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sábado, 11 de agosto de 2018

Leituras do mês: julho

O hábito da escrita é um hábito muito fácil de se perder. Não completamente, é claro. Mas manter um blog e fazer resenhas frequentes é difícil, ainda mais quando quase ninguém mais se interessa por resenhas em texto. Tinha uma época em que eu conseguia resenhar praticamente tudo o que lia, mas de repente meu ritmo de leitura atropelou o ritmo de escrita e só fui acrescentando nomes de livros para resenhar em uma lista infinita. E cada vez que olhava para a lista eu ficava mais desanimada e tinha menos vontade de escrever. Resisti por um tempo, com uma resenha aqui e outra acolá, se as leituras realmente me diziam algo, mas tem uma hora que você precisa admitir que não dá mais. E só assim podemos começar de novo.

Então é isso: não vou mais escrever resenhas, a não ser que os livros realmente me tragam muita inspiração para escrever. Em vez disso, vou comentar mensalmente minhas leituras, em um formato curto e grosso. Se isso vai durar eu também não sei, mas vamos tentar, né?

1- Sonhos que ganhei, Solaine Chioro
Alguns autores brasileiros vêm lançando bastante coisa de forma independente na Amazon, com preços baixos e às vezes gratuitos. Em geral são contos ou coletâneas, como é o caso desse. Sonhos que ganhei é uma reunião de histórias natalinas que se passam na mesma cidade — por isso alguns personagens aparecem em mais de um conto. Não sou a mais fanática pelo espírito natalino, mas as histórias são bonitinhas e fáceis de ler. No entanto, achei o conto final, o próprio "Sonhos que ganhei", um pouco forçado no drama pré-redenção natalina, se é que vocês me entendem. Avaliação: 3/5

2- O vilarejo, Raphael Montes
Minha primeira experiência com a obra de Raphael Montes foi este curto livro de contos, cada um com a temática de um dos sete pecados capitais. São histórias sombrias que se passam no mesmo vilarejo e portanto alguns personagens aparecem em mais de um conto (juro que a escolha dele após Sonhos que ganhei foi coincidência!). Essa conexão é o aspecto mais interessante do livro, visto que os contos são muito curtos para desenvolver algo mais complexo. Existe um clima de terror, mas a falta de espaço para desenvolvimento impede que o livro seja verdadeiramente assustador. Não me empolgou por completo, mas ainda tenho curiosidade em conhecer o resto dos livros do autor. Avaliação: 3/5 

3- Fever pitch, Nick Hornby
A Copa do Mundo é o único momento em que me importo com futebol, portanto foi o período ideal para ler a obra de Hornby sobre o esporte. Ele nos conta sobre sua relação com o time Arsenal e sobre como tudo à sua volta acaba sendo impactado pela sua obsessão futebolística. É uma leitura interessante para quem também é fanático por algum esporte — no meu caso, patinação —, mas também é um pouco cansativo para quem não liga para a história do Arsenal, já que há algumas descrições de jogos. Avaliação: 3/5

3- Mary Poppins, P.L. Travers
Sou uma pessoa que normalmente gosta de literatura infantil. Existem escritores que conseguem transmitir a ingenuidade do mundo das crianças com facilidade para as suas páginas, criando histórias divertidas para todos. Mas às vezes alguns livros não conversam tão facilmente com a gente. Foi o caso de Mary Poppins. Eu não assisti ao filme clássico da Disney para poder comparar e para ter a sensação de nostalgia, então a história da babá mágica era completamente nova para mim. Nova e entediante, para ser sincera. Mary Poppins é uma babá rígida e rude no livro e a magia que ela traz pode fascinar as crianças, mas não me encantou. Cada capítulo do livro conta um causo diferente, e o meu favorito foi o focado nos bebês da família, que cria uma história bonitinha para explicar o mundo deles — eles conseguem se comunicar com o resto do mundo, como com passarinhos (mas não com humanos crescidos), e perdem essa capacidade ao crescer e se integrar melhor em sociedade. Não sei se seria um livro que me animaria quando criança também, porque talvez seja questão de estilo mesmo: é uma literatura infantil bem clássica, centrada na mágica pura e simples de voar, conversar com animais e coisas assim, e talvez isso não anime tanto quem cresceu com Harry Potter. Mas a edição da Cosac Naify é bela. Avaliação: 2,5/5

4- Gen - pés descalços, volume 3: trigo, é hora de brotar, Keiji Nakazawa
Nesse volume, continuamos acompanhando os sofrimentos de Gen, sobrevivente da bomba atômica, para conseguir dinheiro. Ele tem dificuldades de achar trabalho e quase não encontra solidariedade entre os outros sobreviventes, egoístas e preocupados apenas com a própria sobrevivência. Ler os mangás de Gen não é fácil; é uma leitura crua e angustiante, que nunca nos deixa esquecer das violências da guerra. É um pouco cansativo ver Gen constantemente conseguindo alguma coisa (dinheiro, comida) e depois a perdendo por ele ser bondoso ou pelos outros o roubarem, mas faz parte da repetição da vida. Avaliação: 3,5/5

5- Everything I never told you, Celeste Ng
Celeste Ng é uma autora tão bem comentada na minha bolha internética que eu fiquei com medo das expectativas estragarem minha leitura. Não foi o que aconteceu. Fui emocionalmente capturada pela história da família Lee. A autora conseguiu criar personagens críveis e também construir bem a narrativa de forma que o leitor vai entendendo aos poucos as motivações de cada personagem. No início eu estava achando a história um pouco esquemática demais — a mãe, que é branca e sofre com o machismo, quer se destacar de todos, enquanto o pai, que sofre racismo por ser descendente de chineses, quer apenas ser visto como mais um na multidão, um americano comum como ele de fato é —, mas com o tempo consegui entrar na mente dos personagens, embora o destaque ainda fique com os filhos, na minha opinião. Everything I never told you é um drama familiar que me fisgou e conversou comigo como poucos livros fizeram recentemente, e agora estou curiosíssima para ler Pequenos incêndios por toda parte. Avaliação: 5/5
 
6- Isto não é um livro de Matemática, André Caniato
Outro continho que baixei gratuitamente na Amazon e minha primeira experiência negativa com o que eu chamo de "leituras de ponto de ônibus". A questão é que o formato desse conto não me prendeu — o protagonista e narrador usa seu caderno de matemática como diário durante as aulas — e não consegui criar empatia com nenhum personagem. Além disso, a descrição do interesse amoroso como japonês, esclarecendo depois que a fotografia que ele usava em um site era real, mas que o protagonista achou que fosse de um ator porque "ele não era como todos os outros", me soou bem racista e ofensiva. Não sei se tem outra maneira de interpretar isso, mas não nego que fiquei com raiva. A sacadinha final é fofa e é o aspecto mais interessante do livro. Avaliação: 2/5

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares, Ransom Riggs

 

Jacob era um garoto normal. De família rica, ele tinha dificuldades em fazer amigos, e a pessoa de quem era mais próximo era seu avô, especialista em histórias de fantasia. Ou pelo menos era isso que o menino queria acreditar, apesar do avô defender a realidade do que contava. Mas um dia tudo mudou, e Jacob nunca mais se veria como normal novamente.

O lar da srta. Peregrine para crianças peculiares estava na minha lista de interesse faz tempo, devido às fotos peculiares e ligeiramente assustadoras que recheiam suas páginas. Vi uma multiplicidade de opiniões a respeito do livro: há quem amou, quem não ligou e quem se decepcionou profundamente. Parece que muita gente esperava algo mais histórico, porque o avô lutou na segunda guerra e o começo é mais pé no chão. Mas não se engane: é uma história típica de garoto-se-acha-normal-e-descobre-mundo-de-fantasia. Tão típica que fiquei pensando que já tinha lido esse livro antes, só que com outras roupagens. Não é que seja uma cópia, mas simplesmente li livros demais desse tipo. E se quando era mais nova era exatamente o que procurava, hoje já acho o modelo cansativo.

O começo é cativante, gostei da relação do Jacob com a família, cheia de problemas mas não caricata e puramente odiosa. E o avô é um personagem interessante. Quando Jacob vai para a ilha onde está o tal lar de crianças peculiares, continuamos com o clima misterioso e sombrio do início, mas logo a fantasia entra e tira o espaço de uma realidade que poderia ter sido mais explorada.

Temos então a parte de descobertas da história, que logo dá espaço para as cenas de ação e aventura. Conhecemos as crianças peculiares e seus inimigos, caindo no convencional. Mistérios são revelados e outros surgem, criando espaço para novos livros com mais ação e suspense.

