Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Trash, Andy Mulligan

Trash

Meu nome é Raphael Fernández e sou um garoto do lixão.
(...)
(...) passar a vida remexendo o lixo, respirando aquele fedor, dormindo ao lado dele — bom... Talvez um dia você encontre "alguma coisa legal". Ah, sim.
Um dia eu encontrei.

Conheci Trash olhando a estante de infantojuvenis da biblioteca. Estava na seção de novidades, e fiquei curiosa para saber sobre o que era. Mas, com essa vida de preciso-ler-livros-que-todo-mundo-comenta, acabei deixando-o de lado por um tempo, até que saiu o filme, com o Selton Mello e o Wagner Moura e pude entender um pouco mais da história pelo que a crítica comentou do longa. Ainda demorei bastante para ler o livro após isso, porque ele não era uma das prioridades na interminável fila da biblioteca. Mas o dia chegou e pude acabar com minha curiosidade.

Eu tinha a impressão de que o livro focaria na vida cotidiana dos meninos do lixão, e era isso que tinha me dado a vontade de ler, mas na verdade é uma história de investigação, e o lixão é o pano de fundo e de onde a aventura começa. Mesmo assim, como minhas expectativas não eram altas, acabei gostando mais do livro do que esperava: foi uma leitura divertida e que prendeu a atenção.

Trash traz um tom forte de crítica social, tratando de desigualdades sociais e de corrupção —  não é à toa que fizeram o filme se passar no Brasil. Achei as críticas pertinentes, mas às vezes falta profundidade e elas beiram a ingenuidade: quase um maniqueísmo pobre-bom/rico-ruim.

O trabalho gráfico, como é esperado de um livro da Cosac Naify, é interessante, com uma fonte diferente para cada narrador (vou fingir que não reparei isso só na metade do livro), mas a grande quantidade de narradores, embora importante para a história, não é muito distinta entre si. No geral, é um livro mais de acontecimentos que de personagens.

Enfim, Trash é uma aventura juvenil interessante que se passa em um ambiente menos convencional. Tem alguns aspectos que me incomodaram na obra, mas recomendo a leitura para quem se interessar. Ainda não vi o filme, pretendo assistir algum dia para ver de que modo o Brasil é retratado na história.

Avaliação final: 3,5/5

sábado, 17 de outubro de 2015

Retrospectiva: setembro

• Setembro passou rápido, muito rápido. Tão rápido que não anotei nada para comentar na retrospectiva, então o post vai ser pequeno. O fato é que foi um mês bem típico, com poucas coisas além da rotina cansativa estágio-faculdade. Quero férias, por favor.

• Li essa conversa da Sofia sobre Harry Potter e a Câmara Secreta e achei muito legal. Harry Potter é um assunto inesgotável e embora eu particularmente não pense muito fora do que é canon, é interessante ver observações de outras pessoas sobre esse universo. Além disso, adoro o formato do post, fácil de ler e de prestar atenção — se fosse em formato de podcast, sei que eu nunca ouviria… Agora eu fiquei com vontade de reler Harry Potter, óbvio (comecei a reler há uns dois anos e parei no terceiro. Preciso voltar) e de participar de um clube do livro que renda conversas como essas. Quem sabe ano que vem eu invista nisso. Quem sabe…

Em setembro:

Eu vi… o primeiro episódio de Shirokuma Cafe, um anime sobre um urso polar que tem um café e seus clientes, especialmente o panda e o pinguim. É completamente nonsense e adorável, e era tudo o que eu precisava assistir naquele momento. Não sei como a série vai conseguir se sustentar em cinquenta episódios sem se tornar repetitiva, mas pretendo assistir aos poucos.

Shirokuma Cafe(finjo que não tenho tempo para o blog, mas na verdade…)

Eu li… Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente. É o segundo livro da lista da Rolling Stone de melhores YAs que eu leio nesse ano, sendo que eu tinha a meta de ler seis. Claramente não vou cumpri-la, né?

Eu ouvi… lançamentos! Tomei vergonha na cara e tentei ficar por dentro das novidades do momento. Ouvi o 1989 do Ryan Adams, o novo do Beirut e o primeiro álbum da Halsey, que está sendo muito comentada. Não tenho grandes considerações para fazer porque o que acho de música varia muito com o meu humor.

Eu escrevi… vários rascunhos de resenhas no papel, mas postei menos no blog do que gostaria. Ou seja, estou cheia de resenhas atrasadas, porque tenho preguiça de pegar as minhas anotações e transformá-las na resenha propriamente dita. Mas isso vai acontecer. Algum dia no futuro, mas vai acontecer.

Eu comi… bolo. Foi meu aniversário, então teve bolo para comemorar.

Eu fui… ao cinema, três vezes. A primeira para assistir Princesa Arete, em uma mostra de anime no MIS, a segunda para ver Que horas ela volta?, que está sendo muito comentado (eu particularmente adorei, mas entendo algumas das críticas — as da esquerda, não as das patroas indignadas), e por último vi Thelma & Louise em uma mostra de garotas armadas no Cinusp (queria ter visto mais filmes dessa mostra, também passou O silêncio dos inocentes e o último Mad Max, mas não gosto de sair vários dias em seguida).

Eu comprei… chocolate. Porque não comprei mais nada de importante e sempre compro chocolate.

Eu fiz… um trabalho muito chato de Filologia. Filologia foi eleita por mim como a matéria mais chata da faculdade até agora, e ainda por cima estou fazendo com um professor chato e machistinha do nível que faz piadas sobre mulher não saber dirigir.

No blog:

A primeira resenha do mês foi de Suíte em quatro movimentos, primeiro livro da Ali Smith que leio e já terminei com vontade de ler mais dela.

• Em seguida postei a retrospectiva de agosto, ilustrada por grandes sabedorias de MasterChef.

• Postei também uma resenha curtinha e sem graça de Um gato indiscreto e outros contos, livro que li no começo do ano, demorei mais uns três meses para escrever a resenha e mais um tanto para publicá-la.

• Continuo atrasadíssima com a seção de últimos filmes que eu vi, dessa vez escrevi sobre alguns filmes que assisti em fevereiro e março… 

• A resenha para o Desafio Literário Skoob foi de Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente.

• Por último, fiz comentários sobre MasterChef Brasil, porque não devo excluir os reality shows da lista se quero escrever sobre tudo que leio e vejo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Caixa de pássaros, Josh Malerman

Caixa de pássaros

O quarto está escuro. A única janela está tapada com tantos cobertores que, mesmo em seu auge, a luz do sol não consegue entrar. Há dois colchões, um em cada canto do quarto. Acima deles há domos negros. Muito tempo atrás, a grade de arame que sustenta o tecido era usada para cercar o pequeno jardim próximo ao poço, no quintal da casa. Mas, nos últimos quatro anos, ela serviu como armadura, protegendo as crianças não do que poderia vê-las, mas do que elas poderiam ver.

Caixa de pássaros é um lançamento da Intrínseca do começo do ano. Eu vi várias resenhas positivas e o ar de suspense da história me deu vontade de ler. Descobri que o livro tinha chegado na biblioteca pouco antes de outubro, então aproveitei a leitura para o Desafio Literário Skoob, tema terror. Não sei se eu diria que é um livro de terror de verdade, para mim está mais para um thriller pós-apocalíptico/distópico, mas as outras opções que tenho também não são livros muito assustadores, então fico com esse mesmo.

O livro se passa em uma sociedade pós-apocalíptica, em que as pessoas que veem certas coisas misteriosas ficam loucas e se matam. Ninguém sabe o que exatamente causa a loucura. Ninguém sabe como parar com isso. A solução, portanto, é tentar não enxergar o que quer que seja que deixe as pessoas loucas. Os sobreviventes se trancam em suas casas e só saem delas vendados, tendo que lidar com os problemas de uma sociedade em extinção.

O foco da história é Malorie e a narração se divide em duas partes: presente, no qual somos colocados direto na (pouca) ação, e passado, que é a explicação dos acontecimentos que levaram ao presente. Como quase toda história dividida, tem uma parte bem mais interessante que a outra. No caso, gostei mais da parte do passado, que tem mais personagens e acontecimentos mais dramáticos. O fato é que não consegui empatizar muito com a protagonista e com seus dramas, então não me importava com o que aconteceria com ela.

Aliás, esse é um problema comum em livros de suspense. Eu não consigo me apegar aos personagens, a escrita nem sempre é incrível nem nada do tipo, parece que só estou lá pela ação e tudo bem, isso é mais que o suficiente enquanto leio, mas depois quanto mais penso sobre o assunto, mais o livro parece descartável. Li, me diverti, esqueci. Às vezes é o que a gente precisa, por isso a minha avaliação boa, mas acredito que existam livros melhores nesse quesito também.

Em resumo, eu diria que Caixa de pássaros é uma mistura de Ensaio sobre a cegueira com A estrada, escrita no estilo do Stephen King (podem colocar isso na capa do livro, pena que não é uma definição muito comercial). O desespero em relação à cegueira está na história, embora de forma mais branda que no livro de Saramago; a jornada do pai da narrativa de Cormac McCarthy é semelhante à de Malorie, escrita de forma menos tediosa bonita, e Josh Malerman consegue criar tensão assim como King, apesar de ter um estilo próprio menos desenvolvido. Como disse antes, o livro cumpriu seu propósito de entreter, mas também não se sobressaiu dentre os outros do gênero.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente, Sherman Alexie

Diário absolutamente verdadeiro

Ser pobre é um saco, e é um saco saber que, de alguma forma, você merece ser pobre. O cara começa acreditando que é pobre porque é burro e feio. Depois começa a acreditar que é burro e feio porque é índio. E como o cara é índio, ela começa a acreditar que está destinado a ser pobre. É um círculo feio e o cara não pode fazer nada para sair dele.

