha que separa os ricos dos pobres. Ora, onde já se viu um garçom sem um tostão participar de um teste de inteligência? O cérebro não é um dos órgãos que temos permissão de utilizar. Nós só devemos usar as mãos e as pernas.

                                                                                  (Sua resposta vale um bilhão, p. 10)

Ram Mohammad Thomas acabou de ganhar um bilhão de rupias em uma programa de perguntas e respostas na televisão. Ele respondeu corretamente todas as perguntas, o que deixa os produtores do programa muito bravos, pois eles na verdade não podiam pagar essa quantia. E ninguém achou que um simples garçom de dezoito anos pudesse acertar as respostas. Então ele é preso por suspeita de fraude e tem que contar a história da sua vida para mostrar como acertou cada resposta, desde quando o abandonam em uma igreja e ele é criado por um tempo pelo padre até os acontecimentos que o fizeram participar do programa.

Eu assisti Quem quer ser um milionário? quando ele lançou. Achei legal, prendeu a atenção, mas nada muito marcante. Fiquei com vontade de ler o livro, porque acho interessante ler livros de países de culturas bem diferentes da nossa. Estava com um pouco de medo de eu ir lembrando bastante do filme enquanto lia e que assim a leitura perdesse a graça, mas isso não aconteceu por dois motivos: o primeiro é que minha memória é ruim e o segundo é que os dois são muito diferentes. Tem alguns personagens em comum, mas mesmo esses têm personalidades diferentes, e alguns aspectos da história são parecidos como o fato de ele trabalhar em um momento no Taj Mahal ou de ele e Salim serem treinados para pedirem esmola. Mas o livro também tem muita coisa que não aparece no livro, e vice-versa. No livro, por exemplo, Ram passa por muitos empregos diferentes e conhece muito mais gente  tanto as violentas e corruptas quanto as vítimas dessas pessoas.

A leitura foi interessante. É legal ver algumas coisas da cultura indiana que já tinha visto em outros livros, embora eu tenha ficado me questionando até que ponto essa visão da Índia é realista, porque a história de Ram é tão especial e cheia de coincidências que a gente não sabe se a parte da vida dele antes do programa é muito exagerada ou não. E também não entendi bem qual a moral que é para tirar do livro. Ele termina tão bem que parece que quase contradiz as críticas que faz antes. Algo do tipo “você vai se foder durante a vida inteira, mas no final se você acreditar em si mesmo e for um cara do bem vai dar tudo certo, então não se preocupe!”. É uma história muito pessimista para ter um final tão otimista e praticamente tudo se resolver. Não achei coerente, ou melhor, até achei, já sabia que seria assim, a premissa do livro é meio essa. Mas achei brega.

Eu diria que o que eu mais gostei no livro é o seu formato. Os trechos da vida de Ram são contados e depois vem a pergunta no programa relacionada a eles. Desse jeito, vamos ligando os pontos da vida de Ram lentamente, vendo as coisas de forma não cronológica, e eu sempre ficava me perguntando qual seria a pergunta feita, que coisa do trecho que ele contou teria relação com a pergunta.

Para concluir, não acho que seja um livro para qualquer um. Não é uma leitura leve, por ter violências de vários tipos, mas também não é uma leitura de grande densidade psicológica ou pesada, porque a gente não chega a se envolver tanto assim com as desgraças que acontecem, já que logo vem outra em seguida e você esquece da anterior. Mas vale a pena se você gostou do filme ou se se interessou pela história.

 Avaliação final: 3,5/5

domingo, 23 de março de 2014

As bruxas, Roald Dahl

As bruxas

Ah, se pelo menos houvesse um jeito infalível de perceber se uma mulher é ou não é bruxa! Aí então a gente pegaria todas as bruxas e as passaria pelo moedor de carne. Infelizmente esse jeito não existe. Mas existem alguns pequenos sinais que vocês podem tentar descobrir, pequenos hábitos e gestos que todas as bruxas têm em comum. Se vocês os conhecerem, e não se esquecerem de nenhum, talvez consigam escapar de ser trucidados antes de se tornarem adultos.

                                                                                                               (As bruxas, p. 4)

Eu gostava muito dos livros do Roald Dahl quando menor. Li praticamente todos que tinham em português. Diferente de muita gente, os filmes de Matilda ou de As bruxas não foram tão presentes na minha infância e eu não tenho carinho nenhum por eles. Mas tinha pelos livros. Até que reli Matilda e não achei grande coisa. Então decidi reler As bruxas para ver se eu estava desencantada com toda a obra infantil do Dahl continuo gostando bastante dos contos adultos ou se Matilda, entre as obras mais famosas, era uma exceção.