É aí que entra a diferença da Marília mais nova e a de hoje. A mais nova compraria o resto da coleção e o devoraria avidamente, até porque é de fato uma história facilmente devorável. A de hoje tem preguiça e sabe que vai esquecer detalhes do enredo dois segundos depois, então não adianta manter a ilusão de que vai ler o resto. Não é você, livro, é a Marília do presente e o excesso de histórias parecidas que ela leu.

Por ser uma história interessante do ponto de vista visual, no entanto, com cenários decadentes e sombrios, fiquei bem curiosa para ver o filme e descobrir como Tim Burton deu vida às fotografias peculiares.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Love, loss, and what we ate, Padma Lakshmi

It's funny to me that most of the cooking in the world is done by women, and yet when you look at modern Western cuisine, it's largely based on what a few dead Frenchmen have opined to be the correct way of doing things. (...) Cooking was something women did to nourish and nurture their families, whereas for men it was something they did professionally to gain money and status.
Love, loss, and what we ate foi uma leitura feita para o Ler além, na categoria biografia de mulher não branca. Descobri a existência do livro por acaso, em um e-mail de promoções de e-books, e achei que seria uma boa escolha para o desafio, visto que não tinha muitas opções em mente. Simpatizava o suficiente com a Padma como apresentadora do Top Chef, meu reality de culinária favorito, e o pouco que sabia de sua vida pessoal envolvia seu casamento com o escritor Salman Rushdie.

É claro que Padma entrega o ouro logo no começo, e inicia o livro falando do relacionamento com Salman: sobre como eles se conectaram de primeira e logo se apaixonaram, o drama de estar namorando alguém casado, como ela se sentia ao redor dos amigos escritores e intelectuais dele, e o que aconteceu para tudo dar errado. Não é surpreendente que a imagem apresentada de Rushdie é de alguém arrogante e egoísta, ainda que charmoso; minha parte favorita é quando ela diz que ele ficava aguardando ansioso o anúncio do Prêmio Nobel de Literatura e depois, ao não ganhar, dizia coisas como "gênios como Proust e Joyce nunca ganharam também". 

Após o término do relacionamento deles, a história retorna mais ou menos ao começo da vida de Padma: temos capítulos sobre sua infância na Índia e a mudança para os Estados Unidos, recheados por memórias gustativas e (poucas) receitas. Gostei da abordagem culinária, mas quem não tem muito conhecimento sobre comida indiana como eu pode sofrer um pouco para imaginar os sabores descritos — o que é um problema meu, não do livro.

Para quem é fã de Top Chef, Padma acrescenta aqui e ali pequenas curiosidades ou fatos sobre o programa, mas ele está mais como pano de fundo dos acontecimentos pessoais do que como foco de algum capítulo, por exemplo. Quem esperar muito sobre o bastidores pode ser decepcionar.

Após o relacionamento com Salman Rushdie, Padma esteve envolvida com dois homens: o rico Adam Dell e o ricaço Teddy Forstmann. Temos então novos dramas, como os desentendimentos com Adam, pai da filha dela, e a morte de Teddy (a tal da "loss" do título). Não é a parte mais interessante da biografia, mas, como o resto do livro, é fácil de ler.

Muitas resenhas sobre esse livro apontam para Padma como "metida" ou "reclamona". Eu particularmente não fiquei com essa impressão. É verdade que ela não reconhece tanto seus privilégios e falar sobre as discriminações que sofreu na vida (como mulher indiana, como modelo com uma cicatriz grande no braço) pode dar a impressão de que ela se vê como coitadinha — a comparação entre a família de Salman, de ricos, com a dela, de classe média, por exemplo, dá a impressão de que ela se acha pobre, quando o simples fato da sua mãe ter se mudado para os Estados Unidos nos diz que ela não é tão pobre assim. O fato é que ela teve sim uma vida bem diferente da imagem da celebridade americana média e não vejo por que isso não deveria estar exposto.

Por outro lado, também entendo a opinião de quem não gostou da figura de Padma exposta no livro: são suas memórias, e não há como escapar de momentos egoístas ou erros cometidos. A autora vende uma imagem mais acessível, mais humana — ainda que sem excessos —, em oposição à figura de uma mulher modelo e inspiradora pela qual poderia se esperar de uma autobiografia. 

Como não costumo ler biografias, é difícil de avaliar esse livro dentro do gênero. No geral, achei o formato um pouco irregular — às vezes os capítulos iam e voltavam no tempo, tornando a leitura confusa. O conteúdo é mais ou menos o esperado: muito sobre os relacionamentos de Padma, alguma coisa sobre a família e a juventude e um pouco sobre a carreira. Tudo isso, é claro, temperado pelas memórias culinárias. Não é, enfim, um livro que mudou minha vida, mas algumas observações o fizeram valer a pena para mim.

Avaliação final: 3/5

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação, Haruki Murakami

 
De julho do segundo ano da faculdade até janeiro do ano seguinte, Tsukuru Tazaki viveu pensando praticamente só em morrer. Nesse meio-tempo ele completou vinte anos, mas o marco não significou nada em especial para ele. Naquela época, acabar com a própria vida lhe parecia a coisa mais natural e lógica a ser feita. Até hoje ele não sabe bem por que não deu o passo derradeiro. Afinal, naquele momento, atravessar a soleira que separa a vida e a morte era mais fácil do que engolir um ovo cru.
Ah, Murakami... Ainda me lembro do período em que namorei avidamente seus livros, pensando que você poderia ser meu novo autor favorito. Comprei Norwegian Wood, com o preço cheio na internet — o que eu achava um ultraje — só porque a edição parecia esgotada em quase todos os lugares. Alguns meses depois, é claro, vi o livro nas estantes das livrarias novamente. Mas eu não me arrependi da compra. Li logo o romance e adorei. Me lembro de terminá-lo de madrugada, quando minha família já estava dormindo. Eu devorei Norwegian Wood. Como eu tinha pesquisado bem os outros livros do autor, sabia que eles não eram tão parecidos com o que eu lera: tinham talvez o mesmo tom melancólico, mas também os tais elementos fantásticos tão típicos da sua obra.

Então eu li Após o anoitecer e não gostei muito. Quando peguei o assunto dessa resenha (finalmente!) para ler, portanto, minhas expectativas já estavam menores — mas bem confusas, porque O incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação fez um sucesso grande para um livro do Murakami, e vi várias opiniões diferentes sobre ele.

Tsukuru é um protagonista meio padrão do autor: um homem solitário e melancólico que se sente fora do lugar. O motivo por trás de toda essa tristeza é a exclusão que ele sofreu por seus amigos da juventude, um quarteto formado por Azul, Vermelho, Branca e Preta. Tsukuru já se sentia deslocado por não ter um nome de cor, mas quando eles param de falar com ele sem nem explicar o motivo, nosso pobre protagonista fica traumatizado. É com a ajuda de Sara, uma potencial namorada, que Tsukuru tenta entender melhor o passado e tudo o que aconteceu.

O enredo em si é interessante. Fiquei curiosa para entender o motivo por trás da exclusão de Tsukuru e todos os pedaços que vão se encaixando aos poucos na narrativa. Mas eu me senti indiferente a quase tudo durante a leitura. A amizade do grupo é mais contada que mostrada, então não dá para entender toda a questão de Tsukuru com eles, e esse é o assunto principal da história.

Basicamente, meu maior problema com o livro é que eu não entendo o que ele quer dizer com a história e se ele está apoiando o protagonista ou não. Não que a mensagem tenha que ser explícita, mas eu não faço a menor ideia do que havia na cabeça do Murakami ao escrever esse romance.

A descrição das personagens femininas, por exemplo, é de um viés de objetificação, e eu não sei o quanto isso é consciente ou não, mas incomoda ler sobre como Tsukuru sentia os peitos da amiga ao abraçá-la, por exemplo. É um narrador obviamente masculino e atualmente isso me incomoda se não há nenhum tom de sátira ou alguma indicação de que o romance considera o personagem babaca.

Gostei bastante do início do livro, quando a gente é apresentado ao Tsukuru suicida e vamos entendendo os motivos aos poucos. Também achei interessante a amizade dele com Haida, meu personagem favorito, embora ela não ofereça muitas respostas. Seria errado esperar explicações de um livro do Murakami?

