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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dois anos de Volta ao mundo em 80 livros

No começo de julho, completei dois anos do projeto Volta ao mundo em 80 livros! Li bem menos livros válidos para o projeto em comparação com o ano anterior, mas isso é esperado, considerando que no começo as opções mais óbvias ainda contam e que me dediquei menos este ano. Nesses dois anos, visitei 23 países a partir da literatura:

Volta ao mundo em 80 livros

A lista de leituras válidas está aqui. Nessa lista, conto apenas 22, enquanto na oficial são 23 porque li Édipo Rei, do Sófocles e fiquei em dúvida se considerava ou não, por ser Grécia Antiga. Então acabei decidindo por deixar na lista, mas ler outro livro da Grécia no futuro para ser o oficial.

Aproveitei o período de listar tudo direitinho para fazer outras contagens. Nesses últimos doze meses, li 59 livros, mais que o ano passado! Desses, 38 eram de autores de quem eu nunca tinha lido nada antes. 6 foram releituras. Li 32 mulheres e 29 homens (a soma dá mais de 59 porque tem livros de mais de um autor). Ano passado, li bem mais homens, fiquei feliz que agora li mais mulheres.

Continuo lendo mais autores do Estados Unidos. Nesse ano, foram 25 livros americanos. Em segundo lugar, fica o Brasil, com 12 leituras. Depois, são 7 da Inglaterra, 4 da França e 2 de Portugal.

Aí, para não deixar o post curtinho, decidi listar livros para o futuro. A ideia inicial era completar os 80, para dar uma ideia do nível de dificuldade. Mas cheguei a conclusão que é bem difícil mesmo e cansei de procurar “literatura + país” no Google ou ver se os livros lidos pelas pessoas que já fizeram o projeto são interessantes/fáceis de encontrar. Como vou acabar não seguindo a lista inteira de qualquer jeito, fica só como sugestões para o futuro distante, sem ordem nenhuma (em negrito estão os livros que tenho em casa ou baixados):

24. Uruguai: Um, dois e já (Inés Bortagaray)
25. Colômbia: Viva a música! (Andrés Caicedo)
26. Paraguai: Augusto Roa Bastos
27. Peru: Conversa na catedral/Travessuras da menina má/Pantaleão e as visitadoras/Tia Júlia e o escrevinhador (Mario Vargas Llosa)
28. Bolívia: Hotéis (Maximiliano Barrientos)
29. Equador: Um homem morto a pontapés (Pablo Palacio)
30. Venezuela: The sickness (Alberto Barrera Tyszka)
31. Canadá: Vida querida (Alice Munro)
32. Espanha: A viagem vertical (Enrique Vila-Matas)
33. Itália: Italo Calvino
34. Iraque: Muhsin al-Ramli
35. Escócia: Suíte em quatro movimentos (Ali Smith)
36. Irlanda: O mar (John Banville), Cecelia Ahern
37. Suécia: Os homens que não amavam as mulheres (Stieg Larsson), Let the right one in (John Ajvide Lindqvist)
38. Finlândia: As red as blood (Salla Simukka)
39. Cabo Verde: Chiquinho (Baltasar Lopes), Ilhéu de contenda (Teixeira de Sousa)
40. Hungria: Antologia do contos húngaro (organização Paulo Rónai)
41. República Tcheca: A guerra das salamandras (Karel Tchápek)
42. Bélgica: Queijo (Willem Elsschot)
43. Holanda: O jantar (Herman Koch)

44. Serra Leoa: O Brilho do Amanhã (Ishmael Beah)
45. Polônia: Ferdydurke (Witold Gombrowicz)
46. Áustria: Breve Romance de Sonho (Arthur Schnitzler)
47. Islândia: Butterflies in November (Auður Ava Ólafsdóttir)
48. Antígua e Barbuda: Lucy (Jamaica Kincaid)

49. Jamaica: Colin Channer/Erna Brodber
50. Guatemala: Rodrigo Rey Rosa
51. Rússia: O capote e outras histórias (Nikolai Gógol)
52. Paquistão: Como ficar podre de rico na Ásia emergente (Mohsin Hamid)

53. Zimbábue: Precisamos de novos nomes (NoViolet Bulawayo)
54. Angola: Luuanda, José Luandino Vieira
55. Moçambique: Mia Couto

56. Suíça: O juiz e seu carrasco (Friedrich Dürrenmatt)
57. Egito: Noites das mil e uma noites (Naguib Mahfouz)
58. Turquia: Neve/O livro negro (Orhan Pamuk)

59. Albânia: Fatos Kongoli
60. Nova Zelândia: The rehearsal (Eleanor Catton)
61. Quênia: Wizard of the Crow (Ngũgĩ wa Thiong'o)
62. Sudão: Season of Migration to the North (Tayeb Salih)

63. Tunísia: O astrolábio do mar (Chems Nadir)
64. Camarões: Contornos do dia que vem vindo (Léonora Miano)

Outras sugestões são muito bem-vindas!

sábado, 25 de julho de 2015

Levels of life, Julian Barnes

Levels of life

You put together two people who have not been put together before; and sometimes the world is changed, sometimes not. They may crash and burn, or burn and crash. But sometimes, something new is made, and then the world is changed. Together, in that first exaltation, that first roaring sense of uplift, they are greater than their two separate selves. Together, they see further, and they see more clearly.

Levels of life foi uma leitura para a faculdade. Quando soube que teria que ler algo do Julian Barnes, fiquei animada, porque tinha curiosidade em conhecer a obra dele. Quando descobri que o livro em questão fala sobre balonismo e fotografia e a própria professora que sugeriu a leitura falou mal do começo, meu ânimo caiu um pouco. É curioso como um livro tão curto, de cento e vinte páginas, pode trazer tanta coisa distinta dentro dele (mas é compreensível também, porque na pós-modernidade não há mais totalidade, só fragmentação, e toda aquela coisa que a gente aprende na faculdade de Letras).

O livro é separado em três partes. Na primeira, o autor conta um pouco sobre os pioneiros do balonismo; na segunda, ele conta a história de Sarah Bernhardt e de Fred Burnaby, pessoas que existiram, mas o romance entre eles é inventado por Barnes. Na última parte, que une as outras e que dá sentido ao livro como todo (ou será que não), o autor discorre sobre a perda de sua mulher e sobre o luto.

Agora, honestamente, deixando as opiniões acadêmicas de lado: a união das partes pode fazer sentido e tal, mas a primeira parte de Levels of life é bem chata (pelo menos é curta!). A segunda eu achei razoável, mas meio chata também. E a terceira é interessante. Barnes ou o personagem Barnes (porque esse é um desses livros que a gente não sabe até que ponto o personagem é o escritor, até que ponto é real e o que é ficção) parece muito sincero escrevendo sobre seu amor, e é bonito e muito melancólico.

Enfim, acho que já deu para entender que Levels of life é um daqueles livros complexos e para intelectuais — li numa entrevista de Umberto Eco em que ele diz que Julian Barnes é um escritor que escreve para outros escritores e isso me parece verdade. Eu não sou intelectual o suficiente para apreciar trinta páginas de um cara falando sobre balonismo só para no final isso ser uma metáfora do amor(?), mas a última parte do livro vale a pena. E a discussão que tive sobre o livro nas aulas foi bem interessante, então no final fiquei satisfeita com a leitura.

Li em junho, e vou considerar como leitura para o DL Skoob, tema casais. Como a segunda e a terceira parte falam sobre casais — embora na última a mulher em questão esteja morta —, acho que conta, né?