As bruxas é sobre um menino órfão que mora com a avó, especialista em bruxas. Eles vão passar as férias em um hotel na Inglaterra e acabam trombando com uma reunião de bruxas, que estão fazendo um plano para acabar com todas as crianças. O menino e a avó têm que derrotá-las, mas como fazer isso?

O livro é contado pelo menino e por isso tem uma visão bem infantil do mundo. Ele diz que tomar banho ou ir à escola é chato, por exemplo. Essas opiniões são o que fazem o Roald Dahl ter um diferencial, na minha opinião. As bruxas não é um livro educativo nos modos tradicionais. Claro que ensina alguns valores, mas não tem vergonha em quebrar regras sociais ou em botar alguns adultos como vilões. Isso é legal, mas me incomodou em Matilda, por exemplo, como tudo é sempre muito maniqueísta.

A história de As bruxas é bem simples e divertida e o livro prende a atenção. Não é um livro que me marcaria se eu não tivesse lido antes, e não é o meu favorito do Roald Dahl, mas vale a pena para quem gosta de literatura infanto-juvenil.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 13 de março de 2014

Peixe grande, Daniel Wallace

Peixe grande

Olhei para aquele velho, o meu velho com seus pés brancos mergulhados naquele riacho de águas cristalinas, naquele momento tão próximo ao fim de sua vida, e pensei nele, de repente, simplesmente, como um menino, uma criança, um jovem, com a vida toda a sua frente, assim como eu tinha a minha à minha frente. Eu nunca tinha feito isso antes. E aquelas imagens — o hoje e o ontem de meu pai — convergiram, e, naquele momento, ele se transformou numa criatura estranha, selvagem, ao mesmo tempo jovem e velha, moribunda e recém-nascida.

Meu pai se tornou um mito.

                                                                                                         (Peixe grande, p. 10)

Não sou do tipo de pessoa que acha que o livro sempre é melhor que o filme ou coisa do tipo. É fato que raramente prefiro o filme quando leio o livro antes, mas é bem comum que eu goste mais do filme quando vejo o filme antes, porque já vejo as coisas no universo do filme e sobra pouco espaço para imaginação funcionar. Com Peixe grande eu não sei dizer qual eu prefiro. Mas gostei muito dos dois.

Peixe grande conta a história (ou as histórias?) de Edward Bloom, um homem extraordinário. Amado por todos, não havia nada que ele não conseguisse fazer. É isso que ele conta ao filho, William. Mas William acha que não conhece bem o pai, e quando este está prestes a morrer, ele sente que precisa conhecê-lo de verdade, e assim percebe que as histórias são uma maneira de entendê-lo.

O livro reúne as histórias de Edward, contadas pelo filho em ordem cronológica, com algumas pausas para relatar várias versões do presente, a última conversa entre pai e filho. As histórias são curtas, divertidas e fáceis de ler, mas tem também muita coisa por baixo delas, e a relação entre pai e filho é interessante. É bonito ver as mudanças que William vai sofrendo ao entender melhor o seu pai, e ele não chega a endeusá-lo, o que seria problemático. Ele nos deixa livres para pensarmos o que quisermos de Edward. Eu não lembro tão bem do filme, mas tenho a impressão que o William era mais agressivo do que no livro, em que ele se sente mais frustrado do que bravo com o pai. Além disso, a vida do William parece ser menos explorada no livro, a gente sabe pouquíssimo dele. Este foco no pai está até no subtítulo original do livro: a novel of mythic proportions, que em português virou uma fábula do amor entre pai e filho. Meio brega, mas compreensível.

O fato de eu ter visto o filme me fez gostar mais do livro, porque reencontrar os personagens que eu já conhecia deu um tom de pertencer a história, de rever velhos amigos, algo até nostálgico.

Enfim, Peixe grande é um belo livro que mostra o poder das histórias, e traz reflexões interessantes sobre a construção da memória e também sobre relações entre pai e filho, e vida e morte. Recomendo o livro e o filme.

Avaliação final: 4/5

terça-feira, 11 de março de 2014

Tristão e Isolda

Tristão e Isolda

“Isolda, só vós e o amor me perturbaram e me fizeram perder o senso. Deixei a estrada e eis-me de tal modo perdido que jamais a voltarei a encontrar. Tudo o que os meus olhos veem parece-me sem preço. Em todo o mundo, nada é querido ao meu coração excetuando vós.”