No geral, é uma leitura interessante, mas naquele sentido de "interessante" de quando a gente não quer falar mal. Não sei identificar o motivo exato da minha estranheza com o livro — podem existir questões de traduções também, visto que a sintaxe japonesa é muito diferente da nossa. Acho que o que mais incomoda, no fundo, é não saber o quanto dessa estranheza é proposital, ou se na verdade existe todo um outro jeito de ler ao qual eu não fui ensinada.

Avaliação final: 2,5/5

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Podium finish, Beth Pond

 
When it's time to put my skates on, I try to do it left foot first like Alex dared me to, but it feels wrong, like my foot has been jammed into a skate that's a size too small. My fingers fumble with the laces as I pull them taut. This isn't right. It's not superstition though. I just can't break a fourteen-year-old habit. I take the skate off and start over, putting my right skate on first this time. My foot slides in easily, and there's a satisfying swoosh as I pull the laces tight. Much better.
Harper Kavanaugh, ou Kav, é uma das jogadoras mais novas do time americano de hóquei no gelo. Sua colega de quarto no centro de treinamento olímpico de Colorado é Alex, uma patinadora artística que, após uma péssima posição em sua primeira competição nacional na categoria sênior, decide mudar para a modalidade de dança no gelo, na qual ela faz par com Ace.

Kav e Alex têm o mesmo objetivo: uma medalha de ouro nas Olimpíadas de Reykjavik. Para correr atrás disso, no entanto, elas terão de enfrentar alguns obstáculos: Kav, como novata do time, precisa mostrar que ela é a melhor na sua posição, mas um problema no joelho pode colocar tudo a perder, e Alex sofre com as exigências do pai, que quer que ela busque patrocinadores, e a recusa de Ace em se abrir e participar da publicidade.

Eu conheci Podium finish através da busca da Amazon. Queria ler algo sobre patinação e tinha um cupom de dez reais para gastar, o que transformou a minha compra em um total de zero reais. Como eu nunca tinha ouvido falar do livro e da autora, minhas expectativas eram baixas. Por isso, acabei me surpreendendo com o livro. É claro, eu gostaria mais se o foco fosse só na patinação, mas a parte do hóquei não foi tão entediante. Tudo bem, as cenas de ação dos jogos são difíceis de entender e visualizar mentalmente — só que, até aí, os programas de patinação também são, e ainda com o agravante de não terem a música. O bom, ou ruim, dependendo do ângulo, é que provavelmente devido a essa dificuldade descritiva a autora não passa tanto tempo nessas cenas. Por um lado, como já disse, isso evita descrições longas e técnicas. Por outro, o clímax do livro fica um tanto... anticlimático. A construção da tensão é bem-feita durante o livro, mas quando ele termina você fica meio "é isso?". Não consigo imaginar um final melhor, mas há algo de sem graça nele.

Gostei da opção da autora de explorar duas vozes diferentes. Não achei em questão de narrativa as vozes de Kav e de Alex muito distintas, mas os dilemas e questões delas são. O arco da Kav envolve uma lesão, o que é interessante porque é algo tão comum no meio esportivo mas que às vezes a gente esquece. É dela também a parte do romance — bonitinha e ordinária, um tanto inofensiva. O relacionamento entre Alex e Ace, em comparação, parece um tanto mais real e com mais camadas. O companheirismo e a união deles é exatamente o que a gente imagina de parceiros de dança, e as discussões entre eles são verossímeis também. Eu preferiria que essa relação fosse mais aprofundada, mais mostrada em vez de contada, mas é o preço a se pagar ao apresentar duas vozes em vez de uma só com pouco espaço para desenvolvê-las.

No geral, não recomendaria Podium finish para todo mundo. Pessoas que não acompanham os esportes provavelmente não vão ver graça no cotidiano retratado, que é o maior trunfo do livro na minha opinião. Quem tiver curiosidade sobre o assunto, no entanto, tem o potencial de se divertir com os bastidores esportivos que raramente são mostrados na TV.

Avaliação final: 3/5

sexta-feira, 3 de março de 2017

Rani e o Sino da Divisão, Jim Anotsu

A coragem de um Animal de Festa, como eu podia ver, consistia em se importar muito com tudo e com todos, a ponto de entrar em uma briga muito maior apenas para proteger aqueles que eram importantes para nós. Ninguém ali estava entrando em uma briga para salvar o mundo ou algo épico, o escopo da nossa batalha era muito menor. Lutaríamos contra Aiba para que pudéssemos nos reunir em Gertrudes, para tocar em uma banda de duas pessoas, ler quadrinhos e nos sentarmos no posto de gasolina. Pelas pequenas coisas que realmente importavam.
Ouvi falar bastante no Jim Anotsu, nome que se destacava como autor novo brasileiro entre os blogueiros literários que eu acompanhava. Assim, fiquei bem curiosa quando ele lançou Rani e o Sino da Divisão, com uma edição bonita e elogios de várias pessoas. É claro que, sendo eu, demorou algum tempinho para que o livro fosse parar nas minhas mãos, e mais um tempo razoável até que eu decidisse lê-lo. Isso provavelmente se deu por um motivo simples — eu queria gostar do livro, mas ao mesmo tempo não é exatamente o tipo de história que eu mais aprecio atualmente. Tenho lido pouca fantasia, que antes era um dos meus gêneros favoritos, e o enredo de Rani, com suas criaturas sobrenaturais e artefatos mágicos já não me chamava mais a atenção. Tudo isso para dizer que acho que a Marília do passado teria aproveitado muito mais o livro.

A primeira evidência é bem óbvia: Rani é uma adolescente fanática por música, literatura e nerdices, e o livro é cheio de referências à cultura pop. Eu tive uma fase bem fã, que ganhava o dia se visse alguém falando das minhas bandas favoritas e tal, mas embora algumas das citações tenham me feito sorrir (The Automatic, My Chemical Romance, Andrew Bird, Studio Ghibli, Abarat, Artemis Fowl...) isso não foi o suficiente para superar a quantidade de coisas com as quais eu simplesmente não me importava — basicamente todo o heavy metal. As referências funcionam como uma faca de dois gumes, ao mesmo tempo em que podem aproximar o leitor podem também deixá-lo bem deslocado. Não é nada que atrapalhe de fato o andamento da história, e achei inclusive um dos diferenciais do livro, mas para mim foi um pouco excessivo.

A outra questão é mais simples: como já disse antes, não ligo tanto para fantasia atualmente. O enredo do livro não conseguiu me prender nesse aspecto, e eu preferiria ver uma história de Rani e seus amigos em pequenas aventuras do que na jornada da protagonista contra Aiba. Inclusive achei o final um pouco frustrante, como é comum em qualquer história que tenha vilões tão grandiosos. Ainda assim, eu diria que esse problema também é mais “não é você, sou eu”.

Em relação aos personagens, creio que Jim Anotsu conseguiu criar um grupo carismático e variado, embora nem todos recebam desenvolvimento suficiente. Gostei especialmente dos adultos, adoraria ler mais sobre os avós de Rani. Outro aspecto que me interessou foi a questão de ser um livro brasileiro — além de algumas referências divertidas, o fato de o livro se passar em uma cidade do interior traz um quê de familiaridade, nem que seja imaginando os cenários como lugares que já visitamos.

Como não me importei muito com o enredo fantástico, a leitura acabou se arrastando, daí a minha avaliação baixa. No entanto, recomendo o livro para fãs de fantasia, música e para quem quer conhecer mais autores brasileiros. Apesar dos pesares, quero ler mais do Jim Anotsu no futuro.

Avaliação final:2,5/5

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

The Complete Polysyllabic Spree, Nick Hornby

 
(...) all the books we own, both read and unread, are the fullest expression of self we have at out disposal. (...) with each passing year, and with each whimsical purchase, out libraries become more and more able to articulate who we are, whether we read the books or not. Maybe that's not worth the thirty-odd quid I blew on those collections of letters, admittedly, but it's got to be worth something, right?
Eu tive uma fase muito Nick Hornby na vida. Foi quando eu descobri que existia literatura que falava sobre cultura pop, o que foi logo depois de ter descoberto que eu me importava com cultura pop. Eu e o autor passamos por momentos muito bons juntos, em que cheguei a colocá-lo entre os meus escritores favoritos, e outros nem tanto, quando percebi que qualquer um com uma obra mais extensa é capaz de decepcionar. Minha irmã comprou vários livros dele, com suas capinhas bonitinhas das edições em inglês, mas eu os deixei parados na estante por bastante tempo. Aí eu senti vontade de ler algo de não-ficção e peguei o The Complete Polysyllabic Spree. Não acredito muito em "momento certo" de leitura, mas mesmo assim digo que valeu a pena a espera. Ler um livro que fala tão honestamente e com paixão sobre leitura em um momento em que você está lendo mais por obrigação — porque é o que você sempre fez, não exatamente porque você quer — me fez me lembrar conscientemente do quanto eu amo ler.