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 19 de julho de 2015

Comentários sobre livros #3

1- A dama pé-de-cabra, Alexandre Herculano

A dama pé-de-cabraFoi uma daquelas leituras curtinhas para a faculdade. É uma novela, mas é mais curta que muitos contos. Como li como se fosse um livro inteiro, na edição de domínio público no Kindle, decidi colocar aqui para não passar em branco. É uma leitura agradável, nada de especial. Achei que seria um porre, conhecendo a fama do Herculano, por isso acabei me surpreendendo. Avaliação: 3/5

2- Vida de Galileu, Bertolt Brecht

Vida de Galileu Essa é uma peça que li para a aula de teatro da faculdade. É interessante e ilustra bem as ideias do teatro de Brecht. Traz reflexões interessantes sobre a busca pela verdade e o aprendizado, mas não costumo ver muito graça em ler peças, e essa não foi exceção. Avaliação: 3,5/5

3- O que fazer?, Anna-Clara Tidholm

O que fazer É um livro infantil que comprei para dar para os meus priminhos e aproveitei e li antes. O texto é bem simples, para crianças pequenas, e as ilustrações são fofas. Avaliação: 3/5

4- Por quê?, Anna-Clara Tidholm

Por quê É da mesma série do anterior, não tenho muito o que comentar (só estou escrevendo como registro, porque achei que seria interessante comentar todos os livros que lesse, mas acaba ficando sem graça quando não tenho o que dizer, né?). Avaliação: 3/5

5- Um grande sonho, Felipe Ugalde

Um grande sonho É outro bem simples e rápido de ler. As ilustrações são bem bonitas, mas o conteúdo não me interessou. No entanto, o livro tem adesivos de estrelinhas que brilham no escuro, o que é sempre bem-vindo. Avaliação: 3/5

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Misery: louca obsessão, Stephen King

Misery louca obsessão

Em vez disso, ele sentiu resignação — precisara de remédio, e de alguma forma conseguira escapar do quarto para obtê-lo. Se fosse haver consequências, punição, ele poderia enfrentar tudo sabendo que não poderia ter agido de outra forma. E de tudo o que Annie lhe fizera, tal resignação certamente era um sintoma do pior: ela o transformara em um animal alquebrado de dor, incapacitado para tomar quaisquer escolhas morais.

Eu não tinha planos de ler Misery para o Desafio Literário Skoob, só o peguei na biblioteca, no final de junho, porque ele estava disponível e normalmente é concorrido. No entanto, em uma dessas coincidências do destino, percebi que o livro se encaixa perfeitamente no tema inverno.

Uma sinopse simples e sem suspense, porque sou péssima com resumos: Misery conta a história do escritor Paul Sheldon, que sofre um acidente de carro e é resgatado pela sua fã número um, Annie Wilkes. Com seu próprio jeitinho carinhoso e psicopata, ela cuida dele, dando remédios que o deixam viciado, prendendo-o em um quarto e obrigando-o a reviver Misery, a personagem que deu sucesso a Paul mas que ele odeia.

Vivi, assim como Paul Sheldon no livro, uma série de emoções diferentes e conflitantes durante a leitura. Em um momento, não queria parar de ler; em outros, queria só que o livro tivesse cem páginas a menos. Às vezes, me sentia completamente desconectada emocionalmente dos personagens; no final, cheguei perto de sentir a intensidade da história e um horror genuíno.

Misery é a minha segunda experiência com o Stephen King e posso dizer que não sou a maior fã do estilo de escrita dele. Ele usa no livro alguns recursos semelhantes aos de Carrie, a estranha, como o fluxo de pensamentos sem pontuação ou entre parênteses e a narração onisciente seletiva em terceira pessoa. Não é que a escrita seja propriamente ruim, só não é meu estilo, e me desagradou ver que ele manteve a mesma forma de escrita nos dois livros que li, como se Paul Sheldon e Carrie White, apesar das personalidades tão distintas, se expressassem da mesma forma.

Mas, apesar disso, Stephen King realmente sabe como conduzir os elementos da trama. No livro, Paul Sheldon fala bastante a respeito do trabalho do escritor, e sobre como seus livros comerciais fazem sucesso porque ele consegue criar um suspense que torna as pessoas vidradas, querendo mais. Não foi sempre que senti isso, acho que às vezes King é prolixo demais; porém, de fato compreendi o tal do “deixeuver” sobre o qual Misery fala. Deixeuver o que vai acontecer agora, deixeuver se o Paul Sheldon vai sair vivo dessa, deixeuver como acaba a história…

O livro mostra alguns capítulos do livro que o Paul escreve. Como na maioria dos livros que têm uma história dentro da outra, eu não gostei muito da história de dentro. No começo, até fiquei curiosa para entender melhor o mundo da personagem Misery, mas no final estava quase pulando essas partes. Entendo que deva ter vários paralelismos e coisas do tipo, mas que história sem noção e estranha. No mundo real, eu certamente não seria fã da Misery.

Enfim, no final o saldo de leitura foi positivo. Pretendo ler outros livros do Stephen King ainda, mas não sei se tenho tanto fôlego para o estilo de escrita dele. Se achei que um livro de trezentas páginas poderia ter sido mais curto, imagina um de mil?

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 12 de julho de 2015

Retrospectiva: maio e junho

Enquanto eu procrastinava no mês passado, tive a ideia de criar uma retrospectiva mensal, para falar de tudo o que der vontade, em um tom mais pessoal e relaxado. Não sei se vai ter todos os meses (já comecei mal, juntando dois meses em um, né). Vou escrever em tópicos, para não ter que ter coesão entre os assuntos.

• Primeiro, o motivo do sumiço em junho: fim do semestre na faculdade, um trabalho especial e no final do mês comecei um estágio. Se eu tivesse sido organizada desde o início do ano, isso não seria problema. Mas procrastinei muuuuito e aí tudo acabou caindo na minha cara no final. Me arrependi? Sim. Prometi para mim mesma que vou mudar semestre que vem? Sim. Vou mudar de fato? Provavelmente não. O fato é que sobrevivi, por enquanto minhas notas na faculdade não estão tão piores e agora estou de férias (acadêmicas).

• Dei um tablet para a minha mãe de dia das mães e cheguei a conclusão de que sou muito velha para essas tecnologias: joguei um pouco, usei a internet, mas essa coisa de usar os dedos para rolar o texto, fazendo ele passar muito rápido (não sei se deu para entender, haha), me dá um pouco de dor de cabeça. É complicado, porque não tenho smartphone e cada vez mais percebo que no futuro próximo não ter um seria como não ter um computador hoje. E já começo a me sentir excluída, com todo mundo fazendo snapchat e eu de fora, sem poder ver as besteiras que as pessoas postam (afinal, o tablet é da minha mãe, não meu).

• Na série maria-vai-com-as-outras, de tanto ouvir as pessoas falando da Taylor Swift, finalmente baixei o 1989. Já ouvi várias vezes e ainda não sei o que achei(?). Digo, eu adoro Blank Space, gosto de alguns hits, mas tem muitas músicas que não tenho opinião a respeito, ou que não saem da minha cabeça e eu não sei se eu curto ou não. De qualquer jeito, continuo não gostando muito das músicas antigas dela. E aproveitando a onda pop mainstream, baixei uns hits avulsos de outros artistas (obrigada conversor de vídeos do Youtube para MP3). Minha relação com a música pop, parodiando a própria Taylor, was never worse (pois músicas presas na minha cabeça o dia todo) but never better (porque agora ouço sem vergonha quando quiser).

taylor swift (o gato se mexendo sou eu tentando me livrar das músicas da Taylor da cabeça)

• Continuando a mostrar como sou uma pessoa influenciável, comecei a assistir MasterChef Brasil por causa dos comentários no Twitter (posto pouquíssimo no site, mas estou sempre de olho na minha timeline). Eu tinha implicância com o formato do reality quando assisti episódios de outras nacionalidades, por isso não me interessei pela versão brasileira no começo, e estava acostumada com o clima mais profissional de Top Chef, então demorei para me acostumar com a incapacidade o jeito mais amador dos competidores, mas já me apeguei ao reality (porque não vivo sem ter um reality show para acompanhar, né?). Estou pensando em fazer um post sobre ele depois que acabar a temporada porque quero dar minha opinião (que ninguém perguntou) sobre tudo. Por enquanto, só vou dizer que torço pela Jiang.

• Comecei a trocar livros pelo Skoob Plus e estou bem feliz com isso. Eu e minha irmã compramos livros demais, e me sinto muito culpada pelas pilhas de livros não lidos. Sempre tive vontade de trocar, mas tinha medo do correio, até que não aguentei mais e decidi entrar nesse mundo de trocas. Não vou sair trocando tudo, porque tem que ser um livro que eu e minha irmã já lemos, não gostamos muito e não pretendemos reler (ou que simplesmente não pretendemos ler), e esses são raros. O problema é que agora fico viciada em ver os livros que as pessoas botaram para troca (e, honestamente, tem que esperar um pouco para coisas que valem mesmo a pena. Lançamentos são solicitados rapidamente e, obviamente, quanto menos popular o autor, menos a chance de ter livros. Ou seja, Nicholas Sparks tem de monte, mas alguns livros da Companhia das Letras, por exemplo, são mais raros), mesmo sem ter crédito para solicitar, e quando vou comprar algum livro, já penso “ah, eu posso não gostar, mas aí é só botar para troca”, ou seja, meu consumismo não vai diminuir. Mas por enquanto deu tudo certo, já troquei e recebi três livros.