A pobreza não dá forças a ninguém, nem dá lições de perseverança. Não, a pobreza só ensina o sujeito a ser pobre.

Conheci Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente pela Folhateen (saudades!), antigo caderno adolescente da Folha de São Paulo. De lá até eu de fato comprar o livro, foram necessários alguns anos e uma promoção na Americanas, com o preço de 4,90. Disso até eu lê-lo, foi preciso de mais alguns anos e do tema de livros banidos do Desafio Literário Skoob. Tem alguns livros que a gente compra e se arrepende logo depois, ou perde um pouco a vontade de ler. Não foi o caso de Diário absolutamente verdadeiro… Eu só demorei para ler porque às vezes acontece isso, eu demoro para ler mesmo. E, felizmente, não me decepcionei com a leitura.

Ao contrário do que o nome indica, não é um diário absolutamente verdadeiro. É ficção, mas baseada na vida do autor Sherman Alexie. O protagonista, Junior, compartilha várias das características do escritor, mas não podemos saber até que ponto aquilo aconteceu de verdade ou não. Basicamente, o diário conta o cotidiano de Junior em uma reserva indígena Spokane, suas relações com a família e os amigos e sua mudança para outra escola, fora da reserva, de alunos brancos. Junior é o primeiro índio da sua reserva a ir para fora desse jeito e isso trará vários conflitos durante a narração.

A narrativa de Junior, em primeira pessoa, é muito honesta, e ele fala sobre tudo sem pudor. Por isso, o livro não esconde temas como pobreza, violência, racismo, distúrbios alimentares, alcoolismo, sexo — e masturbação. Como resultado, algumas bibliotecas americanas acharam melhor banir o livro, por que é lógico que se os adolescentes não lerem sobre esses assuntos, eles vão ser protegidos e nunca terão que lidar com isso de outra forma, não é? Só que não.

Eu gostei bastante do Junior, porque ele é bem humano. Fiquei irritada com a forma que ele fala de mulheres, mas a sua sinceridade me conquistou e não tive como não torcer por ele. Algumas pessoas reclamaram da falta de verossimilhança da história, especialmente no final, mas não posso julgar isso, porque não sabemos se esses acontecimentos foram reais ou não e é bem verdade que a vida é muito mais inverossímil que a literatura. Dito isso, tenho que concordar que alguns aspectos ficaram um pouco soltos na narrativa, sem muito desenvolvimento.

A leitura é bem rápida e alterna momentos divertidos e tristes. Junior gosta de desenhar, então o livro é recheado de ilustrações e quadrinhos. Acho importante ressaltar a representatividade da história: é o cotidiano de um índio nos dias de hoje, escrito por um índio. Inclusive fiquei curiosa para ler os livros adultos do autor, que também exploram o assunto.

Avaliação final: 4/5

sábado, 12 de setembro de 2015

Um gato indiscreto e outros contos, Saki

Um gato indiscreto

Os médicos concordam em me receitar descanso absoluto, total ausência de exaltações mentais e evitar tudo que seja parecido com exercícios físicos violentos”, anunciou Framton, que era vítima da falsa impressão bastante comum de que perfeitos estranhos e recém-conhecidos anseiam por saber os mais ínfimos detalhes de nossas doenças e enfermidades, suas causas e sua cura.

Conheci Saki por um professor da faculdade, que discutiu dois contos do autor em sala. Já disse algumas vezes aqui o quanto eu sou fã de contos, mas também já repeti que a leitura de antologias é mais difícil para mim que a de romances. Portanto, não é nenhuma surpresa que eu tenha começado o livro no ano passado e terminado neste. E nem que eu esteja postando a resenha muito tempo depois de ter terminado o livro. Resenhar livros de contos também não é uma tarefa fácil para mim.

Os contos de Um gato indiscreto e outros contos têm como uma das características principais a mistura de humor e de toques macabros. A sociedade britânica da época, entre o século 19 e o 20, é ironizada com clareza e de forma decidida, mas confesso que não entendi alguns dos contos que focam mais na parte histórica.

Embora algumas histórias sejam previsíveis, os contos do Saki funcionam bem dentro da teoria do conto e, como diria Cortázar, ganham por nocaute. Os contos são bem escritos, o autor usa o mínimo possível de frases para dizer o máximo que ele consegue e já começam a conquistar o leitor a partir das primeiras linhas — claro que isso é subjetivo, especialmente considerando que dizem isso do Poe também e acho os contos dele um saco.

O estilo do Saki me lembra dos contos do Roald Dahl, porque os dois usam ironia e humor negro. Para fãs de contos desse tipo, recomendo a leitura.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Retrospectiva: agosto

• Agosto foi a volta às aulas. Estou conseguindo me manter bem trabalhando e estudando ao mesmo tempo, até porque meu estágio é só de quatro horas e na universidade, perto de casa, mas meu desânimo com a faculdade em si não acabou. É curioso, porque quando converso com quem é de fora, tento defender a Letras, porque na teoria gosto muito do curso, mas quando falo com as pessoas de lá, eu sou desânimo total. Não é nem problema de decepção, de professores ruins ou de aulas chatas — claro que isso tem de monte também. É só que enjoei da rotina, cansei de ler os textos teóricos, mesmo de assuntos do meu interesse. Só tem uma aula nesse semestre que me deixa animada. Mas, naquele pessimismo-otimismo, estou melhor que muita gente, por que deve ter quem não se anima com nenhuma, né?

Jiang

• Agosto foi mês de BEDA e um monte de gente decidiu participar. O resultado foi ótimo para os leitores de blog viciados como eu. Descobri alguns blogs legais no caminho, embora continue com a resistência a alguns blogs pessoais e profissionais (ou wannabe profissionais) ao mesmo tempo, e me apeguei mais a outros que já lia há algum tempo. Eu poderia ter indicado um post de cada blog para colocar aqui, mas acabei não fazendo isso, e de qualquer jeito ia parecer meio stalker citando blogs que nunca nem comentei. Então selecionei só dois, como representação, por motivos pessoais mesmo: esse post da Anna Vitória sobre o primeiro dia de trabalho dela que de certa forma definiu o meu e esse da Ana Luísa, uma resenha de Toda luz que não podemos ver que acaba falando de cegueira e de avaliação de livros (também sou rainha das 3 estrelas). 

• Com todos os posts legais e vendo os blogs unidos, entrei naquela crise bloguística que é comum eu ter. Tipo “eu escrevo para quem?”, “qual deve ser o foco do meu blog?” e coisas assim. Porque tem dias que eu quero ser mais séria, com resenhas mais críticas, e tem outros momentos em que só quero escrever qualquer besteira que vier na minha cabeça. O resultado é que o blog não segue bem um padrão, ficando difícil para atrair potenciais leitores — o fato de eu me divulgar pouco não ajuda também. Mas eu gosto do Please, Sir, I want some more assim, com esse nominho tosco dele, imagens amadoras e sem precisar ficar me podando para agradar as pessoas. Ao mesmo tempo, tão bom receber comentários e me sentir lida, né? E, adivinha só, arranjei uma solução. A Revista Pólen estava procurando colaboradores, eu me inscrevi e fui aceita! Escrever para outra coisa além do blog vai ser bom para treinar a minha escrita e estimular a minha criatividade, e fico até orgulhosa em participar de um projeto com pessoas tão legais, muitas que eu já acompanhava faz tempo pela internet.

• A internet e a USP são um ovo (de onde veio essa expressão?), parte I: eu disse que entrei para a Pólen, né. Aí que tem mais três pessoas que fazem Letras na USP na revista, é claro, porque tem tanta gente na Letras que acaba sempre tendo um conhecido — e tem tanta gente na Letras que quando alguém invariavelmente pergunta se você conhece fulaninho, que também faz o seu curso, a resposta mais provável é não. São cerca de oitocentas pessoas por ano, sabe. Aí, um dia, estava chegando atrasada na aula de Estudos de cultura, a tal aula que eu gosto, quando sentei bem ao lado da Milena, uma das editoras da Pólen. E felizmente ela me reconheceu, porque se não eu teria passado muito tempo nervosa reunindo coragem para dizer alguma coisa. Ah, a timidez…

• A internet e a USP são um ovo, parte II: um dia depois disso, estava eu “trabalhando” lendo o site da unidade onde eu trabalho para passar o tempo sem deixar na cara que estava sem fazer nada. Eu olhava uma lista de cursos e nela tinha o nome dos estagiários de uma área. Aí eu vi o nome de um amigo meu do Neopets. Eu até desconfiava, porque: 1- uma vez falaram o sobrenome dele no trabalho 2- eu sabia que ele fazia Relações Internacionais na USP 3- os estagiários daquela área são de RI. Mas daí para ter certeza era outra história. E eu tive certeza vendo o nome completo. Eu não falo com o tal garoto há uns cinco anos, no mínimo, e nem era tãão íntima dele, então nem vou falar nada a respeito, mas é curioso: com uns treze anos,  a gente estava com uma distância de centenas de quilômetros e conversava bastante; hoje, com vinte anos, só um andar nos separa, mas não sinto que o conheço mais. Até onde eu sei, a gente ainda não se cruzou no prédio. Ainda. Se eu o ver, não vou dizer nada, mas na minha cabeça estarei tipo “oi, você é o *insira o nome de usuário aqui*, lembra de mim, a zuleika__armstrong/Marília Barros?”. Ah, o Neopets… Que grandes momentos da minha vida vivi nesse site.