O livro é uma compilação de artigos que o Nick Hornby escreveu para a revista Believer. Neles, ele lista as leituras e compras de livros do mês e comenta um pouco sobre o que achou, além de digressões, piadas e reflexões sobre literatura. A primeira coisa que chama atenção, depois da diferença entre a quantidade de leituras contra a quantidade de livros comprados (quem nunca?), é a variação de gêneros que Hornby lê. Tem ficção contemporânea, clássica, histórias em quadrinhos, livros-reportagem, poesia e estilos variados de não-ficção. Como uma pessoa fã especialmente de romances,  as leituras dele em geral não chamaram a minha atenção. De repente tem páginas sobre um livro de, sei lá, beisebol, e você fica um pouco decepcionada, porque tem tantos livros legais que podiam ser mais comentados! Ao mesmo tempo, é interessante sair da zona de conforto e ver alguém falando com tanto interesse sobre um livro de beisebol. E eu consegui acrescentar alguns livros na minha lista de desejo, então valeu a pena.

No entanto, o destaque não são os comentários específicos sobre os livros lidos, e sim quando Nick Hornby fala sobre leitura. Eu não sou daquelas pessoas que acha que literatura é a melhor forma de arte e que "como assim você não gosta de ler? Credo!", mas vê-lo falando com tanta sinceridade e carinho sobre o assunto é bonito demais (desculpa, sou brega). E ele consegue não ser elitista, o que também é bem legal. Além disso, ele tem um estilo de escrita muito gostoso de ler. Sabe quando você pensa "queria escrever desse jeito"? Se eu escrevesse metade do que o Nick Hornby escreve, essa forma leve, despretensiosa e divertida que é muito particular dele, eu já estaria feliz.

Eu acho que esse livro é para qualquer um? Não acho. O humor do escritor não agrada todo mundo e às vezes ele exagera. Além disso, por se tratar de textos que originalmente eram de uma revista, a quantidade de piadas com a Believer perde o contexto aqui. Contudo, se você está precisando relembrar o porquê do seu amor pela leitura, vale a pena dar uma chance para esse livro. 

Avaliação final: 4/5

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Harry Potter and the Cursed Child, J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne

 
ALBUS: I'm just asking you, Dad, if you'll — if you'll just stand a little away from me.
HARRY (amused): Second-years don't like to be seen with their dads, is that it?
(...)
ALBUS: No. It's just — you're you and — I'm me and —
HARRY: It's just people looking, okay? People look. And they're looking at me, not you.
(...)
ALBUS: At Harry Potter and his disappointing son.  
Então eu li Harry Potter and the Cursed Child. Vou dizer que estava esperando ansiosa para o livro? Não. Eu estava até em dúvida se ia lê-lo logo ou se esperaria chegar a tradução, ou mesmo se só pensaria sobre ele quando chegasse um exemplar na biblioteca. Mas no meio do caminho havia o fandom de Harry Potter, e é claro que as pessoas não pararam de falar sobre o assunto. A opinião geral era de que a história parecia uma fanfic ruim, e quem sou eu para negar a leitura de uma fanfic ruim?

Se você não quer ter nenhuma informação sobre o enredo, sugiro que não leia a resenha. Não vou dar nenhum spoiler, mas tudo é spoiler para quem prefere ler o livro sem saber nada.

Enfim, vamos lá. Eu li a peça sabendo só da premissa, que envolvia os filhos da geração do Harry e viagens no tempo. E que as pessoas shippavam Albus e Scorpius. Achei o enredo um pouco estranho e certamente gostaria de ter visto mais cenas cotidianas. Dá para entender por que o foco é nas aventuras, mas sinceramente minha parte favorita em Harry Potter é o dia a dia de Hogwarts e como o relacionamento dos personagens vai evoluindo aos poucos. Não tem "aos poucos" nesse livro porque é uma peça só cheia de ação. Albus e Scorpius se conhecem, três minutos depois já são amigos e já vivem altas aventuras (isso não é uma crítica à peça, porque não é propriamente um defeito, é mais uma questão de gosto mesmo).

Li várias resenhas que diziam que não iam comentar nada sobre o formato, porque é uma peça e deveria ser vista no palco. Eu particularmente acho que a partir do momento em que sai um livro da peça a gente tem todo o direito de comentar a forma. O que mais me chamou atenção é o quanto as rubricas não são neutras: elas não servem só para guiar os atores, mas também demonstram o que a gente deve pensar. O caso mais óbvio é do Snape: SNAPE looks at him, every inch a hero (...). Eu gosto do Snape, mas para que ficar heroicizando o cara? Aliás, outra coisa que se destacou no livro, para o bem ou para o mal, é como parece haver um acerto de contas com personagens. Dumbledore e Draco, por exemplo, recebem tratamentos especiais e cenas emotivas como se a Rowling estivesse pedindo desculpas ou se justificando pelo tratamento deles durante a série.

Enquanto alguns personagens são mais aprofundados do que eu esperava, outros parecem até desvirtuados das personalidades anteriores. Rony apresenta apenas um traço na peça: ele é alívio cômico. Em algumas realidades paralelas, Hermione, Rony e até Cedrico agem de forma totalmente diferente do que qualquer um imaginaria, mesmo com todas as mudanças nos eventos.

Apesar de tudo isso, não posso mentir: achei Harry Potter and the Cursed Child bem divertido. Li em umas duas sentadas, morrendo de vontade em saber o que ia acontecer em seguida. O fato de tudo ser bem implausível só aguçou a minha curiosidade. Ou seja, pode até ser fanfic ruim, mas não é daquelas que a gente larga no meio.

Avaliação final: 3/5

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Retrospectiva: abril, maio, junho e julho

• Faz tempo que eu não escrevo aqui, né? O blog está devagar quase parando, mas pretendo revivê-lo aos poucos. No entanto, não sei bem como vou voltar. No ano passado, consegui manter razoavelmente bem essa coisa de resenhar praticamente todos os livros que lia. Agora não consigo mais. Sinto um desânimo na obrigação autoimposta de escrever resenhas e me parece que a blogosfera literária não é mais a mesma. Quase todos os blogs de livros que eu leio acabaram ou reduziram bem a frequência de posts. Mesmo minha animação em ler e comentar resenhas alheias diminuiu. É difícil admitir que algo que foi seu hobby por tanto tempo simplesmente não te interessa tanto agora, né? Ainda vou repensar bem sobre o que vou fazer, porque escrever sobre o que leio me ajuda a relembrar o que achei e a valorizar o momento da leitura. Provavelmente vou escrever mais comentários pequenos sobre livros e menos resenhas, mas ainda tenho que pensar no resto do conteúdo do blog. Não sei. Veremos.

• Além desse desânimo, teve também a já esperada greve na faculdade e o esperado fim de semestre fora de hora. Terceira greve em quatro anos e eu pensava que seria mais fácil, mas olha, fica cada vez mais difícil de suportar. Mas pelo menos já acabou e significa que a não ser que algo muito absurdo aconteça eu terei um semestre normal a partir de semana que vem e minha rotina voltará a entrar nos eixos.

Nesse período:  
Eu vi… muita coisa, não sei nem por onde começar? O destaque fica com a primeira temporada de My mad fat diary, uma série britânica adolescente maravilhosa.
Eu li… várias graphic novels, graças a minha irmã. E já completei meu Goodreads Reading Challenge, já li mais de 50 livros esse ano! Talvez por isso esteja sofrendo para escrever resenhas, não estou acostumada com esse ritmo.
Eu escrevi…  ficção! Tinha algumas ideias engavetadas mas o começo parece tão definitivo, né? Eis que umas pessoas sugeriram o Camp NaNoWriMo e eu decidi tentar. Criei uma meta pequena (10.000 palavras em um mês) e não bati nem um terço dela, mas sinceramente só o fato de já ter começado já foi uma vitória. 
 
No blog:
• O primeiro post foi a retrospectiva de fevereiro e março.

• Depois escrevi uma resenha de um livro lido no início do ano passado, Secret society girl.

• Como sempre, tem post comentando os filmes que eu vi — de distopias adolescentes a porcos falantes.