• Estava vendo a minha lista de livros lidos esse ano e percebi que poucas leituras foram marcantes. Dei 4 estrelas para vários livros, e 4,5 para um (eu basicamente não dou 5 estrelas para nenhum, então 4 e 4,5 são notas ótimas), mas não sinto tanto a conexão emocional que sentia quando era pequena e relia meus livros preferidos anualmente. Tenho vontade de reler alguns, mas e a culpa de abandonar os livros comprados e não lidos, a vontade de ler aquele sobre o qual todo mundo fala, e tal? Espero que seja só uma fase de desânimo porque não amei os últimos seis livros que li (dos quais só O último amigo recebeu resenha no blog, por enquanto), e que ela passe quando eu ler algum livro 4 estrelas.

• Já passamos da metade do ano e percebi que, obviamente, vou falhar em vários desafios que criei. Ainda não li nenhum livro que sorteei na TBR jar (mas li outros da estante, o que já é bom), nenhum da lista de 1001 livros (minha meta era ler 6 no ano), e como a criadora do DL do Tigre abandonou o projeto, perdi o incentivo para ficar pensando nas leituras dele. Não sou muito rígida com esse negócio de seguir metas, mas ao mesmo tempo é tão bom cumpri-las…

• Gostei bastante desse texto da Bárbara Morais (em inglês) sobre a falta de traduções de livros estrangeiros nos Estados Unidos e como a discussão de diversidade lá acaba esquecendo disso (ou pelo menos essa é a minha interpretação). Acho muito estranho como lá eles parecem quase esquecer que existe um mercado editorial fora dos países de língua anglófona. Outro dia estava lendo uma discussão em um blog de YA sobre tradução e a menina, filipina, dizia que embora entendesse a importância de traduções, ela preferia sempre ler o original (em inglês, óbvio). Fiquei um pouco triste ao constatar que muitas pessoas que comentaram o post também não eram americanas mas só liam livros em inglês. Acho engraçado que tem gente que prefere tanto ler em inglês, como se os livros tivessem uma qualidade extra, que acaba lendo mais livros traduzidos para o inglês (como os do Murakami) do que as traduções em português. É claro, nem toda a tradução brasileira é boa, mas a área está cada vez melhor, e acho legal incentivar o mercado editorial brasileiro. Tem livros, como YAs contemporâneos, que de fato prefiro ler no original, porque a fluidez da escrita, com gírias e referências a cultura pop, acaba se perdendo em outra língua, por mais bem traduzido que seja. Mas tem alguns que eu até prefiro ler em português, seja por preguiça de ler em inglês ou pela tradução ser bem feita. Como a Bárbara comentou, nós do Brasil estamos mais acostumados com livros estrangeiros. Eu cresci lendo muita tradução, e não vejo problema nisso. É claro que a gente sempre perde algo do original, mas às vezes até ganha outras coisas próprias do português (acabei me estendendo demais no comentário, hehe).

É isso. Obrigada se você leu minhas besteiras até o fim e desculpe pelo post gigante com poucas imagens. Como estou de férias, vou tentar escrever umas resenhas atrasadas para postar quando não tiver assunto. Aos poucos, o blog vai se recuperando do horror que foi junho (não sei, no entanto, se meu ritmo de leitura não vai diminuir drasticamente quando tiver aulas e estágio ao mesmo tempo. Veremos).

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O último amigo, Tahar Ben Jelloun

O último amigo

Tânger é como um encontro ambíguo, inquieto, clandestino, uma história que esconde outras histórias, uma revelação que não diz toda a verdade, um ar de família que envenena a sua existência desde que você se afasta; e você sente, então, que tem necessidade dela sem jamais conseguir saber por quê.

Um dos fatores que me fez querer participar do Projeto Volta ao Mundo em 80 livros foi o fato de que minha irmã iria participar também. Assim, preguiçosa como sou, não teria que ir atrás de alguns livros, pois ela os selecionaria por mim. É o caso de O último amigo, do marroquino Tahar Ben Jelloun.

O livro conta a história de Mamed e Ali, amigos desde a infância que se separam graças a Mamed, que não explica o motivo do rompimento — ou melhor, explica, mas não de modo convincente. Vemos a visão de cada um sobre a amizade deles, que nos lembra que narradores em primeira pessoa não são confiáveis e que a memória não é a verdade universal — coisa que a gente esquece com frequência, né? Eu li o primeiro relato acreditando em tudo, e quando li o segundo comecei a estranhar que alguns dados não batiam… Até entender o que o autor queria dizer com isso.

Uma coisa curiosa é que eu acabo me lembrando do Brasil de algum modo lendo a maior parte de livros de países não tão desenvolvidos, se é que posso chamá-los assim. Mamed vai para o exterior, mas sente falta do ar de Marrocos, do jeito que as coisas são. Imagino que me sentiria assim se morasse fora, sentiria saudades até dos defeitos brasileiros. O autor consegue descrever bem Tânger, fazendo o leitor sentir os seus aromas, suas cores e suas imagens e entender a relação dos personagens com a cidade.

Eu não gostei muito do final da história, do motivo pelo qual os amigos se separaram. Achei um pouco forçado, estava esperando outra coisa. O livro é bem curto, com pouco mais de cem páginas, então não dá muito espaço para desenvolver melhor alguns aspectos do enredo. Talvez, se fosse um pouco maior, eu teria aceitado melhor o final. De qualquer jeito, não é um livro me envolveu emocionalmente e provavelmente mesmo se fosse mais longo continuaria sem me emocionar (e talvez eu chegaria a me irritar mais com os protagonistas, porque são homens meio chatos).

Como O último amigo é curto, para o bem ou para o mal, ele tem a vantagem da leitura rápida, mas também tem a desvantagem de ser um pouco esquecível. Para quem se interessou, porém, vale a pena conhecer. 

Avaliação final: 3,5/5

sábado, 30 de maio de 2015

Laços, Vitor e Lu Cafaggi



O tema do mês do Desafio Literário Skoob é língua-mãe, ou seja, livros escritos originalmente em português. A minha ideia original era ler algum livro africano de preferência, porque gosto de fugir das opções mais fáceis. Mas, como quase sempre acontece com desafios, acabo escolhendo o mais prático para mim. A primeira leitura do mês para o desafio foi Nu, de botas, já que calhou de ser o livro que eu tinha pego na biblioteca no final do mês passado. A segunda foi Laços, uma leitura rápida e compra recente. Tenho comprado muitos livros e lido pouquíssimos deles — talvez eu faça um post explicando sobre isso depois —, e uma história em quadrinhos é uma boa opção para ler em um dia e me sentir um pouco melhor por ler algo da minha estante.

Eu tinha vontade de ler Laços desde o seu lançamento, porque foi bem elogiado e gosto da ideia de ver outros autores contando histórias da Turma da Mônica. O livro conta sobre o sumiço do Floquinho e como a turma se reúne para tentar encontrá-lo, lembrando a importância da amizade e dos laços entre eles.

A história pega bem o espírito da Turma da Mônica, os personagens mantêm as suas características originais. Apesar do foco ser nos quatro principais, que estão na capa, alguns coadjuvantes, como Xaveco e Denise, também aparecem, ou tem pequenas referências a eles. As referências a personagens e a situações clássicas da Turma são uma das partes mais legais do livro. Apesar de ter lido muitos gibis da Turma da Mônica e gostar até hoje das historinhas, não sou a maior fã, li pouco considerando tudo o que tem, então devo ter deixado algumas coisas passarem, mas foi bem legal ver como os autores se empenharam em cada detalhe.

O enredo em si, da parte sobre o sumiço do Floquinho, é o que eu menos gostei no livro. Não achei uma aventura muito empolgante, mas entendo que tinha que ter uma parte de ação para abrir espaço para as partes mais sentimentais.

Quanto à arte, Laços é incrível. Os desenhos são uma graça e gostei da forma que as cores e o estilo separaram as partes do presente das partes do passado. Tirei algumas fotos não muito boas para mostrar:

Para concluir, recomendo bastante a leitura de Laços. Não sei se quem não for apegado à Turma da Mônica (existe quem não goste deles?) vai aproveitar tanto a leitura, mas de qualquer jeito é um livro muito bonito.