• Em agosto vi várias pessoas falando em blogilates, um método para fazer pilates em casa. No começo achei engraçado, não sou muito fã dessa onda fitness, mas aí fiquei curiosa e decidi experimentar. Só consegui fazer um vídeo porque em casa é difícil ter espaço, tempo e um computador disponível ao mesmo tempo. E percebi que continuo péssima no meu condicionamento físico. Na escola, eu fazia aula de circo, que tinha vários exercícios de pilates, alongamento e coisas assim. E eu era péssima, mesmo me esforçando. Sou a pessoa que treinou dar estrela dos cinco aos dezoito anos e nunca aprendeu. Mas, em um espírito de superação que é só da boca para fora, decidi ser um pouco mais saudável. Comecei a subir e descer de escada os três andares do prédio do trabalho em vez de ir de elevador, decidi que vou voltar do trabalho a pé um dia de semana, esse tipo de coisa. E vou voltar a treinar malabarismo, para conseguir jogar com três bolinhas e ter a sensação de dever cumprido e de que com esforço a gente alcança, etc. (mas gente a meritocracia é uma falácia, treinei muito mais malabarismo que alguns colegas e era/sou muito pior que eles, socorro). E é claro que nem fiz/comprei as bolinhas de malabarismo ainda. Em resumo, meu condicionamento físico (e minhas habilidades, e tudo o que envolve exercício…):

Jacquin

• Eu estava organizando meus materiais escolares antigos quando encontrei alguns cadernos de desenho velhos. Joguei um monte de coisa fora, porque há limites para guardar os bonecos de palito ou vários desenhos iguais, mas mantive muita coisa, ri muito de algumas ideias que tive e fiquei tão nostálgica… Hoje eu quase não desenho, porque sinto que perdi minha criatividade, mas a verdade é que fiquei autocrítica demais, porque não é como se antes eu fosse uma grande artista, eu só não tinha vergonha de desenhar bichinhos fofinhos e coisas simples. Vou tentar abraçar meu estilo de arte bonitinho e ordinário, porque o que importa é se eu gosto, não se é bom. E sei que no futuro vou voltar a esses desenhos e rir muito do que eu fazia, o que é sempre bom — é para isso que escrevo um blog, para ter um misto de vergonha alheia de mim mesma(?) e nostalgia no futuro. No momento é só vergonha, mas quando a distância temporal aumentar. quem sabe…

Em agosto:

Eu vi… o primeiro episódio de Criminal minds de um DVD com os pilotos de algumas séries de brinde que estava há muito tempo — na época em que se davam DVDs de brinde — em casa. Gosto bastante da série, mas é muito raro eu ver séries procedurais(?) em ordem, eu acabo vendo os episódios aleatoriamente na televisão mesmo. Eu simplesmente não sirvo para ver série. E vendo o tal episódio eu fiquei com vontade mesmo é de assistir a terceira temporada de Hannibal, já que é a última, e fingir que eu presto para isso. Aí Hannibal seria a terceira série que eu assistiria do início ao fim (só Lost e The O.C. tiveram essa honra).

Eu (não) li… nenhum livro da minha estante. O ser humano tem mesmo belas capacidades de ser trouxa. Eu e a biblioteca, a biblioteca e eu — e a pilha de centenas de livros meus se acumulando…

Eu ouvi… CDs inteiros no meu iPod, e é ótimo perceber que embora no computador eu nunca sei o que escutar dentre as milhares de opções, eu gosto mesmo da maioria das músicas que tenho, é só estar no clima certo para ouvi-las.

Eu escrevi… a minha estreia na Revista Pólen, De caixas de lápis e vivências escolares, falando um pouco sobre detalhes e coincidências que ajudam a definir a minha identidade pela literatura.

Eu comi… comida chinesa no Chi Fu, para comemorar o aniversário da minha mãe. Eu gosto muito de comida chinesa, mas estou frustrada porque meu restaurante favorito fechou e nenhum outro tem um yakisoba parecido #classemédiasofre. Mas é bom variar os temperos (o triste é saber que não dá para voltar para o seu preferido) e o Chi Fu vale a pena. E estou esperando a Jiang, do MasterChef, abrir um restaurante, porque eu com certeza iria.

Eu fui… à Liberdade, comer no Chi Fu (dã), e aproveitei para comprar doces asiáticos. Queria ter comprado mais coisa, mas a Liberdade no fim de semana é muito cheia e odeio multidões. Só fui em uma lojinha menor e comprei dois pacotes de balas. O da esquerda é uma bala dupla de cubinhos azedos de fruta, com gosto de infância, embora eu não me lembre claramente de ter experimentado antes. O da direita é coreano, de uma bala de framboesa bem gostosa. Os dois foram aprovados, mas não viraram favoritos e não pretendo comprar de novo em um futuro breve.

037 (às vezes penso em virar blogueira de guloseimas, mas aí vejo a qualidade das fotos que tiro e desisto)

Eu comprei… três livros. Teve BookFriday na Amazon, né. E tinha vários livros por menos de dez reais, né. E os da editora Record que eu queria ler não tinham na biblioteca, né. Aí comprei mesmo sem saber muito sobre eles, vou fazer o quê? Já estavam no meu Skoob faz tempo, naquele estilo achei-a-capa-legal-então-marquei-para-ler. Se não gostar eu troco. Os livros são Colmeia, O condado de Citrus e O peculiar.

Eu fiz… cookies, com a minha receita amada de misturar os ingredientes e colocar no forno. Usar batedeira ou liquidificador é muito avançado para mim e morro de preguiça. O resultado é que acabo fazendo coisas não tão boas e mais fáceis, mas desses cookies eu gosto bastante.

E finalmente acabou! Eu não sei se alguém além de mim gosta de ler essa prolixidade toda, mas eu me divirto escrevendo, então é isso.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Suíte em quatro movimentos, Ali Smith

Suíte em quatro movimentos

Isso, Caroline diz, e é por isso que eu quase fico feliz que tenha acontecido uma recessão, desculpa Jen, porque de repente ela vai sacudir um pouco desse dinheiro estúpido que está tipo nos mercados financeiros pra cair em cima da arte de que ele não para de falar. O tipo de arte de que você fica falando, em que as pessoas se enfiam em caixas de vidro numa galeria e deixam os outros olharem, ou vendem tudo que têm, ou tiram um molde do buraco de uma rosquinha com gesso e chamam de O Buraco De Dentro De Uma Rosquinha, ou enchem o tronco de uma árvore velha de concreto e chamam de sei lá o quê, é tudo vigarice. Arte. Arte nunca mudou nada. E ponto. Ponto final. Me mostre alguma coisa que uma suposta obra de arte já fez, qualquer coisa mesmo, a não ser deixar as pessoas com dor de cabeça.

Lá estava uma garota entediada procurando por livros para download na internet. Ela baixa quase tudo que parece minimamente interessante, mesmo que não vá ler depois. É assim que uma versão em PDF de There but for the, da escocesa Ali Smith, vai parar no seu computador. Um dia, fazendo uma limpa nos arquivos, ela deleta vários livros. Pensa que o tal livro da Ali Smith seria muito experimental para o seu gosto e que por isso ela acabaria não lendo. Ela o apaga do computador.

Mas um dia o tal livro é traduzido para o português, com o título de Suíte em quatro movimentos. A garota vê vários elogios a ele e a sua autora, e bem que ela quer mesmo ler mais ficção contemporânea de mulheres. Ela descobre que o livro era aquele There but for the, acha engraçado e fica feliz que terá a oportunidade de descobrir sobre o que é, porque, entre os oitocentos livros baixados e deletados do seu computador, poucos serão efetivamente lidos. Quando surge a oportunidade, ela aluga o livro na biblioteca.

Pra falar a verdade, eu me sinto uma farsa tentando imitar o estilo da Ali Smith.

O fato é que eu não sabia se gostaria de Suíte em quatro movimentos. Como disse antes, tinha medo de ser muito experimental, muito cabeça para mim. E tem muita coisa que eu não entendi e não sei exatamente o que a autora quis dizer com a história? Lógico que sim. Mas, como diz Clarice Lispector, não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Porque a história que a autora conta e os personagens que ela cria valem muito a pena. Cada parte da narrativa foca em um personagem, quatro no total, todos envolvidos de alguma forma com Miles, o homem que se tranca em um quarto em uma casa de pessoas que ele acabou de conhecer. A gente não sabe muito de Miles, mas vai juntando aos poucos as pistas e reunindo a visão dos outros personagens sobre ele. No final, muita coisa continua sem resposta, e se você procura um livro em que tudo se resolva, bom… Pode passar longe desse.

As quatro partes do livro têm estilos diferentes, mas sempre recheadas de brincadeiras e reflexões sobre a linguagem. Eu disse que deletei o livro do computador, mas baixei de novo só para poder comparar os trocadilhos e piadas. Como quase toda tradução, alguma coisa se perde e outras se ganham. Não entendi algumas piadas em português, mas achei outras melhores que as originais, por exemplo.

Acho que minha parte favorita foi a cena do jantar, da qual eu selecionei o trecho lá em cima para mostrar. O contraste entre o ponto de vista dos quatro personagens selecionados, pelos quais nutrimos alguma simpatia, e os outros participantes do jantar, todos fúteis e caricatos, é notável, e a cena toda é muito engraçada. A história do que aconteceu com o Miles, de como ele ficou famoso por não sair do quarto e as pessoas passaram a se reunir aguardando o glorioso momento de sua saída, é também de um absurdo que me tirou muitos sorrisos durante a leitura.