Brooklyn foi um desses livros que cresceu comigo depois da leitura. Recomendo muito!

•  Finalmente fiz meu diário de viagem para Porto de Galinhas.

A casa torta foi encontrado do lado do lixo e se tornou meu livro favorito da Agatha Christie.

•  Comentei sobre alguns livros curtos ou releituras que fiz.

• Resenhei A sociedade literária e a torta de casca de batata, um livro que me surpreendeu positivamente.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

A sociedade literária e a torta de casca de batata, Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

Quando a guerra terminou, também prometi a mim mesma que nunca mais iria falar sobre ela. Eu tinha passado seis anos falando sobre a guerra e vivendo a guerra e estava querendo prestar atenção em outra coisa — qualquer coisa. Mas isso era como querer ser outra pessoa. A guerra agora faz parte da história de nossas vidas, e não há como esquecê-la.
Esse é um daqueles livros que dá vontade de ler só pelo título: A sociedade literária e a torta de casca de batata. Tem uma sociedade literária! Tem uma torta de casca de batata! As duas coisas não parecem ter a menor ligação! Fascinante, não é? Mas a capa é um pouco brega, e quando eu descobri que era um livro sobre a guerra fiquei um pouco desanimada. De qualquer jeito, ele chegou a mim por vontade alheia, ou seja, minha tia emprestou e eu aceitei.

O livro é um romance epistolar e sua protagonista é Juliet, uma escritora. Ela troca cartas com seu editor e suas amigas, e um dia recebe uma carta de um homem, Dawsey Adams, que encontrou seu nome e endereço na folha de rosto de um livro de Charles Lamb. Eles logo entram em contato e Juliet descobre a sociedade literária de Guernsey, uma ilha britânica que fora ocupada por nazistas durante a guerra. Procurando um assunto para seu próximo livro, Juliet logo se envolve com as pessoas de Guernsey.

No começo, a quantidade de personagens e de cartas assusta bastante e demora um pouco para entender exatamente o que está acontecendo e quem é quem, mas aos poucos os personagens principais são delimitados e a gente consegue compreender quem é importante e quem não vai aparecer de novo. Achei os personagens carismáticos, mas um pouco parecidos entre si — talvez por isso fique difícil reconhecê-los no começo —, com a exceção da Isola, que sem sombra de dúvidas é a personagem mais divertida do livro.

No geral, A sociedade literária e a torta de casca de batata funcionou para mim no momento da leitura: achei interessante, divertido e prendeu a atenção. No entanto, não foi um livro marcante e, assim como compreendo elogios ao livro, também entendo quem não goste. Ele não se aprofunda muito em nenhum dos tópicos que aborda e nada empolga de verdade, sabe? E se a gente parar para pensar, é tudo muito inverossímil. Mas eu consegui esquecer disso enquanto lia, então acho que tudo bem.

Avaliação final: 3,5/5

terça-feira, 28 de junho de 2016

Comentários sobre livros #5

1- The catcher in the rye, J.D. Salinger

Foi uma releitura. Li pela primeira vez para a escola e reli... Para a faculdade. Não me lembro do que achei na primeira leitura, em que era mais nova que Holden, e meus sentimentos continuam variados, tanto que não consegui escrever uma resenha sobre o livro. No geral, compreendo quem ama o livro mas também entendo quem odeia. Gostaria de saber o que eu acharia se não fossem as influências acadêmicas e as aulas sobre isso, mas não dá para se ter tudo. Avaliação: 4/5

2- A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Esse livro foi queridinho de muitos, porque que leitor não cai de amores por uma história sobre livros? No entanto, gostei mas não me apaixonei. Os personagens são carismáticos, porém pouco aprofundados e sinto que o livro é curto demais para tantos acontecimentos. Prendeu a atenção, mas foi do tipo li-e-logo-esqueci. Avaliação: 3,5/5

3- Tormento, John Boyne

Tormento é um infantojuvenil e como é bem curtinho, do tipo de menos de 100 páginas, e é do John Boyne, decidi pegar um dia na biblioteca. Eu vi uma resenha bem elogiosa, mas acabei me decepcionando com o livro. De novo, curto demais para os elementos que ele tenta explorar. São vários personagens com seus próprios problemas tratados de forma rasa e o final se resolve de repente demais. Não funcionou comigo. Avaliação: 2,5/5

4- Wunderkind, Carson McCullers

Essa coleção de livros pequenininhos estava com desconto na Livraria Cultura e minha irmã comprou uns quatro, de autores que a gente queria conhecer, como é o caso da Carson McCullers, ou livros que simplesmente pareciam interessantes. Comecei por esse só porque caiu no sorteio da minha TBR jar. O livro é formado por quatro contos e nenhum me pegou. O negócio com contos é que eu nem sei explicar por que eu gosto de alguns, a magia acontece ou não. Não aconteceu aqui, embora seja inegável que a autora escreva muito bem e que eu continue curiosa para ler seus romances. Avaliação: 3/5

5- O caso da estranha fotografia, Stella Carr 

Li para a escola quando estávamos aprendendo sobre narrativas de enigma. Não gostei muito, sou mais O gênio do crime ou O mistério do cinco estrelas. Relendo uns dez anos depois, mantenho a minha opinião. Li em uma sentada, mas o final é um pouco frustrante, talvez pelo motivo do crime ser genérico e adulto demais em um livro de crianças(?). E também é do tipo que joga fatos aleatórios no meio da narrativa para ser educativo, como a irmã falando sobre biologia marinha, e eu morro de preguiça disso. Avaliação: 3/5

terça-feira, 7 de junho de 2016

A casa torta, Agatha Christie

— Sim, realmente nunca se sabe ao certo, não é mesmo? As pessoas são capazes de surpresas terríveis. Forma-se uma impressão acerca de alguém e ela às vezes resulta totalmente errada. Nem sempre... mas às vezes, acontece.
Eu nunca tinha ouvido falar de A casa torta, e provavelmente continuaria sem conhecer se as circunstâncias certas não tivessem se alinhado e eu e minha irmã não tivéssemos encontrado o livro entre uma pilha de livros abandonados do lado da cesta de lixo do meu andar do prédio. Minha irmã decidiu resgatar o livro, velho mas em plenas condições de ser lido, e ele ficou na estante por muito tempo intocado, até que ela leu e eu decidi ler também porque a gente tem livros demais e livros de mistério são bons para se passar para frente: quando a gente já sabe o final não tem tanta graça reler, né?

A casa torta, como o título bem indica, se passa em uma casa torta, local do envenenamento de Aristide Leonides, o patriarca da grande família que vive lá. Quem investiga o crime não são os detetives famosos da autora, mas Charles Hayward, jovem apaixonado por uma das netas de Leonides e filho do comissário da Scotland Yard. Assim, Charles está em uma posição de nem-da-polícia-e-nem-exatamente-da-família, o que o deixa mais confortável para investigar. Porém, com sua falta de experiência, é fácil deixar alguns detalhes passarem...

Não sei se foi porque eu não gosto tanto assim da Agatha Christie e por isso as expectativas estavam baixas ou se foi porque eu estava com saudades de romances policiais, mas acabei me surpreendendo com A casa torta. O final me deixou surpresa de uma forma agradável, e não com aquele gosto amargo da inverossimilhança que decepciona. É uma leitura bem rápida, li as duzentas e tantas páginas em dois dias, e apesar de terem vários personagens, a personalidade deles é marcante,  ou seja, logo a gente consegue diferenciar um do outro.

No geral, não é um livro que se destaque muito entre os romances policiais, mas é um mistério competente, pelo menos para mim que não sou fissurada no gênero. Virou o meu favorito da autora.

Avaliação final: 3,75/5

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Brooklyn, Colm Tóibín

Aqui ela não era ninguém. Não era só por não ter amigas e família; mais que isso, ela era um fantasma naquele quarto, nas ruas a caminho do trabalho na loja. (...) Nada aqui era parte dela. (...) Fechou os olhos e tentou pensar, como fizera tantas vezes na vida, em alguma coisa que ela desejava muito, mas não havia nada. Nem a coisa mais ínfima. Nem mesmo a chegada do domingo. Nada, a não ser talvez dormir, e ela nem tinha certeza se queria mesmo dormir.
Logo depois de ver o filme, decidi ir atrás do livro, porque deu vontade, eu tinha tempo e havia um exemplar disponível na biblioteca. Foi uma boa oportunidade para eu conhecer o Colm Tóibín, de quem ouço falar há um bom tempo.