Avaliação final: 4/5

P.S.: Não estou sendo a mais frequente das blogueiras nesse ano, e a tendência é piorar. Não sei se vou postar muito a partir de junho, porque estarei mais ocupada. Além disso, estou com várias resenhas atrasadas, que ainda não escrevi, e escrever muito depois de ler faz a qualidade das resenhas piorar ainda mais. Sinto muito por isso, e espero recuperar o ritmo e o ânimo de blogar algum dia, porque tenho várias ideias de post, só falta a vontade e determinação em escrevê-las.

sábado, 16 de maio de 2015

Nu, de botas, Antonio Prata

Nu, de botas

Uma mulher ruiva e muito perfumada me deu um beijo babado na testa e disse que tinha me visto nascer - ela me viu nascer, o seu Duílio me viu nascer, eu devia ter sido parido diante de uma arquibancada, só podia ser.

Todo domingo, quando pego o jornal para ler e me lembro que é dia de crônica do Antonio Prata, fico um pouco mais feliz. Então, não é nenhuma surpresa que eu tenha ido atrás dos livros dele. Nu, de botas reúne histórias sobre a infância do autor, passada principalmente nos anos 80 em São Paulo.

Nas histórias, sempre narradas com olhar infantil — ou pelo menos com o que os adultos pensam que é um olhar infantil —, temos desde acontecimentos mais genéricos, fáceis de criar identificação com o leitor, como o processo de alfabetização e a disputa entre os colegas para ter os melhores brinquedos, até eventos mais únicos, como a conversa com o Bozo.

Tenho mais dificuldade em falar a respeito de livros que não tenham uma única história. Como toda coleção de histórias (são contos? Crônicas?), algumas são mais inspiradas e outras nem tanto, mas mesmo as piores e mais clichês ainda são muito gostosas de ler. Eu terminei o livro com a impressão de que leria até bula de remédio se fosse o Antonio Prata que escrevesse, porque tenho certeza de que ele faria algo divertido com isso.

O livro trouxe uma mistura de agonia (uma agonia causada por quem consegue envolver o leitor de tal modo que ainda penso: por tão pouco ele não ganhou a bicicleta!), vergonha alheia, nostalgia e risadas, muitas vezes ao mesmo tempo. Recomendo a leitura, com certeza.

Avaliação final: 4/5

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Faking Faith, Josie Bloss

Faking Faith

Sure, I’d acted in a few school plays before, which technically counts as pretending to be someone else. While I was with Blake, I’d pretended to be someone who was entirely comfortable with that sort of relationship, and after everything that happened, I’d pretended like the bullying didn’t bother me. And I’d been writing in Faith’s voice for months now, which had totally been all about taking on a character. But none of those things really compared to two entire weeks of lying my ass off in person, twenty-four hours a day.

Tive alguns imprevistos nesse mês e acabei não me planejando direito para a leitura do Desafio Literário Skoob. Como fiquei com quatro dias para ler algo que se encaixasse no tema, desisti das minhas opções originais e optei por um e-book mais curto de um YA.

Minha vontade de ler Faking Faith veio unicamente da sinopse: após seu ex-namorado vazar fotos comprometedoras suas, Dylan acaba sendo excluída socialmente na escola. O seu refúgio após tanto assédio é ler blogs de garotas educadas em casa cristãs fundamentalistas, com os quais ela fica tão obcecada que começa a escrever o seu próprio, criando uma personagem, Faith. Com o sucesso de seu blog, ela fica amiga da blogueira do tipo mais famosa, Abigail, e combina de passar um tempo na casa dela. Então Dylan, uma adolescente urbana e moderna, terá que fingir ser Faith, conservadora, religiosa e virginal.

A sinopse me lembrou do reality show Catfish, e eu adoro essas histórias de fakes virtuais (saudades, Orkut). Mas o foco do livro é em como Dylan vê uma realidade totalmente diferente da sua. Eu gostei bastante de como essa abordagem foi feita, procurando ver os dois lados da coisa e deixando claro que tem coisas que são questões de fé, individuais, e que não vão mudar, por mais que a gente queira que não seja assim. Porém, não sei se alguém religioso enxergaria o livro do mesmo modo que eu, então talvez Faking Faith seja ofensivo para algumas pessoas (o que eu não gostei muito é que Dylan se coloca como normal em oposição à família de Abigail, mas eu acho que normalidade não existe. Mas tudo bem, acho natural uma adolescente pensar assim).

O livro tem também romance, que em si eu achei meio sem graça, mas gostei de como ele trouxe mais discussões religiosas e drama ao enredo.

Fiquei com medo que a história das fotos peladas de Dylan tivesse um tom moralista, mas achei o livro surpreendentemente feminista. Dylan se culpa inicialmente, como imagino que qualquer garota faria, considerando o contexto machista em que vivemos, mas depois ela entende o relacionamento abusivo que tinha com seu namorado e se liberta disso.

O que não gostei é que li o livro esperando uma coisa (algo mais focado em Dylan ter que fingir ser outra pessoa e depois os dilemas entre se revelar ou esperar ser descoberta e os dramas que isso traria) e acabei encontrando outra (me lembrou um pouco outro reality show, Adolescentes rebeldes, em que pais mandam os filhos para trabalhar em fazendas de famílias conservadoras). Tive que suspender bem a descrença para acreditar que Dylan conseguiu manter o disfarce sem nem saber fazer as tarefas que ela dizia que fazia no seu blog ou sem conhecer nada da Bíblia, e achei estranho que ela não tenha comentando muita coisa sobre internet quando estava na casa de Abigail. Se elas eram blogueiras conhecidas, por que só postaram uma vez enquanto estavam juntas?

Também não gostei de alguns aspectos do final. Algumas coisas se resolveram sozinhas e o final foi um pouco irrealista (mas pelo menos ele não exagerou tanto quanto podia ter feito). Acho que o livro poderia ter sido bem melhor se algumas coisas fossem mais desenvolvidas, fico até frustrada com isso, dá vontade de pedir para a autora fazer uma segunda edição maior e melhorada (o livro inteiro que podia ter sido e que não foi).

Para concluir, Faking Faith foi uma leitura agradável, prendeu a atenção e mesmo que eu tenha gostado mais da premissa do que de como ela se concretizou no livro, valeu a pena ter lido, especialmente por trazer discussões que não costumo ver em livros. Agora quero um YA com alguma história de Catfish.

Avaliação final: 3/5 (ou, para ser mais exata, 3,25/5)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Para quando formos melhores, Celeste Antunes

Para quando formos melhores

Fran saiu no escuro com Sara e escorregou no barro do jardim. Entrou em pânico ao perceber que estava caindo, congelou e não conseguiu jogar as mãos antes, e nem conseguiu sentir toda a dor que ecoava na parte de trás da sua cabeça. Pelo menos não antes de sentir a humilhação que tremelicava pelo seu corpo inteiro. Quis continuar deitada, mas julgava que o certo seria levantar. Quis sorrir para Sara e dizer que estava tudo bem, que ela ia levantar, mas não conseguiu. Fechou os olhos e se odiou, e odiou Sara porque ela não tinha caído, e odiou as risadas disfarçadas de quem não sabe o que fazer, e todas as cenas de todas as comédias em que alguém cai, a sua própria dor e a própria carne humana em que estaria presa por toda a sua vida.

Para quando formos melhores retrata cinco adolescentes paulistanos em meio ao seu dia a dia de escola, festas, bares e simples conversas nas casas uns dos outros. Gosto de ler e ver filmes sobre adolescentes no Brasil, então quando ouvi falar nesse livro não pude não colocá-lo na minha lista.

O livro pode mostrar a realidade de pouquíssima gente, mas ele acerta em cheio no retrato que se propõe a fazer. Estudei em uma escola meio intelectual, meio de esquerda e por mais que não fizesse parte do grupinho “popular” (em uma escola meio intelectual, meio de esquerda, os populares são os alternativos e indies, que, obviamente, nunca chamariam eles mesmos de alternativos ou indies), eu os acompanhei por anos. E foi uma delícia vê-los de certa forma nos personagens de Para quando formos melhores.

Consegui ver meus colegas naqueles bares que não frequentei, naquelas festas que preferi não ir e nas conversas que não tive ou que só ouvi. Mas se Teo, Lucas, Miguel, Sara e Fran são diferentes de mim pela extroversão ou pelo modo que escolheram se divertir, eles têm algumas semelhanças comigo nos dilemas da adolescência e em como veem o mundo. Afinal, mesmo que eu nunca tenha feito parte desse grupinho, éramos todos adolescentes, de classes sociais parecidas, com as mesmas referências.