Para mim, algumas partes de Suíte em quatro movimentos se alongaram mais do que deviam, e o foco em Greenwich certamente não é tão bem aproveitado para pessoas como eu, que nunca foram a Londres. Mas isso não é culpa da autora, de quem eu com certeza quero ler mais livros. Ah, e se você ainda ficou em dúvida se quer ler ou não entendeu bem sobre o que é a história (porque não expliquei direito), fique com a ótima resenha da Anica.

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Wolven, Di Toft

Wolven

Na opinião de Nat Carver, o estranho animal que se apresentava diante dele parecia dever suas origens mais ao dr. Frankenstein do que ao dr. Darwin. Por um momento, ele se sentiu sem palavras, embora se lembrasse de uma outra que poderia ter falado, caso sua mãe não estivesse ali.

Eu não estava exatamente morrendo de vontade de escrever uma resenha sobre Wolven. Estava nos meus planos, mas eu ia deixar para depois, procrastinar tanto e acabar escrevendo um comentário. Até que percebi que não ia dar tempo de ler o livro que pretendo ler para o Desafio Literário Skoob do mês. Então acabei ficando com este, que li mês passado, só para não passar em branco.

Wolven conta a história de Nat Carver, um garoto que adota um cachorro um pouco estranho chamado Woody e descobre que ele fugiu de um projeto secreto de ciência que envolve o governo inglês. Enquanto Nat e Woody tem que aprender mais sobre a situação e fugir dos caras malvados que querem o cachorro-lobo de volta, Nat também precisa aprender a lidar com seu cotidiano em uma cidade nova, com garotos que não gostam dele.

Vejam bem, eu costumo gostar de livros infantojuvenis. Mas, normalmente, eu leio aqueles que têm a minha cara, que já espero gostar. Li Wolven só porque ele apareceu na minha frente e eu já sabia que ele não se tornaria um favorito, porque, gente, o que é essa capa??? É muito feia. Então minhas expectativas eram baixas, só queria que o livro fosse divertido e prendesse a atenção. E nem isso ele fez direito. Não é que Wolven seja propriamente ruim. Mas, além de não ser o meu estilo (faz um tempo que tenho preguiça de livros com criaturas sobrenaturais como lobisomens ou vampiros), também não é propriamente bom. As cenas de ação são sem graça, o humor é fraco, os personagens são pouco desenvolvidos…

É raro que a leitura não flua em um livro fácil de ler, mas é o que aconteceu com Wolven. Eu lia um capítulo e não tinha vontade de ler mais. No entanto, depois de meter o pau, ainda acho que talvez seja só um livro que não é para mim. Talvez pessoas mais novas ou que gostem de histórias de lobisomens curtam mais do que eu.

Avaliação final: 2/5

domingo, 16 de agosto de 2015

Precisamos de novos nomes, NoViolet Bulawayo

Precisamos de novos nomes

Se você for roubar alguma coisa, é melhor que seja pequena e fácil de esconder, ou algo que você possa comer depressa e acabar logo com a história, como goiabas. Assim, as pessoas não podem ver você com a coisa e se lembrar de que você é um ladrão sem-vergonha e que você roubou aquilo deles, então eu não sei o que os brancos estavam tentando fazer, para começo de conversa, roubando não uma coisinha de nada mas um país inteiro. Como é que as pessoas vão conseguir esquecer se você roubar algo assim?

A capa de Precisamos de novos nomes foi o que me fez prestar a atenção no livro. Quando descobri que a autora é do Zimbábue, minha vontade de ler só aumentou. Estava pensando em comprá-lo na Festa do livro da USP, porque 50% de desconto é algo que não se pode ignorar, mas aí vi o livro na biblioteca e corri para pegá-lo, não me importando por quebrar a minha regra recém-criada de pegar um livro só por vez. Afinal, vai que alguém aluga o livro primeiro e rouba, né? (sabe aquelas pessoas que não têm limites nas compras de livros, sempre procurando por desculpas para comprar mais? Então, eu não tenho limites nem nas compras nem na biblioteca. Eu compro um monte de livros, mas dou prioridade para o que pego na biblioteca porque sou besta assim mesmo)

Precisamos de novos nomes é um romance de formação narrado por Darling, uma jovem garota que mora em uma bairro pobre de Harare. Ela passa os seus dias brincando na rua com seus amigos, indo ao bairro rico da cidade roubar goiabas com eles e esperando ansiosamente a sua mudança para os Estados Unidos. Quando ela finalmente se muda, percebe que a vida que leva no país não é exatamente o que esperava e que sempre será estrangeira nessa terra.

Romances narrados por crianças ou jovens em cenários violentos são bem comuns, mostrando um pouco da confusão e da ingenuidade deles. Apenas falando sobre a África, por exemplo, posso citar AvóDezanove e o segredo do soviético e Hibisco roxo. Precisamos falar sobre novos nomes não traz muitas novidades no uso dessa narração, embora a voz de Darling seja bem desenvolvida e única — gostaria de ter lido o livro no original, para ver melhor a linguagem dela e as diferenças pré- e pós-Estados Unidos.

Muitos temas são tratados no livro: doenças, religião, racismo, colonialismo, a exploração que algumas pessoas fazem da pobreza, entre outras coisas. Darling não entende sobre tudo de que fala, mas quase tudo fica claro para o leitor. Quando concluí o livro, pensei que talvez essa narração direta, que escancara as críticas mesmo que a própria narradora não tenha consciência disso, deixasse pouco para a reflexão do leitor. Mas, pensando melhor, essa honestidade é válida também, por que não? Além disso, mesmo que muitos temas sejam óbvios ou até previsíveis, eles não deixam de ser menos importantes por isso, e um livro não precisa ser inovador para ser bom. Também deve ter várias sutilezas que não consegui captar por serem sobre a realidade do país. É muito fácil dizer “ai, livro africano sobre a pobreza narrado por criança, já tem 500 sobre o assunto” como se a África fosse tudo a mesma coisa. A gente não fala “nossa, outro livro europeu sobre a 2ª Guerra narrado por um homem de meia-idade, que repetição” (quer dizer, às vezes a gente fala. Ops).

Achei interessante ler um livro que se passa em uma época mais atual, com referências recentes, como a Rihanna e a Kim Kardashian. Tenho a impressão de que muitos livros mais “literários” (muitas aspas aqui, por favor) fogem de citações a cultura pop, mas é inegável que ela influencia muito a nossa vida, especialmente quando jovens.

Enfim, gostei bastante de Precisamos de novos nomes. O livro prendeu a atenção, mesmo com muitos saltos temporais. Talvez não seja uma leitura especialmente marcante, mas foi boa, e indico principalmente para quem quer começar a conhecer literatura africana.

Avaliação final: 4/5

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Winnie Puff, A. A. Milne

Winnie Puff

Lá vem Urso Eduardo descendo a escada, tum, tum, tum, batendo a cabeça, atrás de Christopher Robin. É a única maneira que ele conhece de descer a escada, mas às vezes acha que deve haver outro jeito. Se pudesse parar de bater a cabeça por um momento, com certeza conseguiria descobrir. Depois ele acha que talvez não haja mesmo outra maneira. Em todo caso, agora já desceu e está pronto para ser apresentado. Winnie Puff.

Eu gosto muito de literatura infantil e isso não é segredo para ninguém. Adoro reler meus queridinhos da infância, mas às vezes vou atrás do que ainda não li. É o caso de Winnie Puff. Não sei o que me fez não ler o livro antes: eu gostava dos personagens, tinha uma pelúcia dele e adorava os cadernos (tenho vários até hoje). Talvez eu não achasse os filmes tão interessantes? Talvez nunca tenha visto o livro em um momento oportuno para lê-lo? Mistérios. O fato é que li pela primeira vez aos vinte anos, e provavelmente gostei tanto, ou mais, quanto se lesse aos oito.

O livro conta as histórias dos amigos de Christopher Robin: Puff, Leitão, Coelho, Oió — o Tigrão não aparece nesse livro. É curioso como os nomes variam conforme a época. Para minha irmã, por exemplo, o Oió é o Bisonho. Para a minha geração, é Ió, além dessa diferença entre Pooh e Puff. Os animais e Christopher Robin passam por aventuras como ir a uma Expotição de descoberta e procurar um Vuslo. Algumas dessas histórias estão nos vários filmes e curtas, então podem ser velhos conhecidos. Para mim, só o filme mais recente, de 2011, estava fresco na memória, por isso a maioria das histórias foi novidade.

A leitura de Winnie Puff me trouxe três reações diferentes: um coração quentinho, um sorriso no rosto e… vergonha alheia. O fato é que, apesar de apenas Winnie Puff ser tratado como Urso de Muito Pouco Cérebro™, nenhum personagem é muito esperto. E aí eu morri de dó do Oió porque ele não tem noção de nada e já está sempre triste e é tão desesperador! Porque o Puff sabe que é burro e é querido por todos, o favorito de Christopher Robin, mas o Oió é rejeitado e quando ele fica feliz porque acha que o foco é nele na verdade não é… É de cortar o coração.

Enfim, tristezas à parte, fiquei bem satisfeita com o livro. Foi uma primeira leitura que pareceu releitura, porque tem uma narração tão gostosa que me lembrou dos meus livros favoritos, ao mesmo tempo que tem um estilo próprio. Agora eu quero ler os outros da série e me encantar mais um pouquinho com o Bosque dos 100 Acres.