Em Brooklyn, conhecemos Eilis, uma jovem irlandesa que acaba indo morar em Nova York para ter uma condição melhor de vida, deixando sua mãe e sua irmã na Irlanda. Ela tem que aprender a se adaptar em um lugar novo, onde não conhece ninguém. Quando finalmente está mais acostumada com sua vida nova, um acontecimento a obriga a retornar para Irlanda por um tempo, e Eilis se divide sobre o que deverá fazer então.

Muita gente, ao comentar o filme, diz que é uma história de uma garota dividida entre dois amores. Eu mesma, ao escrever o resumo acima, coloquei a dúvida da personagem como parte importante do livro. Mas, para mim, Brooklyn é principalmente sobre uma jovem tendo que lidar com uma situação nova em um local novo. É uma narrativa de imigração, especificamente sobre a imigração irlandesa para os Estados Unidos. A maioria dos contatos de Eilis em Nova York é irlandesa também, há uma comunidade fortemente unida e o livro explora bem essa questão cultural.

A minha maior questão do livro é em relação a Eilis. Ela é uma personagem bem passiva: vai para os Estados Unidos porque é o que a irmã diz que é o melhor para ela, depois volta para Irlanda porque precisa e quando tem que tomar a decisão de ficar ou não, ela simplesmente empurra isso com a barriga até ser inevitável e a decisão estar praticamente tomada por ela — um pouco diferente do filme, no qual ela parece ser mais dona de si no final. Eu não sabia como lidar com uma personagem tão não-protagonista, então mesmo que tenha gostado bastante da escrita do autor e da história em si, não tinha entendido bem o que era para tirar do livro. 

Mas aí, com o tempo depois da leitura, essa questão foi desaparecendo e eu fui valorizando mais o livro na minha cabeça. Porque eu, de certa forma, sou bem parecida com a Eilis, evitando decisões e aceitando o que os outros dão para mim. Ou seja, embora no meu comentário sobre o filme eu tenha escrito que não tenha os conflitos da protagonista, no livro eu acabei me identificando com ela em questão de personalidade...

Enfim, recomendo para quem gostou do filme e para quem gosta de histórias cotidianas e sem grandes acontecimentos. Pretendo ler mais do Colm Tóibín no futuro.

Avaliação final: 3,75/5

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Secret society girl, Diana Peterfreund

Now that I was on the inside, Rose & Grave seemed to hold little in common with its formidable and mysterious reputation. Okay, so there were dead bodies (skeletons, at least) in this tomb. So what? They had them in the biology lab as well. And divested in their hoods and freaky-ass makeup, the other knights looked less like a satanic cult and more like a bunch of college kids playing dress-up.
Secret society girl foi um dos primeiros YAs que eu vi fazendo sucesso aqui, na época de ouro da Galera Record. Eu tinha curiosidade em conhecer o livro, mas acabei deixando passar e só fui lê-lo no começo do ano passado no abandonado clube do livro do qual eu participava.

Como o título bem indica, o livro fala sobre sociedades secretas. Amy estuda em uma faculdade da Ivy League e espera entrar na sociedade secreta dos escritores. No entanto, ela recebe o convite para entrar na Rose & Grave, a sociedade mais famosa e que antes só aceitava membros homens. Eles têm ritos estranhos e membros importantes, e de repente a estudiosa mas não exatamente popular Amy precisa lidar com todas as novidades.

Esse é o primeiro volume de uma série de quatro livros e, sinceramente, não é daqueles livros que funcionam sozinhos. Tentei resumir a história deixando claro qual seria o conflito, mas não tem um conflito principal, e sim uma sequência de pequenos problemas e suspenses. O livro não parece ter um grande clímax, funcionando mais como uma introdução para o resto da série.

Acontece o mesmo com os personagens: são muitos para um livro só, então pouquíssimos deles são bem trabalhados. Faz sentido ter um núcleo desse tamanho para uma série, é claro, mas lendo um livro só fiquei com a impressão de que eles foram mal aproveitados.

Mas, apesar dessas impressões ruins, ainda foi uma leitura divertida, rápida e que prendeu a atenção. O problema é que eu cheguei ao fim com aquele sentimento de "é só isso?". De alguma forma eu esperava mais: uma sociedade secreta mais interessante, personagens mais desenvolvidos e um ritmo que funcionasse a história toda. Não tenho planos de continuar a série, mas quem gostar de sociedades secretas talvez se envolva mais. O livro foi bem elogiado tanto lá fora quanto aqui, então quem sabe valha a tentativa.

Avaliação final: 2,5/5

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Retrospectiva: fevereiro e março

• Juntei dois meses de novo porque não fiz nada de interessante em fevereiro. É incrível como a rotina suga nosso tempo e disposição, né? Já estou desejando férias de novo, embora a perspectiva mais próxima seja de greve na faculdade mesmo.


• Para não dizer que foram meses completamente inúteis, algumas coisas não podem passar em branco: em março eu conheci pela primeira vez pessoas da internet (da Revista Pólen)! Eu fiquei meio nervosa porque quase não falei nada, mas aí me lembrei de que simplesmente sou péssima em conversas em grupos grandes mesmo com amigos íntimos e me senti melhor comigo mesma. Achei que minha mãe ia dar aquelas recomendações do tipo "você tem certeza que eles são reais?" até perceber que ela já conheceu muita gente pela internet. Minha mãe, rainha dos orkontros. Pois é.

• Ainda no tópico Pólen, escrevi um texto sobre procrastinação na edição sobre futuro e fiquei muito feliz porque ele fez mais sucesso do que eu esperava — e um pouco triste por bastante gente se identificar, porque ninguém merece esse sofrimento. Apesar de eu ter procrastinado bastante na área ~criativa~, ou seja, nos textos que escrevo por lazer, o começo do ano foi razoavelmente bom na questão da produtividade acadêmica, ou pelo menos foi melhor do que no ano passado. A única parte que está sofrendo bastante é o meu estudo de japonês, que está renegado ao dia de véspera da aula e não está funcionando nada bem. 

Em fevereiro e março:  
Eu vi… vários primeiros episódios. Comecei a ver Jessica Jones, tentando dar uma chance para os super-heróis com uma série pouco típica de super-herói, Master of None, uma comédia que eu queria amar mas ainda não rolou, Kogepan, um anime fofo e doidinho, entre outros. Assisti a primeira temporada de Jane the Virgin e adorei, mas a segunda está um pouco repetitiva. E estou acompanhando também MasterChef Brasil, que ainda não está muito empolgante (e tenho a impressão de que menos gente está assistindo, o que significa que a minha timeline não fica tão engraçada).

Eu li… Pride and prejudice pela primeira vez! Não gostei muito de Razão e sentimento, por isso minhas expectativas para outras obras da Jane Austen eram baixas. Continuo achando que a autora não é bem minha praia, mas apreciei bem mais a leitura sobre o casal Bennet e Darcy, por motivos que explicarei melhor na futura resenha.

Eu ouvi… pouquíssima coisa nova, de novo. Não consigo fazer obrigações com música ao fundo, e esses meses foram cheios de tarefas, então...

Eu escrevi…  minha primeira newsletter! Como dá para perceber pela data, ainda não entrei no ritmo certo, mas tenho planos de escrever quinzenalmente.

Eu comi… chocolate! Nos últimos anos não ganhei muita coisa de Páscoa, mas nesse eu até ganhei um ovo (vantagens de trabalhar em um escritório) e vários doces. Agora não sei o que fazer para acabar com o vício. Dicas?

Eu fui… para Santos conhecer o novo apartamento dos meus tios. Passei uns três anos sem ir para a praia e de repente eu viajei duas vezes em três meses. Não gosto muito de praia, mas a viagem foi legal.


Eu (não) comprei… nenhum livro nesse ano!!! Fico muito feliz, mas é claro que a minha irmã lembrou que esse ano tem Bienal e já estou pensando em tudo que vou comprar.

Eu fiz… fichamentos, resenhas, papers, lições de casa. Definitivamente não vou sentir falta dessa rotina de tarefas quando me formar na faculdade.
 
No blog:
• Comecei fevereiro com a resenha de Por que Indiana, João?, um YA brasileiro bom, mas que tinha potencial para ser melhor.

• Em seguida, fiz a retrospectiva de janeiro.

• Resenhei O crime de padre Amaro, livro que li para a aula de Literatura Portuguesa na faculdade.

•  Iniciei uma seção de comentários sobre CDs para falar um pouco de música de vez em quando.

• A próxima resenha foi de Eles eram muitos cavalos, outra leitura para a faculdade.