(Tristão e Isolda, p. 49)

Li o livro para minha aula de literatura portuguesa, para estudar novelas de cavalaria. A minha edição não tem nome do autor(!), só da tradutora, Maria do Anjo Braamcamp Figueiredo.

Tristão e Isolda conta uma história de amor proibido. Eles se apaixonam por terem bebido uma poção do amor, mas Isolda tem que se casar com o rei Marcos, e por isso ela e Tristão vivem uma série de encontros apaixonados e escondidos, de suspeitas de traição e respostas espertas para as suspeitas de traição.

O narrador do livro mostra claramente estar do lado dos amantes apaixonados, pois eles não têm culpa de terem bebido a poção. Eu concordo, mas o casal não me inspira muita compaixão. Eles são muito fortes, sagazes, cheios de virtude, exemplos para todos. Completamente tediosos. E melosos. E por isso a leitura foi bem entediante para mim. Não esperava uma história muito complexa, porque é uma lenda antiga e tal, e reconheço a sua importância, mas não é meu tipo de livro.

Avaliação: 2/5

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Festa no covil, Juan Pablo Villalobos

Festa no covil

O Yolcault é meu pai, mas ele não gosta que eu chame ele de pai. Diz que somos o melhor bando de machos num raio de pelo menos oito quilômetros. O Yolcault é dos realistas, e por isso não diz que somos o melhor bando do universo nem o melhor bando num raio de oito mil quilômetros. Os realistas são pessoas que acham que a realidade não é assim, como você pensa que é. Foi o Yolcault que falou. (…) “É preciso ser realista” é a frase favorita dos realistas.

                                                                         (Festa no covil, pp. 10-11)

Esta foi a segunda leitura para o Desafio Literário do Tigre. Não estava na minha lista de opções, mas cheguei no fim do mês e não ia ter tempo para ler os outros. E de qualquer jeito eu tenho o livro e ele também estava na lista de leitura há séculos. Talvez não seja a escolha mais apropriada, porque eu não sei se foi a sinopse ou a capa que me fizeram ter vontade de ler o livro, mas se o livro tivesse a capa feia minha irmã provavelmente não o teria comprado. E vale dizer que a capa é bem mais laranja (quase neon), não esse tom coralzinho da imagem.

Festa no covil conta a história de Tochtli, um garoto filho de um chefão do narcotráfico mexicano. Ele mora em um palácio isolado, conhece pouquíssimas pessoas e sonha em ter um hipopótamo anão da Libéria.

O livro é narrado por Tochtli, então é um narrador infantil falando sobre coisas pesadas, sem ter consciência de tudo o que está por trás dos acontecimentos. Mas, diferente de outras histórias, como O menino do pijama listrado, ele tem mais noção do que está acontecendo e, até certo ponto, vive em um ambiente menos inocente. Por exemplo, ele fala com naturalidade sobre armas, morte e crime.

Festa no covil é um livro curto, com menos de cem páginas, e a leitura é rápida e divertida, mesmo com o tema pesado, com personagens engraçados e situações inusitadas. Então além de ser uma leitura com um conteúdo político mais evidente, também — ou talvez principalmente — entretém.

Avaliação final: 4/5

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O futuro de nós dois, Jay Asher e Carolyn Mackler

O futuro de nós dois

Acho que o site pode ser de verdade diz Emma. E não estou feliz.  

Dá para ver. Mas por quê?

Não responde ela. Estou falando do futuro. Eu nunca vou ser feliz.

                                                                                   (O futuro de nós dois, p. 35)

Emma e Josh eram melhores amigos. Mas Josh queria algo mais, e Emma o rejeitou. A relação deles fica estranha, até que o garoto dá a ela um CD-ROM da AOL e eles acessam sem querer os seus perfis do Facebook do futuro, de quinze anos depois. E descobrem que o futuro deles não é o que esperavam, para o bem ou para o mal, e que cada ação no presente traz muitas mudanças depois.

Me interessei pelo livro por causa da sinopse de viagem no tempo sem ser muito ficção científica. Gosto de temas “fantásticos” misturados com coisas cotidianas, como em A idade dos milagres e Before I fall.