Avaliação final: 4/5

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Retrospectiva: julho

• Julho, como mês de férias da faculdade, foi um mês que me permitiu fazer bastante coisa. Não tanto quanto eu gostaria, mas às vezes a gente idealiza demais nossa produtividade, né? Ter tempo para não fazer nada, para conversar bobagens, para jogar joguinhos bestas e assistir besteiras na TV também é importante, e às vezes é até mais legal do que fazer o que a gente pretendia. Às vezes acho que levo o entretenimento muito a sério, com meus desafios e projetos, e que isso acaba estragando a graça da coisa (mas no começo do ano eu acho os desafios e projetos muito divertidos, porque, convenhamos, a parte mais legal dessas coisas é planejá-las).

• Eu até que saí bastante de casa para passeios culturais e esse mês foi um daqueles em que me senti muito privilegiada por morar em São Paulo. Para começo de conversa, o Nobuhiro Watsuki, mangaká de Samurai X, veio ao Brasil com a sua esposa e eles deram uma palestra gratuita no Centro Cultural São Paulo. Minha irmã é bem mais fã de Samurai X do que eu, mas eu gosto também, então fui acompanhá-la. A palestra foi interessante, embora tenha focado demais em detalhes de como é criar um mangá e coisas técnicas do tipo. Foi uma experiência bem legal vê-lo falando, entender um pouquinho de japonês ao vivo e observar os diversos tipos de fã — tinha até alguns de cosplay! Além disso, teve uma mostra de filmes de ação no CCSP também, em que eu vi O castelo de Cagliostro, o primeiro filme dirigido pelo Miyazaki, e uma mostra de animação no Cinusp, em que vi When Marnie was there. Eu acho incrível como as mostras de cinema aqui são bem variadas e sempre passam coisas legais! Obrigada, São Paulo (vi também O conto da princesa Kaguya, mas no cinema comercial mesmo, para incentivar as animações e o Studio Ghibli. Considerando que o filme estreou em pouquíssimas cidades brasileiras, também devo ficar feliz por morar em SP. E sim, foi um mês bem japonês).

Totoro (minha irmã — o Totoro grande — e eu — o pequeno — indo ver o Watsuki)

• Como tive mais tempo livre, acabava lendo os posts dos blogs que sigo mais cedo na minha ronda diária pela internet e procurando outros blogs para conhecer, mas percebi que sou muito fresca com blogs literários e que cada vez mais, infelizmente para mim, o foco é em vlogs. É difícil encontrar pessoas com gostos parecidos com o meu, os blogs mais famosos focam só em lançamentos ou soam muito impessoais, com 700 colunistas diferentes… Aí segui uns blogs gringos, mas eles focam em livros que só vão chegar no Brasil daqui a muito tempo. É triste, porque eu quero encontrar mais blogs para amar, mas são poucos os que postam com frequência, com resenhas legais, que foquem mais na opinião do que na sinopse e de livros que me interessam ou talvez eu seja chata demais. Alguma sugestão? (mas em agosto provavelmente vou ficar soterrada de posts para ler por causa do BEDA, pelo menos os blogs pessoais resistem!)

• Eu disse que traria indicações de links nas retrospectivas, mas acabei não salvando nada esse mês, ops. Então peguei um post antigo do blog da Thay que fala sobre Sailor Moon, aproveitando a vibe japonesa. Eu, com o meu jeitinho crítica de ser, costumo reclamar sobre o assunto, porque o anime clássico é enrolado demais, o novo tem uma animação de qualidade duvidosa, por assim dizer, e o mangá não me conquistou. Mas aí eu penso na mensagem que a história passa e nas memórias de infância assistindo Sailor Moon e não dá para não amar.

• Antes, quando eu só estudava, não ligava muito para fins de semana. Eu tinha bastante tempo livre nos dias de semana mesmo e não me importava em ir para à escola/faculdade. Mas agora que comecei a estagiar, basicamente vivi em função dos fins de semana. Eu meio que criei uma rotina nos dias de semana, mesmo no tempo livre, e no sábado e no domingo me dou o direito de fazer o que quiser e é maravilhoso ver quanta coisa diferente dá para fazer! Pena que as aulas estão de volta e meu tempo livre vai diminuir drasticamente.

• Falando em estudos, acho que este é o semestre em que estou mais desanimada em voltar para a faculdade. O semestre anterior foi meio chato, não sei se por culpa minha ou das matérias, e, sei lá, acho que enjoei da faculdade(?). Posso tirar mais um mês de férias e voltar depois? Eu gosto bastante do que estudo, mas tem uma hora que cansa, e além disso as matérias do semestre que vai começar agora são na sua maioria entediantes. Resumindo, minha reação quando penso sobre voltar à faculdade:

Kiki

Em julho:

Eu vi… mais episódios de Shigatsu wa kimi no uso. Cada episódio que vejo gosto menos do anime. Acho que falta sutileza, e vejo todo mundo amando tanto que acho que o problema sou eu. Só sei que fiquei desanimada com animes (ao contrário do que parece nesse post, né) e quando eu acabar Shigatsu provavelmente vou voltar ao Ocidente e ver uma série mesmo — estou com muita vontade de ver My mad fat diary.

Eu li… o primeiro livro da TBR jar, Wunderkind (resenha em breve). Posso não terminar de ler os sorteados nesse ano, mas pelo menos um deles já foi!

Eu ouvi… a trilha sonora de O conto da princesa Kaguya. A música cantada fica na cabeça e não sai de jeito nenhum. Como praticamente todos os filmes do Studio Ghibli, a trilha sonora de Kaguya é fantástica — assim como o próprio filme, que foi provavelmente o melhor filme que vi no ano.

Eu escrevi… por uma tarde uma das minhas histórias. Gosto bastante de escrever, mas acabou a época de achar que eu seria uma escritora “de verdade”, lançaria livros e coisas assim. Escrever um romance é muito difícil e não tenho planejamento nenhum. Se antes queria que ficasse bom, hoje só quero que o processo de escrita seja divertido. E está sendo, quando me lembro de escrever.

Eu comi… macarons. Eu sempre achei que macarons eram doces de gente fresca e rica, que prioriza a aparência ao gosto, até que um belo dia decidi experimentar um na loja de gente fresca e rica Ladurée, porque já estava no shopping da tal da loja e por que não, né, uma vez na vida? Se é para experimentar coisa de gente rica, que seja em loja de gente rica em shopping de gente rica, em que UM macaron custa DEZ REAIS. Aí eu comi o tal do doce e… gostei. Gostei bastante. E fiquei com vontade de comer mais, mas é claro que não fui mais na loja cara, porque além de ser total fora de mão para mim, pagar dez reais por um doce do tamanho de uma bolacha é coisa que a gente só faz uma vez na vida a não ser que ganhe na loteria. Enfim, tudo isso aconteceu há um tempão, é só para dizer que paguei minha língua e que depois que minha tia me falou de uma doceria mais barata que também tem macarons gostosos, eu compro os tais docinhos quando passo por lá. Não são meus doces favoritos e ainda assim são caros demais para comprar sempre, mas são gostosos para comer de vez em quando.

Eu fui… a quatro docerias diferentes. Não era para eu falar de comida, mas como já falei dos programas culturais lá em cima, não sobrou outra coisa… Como não tem docerias boas no meu bairro, sempre aproveito quando saio para comer um doce.

Kaguya (minha expressão quando sei que vou passar por uma doceria (mentira, só queria uma desculpa para colocar esse gif aqui. Melhor personagem de Kaguya))

Eu (não) comprei… nenhum livro! Depois de ter prometido comprar no máximo um livro por mês e obviamente ter me descontrolado já no início, me acalmei um pouco nos impulsos consumistas. Mentira, na verdade não encontrei nenhuma promoção que valesse a pena mesmo. Os livros que eu mais quero atualmente ou não entram em promoção nunca ou são lançamentos, então vai demorar um pouco para o preço deles abaixar.

Eu fiz… um layout novo para o blog, finalmente! Morria de medo de mexer com HTML, mas enfrentei meu medo e descobri que mexer com o que eu quero, que é só o fundo e o título, é bem fácil. Agora vou ficar viciada em baixar fontes e procurar fundos legais? Possivelmente.

E assim acaba mais uma retrospectiva! Estou gostando bastante de escrever coisas mais pessoais (e procurar por gifs é muito divertido), mas como não tenho assunto suficiente para um post só, junto tudo na retrospectiva e fica coisa demais. Ops.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Quem é você, Alasca?, John Green

Quem é você, Alasca

Mas eu não tinha coragem. Ela tinha namorado. Eu era um palerma. Ela era apaixonante. Eu era irremediavelmente sem graça. Ela era infinitamente fascinante. Então voltei para o meu quarto e desabei no beliche de baixo, pensando que, se as pessoas fossem chuva, eu era garoa, e ela, um furacão.

Eu li Quem é você, Alasca? em abril, mas por preguiça motivos misteriosos acabei não escrevendo a resenha até hoje. Aí decidi escrever agora, porque ninguém perguntou mas eu quero dar a minha opinião sobre o John Green e manic pixie dream girls, já que Cidades de papel está no cinema e todo mundo está comentando sobre sua relação com o autor, se ama, se odeia, se não liga tanto…

Começando por um resumo porco e nem um pouco imparcial da história: Miles Halter é um jovem comum e sem graça que vai estudar em um internato, onde ele conhece Alasca, garota sedutora e misteriosa que o levará a viver grandes aventuras. Até que algo, que pode ser considerado spoiler mas ao mesmo tempo é bem previsível, acontece, e Miles aprenderá muito com isso.