• Vi alguns filmes do Oscar desse ano e comentei sobre eles. A maioria é de animação, nas categorias principais eu mal sou capaz de opinar.

• Escrevi sobre Dash & Lily Book of Dares, um YA fofinho e natalino.

• Tirando o atraso, finalmente fiz a resenha do anime Shigatsu wa kimi no uso. É um daqueles casos de coisas que eu gostaria mais se as pessoas não amassem tanto. Superestimado, eu diria.

• Por fim, resenhei Antes de dormir, um suspense eficiente, mas pouco marcante.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Antes de dormir, S. J. Watson

Não tenho memória. Nada. Não há uma só coisa nesta casa que eu me lembre de ter visto antes. Nem uma única fotografia — sejam as que rodeiam o espelho, sejam aquelas no álbum à minha frente — me desperta lembrança de quando foi tirada, não há nenhum momento com Ben de que eu me recorde, a não ser os que compartilhamos esta manhã. Minha mente parece totalmente vazia.
Não precisa de muito para me fazer ler um livro de mistério. Um enredo com algo novo para mim já é o suficiente. Por isso Antes de dormir, sobre uma mulher com amnésia, estava na minha lista há tempos.

Christine, a protagonista, acorda todos os dias sem saber quem é e onde está. Seu marido, Ben, explica a situação: ela teve um acidente e por isso sofre da perda de memória. Como ela consegue se lembrar dos acontecimentos do dia enquanto está acordada, seu médico a encoraja a escrever um diário, para ela ler todos os dias e ir somando as memórias. No entanto, algumas peças do quebra-cabeça da sua identidade não parecem se encaixar. Será que Ben está mentindo? Em quem Christine pode confiar? São essas questões que ficam na mente do leitor durante a leitura.

A primeira parte do livro chama "Hoje" e começa com um dia normal da vida da Christine, ou seja, com ela completamente confusa. Essa parte é interessante por nos colocar na mente de uma amnésica e assim tentamos entender como é o seu cotidiano. Depois passamos para o diário dela, que corresponde a grande parte do livro. No início, achei legal essa parte, mas depois de um tempo ficou um tanto repetitivo e fiquei me questionando quando é que algo emocionante ia acontecer, porque no começo a gente nem sabe quais são as perguntas para serem respondidas, mal sabe o que está estranho na história. Afinal de contas, ela não se lembra das coisas e passa muito tempo sem nem desconfiar de nada.

Aí chega a parte final, que volta ao tal "Hoje". Temos a revelação, que achei bem razoável: não é completamente óbvia nem surpreendente do tipo de ser completamente inverossímil. Ela se encaixa no que a história pretende ser, embora se pensarmos melhor sobre isso acabe ficando um pouco irrealista, é bem verdade.

Os personagens são bem construídos, mas eu não liguei para nenhum deles. Achei inclusive que alguns foram retratados de forma positiva demais, considerando que *insira spoiler aqui*. Não me importei com o núcleo familiar da Christine, que tem um tom de melodrama que não é meu estilo.

Por fim, apesar de não ser um livro perfeito, é um suspense muito eficaz para leitores ocasionais do gênero, como eu. As quatrocentas páginas passam rápido mesmo nas partes mais tediosas. A adaptação para o cinema não parece ter feito muito sucesso, mas pretendo assistir algum dia.

Avaliação final: 3,5/5

quinta-feira, 3 de março de 2016

Dash & Lily's Book of Dares, Rachel Cohn e David Levithan

You could be standing a few feet away — Clara's dance partner, or across the street taking a picture of Rudolph before he takes flight. I could have sat next to you on the subway, or brushed beside you as we went through the turnstiles. But whether or not you are here, you are here — because the words are for you, and they wouldn't exist if you weren't here in some way. This notebook is a strange instrument — the player doesn't know the music until it's being played.
Eu gostei bastante de Nick & Norah - uma noite de amor e música, então quando soube que os autores haviam lançado mais livros nesse estilo fui correndo colocar na listinha para ler. Demorou, mas um dia bateu aquela vontade de ler um YA, não tinha nenhuma leitura obrigatória para fazer ah, a liberdade de não participar de nenhum desafio literário... — e peguei o Dash & Lily's Book of Dares da estante. 

O livro segue a mesma lógica de Nick & Norah: o David Levithan escreve pelo menino, Dash, e a Rachel escreve a parte da menina, a Lily. Eles não se conhecem até que Dash encontra um caderno na sua livraria favorita com um desafio para cumprir. Ele resolve o desafio e decide continuar jogando, deixando novas dicas para quem encontrar. Assim, sem se conhecerem pessoalmente, Lily e Dash vão trocando mensagens e desafios e se conhecendo melhor, sempre se perguntando se a outra pessoa que escreve é como imaginam que ela seja.

É importante dizer que é um livro natalino. O Natal está presente em toda a história, com a contraposição forte entre Lily, que ama a data, e Dash, que odeia. Essa diferença entre os dois se acentua com outros aspectos da personalidade deles: Dash tem jeito de hipster, é sarcástico e tenta ser cool, enquanto Lily é mais ingênua, fofa e feliz. Enquanto eles estão apenas trocando mensagens, gostei bastante de ambos os lados. Não são personagens que eu amei, mas eles têm lá a sua simpatia e a escrita é boa o suficiente para prender a atenção. Mas quando eles se juntam, senti que não era bem isso que eu esperava. Faltou química, acho, ou melhor: faltou que eu sentisse a química. Eu, que torcia tanto para vê-los juntos, fiquei decepcionada quando isso aconteceu, ou por causa da forma que aconteceu.

Então posso dizer que não é um dos meus YAs favoritos. É bonitinho, uma boa leitura para momentos de tédio, mas alguma coisa não se encaixou. Faltou sentimento, não sei. Pelo que vi no Goodreads, o livro aparentemente vai ter uma continuação, que talvez eu até leia algum dia. Mas continuo preferindo Nick & Norah, até pela temática: sou muito mais fã de música do que do Natal.

Avaliação final: 3,5/5

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato

Na esquina com a rua Estados Unidos, o tráfego da avenida Rebouças estancou de vez. Henrique afrouxou a gravata, aumentou o volume do toca-cedê, Betty Carter ocupou todas as frinchas do Honda Civic estalando de novo, janelas cerradas, cidadela irresgatável, lá fora o mundo, calor, poluição, tensão, corre-corre.
Estou cursando uma matéria sobre literatura brasileira contemporânea e Eles eram muitos cavalos é uma das futuras leituras. Decidida a adiantar algum livro, comecei, obviamente, lendo o mais curto, porque se não começasse pelo mais fácil não seria eu.

No entanto, eu não definiria como "fácil" o livro do Luiz Ruffato. Ele é separado em setenta episódios que se passam todos no mesmo dia na cidade de São Paulo e vão desde narrativas mais tradicionais a textos de jornais. São variados também os tipos de personagens e os locais retratados.

A ideia de Eles eram muitos cavalos é inteligente, (pós-?)moderna, contemporânea. É um livro interessante, mas não posso dizer que adorei, porque achei muitos fragmentos chatos. Muitos terminam no meio, ou são aquele tipo de prosa poética que precisa de muita imaginação para funcionar. Não sou intelectual o suficiente para apreciar tudo, embora tenha vários episódios que me agradaram bastante.

Estou bem curiosa para saber o que os acadêmicos pensam do livro, tão elogiado pela crítica mas nem tanto pelos leitores. Termino com a minha resenha favorita dele, de um gênio do Skoob que resumiu o sentimento de muita gente em tão poucas palavras:



Avaliação final: 3/5

sábado, 13 de fevereiro de 2016

O crime do padre Amaro, Eça de Queirós

 O pároco fechou a porta do quarto. A roupa da cama entreaberta, alva, tinha um bom cheiro de linho lavado. Por cima da cabeceira pendia a gravura antiga dum Cristo crucificado. Amaro abriu o seu Breviário, ajoelhou aos pés da cama, persignou-se; mas estava fatigado, vinham-lhe grandes bocejos; e então por cima, sobre o teto, através das orações rituais que maquinalmente ia lendo, começou a sentir o tique-tique das botinas de Amélia e o ruído das saias engomadas que ela sacudia ao despir-se.
Essa foi uma leitura para a faculdade. Eu gostei mais do que esperava de A cidade e as serras, mas não teria vontade suficiente de ler mais do Eça sem algum incentivo. Porém existia uma Literatura Portuguesa III no meio do caminho, então... Lá fui eu ler O crime do padre Amaro.