A leitura de O futuro de nós dois é rápida e o livro prende a atenção, mas sinto que o livro poderia ser muito melhor do que foi. Os protagonistas são ok, bem desenvolvidos, mas eu não torci por eles (e acho que isso não teve relação com o fato de eles serem um pouco chatos, porque dava para entender por que eles eram chatos. O que me deixa brava é que vi muita gente falando mal da Emma e bem do Josh, sendo que o Josh também cometeu seus erros e teve atitudes idiotas). Eu não consegui me conectar emocionalmente com o livro, e isso é um problema quando a história é previsível, porque deixa a previsibilidade mais sem graça do que já costuma ser.

O livro também deixa algumas questões em aberto que eu gostaria que tivessem sido mais desenvolvidas. Ele aborda alguns pontos mas não os fecha, como o relacionamentos dos protagonistas com as suas famílias e a história de Kellan.

Apesar desses problemas, como eu já disse antes, o livro prendeu minha atenção. É uma boa leitura para se distrair, quando não se está procurando nada muito sério.

Avaliação final: 3,5/5

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Em chamas, Suzanne Collins

Em Chamas

Atenção: Esse post contém spoilers do primeiro livro!

Tenho saudades da minha antiga vida aqui. Nós mal conseguíamos nos manter vivas, mas sabia onde me encaixava, sabia qual era o meu lugar na trama bem-urdida que era a nossa vida. Gostaria muito de poder voltar para cá porque, olhando o passado, ela parece tão segura em comparação à que vivo agora, sendo tão rica e tão famosa e tão odiada pelas autoridades da Capital.

                                                                                                           (Em chamas, p. 13)

Em 2010, li Jogos vorazes. Gostei bastante, mas é do tipo de livro que se gosta enquanto lê, que não dá para largar. Depois de ler, eu meio que já esqueci dele. Quer dizer, não consegui esquecer, porque o livro foi um sucesso, virou filme, etc e tal. Continuei com a vontade de ler os outros volumes, mas não tão grandes assim para comprar o livro. Descobri que tinham muitos exemplares nas bibliotecas municipais, mas eles quase sempre estavam pegos onde eu e minha irmã frequentamos. Aí um dia, por sorte,minha irmã achou um exemplar na biblioteca.

Em chamas mostra Katniss e Peeta como vencedores dos últimos Jogos. Eles têm que fazer uma viagem entre os distritos, a Turnê dos Vitoriosos, e Katniss vai percebendo que, graças a ela e a seu gesto desafiador, as coisas não estão muito bem para a Capital. Há uma chance grande de ocorrerem levantes e rebeliões nos distritos. O clima de repressão aumenta, então, até ser anunciada a próxima edição dos Jogos Vorazes, com tributos vencedores das edições anteriores. Sem opção, Katniss tem que entrar na arena novamente, sem saber se vai voltar de lá.

Bom, o livro começa com uma parte mais política e também mais sentimental. Katniss fala sobre como estão suas relações com as pessoas do seu distrito depois que voltou dos jogos, se encontra muito confusa em um (entediante e previsível) triângulo amoroso e não sabe o que fazer diante das ameaças da Capital. Esta parte é interessante, mas achei um pouco arrastada demais, porque a Katniss estava muito egoísta e indecisa (fazia um plano se achando a gênia, aí mudava de ideia porque percebia que o plano era ruim) e fiquei com mais raiva dela do que já fico normalmente.

Fiquei ansiosa esperando pelos Jogos mas eles demoraram muito para chegar e passaram muito rápido, além de não serem especialmente marcantes (mas eu não sei o que eu estava esperando, porque também não acho os jogos no primeiro livro grande coisa). O que valeu a pena foram os novos tributos, com personagens interessantes como Finnick, Johanna e Mags, que mesmo não sendo muito desenvolvidos têm o seu carisma.

Acho que o livro é uma boa sequência, realmente não parece ter sido feita só por dinheiro ou algo assim. Tem algumas coisas que eu achei estranhas/forçadas ou não gostei, especialmente o final, mas talvez o terceiro volume deixe algumas coisas mais claras.

Enfim, acho que o livro cumpre bem o seu papel de entreter e traz também alguma reflexão. O fato de Katniss ser a narradora meio que me irrita e imagino que se eu provavelmente lesse todos os livros em sequência ficaria muito de saco cheio dela, mas mesmo assim o livro conseguiu me prender, porque eu estava curiosa para saber como ia terminar. Talvez se eu tivesse visto o filme antes o livro perderia a graça. Quero ver se a leitura do último volume será pior porque já sei de alguns spoilers…

Avaliação: 3,75/5 (eu não sabia se dava 3,5 ou 4)