Cada pessoa tem seus clichês favoritos, e tem alguns que não suporta. Pois bem, eu não gosto de manic pixie dream girls, as tais garotas louquinhas e sonhadoras que servem unicamente para mudar a vida do protagonista e que só existem na ficção. Embora o John Green diga que a Alasca supostamente seja uma desconstrução da ideia, isso não deu muito certo, porque ela pode ter provado que tem vida e personalidades próprias, mas no final quem aprendeu a lição foi o Miles. A própria existência da Alasca como personagem só serve para ensinar os homens que não se deve idealizar mulheres (estou levando a sério demais? Estou, mas e daí?). Não faz muito sentido para mim, portanto, escrever algo para subverter um clichê de visão masculina centralizando nessa mesma visão. 

Enfim, desabafos a parte, também não gostei muito de outros aspectos do livro. Os personagens me pareceram bem genéricos; os coadjuvantes são carismáticos o suficiente para não serem iguais uns aos outros, mas não simpatizei com eles de verdade. E o Miles é bem bobo, né… Embora eu entenda o apelo que as frases bonitas e as reflexões filosóficas tem para as outras pessoas, elas não me pegaram. Nesse aspecto, gostei bem mais de The fault in our stars.

Dito isso, não posso deixar de falar que foi, sim, uma leitura divertida. Prendeu a atenção, mas achei o livro genérico também, pouco marcante. A coisa mais importante que Quem é você, Alasca? fez para mim foi me fazer valorizar mais The fault in our stars. Estou bem curiosa para ler Cidades de papel para ver se dessa vez eu consigo ver o clichê das manic pixie dream girls quebrado de uma forma que eu goste, mas vou dar um tempo porque não vou aguentar outro narrador masculino palerma em pouco tempo.

Avaliação final: 3/5

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dois anos de Volta ao mundo em 80 livros

No começo de julho, completei dois anos do projeto Volta ao mundo em 80 livros! Li bem menos livros válidos para o projeto em comparação com o ano anterior, mas isso é esperado, considerando que no começo as opções mais óbvias ainda contam e que me dediquei menos este ano. Nesses dois anos, visitei 23 países a partir da literatura:

Volta ao mundo em 80 livros

A lista de leituras válidas está aqui. Nessa lista, conto apenas 22, enquanto na oficial são 23 porque li Édipo Rei, do Sófocles e fiquei em dúvida se considerava ou não, por ser Grécia Antiga. Então acabei decidindo por deixar na lista, mas ler outro livro da Grécia no futuro para ser o oficial.

Aproveitei o período de listar tudo direitinho para fazer outras contagens. Nesses últimos doze meses, li 59 livros, mais que o ano passado! Desses, 38 eram de autores de quem eu nunca tinha lido nada antes. 6 foram releituras. Li 32 mulheres e 29 homens (a soma dá mais de 59 porque tem livros de mais de um autor). Ano passado, li bem mais homens, fiquei feliz que agora li mais mulheres.

Continuo lendo mais autores do Estados Unidos. Nesse ano, foram 25 livros americanos. Em segundo lugar, fica o Brasil, com 12 leituras. Depois, são 7 da Inglaterra, 4 da França e 2 de Portugal.

Aí, para não deixar o post curtinho, decidi listar livros para o futuro. A ideia inicial era completar os 80, para dar uma ideia do nível de dificuldade. Mas cheguei a conclusão que é bem difícil mesmo e cansei de procurar “literatura + país” no Google ou ver se os livros lidos pelas pessoas que já fizeram o projeto são interessantes/fáceis de encontrar. Como vou acabar não seguindo a lista inteira de qualquer jeito, fica só como sugestões para o futuro distante, sem ordem nenhuma (em negrito estão os livros que tenho em casa ou baixados):

24. Uruguai: Um, dois e já (Inés Bortagaray)
25. Colômbia: Viva a música! (Andrés Caicedo)
26. Paraguai: Augusto Roa Bastos
27. Peru: Conversa na catedral/Travessuras da menina má/Pantaleão e as visitadoras/Tia Júlia e o escrevinhador (Mario Vargas Llosa)
28. Bolívia: Hotéis (Maximiliano Barrientos)
29. Equador: Um homem morto a pontapés (Pablo Palacio)
30. Venezuela: The sickness (Alberto Barrera Tyszka)
31. Canadá: Vida querida (Alice Munro)
32. Espanha: A viagem vertical (Enrique Vila-Matas)
33. Itália: Italo Calvino
34. Iraque: Muhsin al-Ramli
35. Escócia: Suíte em quatro movimentos (Ali Smith)
36. Irlanda: O mar (John Banville), Cecelia Ahern
37. Suécia: Os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larsson), Let the right one in (John Ajvide Lindqvist)
38. Finlândia: As red as blood (Salla Simukka)
39. Cabo Verde: Chiquinho (Baltasar Lopes), Ilhéu de contenda (Teixeira de Sousa)
40. Hungria: Antologia do contos húngaro (organização Paulo Rónai)
41. República Tcheca: A guerra das salamandras (Karel Tchápek)
42. Bélgica: Queijo (Willem Elsschot)
43. Holanda: O jantar (Herman Koch)

44. Serra Leoa: O Brilho do Amanhã (Ishmael Beah)
45. Polônia: Ferdydurke (Witold Gombrowicz)
46. Áustria: Breve Romance de Sonho (Arthur Schnitzler)
47. Islândia: Butterflies in November (Auður Ava Ólafsdóttir)
48. Antígua e Barbuda: Lucy (Jamaica Kincaid)

49. Jamaica: Colin Channer/Erna Brodber
50. Guatemala: Rodrigo Rey Rosa
51. Rússia: O capote e outras histórias (Nikolai Gógol)
52. Paquistão: Como ficar podre de rico na Ásia emergente (Mohsin Hamid)

53. Zimbábue: Precisamos de novos nomes (NoViolet Bulawayo)
54. Angola: Luuanda, José Luandino Vieira
55. Moçambique: Mia Couto

56. Suíça: O juiz e seu carrasco (Friedrich Dürrenmatt)
57. Egito: Noites das mil e uma noites (Naguib Mahfouz)
58. Turquia: Neve/O livro negro (Orhan Pamuk)

59. Albânia: Fatos Kongoli
60. Nova Zelândia: The rehearsal (Eleanor Catton)
61. Quênia: Wizard of the Crow (Ngũgĩ wa Thiong'o)
62. Sudão: Season of Migration to the North (Tayeb Salih)

63. Tunísia: O astrolábio do mar (Chems Nadir)
64. Camarões: Contornos do dia que vem vindo (Léonora Miano)

Outras sugestões são muito bem-vindas!

sábado, 25 de julho de 2015

Levels of life, Julian Barnes

Levels of life

You put together two people who have not been put together before; and sometimes the world is changed, sometimes not. They may crash and burn, or burn and crash. But sometimes, something new is made, and then the world is changed. Together, in that first exaltation, that first roaring sense of uplift, they are greater than their two separate selves. Together, they see further, and they see more clearly.

Levels of life foi uma leitura para a faculdade. Quando soube que teria que ler algo do Julian Barnes, fiquei animada, porque tinha curiosidade em conhecer a obra dele. Quando descobri que o livro em questão fala sobre balonismo e fotografia e a própria professora que sugeriu a leitura falou mal do começo, meu ânimo caiu um pouco. É curioso como um livro tão curto, de cento e vinte páginas, pode trazer tanta coisa distinta dentro dele (mas é compreensível também, porque na pós-modernidade não há mais totalidade, só fragmentação, e toda aquela coisa que a gente aprende na faculdade de Letras).

O livro é separado em três partes. Na primeira, o autor conta um pouco sobre os pioneiros do balonismo; na segunda, ele conta a história de Sarah Bernhardt e de Fred Burnaby, pessoas que existiram, mas o romance entre eles é inventado por Barnes. Na última parte, que une as outras e que dá sentido ao livro como todo (ou será que não), o autor discorre sobre a perda de sua mulher e sobre o luto.

Agora, honestamente, deixando as opiniões acadêmicas de lado: a união das partes pode fazer sentido e tal, mas a primeira parte de Levels of life é bem chata (pelo menos é curta!). A segunda eu achei razoável, mas meio chata também. E a terceira é interessante. Barnes ou o personagem Barnes (porque esse é um desses livros que a gente não sabe até que ponto o personagem é o escritor, até que ponto é real e o que é ficção) parece muito sincero escrevendo sobre seu amor, e é bonito e muito melancólico.

Enfim, acho que já deu para entender que Levels of life é um daqueles livros complexos e para intelectuais — li numa entrevista de Umberto Eco em que ele diz que Julian Barnes é um escritor que escreve para outros escritores e isso me parece verdade. Eu não sou intelectual o suficiente para apreciar trinta páginas de um cara falando sobre balonismo só para no final isso ser uma metáfora do amor(?), mas a última parte do livro vale a pena. E a discussão que tive sobre o livro nas aulas foi bem interessante, então no final fiquei satisfeita com a leitura.

Li em junho, e vou considerar como leitura para o DL Skoob, tema casais. Como a segunda e a terceira parte falam sobre casais — embora na última a mulher em questão esteja morta —, acho que conta, né?