A história é famosa: um padre tem um caso com uma jovem. Sendo um livro realista, ele foca mais na sociedade, na cidadezinha de Portugal e como funcionam as dinâmicas de poder lá, do que no amor romântico, que é inclusive ironizado. Os personagens são mais caricatos e não apresentam grande densidade psicológica. E, claro, são quase todos odiosos. 

Eu gosto do jeito irônico de escrever do Eça, que torna a leitura mais agradável e engraçada. Mas eu li o livro rapidamente, em cima da hora porque eu procrastinei e tinha prova, e isso deixou a leitura um pouco cansativa. Os dramas de cidadezinha pequena começam a ficar enrolados demais e perdi a paciência, acho que aproveitaria mais se o livro fosse mais curto (ou se eu lesse mais devagar...). De qualquer jeito, a história e as críticas, infelizmente, continuam bem atuais.

Enfim, a resenha vai ficar curta mesmo porque não tenho muito o que falar. Para quem gosta do estilo mordaz e descritivo do Eça, O crime do padre Amaro é uma boa pedida. Não posso comparar com o resto da obra dele porque só li dois livros, mas entendo o lugar de destaque que a história sobre o padreca ocupa — embora esse destaque se deva mais à fama da história do que ao livro em si (faz sentido?). Eu provavelmente deveria ler O primo Basílio também, porque como estudante de Letras eu teria que conhecer bem esse romance também, mas literatura realista portuguesa continua não sendo minha prioridade.

Avaliação final: 3,5/5

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Retrospectiva: janeiro

• Eu finjo que não ligo para passagem de ano, mas na verdade janeiro é sempre um dos melhores meses. São as férias, sem o cansaço residual que dezembro tem e o estresse das festas de final de ano. Mas o calor, é claro, é insuportável.

• No entanto, nem tudo dá certo, e já comecei o ano falhando em algumas propostas. Não consegui colocar o blog em ordem como eu esperava. Cheguei a conclusão de que quando a gente tem vontade, não tem tempo; quando tem tempo, não tem vontade e, se temos os dois, não temos disposição — de repente aparece uma dor de cabeça dos infernos. Enfim, o fato é que fui atrasando o que queria escrever porque não estava a fim de escrever. Consegui fazer o mínimo, felizmente, mas não tirei o atraso que 2015 deixou.

• Em janeiro houve também um boom de newsletters novas, o que deixou a minha caixa de entrada mais feliz e meu período no trabalho um pouco menos tedioso. Fiquei pensando em fazer uma, mas percebi que o conteúdo seria igual ao desse post e de qualquer jeito quase ninguém iria assinar. Depois, em um dia em que estava voltando do trabalho a pé e refletindo sobre viagens espaciais e a humanidade por causa de Perdido em Marte, pensei que poderia fazer uma newsletter com textos mais reflexivos e ~filosóficos~. Só que eu tenho uma grande dificuldade em escrever coisas pessoais desse nível, e muitos dos insights que tenho parecem bobagem meia hora depois, como meus pensamentos sobre o espaço, então eu perco a vontade logo. Enfim, talvez um dia quando vier um impulso irrefreável eu crie uma newsletter. Por enquanto estou só observando.

• De quando eu fiquei quase aliviada porque o David Bowie morreu: no dia da morte dele, minha mãe ia fazer uma cirurgia. Era algo pouco perigoso, mas a gente sempre fica receosa, especialmente porque minha mãe não é a pessoa mais saudável do mundo, é idosa, etc. Aí de manhã eu li meu horóscopo no jornal. Pausa: eu quase nunca leio o horóscopo, e em geral o da Folha diz coisas profissionais que nem tem como encaixar na minha vida. Mas o do dia dizia sobre ciclos que se encerrariam, e os textos dos signos de outras pessoas da minha família também falavam coisas que poderiam ser interpretadas como morte. Eu não acredito de verdade em astrologia, mas vai que funciona? Enfim, fiquei preocupada. Mas quando eu cheguei no trabalho e fui ler o Twitter as notícias, vi que o David Bowie tinha morrido. Fiquei chocada, porque a gente nunca espera que uma pessoa que lançou disco há tão pouco tempo morra, não sei, uma semana depois? Mas eu também fiquei um pouco aliviada: o horóscopo podia se referir a morte dele, não da minha mãe. E no final deu tudo certo com a cirurgia. Desculpa, Bowie, não é nada pessoal, juro.

• Dessa vez eu me lembrei de guardar links para indicar! O primeiro é sobre aqueles trenzinhos com gente fantasiada, tipo as pessoas desse que é o melhor clipe feito pela internet. Enfim, eu nem sabia que os trenzinhos eram um negócio grande e sério, na minha época era só algo infantil de cidade de interior mesmo. A reportagem é bem longa, mas é uma delícia de ler e as fotos são maravilhosas (e eu bem acho que poderiam fazer um filme de terror com essas fantasias e máscaras).


• O outro é um clima completamente diferente. É um tumblr sobre comédias românticas. Eu adoro ler esses projetos de quem resolve seguir uma lista, fazer um desafio e coisas afins. E é sobre comédias românticas, o que é maravilhoso. Eu não vi a maioria da lista pois sou poser do gênero, mas obviamente estou colocando na lista as com enredos mais mirabolantes e as clássicas que não assisti ainda.

Em janeiro:  
Eu vi… muita coisa! Finalmente assinei o Netflix no final do ano passado, e obviamente me aproveitei bem dele. Vi onze filmes no total, o que é um número alto para os meus padrões, comecei a ver Friends em ordem, porque sempre vi tudo picado na TV, e vi os primeiros dois episódios de Mad Men. Além disso, comecei a ver Honey & Clover II, e já me arrependi e estou frustrada, porque gostei tanto da primeira temporada do anime, mas a segunda foca nas relações românticas e é tanto dramalhão... E, é claro, comecei a ver a segunda temporada de Are you the one? Brasil

Eu (re)li… A irmandade das calças viajantes. Finalmente eu consegui terminar a releitura de uma série inteira. Em 2013 eu tentei reler Harry Potter e parei no terceiro. Em 2014 comecei a reler Desventuras em série e parei no terceiro. Mas as calças viajantes resistiram a maldição e consegui ler o quinto livro da série pela primeira vez também. Vou fazer um post com minhas impressões sobre cada livro em breve.


Eu ouvi… bastante coisa do meu iPod. Logo vou começar uma seção musical aqui no blog dando pitacos sobre os álbuns que eu escutei. Não sei se alguém vai se interessar, mas é uma maneira de eu pensar mais no que ouço.

Eu escrevi… outro texto para a Pólen, dessa vez uma resenha sobre as calças viajantes que fala mais sobre mim do que sobre os livros. Não fiquei muito feliz com esse texto, que gerou uma crise de por-que-eu-insisto-em-escrever e de como-é-difícil-escrever-sabendo-que-vai-ter-gente-que-vai-ler. Enfim, o de sempre. E isso ainda veio em um mês em que eu estava me sentindo bem com a escrita e pensando que talvez devesse divulgar mais algumas coisas que escrevo.

Eu comi… cookies e torta de liquidificador, minhas receitas do mês. Decidi que vou cozinhar pelo menos uma receita por mês (quando digo receita é porque tem que ser algo com receita a ser seguida, não coisas como arroz e carne moída que faço normalmente). Aos poucos vou aumentando meu repertório, mas por enquanto eu provavelmente não conseguiria viver sozinha... 

Eu fui… visitar a Casa das Rosas com uma amiga. É engraçado como eu sempre vivi em São Paulo e ainda tenho muitos pontos turísticos para conhecer. A casa e o jardim são bonitos, mas não diria que a visita é imperdível.

Eu (não) comprei… nenhum livro. Será que em 2016 eu consigo resistir aos impulsos consumistas?

Eu fiz… uma organização nas minhas coisas, mas tudo continua uma bagunça. 

No blog:

• Escrevi uma resenha de Cabeça de vento, um livro sobre troca de corpos!

• Também chegou a hora da retrospectiva de livros de 2015, que ficou gigante por motivos de reflexões sobre meu processo de leitura.

•  Depois postei a resenha de Garota exemplar, que mesmo que eu já soubesse parte do mistério não deixou de me impactar.

• Já quase no final do mês, publiquei a retrospectiva de dezembro.

•  A última resenha foi de Sayonara, gangsters, um livro estranhíssimo mas muito legal.

• Por fim, escrevi sobre os filmes que vi lá no meio do ano passado.