Falando agora de forma mais objetiva, o livro é curto, com mais ou menos cem páginas, e tem muitos diálogos, colocados quase como se fosse teatro, misturados com partes mais introspectivas. É uma leitura rápida e só não ganhou 4 estrelas porque a metade final foca mais no Miguel e não me identifiquei tanto com os problemas dele.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 30 de março de 2015

Morte no Nilo, Agatha Christie

Morte no Nilo

— Sim, sim, é óbvio, como já disse. E tão comum também! Geralmente encontramos estas passagens nos livros policiais. Atualmente está um pouco vieux jeu! O que leva a crer que o assassino é uma pessoa muito simplória.

Não sou muito fã da Agatha Christie, mas gosto de ler romances policiais de vez em quando, e os dela são fáceis de achar. Morte no Nilo é, acredito eu, um dos livros mais conhecidos da autora, e vale a fama que tem.

A diferença entre esse e os outros três livros que li da autora é que Morte no Nilo apresenta uma grande variedade de personagens que é explorada mesmo antes do crime. Os personagens são caricatos, mas isso até é positivo, pois são tratados com ironia. Não tinha reparado que a autora era irônica desse jeito nos outros livros, vai ver eu não estava no humor certo quando os li.

Continuo não gostando do Poirot, mas pelo menos nesse livro achei sua arrogância engraçada. No entanto, o livro tem algumas coisas um pouco machistas e racistas. Nada de surpreendente, considerando a sociedade da época, mas foi a primeira vez que isso me incomodou em um livro da autora.

Costumo me sentir traída no final dos livros policiais por achar as resoluções sem noção demais (na verdade, fico é com vergonha de não ter adivinhado o criminoso). Nesse não achei tão surpreendente, mas ainda assim achei um pouco estranho o modo que o crime foi feito. Talvez eu tenha que parar de se importar com verossimilhança para gostar mais de romances policiais…

Enfim, não tenho muito mais o que falar. Recomendo o livro para fãs de romances policiais e para quem quer uma leitura fácil, rápida e que prende a atenção.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 27 de março de 2015

A esperança, Suzanne Collins

A esperança

Atenção: Esse post contém spoilers!

Panem et Circenses se traduz por “pão e circo”. O escritor queria dizer que em retribuição a barrigas cheias e diversão, seu povo desistira de suas responsabilidades políticas e, portanto, abdicara de seu poder.

Li Jogos vorazes no final de 2010 e Em chamas no começo do ano passado. E só agora, em 2015, terminei a trilogia lendo A esperança. O bom de ler depois de todo o bafafá passar é que as expectativas diminuem e não preciso explicar o enredo porque todo mundo já conhece (eu, preguiçosa?). O ruim é que é mais difícil lembrar o que as outras pessoas acharam do livro e tentar comparar a minha leitura com a dos outros.

A minha opinião de A esperança coincide com a de toda a trilogia: legal, rápido de ler, prende a atenção, mas tenho vários probleminhas com o enredo ou com personagens. Não são questões críticas sérias, são coisas pessoais que talvez sejam difíceis de entender, mas o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser, né?  É difícil, com livros tão comentados, fazer uma resenha comum apresentando o livro, então só quero fazer um apanhado geral das minhas impressões.

Para começar, vamos falar sobre a Katniss. Não é segredo que eu não gosto dela. É uma personagem interessante, mas detesto a sua narração. Não sei se os livros ficariam melhor com um narrador em terceira pessoa, porque acho que parte da graça é ter sentimentos, mesmo que raivosos, sobre os personagens. Mas em A esperança Katniss está deprê e para baixo e não dá para ficar muito brava com ela. O problema é que não dá para torcer por ela também, por sua falta de carisma. É tipo o que sinto nos filmes da Sofia Coppola (amo/sou comparações que só fazem sentido para mim): filmes sobre o vazio existencial me trazem sentimentos vazios. E eu leio ou vejo filmes para sentir alguma coisa.

Aliás, não consegui ficar emocionada com quase nada durante o livro. As mortes são pouco exploradas e acho a Prim uma personagem tão sem graça que queria mesmo que ela morresse para não aparecer mais . O Peeta está bem estranho e achei a história das teleguiadas muito viajada. Para ser sincera, não curto a parte tecnológica da trilogia. Entendo que tem que ter alguma criatividade e diferença em relação à nossa sociedade, mas às vezes é muito exagerado, o que até dificulta o entendimento (fiquei sem entender direito até agora o que é o Holo).

Não sei se eu compro totalmente a ideia da guerra como ela aconteceu, mas também não imagino sendo de outro jeito (o que basicamente resume todas as minhas críticas sobre a série: reclamo, mas não sei se ficaria melhor de outro jeito). O final é meio sem graça, mas, de novo, acho que é como tinha que ser.

A minha avaliação parece contraditória com o que falei até agora, mas é porque eu gostei do livro durante a leitura. Comecei a me questionar mais depois de ter acabado.

Para resumir: valeu a pena ter lido a trilogia? Sim. Indico para outras pessoas? Sim. Compraria para ter na minha estante? Não. Mas fiquei bem curiosa para ver os filmes, que muita gente acha melhor do que os livros. Eu vi só o primeiro e achei uma adaptação razoável, mas como o segundo lançou antes de eu ter lido o respectivo livro, fiquei atrasada e estou esperando passar na TV.

Ah, e sobre a edição: os últimos dois livros que li, contando com esse, foram da Rocco, e achei a revisão de ambos um pouco fraca. Espero que tenham corrigido/corrijam os erros nas edições futuras.

Avaliação final: 3,5/5

sexta-feira, 20 de março de 2015

Por você, Laurelin Paige

Por você

Embora seu olhar não fosse tão intenso como tinha sido quando eu o conheci, sua atração continuava tão forte quanto daquela vez, e eu sabia, absoluta e inequivocamente eu sabia, que ele me desejava tanto quanto eu o desejava.

Em geral, participo de todas as cortesias do Skoob que me interessam minimamente. Se penso: eu leria esse livro se ele chegasse a mim de alguma forma, eu entro no sorteio. Por isso, acabei ganhando livros que não são exatamente a minha cara, como o livro dessa resenha. Mas gosto de lidar com meus preconceitos, descobrir se estão certos ou não.

Por você, da Laurelin Paige, é um romance erótico. Ele conta a história de Alayna, uma jovem bartender. Após conseguir seu diploma de MBA, ela quer ser promovida, com um posto de gerente na boate em que trabalha. O foco no trabalho é o que a distrai de seus problemas: ela tem facilidade em ficar obcecada por homens e chega até a persegui-los dependendo do tamanho da obsessão.

Um dia, a boate é comprada pelo empresário podre de rico Hudson. Ele tem uma proposta difícil de resistir para Alayna: ela deve fingir ser sua namorada em troca do pagamento de suas dívidas estudantis. Mas essa proposta e a atração que os dois sentem um pelo outro podem trazer de volta os vícios de Alayna. O que ela ainda não sabe, no entanto, é que Hudson também tem grandes problemas.

O livro foi meu primeiro contato com romances eróticos. Não é um gênero que eu leria se não caísse nas minhas mãos, mas eu tinha sim certa curiosidade em relação ao sucesso de vários livros. Se não li Cinquenta tons de cinza, fiquei com Por você mesmo. E a experiência valeu a pena, mas não foi a ideal. Acho que vou ficar longe do gênero enquanto a proposta de um livro não me agradar.

O meu problema principal é que eu não consigo gostar de Hudson. Ele é rico, gostoso e controlador. E é para a gente gostar dele só por causa disso. Mas não tolero gente ciumenta, que omite informações e, acima de tudo, que objetifique mulheres (por isso os ciúmes: ele não gosta de compartilhar suas COISAS). Acho problemático esse homem ser o ideal que muitas mulheres desejam, mas não vou entrar nessa discussão porque é bem complicada e ainda tem muita coisa nela que me deixa em dúvida do que pensar.

Em uma comparação com o que sei sem ler de Cinquenta tons de cinza, no entanto, Por você tem seus méritos. Alayna é uma mulher decidida e que só é submissa quando quer. Ela gosta de se vestir de maneira sensual, está bem resolvida em relação à sua sexualidade e é uma ótima profissional. Alayna gosta de homens dominadores e embora às vezes Hudson faça besteiras, eles sempre conseguem resolver as coisas de comum acordo.

A leitura em si foi interessante. O livro tem conflitos e dramas, não é só cenas de sexo — que, inclusive, vão se tornando cada vez mais breves conforme a história vai se desenrolando, como se a autora não quisesse se repetir. Fiquei presa na leitura, mas, parando para pensar melhor depois de terminado o livro, a estrutura é sim um pouco repetitiva: são situações que levam a pequenas cenas de drama, que normalmente terminam com Alayna chorando e Hudson a consolando, e depois cenas de sexo.