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 19 de julho de 2015

Comentários sobre livros #3

1- A dama pé-de-cabra, Alexandre Herculano

A dama pé-de-cabraFoi uma daquelas leituras curtinhas para a faculdade. É uma novela, mas é mais curta que muitos contos. Como li como se fosse um livro inteiro, na edição de domínio público no Kindle, decidi colocar aqui para não passar em branco. É uma leitura agradável, nada de especial. Achei que seria um porre, conhecendo a fama do Herculano, por isso acabei me surpreendendo. Avaliação: 3/5

2- Vida de Galileu, Bertolt Brecht

Vida de Galileu Essa é uma peça que li para a aula de teatro da faculdade. É interessante e ilustra bem as ideias do teatro de Brecht. Traz reflexões interessantes sobre a busca pela verdade e o aprendizado, mas não costumo ver muito graça em ler peças, e essa não foi exceção. Avaliação: 3,5/5

3- O que fazer?, Anna-Clara Tidholm

O que fazer É um livro infantil que comprei para dar para os meus priminhos e aproveitei e li antes. O texto é bem simples, para crianças pequenas, e as ilustrações são fofas. Avaliação: 3/5

4- Por quê?, Anna-Clara Tidholm

Por quê É da mesma série do anterior, não tenho muito o que comentar (só estou escrevendo como registro, porque achei que seria interessante comentar todos os livros que lesse, mas acaba ficando sem graça quando não tenho o que dizer, né?). Avaliação: 3/5

5- Um grande sonho, Felipe Ugalde

Um grande sonho É outro bem simples e rápido de ler. As ilustrações são bem bonitas, mas o conteúdo não me interessou. No entanto, o livro tem adesivos de estrelinhas que brilham no escuro, o que é sempre bem-vindo. Avaliação: 3/5

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Misery: louca obsessão, Stephen King

Misery louca obsessão

Em vez disso, ele sentiu resignação — precisara de remédio, e de alguma forma conseguira escapar do quarto para obtê-lo. Se fosse haver consequências, punição, ele poderia enfrentar tudo sabendo que não poderia ter agido de outra forma. E de tudo o que Annie lhe fizera, tal resignação certamente era um sintoma do pior: ela o transformara em um animal alquebrado de dor, incapacitado para tomar quaisquer escolhas morais.

Eu não tinha planos de ler Misery para o Desafio Literário Skoob, só o peguei na biblioteca, no final de junho, porque ele estava disponível e normalmente é concorrido. No entanto, em uma dessas coincidências do destino, percebi que o livro se encaixa perfeitamente no tema inverno.

Uma sinopse simples e sem suspense, porque sou péssima com resumos: Misery conta a história do escritor Paul Sheldon, que sofre um acidente de carro e é resgatado pela sua fã número um, Annie Wilkes. Com seu próprio jeitinho carinhoso e psicopata, ela cuida dele, dando remédios que o deixam viciado, prendendo-o em um quarto e obrigando-o a reviver Misery, a personagem que deu sucesso a Paul mas que ele odeia.

Vivi, assim como Paul Sheldon no livro, uma série de emoções diferentes e conflitantes durante a leitura. Em um momento, não queria parar de ler; em outros, queria só que o livro tivesse cem páginas a menos. Às vezes, me sentia completamente desconectada emocionalmente dos personagens; no final, cheguei perto de sentir a intensidade da história e um horror genuíno.

Misery é a minha segunda experiência com o Stephen King e posso dizer que não sou a maior fã do estilo de escrita dele. Ele usa no livro alguns recursos semelhantes aos de Carrie, a estranha, como o fluxo de pensamentos sem pontuação ou entre parênteses e a narração onisciente seletiva em terceira pessoa. Não é que a escrita seja propriamente ruim, só não é meu estilo, e me desagradou ver que ele manteve a mesma forma de escrita nos dois livros que li, como se Paul Sheldon e Carrie White, apesar das personalidades tão distintas, se expressassem da mesma forma.

Mas, apesar disso, Stephen King realmente sabe como conduzir os elementos da trama. No livro, Paul Sheldon fala bastante a respeito do trabalho do escritor, e sobre como seus livros comerciais fazem sucesso porque ele consegue criar um suspense que torna as pessoas vidradas, querendo mais. Não foi sempre que senti isso, acho que às vezes King é prolixo demais; porém, de fato compreendi o tal do “deixeuver” sobre o qual Misery fala. Deixeuver o que vai acontecer agora, deixeuver se o Paul Sheldon vai sair vivo dessa, deixeuver como acaba a história…

O livro mostra alguns capítulos do livro que o Paul escreve. Como na maioria dos livros que têm uma história dentro da outra, eu não gostei muito da história de dentro. No começo, até fiquei curiosa para entender melhor o mundo da personagem Misery, mas no final estava quase pulando essas partes. Entendo que deva ter vários paralelismos e coisas do tipo, mas que história sem noção e estranha. No mundo real, eu certamente não seria fã da Misery.

Enfim, no final o saldo de leitura foi positivo. Pretendo ler outros livros do Stephen King ainda, mas não sei se tenho tanto fôlego para o estilo de escrita dele. Se achei que um livro de trezentas páginas poderia ter sido mais curto, imagina um de mil?

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 12 de julho de 2015

Retrospectiva: maio e junho

Enquanto eu procrastinava no mês passado, tive a ideia de criar uma retrospectiva mensal, para falar de tudo o que der vontade, em um tom mais pessoal e relaxado. Não sei se vai ter todos os meses (já comecei mal, juntando dois meses em um, né). Vou escrever em tópicos, para não ter que ter coesão entre os assuntos.

• Primeiro, o motivo do sumiço em junho: fim do semestre na faculdade, um trabalho especial e no final do mês comecei um estágio. Se eu tivesse sido organizada desde o início do ano, isso não seria problema. Mas procrastinei muuuuito e aí tudo acabou caindo na minha cara no final. Me arrependi? Sim. Prometi para mim mesma que vou mudar semestre que vem? Sim. Vou mudar de fato? Provavelmente não. O fato é que sobrevivi, por enquanto minhas notas na faculdade não estão tão piores e agora estou de férias (acadêmicas).

• Dei um tablet para a minha mãe de dia das mães e cheguei a conclusão de que sou muito velha para essas tecnologias: joguei um pouco, usei a internet, mas essa coisa de usar os dedos para rolar o texto, fazendo ele passar muito rápido (não sei se deu para entender, haha), me dá um pouco de dor de cabeça. É complicado, porque não tenho smartphone e cada vez mais percebo que no futuro próximo não ter um seria como não ter um computador hoje. E já começo a me sentir excluída, com todo mundo fazendo snapchat e eu de fora, sem poder ver as besteiras que as pessoas postam (afinal, o tablet é da minha mãe, não meu).

• Na série maria-vai-com-as-outras, de tanto ouvir as pessoas falando da Taylor Swift, finalmente baixei o 1989. Já ouvi várias vezes e ainda não sei o que achei(?). Digo, eu adoro Blank Space, gosto de alguns hits, mas tem muitas músicas que não tenho opinião a respeito, ou que não saem da minha cabeça e eu não sei se eu curto ou não. De qualquer jeito, continuo não gostando muito das músicas antigas dela. E aproveitando a onda pop mainstream, baixei uns hits avulsos de outros artistas (obrigada conversor de vídeos do Youtube para MP3). Minha relação com a música pop, parodiando a própria Taylor, was never worse (pois músicas presas na minha cabeça o dia todo) but never better (porque agora ouço sem vergonha quando quiser).

taylor swift (o gato se mexendo sou eu tentando me livrar das músicas da Taylor da cabeça)

• Continuando a mostrar como sou uma pessoa influenciável, comecei a assistir MasterChef Brasil por causa dos comentários no Twitter (posto pouquíssimo no site, mas estou sempre de olho na minha timeline). Eu tinha implicância com o formato do reality quando assisti episódios de outras nacionalidades, por isso não me interessei pela versão brasileira no começo, e estava acostumada com o clima mais profissional de Top Chef, então demorei para me acostumar com a incapacidade o jeito mais amador dos competidores, mas já me apeguei ao reality (porque não vivo sem ter um reality show para acompanhar, né?). Estou pensando em fazer um post sobre ele depois que acabar a temporada porque quero dar minha opinião (que ninguém perguntou) sobre tudo. Por enquanto, só vou dizer que torço pela Jiang.

• Comecei a trocar livros pelo Skoob Plus e estou bem feliz com isso. Eu e minha irmã compramos livros demais, e me sinto muito culpada pelas pilhas de livros não lidos. Sempre tive vontade de trocar, mas tinha medo do correio, até que não aguentei mais e decidi entrar nesse mundo de trocas. Não vou sair trocando tudo, porque tem que ser um livro que eu e minha irmã já lemos, não gostamos muito e não pretendemos reler (ou que simplesmente não pretendemos ler), e esses são raros. O problema é que agora fico viciada em ver os livros que as pessoas botaram para troca (e, honestamente, tem que esperar um pouco para coisas que valem mesmo a pena. Lançamentos são solicitados rapidamente e, obviamente, quanto menos popular o autor, menos a chance de ter livros. Ou seja, Nicholas Sparks tem de monte, mas alguns livros da Companhia das Letras, por exemplo, são mais raros), mesmo sem ter crédito para solicitar, e quando vou comprar algum livro, já penso “ah, eu posso não gostar, mas aí é só botar para troca”, ou seja, meu consumismo não vai diminuir. Mas por enquanto deu tudo certo, já troquei e recebi três livros.

• Estava vendo a minha lista de livros lidos esse ano e percebi que poucas leituras foram marcantes. Dei 4 estrelas para vários livros, e 4,5 para um (eu basicamente não dou 5 estrelas para nenhum, então 4 e 4,5 são notas ótimas), mas não sinto tanto a conexão emocional que sentia quando era pequena e relia meus livros preferidos anualmente. Tenho vontade de reler alguns, mas e a culpa de abandonar os livros comprados e não lidos, a vontade de ler aquele sobre o qual todo mundo fala, e tal? Espero que seja só uma fase de desânimo porque não amei os últimos seis livros que li (dos quais só O último amigo recebeu resenha no blog, por enquanto), e que ela passe quando eu ler algum livro 4 estrelas.

• Já passamos da metade do ano e percebi que, obviamente, vou falhar em vários desafios que criei. Ainda não li nenhum livro que sorteei na TBR jar (mas li outros da estante, o que já é bom), nenhum da lista de 1001 livros (minha meta era ler 6 no ano), e como a criadora do DL do Tigre abandonou o projeto, perdi o incentivo para ficar pensando nas leituras dele. Não sou muito rígida com esse negócio de seguir metas, mas ao mesmo tempo é tão bom cumpri-las…

• Gostei bastante desse texto da Bárbara Morais (em inglês) sobre a falta de traduções de livros estrangeiros nos Estados Unidos e como a discussão de diversidade lá acaba esquecendo disso (ou pelo menos essa é a minha interpretação). Acho muito estranho como lá eles parecem quase esquecer que existe um mercado editorial fora dos países de língua anglófona. Outro dia estava lendo uma discussão em um blog de YA sobre tradução e a menina, filipina, dizia que embora entendesse a importância de traduções, ela preferia sempre ler o original (em inglês, óbvio). Fiquei um pouco triste ao constatar que muitas pessoas que comentaram o post também não eram americanas mas só liam livros em inglês. Acho engraçado que tem gente que prefere tanto ler em inglês, como se os livros tivessem uma qualidade extra, que acaba lendo mais livros traduzidos para o inglês (como os do Murakami) do que as traduções em português. É claro, nem toda a tradução brasileira é boa, mas a área está cada vez melhor, e acho legal incentivar o mercado editorial brasileiro. Tem livros, como YAs contemporâneos, que de fato prefiro ler no original, porque a fluidez da escrita, com gírias e referências a cultura pop, acaba se perdendo em outra língua, por mais bem traduzido que seja. Mas tem alguns que eu até prefiro ler em português, seja por preguiça de ler em inglês ou pela tradução ser bem feita. Como a Bárbara comentou, nós do Brasil estamos mais acostumados com livros estrangeiros. Eu cresci lendo muita tradução, e não vejo problema nisso. É claro que a gente sempre perde algo do original, mas às vezes até ganha outras coisas próprias do português (acabei me estendendo demais no comentário, hehe).

É isso. Obrigada se você leu minhas besteiras até o fim e desculpe pelo post gigante com poucas imagens. Como estou de férias, vou tentar escrever umas resenhas atrasadas para postar quando não tiver assunto. Aos poucos, o blog vai se recuperando do horror que foi junho (não sei, no entanto, se meu ritmo de leitura não vai diminuir drasticamente quando tiver aulas e estágio ao mesmo tempo. Veremos).

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O último amigo, Tahar Ben Jelloun

O último amigo

Tânger é como um encontro ambíguo, inquieto, clandestino, uma história que esconde outras histórias, uma revelação que não diz toda a verdade, um ar de família que envenena a sua existência desde que você se afasta; e você sente, então, que tem necessidade dela sem jamais conseguir saber por quê.

Um dos fatores que me fez querer participar do Projeto Volta ao Mundo em 80 livros foi o fato de que minha irmã iria participar também. Assim, preguiçosa como sou, não teria que ir atrás de alguns livros, pois ela os selecionaria por mim. É o caso de O último amigo, do marroquino Tahar Ben Jelloun.

O livro conta a história de Mamed e Ali, amigos desde a infância que se separam graças a Mamed, que não explica o motivo do rompimento — ou melhor, explica, mas não de modo convincente. Vemos a visão de cada um sobre a amizade deles, que nos lembra que narradores em primeira pessoa não são confiáveis e que a memória não é a verdade universal — coisa que a gente esquece com frequência, né? Eu li o primeiro relato acreditando em tudo, e quando li o segundo comecei a estranhar que alguns dados não batiam… Até entender o que o autor queria dizer com isso.

Uma coisa curiosa é que eu acabo me lembrando do Brasil de algum modo lendo a maior parte de livros de países não tão desenvolvidos, se é que posso chamá-los assim. Mamed vai para o exterior, mas sente falta do ar de Marrocos, do jeito que as coisas são. Imagino que me sentiria assim se morasse fora, sentiria saudades até dos defeitos brasileiros. O autor consegue descrever bem Tânger, fazendo o leitor sentir os seus aromas, suas cores e suas imagens e entender a relação dos personagens com a cidade.

Eu não gostei muito do final da história, do motivo pelo qual os amigos se separaram. Achei um pouco forçado, estava esperando outra coisa. O livro é bem curto, com pouco mais de cem páginas, então não dá muito espaço para desenvolver melhor alguns aspectos do enredo. Talvez, se fosse um pouco maior, eu teria aceitado melhor o final. De qualquer jeito, não é um livro me envolveu emocionalmente e provavelmente mesmo se fosse mais longo continuaria sem me emocionar (e talvez eu chegaria a me irritar mais com os protagonistas, porque são homens meio chatos).

Como O último amigo é curto, para o bem ou para o mal, ele tem a vantagem da leitura rápida, mas também tem a desvantagem de ser um pouco esquecível. Para quem se interessou, porém, vale a pena conhecer. 

Avaliação final: 3,5/5

sábado, 30 de maio de 2015

Laços, Vitor e Lu Cafaggi



O tema do mês do Desafio Literário Skoob é língua-mãe, ou seja, livros escritos originalmente em português. A minha ideia original era ler algum livro africano de preferência, porque gosto de fugir das opções mais fáceis. Mas, como quase sempre acontece com desafios, acabo escolhendo o mais prático para mim. A primeira leitura do mês para o desafio foi Nu, de botas, já que calhou de ser o livro que eu tinha pego na biblioteca no final do mês passado. A segunda foi Laços, uma leitura rápida e compra recente. Tenho comprado muitos livros e lido pouquíssimos deles — talvez eu faça um post explicando sobre isso depois —, e uma história em quadrinhos é uma boa opção para ler em um dia e me sentir um pouco melhor por ler algo da minha estante.

Eu tinha vontade de ler Laços desde o seu lançamento, porque foi bem elogiado e gosto da ideia de ver outros autores contando histórias da Turma da Mônica. O livro conta sobre o sumiço do Floquinho e como a turma se reúne para tentar encontrá-lo, lembrando a importância da amizade e dos laços entre eles.

A história pega bem o espírito da Turma da Mônica, os personagens mantêm as suas características originais. Apesar do foco ser nos quatro principais, que estão na capa, alguns coadjuvantes, como Xaveco e Denise, também aparecem, ou tem pequenas referências a eles. As referências a personagens e a situações clássicas da Turma são uma das partes mais legais do livro. Apesar de ter lido muitos gibis da Turma da Mônica e gostar até hoje das historinhas, não sou a maior fã, li pouco considerando tudo o que tem, então devo ter deixado algumas coisas passarem, mas foi bem legal ver como os autores se empenharam em cada detalhe.

O enredo em si, da parte sobre o sumiço do Floquinho, é o que eu menos gostei no livro. Não achei uma aventura muito empolgante, mas entendo que tinha que ter uma parte de ação para abrir espaço para as partes mais sentimentais.

Quanto à arte, Laços é incrível. Os desenhos são uma graça e gostei da forma que as cores e o estilo separaram as partes do presente das partes do passado. Tirei algumas fotos não muito boas para mostrar:

Para concluir, recomendo bastante a leitura de Laços. Não sei se quem não for apegado à Turma da Mônica (existe quem não goste deles?) vai aproveitar tanto a leitura, mas de qualquer jeito é um livro muito bonito.

Avaliação final: 4/5

P.S.: Não estou sendo a mais frequente das blogueiras nesse ano, e a tendência é piorar. Não sei se vou postar muito a partir de junho, porque estarei mais ocupada. Além disso, estou com várias resenhas atrasadas, que ainda não escrevi, e escrever muito depois de ler faz a qualidade das resenhas piorar ainda mais. Sinto muito por isso, e espero recuperar o ritmo e o ânimo de blogar algum dia, porque tenho várias ideias de post, só falta a vontade e determinação em escrevê-las.

sábado, 16 de maio de 2015

Nu, de botas, Antonio Prata

Nu, de botas

Uma mulher ruiva e muito perfumada me deu um beijo babado na testa e disse que tinha me visto nascer - ela me viu nascer, o seu Duílio me viu nascer, eu devia ter sido parido diante de uma arquibancada, só podia ser.

Todo domingo, quando pego o jornal para ler e me lembro que é dia de crônica do Antonio Prata, fico um pouco mais feliz. Então, não é nenhuma surpresa que eu tenha ido atrás dos livros dele. Nu, de botas reúne histórias sobre a infância do autor, passada principalmente nos anos 80 em São Paulo.

Nas histórias, sempre narradas com olhar infantil — ou pelo menos com o que os adultos pensam que é um olhar infantil —, temos desde acontecimentos mais genéricos, fáceis de criar identificação com o leitor, como o processo de alfabetização e a disputa entre os colegas para ter os melhores brinquedos, até eventos mais únicos, como a conversa com o Bozo.

Tenho mais dificuldade em falar a respeito de livros que não tenham uma única história. Como toda coleção de histórias (são contos? Crônicas?), algumas são mais inspiradas e outras nem tanto, mas mesmo as piores e mais clichês ainda são muito gostosas de ler. Eu terminei o livro com a impressão de que leria até bula de remédio se fosse o Antonio Prata que escrevesse, porque tenho certeza de que ele faria algo divertido com isso.

O livro trouxe uma mistura de agonia (uma agonia causada por quem consegue envolver o leitor de tal modo que ainda penso: por tão pouco ele não ganhou a bicicleta!), vergonha alheia, nostalgia e risadas, muitas vezes ao mesmo tempo. Recomendo a leitura, com certeza.

Avaliação final: 4/5