Sobre as cenas eróticas, não sou a pessoa mais indicada para falar, porque achei risível. Mas Por você não parece sair muito do clichê do gênero, então quem gostar de livros do tipo e achar Hudson de fato um cara ideal provavelmente vai curtir as cenas também.

O livro é o primeiro de uma série e não sei de onde vai sair tanta enrolação para mais livros. Não pretendo ler as continuações, mas valeu a leitura. Agora posso parar de participar de cortesias eróticas no Skoob, porque já matei minha curiosidade.

Avaliação final: 2,5/5

quinta-feira, 12 de março de 2015

Hibisco roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Hibisco roxo

Mesmo assim, Jaja sabia o que eu comia de almoço todos os dias. Havia um menu colado na parede da cozinha, que Mama mudava duas vezes por mês. Mas ele sempre me perguntava o que eu tinha comido. Com frequência fazíamos perguntas cujas respostas já sabíamos. Talvez fizéssemos isso para não precisarmos formular as outras perguntas, aquelas cujas respostas não queríamos saber.

Foi por um acaso que o primeiro livro da Chimamanda Ngozi Adichie que li foi Hibisco roxo. E que acaso feliz! Tenho a impressão de que foi o livro certo para conhecer a obra da autora, já que é o primeiro romance dela. Minha ideia inicial era ler Meio sol amarelo, apenas por ser o primeiro livro da autora que conheci, e o que me despertou a vontade de ler algo da escritora. Mas acabei deixando a leitura para depois, e nesse meio tempo ela lançou Americanah e ficou bem mais conhecida no Brasil, despertando mais ainda minha vontade de ler.

Quando finalmente eu e minha irmã decidimos de uma vez por todas ler algo da Chimamanda, não havia Meio sol amarelo na biblioteca. Então, acabamos lendo Hibisco roxo, livro que conta a história do amadurecimento de Kambili, uma jovem nigeriana. Ela é filha de um homem de grande poder econômico que, apesar de ser considerado uma pessoa notável pela comunidade por sua resistência política e ajuda aos necessitados, é violento e intolerante em casa. Kambili está acostumada com sua vida regrada e silenciosa, mas quando passa a conviver mais com sua tia Ifeoma e seus primos, ela vê uma nova realidade. Realidade essa que, mesmo mais pobre, é libertadora para a garota.

Eu queria saber escrever bem sobre quando gosto muito de um livro, ter críticas bem desenvolvidas falando de suas qualidades, mas isso é um pouco difícil para mim. Quando um livro me toca, ele simplesmente o faz, sem tantos motivos racionais para isso. E Hibisco roxo me emocionou de uma forma que faz muito tempo que um livro não fazia. Não sei se é algo por trás da minha identificação com Kambili, de ver a minha insegurança e timidez nela mesmo com realidades familiares e sociais tão distintas, ou pelo fato de Chimamanda escrever tão bem, de um modo que a gente simplesmente entra no livro e entende tudo o que os personagens sentem. Provavelmente, é pelos dois motivos. O fato é que eu devorei o livro mais rápido do que pretendia, embora o final não tenha me animado tanto quanto o meio.

Mas Hibisco roxo não é só a jornada emocional da sua protagonista. É também um livro com críticas sociais e políticas fortes. O livro fala de colonização, de questões religiosas, de corrupção. A Nigéria, tão distante de nós, tem vários aspectos que lembram o nosso país. E é por isso que gosto de ler sobre outras realidades: além de ver as diferenças culturais, vemos também as semelhanças. Todos os livros, afinal, falam sobre humanos, de uma forma ou de outra.

Avaliação final: 4,5/5

Para conhecer mais sobre a obra da autora, recomendo a leitura desse post da Revista Pólen. E, aproveitando a discussão da Chimamanda sobre o perigo de uma história única para fazer um dos meus desabafos antiamericanos, o que dizer do Goodreads, que tem uma tag chamada cultural? A definição é de que livros culturais mostram um lugar ou tempo e sua cultura (ué, me diga um livro que não se encaixe nessa descrição?), e a maioria dos livros da categoria é estrangeira ou sobre personagens não brancos. Ou seja, segundo essa visão, livros sobre americanos brancos não são sobre cultura, são só livros, enquanto os estrangeiros se tornam representantes do país ou continente em questão… Não sou contra separar livros por nacionalidade, se fosse não estaria fazendo a volta ao mundo em 80 livros, mas separar livros como “cultural” é um tanto idiota e segregacionista.

De qualquer jeito, eu sigo na vontade de desfazer mais histórias únicas, e indico Hibisco roxo para quem quer fazer o mesmo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O oceano no fim do caminho, Neil Gaiman

O oceano no fim do caminho

Fui para outro lugar em minha cabeça, para dentro de um livro. Era para onde eu ia sempre que a vida real ficava muito difícil ou muito inflexível. Joguei no chão um monte de livros antigos da minha mãe, de quando ela era criança, e li as aventuras de garotas estudantes das décadas de 1930 e 1940. Elas passavam a maior parte do tempo enfrentando contrabandistas, espiões ou quinta-colunas, o que quer que fosse isso, e eram sempre corajosas e sempre sabiam exatamente o que fazer. Eu não era corajoso e não tinha a menor ideia do que fazer.

Acho muito difícil responder qual é meu escritor favorito. Ou eu não li livros suficientes de alguém para poder dizer que é favorito, e não que só amei um ou dois livros dele, ou eu li bastante mas não amo de paixão todos os livros de tal escritor. Esse é o caso do Neil Gaiman. Eu adoro Coraline, Deuses americanos e Stardust, mas Anansi boys e The graveyard book não me encantam tanto — não que eu não goste deles, só são livros esquecíveis para mim.

Então, não é surpreendente que eu fique adiando livros de autores de que gosto, com medo de decepção (ou só de preguiça às vezes, tem isso também). O oceano no fim do caminho recebeu muitas críticas positivas, o que aumentou minhas expectativas. Ao mesmo tempo, gente confiável com gosto parecido com o meu (também conhecida como: minha irmã) não gostou tanto do livro. Enfim, só sei que minhas expectativas estavam muito confusas e minha opinião bateu um pouco com isso: não amei o livro, mas também não odiei.

Não vou contar a história porque acho meio desnecessário. É interessante entrar em livros de fantasia conhecendo pouco do enredo para ir descobrindo as coisas junto com o protagonista. Mas eu acho que o que mais chama a atenção nesse livro do Gaiman é a parte não fantástica, a visão do homem adulto sobre a criança que ele foi.

Queria dizer que me emocionei e fiquei nostálgica sobre a infância lendo o livro, mas seria mentira. Talvez eu ainda seja muito nova para ter esse tipo de sentimento: me vejo mais como criança que como adulta. Também achei a narração um pouco repetitiva; o narrador fala sempre como era uma criança indefesa e fraca e sobre o quanto amava ler. Quem sabe quando eu me considerar uma adulta de verdade, e não alguém no meio do caminho, eu entenda melhor essa parte.

Quanto à parte fantástica, também não morri de amores por ela. Eu sabia que havia referências mitológicas por trás dos seres, mas não sabia quais eram, o que me deixou decepcionada. Pareceu sem sentido, sabe? Mesmo que obviamente tivesse um, que eu não peguei.

Agora para os elogios: os personagens são bem desenvolvidos e carismáticos, especialmente as Hempstock, e a leitura fluiu bem. É um livro curto, com duzentas páginas, e achei que ficou no tamanho certo: não explicou demais e estragou a magia nem ficou faltando coisa.

Enfim, acho que minhas impressões ficaram contraditórias e confusas, pouco confiáveis. O melhor modo de solucionar a dúvida entre ler ou não O oceano no fim do caminho é simplesmente ler o livro e tirar as suas próprias conclusões.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A cabeça do santo, Socorro Acioli

A cabeça do santo

Samuel era um corpo magro e faminto, quase uma sombra, que não parava de andar. Quase dez horas de caminhada por dia. Pouca água, comida rara, sono em cotas breves. Tudo ficou pelo caminho: juventude, alegria, pedaços de pele, mililitros de suor, quilos do corpo, e os parcos e velhos fios de esperança de que houvesse alguma coisa invisível que ajudasse os homens sobre a Terra. As esperanças nunca foram suas, eram de Mariinha, ele as usava por empréstimo em casos raros. Naquele momento, Samuel não tinha fé nenhuma nas coisas do espírito.

Não sei exatamente onde ouvi falar da obra de Socorro Acioli; só sei que um dia fiquei com vontade de ler os livros dela. Optei primeiro por A cabeça do santo, livro que conta a história de um homem, Samuel, que vive dentro da cabeça de uma estátua de santo Antônio e ouve as rezas das mulheres para o santo casamenteiro. Logo ele e seu jovem amigo Francisco têm uma ideia: se aproveitar disso para promover casamentos e dar conselhos amorosos. Samuel, em busca de seu pai, vai descobrir também muitas coisas sobre sua família nesse período.

A história do livro, embora contemple muito mais do que eu disse nesse resumo meia-boca, é simples, e é essa simplicidade que encanta. O tom da narração me lembra algo meio fabular, em um estilo semelhante ao de Luna Clara & Apolo Onze. Talvez seja algo típico do realismo fantástico, considerando que Socorro Acioli foi muito influenciada por Gabriel García Márquez, mas não conheço o suficiente do gênero para dizer.

Outra coisa interessante que observei na minha leitura é que o livro daria um bom filme. Dá para imaginar várias cenas no cinema conforme as descrições (não posso deixar de notar, no entanto, que talvez isso deva ao fato de eu estar mais acostumada com filmes com temática nordestina do que com livros. Assim, logicamente, usei minhas referências cinematográficas para imaginar as cenas).

O livro é curto, com menos de duzentas páginas, e  é uma leitura rápida e divertida. Recomendo, e quero conhecer mais da autora em breve.

Avaliação final: 4/5

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Codinome Verity, Elizabeth Wein

Codinome Verity

Sabem, eu a invejei. A simplicidade de seu trabalho, a limpeza espiritual disso: o avião e Maddie. Era tudo o que precisava fazer. Não havia culpa, nem dilema moral, nem disputa ou angústia — perigo sim, mas ela sempre soube o que enfrentava. Invejei que ela mesmo escolhera seu trabalho e fazia o que gostava. Não creio que eu tivesse ideia do que queria, então fui escolhida, não escolhi. Existe glória e honra em ser selecionada para algo. Mas não sobra muito espaço para livre-arbítrio.

É muito bom ter pessoas da sua família que trabalham na área editorial, porque você acaba tendo livros que não leria se não fosse por isso (claro que alguns deles você acaba não lendo de qualquer jeito — estou bem sem ler livros de política americana, muito obrigada). Codinome Verity é um desses casos: a temática não é das mais atraentes para mim, pois não sou muito interessada na Segunda Guerra Mundial. Mas o livro foi tão elogiado que eu tinha sim um pouquinho de curiosidade de ler. Afinal, não recuso a leitura de um YA físico que eu tenha em minhas mãos. Então, depois de anos de enrolação, finalmente o tirei da estante.

Codinome Verity conta a história de duas amigas, Queenie e Maddie. A primeira parte narra a história de Queenie, escocesa capturada por nazistas. Para sobreviver, ela deve revelar os segredos da guerra para os inimigos, e é por esse relato que sabemos o que aconteceu. Na segunda parte, vemos a versão de Maddie, piloto e melhor amiga de Queenie, da história. Não resumi bem, mas é difícil contar o livro sem spoilers.

Comecei o livro apreensiva, e não consegui gostar do relato de Queenie. Não parecia nada real que alguém que estivesse presa daquele jeito fizesse um relato tão literário e cheio de informações inúteis para quem a capturou. Sabe quando você lê um livro e não consegue parar de pensar que você está lendo um livro, que é só ficção? Eu não consegui entrar na história porque achei a parte da Queenie inverossímil demais. Além disso, a primeira parte é a que tem mais informações históricas e técnicas sobre aviação. É claro que tudo é bem pesquisado, e as informações encaixam na narrativa, mas não sou das maiores fãs de livros que nos ensinam coisas fatuais tão diretamente. Prefiro aprender nas entrelinhas.

Achei a segunda parte, narrada pela Maddie, bem mais interessante, e a leitura fluiu melhor. Tive que suspender a descrença também para achar que alguém escreveria relatos daquele jeito naquela situação, principalmente sendo alguém com poucos conhecimentos literários, mas pelo menos nessa parte foi mais fácil ignorar a inverossimilhança e entrar na narrativa. É na segunda parte também que tudo se encaixa e a gente entende algumas pontas que ficaram soltas na narrativa da Queenie.

Como não consegui entrar tão bem no livro no começo, não consegui me importar com os personagens nem me emocionar com a história. Depois de concluída a leitura, no entanto, não dá para não pensar que as personagens são incríveis e bem desenvolvidas. O problema é que não consegui sentir isso enquanto lia.

Enfim, imagino que Codinome Verity seja daqueles livros que “o problema não é você, sou eu”. Acho que é uma história interessante de um tema pouco explorado, mulheres trabalhando na guerra, mas foi uma leitura de altos e baixos e não deu muito certo para mim. De qualquer jeito, recomendo para quem se interessar pelo tema.

Avaliação final: 3/5

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Garoto zigue-zague, David Grossman

Garoto zigue-zague

E aí comecei a soluçar, no começo soluços leves, contidos. E para reforçar ainda mais a tristeza, lembrei das coisas que papai diz, que já não sabe mais o que fazer com um garoto como eu, que toda vez que ele acha que vou crescer e tomar jeito acabo regredindo, ficando estagnado, e mais; como é possível que alguém como ele tenha tido justo um filho como eu? E eu sabia que ele tinha razão, mas o que é que ele pensa, que não me esforço para que isto tudo acabe de uma vez por todas?

Só li Garoto zigue-zague porque foi o escolhido da minha irmã para representar Israel na Volta ao mundo em 80 livros dela, e acabei aproveitando para botar na minha lista também, porque minha ideia já era ler algo do Grossman (ou do Amós Oz), só não sabia que livro escolher.

Sem mais enrolações, o livro conta a história de Nono, um garoto prestes a completar treze anos. Antes do seu bar mitzvah, porém, ele vai viajar de trem para visitar seu tio, um educador chatíssimo. No entanto, o que o menino não espera é que sua viagem será a sua porta de entrada para muitas aventuras, nas quais que ele descobrirá muito sobre si mesmo e sobre sua história.

O livro começa com um certo clima de mistério, em que o leitor não sabe exatamente o que está acontecendo e o que vai acontecer, assim como Nono, mas aos poucos as coisas vão ficando claras, e, infelizmente, um pouco óbvias demais. Então, só resta esperar a ficha do protagonista cair enquanto ele passa por pequenas aventuras, até, finalmente, tudo ser esclarecido.

Eu gostei bastante do começo, e gostei do final, mas o meio do livro poderia ter sido enxugado um pouco. O livro tem um pouco mais de quatrocentas páginas e, não sei, mas acho que poderia ter só trezentas e estaria de bom tamanho.

Garoto zigue-zague é narrado pelo Nono mais velho, mas do ponto de vista dele jovem(?). Ou seja, o olhar ingênuo da criança, que eu tanto adoro, está presente na narração. Inclusive, mesmo que o livro provavelmente não fique na seção de infanto-juvenis nas livrarias, eu recomendo para os mais jovens também.

Para concluir, Garoto zigue-zague é um livro divertido, mas um pouco cansativo. Com personagens cativantes (saudades, Gabi!), ele conta uma história bonita sobre crescimento.

Avaliação final: 3,5/5

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nada, Janne Teller

Nada

O edifício era tão cinza, feio e quadrado que eu mal conseguia respirar; e, de repente, era como se a escola fosse a vida; a vida não deveria ter essa aparência, mas tinha. Senti um desejo violento de correr até o número 25 da Tæringvej, subir na ameixeira e ficar com Pierre Anthon, contemplando o céu até fazer parte do mundo além da porta sorridente e do nada e nunca mais ter de pensar sobre qualquer coisa. Mas eu deveria ser algo, ser alguém na vida, então não corri a lugar algum, olhei para o outro lado e finquei as unhas na palma da mão até sentir bastante dor.

Um dia, olhando os livros recém-adicionados no Skoob, me deparei com um título que chamou a minha atenção: Nothing. A sinopse me conquistou de primeira, falando sobre um menino do sétimo ano que descobre que a vida não tem sentido e por isso passa os seus dias sobre uma árvore. Coloquei o livro como “vou ler” e o procurei algumas vezes para baixar, mas não encontrei. Um tempo depois, vi que o livro tinha sido traduzido para o português pela Record. A partir daí, foi só esperar o livro entrar em promoção para finalmente tê-lo nas minhas mãos.

Conto essa história simplesmente para dizer que, diferente da maioria dos livros que leio, com Nada não tive contato com resenhas de outras pessoas — e, para ser sincera, nem a sinopse eu tinha lido inteira. Um menino que fica em cima de uma árvore falando que nada importa? Já era o suficiente para eu querer o livro. Por isso, eu não sabia direito o que esperar da leitura. E certamente saí surpreendida.

Para começar, eu achei que o foco da história fosse o Pierre Anthon, o garoto que sobe na árvore, mas a narradora é um garota da sala dele, chamada Agnes, e os protagonistas são todos os colegas da sala dela, que tentam fazer uma pilha de significados para mostrar para Pierre Anthon que a vida tem sentido. Essa pilha começa com coisas simples, como uma bola de futebol. Mas, aos poucos, os meninos ficam com raiva de terem que ceder objetos importantes para a pilha e pedem dos outros coisas mais e mais desafiadoras.

Nada não é um livro para se ler quando se quer fugir da realidade e ir para um lugar melhor. É uma leitura perturbadora e que, ao mesmo tempo que nos alivia ao pensar que é apenas ficção, nos deixa a pergunta se isso poderia acontecer na realidade.

O livro é dinamarquês, e por ter um conteúdo pesado e violento com personagens jovens e destinado a adolescentes, foi temporariamente banido na Escandinávia. Curiosamente, após ter sido liberado, o livro foi também para listas de leituras obrigatórias em escolas. Não concordo com a proibição, mas também não acho que o colocaria como leitura obrigatória, considerando que a leitura não é para pessoas de estômago fraco.

Nada é uma leitura que traz discussões importantes — desde sobre como grupos de jovens são influenciáveis (nesse sentido me lembrou do filme A onda) e sobre como o capitalismo nos pressiona até sobre o próprio sentido da vida. Os personagens do livro são quase repulsivos, e dá agonia ver como eles preferem tirar algo desagradável da frente deles em vez de discutir sobre o assunto, mas também dá para se perguntar até que ponto nós também não somos assim. No final, Nada traz mais perguntas que respostas. Fazia muito tempo que eu não lia algo tão provocador, e é incrível pensar que Nada cria esse efeito em menos de cento e trinta páginas.

Avaliação final: 4/5

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Desafios literários 2015

Como tive um semestre atípico na faculdade e meu fim de semestre está sendo em janeiro, acabei procrastinando alguns posts no blog. Um deles é este: o de desafios de 2015. No final dos últimos anos, sempre fico ansiosa esperando a lista de desafios que vão sair. Fico dividida entre querer que as listas não me agradem e assim eu possa ter um ano menos preso a desafios e a querer que as listas sejam incríveis.

Como estou com vários projetos e com algumas metas, além da TBR jar, acabei participando de mais desafios do que pretendia. Pensei em participar de mais um além dos que vou citar no post, mas acabei desistindo porque eu ia (ou melhor, eu vou) acabar me enrolando com todas essas leituras. Felizmente, só um dos desafios é mensal, o resto pode ser lido quando eu tiver vontade.

O primeiro desafio, que é o que eu pretendo seguir mais seriamente, é o Desafio literário Skoob. Ele é feito a partir de um grupo do Facebook e segue a proposta dos desafios mensais: todo mês tem um tema e você tem que ler e resenhar algum livro do tema. Gostei dos temas desse ano porque são um pouco mais livres, sem tantos gêneros como outros. Assim é mais fácil de adequar os livros que eu tenho em casa com o desafio.

Os temas e algumas das minhas ideias de leitura são:
Janeiro: Novinho em folha (o último livro que você comprou/ganhou/baixou/pegou emprestado)
Já li Uma casa na escuridão. Se eu conseguir terminar em janeiro, vou ler também O garoto zigue-zague, do David Grossman. Esses são os últimos livros que minha irmã alugou na biblioteca.

Fevereiro: Fantasia
A casa dos muitos caminhos, da Diana Wynne Jones, O oceano no fim do caminho, do Neil Gaiman, ou Wildwood, do Colin Meloy. Os três estão esperando aqui na estante para serem lidos há um bom tempo.

Março: Escritoras com ‘A’ maiúsculo (um livro escrito por mulher)
Vou casar com algum dos meus projetos e ler Codinome Verity, da Elizabeth Wein, ou A lista negra, da Jennifer Brown. Ou qualquer um que der vontade. Tem bastante coisa de mulheres na minha estante.

Abril: Pega na mentira! (uma história que envolva mentira, falsidade, enganação)
Quero ler Garota exemplar, da Gillian Flynn, ou Depois da escuridão, do Sidney Sheldon. Minha tia que me emprestou os dois.

Maio: Língua-mãe (livros escritos originalmente em português)
Esse também é desses que é tão livre que dificulta a escolha. Comprei recentemente Rani e o sino da divisão, do Jim Anotsu, e estou com muita vontade de ler. Como vou fazer uma matéria sobre literatura africana de língua portuguesa na faculdade, pode ser que eu encaixe alguma das leituras nesse tema.

Junho: Casais (namorados, casados, separados, viúvos, etc)
Pensei em Na praia, do Ian McEwan, ou em O mundo pós-aniversário, da Lionel Shriver. Se eu quiser algo mais leve, tem vários YAs para escolher.

Julho: Inverno (histórias que se passem em um lugar frio, capas que remetam ao inverno)
Estou adiando a leitura de O palácio de inverno, do John Boyne, há muito tempo. E meu tio me emprestou Boneco de neve, do Jo Nesbø. Fiquei feliz em ver que as pessoas acabaram me ajudando no desafio mesmo sem eu ter falado nada para elas.

Agosto: Folclore e Mitologia
Minha irmã tem um livro de mitos noruegueses chamado Askeladden e outras aventuras, e devo ter em casa outros livros de mitos mais infantis. Também tenho Odd e os gigantes de gelo, do Neil Gaiman.

Setembro: Livros banidos (tem uma lista aqui para ajudar: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_livros_censurados)
Eu podia escolher vários clássicos, mas provavelmente vou ficar com os YAs banidos em escolas. Quero ler Diário absolutamente verdadeiro de um índio de meio expediente, do Sherman Alexie, ou Forever, da Judy Blume.

Outubro: Terror
O que eu tenho em casa: A outra volta do parafuso, do Henry James, Nosferatu, do Joe Hill e Histórias de horror, de vários autores.

Novembro: Finados (personagens que têm que lidar com a morte – já ocorrida ou iminente)
Minhas escolhas por enquanto são Como falar com um viúvo, do Jonathan Tropper, e Morte e vida de Charlie St. Cloud, do Ben Sherwood. Mas tem vários livros que falam sobre o tema, então posso ler outra coisa.

Dezembro: Ganhadores de prêmios (livros/autores vencedores do Jabuti, Nobel, Pulitzer, etc)
Só pensei em Luz em agosto, do William Faulkner, mas tenho vários livros que ganharam prêmios menores. Vou acabar escolhendo pelo meu humor.

O segundo desafio do qual vou participar é o Desafio literário do Tigre, pela segunda vez. Dessa vez, o modelo é diferente e sugere que você leia dois livros por mês, escolhendo o tema que se encaixe dentre as opções.

DL do Tigre Como são muitos temas, não vou criar minhas opções para cada e vou encaixar minhas leituras no desafio como der. Alguns temas, como poesia e crônica, não são tão fáceis e provavelmente vou ter que ler só para o desafio, mas não é nenhum problema. O difícil, no começo, é escolher em que categoria vai ficar o livro, porque vários se encaixam em mais de uma.

O último desafio, que vou fazer só de curiosa, é o que inspirou o DL do Tigre. Pelo que eu entendi, é de uma revista feminina, e as categorias são essas:Reading challenge

(a imagem ficou minúscula e ilegível, desculpem aí. Mas é só procurar 2015 reading challenge no Google que dá para encontrar uma maior)

Esse vai funcionar assim: eu vou encaixando os livros nos temas e vejo como fica. Cada livro pode ser usado em mais de um tema, para ficar mais fácil. Aí no final do ano eu vejo quantas categorias eu li das cinquenta. Se der para completar, melhor ainda.

São esses o três desafios de 2015. Espero que eu consiga desencalhar vários livros da minha estante… Vou colocar o andamento dos desafios na página de projetos para ficar mais fácil de acompanhar. Boa sorte para nós!